The Fairy

2 A raposa falante


Notas iniciais
Não revisei gente, então mil desculpas qualquer erro ortográfico. Ainda estou me acostumando e tals. Espero que vocês gostem desse capítulo Boa leitura

Passei a pasta na escova e escovei meus dentes.

Será que sou a única pessoa que é louca por pasta de dente infantil? são tão melhores e com gosto de tutti frutti.

Ouvi Anna gritar irritada. Como a guria conseguia passar maquiagem, se arrumar, salvar o mundo e ficar pronta tão rápido?

Essa daí deve ser o the flash, só pode.

–To indo, mulher.-Respondi e joguei fora aquelas espumas da minha boca. Desci rapidamente e dei um abraço nela.

–Vamos logo que o James tá me esperando.-Ela me olhou com um sorriso safado na cara. Revirei os olhos.

–Seu amigo.-Falei dando ênfase no amigo e ela gargalhou.

–Nunca ouviu falar em amizade colorida?.-Anna piscou e me puxou para o carro onde o garoto segurava no volante com seus óculos escuros.

Entrei no carro e James nem me deu um bom dia. Grosso, mais um motivo na minha lista de ''100 motivos para odiar o amigo da Anna''. Os dois começaram uma conversa animada então resolvi ouvir música.

Para os curiosos amo Reggae.

Quando chegamos ela deu um beijo demorado nele pra caramba que quando comecei a contar deu uns 30 segundos.

Meu Deus.

–Ele não é um fofo, Lex?.-Anna soltou um sorriso bobo e tive vontade de contar a verdade pra ela.

Quase contei, quase mesmo. Mas era muita doideira pra hoje.

Sabe quando você sente que hoje não é o dia? pois é.

–Só não quero te ver magoada. Se um dia eu te ver com uma lágrima só por causa daquele cara prometo cortar a garganta dele.- Ela gargalhou então me olhou com uma cara de ''então se prepare pra nunca cortar a garganta dele''.

Ficamos um tempo conversando sobre assuntos nada a ver esperando o sinal bater quando um Noah passou com umas loiras peitudas. Eu não notei, Anna que olhou pra ele e começou a suspirar.

–E o seu amigo?.-Sorri e ela deu um sorriso.

Cara, A Anna só gosta de babaca.

–Ah, vai dizer que ele não é um gato?.-Tá é. Mas o cachorro dela é muito lindo e não fico suspirando por ele. Ok, parei de zuar. Noah tinha olhos azuis bem vivos, covinhas, cabelos pretos bagunçados, um ar de badboy misturado com ''to nem aí'', e um corpo que nem comento. Pedaço de mal caminho.

Mas com certeza se eu lesse os pensamentos dele só ia ter merda falando de garotas, festas e...

–Não consigo ler.-Falei em voz alta e Anna me olhou com uma cara de ''que?''. Forcei mais uma vez e nada. Dei uma risada, claro, a cabeça dele deve ter tanta merda que nem uma pessoa como eu consegue ler.-O que você não consegue ler, Lex?.

–Ãhn? ah, aquele livro que tinha umas palavras dificéis.-Ela revirou os olhos e me puxou para irmos pra sala de aula.

E de novo a mesma rotina.

Aula, desenho, pensamentos das pessoas, tchau, caminhada.

Quando cheguei em casa pude ouvir o barulho da TV ligada, até que enfim vou ter algum diálogo com a minha mãe.

–Oi mãe.-Sorri e guardei minha bolsa em um canto qualquer. Minha mãe estava com uma caixa de pizza e tomando refrigerante vendo Hora de Aventura. Seria engraçado se ela não tivesse sido demitida do emprego 5 meses e vivendo agora assim.

Não posso falar nada.

–Como você está?.-Falei pegando uma garrafa de refrigerante, sentei bem do lado dela e comecei a tomar na boca mesmo. Juro que não perguntei por perguntar, estava realmente preocupada.

