The Forbidden Lake
1 Uma casa entre montanhas
Notas iniciais
- Talvez você devesse voltar a dormir, vovô...
- Mas estamos na melhor parte da história, Suzan! — disse ele com os olhos brilhantes e ansiosos, enquanto segurava as mãos de sua neta com vigor.
- Eu sei, mas já me contou isto inúmeras vezes! Eu já sei tudo o que acontece depois que Meg cai no lago... — ela disse com calma — Já está tarde e o senhor não descansou, por que não termina a história amanhã?
- Tudo bem.. — sussurrou ele derrotado e se recostando em seu travesseiro de penas de ganso, Suzan lhe cobriu com uma coberta e lhe dirigiu um sorriso carinhoso, beijando-lhe a testa em seguida. Levantou-se e apagou o abajur que iluminava o quarto e fechou a porta ao sair.
Todos as noites a mesma cena se repetia, Fred tinha uma doença degenerativa que fazia com que ele se esquecesse de acontecimentos que aconteceram há pouco tempo. O senhor vivia com suas duas filhas e a neta Suzan há quatro anos e os médicos não demonstraram esperanças na mudança do quadro dele. Sua neta já possuia 17 anos e em breve estaria entrando para a faculdade o que a levaria a mudar de cidade e começar uma nova vida na capital. Mas para Fred ela sempre seria sua pequenina de 7 anos de idade, curiosa por histórias fantasiosas e interessada no folclore local.
As coisas mudaram muito depois que a doença dele foi descoberta. A mãe de Suzan, Claire, começou a ter brigas constantes com seu marido o que levou a separação definitiva e o pai da adolescente desapareceu sem nem ao menos se importar em tornar a conversar com sua filha.
A tia de Suzan, chamada Ellen, viera ajudar a tomar conta do pai mais como uma enfermeira do que como filha. Ela trabalha no centro hospitalar próximo ao chalé em que eles vivem e ocupa-se de administrar os remédios a seu pai enquanto está em casa.
O local que escolheram para cuidar do senhor era uma casa de madeira perto de uma montanha, o lugar era frio e isolado, mas ao mesmo tempo deslumbrante. Pela manhã encontravam as árvores levemente enregeladas pelo clima rigoroso, o vento ao passar pelas árvores traziam consigo uma melodia única feita pelas agulhas dos pinheiros e o sol criava uma linda mescla de cores ao se apresentar no céu límpido.
Ao lado da casa passava uma pequena estrada de cascalhos que era a única comunicação entre o local e a cidade propriamente dita, que não era lá essas coisas. Descendo por uma trilha escondida podia-se encontrar um pequeno lago com no máximo quinze metros de diâmetro onde poderiam pescar e observar o pôr-do-sol.
Não era lá uma vida tão ruim para se levar no final de uma vida longa e bem aproveitada.
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-Suzan, venha cá... — gritou sua mãe do andar debaixo enquanto vestia seu casaco.
- Diga... — ela disse enquanto descia as escadas escovando seu cabelo castanho.
-Preciso que cuide de seu avô enquanto vou a cidade comprar algumas coisas, leve-o ao lago caso ele esteja muito entediado.. — ela disse pegando sua bolsa e a chave do carro, dirigiu-se a filha e lhe deu um beijo na testa como despedida — Se precisar de ajuda ligue para Ellen, ela mandará uma ambulância.
-Pode deixar... — aquele aviso era sempre um alerta permanente naquela casa, a doença de seu avô estava em um estágio extremamente avançado para que pudessem relaxar. A garota se virou e voltou a subir as escadas até o escritório, onde seu avô ainda insistia em ler todos aqueles livros sobre leis — Ei vovô, quer dar uma volta no lago?
-Não creio que hoje seja um bom dia para dar uma volta por lá, Suzan, você sabe que dia é hoje...
-Vovô, aquilo é apenas uma lenda... — ela disse sorrindo — Não há motivos para ter medo daquele lago, posso atravessá-lo nadando em menos de dois minutos e não tem mais do que alguns metros de profundidade...
Fred respirou fundo e pousou seus óculos sobre o livro aberto a sua frente, levantando-se apoiado em sua bengala.
- Será que já lhe contei sobre a história de Meg e o lago proibido? — sussurrou ele para si mesmo.
-Já sim... — ela respondeu
“Todos os dias, todas as noites e sempre que o senhor se lembra de algum detalhe....” — ela acrescentou mentalmente.
-Bom, mas devo dizer que a senhorita está correndo um grande perigo, os habitantes do lago estão sempre em busca de crianças como você...
-Não sou mais uma criança, vovô! Venha, vou buscar seu casaco....
