The Fênix
9 Capítulo 9
Notas iniciais
The Fênix
Capítulo 9
Era simples estar com Nati. Depois de ver realmente o que fiz a ela, tentei ao máximo apagar a má impressão que causei.
Voltei para casa e minha mente rodava, coloquei a cabeça no travesseiro e fiquei ali, perdido no tempo até que alguém bateu em minha porta. Levantei apressadamente, assustado, olhei no relógio e já era uma hora da manhã.
Nem vesti uma camisa, apenas corri até a porta, pois alguém batendo àquela hora, só poderia ser algo urgente.
Abria porta e me espantei ao vê-la ali, seus cabelos estavam espalhados e os olhos, inchados.
— Nati.
— Tobias, eu... Eu... — Dava pra sentir o quanto estava apavorada.
— Calma. O que houve?
— Eu não conseguia dormir, aí comecei a ter pesadelos assim que fechava os olhos e eu só pensei em enfrentar meus medos... E então eu vim até aqui.
Olhei para ela por um longo tempo, até perceber o que estava havendo, eu era um medo dela, isso ficou bem claro na paisagem do medo dela, e ela veio enfrentar.
— Entre, vou pegar água.
Ela entrou e, virei em direção a cozinha, peguei um copo com agua, e voltei ate ela, encarei seu olhos e vi que estava corada, lembrei que estava sem camisa.
— Desculpe, eu vou me vestir.
— Não precisa se incomodar. Aliás, eu nem deveria ter vindo aqui.
Ela ia saindo quando fui em sua direção e segurei seu braço. Mesmo olhando em seus olhos, tão parecidos com os de Tris, eu sabia não ser a mesma pessoa — isso estava claro —, então eu não estaria substituindo ninguém. Eu enxergava em Natali uma pessoa que, de uma forma diferente, estava me conquistando.
Meus lábios sentiram necessidade dos dela, por isso cheguei mais perto, sem pensar, e a beijei. Ela não se esquivou, ficou imóvel apenas, e quando me afastei vi que sua falta de movimentos era por ela não saber o que fazer.
Coloquei meus lábios nos seus mais uma vez, agora deixando seus braços livres pra que ela me empurrasse se quisesse. Ela não saiu e suas mãos foram parar em minha nuca. Já fazia tempo que eu não sentia aquele arrepio pela espinha que me preencheu por ter mãos delicadas e femininas naquela região.
Minhas mãos seguraram sua cintura, deixando seu corpo mais próximo do meu e intensifiquei o beijo, cuidando para não ser agressivo.
Deixei que minha língua invadisse o espaço de sua boca e ela não relutou. Minhas mãos subiram por sua espinha e Natali continuava com seus dedos em minha nuca, eu a puxava cada vez mais pra perto de mim, como se quisesse fundir nossos corpos se isso fosse possível. Era um misto de sensações das quais eu estava me privando há tempos.
Não estava entendendo o que se passava comigo mesmo, meus sentimentos estavam abalados, mas estava gostando da sensação.
Não deixei Nati ir embora, sentei com ela no sofá de meu apartamento e decidi pegar alguns vídeos que estavam enfileirados na prateleira.
Nunca tinham parado para ver nenhum dos vídeos que a Amizade fazia, eles tinham grupos de teatro juntamente com a Franqueza, e isso deixava as pessoas felizes eles gravavam os vídeos, mas eu realmente não tinha parado para vê-los até agora.
— É engraçado—Nati falou com uma voz serena e suave.
— Sim é, eu não sabia disso ou já teria assistido esses vídeos em minhas noites de insônia
— É melhor que ficar injetando aqueles soros— ui chega a me dar arrepios
Rimos juntos do vídeo, nem sei o que a peça falava em si, mas eu estava me divertindo, ela deitou em meu peito e ficou ali, eu nem sei o que estávamos fazendo, sei que minhas mãos acariciavam seus cabelos, eu observei assim que ela adormeceu, não sei mais quanto tempo se passou até que eu pegasse no sono.
Eu nem acreditava que tinha dormido sem efeito de tranquilizantes, apesar da dor da posição, eu estava me sentindo revigorado.
Cheguei aquele dia no Edifício da Justiça sentindo-me mais leve.
