Notas iniciais
Eeei, cadê os reviews gente? Tem sete pessoinhas (YAY) lendo e eu recebi só um comentário no capítulo passado (Queen Be linda, adoro seus comentários haha *-*) Espero mais reviews nesse aqui hein, senão vai demorar pra sair o próximo #vingativa hahahaha

Suzan acordou como se estivesse com uma ressaca forte, sentia-se balançar para frente e para trás e sua cabeça zunia com um turbilhão de pensamentos que disputavam sua atenção. Apertou mais os olhos pois uma luz forte lhe turvava a visão.

Depois de alguns segundos conseguiu colocar a cabeça no lugar, não estava tonta, estava de fato balançando. Sua posição não era das mais confortáveis, sentia suas mãos presas pelo peso de seu corpo. Soltou um resmungo de insatisfação e abriu os olhos novamente não conseguindo definir formas.

Seus olhos começaram a encontrar o foco dos objetos, a luz era forte, mas vinha fragmentada em vários pontos como se estivesse debaixo de uma lona furada. Parecia estar em um caminho.. uma trilha na verdade, de ambos os lados ornamentada com árvores altas e de copas vistosas, não reconheceu a paisagem ao seu redor.

A próxima sensação que a abateu foi o frio. Intenso e cortante.

O sol que tentava aquecer o solo era barrado pelas folhas das árvores e o chão da floresta estava congelante. Suzan se encolheu e olhou ao redor novamente, começando a se desesperar.

Onde estava? Como viera parar ali?

Ao olhar para suas mãos percebeu que estavam atadas firmemente com uma corda. Seu coração começou a bater mais rápido, seus sentidos se apurando como um animal indefeso em uma jaula. Alguém a trouxera ali e ela não queria descobrir para quê.

Seus olhos então focalizaram quem a carregava, era definitivamente um homem. Um homem de cabelos...

–MARCOS, ME SOLTA! — ela disse esperneando, fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e a fizesse cair sentada no chão — O que pensa estar fazendo? Dessa vez eu não vou deixar barato, eu vou ligar pra polícia!

Marcos a olhou entediado.

–Para de drama, você sabe muito bem para onde estou te levando e também sabe que precisa de mim.

Suzan abriu a boca, ficando ainda mais abismada com aquele ego enorme que Marcos tinha quando a opinião era sua importância.

–Quer saber de uma coisa? Você é um drogado, idiota, com sérios problemas mentais! — ela disse se levantando e se esforçando para soltar das amarras.Ela começou a retornar pela trilha no sentido contrário ao que estava indo anteriormente.

–Isso não vai dar certo.. — ele disse cantarolando sem sair do lugar — Não vai chegar a lugar nenhum desse jeito.

Suzan estancou. De certa forma ele estava certo, ela não fazia ideia de onde estava e andar por aí sem direção não parecia ser uma ideia muito sensata. Ela olhou ao redor, olhando os dois lados da floresta a sua esquerda e a sua direita, pensando.

–Você... Você... — ela o olhou, sentido o desespero lhe fechar a garganta — Porque está fazendo isso comigo? Eu não fiz nada pra você!! — ela disse se afastando mais alguns passos dele.

–Eu estou te ajudando, será que não entende? — ele resmungou.

–Sinceramente? Eu não entendo! — ela disse gritando enquanto em um movimento impensado ela corria para a floresta ao seu lado esquerdo.

–NÃO! Não entre ai! — ele disse parando entre duas árvores, observando-a se afastar. Ele sabia que não poderia passar daquele ponto.

Suzan corria rapidamente, o terreno logo se tornara uma leve descida,que logo começou a se tornar cada vez mais inclinada até que ela teve que se segurar nas árvores para continuar a descida, ouviu vozes em algum lugar a sua direita e pôs-se a gritar por ajuda.

–Socorro! Alguém me ajuda! Eu fui sequestrada!! — ela gritou enquanto se dirigia até lá, mas no meio do caminho se desequilíbrou e caiu, escorregando pelo terreno ingrime até se agarrar em uma árvore, um som metálico ecoou ao seu lado e ao olhar encontrou uma espécie de armadilha para ursos, um mecanismo que segurava a pata de um animal (ou a perna de alguém) com um pedaço de metal dentado, mas este estava insanamente afiado, o suficiente para fazer um belo de um estrago no que quer que fosse preso por ele. Aproveitou para usar aquele metal afiado para cortar as amarras de suas mãos.

