The Fairy and The Dragon

5 Tão longe, tão perto


Notas iniciais
Olááá :3 Eu amei esse capítulo, sério, espero que vocês também gostem. Ele está bem maior que os outros, espero que não se cansem x.x Beijinhos >.

"The scars of your love remind me of us

They keep me thinking that we almost had it all

The scars of your love they leave me breathless

I can't help feeling"

Rolling In The Deep — Adele


Levy suspirou enquanto olhava pela janela do seu quarto, no dia anterior conseguiu tomar um pouco de sol com Lucy, o que foi maravilhoso. Tinha que confessar, estava muito preocupada com a amiga, ela devia estar sofrendo muito, mas não era o momento de pensar naquilo, teria tempo mais tarde. No momento suas forças e seu foco estavam no carro que acabara de estacionar em frente ao jardim, esperou alguns segundos até ver seu pai descer.
Ele aparecia com certa frequência logo que se mudou, nunca ficava muito tempo, Levy já havia notado que o relacionamento dos pais não estava indo muito bem, até que em um Natal ele apareceu em casa e enquanto ela subiu para guardar o presente que havia ganhado ouviu uma discussão, desceu rápido, mas o pai já havia partido e a mãe não quis falar sobre o assunto, desde então foram poucas as vezes que se encontraram, não que ele não se importasse, ligava para ela todos os dias, mas ainda assim não era a mesma coisa. Não foi preciso que ninguém lhe dissesse, bastava encaixar todas as peças desse quebra-cabeça.
Foi até a mesa do quarto e pegou um dos seus livros, se ao menos pudesse simplesmente fingir que nada daquilo estava acontecendo, enquanto o devolvia a prateleira ouviu batidas na porta.
_Pode entrar – pelos passos ela já sabia que era a mãe – Ele chegou não foi?
_Sim, vamos descer Levy e de uma vez por todas decidir o que faremos com você.
_Okay, mas eu não vou ficar calada só ouvindo. O assunto de vocês dois estarem se separando eu não posso opinar realmente, mas quando a voltar para a Fairy Tail, eu não vou desistir.
A mãe a encarou viu a determinação nos olhos da filha, realmente seria uma longa conversa, por que nenhum dos lados pretendia ceder.
_Levy... – O pai a abraçou um pouco apertado demais – Você está bem, que bom – falou com a voz embargada.
_Sim, mas se você continuar me apertando dessa maneira vai acabar quebrando mais alguns dos meus ossos. Também estou feliz em ver você.
Sentaram-se no sofá, Levy entre os pais e ficaram em silencia por um longo tempo, até que o pai pigarreou e segurou as mãos da filha.
_Levy, e-eu realmente não sei como falar sobre isso com você, mas acho que já percebeu que eu e sua mãe não estamos mais juntos não é mesmo? – esperou a filha concordar – Certo, essas coisas acontecem, não podemos prever e também não poderíamos ficar juntos se não estávamos mais felizes.
_Foi por minha culpa? – Levy encarou o pai.
_Não, claro que não! – a mãe fez com que Levy a encarasse – Assim é melhor para nós dois e para você também, seu pai nunca vai deixar de ser o que sempre foi para você.
_Okay – Levy suspirou – Essa parte eu já tinha entendido, mas e quanto a voltar para Fairy Tail?
_Bem, isso... – O pai levantou – Eu e sua mãe conversamos, o problema é que esse tal garoto não foi expulso nem nada, nossa preocupação é que ele te machuque novamente.
_Mas eu já prometi que não vou chegar perto dele, prometo!
_A questão não é essa Levy, eu sei que não posso te segurar, não posso te prender – Ele abaixou-se para ficar na altura dos olhos da filha – Minha borboleta, mas sou seu pai e não quero te ver machucada. Fiquei louco quando sua mãe me ligou, eu queria deixar tudo lá e vir correndo ficar com você, mas sua mãe me acalmou e convenceu a esperar.
_Mas... – Levy não conseguia aceitar.
_Levy, acho que já chega não é? – A mãe segurou em seus ombros.
_Não!
Levy estava de pé no centro da sala, não aceitaria mais aquela sitação, tirou toda a coragem que tinha, mas antes que começasse a falar ouviu a companhia tocar.
_Vou atender.
