Notas iniciais
FELIZ NATAL GENTE *-* Olha, tive só um comentário no capítulo anterior, e isso me deixou chateada, maaas eu tenho nove leitores no momento e cinco pessoas favoritaram a história, então isso é muito bom! Meu presente de natal pra vocês é mais um capítulo então me deêm de presente um comentário, por favor? sim sim? *--*

Assim que o sol começou a se pôr entre os vales das montanhas, Suzan decidiu retornar para a montanha.

Se isso fosse possível, a temperatura abaixara ainda mais, chegando aos graus negativos. A floresta enregelara-se, e o ar que perpassava os troncos era tão cortante como uma navalha. A neve começou a cair um pouco mais tarde, de início de maneira suave, mas depois começou a fustigar-lhe o rosto e impedir-lhe de encontrar as escadarias de pedra.

Suzan continuou caminhando para a esquerda, lembrava-se vagamente de ter corrido para aqueles lados da floresta e tentava encontrar alguma árvore ou arbusto que lhe fosse familiar, mas não havia nada e o frio estava lhe impedindo de pensar claramente. Acabou por caminhar ás cegas na floresta que cada vez se tornava mais sombria e sua fuga tão impensada tornava-se cada vez mais estúpida.

Embora, ela ainda sentisse aquela necessidade pungente de desaparecer.

Mas ,primeiramente, ela se preocupava apenas em encontrar uma maneira de se abrigar do frio e de encontrar uma cama macia para descansar depois de um longo dia. Suzan continuou caminhando por entre as árvores, se castigando mentalmente por sua idiotice.

–AI MEU DEUS!

Suzan levantou os olhos para a figura a sua frente que acabara de cair no chão com uma enorme cesta de madeira, derrubando todo seu conteúdo no chão.

–Vo-Você tá bem? — Suzan sussurrou e se abaixou para ajudá-la.

A garota era definitivamente uma montanhesa, com aquele característico tom de cabelos e olhos. Seus cabelos encaracolados eram imensos, chegando-lhe quase aos quadris, tinha um rosto jovem e divertido como de uma criança que se prepara para aprontar alguma coisa, ela a olhou com seus olhos verdes-musgo e perdeu o fôlego.

–Ai, caramba, você... você é aquela humana, não é? A que todo mundo tá falando?

Suzan respirou fundo e começou a pegar as frutas que caíram da cesta da garota e colocando-as de volta no lugar.

–Acho que sou, não vi muitos humanos por essas bandas.. — ela sussurrou de volta.

O rosto da montanhesa se iluminou de curiosidade e excitação, ela voltou seus olhos para o chão e começou a recolher novamente tudo o que derrubara no chão.

–Eu sou Shae... Prazer em conhecê-la, você é bem famosa por aqui — ela disse sorrindo e pegando a cesta de volta ao se levantar.

Suzan deu um meio sorriso tímido e se levantou também, ajeitando o casaco em volta de si.

–Sou Suzan, Suzan Hales... Você... se importaria de me mostrar o caminho de volta? Eu tô um pouco perdida.. — ela disse rindo baixinho.

Shae riu também e assentiu, começando a caminhar por entre as árvores, apenas subindo sem se importar com a direção exata, Suzan a seguiu, se apoiando nas árvores já que seus pés não estavam familiarizados como os da garota ao terreno irregular.

–Você teve sorte de ter me encontrado aqui antes do cair da noite.. Artur e os outros escravos dele vão patrulhar a fronteira durante a noite, eles teriam te matado se a vissem andando por entre as árvores.

–Porque eles estão fazendo isso? — Suzan levantou o olhar para as costas de Shae — Tinha uma espécie de parede quando vim pra cá..

–A diferença é que você está aqui agora, Suzan, e tecnicamente, você é deles.. — ela disse sem se importar muito e logo elas encontraram as escadas e as subiram lentamente.

A cidade da montanha estava com todas as luzes acesas, Suzan não fazia ideia de como eles conseguiram fazer com que a eletricidade chegasse em um lugar tão remoto, mas já notara que de uns tempos pra cá, a energia elétrica era a coisa menos impossível a acontecer por ali.

A via principal estava se esvaziando rapidamente com o cair da noite. Os montanheses estavam se recolhendo para suas casas e as pequenas lojas e os comércios fechando.Shae lhe disse que precisava fazer algumas entregas e que Suzan poderia se hospedar em sua casa naquela noite até que Alyssa lhe indicasse o lugar apropriado para que ficasse.

Shae ia batendo de porta em porta entregando as frutas que recolhera, conforme iam passando de casa em casa, a cesta se enchia de outros tipos de itens como tecidos, garrafas, queijos, facas e cordas. Basicamente era um sistema de trocas dos mais simples em que se baseava a vida na montanha. Por fim, os últimos suprimentos de frutas eram guardados para o hospital, Shae e Suzan entraram na segunda maior construção da cidade e a última percebeu que a estrutura era totalmente diferente dos hospitais humanos.

