The Fairy

1 Prólogo


Notas iniciais
Boa leitura ♥

Fechei meu armário e fingi ouvir uma Anna animada (lê-se louca que parecia ter tomado 7 litros de energético) por causa de um baile.

Uma droga de baile na verdade.

–Lex, com quem você vai?.-Ela me encarou com dúvida. Revirei os olhos, claro que eu não iria pra aquela droga porque 1) não tenho ninguém para convidar 2) não quero ficar de vela 3) se eu fosse seria só para comer 3) porque não.

–Não vou com ninguém porque prefiro ficar em casa me entupindo de doritos e lendo meu lindo livro que acabei de comprar.-Falei apontando pro enorme livro na minha mão. Ela arregalou os olhos como se eu fosse uma louca que acabou de sair do hospício e não tinha se recuperado.

–Cara, vai com o Alex. Ele ta super a fim de você.- Revirei os olhos.

AHAM.

Super a fim.

Se você soubesse o que ele pensa.

–Ele não vai me convidar.- Falei um pouco (muito) desapontada. Confesso que tive uma queda do tamanho de um burraco negro por ele. Tá que o cara deveria ganhar um troféu por ser um idiota mas quem resistiria a aquele tanquinho? EU. Agora eu, depois de ouvir um monte de coisas maliciosas falando sobre meu corpo na mente dele.

E como eu ouvi os pensamentos dele? não sei, mas não dou muito trabalho de querer saber. Tenho esse dom desde que me entendo por gente, mas devo ser um daqueles caras que passa na TV que consegue levantar um carro com um mamilo ou que consegue ficar na água congelando sem sentir frio.

Super estranho né? quem consegue ficar na água quase gelo sem sentir frio? meu Deus.

–Como você sabe?.-Anna me perguntou e dei de ombros.

–Intuição feminina.- Menti. Ela deu de ombros e quando avistou seu amigo me deu tchau e correu para abraçá-lo. Conhecia Ana tempo suficiente pra saber que ela estava gostando de verdade dele, mas infelizmente acabei um dia lendo a mente daquele cara e os pensamentos dele não era dos melhores mas o que eu poderia fazer?.

O resto da aula foi normal, mesma chatice de sempre. Os mesmos grupinhos e as mesmas coisas. Continuei rabiscando algum desenho idiota no meu caderno esperando as aulas acabarem e às vezes passava meu tempo lendo as mentes das pessoas.

EU SEI. Ficar invadindo a privacidade alheia é maldade.

Mas é legal se sentir próxima de pessoas que nem te conhecem.

Depois me despedi da Anna com um aceno e fui pra casa. A pé mesmo o caminho sendo bem longe, nunca aguentei aquele ônibus lotado com aquelas mentes barulhentas que mesmo com o fone eram impossível não ouvir.

Aposto que você quer que eu explique essa coisa de ler a mente dos outros.

Ok.

Esse negócio que eu tenho lendo é estranho e me enche bastante o saco, às vezes consigo controlar mas só às vezes mesmo. Por incrível que pareça meus pais não me levaram pra um psiquiatra, apenas acharam que era bobagem e coisa da minha cabeça.

Infelizmente não era. Com o tempo consegui diferenciar quando as pessoas falavam ou pensavam. O pensamento era como um sussuro, como se estivesse escrito, não sei explicar. E eu simplesmente parei de tocar no assunto, não discutia quando alguém falava uma coisa e pensava outra mas às vezes era impossível não rir ou fazer uma careta.

Confesso que um dia cheguei em casa irritada com esse negócio e fui procurar no google, resultado: tinha porra nenhuma lá. Então meio que aprendi a conviver com isso.

O caminho foi calmo, a casa estava silenciosa porque meu pai estava em uma viajem de trabanho e minha mãe provavelmente dormindo.

E o que eu faria? lógico que sair com minhas amigas abalando no shopping!!.

Mentira. Vou ficar em casa comendo doritos e lendo fanfic.

Porque é muito melhor.