The Fired Prophecy
8 Pesadelos
P.O.V Zorah
Nunca me senti dessa maneira. Ninguém nunca tinha mexido tanto comigo. Aquele garoto fantasma é algo que nunca experimentei.
Está de noite e daqui a alguns minutos Lira vai estar em sono pesado, o que é bom, porque assim poderei escapar do quarto e ir para o terraço, pensar um pouco melhor. Olho pela janela, ansiosa, fazendo uma trança no meu cabelo e depois desfazendo-a.
– Ai... Boa noite, Cabeça de Prata. – diz Lira apagando a luz do quarto e desabando em sua cama.
A escuridão envolve o ar da noite e penso em dormir, mas a imagem do garoto fantasma volta a minha mente e fico em estado de alerta, talvez imaginando que aquele menino possa aparecer do nada.
Idiota, esquece ele pelo menos por um segundo!, grito mentalmente para mim mesma.
Suspiro e fecho os olhos, relaxo e incorporo a pequena pantera, silenciosa e discreta. Saio furtivamente do dormitório e sigo meu caminho pelas sombras dos corredores.
Chego ao terraço e a sensação de liberdade vem com a brisa noturna. Olho para o céu escuro de Manhattan e inspiro o ar da noite. Sento-me no chão e fico filosofando , mas sempre acabo com meus pensamentos voltados para o garoto fantasma. Tudo a minha volta lembra ele. A cor pálida da lua parece com sua pele; o céu noturno sem estrelas , seus olhos penetrantes; o breu da noite, seus cabelos ondulados e um pouco desarrumados, que não lhe caíam mal... Nem um pouco.
Esse ser sinistro e... bonitinho me faz dormir com um sorriso no rosto, mas, infelizmente, os pesadelos começam.
O ar está carregado e seco, com fumaça para todo lado. Duas auras de poder estão no centro do meu campo de visão, uma laranja e avermelhada, e outra roxa como vinho. Então, a batalha de sempre começa: uma se lançando contra a outra, a aura laranja se protegendo e mostrando-se resistente, enquanto a aura roxa ataca com violência e ódio. Aos poucos, o ar me sufoca e eu sinto minhas energias indo embora. Por fim, a cena muda. Agora estou em uma praia, à noite, ao lado de uma casa bonita. É branca e possui uma varanda simples, mas simpática. As luzes estão acesas mas não tem muito movimento. As horas parecem passar num piscar de olhos e agora carros de polícias rodeiam a casa.
Acordo com lágrimas nos olhos, assustada. Aquela casa era a minha casa, a da Califórnia. E essa noite foi a noite em que eu fugi de Malibu com a ajuda de uma menina que não me lembro direito quem era, e a noite em que minha mãe, Elizabeth Pearl, faleceu.
A porta do terraço se abre e uma figura desengonçada se revela por atrás. O tal se aproxima e quando vejo quem é, nunca pensei que estaria feliz em vê-lo.
– Zorah, vamos voltar para o quarto, está bem? – fala Darius – Está tarde...
Ele estende a mão e me levanta. Juntos, voltamos para nossos quartos.
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