The Falling of an Order
3 Mudanças.
Notas iniciais
Respirei fundo guardando meu celular no bouço da calça esquine que eu estava usando e comecei a dar passos indecisos em direção ao prédio que antes eu encarava.
— Algum dia você vai ter que perder esse medo besta Anne – Falava para mim mesma em voz baixa em quanto passava pelo portão. Eu estava distraída falando comigo mesma e acabei derrubando uma menina que passava na hora.
— M-me desculp-pa, juro que não queria, é que não foi a intenção. – Falei olhando para a menina que pegava seus papeis pelo chão, na mesma hora me agachei e comecei a juntar os papeis com ela, assim que conseguimos pegar todos eu levantei ainda muito envergonhada. – Desculpa mesmo. – Sou uma sem noção, derrubo a menina, gaguejo e ainda peço desculpa várias vezes, ela vai achar que sou demente – Penso em quanto olho para baixo.
— Está tudo bem, afinal ninguém se machucou não é? – Ela falou em quanto lançava um sorriso em minha direção o que para mim foi uma reação inesperada. Olhei-a confusa pensando ser alguma brincadeira, pelo que me falaram de escolas públicas no mínimo eu levaria uma facada agora.
— Que cara é essa? – Ela perguntou rindo um pouco. Olhei para ela envergonhada, claro que nem todos seriam assim né. Abaixei a cabeça sentindo minhas bochechas ferverem, ainda bem que eu era morena assim ela não perceberia.
— É que me falaram coisas bastante erradas sobre escolas públicas pelo jeito – Falei olhando para os lados para ver se mais ninguém tinha ouvido isso.
— Olha comigo você não precisa se preocupar e nem com a maioria das pessoas aqui, mas não confie em todos, nem todos seriam tolerantes com você como eu fui, qualquer outro arrancaria seus órgãos. – Olhei para ela com os olhos abertos mas logo vi que ela estava dando um sorrido de lado que percebi ser bem irônico. Já estava para retornar o meu caminho quando ela segura em meu braço me fazendo virar e olha-la novamente, virei meio confusa mas logo ela esclareceu tudo.
— Desculpa mas é que de onde venho quando alguém não arranca seu fígado ao menos você lhe diz seu nome. – Ela falou com um tom brincalhão na voz.
— Sorry é que achei que você não iria querer conversa depois do tombo que te dei, eu sou a Mary Anne. – Falei ainda com o pé atrás em relação a ela.
— Eu sou a Ana Luiza, e ai que sala você é? – Ela perguntou olhando para o papel que tinha em minha mão.
— Sou 1° MC, bom é o que diz aqui. – Falo dando o papel a ela, ela o analisou alguns segundo e depois olhou para mim sorrindo.
— Vem, eu te mostro onde é, a gente já vai conversando. – Ela falou mostrando a direção com um aceno de cabeça. Até que o primeiro dia de aula estava sendo bem legal, a Luiza estava sendo bem gentio, a escola pública não é nada do que imaginei, admito que foram idiotas os pensamentos que tive, é tudo muito diferente, já estava na hora da saída e eu tinha feito amizade com uma garota e várias mulheres que faziam a manutenção do colégio. Eu já estava indo em direção ao portão de saída quando dei de cara com a Ana que surgi-o não sei de onde, deve ter brotado do chão só pode, pensei sorrindo e encarando ela que agora estava na minha frente.
— Vem que eu quero te mostrar o melhor da escola pública. – Ela falou sorridente em quanto me puxava pelo braço em direção ao que acho ser a quadra da escola.
— Porque estamos aqui? – Pergunto quando paramos no meio da quadra.
— Vou te mostrar o melhor da escola pública... A recepção com os novatos. – Ela falou abrindo os braços, e de traz das arquibancadas começaram a aparecer garotos e garotas. Neste momento percebi o que estava acontecendo abaixei a cabeça a tempo de sentir o impacto do primeiro ovo. Naquele momento nada mais do que estava acontecendo me importava, eu podia sentir os ovos agarrando em mim mas não passava de algo distante, com toda certeza iriam ficar marcas pelo meu corpo. Comecei a chorar me perguntado como tinha me deixado levar, como confiei tão rápido em alguém que e não sabia se quer o sobrenome, um sentimento de angustia e raiva aflorara dentro de mim e então apertei os punhos e respirei fundo, só então percebi que a chuva de ovos tinha parado. Continuei com os olhos fechados esperando a explosão gargalhadas, mas ao invés disso tudo estava num completo silencio, abri os olhos devagar e estavam todos encolhidos olhando em minha direção com feições de medo.
— M-mas o que... – Não consegui terminar de falar, tudo foi ficando embaçado e eu vi aqueles malditos olhos vermelhos vindo em minha direção.
— Não! Não dessa vez! – Gritei em quanto sacudia a cabeça para focar no roto dele. Percebi que o tinha surpreendido, ele me olhou nos olhos com o cenho franzido.
— Como não dessa vez? A potência que usei da última vez, era para você não lembrar nem daquele maldito dia. – Ele falou vindo em minha direção praguejando algo baixo.
— Como assim potência? Que dia? Do que você está falando? – Perguntei dando passo para traz.
— Acho que é finalmente o momento pelo qual eu tanto esperei. – Ele falou dando um sorriso de lado, mostrando que um de seus caninos era de ouro. Aquelas palavras me apavoraram tanto que acabei tropeçando e caindo sentada. Ele se agachou em minha frente e estendeu a mão em direção ao meu rosto.
— Não se preocupe pequena, não te farei mal, apenas relaxe. – E dizendo isso ele encostou seus dedos em minhas têmporas. Eu senti meu corpo pesar e minha visão ir escurecendo aos poucos até que apaguei.
Fale com o autor