The Fallow Chronicles - White
2 Chapter I - Cruciatus Potion
Notas iniciais
Capitulo I — Poção Cruciatus
Harry poderia dizer que estava preparada para um monte de coisas... Mas não para o que ele tinha visto naquela casa.
Seus ouvidos rugiam e o cheiro de sangue o deixava tonto. Mal registrava o som ao redor. Apenas os tremulos soluços abafados.
Mas ele não podia invadir a casa e matar aqueles trouxas. Ele constantemente tinha que se lembrar disso. Ele não podia... Ele queria, apenas, ter pedido para outra pessoas menos imprudente que ele tivesse vindo no lugar.
Mas agora não tinha mais jeito.
***
O dia era aparentemente calmo em Lake District. Bastante frio, mesmo sendo verão. Mas o lá era geralmente assim, então nada surpreendente.
Mães andavam com seus filhos animados pelas ruas. As crianças aproveitavam suas férias de verão. Elas riam, felizes.
Isso fez Harry sorrir. Aquelas pessoas podiam ser felizes, sem a preocupação de um lorde das trevas cleptomaniaco, louco e sem nariz atras deles... A paz era uma sensação boa...
Isso trouxe seus pensamentos para seu "alvo" do dia. Woodbridge não era grande, então ele logo achou a casa 7. Não foi dificil. Lembrava-se da vez em que teve que ir a uma casa da Alemanha por causa de um garoto que passava as férias lá. Aquilo sim tinha sido um inferno confuso. Especialmente quando ele não podia falar alemão.
Suspirou mentalmente e andou até a casa numero 8. Antes de qualquer coisa, queria saber a opnião das pessoas da região. Por vezes era o melhor jeito de se preparar para o tipo de criança que iria encontrar. Embora as fontes não eram confiaveis, é claro.
Ele falou com as moças das casas oito, nove e dez. As respostas eram parecidas.
"Ela é uma criança problematica. Está sempre em brigas do colégio. Se há uma rodinha de colegas brigando no colégio, uma delas é sempre Hazel. "
"Eles são opostos. Hazel e o irmão gemeo, Dylan. Dylan é um ótimo garoto. Tem varios amigos, inclusive meu filho. É bom no colégio e sempre tem notas exelentes. Já a menina é anti-social. Meu filho diz que as notas dela são horriveis e ela odeia falar com as pessoas..."
"Ela foi pega num incidente no colégio. Todos os computadores da sala da informatica foram quebrados. Ela foi pega no flagra com a pedra na mão. O irmão tentou interromper, mas ela não o ouviu. Lembro-me que ela quase foi expulsa. Só não foi pois os pais são realmente muito bem vistos na escola. Tenho certesa que eles a deram uma punição adequada"
Para a ultima pessoa, Harry perguntou onde Hazel estava nesse horario da manha. "Ela foi a padaria", informou-o. "Todos os dias das férias ela vai a padaria".
Ele agradeceu e saiu.
***
Sinceramente, não foi muito dificil achar a menina. Ela era a unica pessoa que não usava casacos enormes. Apenas uma fina blusa de manga comprida, calças jeans escuras e velhas. Seus tennis pareciam que iam estourar a qualquer momento.
No primeiro momento, Harry pensou que ela era louca de sair com essas roupas no frio que estava. No entanto, seus olhos captaram uma tremida, as mãos azuis de frio e a forma como ela se encolhia.
Não, ela não queria sair com tais roupas. Talvez ela não tivesse nada mais quente para usar?
Ele ponderou isso por alguns instantes.
Hazel Fallow era muito suspeita, definitivamente. O que não era necessariamente ruim, na verdade. Ela havia comprado apenas três pães. Não quatro, como seria o correto, visto que existem quatro pessoas em sua casa. Talvez já houvesse algo lá? Harry desejou que esse ultimo pensamento estivesse certo. Não era totalmente certo que ela era realmente abusada e ele desejava que não fosse. Ninguém merecia esse tipo de coisa.
Ela continuou voltando pra casa, com passos vagarosos, como se evitando ao máximo andar rápido. Os olhos de Harry se estreitaram quando ele viu que ela mancava um pouco. Isso era ruim... Mas talvez ela apenas tivesse batido em algum lugar.
Ela parecia que ia demorar, então Harry se afastou e aparatou para próximo a sua casa. Bateu na porta e esperou.
Logo uma mulher abriu. Ela tinha cabelos pretos e olhos escuros, e parecia bastante 'arrumadinha'.
–-Com licença... Aqui é a casa dos Fallow? -perguntou Harry, decidindo jogar 'o ignorante'.
–-Sim, senhor. E você, quem seria?
–-Harry. Meu nome é Harry. -ele não especificou o sobrenome. -E estou aqui para falar com vocês a respeito da sua filha.
Era impressão ou ela havia ficado mais pálida?
–-Claro. -a voz dela tremia um pouco. -Entre.
