The Falling of an Order
5 Verdades part-2
Notas iniciais
Sabe aquele momento em que tudo ao seu redor parece parar e você não consegue mais assimilar o que está acontecendo? Era assim que eu estava desde o momento em que ela falou “tio”. Eu olhava para ela tentando entender, como eu tinha um tio e nunca o tinha visto. Só então percebi que a minha mãe falava algo.
— ...isso minha filha. – Ela falou olhando para mim, alternei o olhar dela para o olhos vermelhos com uma expressão confusa.
— Acho que ela não ouviu nada do que você falou Jane. – Ele falou mais descontraído do que antes. Ele fez menção de chegar perto de mim e eu recuei um passo, mesmo que involuntariamente eu ainda não me sentia confortável com aquela proximidade dele.
— Acho melhor eu tentar. – Ele falou olhando para minha mãe.
— É, será melhor. – Ela disse olhando-o e logo depois vindo em minha direção. – Filha a diferença dos Scrips para os humanos é que nós temos algumas habilidades a mais que eles, a minha habilidade você já viu, a do seu tio Jason é conseguir apagar a memória das pessoas, mas da mesma forma que ele apaga ele pode fazer ela voltar. – Ela falou olhando para Jason, acho que esperando algo que tomando coragem para algo. Neste momento ele colocou a mão no ombro dela.
— Eu sei que é tudo muito novo para você, e eu queria saber se posso trazer a sua memória de volta, acho que assim seria melhor para você, sei que deve estar muito confusa, e achando que isso tudo é um sonho ou algo do tipo, mas acho que quando se lembrar vai acreditar em nós. – Eu estava muito confusa com tudo aquilo, mas se ele poderia me fazer ao menos entender me ajudaria bastante.
— É... Jason não é? – Pergunto olhando para ele, ainda um pouco assustada com aqueles olhos, e fiquei me perguntando por alguns segundos por que diabos ele tem os dentes de ouro.
— Isso. – Ele olhava para mim com uma expressão de tristeza, como se eu tivesse feito algo que o tivesse magoado. Mas logo depois voltou a me olhar com expectativa.
— Seja lá o que for fazer, se for me fazer ao menos entender eu aceito. – Falei em quanto olhava para minha mãe me perguntando se aquilo realmente era uma boa ideia. – Mas antes tenho que fazer uma coisa. – Falei em quanto ia em direção ao copo com água gelada que estava em cima do criado mudo ao lado da minha cama.
— Filha! Oque está fazendo? – Minha mãe falou um pouco mais auto que o normal ao me ver jogar toda a água contra o meu rosto de uma vez. O Jason me olhou surpreso e logo depois olhou para o lado dando uma risadinha baixa.
— Estou só verificando se estou realmente acordada. – Falei passando as mãos sobre o rosto para tirar o excesso de água que embaçava a minha visão. – Pronto, agora você pode fazer o que iria fazer para recuperar minha memória. – Falei apontando para o Jason que já seguia em minha direção. Mais uma vez senti seus dedos em minhas têmporas, tudo começou a escurecer aos poucos até está tudo escuro. Ouvi a voz de uma criança que parecia feliz, ela ria e pedia para que alguém parrasse.
— Alina, para pôr favor. – Ela pedia entre os risos. Olhei para todos os lados a procura dessa menina, ela tinha uma voz muito familiar pra mim. Em alguns segundos a escuridão em que eu estava se dissipou e eu me vi dentro de uma casa, mas não era uma casa qualquer, era a minha casa. Mais à frente tinha alguém ajoelhado em cima da criança que ainda estava rindo bastante. Andei devagar em direção a elas, estava andando na ponta dos pés, não queria que elas me percebessem ali, mas meus esforços foram em vão pois em um momento de distração tropecei em meus próprios pés e cai no chão.
— Ótima hora para ser desastrada em Anne. – Penso levantando o rosto excitante já esperando os olhares sobre mim, mas ao invés do que eu estava pensando elas continuavam lá brincando e rindo como se eu não estivesse ali. Cheguei perto o bastante para poder ver o rosto da garotinha que ria com as cocegas da mais velha ajoelhada sobre si.
— O que eu falei sobre brincar com minhas maquiagens em An? – Ela falou quando parou um pouco com a cocegas. Só então percebi que garotinha estava com o rosto todo melado de batom.
— Esse rosto... – Sussurrei em quanto analisava o rosto daquela garotinha. Não me importava mais se elas estavam me ouvindo ou não, depois daquele tombo que levei, elas deveriam no mínimo terem olhado para mim, agora eu tinha a plena certeza que não estavam me vendo.