Levantou os olhos para o grupo de pessoas que vinha ao longe e sentiu a voz falhar no meio do caminho, as pessoas que acreditava serem sua salvação lhe pareceram mais assustadores do que seu próprio sequestrador.

Seus rostos possuiam traços fortes, os cabelos eram todos do mesmo tom estranho de cor negra, quase azulada aos raios solares que perpassavam a copa das árvores e seus olhos eram de um azul escuro e penetrante, mas o que mais a assustou foram as ferramentas que eles portavam que ela a primeira vista achou que fossem equipamentos de escalada tão comuns na região devido a paisagem montanhosa. Eles carregavam armas enormes, algumas lhe lembraram lanças e espadas mas pareciam muito mais mortíferas.

Um dos seres olhou-a demoradamente e um lampejo de compreensão espalhou-se por sua face.

–É ela.

–

Suzan só se lembrou de correr, correr o mais rápido que conseguiu de volta para onde Marcos estava. Seus pés escorregavam no terreno nada favorável para uma subida rápida, mas aos trancos e barrancos ela conseguia se movimentar com agilidade.Agora ela agradecia a todos aqueles anos que passara fazendo atletismo na escola, conseguira uma boa distância entre ela e o grupo que a perseguia.

A única coisa que ela conseguia fazer naquele momento era xingar Marcos mentalmente e desejar voltar pra casa o mais rápido possível, ela os ouvia correrem atrás dela enquanto tentavam desastradamente a capturar com alguma das armas que carregavam, se limitando a apenas arremessarem o que tinham nas mãos para derrubá-la.

Suzan levantou os olhos e conseguiu enxergar a trilha onde estavam e lá estava Marcos sentado despreocupadamente enquanto ela estava se matando para fugir daquelas aberrações.Nesse momento de distração, ela foi atingida por alguma coisa pesada na lateral de sua cabeça e sentiu o sangue lhe escorrer pela bochecha e seus olhos perderem novamente o foco.

–Não.. não.. não.. — ela sussurrou enquanto se levantava devagar e movimentava seu corpo como uma geléia em direção a trilha, apenas mais alguns passos. Ela se esforçou e conseguiu alcançar a árvore em que Marcos estava sentado, segurando-o pela manga da camisa, caindo no chão.

–Desgraçado.. — ela resmungou e olhou novamente para a floresta enquanto eles se aproximavam perigosamente. Marcos olhou para onde ela olhava e a pegou no colo.

–Merda, merda, merda, garota estúpida — ele resmungou a colocando nas costas e correndo para a floresta do outro lado da trilha, em direção ao norte. Onde uma subida imensa indicava que estavam perto das montanhas.

–Devolva a garota, montanhês! — gritou uma das criaturas que parecia ser uma fêmea, enquanto ela tentava o seguir, mas ao chegar na trilha ela foi impedida de continuar, como se uma espécie de parede houvesse se colocado entre ela e o lado norte. Marcos continuou andando como se nada tivesse acontecido até que ele a soltou, deixando-a cair no chão.

–Ai.. — ela sussurrou e olhou para Marcos, suas mãos pareciam queimadas como se ele tivesse segurado uma pedra em brasa.

“Eu devo estar ficando louca, não é possível...” — Suzan pensou e ficou o encarando.

–Será que você pode me explicar o que está acontecendo? — ela sussurrou.

Marcos a olhou novamente e depois para o grupo que ainda estava aglomerado perto da borda norte da floresta.

–Fred me disse que já lhe contou tudo que precisava saber.

Suzan sentiu seus pensamentos se embaralharem denovo, ela não conseguia organizar nada a fim de completar um pensamento decente e o corte na sua cabeça não ajudava em nada.Marcos a olhou demoradamente, pensando no que deveria fazer, por fim ele se abaixou e a olhou nos olhos.

–Preciso da sua permissão para tocá-la, você não está mais em território neutro.