A mãe de Levy se levantou e foi em direção a porta, não pôde conter sua surpresa quando viu o Makarov em sua porta.
_Bom dia, será que eu poderia entrar?
_S-sim – a mãe deu espaço para que o senhor passasse.
_Ora vejam, estão todos aqui, que bom. Levy, como está se sentindo?
_B-bem, mas o que o senhor está fazendo aqui?
_Hum, vim conversar com seus pais. Ouvi de Erza e Mirajane que eles pretendia tirar você da Fairy Tail – Makarov encarou os pais de Levy – Posso saber por que não confiam no meu trabalho como diretor?
_Ora, porque um delinquente machucou minha filha, quase a matou dentro da sua escola e você não o puniu! Ele deveria ter sido expulso, preso, mas ninguém ficou sabendo de nada.
_Ah sim, eu entendo a sua posição, mas Gajeel não é um mau rapaz, vocês não podem julgar se não ouviram toda a história. Jet e Droy estavam provocando Gajeel porque ele morava em um abrigo para crianças abandonas, a vida não foi nada fácil para ele. Levy já deve ter ouvido a clássica frase: Não se deve julgar um livro pela capa – Makarov encarou a garota com um ar brincalhão – Não julgue o rapaz por seu tamanho, eu sei que ele parece assustador, mas no fundo tem um coração mole entende? Eu não o expulsei, jovens como ele precisam de disciplina e isso eu tenho para dar, se ele saísse da escola não encontraria outro lugar para continuar os estudos.
_E quanto a punição dele? – a mãe de Levy permanecia irredutível –Tem que haver alguma forma de puni-lo!
_Sim, Gajeel está prestando serviços ao colégio, a senhora não precisa se preocupar quanto a isso, ele também não fará mal a sua filha novamente – Makarov virou-se para Levy – Temos um ótimo programa de estudos, principalmente para a Levy, se continuar na Fairy Tail terá uma bolsa de estudos para a faculdade com certeza, você quer isso Levy?
_Sim, eu quero continuar na Fairy Tail, não me importa se esse tal Gajeel está lá ou não, quero continuar com meus amigos, apenas isso.
_Ainda não decidimos Levy!
_Decidimos sim... – O pai de Levy se colocou ao lado da filha – Acho que Levy já tem idade para decidir o que quer ou não para sua vida, foi um acidente. Não podemos culpar inteiramente esse rapaz ou proibir nossa filha da convivência com os amigos que ele tem desde que era criança. Diretor Makarov, obrigado pela sua visita, Levy continuará na Fairy Tail.
_Certo – Makarov sorriu – A Fairy Tail é como uma família, os alunos são meus filhos e ninguém sai impune quando machuca meus filhos.
A mãe de Levy abaixou a cabeça derrotada, Levy não conseguiu conter um sorriso de vitória, nunca imaginou que o pai ficaria do seu lado, que tudo acabaria bem, estava preparada para travar uma guerra com os pais até que eles a deixassem voltar ao colégio. ‘Obrigada Mira, Erza, logo estarei com vocês”.
_Agora tenho que ir – Makarov foi em direção à porta – Espero você o mais rápido possível ouviu Levy McGarden?
Levy balançou a cabeça concordando e prometeu a si mesma que dali em diante nada abalaria sua confiança.
***
Lucy esperou até que toda o casarão estivesse silencioso, observou quando os seguranças saíram de suas posições costumeiras e sentaram-se em banquinhos escondidos na escuridão do imenso jardim. Morar em uma casa tão grande tinha algumas vantagens, principalmente durante a noite onde era possível escapar pelos milhares de pontos cegos. Examinou mais uma vez o relógio, 23:30, era o momento de sair, Natsu devia estar lhe esperando próximo ao jardim dos fundos, lá não corriam o risco de serem pegos juntos.
Ela não queria encontrá-lo, mas prometerá que explicaria a história do casamento, não a verdadeira história, mas algo que o fizesse entender que não poderiam mais se encontrar e que teriam que ficar longe um do outro, ‘Aquele cabeça quente não vai entender’, Lucy pensou desanimada enquanto caminhava na ponta dos pés pelo corredor que ligava os quartos as escadas que levavam ao segundo andar.