–Bem.-Ela sorriu, mas seu pensamento falava outra coisa.-Claro que não, filha. Estou sem emprego. Parece que tem uma parte de mim faltando. Me sinto tão inútil.

Respirei fundo e levantei, me segurando pra não falar qualquer besteira.

–Vou lá em cima, então. Tchau.-Me despedi e fui até o meu quarto me jogando na cama.

Que dia.

–Nossa você demorou.-Ouvi uma voz e levantei da cama.-Pensei que fosse chegar amanhã.

Olhei ao redor e não enxerguei nada.

Será que além de leitora de pensamentos virei louca?.

–Olha pra baixo.

Então fiz o que a voz mandou.

Olhei uma raposa enorme. Não sabia que existia raposa assim no Brasil. Estranho, como ela entrou aqui?.

–Oi.-A raposa falou.

A raposa falou que bonitinh...

QUE.DIABO.É.ISSO

Dei um grito e ela esbugalhou os olhos, corri até o cobertor e me cobri dos pés a cabeça.

Eu sei, totalmente infantil. Mas todo mundo faria o mesmo, certeza.

Ai senhor, fiquei louca de vez. Vendo miragem?.

AH NÃO.

Senti patinhas sobre meu pé separadas apenas pelo fino cobertor.

MEU DEUS NÃO SABIA QUE VOCÊ TAMBÉM SENTE UMA MIRAGEM.

–Calma, vim aqui para te ajudar.-Ouvi a voz novamente me encolhi.

Já passa, Lex. É apenas uma miragem.

–Lex, calma. Vim aqui para te ajudar.-Ouvi a voz da raposa.- Sou um ser mágico.

Me descobri lentamente e fitei a raposa enorme.

Ser mágico?.

Levantei uma mão e toquei de leve seu pelo. É real.

Não sou tão inteligente para imaginar uma raposa assim.

Mas não é tão estranho já que consigo ler mentes, afinal.

–O que você é?.-Perguntei extremamente curiosa.-Uma raposa comum que não é.

–Sou uma raposa do mundo sobrenatural mandada para te proteger. De que? Não sei. Mas qualquer coisa vou estar aqui.

Arregalei os olhos quando ouvi a palavra sobrenatural.

–Tá de zuera, né? Não existe essa coisa de sobrenatural

–Existe muita coisa, Lex.

Pela Bella meu peixinho que morreu um ano atrás, é muita coisa pra digerir.

Coisa demais.

–Tudo bem?.-A raposa se aproximou mais de mim e não senti vontade de me afastar.

Se ele quisesse me matar ja teria feito.

–Sim.-Menti. Olhei novamente para ele e pude perceber o quanto era bonito. Seu pelo uma mistura de um laranja vivo com um pouco de branco e pelo que toquei era tão.. macio.

–Você é macho, né? Pela sua voz.- Ele balançou a cabeça e senti vontade de rir. Um animal balançando a cabeça, ai Deus.

–Qual é seu nome?-Perguntei tentando puxar assunto.

–Pode me dar um.-Sorri com a idéia de dar um nome para um animal.

–Plin plin.-Dei um sorriso enorme.-Isso Plin Plin. Que nome lindo.

–ÃHN?.- Ouvi o tom de indignação na voz de Plin Plin. -Não dá pra ser outro?.

–Ah não.-Falei fazendo bico e cruzando os braços.-Eu quero Plin Plin se não não vou deixar você ficar aqui em casa.

Ouvi um suspiro e sorri mentalmente.

–Ok.-Abraçei a raposa me livrando totalmente do medo e parecendo uma criança abraçando seu novo amiguinho.

O que não é muito diferente.

–Só não sei como vou te esconder, Plin Plin.-Falei triste medindo mentalmente o tamanho dele.-Você é muito grande, minha mãe vai perceber.

–Não vai não, só sou visível para humanos quando quero-Suspirei aliviada.

–Mas Plin Plin. Você falou que iria me ajudar, ajudar com o que?.

–Não sei. Mas tenho certeza que vamos descobrir.