The Forbidden Lake

5 A líder de Fuugor


Notas iniciais
Ahhh tive mais comentários no capítulo anterior, fiquei feliz hahaha Então gente, tenho oito leitores e eu estou MUITO feliz com os comentários da fic, sério, vocês são demais, por isso eu peço para que CONTINUEM COMENTANDO! Eu adoro receber reviews e isso me motiva a continuar e esse capítulo aqui vai render uns bons comentários hein hahaha Boa leitura!

Começaram a caminhar novamente depois de algumas horas, Marcos ia a frente, indo em direção as montanhas enquanto Suzan ia o seguindo em silêncio, pensando consigo mesma o quanto aquilo era improvável, louco e simplesmente impossível.

Ele prometera lhe contar mais detalhes quando chegassem em algum lugar seguro. A paisagem no entanto era realmente linda. Conforme iam subindo em direção a lugares mais altos, as árvores começavam a espaçar-se mais entre si, de modo que os dois agora andavam lado a lado em um caminho feito de pedras, com incontáveis degraus se dirigindo ao pico da montanha mais próxima que Marcos disse ser chamado de Fuugor.

–Existem 5 montanhas dentro do nosso território, cada uma delas tem uma função específica sendo a quinta delas a mais sentimental de todas ... — disse ele revirando os olhos — A que estamos subindo é onde fica a cidade propriamente dita..

–Cidade? Existe uma cidade na montanha? — ela disse levantando as sobrancelhas, Marcos a olhou e assentiu como se aquilo fosse extremamente óbvio.

Depois de mais algumas centenas de degraus chegaram a uma espécie de arco que ornamentava a subida interminável. Também feito de pedra e com inscrições que Suzan não pode realmente entender. Ao atravessá-lo, sentiu um formigamento estranho na boca do estômago, mas continuou a subir lentamente.

–Eles logo logo virão nos encontrar... — Marcos sussurrou e se virou para a direita, em uma trilha mais escondida e se afastando das escadas de pedra. Suzan o seguiu e depois de atravessar um caminho levemente mais denso de árvores, ela se encontrou numa espécie de mirante com a paisagem mais linda que ela já encontrara na vida.

O mirante dava vista para um imenso vale entre as montanhas, por onde um rio sinuoso corria velozmente lutando contra o frio intenso da região, as outras 4 montanhas eram imensas, muito maiores do que aquela que estavam subindo, grande parte de sua extensão era recoberta por neve. Marcos apontou para a montanha mais a leste e em seguida apontando para as outras em sequência.

–A prima usamos para caçar, a segunda para água e pesca, existe um caminho seguro para descermos até o rio lá e é cheio de cachoeiras, nada bom para se visitar quando se está no verão, a subida se inunda muito fácil, aquela outra usamos para pegar madeira e pedras para construir as casas e a última é o que chamamos de “Caminho da Rendenção”.

–O que é isso? — Suzan sussurrou olhando admirada para quinta montanha, a mais longíqua de todas e também a mais alta.

–Acredite, não vai querer saber, é muita melação para uma história só... — ele disse se virando e cruzando os braços — Bom, eles chegaram...

Suzan se virou e encontrou um grupo de homens que tinham as mesmas características de Marcos, todos possuíam cabelos quase brancos e olhos de um verde intenso, embora a tonalidade variasse sutilmente de um para outro, alguns possuiam olhos verde musgo enquanto outros, como Marcos, possuiam olhos verdes brilhantes e ainda aqueles que possuiam olhos de um tom levemente mais claro.

O mais forte deles se aproximou e olhou Suzan com certo desdém, em seguida olhando para Marcos.

–Têm certeza de que é ela? Parece meio... fraca.

–Ei! Eu estou ouvindo. — ela reclamou e bufou.

Marcos se aproximou, olhando diretamente para o brutamontes.

–É ela, Artur... A definição encaixa e eu falei com o informante.

–Ótimo, um problema a menos para nos preocuparmos antes do início do inverno. Embora eu duvide que ela sobreviva — voltou seus estranhos olhos verdes-musgo para Suzan e lhe dirigiu um sorriso nada simpático, ela se sentia cada vez mais irritada com a presença daquele tal de Artur — Ela é toda sua, doutor...

Marcos fez uma careta de raiva, que logo foi contida. O grupo deu espaço para que eles passassem.

–Vamos. — ele resmungou a puxando quase que violentamente para que continuassem a subida.

Suzan não se importou tanto com o gesto, ela começou a entender algumas coisas sobre a estranha sociedade desses “montanheses”.

De certa forma, parecia existir um certo grau de hierarquia, Marcos era um médico e Artur definitivamente parecia alguma espécie de líder do exército ou alguma coisa assim. O grupo continuou a subir pelo que parecia uma eternidade enquanto Suzan ia cada vez mais se encolhendo de frio, não trouxera roupas suficientes para ficar nas montanhas e a mochila que Marcos trouxera ficou na trilha com os laguuns.

Não tardou muito até que eles chegassem na tal cidade.

Suzan simplesmente perdeu o fôlego.