O quarto dela ficava no terceiro pavimento da casa, ao lado tinha uma enorme biblioteca que lhe servia como sala de estudos, o quarto do pai ficava próximo ao seu, mas raras vezes ele estava lá, o que a preocupada era o quarto de hospedes em frente as escadas, onde Aquarius dormia quando passava a noite no casarão, o que ultimamente era sempre. Mas para sorte de Lucy ela havia saído com o namorado, então a possibilidade dela voltar pra casa cedo era praticamente nula.
Já havia alcançado as escadas, mais alguns passos e estaria na varanda do segundo andar, dali era fácil descer até os jardins dos fundos, sempre fazia isso quando criança para fugir de Aquarius e se esconder. Quando se aproximou da sacada ouviu um barulho, se escondeu entre um dos vasos no corredor e a parede.
_Oh droga! – ela pensou enquanto espiava para ver quem era – Quem diabos?!
Não terminou a frase e viu uma pequena bolinha de pelos se aproximar, aqueles imensos olhos brilhantes na escuridão a encararam por alguns segundos e em seguida começou a se esfregar nas suas pernas ronronando.
_Happy?! – Lucy pegou o pequeno gato no colo – Não acredito que o Natsu te trouxe aqui, ele é um irresponsável mesmo. Vamos correr ou alguém pode nos ver – Afagou a cabeça do gato – E nada de ronronar okay? Podem ouvir.
Seguiu para a varanda e em poucos segundos já estava no jardim dos fundos, seu coração batia tão rápido que parecia que a qualquer momento pararia, só o fato de saber que Natsu estava a poucos metros dela e que não poderiam se tocar. Parou por alguns segundos no meio da escuridão e tentou normalizar as batidas do seu coração.
_Calma Lucy, calma... – repetia para si, ouviu um gemido de Happy, ela o estava apertando – Oh, perdão, não percebi que estava te machucando.
_Lucy!
_N-Natsu – Lucy virou-se na direção da voz – Você me assustou!
_Você está atrasada, vem aqui Happy – o gato pulou do colo de Lucy e foi em direção a Natsu – Obrigado, você trouxe ela sã e salva, aqui sua recompensa.
Ele tirou do bolso um biscoito e entregou na boca de Happy que se afastou para comer em paz. Natsu então caminhou lentamente como um gato prestes a pegar a sua presa.
_Bem Lucy, agora que estamos sozinhos podemos finalmente fazer o que combinamos não é mesmo?
_Sim, eu só queria que vo- Lucy não terminou de falar quando sentiu Natsu a segurar pela cintura – Hey, o que está fazendo?
_Te beijando, você veio aqui dizer que vai ser minha não é? Que decidiu não se casar com aquele idiota. – sorriu enquanto ajeitava o cachecol no pescoço.
_Não Natsu. Não foi para isso – afastou ele e caminhou até ficar a uma distância segura – Agora que você está mais calmo e com certeza não vai colocar fogo em nada como fez na praia aquela noite.
_Hey! Eu estava fazendo malabarismo com aquelas tochas e deixei cair sem querer – Ele olhou para os lados tentando disfarçar — Na verdade eu vi aquele cara tocando em você e parecia que dentro de mim tudo estava pegando fogo, eu não consigo ver outro além de mim perto de você Lucy, não sei por que, só não consigo.
Lucy o encarou por alguns segundos, ele nunca havia falado com ela daquela maneira, era meio tonto daquele jeito fofo que ela amava. Tinha cabelos rosados o que não tirava absolutamente nada da sua masculinidade, e o que mais derretia seu coração: o sorriso dele. Antes de deixa-lo ir ela podia ao menos se despedir não é mesmo? Se aproximou lentamente e o abraçou.
_Me desculpa Natsu, mas não podemos mais nos ver – ‘É para seu próprio bem, perdoe-me’ – Eu queria ficar com você, mas meu pai não quer isso, ele disse que vai ajudar a empresa e eu ainda não posso ir contra as decisões dele – ‘Se eu pudesse ficaria com você pelo resto da minha vida’ – Eu vou ter que fazer isso, mas quero que me prometa algo, está bem? – ‘ Prometa-me que será feliz Natsu, que vai continuar com esse sorriso no rosto’ – Quero que você continue meu amigo não importa o que aconteça, mesmo que você goste de outra pessoa um dia e eu também – ‘Eu vou amar você para sempre’.
