The Fallen Of Light
19 SURPRESA
Notas iniciais
Bem, devo dizer que fiquei triste por ver que alguns leitores sumiram, mas mesmo assim obrigada à quem ainda está acompanhando.
Recebemos algumas críticas no capítulo anterior, e também agradecemos por isso.
Dedicamos o capítulo ao Mychael, nosso Matsuda (UAHSUAHSU), obrigada por ser nosso amigo kk
Sem maiores delongas, boa leitura!
(LAWLIET)
Eu havia incrustado a semente da dúvida na garota, mas por enquanto, não havia nada que me provasse que ela iria trair Light. Não podia esperar que ela concretizasse jogadas favoráveis à mim.
Ou talvez podia. Afinal, ela tinha a síndrome de Misa: Era linda, porém, manipulável. Light, é claro, aproveitou cada ínfima parte desse defeito e a infiltrou em seus sonhos sem nexo. Desde comecei toda essa história, sabia que tirá-la desse mundo construído por Kira requeriria paciência (que no momento, eu não tinha) e altas doses de força de vontade. Obviamente, todo esse conjunto de ações seriam inúteis se eu esperasse que um único encontro resolvesse tudo.
A melancolia foi vagarosamente substituída por frustração.
Mesmo que parasse o cancelamento dos nomes, no meu íntimo eu sabia que ninguém do orfanato estaria à salvo. Light tinha plena consciência de que, enquanto meus futuros sucessores vivessem, ele teria problemas. A menos que ele concluísse uma execução em massa, sempre haveria alguém na linha. Talvez, com as mortes voltando a acontecer, elas seriam salvas por um certo tempo. Era tudo o que eu estava pedindo.
Droga. Teria sido perfeito se após a minha morte, os agentes tivessem parado de buscar informações sobre mim e Watari. Desse modo, Light não saberia sobre a Wammy’s House e eu não estaria nessa confusão.
Não que tudo fosse culpa deles. Era toda minha. Eu havia subestimado Light e estava pagando o preço do meu erro.
(...)
Fiquei um pouco surpreso em encontrar Nate acordado. Ele havia ficado o resto do dia sedado na enfermaria, sem suspeitar dos falatórios dos agentes sobre o que acontecera em seu quarto (que fora completamente vasculhado por eles, mas sem encontrar nada que os aproximasse da verdade). Eles não eram burros, sabiam que alguma coisa estranha estava acontecendo. Isso explicaria alguns deles rondando N desacordado na cama hospitalar, como se pudessem arrancar dele todas as respostas ao menor sinal de consciência.
Pousei no batente da janela e pisei no chão. Iluminado pelo luar, ele estava sentado em seu leito, imerso em pensamentos. Nossos olhos se encontraram e sua expressão tristonha não se alterou. Fui até ele e permaneci silencioso ao seu lado.
Era um tanto estranho para mim não saber o que falar ou como agir. Por minha causa, N poderia ser apenas um fantasma sem propósito. Eu sabia muito bem como era.
O silêncio angustiante passou a me incomodar.
—... Você está bem? – É claro que não estava, mas eu não tinha muitas ideias para iniciar um diálogo.
Ele baixou a cabeça.
— Não entendo como ainda estou vivo. Eu achei que...
— Ainda não era sua hora.
— Talvez, mas você interferiu. – suspirando, ele levantou a cabeça e me olhou nos olhos, murmurou um “obrigado” cheio de significado e desviou a atenção para o lençol alvo.
Nate se afeiçoou à minha presença mais do que deveria.
Eu não podia ficar ao seu lado para sempre, algum dia teria de ir embora. Mas para onde eu iria? A ideia de ter minha passagem para o Paraíso bloqueada voltou veloz em minha mente. Ficaria aprisionado na Terra para sempre? Ryuuku havia me dito que depois de tudo, eu iria para o Vazio. Mas talvez ele pudesse estar blefando, já que eu não tinha certeza se Anjos podiam ir para lá. O Vazio seria o destino final apenas para as almas humanas que foram portadoras, não seria?
Aliás, tinha a leve impressão de que passar a eternidade na Terra era bem menos entediante do que passá-la no Vazio.
— Vai me contar o que aconteceu? – a pergunta de Near me afastou de meus pensamentos. Hesitei, decidido a não revelar tudo.
Depois de um breve e tedioso relato, ele ainda me encarava com olhos vazios.
— Tem mais. L.
— Nate, não há mais. Se houvesse, eu compartilharia com você –Mesmo odiando o fazer, era bom em construir mentiras, mas ele também era bom em descobri-las.