Suzan o olhou e deu um sorriso sádico.Podia estar confusa, mas ele não iria se aproveitar daquilo.

–Você quer minha permissão? NÃO, Você não tem a permissão de tocar em mim, agora, se você decidir me explicar exatamente o que aconteceu ali embaixo e me levar pra casa eu posso até pensar em não te botar na cadeia.

Marcos a xingou baixinho e se afastou, sentando-se de frente para ela encostado em uma árvore, Suzan mais uma vez reparou na sua estranha maneira de andar, levemente arrastada, mas não o impedia de correr quando necessário.

–O que houve com você? — ele nada lhe respondeu — Para de me ignorar e responde.

Marcos simplesmente voltou seus olhos perturbadoramente brilhantes para ela e a ficou encarando como se pudesse fazer aquilo o dia todo. Suzan fechou os olhos e tentou ignorar a dor em sua cabeça. Fazendo uma careta de vez em quando.

–Eu posso ajudar você, mas preciso poder tocá-la — ele respondeu calmamente.

Suzan decidiu bancar a durona, mas ela definitivamente não estava indo bem, começava a sentir pontadas fortes na lateral do crânio e o sangue lhe incomodava muito.

–Tá bom, você venceu.. Pode tocar em mim — ela sussurrou.

Marcos se inclinou até ela e encostou os dedos sobre o ferimento, ela sentiu uma dor intensa primeiramente, mas logo uma formigação gostosa começou a se espalhar por seu cabelo e em seguida ele retirou a mão de lá, ao passar a mão não sentiu mais nenhum corte.

–Co-Como você? — ela o olhou surpresa e ele apenas levantou uma sobrancelha.

–Seu avô realmente não lhe contou nada não é? — ele disse suspirando.

Suzan balançou a cabeça, negando. Olhou novamente para a trilha e viu que o grupo de criaturas ainda estava na borda da floresta.

–Não vamos voltar pra lá tão cedo.

–Eles.. Eles me reconheceram... — ela sussurrou e olhou Marcos, que realmente não parecia surpreso.

–Está segura aqui, eles não podem atravessar a fronteira... Você está no território das montanhas agora, o meu território — ele disse convencido e a olhando de cima.

Suzan o olhou assustada, aquilo estava definitivamente ficando cada vez mais esquisito. Ela realmente não sabia se podia ou não confiar em Marcos, mas enquanto aqueles seres estavam espreitando a saída ela não tinha outra opção senão continuar com ele, mesmo sendo terrivelmente assustador por vezes, ele se mostrara de certa forma preocupado com ela quando lhe curou o corte (coisa que ela ainda não entendia como ocorrera).

Marcos então se afastou e puxou a barra de sua própria calça, mostrando várias cicatrizes perfiladas onde a carne tinha sido rasgada. Suzan assustou-se com os machucados e franziu as sobrancelhas.

–Eu fui chamado por eles — ele disse apontando com o queixo o grupo que agora sentava-se na trilha, aguardando o momento oportuno para os atacarem — Não exatamente eles, mas seu povo. Precisavam de ajuda com feridos e eu sou um médico experiente... Mas eu deveria saber que era uma armadilha, assim que botei os pés dentro do território deles fui pego numa espécie de mecanismo de metal, tive minha perna perfurada por pequenas lanças o que me impossibilitou de correr de volta. Mas eu não estava sozinho.. — ele disse abaixando a barra da calça.

–O que são eles... — Suzan sussurrou e depois levantou os olhos para Marcos — O que é você..?

–Você já deve ter ouvido muitos nomes para eles, são chamados de laguuns na língua original mas você apenas os conhece como "habitantes do lago".. já eu, sou um montanhês, vivo nos territórios ao norte, somos meio que inimigos naturais.

Suzan levantou as sobrancelhas e deu um risada forçada.

–Você só pode estar brincando, isso é folclore.

–Parte é... parte não. É melhor começar a acreditar nisso, Suzan, porque não vai sair dessa montanha tão cedo.. — ele disse lhe dirigindo um sorriso enigmático fazendo com que um arrepio subisse pela espinha dela e fazendo-a rezar para que tenha escolhido a companhia certa.

Notas finais
Comentem hein u.ú hahaha