Notas iniciais
Ahhh tem bastante gente lendo (Seis leitores UHUL) Gente esse capítulo já tá bem mais legal porque algumas coisinhas já vão acontecer e já dá pra ter algumas suspeitas do que pode vir haha Não se esqueçam de comentar, hein!

Suzan estava realmente enferrujada em sair com seus amigos. Assim que chegaram no pequeno e aconchegante bar que se localizava perto do centro da cidade ela cumprimentou os amigos e todos eles fizeram questão de demonstrar a enorme surpresa ao encontrá-la finalmente fora de casa, de certa forma foi interessante e divertido rever todos eles, mas seus pensamentos zuniam para outro lugar.

Aqueles olhos... aqueles olhos... aqueles olhos...

–Vamos lá, Suzan, conversa com a gente um pouquinho, esquece um pouco o seu avô, ele está bem! — disse Ana , a aniversariante, com um sorriso no rosto e lhe entregando um copo com um líquido colorido dentro — Experimenta! Esse é muito bom...

Suzan segurou o copo desconfiada mas logo tomou um gole da bebida, sentiu-a queimar sua garganta ao descer como toda bebida alcoólica, mas logo em seguida um gosto adocicado tomou sua boca, fazendo com que a queimação não fosse tão desconfortável.

–É.... bom, mas mesmo assim deixa um gosto esquisito na garganta — ela disse fazendo uma leve careta, fazendo com que os outros rissem.

As conversas começaram a mudar o rumo e em como todo bom aniversário o tema voltava para os novos casais da escola, as separações, as brigas, enfim, as fofocas de todo dia. Ao que parecia John estava com uma nova namorada chamada Megan e Ana estava solteira denovo o que fez com que alguns dos colegas mais bêbados do recinto fizessem uma ola de comemoração.

Suzan absorveu tudo aquilo com uma sobrancelha levantada, era uma garota e era humana, não adiantava negar, ela adorava um segredo ou um podre alheio como toda garota jovem como ela. Depois de alguns segundos todos a olharam e Ana perguntou aquilo que todos estavam curiosos para saber faz um bom tempo.

–Então, Suz... Você e o Andrew não...? — ela disse deixando a voz morrer no final da pergunta. Andrew tinha acabado de ir ao banheiro o que deixava mais ou menos dezessete pares de olhos fixados em seu rosto.

–Nós não estamos juntos, nunca estivemos... — ela respondeu calma — Não sei porque vocês ainda querem saber disso, já nos perguntaram isso mais vezes do que posso contar...

–Não estou perguntando se estão juntos, só estou perguntando se vocês já ficaram, entendeu?

Suzan respirou fundo desconfortável.

–Bom....

Não precisava dizer mais nada, as garotas explodiram em gritinhos histéricos e os rapazes começaram a rir como se aquilo fosse a pior piada do mundo, Suzan sabia que aquilo não queria dizer que riam dela, mas mesmo assim ficou desconfortável com toda a atenção que estava recebendo.

–Eu sabia! — disse Ana se recostando no balcão — Vocês sempre foram muito juntinhos para que nada tivesse rolado, porque não contou isso antes?

–Porque eu tinha vergonha, não queria sair espalhando isso pra todo mundo...

Andrew nessa hora retornou ao seu assento e a conversa guinou para um caminho menos constrangedor, Suzan respirou fundo e tomou mais alguns goles de sua bebida, desviando seu olhar para a decoração simples do lugar com apenas alguns pôsters de bandas famosas e quadros de atores conhecidos, a parede detrás do balcão era iluminada o que dava uma beleza ainda maior para os líquidos e vidros coloridos das garrafas que estavam nas prateleiras.

–.... você viu aquele novo enfermeiro do posto ali do lado? Ele é tão gato!

Suzan desviou o olhar para Megan e Ana, que conversavam animadas.

– Sim, os olhos dele são tão lindos, só não gostei muito do cabelo dele, quem o descoloriu fez uma merda muito grande porque os deixou cinza, mas mesmo assim.... — Ana sorriu e levantou uma sobrancelha, dando muito a entender.

Suzan então voltou a pensar em seu avô, as horas passavam e ela se sentia cada vez mais impelida a voltar para casa, não confiava nem um pouco naquele homem e aqueles olhos que seduziam as outras garotas só metiam medo em seus pensamentos.

–Gente, eu acho que vou voltar pra casa, essa bebida não tá me fazendo muito bem... — ela sussurrou se levantando devagar, ela se dirigiu a Ana e a abraçou forte lhe desejando os parabéns, se despediu rapidamente de todos e começou a sair do bar.

–Ei... — Andrew segurou seu braço — Eu sei que está preocupada com o Fred... — ele disse se levantando e a olhando nos olhos — Mas você tem que relaxar um pouco, fica mais ...

–Eu... não posso, Andrew, preciso saber se está tudo bem.. — ela lhe deu um meio sorriso e lhe beijou a bochecha — Qualquer coisa eu te ligo, tá legal?

Ele assentiu e a soltou, voltando a se sentar em seu lugar enquanto que todos os encaravam, assim que Suzan saiu do bar ela ouviu a enorme comoção enquanto todos começavam a fazer as mesmas perguntas constrangedoras a Andrew e aquilo fez com que Suzan risse baixinho da atitude de seus amigos. Ela se dirigiu a estrada de cascalhos sem se importar com a escuridão que a cobria pois já conhecia o caminho de olhos vendados.