Ela saiu andando alegremente até o quarto dele, pegando um casaco e botas confortáveis de caminhada, em seguida foi a seu quarto e vestiu uma roupa mais quente, voltando ao escritório ajudou-o a se agasalhar e a calçar as botas, dando em seguida seu braço a ele para auxiliá-lo a descer as escadas.
-Mas, Suzan, aonde está me levando mesmo? — sussurrou ele pensativo após sairem pela porta.
-Estamos indo ao lago vovô, dar uma volta... — disse ela paciente.
-Mas hoje é um péssimo dia para visitar o lago! — repetiu ele, voltando a fazer o mesmo discurso por pelo menos mais duas vezes no trajeto até lá. Ao chegarem, Suzan o levou até uma cadeira confortável que eles fizeram questão de fincar próximo a uma das margens, havia uma pequena construção ali perto onde eles guardavam as varas de pesca e outros utensílios para manter o local limpo e arrumado. Suzan foi até lá e pegou uma vara para si enquanto que Fred apenas admirava a bela paisagem como se fosse a primeira vez que a visitava.
Suzan colocou uma isca no anzol e colocou-a na água, sentando-se sobre a relva macia, limpou as mãos e puxou o celular do bolso interno do casaco para conversar com seus colegas de escola olhando de vez em quando para a bóia sobre a água.
Depois de alguns instantes ela percebeu uma leve movimentação sobre a água e ela concentrou sua atenção na vara de pescar em suas mãos, ao perceber a movimentação de sua isca fisgou o peixe e puxou-o para a margem, sorrindo satisfeita. Fred continuou encarando o lago como se esperasse que algo saltasse de lá a qualquer minuto.
-Viu só vovô? E o senhor não queria vir até aqui! — ela disse levantando o belo peixe que conseguira pegar, o senhor a olhou e abriu um sorriso de incentivo.
Ficaram mais algumas horas no lago até que Suzan ouviu o som do carro de sua mãe retornando. Ela levou Fred de volta para casa junto com o peixe que havia acabado de pescar.
Ao chegar, ajudou sua mãe com as sacolas de compras e a guardar tudo na cozinha enquanto a noite caía silenciosamente.
-Caramba, que peixe gordo! — divertiu-se sua mãe ao colocar o peixe sobre a pia e começar a limpá-lo.
-Ah droga, esqueci de trancar o quarto de pesca no lago! — resmungou Suzan correndo para vestir seu casaco e pegar as chaves da pequena construção perto do lago. Ela também pegou uma lanterna pois estaria bem escuro a hora que retornasse para casa — Eu volto logo, mãe...
Mesmo sendo um local isolado, o lago era bastante famoso nas redondezas. Como era um fim de semana, de vez em quando alguns jovens universitários ou bêbados gostavam de fazer um passeio pela floresta e pelo lago, até que começaram a roubar as coisas que eles guardavam lá, o que levou Claire a colocar um cadeado na porta.
Suzan desceu correndo a trilha, seus pés experientes já conheciam o caminho mais seguro a se fazer para se chegar lá embaixo e a viagem não demorou mais do que apenas alguns minutos para chegar até o lago, infelizmente, a porta estava escancarada e sem dúvida alguém estava remexendo lá dentro.
-Merda de bêbados inúteis — resmungou ela, pegando a vara que esquecera na beira do lago para usar como arma.
Ela se aproximou sorrateiramente da construção, observando uma figura alta e grande procurar algo em meio as ferramentas, parecia desesperado e derrubava muitas coisas enquanto remexia por lá. Suzan respirou fundo.
-Ei!! Você aí! Saia do quarto de ferramentas e suma da minha frente senão eu chamo a polícia! — ela ameaçou se aproximando devagar. A pessoa parou e começou a se virar lentamente, era um homem alto com cabelos de uma cor esquisita a luz do sol poente, pareciam levemente cinza o que era estranho para alguém tão jovem. Seus olhos eram perturbadores, de um verde esmeralda tão brilhante como a pedra preciosa.
-Tá, além de ladrão, tá sob efeito de drogas — ela sussurrou, embora não negasse a exótica beleza daquele homem — Saia daí, vamos...
Ele caminhou para fora do quarto enquanto a olhava incisivamente, não desviara o olhar desde que se virara e aquilo começou a assustar Suzan de uma maneira impossível de se explicar. Ele caminhava de uma maneira arrastada, quase manca, como se seus pés estivessem pesados demais para que ele conseguisse levantá-los. De maneira quase sobrenatural o homem correu para a margem do lago e mergulhou de roupa e tudo, Suzan se aproximou da margem e olhou para a água turva, impossível de enxergar o que jazia em seu fundo. Um barulho de folhas se ouviu do outro lado do lago e ela não acreditou na incrível velocidade que ele alcançou até o outro lado.
-Cada doido que me aparece... — ela sussurrou trancando a porta.
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