_Lucy... – Natsu a olhava incrédulo – Eu realmente não entendo, você sabe que sou tonto para essas coisas, mas eu gosto de você, não de outra pessoa, podemos fugir! Eu, você e o Happy! Isso, podemos fugir e seu pai nunca irá nos pegar, eu vou proteger você, sempre.
_Ah Natsu – Lucy sorriu em meio as lágrimas – Tudo parece tão fácil para você, mas você entendeu dessa vez não foi?
_Sim – ele abaixou a cabeça – Mas isso não significa que vou desistir.
_Natsu? – Lucy o abraçou com mais força — Posso te pedir um último beijo?
_Sim, mas não será o último – ele enxugou as lágrimas das bochechas dela com as costas das mãos e beijou cada lado do rosto de Lucy – Teremos muitos outros.
Natsu a segurou pela cintura e deu um selinho nela, em seguida roçou de leve seus lábios sem realmente tocá-los, só depois que ouviu Lucy arfar realmente a beijou. Ela sentia todo seu corpo quente a cada vez que Natsu a beijava, desde a primeira vez tinha sido assim, soltou um gritinho de surpresa quando ela a encostou em uma árvore e a puxou para si pelos quadris.
_N-Natsu! É só um beijo.
_Eu quero você Lucy... sempre, seja minha.
Ele a olhou com tanto desejo enquanto abria os botões de sua blusa que seria impossível resistir, ela sabia que era errado, que descobririam e coisas ruins aconteceriam, mas não podia se negar aquilo, ‘Uma vez, pela primeira vez será com ele’.
_Okay – disse já corada – serei sua.
Ele sorriu enquanto a beijava, desabotoou mais alguns botões e encontrou a pele alva e quente do vale dos seios de Lucy, ela era tão macia que ele não conteve um suspiro de satisfação. Desceu beijando e dando mordidinhas pelo pescoço dela até chegar aos seios, mesmo por cima do sutiã Lucy podia sentir os dentes de Natsu roçando o tecido.
Ela gemeu quando sentiu Natsu a segurar pelos quadris e a suspender encostando ainda mais seu corpo no tronco da árvore. Estavam tão imersos e conectados no que estavam sentindo que não ouviram que alguém estava chegando.
_Lucy Heartfilia! O que diabos você pensa que está fazendo?! – A voz de Aquarius ecoou pelo jardim.
_Aquarius?!
Lucy se afastou de Natsu enquanto tentava abotoar os botões da blusa, estava extremamente corada, ela não podia ter chegado numa hora pior.
_Você não devia estar em casa Aquarius! – Lucy se afastou de Natsu – Devia estar em um encontro!
_Falou certo sua pirralha idiota: Devia! Mas me ligaram por que ouviram um barulho no seu quarto e como estava trancado e só eu tenho a chave, tive que deixar meu namorado e vir ver o que estava acontecendo e vejam só o que encontro: vocês dois juntos! O que você tem nessa cabeça Lucy?!
_E-eu... – Lucy buscava as palavras, mas qualquer coisa que dissesse só pioraria a situação – Me desculpe...
_Calada! Não sei o que faço com você. – Aquarius caminhava inquieta enquanto massageava as têmporas – Por sorte eu cheguei na hora exata ou vocês com certeza teriam continuado com isso. O que seu pai vai pensar dessa história?
_Por favor, meu pai não pode saber, ele faria algo com o Natsu!
_E o que você espera que eu faça? Finja que não vi? Agora venha comigo e você seu delinquente – apontou para Natsu que assistia a tudo sem reação – Saia daqui agora ou vou te colocar para fora a força — Aquarius segurou Lucy pelo braço e a puxou sem o mínimo de delicadeza – Acho bom você ir pensando em todas as consequências que essa bobagem sua trará.
_Está me machucando Aquarius! – Lágrimas escorriam em abundância pela face de Lucy.
_Hey! – Natsu saiu de seu lugar e se colocou entre Aquarius e Lucy – Você não pode falar assim comigo e muito menos com a Lucy, nós não estávamos fazendo nada de errado.
_Não estavam? – Aquarius disse irônica – Seu idiota, saia daqui agora mesmo ou vai acabar arranjando muitos problemas entendeu? Não se coloque mais no caminho da Lucy, esqueça que ela existe, você não está à altura dela cabeça-de-fósforo! Agora suma daqui, você tenta ajuda-la dizendo que a ama, mas tudo que faz é deixa-la ainda pior. Desista Natsu, para sempre!
