The Fallen Of Light
18 DILEMA
Notas iniciais
Mais uma vez, agradecemos aos reviews do cap passado. Obrigada por terem feito com que TFOL atingisse a meta de 100 comentários!
Dedicamos esse capítulo à Kiseki Chrona, pela linda recomendação. Obrigada pelo carinho!
A fanfic está quase terminando... :c
Acalmem-se! Não se livrarão da gente tão fácil! Ainda temos coisas à acrescentar!
Um beijo enorme e boa leitura! ;)
(LAWLIET)
Invadir o quarto de Kaori e roubar-lhe um beijo não estava em meus planos. Bem, a parte da invasão era estratégia, mas o que ocorreu a seguir estava fora dos parâmetros que eu consideraria lógicos.
Depois que Light cuspiu ameaças diabólicas em mim e saiu do QG como uma criança em período de férias, passei o resto do dia tentando encontrar alguma escapatória, qualquer plano que me tirasse da zona de risco. É claro, foi apenas uma tentativa, porque na maior parte do tempo eu somente devorei doces e bebi quantidades imensas de café.
Pode-se dizer que eu não estava muito feliz por ter minha vida pessoal atirada contra mim.
Em meio às guloseimas, pensei em Kaori. Alertá-la sobre o instinto assassino de Kira poderia fazê-la questionar se realmente estava do lado certo da batalha.
Numa guerra, o melhor a se fazer é ter aliados infiltrados no campo inimigo. Se a garota foi facilmente convencida por Light, não seria difícil eu fazer o mesmo. Trazê-la daquele mundo de sonhos que Kira construiu para ela e torná-la minha aliada era certamente um plano bom para ambos, pois além das vantagens que eu teria sobre cada um dos passos de Light, também poderia salvar a garota de um destino manchado em sangue.
Só que naquele momento, com o beijo se intensificando cada vez mais, eu tinha um certo problema em encontrar o que me fez agir dessa forma.
Sinceramente, eu não sabia.
De repente, me aproximar fazendo-a corar e beijá-la foi uma boa ideia. Talvez, em algum lugar obscuro de meu subconsciente, uma aproximação física seria mais prática do que discursar sobre o quanto era proveitoso ser minha aliada, afinal, ela ainda era só uma adolescente, e seus hormônios sempre falariam mais alto.
Acontece que isso só se passava em um lado de minha mente, porque o outro estava ocupado demais se perguntando o porquê dela ter me aceitado tão facilmente. Do ponto de vista de Kaori, havia algumas verdades que não podiam ser deixadas de lado: Eu era um desconhecido que havia invadido seu quarto, insultado seu amado Kira e a beijado, sem contar que logicamente, éramos inimigos. Então porque ela parecia tratar aquilo de maneira tão natural?
Todas as garotas gostavam de ser beijadas por desconhecidos que surgem do nada ou ela tem algum problema? Talvez problemas para controlar seus hormônios. Uma explicação palpável...
Então, notei que algumas coisas estavam mudando. Sem ao menos separar seus lábios dos meus, ela me empurrava gentilmente pelo quarto, e depois, me vi caindo em sua cama, sendo prensado contra o colchão.
As coisas estavam se tornando bem mais físicas do que o previsto...
Por Deus, será que ela não conseguia raciocinar nem um pouco durante um simples beijo? Eu era o único que raciocinava ali?
Nossas línguas se chocavam uma contra a outra. Seus batimentos velozes eram facilmente notados por mim, que observava atônito.
Eu estava gostando.
Quando a perplexidade de tal descoberta se desfez sobre mim, notei que a garota puxava o ar, tentando recuperar o fôlego. Inverti nossas posições e a olhei com a cara mais inexpressiva que consegui, mas ela parecia distraída.
Ao notar que eu a observava, Kaori levou suas mãos até meu cabelo, me puxando novamente, cheia de desejo. Segundos depois, Suas mãos passeavam por minha blusa, procurando um meio de retirá-la.
Deve ter sido nessa hora que , pasmo com tamanha ousadia, decidi que a garota era absurdamente maluca.
A deusa do novo mundo se entregaria para um inimigo de modo tão fácil?
Afastei-me e me sentei em frente à ela, encarando seus olhos topázio.
"Você costuma transar com todos os caras que conhece?”, foi a pergunta que quis fazer, mas achei que não seria muito educado.
Com meu súbito afastamento, ela abriu os olhos, e pude ver neles uma mistura de confusão e vergonha. Sentou-se. Seus cabelos avermelhados estavam selvagens, a respiração ofegante combinava com os batimentos que não haviam diminuído nem um pouco, as bochechas de mesma cor que suas madeixas. Eu não podia falar nada sobre isso, pois se estivesse vivo, eu estaria tão corado quanto ela.
