The Figther

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Desculpem a demora pra postar, eu tinha o cap pronto, era pra ter postado quinta, só que relendo antes de postar eu simplesmente ODIEI o cap, e resolvi escrever de novo, só que eu não conseguia escrever nada que eu gostasse, de quinta pra cá já comecei o cap do zero umas sete vezes, e só agora achei que ficou aceitável.

Mariana Lacerda, obrigada por ler a minha fic, o cap hoje é pra você especial de nova leitora!

Boa Leitura!

Ela veio até mim e disse me dando um grande abraço:

- John querido! Me desculpe o atraso! Eu pretendia estar aqui no momento em que você colocasse os pés para fora daquele lugar, mas no caminho pra cá o pneu furou, e tive de parar e chamar alguém para trocar.

Retribuí seu abraço em silêncio, ainda tomado pela surpresa. A mãe de Stefan foi a única pessoa que acreditou na minha inocência, enquanto todos me tratavam como assassino, até mesmo meus pais, ela esteve do meu lado, no entanto, em todo esse tempo em que estivo preso, nem mesmo ela veio me visitar; a única visita que recebi, foi durante os primeiros dois anos, do meu advogado, mas logo depois pedi que desistisse, que me deixasse cumprir meu destino.

Assim que ela me soltou, senti uma dor muito antiga; Stefan herdou quase todos os seus traços da mãe, eles tinham os mesmos olhos verdes, cabelos loiros, e também o mesmo sorriso. Ela me lembrava de mais de meu melhor amigo. Eu nunca sentira tanto a sua falta, quanto estava sentindo agora. Espantei a dor e sorri para a Sra. Fisher, que esperava que eu dissesse alguma coisa:

- Bom dia Sra. Fisher! Não esperava ver a senhora aqui hoje; achei que nem fosse se lembrar. – eu disse sinceramente.

- Ora como não me lembraria? Você sempre foi como um filho pra mim! Sinto tanto não ter vindo visitá-lo antes, mas eu fiquei muito abalada com o que houve com meu filho – disse ela com uma expressão angustiada – assim que você foi condenado, fui pra Nova York, morar na casa de minha irmã, e desde então não tive coragem de voltar pra cá. Tinha medo de ver você, também – confessou ela, para minha surpresa – entenda você e Stefan sempre foram tão parecidos, vocês tinham os mesmos gostos, os mesmos hábitos, até fisicamente vocês eram parecidos! Tinha medo de não suportar ver você, não tinha coragem de encarar você! – desabafou ela com lágrimas nos olhos.

- Tudo bem, Sra. Fisher, eu entendo. – eu disse, a abraçando. Eu realmente entendia; sei o que senti quando vi nela, tudo que estava acostumado a ver em Stefan.

- Obrigada John! – disse ela soltando-se dos meus braços, um sorriso reaparecendo em seus lábios – Vamos então?

- Para onde? – perguntei confuso.

- Para a minha casa é claro! – respondeu ela, como se fosse tão óbvio quanto o sangue ser vermelho – caso não se lembre, você não pode ir para a casa de seus pais, o dinheiro que você ganhou na prisão só será liberado daqui a alguns meses, e mesmo assim é pouco para alugar um quarto no hotel por mais de dois meses, isso se você conseguisse entrar no hotel; você sabe como são as coisas aqui, o Sr. Dholson provavelmente o expulsaria de lá a pontapés! – disse sorrindo pra mim com divertimento.

Sorri ao me lembrar do Sr. Dholson. Ele já devia ter uns sessenta anos quando fui preso; imaginava como ele estaria agora. Provavelmente muito mais rabugento que antes. Ele foi um dos que apoiaram o pai de Sam, Sr. Michael Florence, a enforcar Stefan, caso ele se recusasse a se casar com Sam.

- Obrigado Sra. Fisher, eu estava pensando exatamente a mesma coisa quando a senhora apareceu, — eu disse – a senhora está salvando a minha vida!

- Não por isso John! Você sempre foi como um filho pra mim, eu jamais o abandonaria – disse me puxando na direção do carro – mas agora vamos! Tenho certeza que você vai querer tomar um banho bem quente e demorado, e depois fazer uma bela refeição do seu prato favorito – disse ela, sorrindo para mim da mesma forma que uma mãe sorri para seu filho. Isso me fez lembrar de minha mãe, e de como doeu quando eu entrei naquele tribunal e não a vi, do lado da Sra. Fisher, me apoiando, no momento em que mais precisei.

Espantei novamente a dor; sorri mais uma vez para a Sra. Fisher, e entrei no carro.

