The Forbidden Lake
7 Nevascas e Sonhos Comprometedores
Notas iniciais
Suzan estava sentada dentro da casa de Shae, lendo o livro que Alyssa lhe entregara para estudar os eventos anteriores da festa de inverno, todos os anos a decoração e o tema da celebração era sempre igual, com pequenas mudanças dependendo do humor do montanhês que a criou, mas Suzan não era montanhesa e ela não precisava agir como um, então decidira fazer tudo diferente.
Shae ainda não retornara da sua coleta, o que deixava Suzan com muito tempo de sobra para decidir o que faria na festa e depois apresentar o projeto a ela para que ambas cuidassem de todos os preparativos.
Pela primeira vez desde que chegara a montanha, Suzan sentia-se em casa. Trabalhava com algo que de certa forma envolvia o curso que pretendia fazer na faculdade, administração, e a casa de Shae tornara-se confortável e hospitaleira, quase como se fosse sua casa novamente.
Uma batida na porta a fez levantar os olhos do projeto sobre a mesa de centro e ela logo se dirigiu a porta, acreditando que Shae retornara finalmente da coleta. Ao abrir se deparou com Marcos, olhando-a com aquelas esmeraldas lapidadas a perfeição em seus olhos, ele lhe sorriu verdadeiramente desde que se conheceram e Suzan sentiu seu coração dar um salto.
–Posso entrar?
–Ahm.. po-pode — ela disse saindo da frente da porta. Mas ele apenas a puxou pela cintura e a envolveu com seus braços fortes, Suzan simplesmente corou e olhou para cima, simplesmente odiava o fato de ser tão baixinha e não poder olha-lo sem levantar o rosto, ele lhe brindou com um outro sorriso lindo.
–Suzan...
–S-Sim?
–Suzan acorda!!
Shae começou a balançá-la com força e Suzan acordou assustada, derrubando o livro que segurava no colo e se endireitando no sofá. Ela simplesmente não acreditava que sonhara com Marcos, respirou fundo e olhou Shae.
–Que horas são?
–Já está de noite, você provavelmente não vai conseguir dormir tão cedo, desmaiou ai no sofá — ela disse rindo e se sentou de frente para ela — Eu dei uma olhada nos seus projetos e eles são simplesmente incríveis! Essa festa vai ser um sucesso e vai ser diferente de tudo que o pessoal já viu!
Suzan riu e assentiu, ainda um pouco atordoada pelo sonho, mas verdadeiramente feliz pela reação de Shae.
–Bom, agora a gente só precisa arranjar gente pra montrar toda a estrutura da tenda, cozinhar, arrumar, colocar as luzes, cuidar da música, da luz , das bebidas e aí está tudo pronto! — Shae deu até mesmo pulinhos de alegria, ela logo saiu novamente arrastando Suzan consigo e elas logo foram arranjar pessoas para cuidar de tudo, todas elas se sentiram agradecidas pela escolha e disseram que se esforçariam para que tudo saísse como planejado. Os panos da tenda teriam de ser confeccionados e Suzan pretendia fazer lareiras portáteis para colocar lá dentro a fim de torná-las mais confortáveis e protegidas do frio.Aquele seria um problema maior a ser resolvido.
Por fim, tudo dera certo e depois de algumas horas ambas estavam mortas de fome. Shae trouxera até mesmo alguns filés de peixe para casa hoje e dissera que fora um bom dia de coleta, embora ainda fosse muito aquém do que era produzido na época de verão. Ambas retornaram para casa e cozinharam juntas o peixe com algumas batatas, o pão foi colocado no forno com um pouco de queijo por cima que logo derreteu e foi temperado com algumas folhas comestíveis típicas da região.
Shae arrumava a mesa enquanto Suzan terminava de temperar os pães, quando esta finalmente notou que a amiga colocava três pratos a mesa.
–Ahm, Shae, está esperando alguém?
–Ah sim, chamei o Marcos pra jantar aqui hoje a noite, achei que você não iria se importar tanto já que o conhece — ela sorriu.
–Não tem problema — Suzan sorriu e voltou a fazer seu trabalho na cozinha. Depois de alguns minutos três batidas secas na porta anunciaram a sua chegada e Shae logo correu para abrir a porta, sorrindo.
–Oi Marcos! — ela disse e o abraçou, cumprimentando-o. Marcos deu-lhe um meio sorriso educado e a abraçou de volta, logo se afastando. Pela porta aberta entrou uma forte de corrente de ar gelado das montanhas e Shae apressou-se em fechá-la.
–Oi... O cheiro está bom... — ele olhou para a mesa e levantou a sobrancelha, enquanto retirava seu casaco e sapatos molhados pela neve e colocando-os junto a porta. Ele usava um suéter cinza escuro e calças pretas confortáveis- Três pratos?
–É, ué, a Suzan está aqui também, esqueceu?
Suzan saiu da cozinha e colocou o peixe sobre a mesa, ela olhou Marcos e sorriu para ele.
–Pra dizer a verdade, eu tinha esquecido.
–Marcos! — repreendeu Shae baixinho, envergonhada.
