The Feeling
1 I – Genius And Sensitive
Notas iniciais

A loira acordou de modo abrupto, com a respiração acelerada e a mente a mil, por mais que houvesse aberto os olhos há poucos segundos. Ela passou a mão por seu peito, acalmando os batimentos cardíacos enquanto assimilava o sonho que tivera com as sobrancelhas comprimidas em dúvida. Por mais que seu dom estivesse adormecido graças a um trauma emocional, havia vezes que tinha certos vislumbres de um futuro muito próximo, que poderia acontecer desde alguns minutos a três dias à frente.
Este se resumia a um toque. Um toque que começara agressivo, mas que, com o passar do tempo, tornou-se gentil e até mesmo íntimo de uma forma que fez seu coração bater mais forte, assim como um sentimento tão intenso surgir de tal maneira que nem ao menos conseguia descrever. Embora fosse algo deveras confuso, uma pequena chama de esperança surgiu em seu peito apenas por saber que, talvez, seu par estivesse mais próximo de aparecer do que imaginava.
Com um suspiro, a mulher de 26 anos se ergueu de sua cama pequena, porém confortável, e se espreguiçou antes de focar no relógio de parede que se encontrava na parede oposta, declarando que, mais uma vez, havia acordado de madrugada. Não que aquilo fosse um problema, afinal, teria de sair dali duas horas para vender mais um de seus projetos por debaixo dos panos, que era a única coisa que mantinha seu padrão de vida um pouco melhor do que a daqueles que a rodeava.
Após meia hora, Katherine Von Strucker estava pronta para sair, trajando uma simples calça jeans, blusa azul marinho, jaqueta preta parcialmente grossa e botas de couro com salto baixo que alcançavam seus joelhos. Pegou uma maleta que colocara sobre a mesa de madeira média que ocupava parte do lugar, conferindo se estava tudo em ordem antes de sair do apartamento, trancando todas as fechaduras da porta apenas para tranquilizar sua consciência.
Assim que saiu do prédio, sentiu a brisa fria bater contra seu rosto, fechando seus olhos verdes por um breve momento antes de transformar sua expressão, tornando-a decidida antes de pegar um táxi para ir até o aeroporto da cidade, que se encontrava agitado no momento em que colocou os pés no local. Passando seu olhar por tudo, ela andou até um dos bancos que ficavam bem no ponto mais movimentado dali e sentou-se em um deles, pousando sua maleta ao seu lado.
Tranquilamente, a loira esperou com paciência até que viu um singelo movimento atrás de si, assim como uma maleta muito semelhante a sua e sorriu de leve em satisfação.
— Trouxe o que encomendei, Kashri? — O romeno perfeito do homem soou próximo ao seu ouvido e a engenheira olhou em volta para disfarçar, afinal, ali havia uma quantidade considerável de seguranças. A última coisa que desejava, era atenção.
— Perfeitamente, senhor. Três bombas de modelo discreto e remotas, da forma que pediu. — Informou com simplicidade, afastando alguns fios claros de seu rosto. — Precisarei conferir meu pagamento?
Uma risada rouca a alcançou e, se ele não fosse um comprador, com certeza gostaria de ter algo a mais com o mesmo. Era um homem belo de cabelos castanhos e olhos verdes hipnotizantes, mas infelizmente, se envolvia com coisas que não queria mais ter ligação direta. Não mais.
— Claro que não, senhorita. Pensei que já soubesse como trabalhamos. — Observou com um humor que a fez sorrir e encarar seus pés por alguns segundos antes de erguer seu olhar novamente. — Até logo, Kashri. — Com o canto do olho, ela o observou dar a volta, pegando a maleta e se afastando como se não tivesse acabado de comprar três bombas de uma mulher que ele nem sabia se era confiável.
Mas era assim que funcionavam os negócios, afinal.
Tentando ser o mais discreta possível, Katherine fez o mesmo que o homem, pegando a maleta que ele havia deixado e se encaminhou para uma saída diferente da anterior, dirigindo-se para um estabelecimento discreto que se localizava próximo ao aeroporto. Nele se servia o melhor café que encontrara até então, e foi por aquele motivo que moveu-se para lá.
Ao passar pela porta, o sino que havia acima de sua cabeça balançou, avisando que um cliente acabara de chegar e cumprimentou a mulher que se encontrava no balcão, pois já sabia o que ela desejaria tanto para comer, quanto para beber. Kath se encaminhou para o fundo do lugar, onde se localizava a mesa mais discreta e ali se sentou, pousando a maleta sobre a mesma para, em seguida, abri-la. Sorriu aliviada ao notar tanto dinheiro ali dentro, logo a fechando e a pousando ao seu lado.
— Dia produtivo, Kashri? — Jaelyn, a dona do estabelecimento, lhe perguntou assim que pousou seu café e um prato com um sanduíche em sua frente. Seu sotaque era acentuado, mas, no geral, a mulher era bastante habilidosa em seu inglês, embora pronunciasse o nome falso de Kath diferente.
A loira baixou seu capuz e abriu um sorriso brilhante.
— Você nem imagina o quanto.
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