Ela o levou para a sala de estar. A casa, Harry notou era grande, limpa e organizada. Ele sentou em um sofá de veludo. Ele parecia realmente caro. Harry por um segundo sentiu raiva. Se eles podiam comprar um sofá assim, certamente podiam comprar roupas quentes para aquela menina. Não precisavam ser caras, só precisavam esquentar...
–-E então? O que a abe... Hazel, fez? -os olhos de Harry se estreitaram levemente com o deslize da moça.
Ele quase podia adivinhar o que ela iria falar. "Aberração"...
–-Eu estou aqui por que quero a convidar para um colégio. -falou Harry, escondendo seu sentimento de desagrado, sorrindo interiormente para suas habilidades Slytherin.(As vezes, vocês vão notar que eu utilizo os nomes em inglês de varias coisas... Simplesmente por que eu os prefiro e leio muitas fics em inglês, então meio que fixou na minha cabeça).
–-Um colégio? -o rosto da mãe de Hazel ficou pálido novamente. -Isso seria... Hogwarts?
Ele assentiu.
–-Creio que já está familiarizada com como as coisas funcionam no mundo bruxo. A menina deve ter quase onze anos agora, estou certo?
–-Ela fará onze em vinte três de agosto. -foi a resposta automática da mulher. -Acho que seria melhor se discutíssemos isso com meu marido. -ela se levantou. -Robert! Robert, querido, venha cá!
Um homem apareceu na porta.
–-Chamou-me, querida? -perguntou, cuidadosamente. -Quem é esse homem?
–-Ele é de um colégio. Estão oferecendo uma bolsa para Hazel, de Hogwarts.
O rosto do homem ficou pálido.
–-Não quero me afastar da meni... Princesinha. Ela é tão jovem. -ele se lamentou.
Harry pegou o tom de zombaria na voz do homem, e viu os olhos da mãe de Hazel brilharem de diversão com o duplo sentido da frase.
Isso poderia querer dizer...?
Harry rezou para que não fosse.
Logo em seguida, foi ouvido a campainha.
–-A porta está aberta!
A menina, Hazel, entrou, carregando o pacote de pão. Assustou-se um pouco com o homem novo na sala e olhou para o pai, com o rosto livido de pânico.
–-Hazel, querida. -começou o pai, com voz calma. -Esse é um homem de um colégio interno da Escócia. Ele quer oferecer uma bolsa para você, então fique calma, ok, querida? Desculpe por isso, ela sempre teve medo de estranhos.
–-Pai, eu trouxe o pão. -ela disse, com a voz baixinha. Harry quase não pode ouvir. A voz da menina era um pouco rouca, como se sua garganta estivesse machucada.
–-E meu pão doce, querida?
–-Eles não tinham,senhor. -ela disse, com a voz tremendo levemente.
–-Eles não tinham ou você gastou o dinheiro com algo pra você, novamente, Hazel? -a voz do homem não parecia tão perigosa a primeira vista, mas Harry e Hazel ouviram o tom raivoso. Harry ficou preocupado e Hazel se encolheu.
–-E... Eles não tinham. -falou ela baixo.
–-Eu não acredito em você. -falou ele, mal-humorado, se controlando apenas o suficiente para não bater nela ali mesmo. -Vá para o seu quarto, Hazel. Depois irei conversar com você.
–-Sim senhor. -ela respondeu e subiu, lançando um olhar meio em pânico para Harry.
–-Bem, amanha eu pretendo levar ela para comprar os materiais do colégio... Voltarei em torno das nove horas da manha. -falou Harry, mantendo a voz calma.
–-Claro, estaremos esperando. -a mãe de Hazel respondeu, com a voz falsamente doce.
Harry se segurou para não revirar os olhos e saiu, aparatando para Hogsmeade, e depois seguindo para Hogwarts.
***
–-Ela foi abusada, Minerva. -a voz de Harry era tremula. -Muito, muito abusada. Estava em pânico quando me viu.
–-Acha que os parentes da menina possam ter ameaçado ela com estranhos?
–-Possivelmente. -ele disse. -Também tem outras possibilidades... Que eu não quero nem pensar.
Minerva assentiu.
–-Mais alguma coisa?
–-Está nevando lá fora, Minerva! E a menina mal tinha roupa no corpo! As roupas dela eram tão finas que ela podia pegar uma doença grave. -Harry estava ficando alterado. -Ela tinha um lenço em volta do pescoço, mas eu consegui ver que era apenas para esconder os machucados em volta dele. O rosto dela era tão abatido... Ela foi tão abusada... -Harry caiu na cadeira. -Acho que podemos descartar a hipótese dela ser uma Bruxa das Trevas. Eu não consigo ver ela agindo de forma ruim. Ela era apenas uma criança assustada!
Minerva suspirou. Se Harry estava dizendo, então ela iria apoia-lo.
–-Certo... Talvez você devesse fazer vigília na casa, apenas para garantir.
–-Estava planejando isso desde que sai de lá, Minerva. -ele falou, firme. -Só irei pegar alguns suprimentos que posso precisar. Na Ala Hospitalar e na cozinha.
Minerva sorriu com o pensamento rápido de um dos seus ex-leões.