Passamos toda a viagem do em silêncio, talvez ambos estivéssemos presos em lembranças. Eu com certeza estava, me lembrava de cada lugar por onde passávamos, a cidade em si não tinha mudado nada, porém estava um tanto mais moderna, haviam computadores em quase todas as lojas e estabelecimentos por onde passávamos, caixas eletrônicos estavam espalhados por vários pontos da cidade, e nas ruas as pessoas usavam modernos tablets, e teclavam em seus celulares de última geração.

- John, chegamos – disse a Sra. Fisher. Eu estava tão imerso em meus pensamentos que nem notei quando a Sra. Fisher estacionou. Desci do carro e olhei a casa, só pra descobrir que eu não estava preparado para ver aquele lugar; tudo estava exatamente igual ao que eu me lembrava, o jardim, as escadas, as janelas, até mesmo aquele mesmo tom de amarelo que era exatamente igual ao do prédio da prefeitura, só que este não estava velho e desbotado, parecia que tinham acabado de repintar, assim como estava naquela última vez em que estive aqui. Foi então que ela veio, e me atingiu como uma bofetada de uma mão invisível, sem me dar chance de desviar. Essa foi a lembrança mais forte que tive até então. A lembrança da noite de 30 de junho de 1995. A noite da morte de meu melhor amigo...

30 de junho de 1995 ...

Cheguei em casa já estava anoitecendo. Stefan e eu passamos o resto do dia nadando e jogando futebol no pequeno clube da cidade, e nem vimos as horas passarem. Olhei no relógio da sala e vi que já eram 6:55h. A festa foi marcada para começar às 8:00h; a casa de Stefan ficava a 30 min da minha, o que me dava 35 min para tomar banho e me arrumar. Subi correndo as escada em direção ao meu quarto, ouvindo me mãe, Anna, gritar:

- Você está atrasado Sr. John Richard Bailey! E eu sei que você matou aula, então considere-se de castigo!

- Eu tô bem mãe, obrigado por perguntar! – gritei de volta, ouvindo sua risada enquanto passava voando pela porta do meu quarto. Despi minhas roupas e as joguei em algum canto do quarto, e fui em direção ao banheiro.

Ouvi alguém bater na porta assim que saí do banheiro; enrolei a toalha na cintura e abri a porta, quem estava lá era Mel, filha da nossa governanta, a Sra. Winstley, trazia nas mãos um embrulho da única loja de trajes de festa da cidade, a Florence’s, que pertencia a família de Sam. Ela me olhou de cima a baixo, prestando bastante atenção nos músculos do meu tórax; sorri para ela e perguntei, inocentemente:

- Pois não?

- Vim lhe trazer seu Smoking, Sr. Bailey – ela respondeu, pigarreando e sacudindo levemente a cabeça.

- Ah, obrigado Mel – disse pegando o embrulho de suas mãos, roçando propositalmente meus dedos nos dela – e o que eu disse sobre me chamar de Sr. Bailey? Me chame apenas de John. – eu disse dando a ela um de meus meios sorrisos que faziam todas se derreterem para mim.

- M... Me desculpe Sr. Bai... ah... John – gaguejou ela, olhando pra mim com uma expressão abobada.

- Se me da licença, preciso me trocar – eu disse – a menos que você queira me ajudar? – perguntei, sorrindo safado para ela.

Ela arregalou os olhos e abriu a boca, mas se recompôs no mesmo segundo:

- Ah... hmm... Claro Sr... ah John, com licença – e saiu apressada, sem olhar para mim.

Fechei a porta rindo de sua reação. É claro que eu sabia o efeito que tinha nas mulheres; quando andava na rua, eu recebia alguns olhares, até de mulheres mais velhas. Eu tenho 1,80m, pele levemente bronzeada, resultado de um ano na Califórnia, quando tinha quatorze anos, olhos e cabelos castanho escuro, e alguns músculos de que podia me orgulhar; eu não sou egocêntrico, apenas tenho uma boa genética, e uso isso a meu favor. Terminei de me vestir e fui arrumar meu cabelo, apenas passei gel e penteei os cabelos para trás, dando o efeito de “a vaca lambeu” que eu sempre sacaneei quando Stefan usava.

Saí do quarto e fui para a sala, já eram 7:25h; encontrei meus pais na sala, só esperando por mim.

- Vamos? – perguntou meu pai se levantando e indo para a porta.

- Vamos. – respondi, dando o braço para a minha mãe.

- Você está lindo, meu filho, parece que só agora eu posso ver que você já é um homem! – disse minha mãe me analisando do jeito que as mães fazem.

- Eu sei que eu sou lindo, mãe, o espelho me diz isso todos os dias.

