The Fallen Of Light
17 APROXIMAÇÃO
Notas iniciais
Pedimos milhões de desculpas pela demora. Esse capítulo foi extremamente difícil de ser escrito. Fazemos o possível pra agradar todos os leitores, e é isso que deixa mais complicado.
Por falar em leitores, agradecemos muitíssimo aos reviews do capítulo passado, e aos novos leitores que estão acompanhando TFOL.
Tomara que com esse capítulo a gente consiga atingir a meta de 100 reviews!
HAHAHAHAHAHAHA, obrigada e boa leitura!
(Kaori)
Minha mente devaneava ao som intenso e relaxante de Coldplay. Buscava uma resposta, masnada fazia sentido.Se os nomes foram escritos corretamente... porque nenhum criminoso estava morrendo? Era tão estranho.
Light não tentou esconder sua fúria quando saiu, e eu não podia culpá-lo. Quer dizer, ele sempre desejou mudar o mundo e morreu antes de o fazer. Agora que ele tinha uma segunda chance nas mãos, o caderno simplesmente falha.
Porque a injustiça sempre persegue quem não merece?
Tirei os fone de ouvido e me levantei da cama. Fui até a pequena sacada e apoiei os cotovelos, observando a cidade banhada pela luz do sol, que começava a dar indícios de cansaço. Corri os olhos pelo extenso cenário, mas não encontrei nenhum sinal de Kira.
Light estaria certo ao culpar Near por tudo o que havia acontecido? É claro que eu queria que estivesse, porque assim poderíamos acabar com as hipóteses e partir logo pra ação. Kira me diria o verdadeiro nome do detetive e, com o seu rosto em mente, Near morreria. O mais complicado a parte de fazer com que eu conhecesse sua face, já que segundo Light, Near escondia a si próprio dos olhares públicos, assim como seu antigo mentor.
Não importava. Iríamos resolver esse problema, nada me impediria de tirar N da jogada. Isso tudo, obviamente, depois que o Death Note resolvesse funcionar de novo. O que, infelizmente, parecia improvável.
Precisava que tudo desse certo, que as mortes recomeçassem, assim Light não exitaria em realizar meu maior desejo: Matar Raiden. Não propus isso logo de início. Precisava conseguir de vez a confiança de meu aliado, e eu já estava conseguindo. Mas o maldito caderno resolveu me deixar na mão e, com o clima tão carregado, deixei o filho da mãe de lado.
Encarei minhas mãos e me perguntei se elas pertenciam à umajusticeiraou à umaassassina. Mordi o lábio. Criminosos mereciam morrer, e matá-los estava nos parâmetros da Justiça. Near não era nenhum criminoso, mas queria impedir que a justiça fosse feita. Seria motivo suficiente para condená-lo?
Eu precisava admitir que não me sentia a melhor pessoa do mundo pensando assim. A final, pelas conversas que tive com Kira, Near só tinha 15 anos e, do ponto de visto dele, nós éramos os bandidos e era dever delenos punir.
Eu sabia que, se Aiko não tivesse sido assassinado do jeito que foi, eu pensaria como o garoto.
Suspirei. Aikofoiassassinado, e a justiça tinha que ser feita. Não gostaria que aparecessem mais Kaoris no mundo por minha culpa. Eu sabia como era perder o amor.
— Nossos problemas foram resolvidos! – anunciou Light, subitamente surgindo ao meu lado e me assustando. Deixei minhas reflexões de lado.
— Como assim? – perguntei confusa.
Seu sorriso parecia indestrutível.
— Lembra daquele intruso misterioso?
Assenti.
—Near?
— Não. – Ele suspirou. — L.
Por alguma razão, Light não desfez o sorriso que havia visto em seus lábios quando ele chegou.
— Você também disse que L estava morto e que não podia voltar.
— Eu admito que me precipitei um pouco e cheguei à algumas conclusões erradas, mas agora tudo voltará ao normal. Mais nomes serão escritos e a justiça será feita.
Aquela explicação parecia ser o bastante para ele, mas ela só me confundiu mais. L de volta e Kira com uma satisfação doentia por isso ter acontecido?
Como se lesse minha meus pensamentos,ele me contou tudo o que havia acontecido quando saiu, me fazendo entender.
— Você ameaçou matar Near para pará-lo? E eleaceitou?
Light gargalhou.
—Você acha mesmo que ele deixaria o bebezinho de cabelos claros morrer?
Ele ainda estava satisfeito, mas nada daquilo me convenceu. Eu nunca havia conhecido L, à não ser pelas reportagens em jornais e suas “aparições” na televisão.