–-Boa sorte, Harry.
***
–-Aqui está Harry, Poção Wiggenweld. -falou Poppy, entregando-o três frasquinhos de coloração verde. -E a Poção Calmante. Traga-a aqui, se for pega-la hoje. Quero fazer um Check Up completo nela.
–-Sim senhora. -foi a resposta do garoto. Ele já segurava as poções de alguns sanduíches. Afinal, talvez a menina estivesse com fome.
Harry decidiu ir para casa, antes de voltar. Embora por um lado a menina pudesse ser prejudicada, ele não tinha ainda total certeza sobre isso... Embora tudo apontasse para a verdade.
Além do mais, Gina o mataria se ele não a avisasse. E isso não faria bem para o bebê.
***
–-Você está indo em uma missão?
Era a enésima vez que ela perguntava isso. Chegava até a ser irritante.
–-Não, Gin. -respondeu ele, cansado. -Estou indo buscar um aluno.
–-Mas isso não é uma missão?
–-Bem, se acabar que eu precisar atordoar os outros habitantes da casa, então, sim. Será uma missão. Mas eu não espero chegar a esse ponto.
–-Oh, certo... -Gina realmente não tinha muita certeza do que ia acontecer, mas sorriu para o marido. -Boa Sorte.
Ah, sim... Ele realmente ia precisar de sorte.
***
Chegando até a rua da casa 8, Harry olhou em seu relógio. Era em torno da meia noite e nenhum trouxa estava do lado de fora. Olhou para a casa numero 8. Estava tudo apagado. Talvez estivessem todos dormindo?
Suspirou e atravessou o jardim imaculado dos Fallow. A porta estava trancada, mas com um simples "Alohomora", ele a destrancou facilmente. Entrando, viu que a sala não era tão limpa quanto antes. Algumas coisas estavam quebradas e havia algo que parecia suspeitosamente sangue no chão.
A porta que levava para o porão estava entre aberta e Harry notou a luz de lá acesa. Decidindo investigar, botou a capa de invisibilidade e abriu a porta, sem fazer som.
Assim que entrou, pode ouvir os gritos. Era como se houvesse um feitiço que os impedisse de sair... Olhando para a porta, notou as Runas desenhadas e estreitou os olhos.
Desceu passo por passo, seguindo o som dos gritos e choramingo.
–-O que foi, aberração? Não consegue suportar um copo da poção?
Ele finalmente pode ver o que estava acontecendo. A mãe de Hazel estava sentada em um banco, assistindo, enquanto Robert segurava os cabelos pretos e lisos de Hazel para cima, mantendo a menina com os joelhos fracos, de pé.
A menina estava sem camisa. Seu tronco era coberto com cicatrizes, equimoses e hematomas nas mais diversas fazes de cicatrização. Em seu peito, começando da clavícula e indo até o umbigo, a palavra "Aberração" estava escrita com o que pareciam ser cortes de uma faca. Harry estava livido. E, vendo tal cena, paralisou.
A menina parou de gritar, finalmente, choramingando apenas.
–-P... Por favor... Papai...
–-NÃO ME CHAME DE PAI!
O homem deu-lhe um tapa no rosto, e ela teria caído, se ele não a estivesse segurando pelos cabelos.
–-BEBA! -ele ordenou, colocando em suas mãos um copo com um liquido roxo doentio dentro. A menina choramingou e levou outro tapa. Logo, bebeu.
Quase que de imediato, seu corpo começou a se contorcer e ela começou a berrar.
–-Robert, querido, se você der mais da Poção Cruciatus você vai mata-la. Achei que não queria perder seu brinquedinho. -ronronou sua esposa, rindo.
–-Ela não vai morrer... Talvez seus neurônios parem de funcionar corretamente, mas ela definitivamente não vai morrer.
Ele sorriu psicoticamente então soltou a menina no chão, chutando-a nas costelas. Ela gemeu de dor, em meio aos gritos. Dez minutos depois, Harry ainda sentia os músculos paralisados, mas sentia que podia vomitar com o que estava assistindo.
A menina parou de gritar novamente, respirando ofegante. O sangue que escorria da palavra esculpida no peito descia em uma cascata no chão. Seu pai pegou a faca, sorrindo maliciosamente, então virou-a de costas.
Harry percebeu o que ele ia fazer e a raiva se apossou dele.
Harry poderia dizer que estava preparada para um monte de coisas... Mas não para o que ele tinha visto naquela casa.
Seus ouvidos rugiam e o cheiro de sangue o deixava tonto. Mal registrava o som ao redor. Apenas os trêmulos soluços abafados.
Mas ele não podia invadir a casa e matar aqueles trouxas. Ele constantemente tinha que se lembrar disso. Ele não podia... Ele queria, apenas, ter pedido para outra pessoas menos imprudente que ele tivesse vindo no lugar.
Mas agora não tinha mais jeito.
Hazel, no entanto, não permaneceu acordada para saber o que Harry havia feito. Apenas se entregou a inconsciência, respirando com dificuldade.
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