_Não! Mesmo que você ou o pai dela tentem fazer algo contra mim, eu não vou deixar a Lucy, eu me importo com ela – Ele segurou Lucy pelos ombros – Venha comigo, diga para eu não desistir de você, esqueça esse tal Loki e olhe somente para mim Lucy!
_Mande-o embora Lucy, se fizer isso não contarei a seu pai, mas tem que me prometer que nunca mais vai se encontrar com ele. O destino dele está nas suas mãos.
‘O destino dele está nas suas mãos’, aquelas palavras ficaram ecoando na cabeça de Lucy, por mais que quisesse largar tudo e ir com Natsu não poderia, o pai com certeza a encontraria e faria de tudo para destruí-lo.
_Vá embora Natsu – ela não o olhou – Apenas vá, isso já deveria ter acabado a muito tempo, nem deveria ter começado, quem é você? Aquarius tem razão, não serve para mim – Tentou controlar as lágrimas que quase a impediam de falar – Vá embora Natsu! Vou me casar com Loki!
_O quê.... – Ele a olhava incrédulo.
_Você não ouviu pirralho? Agora vá embora antes que os seguranças apareçam aqui.
_Eu não vou desistir!
Natsu ainda olhou por alguns segundos para Lucy, mas ela evitava encará-lo. Ele caminhou na direção de Happy e o pegou no colo. Lucy discretamente olhou para ele, estava chorando com certeza, sentiu seu coração apertar, tudo que queria era correr e abraça-lo, tentou se mover, mas Aquarius a manteve firme no lugar enquanto a encarava e balançava a cabeça em negativa.
_Não vou desistir Lucy e agora mais que nunca eu estou empolgado! – Mesmo em meio as lágrimas ele conseguiu sorrir.
Natsu ajustou Happy dentro de sua blusa e saltou para o muro em poucos segundos. Só quando já não podiam ouvir seus passos na rua Aquarius a soltou, Lucy caiu pesadamente no chão soluçando, não conseguia sequer respirar.
_Lucy... – Aquarius se ajoelhou e a tocou – Foi melhor assim, você sabe o que poderia acontecer se essa história continuasse não sabe?
Lucy balançou a cabeça concordando, por mais que aquilo doesse e ela se sentisse despedaçada por dentro, não conseguiria viver se algo acontecesse a Natsu por sua culpa.
_Aquarius? – Ela disse em meio aos soluços – Você pode me abraçar?
_Claro.
Aquarius se ajoelhou e a abraçou, por mais que as duas brigassem a maior parte do tempo Lucy sabia que no fundo Aquarius se preocupava com ela e só queria o que fosse melhor, era o mais próximo que tinha de uma figura materna desde que sua mãe havia morrido. Não falaram nada durante um bom tempo.
_Lucy, temos que ir. – Aquarius percebeu que a garota estava inconsciente – Lucy pelo amor de Deus não faz isso! – Deitou-a na grama – Você está queimando. Seguranças! – Ela gritou desesperada.
Não demorou muito para aparecer alguns seguranças que cercavam o jardim, todos ficaram espantados quando viram a garota desmaiada no chão.
_Não fiquem com essas caras de idiotas! Rápido, levem-na para o quarto! – Aquarius passou a mãos nos cabelos dourados da garota – Vai ficar tudo bem, amanhã você não pode estar doente ou teremos problemas.
***
Levy desceu as escadas tentando não fazer barulho, talvez a mãe ainda estivesse deitada, desde a conversa que tiveram com o diretor Makarov as duas não haviam conversado, apesar do pai ter ficado do seu lado e deixado a besteira de muda-la de escola para trás, ela sabia que ainda existia um caminho longo a percorrer.
Quando chegou a cozinha encontrou sua xícara já cheia com leite e o achocolatado, panquecas com mel e os ovos mexidos, praticamente tudo que mais gostava, achou estranho, estava imaginando que teria que fazer algo para comer, sentou-se e como tinha tempo de sobra comeu bem devagar e em seguida lavou a louça suja. Enquanto calçava os sapatos para sair ouviu os passos da mãe no corredor, ela fingiu não ter ouvido e continuou o que estava fazendo.