Kaori olhou para o lençol desarrumado.
— Eu acho que... exagerei um pouco. — murmurou.
Fiquei pensando que tipo de coisas ela e Aiko faziam escondidos juntos.
Hum.
Um silêncio estranho se instalou entre nós.
— Porque fez isso? — perguntou de súbito.
— O quê?
Ela pareceu não acreditar na minha pergunta tão idiota. Resolveu reformular a simples questão.
— Porque me beijou? Porque permitiu que eu continuasse?
É claro que a grande pergunta tinha que vir. Mentalmente, procurei alguma resposta válida, resolvido a contar a verdade.
— Porque eu tive vontade.
Suas feições mergulharam em fúria.
— Essa sua cara de anjo não combina com você, detetive. Você é diabólico.
Eu a ignorei. Tratei de mudar para um assunto bem mais importante.
— O que vai fazer em relação a Light? — perguntei sério.
Ela desviou o olhar.
— Você vem até aqui uma única vez, me diz coisas inquietantes e quer que eu tome uma decisão rápida? Que eu mude meu jeito de pensar de uma hora pra outra?
— A maneira que ele faz você pensar. — corrigi.
Foi aí que lágrimas brotaram em seus olhos, o que me constrangeu.
— Será que não percebe? Eu não sei o que fazer! — desabafou – Light traiu minha confiança, mas eu também não confio em você!
— Não confia em mim? Há quatro minutos atrás você confiava. — deixei escapar.
— Você é um idiota. — falou jogando o travesseiro em mim. Levantou-se e apontou mau — humorada para as portas de vidro ainda abertas. — Vá embora!
Como eu ainda estava imóvel, sua raiva pareceu aumentar.
— O que foi? Quer que eu te jogue pela janela?!
— Eu adoraria ver você tentar – não consegui conter o riso.
— Me deixe sozinha, L. Por favor... — havia um tom derrotado em sua voz baixa.
— Tem medo de confiar em mim? Ainda acha que estou mentindo sobre a Wammy’s House?
— Isso não vem ao caso agora. Eu só quero um tempo pra pensar.
Dei de ombros, olhando o chão.
— Você já ouviu falar em Misa Amane?
— O Segundo-Kira. Ela apareceu nos jornais por isso, e até mesmo antes. Onde você quer chegar com isso?
— Ela morria de amores por ele. Seu mundo girava em torno dele. Mas Light não sabia amar. – suspirei. – Ele só a usou, Kaori. E ela deixou. Não quero que isso aconteça com você. Espero que seja mais inteligente do que ela foi.
Aquele silêncio todo estava me deixando nervoso, e resolvi dar um tempo à garota.
— Não precisa me expulsar denovo. Estou indo embora.
— À propósito, não fale para Light de nosso pequeno... hum... encontro. Não que eu ache que você queira compartilhar o que aconteceu esta noite.
Kaori parecia compenetrada na tarefa de não me olhar nos olhos. Me inclinei e a beijei no rosto.
— Até logo — sussurrei em seu ouvido.
Parti, certo de que havia plantado a semente da dúvida na garota. Se tivesse sorte, essa semente floresceria, e Kaori me ajudaria.
Odiava pensar que a estava usando, como meu rival. Eu precisava salvá-la. Sabia que se fizesse ela se apaixonar por mim, facilitaria as coisas. Estaria entrando em um jogo no qual todas as peças estariam a meu favor. Mas o simples fato de enganá-la me corrompia por dentro.
Pude perceber na noite de hoje que Kaori Yaoshii nada mais é do que uma garota com o coração partido, buscando vingança pela morte do namorado.
Enquanto minhas asas me guiavam pelo céu escuro, relembrei nosso beijo.
Foi estranho. Havia muito tempo que não ficava assim com alguém. E não senti falta.
Minha vida humana já era bastante complicada, não precisava de mais um empecilho. Um relacionamento amoroso só atrapalharia minha carreira.
Mesmo assim, eu sabia que não era mais humano. Os lábios rosados de Yaoshii atravessavam minha mente. O que fazer a respeito? Eu precisava admitir que sentia uma forte atração física por ela. Suas mãos em meu cabelo... Sua respiração acelerada... Suas bochechas rosadas...
Suspirei, exausto. Isso não iria acontecer novamente.
"Cruze os dedos, detetive. Você ainda pode virar o jogo."
Notas finais
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