Primeiramente, o ambiente era aconchegante e quente, enquanto que nos hospitais que conhecia tudo tinha um toque de impessoalidade, em tons frios como o branco. Lá tudo era feito em madeira avermelhada, os médicos ou enfermeiros não usavam nenhuma roupa específica e não havia nenhum equipamento a vista.

–Onde estão os equipamentos e as macas? — sussurrou Suzan. Shae a olhou com a testa franzida.

–Macas? — ela sussurrou

–É, aquelas camas esquisitas de hospital...

Shae olhou para frente e continuou se dirigindo aos fundos do prédio.

–Não faço ideia do que você tá falando.

No fim do corredor, encontrava-se um enorme salão com várias mesas quilométricas com bancos dos dois lados. Uma pequena quantidade de pessoas sentava-se na mesa ao fundo e entre elas estava Marcos, rodeado de outros médicos e médicas.

Shae se dirigiu até eles enquanto que Suzan ficava parada na parede do outro lado do recinto. Marcos lhe dirigiu um olhar intenso e ela lhe deu um breve sorriso, ele no entanto não desviou o olhar.

Shae conversava alegremente com todos na mesa, parecia ser bastante conhecida e querida por quase todos na cidade e lhes entregou as frutas que recolhera, parou um pouco, pensando em algo e em seguida colocou toda sua cesta sobre a mesa.

–Querem saber de uma coisa? Vou jantar por aqui mesmo! — ela disse rindo e a maioria comemorou a decisão. Ela começou a esvaziar a cesta de todos os itens comestíveis que recebera em troca. Shae levantou os olhos da cesta e olhou para Suzan — Suzan, vem aqui, deixa eu te apresentar para o pessoal.

Suzan se desencostou da parede relutante e caminhou até a mesa em que eles estavam, Shae foi a apresentando para todos os 8 médicos na mesa, ela cumprimentou todos com educação.

–E por fim, aquele é o Marcos, ele é um dos que cuida da ala de emergências por aqui...

–Nós já nos conhecemos, Shae.. — Suzan disse a olhando e depois olhando Marcos e levantou uma sobrancelha para Shae, que os olhou com interesse.

–Como assim já se conhecem?

Marcos se ocupou em explicar que fora ele quem a encontrara e a trouxera para a montanha. Shae ouviu tudo fascinada e depois desatou a fazer milhares de perguntas. Suzan sentou-se na ponta da mesa, ao lado de uma enfermeira que ela não se lembrava o nome. Shae lhe entregou um pouco de pão com queijo e algumas frutas que ela comeu com vontade, mesmo sendo uma refeição levemente simples.Ela passou a maior parte do jantar prestando atenção em uma outra médica que sentava-se ao lado de Marcos.

Se Suzan bem se lembrava, ela se chamava Ana, ou alguma coisa assim, e ela fazia uma cara nada agradável para Shae, que estava entretida em uma conversa sobre suprimentos com Marcos, enquanto que os outros médicos faziam comentários de vez em quando sobre a escassez de alimentos para os pacientes.

Ana no entanto permanecia em silêncio, encarando a garota falante que parecia não se importar com os constantes olhares nada amáveis da médica. Esta depois de alguns segundos se virou para Marcos e deu um sorriso radiante.

–Sabe, Marcos, eu encontrei outro dia uma parte da floresta que estava muito bem abastecida para a época do ano, se quiser eu posso ir lá pegar mais coisas para o hospital.

–Uma parte que eu já não tenha ido? Duvido.. — divertiu-se Shae. Marcos parecia nada mais que entediado e Suzan mal pode conter o sorriso depois da expressão de ódio nos olhos de Ana.

Shae se levantou depois de alguns minutos e se despediu de todos, Suzan a acompanhou e as duas chegaram após alguns minutos a casa da montanhesa.

Era uma das menores residências da cidade, com apenas três cômodos : um quarto, uma cozinha e um banheiro. Tudo era metodicamente organizado, de modo que Suzan sentiu-se confortável lá dentro, o quarto de Shae possuia duas camas, uma (ela dissera) pertencera a sua irmã que decidira viver sua vida longe das montanhas.

–Pra onde ela foi? — sussurrou Suzan retirando seu casaco.

Shae suspirou.

–Eu também não sei, o problema é que nunca mais tive notícias dela desde então...

–Por quê não a procura então? Não deve ser tão difícil encontrar uma garota de cabelos brancos e olhos verdes brilhantes por aí...