— Isso deve ser uma memória. – Penso em quanto olho ao redor. – Essa é realmente a minha casa, e essa garotinha parece comigo quando era pequena. -- Falo em tentando organizar as ideias olhando ao redor. Fixo minha visão na garota que estava agora voltando a fazer cocegas na garotinha. – Mas e ela? Quem pode ser?
— Para com isso Alina. – Ela pedia com os olhos já marejados. – Tá doendo.
— Isso foi por você sempre azucrinar a minha vida. – Ela falou quando parou e se jogou no tapete ao lado da menina que ainda tinha espasmos pelo corpo. – Vou fazer isso sempre que me perturbar.
— Não vai nada, sabe porquê? Porque eu sei que você me ama Ali. – A menor falou rindo e mostrando a língua para a mais velha. – E vou continuar sempre te perturbando, é a minha função de irmã mais nova.
— Como assim? – Falei olhando incrédula para aquela cena, se isso é realmente uma lembrança minha, como eu tenho uma irmã e nunca soube dela. Olhei para a Alina mais uma vez. Tive a sensação de que já a conhecia e segundos depois várias imagens de minha infância começaram a aparecer com em um filme a minha frente, coisas que eu não lembrava de ter feito, e em todas elas em algum momento a Alina aparecia. Eu tinha certeza agora de que ela era minha irmã, era como se tivesse preenchido algo que eu nem sabia que faltava em mim. Eu amava minha irmã mais velha, e naquele momento não me perdoei por não ter lembrado dela. Depois do filme das minhas lembranças perdidas, tudo voltou a ficar escuro ao meu redor, ouvi novamente vozes. Mas dessa vez eu reconhecia a dona da voz...
— Eu sei que é difícil de acreditar An, mas você também é igual a mim. – Ela falava para uma “eu” um pouco mais velha dessa vez. Percebi que ela estava falando sobre eu ser uma Scrip.
Elas estavam agora sentadas no sofá da sala, pareciam estar sozinhas na casa, a sala estava cheia de guloseimas espalhadas pelo chão.
— Mas ali, ainda não sei qual o meu poder. – A “eu” mais nova falava quase choramingando.
— Não se preocupe, um dia descobriremos. – Ela falou dando um sorriso meigo e afagando a cabeça da garotinha. Nesse momento a porta da sala se abre e então olhos vermelhos entra com um largo sorriso e com as mão cheias de presentes.
— Como estão minhas meninas? -- Ele perguntou passando pelo pequeno corredor e indo em direção a sala. – Que bela bagunça que você fizeram em.
— Tio end! – A “eu” mais nova fritou em quanto corria e se jogava nos braços do olhos vermelhos, mas por incrível que pareça, eles estava com os olhos castanhos claros naquele momento. Os cabelos estavam mais curtos, e com o porte atlético que ele tinha, ele estava parecendo um saldado do exército, só estava faltando a farda. Ele já estava agachado de braços abertos a esperando para carregá-la.
— E ai minha pequena. – Ele falou apertando as bochechas dela. – Trousse presentes para vocês. – Ele falou quando a Alina veio na direção deles e se enfiou dentro do abraço deles.
— Desse jeito vou ficar com ciúmes tio Jas. – Ela falou rindo em quanto ele “me” colocava no chão.
— Há é? Vem aqui em tão. – Ele falou indo atrás da Alina que começava uma corrida pela sala. – E eu que achei que você já estava velha de mais para eu está te carregando. – Ele falou quando enfim conseguiu alcançar ela e a pegar no colo. Ela se debatia e gargalhava alto.
— An, não fica ai parada, vem me ajudar. – Ela falava se debatendo sobre o ombro dele. A “eu” mas nova chegou perto do Jason e falou algo em seu ouvido. Logo depois ele colocou a Alina no chão.
— Obrigado mana. – Alina falou em quanto afagava os cabelos da pequena. Em um momento de distração dela. A “eu” mais nova, se jogou em sua cintura fazendo ela perder o equilíbrio e quando já estavam no chão começou a fazer cocegas nela.
— Essa é minha garota. – Jason falou rindo e entrando na brincadeira das garotas. Eu olhei para ele com os olhos marejados, novamente aquela sensação me invadia, e várias outras lembranças perdidas apareceram diante dos meus olhos, só que agora com ele. Tudo aquilo parecia tão surreal. Era como se ele sempre estivesse ali. Tudo voltou a ficar escuro, mais algo dentro de mim me dizia que desta vez não era algo tão bom assim.
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