Meus pais riram, e nos dirigimos ao carro que nos esperava, para nos levar ao noivado de Stefan.

Assim que chegamos a casa dos Fisher, pedi licença aos meus pais e fui procurar por Stefan; enquanto procurava reparei na decoração do saguão de entrada da casa dos Fisher, que era uma das casas grandes de St. Vervelleen, eram ao todo três, a do fundador, a do juiz do Supremo Tribunal de St. Vervelleen (que obviamente não existe mais) e a do primeiro ministro da época; Stefan morava na maior delas, a do fundador, que conta com um grande saguão, feito exclusivamente para sediar as grandes festas da alta sociedade de Vervelleen, por volta de 1850, as outras duas também eram grandes, porém não tanto quanto a primeira, e quem morava nelas atualmente éramos eu e Sam, respectivamente. O saguão estava divinamente decorado com vasos de flores brancas espalhados por tido lugar, faixas brancas pendiam do corrimão da escada, de ambos os lados, e grandes vasos de rosas brancas foram colocados em três pontos da escada, na base, no centro e no topo. Garçons transitavam em todas as direções com bandejas de canapés de todos os tipos e taças de champanhe. A mesa de doces ficava em um salão adjacente, que não estava tão lotado quanto o primeiro, tinha vários tipos diferentes de doces e taças com cremes de várias cores, no centro da mesa havia um bolo branco de três andares, e ao lado do bolo havia um disfarçado Stefan, enfiando uma colher de sobremesa na base do bolo, arrancando um pedaço enorme do glacê e comendo. Me aproximei dele e disse rindo:

- Se eu fosse você seria mais discreto e pegaria os bem casados, ao invés de atacar logo o bolo!

Stefan deu um pulo, esbarrando na mesa fazendo com que a gelatina dentro dos potinhos tremesse.

- Seu idiota! Quase derrubei o bolo todo no chão! – disse ele, rindo enquanto se virava para mim – Olha só quem arrumou o cabelo! Pelo visto você encontrou um rebanho inteiro de vacas no caminho pra cá, não?

- Sim, eu encontrei, e, veja só que coincidência, foi justamente a sua mãe a que eu vi primeiro! – eu disse, já me desviando de um tapa.

- Se eu não estivesse numa festa, te mostraria o modelo novo de cara pra quem se mete a besta com a minha mãe- disse ele.

- Sei, como se você fosse páreo pra mim – respondi – e o seu cabelo, está tão lambido quanto o meu, então não haja como se o rebanho de vacas não fosse seu – eu disse, tentando desarrumar seus cabelos de novo.

- Mas você tem que admitir, esse penteado fica bem melhor em mim, do que em você– ele disse se desviando da minha mão.

É eu tinha mesmo que admitir, ficava mesmo melhor pra ele que pra mim. Stefan tinha a mesma altura que eu, e o mesmo tipo físico, era loiro e tinha olhos verdes, e esse tipo de penteado realçava a cor do seus olhos, fazendo com que parecessem mais claros, o Smoking, idêntico ao meu, fazia sua pele parecer mais clara, ele sempre deixava a barba por fazer, o que o deixava com aparência mais madura. Eu nunca admitiria pra ninguém, mas eu sempre achei que Stefan era mais bonito que eu.

- Meninos! Será que vocês nunca tem modos! – Disse Sam, abraçando Stefan – A propósito, você está uma delícia, Johnny – acrescentou sorrindo maliciosamente para mim.

Samantha estava linda, em um vestido longo cor de creme de mangas compridas e gola alta, o vestido era todo rendado, e transparente nas mangas, era colado ao corpo abrindo levemente na altura dos joelhos, valorizando suas curvas. Seus cabelos negros estavam presos em um coque alto, simples, e ela usava uma maquiagem bem leve, porém que realçava seus olhos cor de mel.

- Você também está especialmente gostosa com esse vestido – quando eu disse isso, ela deu uma volta, revelando um grande decote nas costas, a cor de creme do vestido combinando perfeitamente com a palidez de sua pele.

- Aquele estranho momento, em que a sua namorada dá mole para o seu melhor amigo na sua frente. – Disse Stefan, enquanto eu e Sam dávamos risada.

- Relaxa amor! Você sempre vai ser o principal! Johnny será apenas o amante gostosão! – disse Sam, sorrindo docemente para Stefan.

- É Stef, eu juro que nós seremos discretos, ninguém vai saber que você é corno! – eu disse, rindo junto com Sam.

- Vocês são dois safados, isso sim! – respondeu ele rindo com a gente.

– Vou deixar vocês sozinhos, minha avó acabou de chegar – disse ela dirigindo-se a uma simpática senhora.

