Notas iniciais
Yo õ/
Como estão?
Obrigada pelos comentários do capítulo anterior, vocês são demais.
Espero que gostem desse capítulo, nós adoramos escrever.
Mais uma aparição do Ozaru, haha.
Boa leitura e até breve (:

(*OBS: M.S é a sigla para Mundo Shinigami, para não ficar tão repetitivo. Enjoy.)

(Light)

Ele era tão inconveniente. Como se já não bastassem as vezes em que ele me atrapalhou ainda humano, o melhor detetive do mundo voltara. E estava tentando roubar minha maior chance de se tornar um verdadeiro shinigami.

De forma simples e direta, achei que tinha me livrado de L. Um dia inteiro com a ilusão de que não haveriam mais problemas. Kaori escrevia e, a cada nome, minha certeza de ter vencido aumentava. O que faltava era o albino partir de vez para seu mundo, e então eu teria a liberdade de matar todos os outros sucessores.

Mal sabia eu que algumas coisas mudariam em tão pouco tempo...

(...)

Depois de horas pensando no que L Ryuuzaki havia se tornado, cheguei à uma conclusão: Se um deus da morte pode morrer, porque não um Anjo? Talvez isso pudesse acontecer. Sendo assim, tratei de buscar meios de confirmar minha teoria: Fui ao Mundo Shinigami.

Uma das poucas vantagens em não ser um deus da morte como os outros era que podia ir e vir sem me preocupar. Quando fui portador, Ryuuku havia me dito que um ser como ele fica preso ao usuário de seu Death Note até este morrer.

Isso não aconteceria comigo. No momento, Ozaru estava do meu lado e meu retorno, por ora, estava garantido. Mesmo que recebesse ordens, estas estavam de acordo com meus objetivos, e não mudariam muita coisa.

Era estranho, pois não sabia o que me esperava. Nunca havia estado lá antes. Quando Ozaru falou comigo, estávamos no Vazio.

Conheceria meu novo lar.

(...)

A névoa branca se dispersou, revelando um mar de rochas e ossos, que era uma descrição precisa do que era aquele mundo. Havia estado lá apenas uma vez, o que já me dera motivos suficientes para não fazer visitas frequentes, a menos que fosse totalmente indispensável.

Por quase meia hora, sobrevoei a dimensão cinzenta. Um mar negro de águas revoltas apareceu, entendendo-se infinitamente. Ao longe, percebi que, no meio da água turbulenta, nascia uma montanha igualmente escura. No topo dela, estava um palácio carmesim que, mais tarde, eu descobriria ter sido feito com cristais de sangue.

Pousei em frente ao enorme portão e, sem hesitar, empurrei as portas pesadas, lançando-me para dentro. Um largo corredor se estendeu, coberto por um tapete prateado.

Olhando mais à frente, notei Ozaru sentado em seu trono, que nada mais era do que um amontoado de armas e espadas de guerra, projetados para intimidar.

- Sabia que você viria. – disse ele, ao ver minha aproximação.

Cruzei os braços e parei. Não estava nem um pouco feliz de estar lá.

- Graças a mim – disse – muitas almas têm sido entregues a você. Estou cumprindo minha parte do acordo, então é justo que eu tenha algo em troca.

- Algo em troca? – o shinigami balançou a cabeça negativamente. – Meu caro Light, sair do Vazio e ter uma nova chance já não é o bastante?

Ignorei-o.

- Quero informações. Aliás, você ocultou muitas de mim. Nem mesmo me contou sobre a existência do céu, de Anjos – cuspi a palavra — muito menos que L havia retornado!

Apesar de minha explosão, Ozaru permaneceu tranquilo.

- Light, Light... Saber de tudo isso não lhe ajudaria em nada. A única coisa que mandei você fazer foi descer à Terra e mandar alguém escrever os nomes. Mesmo assim, você insiste em perder tempo com seu amiguinho de penas...

Tentei esconder minha revolta, mas não deu muito certo. Entredentes, falei:

- Aquele meu amiguinho quase estragou tudo. Se não fosse por mim, o caderno ainda estaria falhando e nossos planos nunca seriam concretizados.

Ozaru desceu de seu trono. Por um momento desagradável, achei que ele me atacaria devido ao meu comportamento, mas ele apenas se virou e pegou uma espada. A visão dele a acariciando não era nada legal.

- Sabe – ele disse – o único motivo de eu ter ocultado todas essas informações de você foi a certeza de que teria a situação sobre controle. Mesmo assim, esperava que viesse até aqui procurando ajuda.

Fechei os punhos.

- A situação está sobre controle. Mesmo assim, se tratando de L... Não quero correr o risco. E eu não preciso de ajuda, quero apenas uma informação. Como os Anjos...

- Você escolheu a garota errada. – o shinigami me interrompeu.

- O quê?! – estranhei a mudança de assunto.

Instantaneamente, ele me jogou a espada e, por instinto, eu a peguei.

- Ozaru, o que... – mas esqueci o que ia dizer, ao notar uma imagem estranha de uma garota de cabelos arruivados e um homem pálido refletidos na lâmina brilhante.

Larguei a espada e ela caiu num baque surdo aos meus pés. A imagem sumiu.

Não. Kaori e L... se beijando?!

Ela havia me traído? Havia se esquecido de tudo o que faríamos juntos e se lançou ao lado do inimigo? Era sobre isso que Ozaru havia falado, afinal?