A cidade fora construída literalmente na pedra da montanha. Seu interior foi escavado fazendo com que um enorme buraco tivesse sido feito a abrigando contra os ventos cortantes daquela altitude, de forma que uma caverna artificial fora construída. A arquitetura do lugar era simplesmente estonteante.

Feita em forma de T, a entrada era feita novamente com um enorme arco de pedra negra, de no mínimo quinze metros de altura e com inúmeras inscrições esquisitas gravadas em seu interior, o caminho central era ladeado por edificações que Suzan identificou como armazéns, moradias, comércios, uma pequena escola e um hospital. No fundo, havia uma enorme construção encravada na parede de pedra, com inúmeras janelas de vidros azuis claros, varandas e sacadas. A entrada era feita de dezesseis colunas dispostas em um semicírculo e a porta de entrada era feita de uma madeira ornamentada com ouro e cristais.

–Uau.

Artur e seu bando começou a guiar Suzan em direção ao palácio do fundo, de modo que tiveram que atravessar toda a cidade antes de chegarem lá. O caminho estava cheio de pessoas, todas, sem exceção, possuiam as mesmas características de Marcos, de modo que Suzan chamava a atenção pelo simples fato de ser quem era. Seu cabelo escuro era como um holofote e todos aqueles pares de olhos verdes se voltaram para ela e Suzan não pode deixar de engolir em seco.

Quando estavam prestes a entrar na construção de pedra, Artur parou Marcos se colocando a sua frente. A diferença de altura era gritante. Mesmo Marcos sendo no mínimo vinte centímetros mais alto que Suzan, Artur parecia um gigante, tendo que olhar para Marcos com a cabeça levemente abaixada.

–Escute, doutor, acho que já fez muito por hoje, o hospital deve estar cheio de pessoas doentes esperando para serem tratadas. O inverno está chegando, precisamos de todas as pessoas saudáveis até lá... — disse Artur com o sorriso mais falso que ela já vira na vida.

Marcos respirou fundo e assentiu, ele retornou alguns passos e se virou se dirigindo a segunda maior edificação da região, o hospital. Suzan logo se sentiu amedrontada pela presença daqueles homens, agora sem a companhia de Marcos. Artur simplesmente lhe virou as costas e adentrou o prédio, fazendo com que outro a empurrasse delicadamente para que o seguisse.

O interior do palácio era mais incrível que seu exterior se isso fosse possível, ao contrário da parte de fora, o interior fora recoberto com madeira e tecidos para dar um aspecto mais aconchegante ao lugar, coisa que a pedra nua da montanha jamais seria capaz de fazer. Artur a guiou até uma escada central que se abria em outras duas para chegar ao andar superior, subiram então mais um lance de escadas e entraram em um enorme salão. Em seu centro uma mesa de madeira lindamente trabalhada estava disposta com um enorme banquete, Suzan sentiu seu estômago roncar diante da enorme quantidade de iguarias ali.

Na cabeceira da mesa estava sentada a primeira mulher realmente diferente que Suzan avistara desde que chegou ali, ela também tinha cabelos extremamente claros mas seus olhos eram de um azul intenso, lembrando-a quase que imediatamente dos laguuns com seus olhos violentos e selvagens. Mas nos olhos dela havia apenas preocupação e o mais puro cansaço.

–Obrigada Artur, acho que posso assumir daqui... — ela sussurrou se levantando. Usava um casaco elegante, de cor vermelha e botas pretas de couro, seu cabelo estava amarrado de modo que seus lindos brincos de cristais azuis podiam ser vistos em toda sua extensão.

Artur pareceu relutante, mas por fim se retirou.

–Você deve ser Suzan, bem vinda à Fuugor. — disse ela sorrindo, fazendo com que pequenas rugas aparecessem nos cantos de seus olhos — Estou feliz que tenha chegado a nós antes que os laguuns a pegassem.

Suzan realmente tentou prestar atenção, mas seu estômago roncou tão alto que ela ruborizou, a mulher apenas riu divertida e gesticulou em direção a mesa.

–Que falta de educação, sirva-se! A subida é realmente cansativa.

–Ahm, obrigada.. — Suzan sussurrou se sentando e se servindo de batatas assadas ao molho de queijo, pedaços de peixe com um molho quente, uma espécie de lasanha com um recheio que ela não conseguiu identificar o que era, mas que realmente era delicioso.Depois de algum tempo ela estava satisfeita e se recostou na cadeira.

–Nossa, eu precisava disso — ela riu e olhou a mulher a sua frente — Desculpe, mas não sei seu nome.

–É Alyssa, sou a líder do lugar... Sabe, Suzan, acho que deviamos caminhar um pouco, precisamos conversar. — Alyssa se levantou e foi até um cabideiro, retirando um casaco preto e elegante e entregando-o para Suzan.

As duas saíram do enorme salão e foram para a rua novamente, Alyssa a guiou para fora da cidade, contornando a montanha até seu outro lado, onde havia um pequeno jardim, que agora sofria com o frio intenso.