Stefan a olhava com uma expressão estranha. Eu já imaginava o porque:

- Você ainda não falou com ela, não é?

- Não. Não tive coragem. – Ele respondeu, soltando um suspiro cansado.

- Stefan, você não pode esperar mais – eu o alertei – esse é o seu noivado, olhe o tamanho dessa festa, e você conhece a sua mãe e o pai da Sam, se o noivado é assim, nem queira ver o casamento.

- Eu sei, eu sei – ele disse, se virando para mim – se eu subir naquele altar e dizer não pra Sam, ao invés de casar, o padre vai é rezar a minha missa de sétimo dia.

- Vá logo falar com ela, se vocês decidirem juntos, aposto que vocês conseguem dar um jeito nisso! – eu disse tentando parecer otimista.

- Você está certo – Stefan suspirou outra vez – é melhor acabar logo com isso – e pegou uma taça de champanhe de um garçom que passava, virando todo o seu conteúdo de uma vez só – queria mesmo era uma boa dose de tequila – e foi em direção a Sam.

Ele se aproximou dela, e disse algo em seu ouvido, logo depois saiu na direção do salão principal, parando uma vez para olhar para mim como quem diz “deseje-me sorte”. Sorri encorajador, e ele se foi.

[...]

Já faz duas horas, desde que Stefan sumiu. Eu já tinha visto a Sam falando com uma penca de convidados, e ela não parecia nada triste ou perturbada. O que era muito estranho, partindo do ponto que Stefan estava desistindo do casamento. A menos que... mas não podia ser! Ele estava tão decidido a não se casar! Ele não mudaria de ideia agora. Ou será que mudaria?

Vi Samantha vindo em minha direção:

- John onde é que Stefan se meteu? Ele me disse para encontrar com ele na biblioteca, disse que tinha algo muito importante para falar comigo, então eu fui, mas quando cheguei lá ele não estava. Eu esperei por mais ou menos uns vinte minutos, e como ele não apareceu, resolvi voltar pra festa.

Olhei confuso para ela:

- Eu não o vejo desde a hora em que ele foi falar com você Sam – eu disse começando a ficar preocupado. Onde é que aquele palhaço se meteu? – Eu vou procurar por ele, e você continue dando atenção aos convidados, se eu o encontrar te aviso.

- Obrigada John! – disse ela, já indo atrás de mais pessoas.

[...]

Passei o resto da noite procurando por Stefan. Procurei na casa, no jardim, até na cozinha eu fui procurar e nada. Eu já estava preocupado. A maioria dos convidados já tinha ido embora e eu ouvi vários reclamando da falta de consideração do noivo de desaparecer no dia do noivado. O bolo nem fora cortado por conta disso.

- Eu vou acabar com ele quando ele aparecer! – dizia o pai de Sam, enquanto a Sra. Fisher gritava o nome do filho por todos os cantos da casa.

- Onde esse garoto foi parar meu Deus do céu? – ela se perguntava.

- Já procuraram no terceiro andar? – eu perguntei subitamente me lembrando que era lá que ficava o escritório do pai dele.

- Stefan nunca mais pisou no terceiro andar depois da morte de James – Disse a Sra. Fisher se referindo ao pai de Stefan.

- Mesmo assim temos que procurar, e se aconteceu alguma coisa com ele? – eu disse, com um mal pressentimento. – Eu posso ir procura-lo lá – acrescentei quando vi a expressão da Sra. Fisher. Ela tampouco retornara ao terceiro andar depois da morte do marido.

- Eu vou com você. – disse Sam, com uma expressão preocupada – tenho um mal pressentimento. – ela disse ecoando meus pensamentos.

- Obrigada. – ela disse para nós.

Subimos as escadas em silêncio e quando chegamos ao corredor do terceiro andar sugeri que nos separássemos:

- Você pela direita, que eu vou pela esquerda, pode ser?

Ela apenas assentiu e seguiu para o lado direito do corredor. Segui para o meu lado me dando conta que o escritório do pai de Stefan era no fim do corredor, no lado esquerdo. Dei mais alguns passos e me deparo com um objeto no chão. Era um punhal e estava todo sujo de sangue. Olhei para frente e um líquido escuro escoria por debaixo da porta do escritório do Sr. Fisher. Sangue. Corri até lá e abri a porta, e soltei um grito de horror com o que vi. Aquela imagem jamais sairia da minha cabeça. Meu melhor amigo, Stefan Fisher, estava morto com a garganta cortada.



Notas finais
Bem é isso. O cap ficou bem grande, isso porque ainda dividi ele em dois. Eu não gostei muito, mas precisava postar alguma coisa.

Deixem a opinião de vocês ok?

XOXOXOXO