— Posso ver em seus olhos que há algo errado. Apesar de não ser tão experiente quanto você, gostaria de ajudar. Para isso, tenho que saber tudo.
Por um momento, desejei que ele não tivesse acordado. No fundo, eu tinha receio do que ele faria se soubesse que seu antigo lar estava sendo ameaçado. Ou talvez fosse só um medo bobo de ele me odiar por permitir que Light tomasse o controle. Às vezes emoções são tão estúpidas...
Contei para ele de forma rápida e direta, como se tudo ainda estivesse sob controle. Seu olhar cinzento se tornou frio.
— Você não cancelou os nomes hoje. – e lá estava a frieza em sua voz também.
— Não.
— L, ele está jogando suas fraquezas contra você e o jeito que você encontrou para tudo ficar bem é obedecê-lo!?
— A questão aqui não é obedecê-lo. O que eu quero é deixar o orfanato fora de risco. Essa é minha prioridade. Tenho certeza de que é a sua também.
— Você sabe que ele pode estar blefando só para mantê-lo afastado, não sabe? Aliás, apesar de Kira ser errado em matar pessoas, ele nunca machucou nenhum inocente, só...
—Ah, não?! O que você está fazendo aqui? Virou criminoso no tempo em que estive ausente? — aquilo pra mim era demais. Recuperei o fôlego. — E Naomi Misora? Lembra-se dela? Ele a matou, Nate. Eu a encontrei.
Seus olhos adquiriram um tom rancoroso.
— Desculpe-me, detetive. Só estou tentando encontrar uma solução.
— Pare com isso, N. Sou o mesmo Lawliet, só com um pouco de... medo — a palavra soou sufocada. Era muito estranho pronunciá-la. Resolvi trocar de assunto, para evitar maiores constrangimentos.
— Esqueça os nomes por enquanto.
Ele não assentiu, somente cruzou os braços.
— Você devia jogar Yagami no inferno — cuspiu.
Eu podia dizer que minha passagem ao Inferno também estava bloqueada (não que eu costumasse passar os finais de semana por lá), mas resolvi conservar o silêncio que se formou.
Ergui minha mão ao seu cabelo, notando o sangue seco que manchava seus fios claros. Subitamente, Nate agarrou meu pulso e o olhou como se fosse a prova de algum crime.
— Você está com perfume feminino. – me encarou, completamente surpreso. – O que você fez!?
Era engraçado ele agir como se eu fosse algum filho rebelde.
— Conversei com Kaori. — disse, mas acabei baixando os olhos, envergonhado. Essa não era uma área que eu gostava de conversar sobre.
— Lawliet — ele me repreendeu.
— Tá, tudo bem! — disse, exasperado. — Talvez tenha acontecido um beijo. Talvez dois.
Ele sorriu. Tossi, mostrando meu desconforto.
— Isso foi tudo parte do plano. Ela vai se apaixonar por mim, assim eu posso fazer ela trocar de lado.
— É claro que foi tudo parte do plano — ele sorriu, e piscou.
Olhei feio para ele.
— Você sabe que estou brincando, não é? — ele disse. — na verdade, é um... ha-ham... plano muito bom. Se ela se apaixonasse mesmo por você, não me surpreenderia se ela mesma entregasse o Death Note. Então, ele seria destruído. E tudo acabaria.
Era simples. Um plano simples e bom. Mas eu estava confuso. Fazê-la apaixonar-se por mim para tirar proveito disso não era algo... De má-fé? Nate parecia ignorar isso, agindo como se fosse o melhor dos planos, e inconvenientemente, achava graça. Suspirei.
— Isso tudo são somente hipóteses. Ela pode facilitar... Ou não.
— Mas você pode tentar. E além do mais, se não funcionar, eu a prendo.
Uma possível prisão de Kaori me deixou surpreso. Nate sabia muito bem os motivos dela ainda estar solta.
— Se você a prender Kira somente irá escolher outro portador – lembrei-o.
— Mas eu tenho pensado numa coisa. Kaori Yaoshii é um perigoso poço de informações sobre Light. Ele não vai caçar outro humano enquanto a garota estiver presa sendo obrigada a dar esclarecimentos para as investigações. O que lhe dará apenas duas opções: persuadi-la a se abster do caderno, livrando-a das memórias, ou matá-la. Tradicionalmente falando, é claro.
Repassei sua análise mentalmente, deparando-me com uma falha.
— Não me parece que mudará alguma coisa. Sem as memórias ou morta, Light vai achar outro portador assim que fizer a queima de arquivo.