_Levy?
_Oi mãe – Levy suspirou esperando uma bronca, preferia não se virar para encarar a mãe – Vai me trancar no quarto para eu não ir ao colégio?
Levy se assustou quando a mãe a puxou para si e a abraçou apertado.
_Por favor, cuide-se. Levy desculpe por tudo isso, me perdoe, eu só estava tentando te proteger – soltou a filha do abraço e deixou que visse as lágrimas – Não posso deixar de me preocupar com você, mas por favor, fique longe de confusão, faça o que sempre fez, fique com seus livros, está bem?
_Certo mãe – Levy sorriu – Prometo que não vou mais arranjar confusão, agora tenho que ir, não quero me atrasar.
Levy caminhou o mais rápido que pôde, quando chegou nos portões da Fairy Tail não pôde conter as lágrimas de felicidade, seu peito parecia que ia explodir. Os primeiros horários eram de Educação Física, então ela só teria que ficar sentada assistindo, o braço já não estava engessado, mas continuava imobilizado.
_Levy-chaaaannnn!!! – Lucy a abraçou – Não consigo acreditar que você realmente está de volta à escola!
_Oh Lucy! Você está melhor?
_Sim, foi só um resfriado, nada demais.
_Levy, que bom que voltou – Mirajane a encarou com aqueles olhos azuis puríssimos – E que bom que a conversa que a Erza teve com Makarov teve resultados positivos.
_Sim, Obrigada Er-chan, graças a isso estou de volta.
_N-não foi nada... – Erza apesar de tudo era tímida.
_Bem, já que a senhorita não pode participar das aulas de Educação Física ficará sentadinha nos observando – Lucy a acompanhou até a arquibancada – Hoje os meninos vão jogar queimada, convidaram a turma do fundamental e os do segundo ano , ou seja: Elfman e Luxus também vão jogar, espero que ninguém saia machucado. Qualquer coisa estamos treinando ali do outro lado.
_Okay, Erza está no time de handball? Nossa, realmente eles não sabem o que pode acontecer, e Mira?
_Mira dessa vez ficou só como líder de torcida, assim como eu – Lucy abaixou a cabeça – Bem, tenho que ir.
Lucy se afastou quase correndo e Levy ficou observando as garotas de longe, estavam fazendo alongamento enquanto os garotos já haviam iniciado a partida. Elfman era mais novo que os outros, mas o maior, a única semelhança que tinha com a irmã Mirajane era o cabelo prateado e nada mais, era moreno, já Mira tinha a pele extremamente clara, Lisanna se parecia mais com ela. A irmã mais nova havia morrido alguns anos atrás em um acidente, Elfman ficará com uma cicatriz do lado direito do rosto e passou meses no hospital até se recuperar totalmente, desde então Mira nunca mais havia sido a mesma, ela continuava sorrindo para todos, mas no fundo Levy sabia da imensa tristeza que carregava.
Estava tão submersa nos seus pensamentos que nem viu que a aula praticamente havia terminado, as garotas estavam todas sentadas próximo à quadra vendo os momentos decisivos do jogo, de um lado só restavam Natsu e Elfman e do outro Laxus e Freed, todos estavam concentrados para saber quem venceria.
Com um movimento rápido Natsu passou à bola para Elfman que em um piscar de olhos a lançou na direção Laxus que estava ocupado demais babando Mirajane com os trajes de ginástica, a bola acertou em cheio seu nariz.
_Ahhhhhh! – Laxus gritou – Meu nariz, seu imbecil!
_Laxus, fora! – O professor apitou – Freed, agora é com você.
Freed pegou a bola e caminhou lentamente com ela, os olhos verdes queimavam, era magro e não tão alto, tinha cabelos esverdeados longos, mais longo do que os de algumas meninas (o que causava certa inveja), durante todo o tempo não desviou o olhar de Elfman, parecia querer destruí-lo.
_Elfman, você vai pagar pelo que fez com Laxus!
_Calma aí Freed, é só um jogo – Natsu levantou as mãos em sinal de paz – E o Laxus estava submerso demais olhando para Mirajane e não prestou atenção.
_Calado cabeça-de-fósforo! Agora sou só eu e o Elfman.
_Isso, vamos resolver as coisas como Homens! – Elfman ficou em posição de defesa.