Eu sabia que ele era considerado o melhor detetive do mundo! Era um tanto improvável que ele abaixasse a cabeça diante de Light e fosse tão facilmente derrotado. Quero dizer, proteger uma única pessoa de Kira era fácil, então porque o detetive aceitara a derrota de bom grado?
— Você está dizendo toda a verdade? – questionei, erguendo uma sobrancelha.
Sua expressão não se alterou.
— É claro. Porque esconderia algo de você? – ele ergueu sua mão até meu rosto e me acariciou. Seus dedos desceram ao meu queixo, tocando meus lábios entreabertos. Meus batimentos cardíacos martelaram, e eu tinha certeza de que se pudesse correria pra longe dele.
Seus olhos me diziam o que ele gostaria de fazer, e eu não estava pronta pra isso. Nunca mais havia me relacionado com alguém. Com o tempo a solidão tornou-se uma amiga íntima.
Eu não queria me aproximar de outro cara.
Olhei para Light. Ele nem era maishumano! Era incrivelmente belo, claro, mas continuava sendo um Shinigami. Eu já havia visto representações de deuses da morte na escola e na internet, e devia admitir que Kira eramelhor.
Notei que ele estava se aproximando ainda mais, com os olhos famintos fixos em minha boca, e me virei, aflita.
— Acho melhor eu voltar à escrever os nomes.
Antes de me virar, notei um sorriso malicioso em seu semblante, e não pude deixar de sorrir também. Ele seguiu em direção ao quarto, e eu, sem escolha, o segui.
Seria uma tarde longa.
(...)
Como toda noite, Light me deixou sozinha e foi se distrair pela cidade noturna. O estranho foi que eu não conseguia dormir. A insônia me perseguia, me fazendo lembrar os pensamentos da tarde. Para me afastar das lembranças, escutei algumas músicas no celular, naveguei um pouco na internet, voltei à ler um antigo livro, abandonado desde a aparição de Light. Masnadaparecia me atrair. Sentada na minha cama, eu olhava desgostosamente as cortinas fechadas. Fui até lá e as abri, revelando uma linda e brilhante lua cheia. Abri as portas de vidro, permitindo que a brisa fresca tocasse meu rosto. Girei os calcanhares.
Ah!
Sentado no mesmíssimo lugar em que eu estivera segundos atrás, um estranho rapaz me olhava de forma vazia, como se estivesse lá há muito tempo.
Construí uma falsa calma para mascarar meu nervosismo. Graças à Light, eu estava começando à me acostumar com homens desconhecidos aparecendo do nada em meu quarto.
— Olá, Yaoshii. Parece que não está com muito sono essa noite.
— Quem é você? – eu argumentei, perplexa com a ousadia.
— Teremos uma longa conversa. É bom que esteja desperta.
—Quem é você?
Argh. Pode, por favor, me escutar por cinco minutos antes de me interromper?
— Quem eu estou enganando? – me exasperei. – Euseiquem você é. Olá, L.
Um sorriso travesso escapou de seus lábios.
— Pronto! Agora que já sabe quem eu sou, sente-se e me escute.
Balancei a cabeça em negativa. Só porque ele havia sido o maior detetive de todos não significava que eu o obedeceria. Ele era L, o que deveria torná-lo meu maior inimigo. Eu não era umaexpertem dedução, mas sabia que papear com o próprio oponente não era um bom plano. Muito menos, agir como se ele tivesse o controle da situação.
— E se eu não quiser? À propósito, obrigada por sujar minha mesa com calda de morango. Foimuito prazerosoficar horas tentando limpar aquilo.
— Às suas ordens, madame – seu sorriso aumentou.
Quis estrangulá-lo.“Que cara chato!“, pensei. Ele sabia que estava me irritando e a meu ver, gostava disso. Seus olhos escuros passeavam por mim, o que estava me deixando constrangida.
— Você é bem bonita. Como um serial killer como Kira pode ter tanta sorte com as garotas?
Eu não sabia se ficava lisonjeada ou irritada com o comentário dele. Não era como se eu fosse só mais uma garota encantada por Kira. E é claro, não é como se eu estivesse realmente encantada.
— O que você quer? – perguntei impaciente.
Ele se tornou inexpressivo.
— Light não merece sua confiança. – e com uma frase tão simples, desejei verdadeiramente que ele fosse embora. Se existisse alguém no mundo em que eu confiaria, seria Light. Ele não me deu apenas a chance mudar um mundo que estava em decadência, ele me deu um propósito para viver. O futuro nunca havia se tornado tão fantástico, e a simples ideia de eu permitir que alguém me tirasse daquilo era impensável.
