The Face - Casta de Assassinos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
– Filho! Levanta dessa cama ou vai se atrasar!
Ouvindo os gritos de sua mãe, um jovem de 17 anos se levanta, pega seu smartphone e olha as horas.
– Ainda são 10 horas. Eu só levanto as 10:50. — começa a escrever em sua página do Facebook — Por que ela me acordou tão cedo?
No post estava escrito — "Odeio acordar cedo e minha mãe faz questão de me acordar 2 HORAS antes do meu horário. #quebostadevida"
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Algum tempo depois, o jovem sai de sua casa em direção a sua escola. Sem desviar o olhar de seu celular, a internet faz com que seu trajeto seja menos cansativo. Sua expressão é de satisfação ao receber curtidas em seu post anterior e respostas do tipo: -"Sei como é. Minha mãe tbm é um saco". Mas sua alegria se vai ao receber o comentário: -"Sua mãe é única e só fez isso pra ver o seu bem". A resposta instantânea foi: -"Qm te perguntou? Cuida da sua vida!". Sem ter mais respostas, ele continua seu caminho.
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– Muito bem alunos! Todos em seus lugares e quietos!
Aos passos em que o professor adentrou a sala, os alunos seguem suas ordens.
– Muito bem! Quero as pesquisas na minha mesa em 2 minutos enquanto faço a chamada.
Realizando a chamada e conferindo as pesquisas, o professor nota algo errado. Ele se levanta e fica diante do quadro negro.
– Pessoal. Notei que ninguém faltou hoje e isso é muito bom, mas uma pesquisa não foi entregue. Alguém quer me dizer algo?
Os alunos se entreolham sem saber do que se trata.
– Então muito bem. Farei do meu jeito. Julio?
– Sim? — responde o jovem.
– Quero falar com seus responsáveis amanhã às 15h.
– Ah. Que saco.
– Gostaria de compartilhar o que disse com o resto da turma?
– Não.
– Então muito bem. Bom, classe! — se vira e começa a escrever no quadro — Hoje estudaremos Diâmetro.
Enquanto o professor escreve no quadro negro, Júlio escreve em seu Face: -"#professordesgraçado esqueci d fazer a pesquisa e ele vai me ferrar. Ele bem q podia morrer amanhã".
O intervalo chega e Julio sente seu celular vibrar. Uma resposta em seu post dizia: -"Q isso Julio? Isso é coisa que se diga? O professor passou essa pesquisa faz um mês. Vc n fez pq é relaxado". Sua resposta foi: -"Fik queta! Vc é a q menos tem moral pra falar alguma coisa. Desde a quinta série vc puxa o saco desse professor e só ta defendendo ele agora pq ele t comeu no ultimo fds". Sem receber outra resposta, Julio segue com sua vida.
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O retorno de Júlio pra casa teve a presença de algumas crianças. A risada delas começou a irrita-lo tanto que, em uma oportunidade, ele pôs seu pé no caminho de uma das crianças, que de pronto foi ao chão. O choro começa junto com as risadas das outras crianças.
– Por que você fez isso?
– O que? — Júlio responde ao ser questionado por uma das crianças.
– Eu vi quando você colocou o pé pra ela cair.
– E quem vai acreditar em você? — abaixa na altura do pequeno e desfere um "peteleco" em sua testa — Pirralho.
Júlio se levanta e continua seu caminho deixando duas crianças chorando.
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Chegando em sua casa, um muro amarelo, um grande portão vermelho escrito "Costureira Irélia". Era uma casa grande e bem estilosa. Adentrando a residência, sua mãe logo é vista costurando algumas peças. Enquanto costurava, Julio a observava e seus olhos exibiam desgosto. Tendo seu quarto como destino, ele pega uma maçã na fruteira ao lado da porta e sobe a escada. Logo chega em seu quarto. Joga a mochila em um canto, tira os tênis, deixa a maçã ao lado de seu computador e se joga na cama. Pega seu smartphone e publica em seu Face: -"Causei a discórdia entre criancinhas! Sou terrível! KKKKKKKKKKK". Com um sorriso no rosto ele se levanta, liga seu computador e começa a navegar. Sua página do Face é padrão quando seu navegador é iniciado e vários posts logo são exibidos. Um deles chama a sua atenção: -"Tudo o que você fizer com os outros, voltará em dobro para você. Seja bom. Cultive um mundo melhor"
– Que merda é essa?
Respondendo com o comentário: -"Guarde suas opiniões pra vc msmo", Julio logo recebe uma chamada em seu Skype.