Com passos rápidos Freed correu na direção de Elfman.
_MORRAAAAA ELFMAAAAAAANNNN!!!!!!!!!
“Morra!”, “Morte”. As palavras ecoaram na mente de Mirajane, tudo aconteceu rápido demais, ela estava do lado da quadra torcendo pelo irmão. Quando ouviu as palavras de Freed avançou para cima dele sem pensar duas vezes, Erza que estava do seu lado tentou segurá-la, mas sem sucesso, antes que o esverdeado lançasse a bola ela o derrubou no chão e começou a esmurra-lo sem consciência do que realmente estava fazendo.
_Mira-nee!! – Elfman correu na direção de Mirajane.
_Tirem esse demônio de cima de mim! – Freed gritava tentando defender os socos que Mirajane dava em seu rosto.
_Mira! Chega! – Erza conseguiu segurar seus pulsos e olhou para a amiga – Eles estavam brincando, ninguém vai morrer ou matar aqui entendeu?!
_E-Elfman... – Mirajane parecia voltar a si – Lisanna...
_Está tudo bem Mira, tudo bem – Erza a abraçou – Estamos na escola, Elfman está bem. Eu estou com você.
_Mira-nee, aqui – Elfman fez com que Mirajane apertasse seu braço – Estou bem, Freed só estava brincando.
Conseguiram tirar Mirajane de cima de Freed, ele estava com o nariz sangrando, mas não parecia realmente ter quebrado, ficaria tudo bem.
_Garotos, para o chuveiro agora, como o time do Natsu ficou com mais membros no final eles venceram essa partida. Erza, leve a Mira para a enfermaria se necessário, Levy e Lucy acompanhem ela, por favor.
Erza e Mirajane iam na frente em direção ao vestiário, o silêncio incomodava, mas ninguém queria falar sobre o assunto, principalmente Lucy que não havia entendido a história toda. Quando estavam se aproximando Mira correu em direção ao banheiro deixando as outras para trás.
_Mira! – Erza gritou – Lucy procure o Elfman, acho que Mirajane terá que ir para casa mais cedo. Levy me espere no jardim próximo a nossa sala com a bolsa da Mira okay? Ela realmente não vai ficar para as outras aulas.
Levy e Lucy concordaram e saíram em direções opostas. Em poucos segundos Erza entrou no vestiário e conseguiu ouvir os soluços de Mirajane dentro de um dos boxes do chuveiro.
_Mira? – ela chamou suavemente – Elfman já está chegando para te levar para casa, Mira? – Não ouviu resposta, alguns segundos depois ouviu o barulho de algo caindo no chão – Mirajane?! – Erza empurrou a porta com força, por sorte estava aberta.
Mira estava sentada no chão abraçada as próprias pernas soluçando. Quando viu a amiga ruiva recomeçou a chorar.
_E-Erza, Lisa... Lisanna... Ela...
_Eu sei Mira, eu sei... – Erza a abraçou – Lisanna morreu em um acidente, já faz um tempo, mas Elfman vai ficar bem.
_Desculpa – Mirajane tentava controlar as lágrimas – Eu não consigo, Erza, não posso, foi minha culpa o que aconteceu com Lisanna, eu poderia ter evitado.
_Não poderia. Mira, foi um acidente! ACIDENTE!!! – Erza segurou o rosto da amiga com força – Você se machuco também, fez o possível para ajudar sua irmã, agora por ela, por Elfman, por mim, você tem que ficar bem!
_Não posso...
Mirajane voltou a chorar e Erza percebeu que se aquilo continuasse acabaria saindo do controle, logo algum professor ouviria e os pais teriam que ir até o colégio. Lembrava-se do quanto Mira tinha sofrido com a morte da irmã e do tempo que passou internada numa clínica para se recuperar, pálida, os olhos tão azuis pareciam mortos durante todo aquele tempo, não suportaria vê-la daquela forma novamente.
_Hey! O que está acontecendo aí? – Era a voz da zeladora.
“Droga! Se ela entrar aqui e ver Mira nesse estado teremos problemas”, num gesto rápido ligou o chuveiro e deixou que a água caísse em cima das duas, por sorte estava quente. Mira se encolheu num canto surpresa, mas ainda assim não parou de chorar enquanto olhava Erza atônita.
