The Forbidden Lake

2 O homem dos olhos verdes


Notas iniciais
Aeee, tenho uma leitora! Peço para que se vc está lendo isso, comente!

–Mãe, posso sair com meus amigos hoje á noite? — Suzan disse sorrindo para Claire enquanto se apoiava no corrimão da escada.

–Não é uma boa ideia, filha, sabe que hoje eu preciso ir viajar até a capital para resolver os problemas de documentação do seu avó... — ela disse suspirando enquanto arrumava sua mala na sala de estar da casa — Pergunte a sua tia se ela pode cuidar do seu avô hoje a noite, se ela puder então tudo bem...

Suzan riu alto e abraçou sua mãe, há meses que não conseguia sair de casa para comemorar com os amigos devido aos problemas de seu avó, agora o problema era conseguir convencer sua tia a ficar cuidando de seu avô.

Ela se agasalhou e calçou suas botas de caminhada enquanto colocava uma tiara no cabelo castanho ondulado, olhou-se no espelho do banheiro enquanto escovava os dentes, analisando uma espinha insistente que decidiu surgir na ponta de seu nariz, ela revirou os olhos verdes para a acne e terminou de se arrumar, se dirigindo em seguida para o posto de saúde em que sua tia trabalhava. Ao chegar, cumprimentou a recepcionista e se dirigiu a área de emergência, como sempre extremamente vazia, e encontrou Ellen lixando suas unhas encostada no balcão.

–Oi tia.. — ela sorriu.

–Ah, olá Suzan.. — ela disse levantando os olhos de suas unhas — Alguém problema com o pai?

–Não, está tudo bem... É que eu queria sair com meus amigos hoje à noite e vim perguntar se você vai poder cuidar dele pra mim só por hoje...

Ellen respirou fundo e olhou para um mural do outro lado do balcão, seu nome estava marcado em todas as lacunas até as 5 horas da manhã do dia seguinte.

–Sinto muito, querida, hoje eu tenho que ficar de plantão... — ela disse decepcionada.

Suzan respirou fundo, estava acostumada com estes problemas de horários desde que se mudará para aquela casa.

–Bom, obrigada mesmo assim, tia ... Tchau — ela disse sorrindo e começou a se afastar. Ellen respirou fundo e olhou novamente para o mural, seu olhar se fixou lá por alguns instantes até que os desviou até a sobrinha.

–Suzan, espere .. — ela disse se levantando e indo até ela — Olha, um amigo meu que é enfermeiro estará de folga hoje a noite e como ele está me devendo uma posso pedir para ele monitorar o meu pai por uma noite... Mas só hoje, ouviu bem mocinha?

A garota não pode conter o enorme sorriso que tomou seu rosto, ela abraçou a tia e riu divertida.

–Obrigada, tia! Obrigada mesmo! — ela disse correndo para o saguão e depois para a rua, ela parou perto de um banco e olhou o relógio de pulso, eram seis horas da tarde. Ela ainda teria que voltar para casa para se arrumar e verificar o que tinha acontecido no pequeno galpão perto do lago.

Ao lembrar do lago ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha, aquele homem que encontrara vasculhando suas coisas era assustador, aqueles olhos estranhos lhe perturbaram o sono durante a noite enquanto ela imaginava que ele poderia estar rondando a casa ou até mesmo espreitando seu quarto com uma arma. Ela afastou estes pensamentos enquanto tomava novamente a estrada de cascalhos se dirigindo a sua casa mais feliz do que nunca.

Ao chegar, tomou diretamente a trilha até o lago, caminhou em silêncio ouvindo os pequenos ruídos da floresta ao seu redor, os cliques de galhos se quebrando e o murmúrio das folhas sendo arrastadas pelo vento, ao chegar, se dirigiu até o galpão, abriu o cadeado e entrou no pequeno recinto e averiguou a bagunça que o homem fizera na noite passada.

Todas as ferramentas tinham sido remexidas e colocadas nos lugares errados, Suzan respirou fundo e começou a colocar tudo de volta em seus respectivos lugares, cantarolando baixinho uma música que seu avô lhe ensinara quando criança. Ao começar a enrolar a linha de uma das varas ouviu um quebrar de galhos nada suave vindo de dentro da floresta. Ela imediatamente parou o que estava fazendo e atentou seus ouvidos para o barulho. Outro crack a distância, depois mais um, o som definitivamente vinha de dentro da floresta, circundando o lago em direção ao galpão. Suzan sentiu seu coração se acelerando enquanto tentava controlar sua respiração, ela olhou para a porta entreaberta e segurou com força um machado que estava sobre o balcão.

Caminhando lentamente, ela se dirigiu até a porta e a abriu, em seguida saiu de dentro da construção e olhou ao seu redor, em alguns segundos, sentiu-se ser agarrada pelos braços e imobilizada, fazendo com que deixasse o machado cair no chão, ainda teve tempo de soltar um grito antes de ser derrubada.

–Calma, garota, não sabe brincar não? — disse Andrew rindo alto enquanto a segurava pelos braços — Tá assustada hein? Nunca consegui te fazer surpresa desse jeito.

Suzan respirou fundo e fechou os olhos.