Ao se aproximar da casa, viu a luz da sala e do quarto de seu avô acesas, apressou-se até a porta e colocou a chave no trinco, mas algo a impediu, ela ouviu vozes lá dentro e pareciam preocupadas.

–.... Como assim você perdeu o contrato?! Aquilo era a única coisa que os impedia de vir até aqui nesse exato momento, você sabia disso?

–Sim, eu sei, mas o roubaram! O que eu posso fazer? Não tenho mais vinte anos de idade para correr atrás de ladrões...

–Não são apenas ladrões, Hales... — ela ouviu a voz forte de Marcos sibilar com desprezo, ela ficou imóvel do outro lado da porta, esperando.

–Não há nada que possamos fazer? — sussurrou Fred

–Leve-la embora... para bem longe.

Suzan olhou para o céu escuro, a temperatura estava caindo rapidamente e ela sentia que iria congelar se ficasse muito tempo ali fora, não resistiu e girou o trinco, abrindo a porta e entrando em casa.

–Suzan! Está tudo bem? Onde esteve?- sussurrou Fred, novamente se esquecendo de que sua neta estava com os amigos

–Eu estou bem, vovô, obrigada..Eu estava com meus amigos... — ela disse enquanto retirava o cachecol, a temperatura agora mais amena dentro do chalé. Ela desviou seu olhar para Marcos que estava sentado no sofá com uma xícara de chá nas mãos — Você já pode ir embora, eu posso cuidar do meu avô sozinha...

–Ah, agradeço senhorita Hales mas Fred pediu para que ficasse aqui durante a noite, ele estava se sentindo mal e pediu para que estivesse aqui caso precisasse de ajuda especializada.. — ele disse e lhe dirigiu um sorriso convencido.

Suzan respirou fundo, estava odiando cada vez mais aquele homem, ela se sentou na outra extremidade do sofá, se recusando a ir dormir enquanto aquele ser estivesse em sua casa.

– Bom, então vai ser uma longa noite..

–----------------------

Depois de algumas horas Fred foi para seu quarto dormir, deixando Suzan e Marcos sozinhos no sofá. Ele parecia confortável, comendo um biscoito de vez em quando e mantendo seu olhar ocupado em examinar a sala em que estavam. Suzan sentia as pálpebras pesarem mas não iria desistir tão fácil e se render ao sono. Ela colocou os pés sobre o sofá e se encolheu para se aquecer melhor, encostando a cabeça em um de seus braços esticados sobre o apoio do sofá.

–Porque não vai dormir, senhorita Hales, parece cansada...

–Não quero ir dormir.... Eu não confio em você — ela sussurrou e levantou a cabeça, se ajeitando em um posição desconfortável para se manter acordada.

–O que foi? Acha que vou te matar enquanto dorme? — ele disse enquanto sorria, como se a ideia o divertisse.

–Exatamente.

Marcos respirou fundo, pousando a xícara sobre a mesa de centro e se virando para ficar de frente para ela. Cruzou os braços e a olhou interessado.

–Qual é a do cabelo e dos olhos estranhos? — ela disse levantando as sobrancelhas, se sentindo subitamente interessada em de onde aquele homem havia surgido.

–É genético, meus pais também eram assim..

–Eram?

–Sim, eles se foram.

A frieza com que ele lhe dissera aquela informação a chocara. Como alguém poderia ser tão insensível a ponto de nem sequer esboçar tristeza ou saudades quando falasse de seus pais dessa forma.

–Como? — ela sussurrou levantando o olhar e o olhando nos olhos.

–Eles me deixaram, estão mortos para mim. — ele disse desviando o olhar para a parede.

“Ele se sente abandonado...” — ela pensou e olhou para a parede também.

–Meu pai também me abandonou... há cinco anos atrás... Nunca mais me procurou. — ela sussurrou enquanto abraçava os joelhos.

–Por quê? — ele sussurrou sem desviar seu olhar.

–Não sei, ele deve ter imaginado que iriamos usar seu dinheiro para bancar o tratamento do vovô e foi embora... — ela deu de ombros — Não me machuca mais.

Ambos ficaram em silêncio depois daquela conversa, cada um perdido em suas memórias, suas angústias. Suzan acabou por recostar sua cabeça no sofá e antes que pudesse evitar caiu no sono, sonhando com um bebê de olhos verdes brilhantes que chorava sozinho.

Marcos a encarou depois de alguns segundos e se levantou, se sentando de frente para ela, no chão. Ele passou uma das mãos por seus cabelos e uma luz lilás saiu por seus dedos e pareceu penetrar em seu couro cabeludo. O corpo dela relaxou visivelmente e sua respiração diminuiu de ritmo até um leve ressonar.

Ele se levantou e se dirigiu até o quarto de Fred, onde ele chorava baxinho e segurava com firmeza um livro antigo e a seus pés uma mochila estava pronta.

–Não deixem que eles a levem, Marcos, por favor.. — ele sussurrou enquanto guardava o livro dentro da mochila e a entregava a ele.

Marcos pendurou a mochila nos ombros e fez uma careta de raiva.

–Você deveria ter pensado nisso antes de vendê-la para eles. — ele resmungou descendo para a sala novamente. Fred fechou os olhos e chorou, pois o destino de sua garotinha não estava mais em suas mãos.

Notas finais
Comeentem /o/