_Parece que tem alguém chorando aqui. – os passos se aproximaram – Essas garotas devem ter aprontado alguma coisa.
Os passos da zeladora se aproximavam e Mirajane ainda continuava soluçando, a ruiva tentou com as mãos tapar a boca de Mira, mas ainda assim ela continuava soluçando. Erza então numa atitude desesperada puxou Mirajane pela nuca e calou seus soluços com um beijo. O único barulho audível agora era do chuveiro e os passos que se aproximavam no corredor

Levy estava sentada esperando Erza voltar, elas estavam demorando e isso a deixava realmente preocupada, da última vez que Mira tinha surtado daquela maneira os pais quase a mandaram para a clínica novamente, Erza tinha que conseguir controla-la.
Estava tão submersa nos seus pensamentos que não viu que alguém extremamente alto se aproximava do outro lado do jardim, mas Gajeel a viu e parou por alguns instantes, ele havia terminado de limpar o ginásio, não podia participar das aulas de Educação Física ainda, ninguém conversava com ela na sala de aula e o tal Natsu, Erza e o resto dos seus amigos pareciam querer mata-lo queimado só com o olhar, tinha certeza que se o cara de cabelos azuis não controlasse a ruiva ela teria partido sua cabeça em dois pedaços.
Gajeel respirou fundo, uma boa forma de conseguir superar tudo aquilo seria pedindo desculpas a principal afetada por suas ações, a garota de cabelos azuis tão lindos que ultimamente tomava seus pensamentos, principalmente seus sonhos agitados adolescentes, não podia controlar os hormônios isso era um fato, mas acima de tudo isso ele queria protege-la.n
Se aproximou lentamente do banco sem fazer barulho, quando já estava tocando nos cabelos da garota ela virou-se assustada, conseguiu ver o medo nos olhos dela quando o encarou.
_V-você... – Levy gaguejou, tentou gritar, mas não conseguiu.
_Calma, eu não vou machucar você. – Gajeel percebeu o quanto ela estava tremendo – Só queria me desculpar pelo outro dia, eu... eu realmente não queria machucar você. É só que aqueles idiotas começaram a falar coisas que não deveriam! – ele passou a mão de leve pela nuca de Levy olhando-a nos olhos – Você é tão pequena e frágil, me desculpe.
Levy estremeceu quando sentiu aquelas mãos em sua nuca, se o moreno quisesse poderia levantá-la do chão com apenas uma de suas mãos, apesar de parecer tão grande suas mãos pareciam ser gentis, tentou afastar da cabeça que apesar da situação de perigo seu corpo gostou de ser tocado por Gajeel.
_Saia daqui ou eu vou gritar! – Levy tirou as mãos grandes que estavam em seus ombros – Por sua culpa eu quase não voltei para o colégio e teria que me separar dos meus amigos. Eu quase morri por sua culpa.
Gajeel tentou se aproximar e segurou os pulsos de Levy, alguma coisa naquela criatura tão pequena despertava o desejo dele, folgou um pouco o aperto quando a ouviu soltar um gemido.
_Você está me machucando!
_Levy! – Lucy vinha correndo na sua direção – Solta ela seu idiota!
_E-euu não estou- Gajeel não terminou de falar e estava no chão – O quê?!
_Laxus! – Levy e Lucy falaram em uníssono.
_Vermes como você não merecem estudar na Fairy Tail! Que tal brigar com alguém que tenha seu tamanho e não com garotinhas fracas? – Laxus puxou Gajeel pelo colarinho da camisa – Defenda-se seu inútil!
Gajeel olhou mais uma vez para Levy e sorriu, ‘Vai ser por ela’, ele pensou. Por Levy ele apanharia do irritante Laxus, se humilharia, ficaria no chão se fosse necessário, talvez assim pudesse em algum momento vê-la olhando-o de uma forma diferente, com amor e aí poderia sentir a pele dela em suas mãos, o cheiro de lavanda dos seus cabelos e principalmente qual gosto daqueles pequenos lábios rosados, tinha certeza que se encaixariam perfeitamente nos seus e aquele corpo tão pequeno também. Com esses pensamentos e ainda sorrindo deixou que Laxus o lançasse no chão e partisse para a briga.

Notas finais
E aí? Gostaram? *w* Vamos torcer para que fique tudo bem com Gajeel :(