O ódio que sentia por L era tanto que quase podia segurá-lo, de tão sólido.

Aquele desgraçado havia roubado minha maior aliada.

- Isso está acontecendo neste exato momento – Ozaru me disse, retirando-me de meus devaneios. – O que abala sua teoria de que tudo está sobre controle.

Não consegui responder. Minha mente estava a todo vapor.

- Não culpe a garota, Light. Anjos são seres desprezíveis. Suas auras inspiram confiança e eles sempre se aproveitam disso.

- Nada disso importa! – vociferei. – Eu não entendo nada disso, acabei de morrer. Então, anjos e demônios não são tão diferentes assim... Aliás, humanos e demônios são basicamente iguais.

Respirei fundo.

- O que você pode tirar de lição após presenciar essa ceninha romântica – ele ironizou – é que apenas tem que trabalhar com pessoas de confiança.

Ozaru pegou a espada do chão e voou para seu trono.

- Sinto certa simpatia por você, mas não ficaria contente se não me conseguisse almas.

Eu sabia que ele queria que eu trocasse de portador. Mas antes, tinha de me livrar do problema pela raiz. O que me lembrava da pergunta que me levou até aquele lugar.

- Quero saber como um Anjo morre – dessa vez, optei por torná-la uma ordem.

O deus da morte sorriu, enfaticamente.

- Isso é muito simples! Traga o anjo-detetive e o faça permanecer aqui. Ele já veio para cá, mas rapidamente. Traga-o. É só sentar e esperar a mágica acontecer.

Sua explicação apenas me confundiu. Eu queria matar L, não chamá-lo para uma visita. E por que ele já esteve no M.S?

As interrogações não cessavam. Como se as visse, Ozaru optou por esclarecer.

- Nesse mundo, os Anjos morrem, Yagami. Na verdade, se dispersam. Você pode tomar isso como uma morte absoluta, já que a alma é destruída por completo.

Apenas a destruição total de L poderia me fazer sorrir naquele momento. Não ficaria com raiva de Ozaru por não ter me contado aquilo antes. Guardaria tudo para o olhos de panda.

Depois de tudo, eu teria a chance de vê-lo morrer mais uma vez.

Pela última vez.

Sem nem me despedir, virei-me e corri para fora. Quando as portas se fecharam atrás de mim, olhei para o céu cinza com um largo sorriso.

Mas então, ouvi alguém subindo os poucos degraus.

Virei-me e dei de cara com Ryuuku, com um sorriso travesso estampado no rosto. Ele brincava com uma maçã – que parecia apetitosa –, mas voltou sua atenção para mim.

- Light, meu portador favorito! – disse, lançando a fruta para cima e a capturando com a outra garra. – Você está tornando tudo tão divertido! Mais divertido até do que um Anjo Portador!

Ele riu e passou por mim. Ao olhar para trás, já não havia ninguém.

(...)

- L, não vá! É uma armadilha!

- Não se preocupe, garoto. Voltarei mais cedo do que pensa.

Enquanto ouvia o desinteressante diálogo entre os dois detetives, imagens da minha ida ao M.S tilintavam em minha mente, como que para me lembrar do que teria que fazer.

L fez um sinal e eu o segui pelos ares. Ignorei o fato dele ter asas (o que destruiu minha piada sobre ele não poder voar) e me concentrei em todas as informações que eu tinha.

L era um Anjo.

Anjos morrem no M.S.

Kaori era uma humana portadora.

Portadores podem se abster do caderno e perder suas memórias.

Ou seja, poderia me livrar de ambos e dar o caderno à outra pessoa. Sem preocupações futuras, a não ser achar outro humano qualificado.

Afinal, talvez eu tenha mesmo me precipitado ao entregar o caderno a Yaoshii. Tínhamos os mesmos princípios, mas ela era guiada pela emoção. Porém, eu sabia que não pensaria assim se não tivesse visto a cena frustrante do beijo refletida na espada...

Sentia mágoa da garota. Era estranho, porque eu não gostava dela – apaixonadamente, pelo menos, o que seria ridículo. Mas eu estava encantado... É... Talvez essa fosse a palavra certa.

Afastei esses pensamentos. Olhei para as estrelas ofuscadas, me irritando com o fato de o detetive querer me levar para o mais longe possível de seu pirralho esbranquiçado.

Por fim, pousamos no terraço de um altíssimo prédio no centro da cidade. L virou-se, me encarando com seus olhos negros.

Eu queria ter um plano. Havia ido atrás dos dois por mero impulso. A vontade de destruí-lo era tão forte que, automaticamente, me incumbi até ele.

- Hum... Light? Você está me olhando há tempo demais. Achei que tivesse algo importante pra dizer.

Repassei as regras do Death Note mentalmente, e me lembrei de uma específica: A que dizia respeito ao cancelamento das mortes.

Anjo Portador, fora o que Ryuuku disse.

O pensamento foi tão rápido que me senti idiota de não ter enxergado o óbvio antes: L havia ido ao M.S em busca de um caderno. Era assim que havia cancelado as mortes.

Sorri. Se eu lhe roubasse o caderno, teria dois portadores agindo simultaneamente...

Hum.

Talvez eu ainda pudesse brincar mais com a figura pálida que estava em minha frente.

- Estava bem mais divertido na enfermaria... – L resmungou.

“A diversão está quase começando”, quase disse em voz alta.

Notas finais
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