–Creio que saiba porque está aqui... — a mulher sentou-se em um banco congelado, Suzan relutou, mas sentou-se mesmo assim, sentindo seu corpo protestar pelo frio intenso que Alyssa parecia não sentir.

–Na verdade, não faço ideia.. Encontramos um grupo de... laguuns, eu acho que é isso, no meio do caminho.. Eles me assustaram muito e eu acabei vindo parar aqui.

Sua expressão demonstrou o maior pesar e sofrimento que Suzan já vira.

–Eles realmente são assustadores. Sabe, os montanheses já foram um povo que morava lá em baixo, na floresta perto do lago, mas séculos atrás fomos expulsos por essas criaturas nojentas... — Alyssa desviou o olhar para o vale lá embaixo — Nós nos tornamos inimigos depois disso, nós tentando recuperar nosso território, eles tentando tomar de nós as montanhas.

“Os laguuns podem parecer seres incapazes de fazerem tarefas complicadas, ou de uma comunicação satisfatória, mas seu líder não é nenhum idiota... Alakh é um mestiço, filho de um montanhês com um laguun e ele possui grandes objetivos.”

Suzan a olhou interessada, absorvendo tudo que Alyssa dizia, enquanto esta olhava o rio sinuoso lá embaixo compenetrada.

–Alakh plantou entre os laguuns uma crença que ele mesmo inventou, tornou o povo do lago supersticioso e de certa forma mais focado... Ele domou os selvagens e agora tem poder sobre a mente da maioria deles. Um espião me disse que eles esperam por um sinal. Um sinal de que estão preparados para a guerra e então nós não teremos chances.

Alyssa olhou Suzan com intensidade, seus olhos azuis demonstravam medo.

–Somos fortes, Suzan, mas não temos poderes suficientes para derrotá-los, eles estão em muito maior quantidade que nós.

Suzan respirou fundo e começou a se levantar.

–Olha, isso é.... isso é horrível, mas eu não tenho nada a ver com isso.. — ela sussurrou se afastando, ela olhou ao redor — Eu vim parar aqui por acidente, eu sinto muito pelo que vocês estão passando mas não há nada que eu possa fazer!

Alyssa se levantou também e olhou Suzan.

–Não Suzan, você tem tudo a ver com isto... O sinal que os laguuns aguardam era a chegada de um humano. O humano que representa a última geração de uma família que se envolveu com os habitantes do lago... Você é a neta de Frederich Hales...

–S-Sim... eu sou — ela sussurrou se afastando mais alguns passos.

Alyssa assentiu e voltou a se aproximar de Suzan, seus olhos então cansados agora vibravam com poder e inquietação.

–Há 30 anos atrás, Frederich Hales veio para estas florestas com sua esposa, Lúcia Florence...

–Ela se perdeu na floresta, todos sabem desse acidente... — Suzan rebateu sentindo seu rosto ser fustigado pelo vento das montanhas, seus olhos, no entanto, ardiam por outros motivos.

–Lúcia Florence foi morta por um laguun e seu corpo foi, no entanto, encontrado no território das montanhas.. — Alyssa continuou — Frederich, cego pelo ódio e pela vingança foi manipulado e enganado por Alakh que fez com que ele acreditasse que sua esposa tinha sido morta por nós e que ele vingaria a morte de sua esposa.

A voz de Alyssa tremia de ódio e Suzan começou a ficar cada vez mais amedrontada, ela não queria ouvir o que viria a seguir, seus olhos não mais podiam segurar as lágrimas que escorriam sem permissão por seu rosto gelado.Seu avô, seu querido avô....

–Frederich Hales ofereceu a vida de um membro de sua família, com o intuito de entregar-se para Alakh.Seu avô ,no entanto, arrependeu-se do acordo e se afastou da região a fim de salvar-se. O tempo passou e por fim ele retornou para estas montanhas. Já velho, sua vida não valendo mais o acordo ofertado, Alakh decidiu mudar o alvo para... você. Jovem, única representante de uma geração, uma boa oferenda para ser entregue aos deuses inventados por ele, tudo para nos atacar.

Suzan simplesmente se virou e correu de volta, correu em direção as escadas, em direção a floresta, em direção a qualquer coisa que a afastasse daquelas pessoas estranhas, daquele lugar terrível, daquele folclore que de repente decidiu tornar-se verdade, ela correu pelos degraus em direção a floresta, chorando desesperada enquanto não conseguia controlar a enorme mágoa que crescia em seu peito. Meu avô....

Alyssa respirou fundo e observou o ponto onde Suzan desapareceu entre as árvores. Artur chegou depois de alguns instantes.

–Devemos ir atrás dela?

–Não... Ela não tem mais nenhum lugar para fugir... Voltará em breve. Depois disso ela viverá como um de nós, arranjará uma função e ficará conosco até que encontremos um lugar melhor para a esconder.

Artur a olhou interessado, levantando as sobrancelhas.

–Vamos escondê-la?


–O povo do lago não a terá, Artur — Alyssa disse com um tom de voz autoritário, como quem diz que o assunto está decidido — Ainda não.

Notas finais
Essa Alyssa vai dar problema.... Comenteem leitores lindos, não sumam s2