Notas iniciais
Aqui está o novo capitulo.

De repente tudo clareou de vez, ao contrário das outras vezes eu parecia estar dentro do meu corpo. Mas eu ainda não tinha voltado para casa. Eu via a Alina em minha frente, ela parecia falar algo, mas eu ainda não conseguia ouvir. Tudo aconteceu muito rápido, alguns segundos depois apareceu um homem com uma cobra enrolada em seu braço. Tudo pareceu parar com a presença dele ali. A Alina ficou em minha frente, acho que atendendo aos seus instintos protetores.

— Anelise Victoria Miller? – Ele perguntou em quanto acariciava a cabeça da cobra que estava sobre seu ombro. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo, mas pude sentir a mão de Anelise que esta encostada em mim tremer, ela parecia nervosa com a presença daquele cara ali.

— Sim? – Ela respondeu com um pouco de relutância na voz.

— A Ordem te sentenciou por contar a um Norcan sobre as suas habilidades, que pena, você poderia ter tido um papel importante na ordem.

— Mais... – Ela tentou falar, mas um outro cara que surgiu ao lado dele a interrompeu.

— Não há mais o que explicar, você sabe qual é a sentença, seja uma boa garota e não nos dê trabalho. – E assim que ele se calou mais cinco homens apareceram. Olhei para a ela com medo no olhar, eu sabia que aquilo era só uma lembrança, mas parecia que eu estava em meu próprio corpo só de expectadora.

— Não precisa se preocupar, vai ficar tudo bem An. – Ela falou tentando me confortar. Parece que os homens há nossa frente em fim me notaram.

— Não estava previsto que ela estivesse aqui, teremos que dar um jeito nela também. – Um deles falou olhando para o que tinha aparecido primeiro com expectativa.

Eu estava esperando a resposta quando a Anelise se agachou em minha frente e com os olhos marejados beijou minha testa.

— An, você sabe que te amo muito não é? – Ela perguntou alisando meu rosto em quanto eu sacudia a cabeça positivamente. – Você vai fazer uma coisa para mim, você vai correr com todas as suas forças, não vai olhar para traz em nenhum momento. – Eu gritava para que a “eu” fizesse algo, mas ela continuava ali parada olhando nos olhos dela. – Vai dizer a mãe que eu a amo muito, e que não é para ela parar de viver por isso.

Comecei a entender o que acontecia ali, ela já sabia o que iriam fazer com ela e está tentando me proteger. Me foquei novamente no que acontecia, eu conseguia sentir a dúvida, o medo e toda a indecisão que a Anne mais nova estava sentido. Nesse momento a Anelise que já estava chorando um pouco, beijou minha resta e me deu um impulso com a mão.

— Corre An. – Ela sussurrou em quanto virava para frente e encarava novamente os sete homens que pareciam ainda discutir a sua frente. Eu estava paralisada de medo, mas quando ia atender o pedido dela um dele notou o movimento estranho e tentou avançar sobre mim mas a Anelise se colocou em sua frente.

—Corre Mary! AGORA! – Ela gritou em quanto segurava o quanto podia o homem que tentava vir até mim com ódio nos olhos.

Comecei a corre o máximo que podia, mas alguns metros à frente parei e olhei para traz, a cena que vi me deu arrepios. Dois a seguravam por trais em quanto os outros dois riam de pareciam discutir o que fariam em quanto ela se debatia tentando escapar. Eu tentava em vão falar comigo mesma como se fosse uma consciência e fazê-la voltar para ajudar a Anelise, mas eu sabia que seria em vão, mas mesmo assim o meu desespero não diminuía, pelo contrário, ele só aumentou quando me virei para frente e comecei a correr novamente.

E eu via apenas borrões das coisas que se passavam ao meu redor, não sabia mais para onde eu estava indo, mas sabia como aqui acabaria. Tive a plena certeza quando tudo começou a embaçar e olhando pra traz eu consigo ver o olhos vermelhos bem distante. Tudo escureceu novamente e me deixou ali com a sensação de impotência.

Levantei ofegante olhando para os lados, eu estava deitada em minha cama e tudo estava num completo breu, levantei um pouco cambaleante e olhei ao redor, parecia estar tudo em seu devido lugar, nada ali mostrava que eu ainda estava em uma lembrança. Minha cabeça latejava e tudo começou a rodar, tropecei em algo e cai com um baque surdo no chão. Respirei fundo e fiquei ali por alguns segundos antes de tentar me levantar novamente. Estava tudo acontecendo muito rápido, eram muitas coisas para entender de uma vez só.

No momento em que tentei me levantar minha mãe abriu a porta e correu em minha direção.

— Filha, você não deveria ter se levantado, foram muitas coisas de uma única vez, você deveria descansar mais um pouco. – Ela falou me levando novamente para a cama.

— Por quanto tempo dormi? – Perguntei em quanto fechava os olhos para tentar amenizar a dor.

— Sete horas, mas foi um tempo médio, você tinha muitas coisas para recordar. – Ela falou fazendo um carinho em minha testa. – Não se preocupe, essa dor logo vai passa.

— Ainda temos que conversar mãe. – Abri os olhos que já estavam marejados, só em pensar na resposta já me doía o coração. – Naquele dia em que Lise me mandou correr... Oque aconteceu com ela? – Perguntei meio vacilante, ainda tinha a esperança de ouvir um “ela foi congelada” ou alguma coisa do tipo, mas todas essas esperanças foram dissipando a cada palavra de minha mãe.

— Sinto muito minha filha... – Ela falou com algumas lagrimas já percorrendo seu rosto. – Ela morreu mesmo naquele dia.

— Mas por que eles fizeram isso mãe. – Perguntei desabando em um choro que já estava guardado desde que acordei. Como eu podia ter perdida à assim, eu tinha acabado de encontrá-la dentro de mim mesma.

— Ela descumpriu uma das regras mais importantes da ordem meu anjo, e a sentença era a morte. – Ela falou respirando fundo.

— Eles poderiam ter dado mais uma chance, meu tio Jas poderia ter apagado a memória da pessoa, ou algo assim. – Falei em meio aos soluços.

— Seu tio não sabia que podia apagar a memória das pessoas ainda, ele não tinha o controle total sobre as habilidades dele, tanto que ele nem tinha o link ainda. – Ela falou me puxando para um abraço que me trouxe paz e conforto. – Não devemos pensar nisso filha, não temos mais o que fazer, sua irmã te amava muito ela não iria querer de ver assim.

— A senhora tem razão, não temos mais o que fazer. – Abaixei a cabeça enxugando algumas lagrimas que ainda rolavam pelo meu rosto. Fiquei um pouco curiosa com algo que minha mãe tinha falado. – Mãe, quem é Link? – Perguntei me sentando na cama com as pernas cruzadas. Antes que minha mãe pudesse responder algo, Jason entrou pela porta do quarto.

— Este é o link. – Ele falou saindo da frente e de traz dele eu vi surgir um lince ibérico adulto. Seus olhos amarelos me encaravam diretamente. Fiquei hipnotizada por eles e quando percebi já estava em pé a sua frente. Era um animal lindo, se olhar me passava confiança, os pelos escurecidos caindo pela lateral da sua cabeça faziam parecer uma bochecha bem fofinha, era um animal majestoso e perigoso, mais ao mesmo tempo fofo. Vi sem acreditar ele agachar as patas da frente praticamente me reverenciando e logo depois se jogar em meu colo e começar a dar lambidas em meu rosto.

— Acho que ele gostou de você. – Falou Jas soltando uma gargalhada alta. – Se aquieta link, você vai assustar a menina.

Notas finais
Eai?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.