Notas iniciais
Lira Goldberg aquii!! Tomara que gostem desse, tive que terminar de escrevê-lo no meio de uma bagunça chamada casa da minha avó.
Now go. Read it.

P.O.V. Lira

Acordo minha mãe quando chega a hora de sair.

-Tenha um bom semestre, querida – ela diz com os olhos marejados, já na porta do elevador.

Eu a abraço com força, e ela retribui, reprimindo o soluço.

-Te vejo no Natal, minha pequena artista – ela diz, com seu perfeito sorriso.

Eu estou com os olhos cheios d’água, e olho para ela sorrindo. Não falo nada, porque, se eu abrir a boca, vou chorar como um bebê. Amo muito minha mãe, e estou indo para um inferno em miniatura em forma de local de ensino.

Balanço a cabeça em afirmativa, e ela entende, graças a Deus.

-Agora vá, querida – ela diz, com a voz trêmula.

Balanço a cabeça novamente e entro no elevador. Na hora em que a porta se fecha, uma lágrima cai. E outra depois.

Controle-se..., penso, ligeiramente irritada.

Fungo e suspiro, me recuperando. A porta se abre e eu caminho pelo curto corredor de entrada. Abro a porta de madeira pesada com certa confiança e vou em direção ao ponto de ônibus da esquina. Sento no banco e espero. Dez, quinze, vinte minutos de espera e, finalmente, o ônibus chega. Ele já está meio cheio, considerando que muita gente já entrou, mas ainda falta muita gente para entrar. Sento num lugar vazio e olho pela janela os prédios passarem rápido. Ainda temos que atravessar a parte superior do Central Park para ela entrar. Paramos umas três vezes antes de chegar na Madison Avenue. Endireito-me no assento e fico mais atenta. Quanto mais descemos a avenida, mais ansiosa eu fico. Finalmente paramos no ponto e eu a vejo. Sua mecha prateada reflete a luz do sol e entra em contraste com seus cabelos negros.

Zorah é bem diferente de mim na aparência. Meu cabelo tem diversos tons de castanho, vão até o meio das costas. Meus olhos são cor de avelã, e Zorah diz que são bem chamativos e diferentes. Tenho uma pele bronzeada, como se fosse da Califórnia, mas nunca pisei lá. Meu corpo é como o de Zorah: esguio e forte, mas o meu é levemente mais magro que o dela, devido aos meus muito constantes exercícios.

Ela olha exatamente para a janela onde eu estava. Um sorriso enorme toma conta de seu rosto, e o mesmo acontece comigo. Muita gente desse hospício, que chamam de colégio que eu estudo, mora na Madison Avenue. Depois de umas cinco pessoas, ela finalmente entra, e todos olham torto para ela. Era normal. Me toleravam um pouco, mas Zorah era bem mais rebelde e maluca do que eu. Mas, mesmo assim, me evitavam.

Ela caminha lentamente pelo corredor e se senta ao meu lado. O silêncio predomina nosso espaço, mas nossos sorrisos continuam. Planejamos isso quando nos vimos pela primeira vez, antes do feriado. Não falamos nada a viagem inteira. Chegamos à escola, mas o sorriso não vacila.

Saímos do ônibus e andamos até o portão. A visão da fachada da escola não me agrada. Tenho certeza que não agrada Zorah tampouco. Cinza, de pedra, com a grade preta enorme na entrada. É um prédio reto, sem imperfeições, bem depressivo. É bem grande, sem dúvida, também. Mas, ainda assim, o sorriso permanece. Nada vai nos fazer desistir. Nada vai nos deprimir.

Entramos pelo portão e nos deparamos com o longo corredor depressivo, com uma escada no fim. Ele me lembra muito um orfanato que visitamos, na verdade, qualquer orfanato, eu acho.

Dirigimo-nos à escada lentamente, porém absolutamente ansiosas. Subimos e nos deparamos com o corredor com as salas de aula, um outro corredor longo e depressivo, mas com muitas e muitas portas ao longo dele. Ao lado da saída da escada está o início de outra. Subimos de novo e um corredor diferente apareceu. Ah, o melhor corredor de todos da escola. É bem diferente dos outros. É um dos dois corredores-dormitórios. Não são cinzas, como os outros. As paredes são salmão, com pôsters e desenhos (confesso que uma grande parte deles é minha). Esse e o corredor de cima são assim, “perfeitos”.

Subimos a próxima escada e encontramos o segundo corredor-dormitório. Mais um lance de escadas e encontramos mais um corredor cinzento, mas, nesse, há algumas poucas pichações de alunos escrito: “VÃO EMBORA!” ou “NINGUÉM MERECE!” ou até “CAROS PROFESSORES, VOCÊS FEDEM. ASS.: ESTUDANTES”. Confesso também que fiz parte desse último. Eu assinei.

Finalmente, subimos o último lance e chegamos no curto corredor com uma porta de madeira simples no final. Zorah e eu nos entreolhamos e aumentamos nossos sorrisos. Abrimos a porta com uma grande emoção e andamos pelo terraço até a borda do prédio.

Nós nos entreolhamos novamente e tomamos fôlego. Gritamos um único e longo berro, atraindo a atenção de todos lá embaixo. Demos dois passos para trás, nos escondendo. As risadas brotam de nossas gargantas. Rimos por uns dois minutos sem parar. Até que ela arqueja:

-Acho melhor a gente voltar – ela diz, pegando meu braço e me puxando em direção à porta.

Notas finais
Eu simplesmente... ADOREI escrever esse fim. Sério.