“Ele é só um inimigo que precisa ser descartado”,me surpreendi pensando.
— Será que você não consegue ver o quanto está errado? Eu e Light queremos apenas um mundo melhor, mas você com esse egoísmo não quer aceitar isso.
— Egoísmo? Não, Kaori. Estou sendo realista. Você quer ter Light como um salvador, o obedece em tudo e age como se aquele assassino fosse a melhor pessoa do mundo. Os indícios de que você está errada ao confiar nele são tantos que fico surpreso que você ainda o defenda.
Trinquei os dentes. Não, ele estava errado! Deve ter ficado desesperado por ter sido ameaçado por Light e resolveu confundir minha cabeça.
— Vá embora. – falei friamente.
— Yaoshii, eu sei que no fundo você não é uma assassina. Destrua o caderno e volte a viver. Kira está te condenando.
L se levantou e veio até mim em passos silenciosos.
— O mal precisa ser erradicado. Light é o único que pode e quer fazer isso – afirmei.
— Seu coração não é mal. Mas em breve, se você não voltar atrás, nada a diferenciará dos assassinos que Light quer matar.
Balancei a cabeça tentando tirar suas palavras dolorosas da minha mente. L pousou uma mão em meu ombro e olhou-me. Sem saber exatamente o porquê, deixei que ele o fizesse.
— Você é bem diferente da garota doce e feliz que se apaixonou por Aiko.
Meu coração pulou num átimo de segundo. A velha lembrança explodiu e as lágrimas ficaram presas em meus olhos brilhantes. A respiração ficou desigual e a barreira que eu havia criado ameaçou desmoronar.
— Você... não sabe de nada. – usei o que restara da minha voz.
— Kaori, Aikonãovai voltar.
Desviei o olhar, baixando a cabeça. Ninguém nunca havia falado daquele jeito. Geralmente, o assunto Aiko era acompanhado por frases bobas e enfeitadas, dizendo que eu precisaria seguir em frente e que ele odiaria me ver triste. Todas apenas me enraiveciam. Mas ouvindo aquilo de L, não fiquei com raiva. Fiquei apenas... Triste. Profundamente entristecida. Como ele sabia disso, afinal?
Ergueu minha cabeça fazendo-me olhá-lo.
— Quando Aiko morreu, eu já estava morto. Vi sua chegada.
Ele esperou que eu dissesse alguma coisa, mas como não o fiz, ele continuou:
— Sabe, todos nós temos monstros interiores. Devemos apenas aprender à conviver com eles.
Não consegui conter um meio sorriso.
— Está parecendo um psicólogo.
— Pode ser. – murmurou. Suas íris fitaram o céu noturno e um silêncio estranho se estendeu.
Fiquei um pouco desconfortável com ele tão próximo. Ao saber que L havia voltado imaginei que se o visse, eu passaria à odiá-lo com todas as forças. Mas aquilo não estava acontecendo. Aproveitei sua distração e o fitei, tentando encontrar a raiva que sentia por ele. Mas não encontrei. Em vez disso, observei o quanto seus traços eram delicados, contrastando com a rebeldia de seu cabelo. Suas olheiras profundas se perdiam naquele mar de ônix. Podia ver o reflexo da lua neles.
Foi então que ele me surpreendeu o observando. O sangue subiu para minhas bochechas.
— O que foi? – perguntou inocentemente.
— Eu só queria que você entendesse o que quero fazer. Tudo isso é por Aiko. Não tente nos impedir, por favor. – pude notar o tom implorador em minha voz.
Negou com a cabeça.
— Eu não posso. – sussurrou.
— Pode sim! Deixe seu orgulho de lado e admita que nós estamos certos! Todo mundo sai ganhando, L!
— Esse é seu problema. Acha que tudo é um conto de fadas e que Light vai tornar o mundo melhor e distribuir bondade por onde passar. Queria que você pudesse enxergasse o quanto isso é estúpido.
Eu queria socá-lo, mas a tristeza pura em seu rosto me faz parar.
— Vou dizer uma coisa, Kaori. Eu sei que ele te contou sobre ter me ameaçado. Mas eu tenho ainda mais certeza de que ele não contou tudo.
— Ele contou. Se as mortes não ocorrerem, Near morre — mesmo assim, percebi ao olhar em seus olhos que isso não era tudo.
— Eu sabia que ele esconderia de você. Ele tem medo de que não concorde e acabe achando que ele é só mais um assassino sem escrúpulos. O que ele é.