–Tudo bem, Shae. — Suzan sussurrou e voltou para a cozinha, pegando os pães e os colocando ao lado dos peixes, de repente a comida não lhe parecia mais tão saborosa.
Os três sentaram-se a mesa, no mais completo silêncio, Suzan serviu-se e começou a comer tudo lentamente, tudo que se ouvia no recinto era o som dos talheres roçando nos pratos e a mastigação.
–Tá, olha, você é muito grosseiro, Marcos, pede desculpa! — resmungou Shae ameaçando-o com o garfo.
–Por quê? Não falei nada de mais — ele levantou os olhos para Suzan e ela o encarou de volta, sustentando seu olhar.
–Deixa ele, Shae, ele não entende o que é ser educado.
Shae encolheu-se e voltou sua atenção para seu prato, comendo rapidamente. Depois de alguns minutos de tensão silenciosa, Shae respirou fundo e fechou os olhos, cansada tanto da coleta na floresta quanto do clima nada amistoso que fora instalado em sua casa.
–Olha, eu vou dormir, vocês dois se virem. Boa noite.. — ela se encaminhou para o quarto e trancou a porta.Suzan começou a amaldiçoa-la mentalmente e logo se levantou, retirando os pratos e talheres sujos da mesa e levando-os para a cozinha para lavá-los. Marcos logo se levantou, ajudando-a a levar os pratos e talheres para serem lavados e em seguida parando ao seu lado na pia.
–Vai embora logo. — Suzan resmungou enquanto começava a lavar os pratos, a água que saia da torneira era insamente gelada e ela precisava de alguns segundos para se acostumar antes que seus dedos parassem de tremer o suficiente para começar a lavar os pratos. Marcos olhou-a demoradamente. Sempre que ele fazia isso ela se sentia exposta, frágil, como se ele lhe perscrutasse a alma com seus olhos.
–Sai daí, eu lavo e você enxuga. — ele a puxou pelo braço para o lado e pegou a bucha de suas mãos, enfiou a mão debaixo da água sem se importar e seus dedos não tremeram nem por um segundo, ele se acostumara com o frio... “e no meio do caminho também se tornara tão frio como o gelo” — acrescentou Suzan, mentalmente.
Os dois ficaram em seu trabalho silencioso até que toda louça fora lavada, seca e guardada nos armários. Suzan respirou fundo e voltou para a sala, indo até o cabide ao lado da porta e pegando seu casaco e calçando as botas.
–Aonde você vai? — ele perguntou levemente interessado enquanto cruzava os braços.
–Pra longe de você. — ela resmungou frustrada e saiu porta afora.
–----------------
O que Suzan realmente não esperava é que durante o seu pequeno passeio pela cidade uma nevasca iria se instalar, uma tempestade de neve tão forte que diminuia a visibilidade a apenas alguns palmos diante do nariz. Mesmo a cidade tendo sido feita de maneira simples, ela se perdera, não conseguia saber onde estava e a cada minuto que se passava ficava mais desesperada e com frio, um frio penetrante que se infiltrava em cada brecha de suas roupas e lhe gelava o corpo. Depois de alguns passos ela encontrou o arco de entrada, solitário e escuro contra o fundo de neve branca, ela caminhou até ele e olhou para os lados, sem saber para onde ir.
–--------------------
Shae acordara com o barulho nas janelas e se sentara rapidamente na cama, olhou para o lado e encontrara a cama de Suzan vazia, ela se levantou em seus pijamas e abriu a porta de seu quarto, encontrando Marcos deitado em seu sofá de braços cruzados.
–Cadê a Suzan?
–Decidiu andar por aí... — ele respondeu calmamente, com os olhos fixos na janela, seria aquilo um pouco de preocupação em seus olhos que sua voz não deixava transparecer?
–Com esse tempo? Eu preciso achar ela! — Shae gritou correndo até o quarto para se vestir com suas roupas mais quentes.
–Você sabe muito bem que não a encontrara enquanto o tempo não melhorar.
Shae voltou para a sala, bufando, furiosa.
–Se ela por acaso chegar ao arco, ela saberá que se aproximou da saída da montanha, se ela decidir continuar caminhando pode cair de uma das bordas da plataforma em que a cidade foi feita, é uma queda de mais de 500 metros, Marcos, para nós isso pode ser apenas uma dor incômoda, mas ela irá morrer, está me ouvindo?
Marcos finalmente a olhou e deu-se por vencido.
–Tá, eu vou, mas você fica aqui. Vocês mulheres são desesperadas demais e você vai acabar se machucando, fica aqui. — ele foi até a porta, vestiu-se apropriadamente e abriu a porta, do outro lado, uma grossa camada de neve de no mínimo 15 centímetros já se instalara e Marcos logo se arrependeu de não ter trazido seus sapatos próprios para grandes camadas de neve. Ele afundou na neve e foi caminhando com dificuldade, resmungando consigo mesmo enquanto ia em direção ao arco da cidade, sabendo que se ela ali estivesse teriam um problema gigante a resolver.
Fale com o autor