–É que... eu nunca sai das montanhas.. Nunca fui conhecer o mundo dos humanos, e sem querer ofender vocês podem ser bem assustadores — sussurrou Shae se encolhendo — Eu não consigo entender porque alguns de vocês matam os que vivem dentro da sua comunidade, vocês são da mesma espécie..

Suzan respirou fundo.

–É, você tem razão.. Bom, eu posso tomar um banho?

Shae assentiu e a dirigiu ao banheiro, dando as instruções de como fazer para que o chuveiro funcionasse e depois lhe entregou roupas limpas. Naquela noite, Suzan não conseguiu dormir. Ela apenas ficou pensando em tudo que Alyssa lhe contara e não podia simplesmente acreditar que alguns quilômetros abaixo de si existia um bando de criaturas dispostas a matá-la.

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Suzan acordou depois de um cochilo turbulento e decidiu sair para dar uma volta. Shae não estava mais em casa, o que significava que ela fora tentar encontrar algo de interessante nos arredores das montanhas. Suzan se aconchegou em seu casaco e foi para o lado de fora. O dia estava terrivelmente frio e ela sentiu suas mãos serem castigadas, colocou-as prontamente dentro dos bolsos e respirou fundo, olhando ao redor.Ela deu alguns passos em direção ao arco de entrada e olhou-o com atenção.

Era de fato uma construção arquitetônica linda, a pedra escura da montanha e os dizeres nela inscritos eram de uma perfeição incontestável.

–O que está fazendo aqui fora tão cedo?

Suzan se virou e encontrou Marcos a olhando com uma sobrancelha levantada, seus olhos possuiam grandes olheiras, que indicavam que ele passara a noite em claro no hospital, em seguida, seus olhos brilhantes se fixaram no arco e um sorriso triste tomou conta de seu rosto.

–O que está escrito? — ela sussurrou voltando seu olhar de volta para a pedra.

–”Que apenas os dignos tenham a oportunidade de admirar a beleza das montanhas” — ele disse dando mais alguns passos e parando ao lado de Suzan — Meu pai realmente se superou nisso ai.

Suzan o olhou boquiaberta.

–Seu pai fez o arco?

–Sim, na verdade ele o projetou, mas para construí-lo foi necessária a ajuda de muitos outros homens.. Mas sim, foi ele quem o fez. — Marcos abaixou o olhar para o chão. Suzan engoliu em seco, lembrando-se de quando há um milhão de anos atrás ele lhe contara que seus pais o abandonaram.

–Desculpa.. Não devia ter feito você se lembrar disso... — Suzan sussurrou olhando-o.

–Não tem problema, eles estão longe o bastante para eu apenas não precisar me importar mais com isso — ele disse olhando-a novamente — Alyssa me disse que você precisa de uma função na cidade.. Como é visível, você não tem talento nenhum pra cuidar de doentes. Então acho que você e a Shae podem se ocupar com os preparativos pra festa de inverno.

–Festa de inverno?

–É uma idiotice que inventaram de que precisamos aproveitar a última noite de outono antes dos dias ficarem ruins, já eu acho um desperdício de comida — ele respirou fundo e cruzou os braços — Mas isso vai te manter ocupada por enquanto. Temos 6 dias antes da festa, então, boa sorte...

Sem dizer mais nada, ele se virou e se dirigiu a uma das pequenas construções na entrada da cidade, que Suzan logo adivinhou ser sua casa. Ela respirou fundo e se dirigiu até a “prefeitura” nos fundos da montanha. Alyssa estava no segundo andar, rodeada de livros.

–Ah Suzan, aqui está você...

–Olha, eu sei que você me disse que está tentando me ajudar me deixando longe daqueles humanos-peixes lá debaixo, mas me botar pra fazer uma festa pra vocês já passou dos limites! — Suzan explodiu ficando ao lado dela.

Alyssa simplesmente respirou fundo e a olhou com pena.

–Me desculpe, eu não deveria ter me precipitado e contado tudo daquela maneira a você... Mas todos aqui precisam de uma função, não posso apenas alimentá-la e lhe dar uma casa sem que você contribua para a cidade. Você está encarregada da festa do último dia de outono e eu espero que não me decepcione..

Alyssa pegou um dos livros e o entregou a Suzan.

–Assim que Shae voltar da coleta, ela lhe ajudará com suas dúvidas, apenas faça com que as pessoas esqueçam do desastre iminente de um ataque laguun e as faça se divertir..

Suzan engoliu em seco depois daquelas palavras e pegou um dos livros.


–Eu... — Suzan pensou em arremessar o livro pela janela, mas não havia muito o que se fazer ali além do fato de ser aceita e poder descansar por mais alguns dias, ali ela estava segura por enquanto, embora a vontade de voltar para sua mãe fosse enorme, ela engoliu o nó que se formava em sua garganta e assentiu — Eu vou dar o meu melhor.

Notas finais
Comenta aí x) Feliz natal o/