–Eu podia ter te dado uma machadada, seu idiota! — ela disse se soltando enquanto se levantava, limpando as costas do casaco com as mãos — Afinal de contas, o que veio fazer aqui?

–Vim confirmar se iria no bar comemorar o aniversário da Ana hoje á noite, você nunca vai pra lugar nenhum.. — disse ele dando de ombros.

–Você sabe muito bem o motivo de eu não poder sair... — sussurrou ela olhando para a floresta e em seguida sorriu para ele — Mas hoje eu posso ir

Andrew abriu um enorme sorriso e a abraçou, a diferença de altura era razoável, fazendo com que ela parecesse uma pequena criança indefesa ao abraçá-lo. Andrew era o melhor amigo de Suzan desde que ambos tinham 6 anos de idade, os dois adoravam sentar-se junto a lareira da antiga casa de seu avó e ouvir histórias nas tardes de domingo como os tipícos contos de “A Bela Adormecida” e “Branca de Neve” como também a famosa lenda local de “Meg, a garota que caiu no lago proibido”, lago este que Suzan e Andrew estavam ao lado naquele instante. O garoto possuía olhos castanhos e cabelos tão escuros como a noite sem luar.

Suzan trancou o galpão e se dirigiu de volta a sua casa, acompanhada de Andrew enquanto os dois conversavam animados sobre o evento da noite.

Fred mal se conteve de felicidade ao encontrar Andrew, o pequenino que também lhe acompanhara em muitas de suas histórias quando mais jovem. Os dois ficaram bem ocupados conversando enquanto Suzan tomava um banho e vestia uma roupa levemente mais bonita como uma calça preta, botas da mesma cor, uma camiseta de mangas branca com um casaco vermelho e um cachecol para terminar, quando desceu as escadas, Andrew a olhou e lhe dirigiu um meio sorriso aprovador.

–Bom, então vamos? — perguntou ele se levantando.

–Ainda não, quero esperar que o enfermeiro que minha tia indicou chegue aqui, não vou deixar o vovô sozinho..

–Bobagem! Vá logo antes que a festa termine e você ainda esteja trancada dentro de casa! — disse Fred recostado em sua poltrona de couro preta.

–Vô, ainda são oito e meia... Tenho tempo de sobra pra ficar com você...

Não demorou mais do que alguns minutos para que alguém batesse na porta, Suzan estava preparando um chá para agradecer ao amigo de sua tia, então Andrew atendeu a porta, cumprimentando o homem educadamente.

–Prazer, meu nome é Andrew, sou amigo da família... — ele disse lhe dando espaço para entrar na casa.

–Sou Marcos, pode confiar em mim, vou cuidar do senhor Hales. — o homem possuia uma voz levemente rouca e de um tom marcante e poderoso. Suzan se apressou em colocar as xícaras em uma bandeija junto com o bule de chá e alguns biscoitos, ela saiu pela porta da cozinha e colocou o que segurava sobre a mesa de centro na sala.

–Olá, desculpe pelo... — ela disse olhando para o homem que acabara de entrar em sua casa, o sorriso sumindo de seu rosto ao olhar para os olhos verde-esmeralda do homem a sua frente. Seu cabelo era de um loiro tão intenso que tendia ao acinzentado.

Fred olhava para os dois com uma sobrancelha levantada.

–Você... está bem, Suzan?

–Não vou deixá-lo com ele vovô,ele estava tentando roubar a gente ontem a noite... — ela resmungou — E no mínimo ou estava bêbado, ou drogado, e nenhuma das duas opções me agrada.

–Bobagem, Suzan.. — disse Fred se levantando — Conheço Marcos faz algum tempo, sempre me tratou muito bem quando ia ao hospital e sempre me foi um homem de confiança.. Ele nunca nos roubaria! — disse ele sorrindo e apertando a mão do enfermeiro.

Suzan ficou o encarando, pensando sobre o que fazer a seguir. Mas... de fato a luz naquele momento era pouca e a cor do cabelo dele lhe parecera muito mais clara...

Aqueles olhos, no entanto, não lhe pareciam ser nada diferentes do dia anterior.

–Senhorita Hales, garanto que está me confundindo com outra pessoa, ontem a noite eu estava de plantão no hospital e não havia motivo algum que me levasse a roubar algo de sua família...

–Ainda mais varas de pescar! — disse Fred rindo e Marcos o acompanhou.

Andrew olhava para Suzan preocupado.

–Suzan, eles parecem se conhecer... Você deve ter imaginado coisas... — ele disse enquanto ia até a porta — Boa noite, Sr. Fred! Até outro dia. Boa noite, Marcos ...

Suzan se deu por vencida e se aproximou de Fred, dando-lhe um beijo na testa.

–Me ligue se tiver algum problema, não importa o que seja e que hora for... — ela sussurrou enquanto o abraçava, se afastou e olhou Marcos — Boa noite, Marcos...Cuide bem de meu avô.. — ela sussurrou enquanto saia de casa.

Assim que a porta se fechou, Fred respirou fundo e se afastou de Marcos, o olhando derrotado.

–Pensei que ainda teriamos mais alguns anos de espera...

–Já esperamos demais, Fred, está na hora de fazer alguma coisa antes que seja tarde demais... — disse Marcos enquanto se sentava no sofá.



Notas finais
Comeeentem >-