Franzi o cenho.
— O que ele escondeu? – tentei fingir que não me importava, mas não fui muito boa.
L contou-me resumidamente sobre o tal orfanato Wammy ’s House.
— Tudo bem... Mas o que isso tem a ver?
Ele suspirou.
— As crianças serão assassinadas se eu não deixar que ele faça suas vítimas.
O choque cruzou meu semblante. Minha mente dava voltas, tentando resolver o que fazer.
Foi aí que me dei conta: L era inimigo de Light. Ele faria o possível para me fazer mudar de ideia.
— Vejo que os mortos também mentem.
— Eu nunca mentiria sobre uma coisa dessas! — ele parecia chocado, mas sabia que tudo isso fazia parte da mentira.
Sorri em desafio.
— Euseique você mentiria pra me parar. Você quer fazer de Light assassino de crianças! Como se ele tivesse coragem de ser tão bruto!
Percebi que ele começou à ficar com raiva. Olhava para mim como se fosse uma ofensa de minha parte não acreditar nele. Então, desprovido de qualquer emoção, tentou abrir meus olhos, mas acabou me chocando.
— Olhe bem no fundo dos olhos de Kira e pergunte a si mesma se ele realmente não faria isso. Você se surpreenderá com a resposta.
Segundos depois eu ainda analisava o que ele falara. Kira faria aquilo? Não podia se... Aquele detetive tinha que estar mentindo! Mas então porque Light conseguiu a “rendição” dele com tanta felicidade? Lembrei o quanto ele parecia estar satisfeito quando chegou.
“—Porque eu esconderia algo de você?”
“...Vejo que os mortos também mentem...”
Atormentada, empurrei a figura pálida em minha frente, completamente exausta. Tentei sair de perto, mas ele me puxou pelo pulso. Sua mão não possuía qualquer temperatura.
— Yaoshii, eu sei que você não quer acreditar, mas há uma probabilidade...
— Vá embora, L! Por favor... Eu não quero ouvir mais nada!
Agarrou meus antebraços e me encarou com um toque de frieza. Mas não tão frio quanto suas próximas palavras.
— Você não faz ideia de como é ter a destruição espreitando coisas que você ama. E se tudo aquilo que Light me falou acontecer... Farei ele implorar pelo Inferno. – sua voz soou feroz, e pela primeira vez desde que o vi, senti medo.
Meus olhos se arregalaram e eu tive certeza de que aquilo não era nenhum tipo de teatro. Com o silêncio que se reergueu, meus barulhos cardíacos pareceram triplicar.
— Desculpe. – murmurou, soltando-me. — Eu nunca me senti tão... à deriva.
—Eu entendo.
—Você já se sentiu assim?
— O tempo todo – sussurrei.
Ele pareceu refletir.
— Eu queria que você não fosse só mais uma garota enganada por ele... Não sabe o quanto...
—Eu sei cuidar de mim mesma.
— Desculpe-me, mas não parece.
Peguei-me sorrindo.
— Eu poderia me apaixonar por você. — falou simplesmente.
— E pra quantas garotas você já disse isso?
— Você é a segunda. Ou seria a terceira...? – pareceu rever mentalmente os fatos como se resolvesse uma equação.
Deliberadamente se aproximou, misturando nossas respirações de um jeito único.
— O que vai fazer? – perguntou, sussurrante, e não sabia se ele perguntava sobre o que eu faria em relação à Kira, ao caderno ou à sua súbita aproximação.
Horas atrás eu havia cogitado correr de um beijo de Kira porque não me sentia pronta. Mas se eu realmente não me sentia pronta, porque eu não socava L, quando o que ele fazia era se aproximar mais e mais?
— Eu... – meu sussurro morreu, completamente vencida.
Nossos lábios se encontraram timidamente, e me perguntei o que isso mudaria em minha vida de agora em diante. Sem ao menos perceber, entrelacei minhas mão em seu cabelo sedoso, acariciando-o com uma vontade que eu não sabia de onde vinha. Talvez fosse porque eu nunca mais havia me aproximado de ninguém dessa forma. Ou porque ele fosse um Anjo.
Não sabia ao certo, mas fechei os olhos com força, sentindo L retirar seus lábios dos meus e sussurrar:
— Por favor, não destrua sua vida.
Ele voltou a colar sua boca na minha, e foi nesse momento que eu percebi que, pela primeira vez em anos, sentia que meu coração estava acordando, e podia se apaixonar novamente.
Fale com o autor