The Fired Prophecy
7 Refeitório
Notas iniciais
Tá, demorei, mas a preguiça é graaaaaaande...................... Okay... To meio hiperativa hoje, passei cinco dias na casa da minha avó, isto é, overdose de comida...
P.O.V. Lira
Existem situações em que você não pode fazer nada além de trincar a mandíbula e revirar os olhos. Digamos que aqueles garotos derrubando um desenho que nem notei que estava fazendo era uma delas.
Pelo menos, posso voltar a xingá-los com Zorah. Nossa amizade voltou a ser como antes.
Seguimos para o refeitório, conversando sobre o QI de cada um dos idiotas da escola. Avistamos Darius no canto, perto das lixeiras, segurando uma lata de Soda. Ela parece estraçalhada, como se alguém tivesse pegado uma tesoura e liberado sua fúria do mundo na indefesa de alumínio.
Pegamos uma bandeja, eu na frente, Zorah atrás.
-Vamos ver... — eu digo, observando os pratos do dia — Gosmas verde, amarela, cinza, azul... Essa é nova! ... E a clássica gosma salmão. Eu vou querer a gosma azul, umas fritas e... Hã, a gosma salmão — listei para a moça de olhar vazio que serve a comida.
Ela coloca a gororoba na minha bandeja e espera o pedido de Zorah:
-Ah, sim! — ela diz, tirando os olhos da minha bandeja — Eu quero a gosma azul, e... Não. Quer saber? — ela pergunta, mais para ela do que para a mulher — Esquece, quero só um café.
Ela devolve a bandeja à pilha e sai da fila, postando-se ao meu lado.
Eu sigo em frente, parando na lixeira e jogando as gosmas fora, deixando apenas as batatas.
-Vamos à área fabulosa.
Andamos até o outro lado do refeitório, passando na máquina de café e pegando um copo cheio para Zorah.
-Agora sim... — digo com água na boca.
Essa parte é a mais deliciosa: tem de tudo. É meio vazia, porque temos que pagar, mas tudo bem.
Solto um suspiro e sigo confiante até a parte dos salgados.
-Ah, vamos ver... Eu vou querer um... Não, dois dessas maravilhas — aponto para os cachorros-quentes — e aquele docinho ali, por favor.
O cara-que-serve coloca meus pedidos e estende a mão:
-Dá oito dólares.
Eu solto um gemido. Era tudo que eu tinha... E não consigo pegar. Miro para Zorah com olhos de filhote e ela revira os dela.
-Está bem...
Ela pega minha bandeja, impaciente.
-Aaah, obrigada!
Dou os oito dólares e vamos sentar na mesa mais próxima, o que faz todos que estavam sentados nela irem se sentar em outras.
Ajeitamos-nos e começamos a comer. Quer dizer, eu começo a comer.
-Você não vai comer nada mesmo?
-Não.
-Você vai me deixar sem comer assim... — digo, soltando o cachorro-quente e cruzo os braços.
Ela olha para mim desdenhosamente e arca as sobrancelhas. Eu olho para meu almoço com dor e não aguento. Relaxo e continuo a comer.
-Isso... — falo com a boca cheia. Paro, mastigo e, quando termino: — é delicioso.
Mordo com gosto o cachorro-quente e o molho da salsicha acaba escapulindo e caindo na minha calça.
Dou um gemido e solto a comida.
Zorah ri da minha desgraça alheia, mas para de repente. Percebo que ela esta olhando por cima do meu ombro.
-O que foi?
-Olha... Olha aquele garoto...
Franzo as sobrancelhas e olho para trás.
Avisto um garoto que nunca vi antes, e olha que eu sei quantas pessoas me acham esquisita, ou seja, todos nesse hospício.
Ele é pálido — digo realmente pálido -, um cabelo preto, ondulado e ligeiramente longo; está usando uma jaqueta preta por cima de uma camiseta laranja desbotada e uma calça preta. Ele olha para nós.
Olho de volta para Zorah e vejo que ela ainda não despregou os olhos dele.
-Meio emo, não?
Ela desvia o olhar para mim e franze os lábios. Quando volta a olhar para ele, faz uma cara confusa.
-O que foi? — pergunto.
Ela olha de novo para mim:
-Ele sumiu! Ele estava lá nesse momento! Olhei para você por uma fração de segundo e, quando olhei de volta, ele evaporou! Como isso é possível?!
-OK, primeiro, se acalma. Segundo, por que você se importa tanto?
Ela hesita, obviamente confusa:
-Bom... Não sei. Ele me pareceu... Diferente.
-Diferente?
-É...
-Hum...
Zorah continua inquieta o dia inteiro. Na última aula, a de Educação Física, resolvo fazê-la desembuchar.
Nos aquecimentos de basquete — yay! -, na fila para o arremesso, pergunto:
-O que tem de errado com você hoje?
-Hã, o quê?! — ela diz, voltando à Terra — Ah... Nada... — olho para ela severamente — Argh, tudo bem. É só que... Aquele garoto, ele desapareceu muito de repente. Parecia até que... Ele sumiu na sombra da parede.
Eu rio falsamente.
-Você está supondo isso porque...?
-Argh, eu-- Vai, é a sua vez.
Viro para a cesta e pego a bola que voava na minha direção. Ah, vai ser bom fazer uma cesta novamente.
Quico a bola e sorrio para a cesta.
Corro, driblando, dou um giro para evitar o mamute que vinha na minha direção chamado Georgia, finjo que arremesso, enganado o gigante primordial, dou mais um giro, quase perdendo a bola para uma garota que tem a metade da minha altura e arremesso.
Escuto um "chuáá!" vindo da lateral da quadra, feito pelo único professor que gosta de mim, Michael Tyler. Ele bate palmas e fala:
-Que cesta, Goldberg!
Sorrio para ele e volto para o fim da fila.
Torço para Zorah fazer uma cesta, mas, como sempre, meus pedidos não são realizados. Zorah tem uma mira péssima. Ela acerta o aro da cesta — por baixo — e faz a bola ricochetear, caindo com força na cabeça de Tiffany Alguma-Coisa, a mais fresca das frescas.
Ruiva, olhos castanhos e um nariz empinado, faz todos caírem aos seus pés. É a Regina George do internato dos esquisitos de Nova York.
A bola cai na cabeça dela com um estrondo abafado. Seus olhos reviraram e ela cai no chão, gemendo. Nunca tive pena dela, mas ai.
Olho para Zorah e ela cobre a boca com as mãos.
Michael corre até Tiffany e tenta levá-la até a enfermaria, mas ela se debate e Michael pede para ela sentar na arquibancada. Ele caminha até nós dizendo com o olhar: "Ai. Essa doeu."
-Já sei, detenção — Zorah murcha.
Ele franze as sobrancelhas.
-Por quê?
-Bom, eu...
-Não foi de propósito, foi?
Ela balança a cabeça.
-Então tudo bem — ele diz, sorrindo.
Michael se vira e vai embora, para o outro lado da quadra.
-Ooh, quem diria — Zorah fala, sarcasticamente — o professor de Educação Física é o mais legal...!
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