– Quem é você? — questiona enquanto pega o headphone e atende. — Alo?
– Você é o Julio?
– Quem quer saber?
– Eu publiquei o post que você acabou de responder.
– E pegou meu Skype no meu perfil. Tenho que mudar isso. E daí?
– Por que fez isso? Ou melhor. Por que você faz isso?
– Isso o que?
– Tenta deixar o mundo pior.
– Olha só. O mundo já é um lixo e-
– E o seu comportamento o deixará melhor?
– Por que eu estou falando contigo? Não te devo satisfação nenhuma do que eu faço ou deixo de fazer.
– Exatamente. Tudo o que você faz só diz respeito a você mesmo, mas não é assim que se deve seguir nesse mundo.
– Isso foi uma ameaça?
– Entenda como quiser.
– O que você pode fazer contra mim? Fazer um post me difamando?
– Há muitas coisas que se pode fazer na internet garoto.
– Quer saber. Cansei de falar com você. Adeus aberração.
– Desligue e será a ultima coisa que fará.
– Ui! Eu fui ameaçado pela internet. O que você vai fazer? Você está me vendo apenas pela internet. Eu sou invisível.
– Não posso fazer nada contra você pela internet, mas posso fazer uma visitinha na sua casa.
– Como é? Que blefe mais estúpido.
– Pode entender como um blefe, mas um grande portão vermelho escrito Costureira Irélia é bem fácil de achar.
Ao ouvir essas palavras, Julio se levanta e derruba sua cadeira.
– O que?
– Acho que agora eu chamei sua atenção.
– QUEM É VOCÊ? DESGRAÇADO! EU VOU MATAR VOCÊ!
– Me matar? O que você pode fazer contra mim? Eu estou na internet. Eu estou invisível. A única diferença entre nós é que eu sei onde você esta.
Uma gota de suor escorre pelo rosto de Julio que se sente pressionado.
– E eu falaria baixo se fosse você. Não quero que sua mãe acorde. Mas não acho que ela acordaria mesmo se você tentasse... e tentasse...
Julio abandona o headphone e corre em direção a porta, mas algo o assusta e o paraliza: algo faz a maçaneta da porta ser destruída.
– O que?
Julio, lentamente e com lágrimas nos olhos, ergue a cadeira, se senta e coloca novamente o headphone.
– Você até que é esperto.
– O que você quer de mim?
– Quero saber o que te motiva a ser um lixo para o mundo. Por que você contribui para que o mundo piore?
– Eu não-
– NÃO O QUE? Vai negar que não faz isso? Eu tenho te observado Julio. Não ouse mentir.
– Observado?
– Você ao menos pensa sobre o que faz? Sobre o que uma palavra sua pode causar?
– Do que está falando?
– Sua mãe viu o que você publicou a respeito dela.
– O que?
– Ela ficou muito triste e chorou bastante.
– Ela viu? — leva as mãos até a cabeça.
– A garota que você disse que transou com o professor. Ela nunca fez isso. Foi só uma mentira que inventaram sobre ela.
– Uma mentira?
– As crianças que você importunou. O que elas fizeram pra você?
– Eu-
– E tantas outras coisas. Por quê? Me diga seu pedaço de merda! POR QUE VOCÊ FAZ ISSO? ME DA UMA RAZÃO PRA EU NÃO TE MATAR!
– Eu não fiz por mal. (hic) Eu não farei outra vez. Eu não quero morrer.
– Não quer morrer, mas deseja que os outros morram. É bem presunçoso da sua parte.
Julio abandona sua cadeira, se ajoelha e coloca a cabeça sobre o teclado. O impacto fez com que a maçã caísse.
– Não me mata. Por favor.
– "Não me mata. Por favor". Isso é vergonhoso. Pegue essa maçã do chão. Não desperdice os esforços que sua mãe teve em alimentar um lixo como você.
Julio pega a maçã do chão enquanto várias lágrimas escorrem de seus olhos.
– Você nunca mais fará isso. Você não será mais um lixo para o mundo.
– Não. Não serei. Obriga-
– E eu me certificarei disso.
– O… q-
– Um a menos.
A ligação cai e a respiração de Julio para após aquele momento. Seu corpo logo vai ao chão pelo impacto de um tiro que perfurou seu crânio.
– Julio? Que barulho foi esse? Eu acabei de voltar do mercado e-
Ao abrir a porta do quarto, que estava apenas encostada, dona Irélia entra em pânico ao ver o sangue jogado nas paredes junto com os restos do cérebro de seu filho Julio.
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