Era um tanto triste pensar daquele jeito. Near continuou.
— Então o único jeito viável seria afastá-lo dela. Vamos prendê-la no subterrâneo, onde ele não possa encontrá-la. Para a família dela, invento qualquer coisa. – deu de ombros.
Não escondi meu desafeto por seusplanos brilhantes. Observou-me.
— Logicamente, tudo isso só pode acontecer se ela não se apaixonar por você a ponto de te entregar o caderno. É nossa última saída, pelo menos em relação à Yaoshii.
Nate River era ótimo naquilo. Sua teoria era perfeita, mas eu não tinha muita certeza colocando-a na prática. Porque em todas as suas palavras enfeitadas eu havia entendido uma coisa:Eu devia enganar Kaori, aproveitando-me de seus sentimentos.
Não foram exatamente as palavras dele, mas dava no mesmo. Aquilo me despertou uma memória antiga, na época do Caso Kira. Eu havia dito algo semelhante a Light, para aproveitar-se dos sentimentos de Misa e arrancar-lhe informações. Mas é claro que o Sr. Sem Memória alegou que aquilo não estava em seus princípios e jamais faria isso. Tão irônico que eu esteja vivendo o mesmo...
Não podia culpar Nate por me pedir aquilo. Mas não significava que eu faria.
— Eu não acho uma boa idéia...
— Pra falar a verdade não consigo pensar em nenhuma outra. – frustrado, enrolou uma mecha de seu cabelo. – Se o Shinigami não fosse Light, tudo seria extremamente mais fácil.
— Se não fosse Light, eu nem estaria aqui — enfatizei.
(...)
Quatro da madrugada e eu ainda estava em dúvida sobre como Nate se mantinha vivo.
— Você nunca sente fome ou você se sustenta com vento?
O garoto revirou os olhos.
— Geralmente eu como, mas hoje não acho que seria bom. Meu estômago está dando voltas.
Ignorei-o e pela quinta vez estendi o pratinho de bolo para ele.
— Tem certeza de que não quer? Ajuda no raciocínio.
Suspirou.
— Eu não gos... – sua voz morreu e o rosto empalideceu ainda mais. Olhos cinza em transe.
Alguém havia entrado. Meu instinto me mostrou quem era, e rapidamente a descontração de segundos antes se transformou em raiva.
— O que faz aqui? — praticamente gritei, furioso.
Virei-me e encontrei-o aterrissando no piso, sem dar-se ao trabalho de se desfazer das asas negras. Seu rosto parecia sério. Num átimo, uma corrente veloz de pensamentos zuniu, buscando explicações coerentes do porquê de sua presença. Tinha de admitir que seria fácil para ele descobrir minha visitinha a sua parceira, mas não contava realmente que ele fosse saber. Deveria ter colocado nas estatísticas o quanto a garota era um livro-aberto.
Tarde demais.
Se ele sabia, do seu ponto de vista, eu estava desajustando sua arma e colocando-o na mira. E Light não era do tipo que gostava de ficar naquela situação. Mas eu não esperava que ele entrasse no campo inimigo tão cedo.
Devagar, ele se aproximou. Pelo canto dos olhos, vi Nate forjando uma expressão vazia. Precisava tirá-lo dali ou levar Light para longe dele, antes que o pior acontecesse.
— Não se preocupe L, não vim aqui assassiná-lo. – comunicou como se lesse meus pensamentos. – Eu sei que você não irá acreditar, mas eu vim em paz. Chame de trégua se quiser.
Dei de ombros. Não era necessário dizer que não acreditei. E nem que quase gargalhei com a piada.
— Por quê? – me limitei a dizer.
— Porque preciso falar com você. É muito importante. – me encarou de forma enigmática. — Você não será o mesmo depois disso.
Yagami se virou, dirigindo-se à janela. Olhou para mim, querendo que eu o seguisse.
— O que foi? —provocou — não me diga que não pode voar.
Dei alguns passos, mas Nate me puxou pela manga.
— L, é uma armadilha! — sussurrou. – Não vá, não vale a pena!
Havia considerado ser uma armadilha desde o momento em que ele aparecera. Mas Light não poderia fazer nada comigo, pelo menos não diretamente. E o instinto de proteger Nate crescia enquanto o olhava indefeso na cama de hospital. A curiosidade levou a melhor sobre mim.
— Não se preocupe, garoto. Vou voltar antes do pensa.
Near pareceu indignado, e antes que pudesse protestar, fiz um sinal à Light, que me acompanhou satisfeito, rumo aos céus.
Notas finais
Até o próximo capítulo! (:
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