— O que aconteceu? Acho que alguém está emanando felicidade.
— Christina, vamos ver o que temos para hoje. — Falei sorrindo, algo que até eu mesmo tinha ciência de ser raro.
O dia passou muito rápido e quando já estava em seu final, recebi uma carta de minha mãe, ela estava voltando logo de uma viagem que fez para conhecer outras cidades. Eu não conseguia imaginar como uma pessoa poderia viajar tanto! Bem, ela não gostava de ter raízes e isso facilitava.
Sai do Edifício da Justiça e fui direto até o Fosso. Como a maioria da segurança da cidade sempre se reunia lá para beber, eu busquei Natali em meio a todos, mas foi Zeke quem acabou me encontrando.
— E aí, Tobias? Estou vendo que anda frequentando mais nosso ambiente, está com saudades?
— Deve ser, mas é que gosto da animação.
— Sei... E essa animação tem nome, mas acho que sobrenome ainda não.
Levantei a sobrancelha para ele.
— Vamos, ela deve estar junto com os rapazes mais novos.
Me virei na direção em que Zeke caminhava e ele me estendeu um copo de algo que eu nem sabia o que era. Fiquei imaginado que idade Natali teria. Nunca perguntei e fiquei preocupado que isso fosse um problema.
Ela estava em meio os rapazes e isso novamente me incomodou um pouco. Coloquei a mão na nuca, tentando disfarçar meu constrangimento.
— Tobias.
Ela sorriu assim que me viu e Ray, que estava ao seu lado, deu espaço para ela passar, mas me encarou com um olhar muito amigável.
Ray era jovem, e olhando ao lado dela eu poderia dizer que tinham quase a mesma idade, o que já me incomodou mais ainda. Seus olhos eram claros e os cabelos eram pretos e desalinhados, uma pequena franja caía sobre olhos.
— Natali, como vai?
Ela me encarou com olhar de frustação, como se esperasse outra reação.
— Vou bem— ela se deteve e não veio mais próximo a mim, o que também me frustrou.
— Podemos conversar, tipo, a sós?
Foi o que me veio à mente, eu não estava confortável com esse clima.
— Nati, não esqueça, nós temos que fazer aquilo hoje — Ray disse e deu uma piscada para ela.
Assim que nos afastamos deles, perguntei:
— Quer uma bebida? — ofereci meu copo.
— Não obrigada. Tobias, eu fiz algo errado?
— Não, por que pergunta?
— É que... Olha, eu não convivo muito com as pessoas, mas ontem, sabe, o beijo...
— Natali, eu que peço desculpas por isso. Eu não sei como lidar com essa situação, você é mais nova e eu sei que Ray é da sua idade, acho..
— Espera! Do que você esta falando exatamente, Tobias?
— Bem... Eu te beijei e talvez você nem quisesse...
Ela caiu na gargalhada.
— E o que tem Ray a ver com o assunto?
— Sei lá! Quem sabe se essa coisa que vocês têm a fazer... Ele pode estar pensando em te beijar também.
— Primeiro: o beijo de ontem, não peça desculpas, pois eu amei, foi meu primeiro, mas...
Foi então que me toquei, ela viveu somente em um laboratório.
— Foi seu primeiro beijo e eu sou o bruto que você tem medo. Viu a situação?
— Eu não queria outro primeiro beijo, foi perfeito, e depois ficamos juntos lá... Olha, eu só não sei por que me tratou friamente agora.
— Pensei que você estava se divertindo com seus amigos e eu estava atrapalhando.
Realmente eu estava parecendo um jovem bobo, mas era realmente assim que eu me sentia perto dela.
— Não estava. Ray quer apostar uma subida no paredão, eu disse que consigo ir muito rápido e ele falou que pode me ganhar, então decidimos apostar.
Sorri para ela, eu realmente vi algo onde não tinha, pelo menos dela, porque dele já não garanto.
— Mas e sua idade...
— Nem vem, acho que essa coisa de idade é uma hipocrisia, é muito relativo.
Levantei a sobrancelha para ela.
— Com uma garota que viveu a vida em um laboratório pode saber tanto assim?
— Eu estudei muito e tenho tendências Eruditas também, sou esperta.
— Vamos lá, quero ver um garoto perder para uma garota agora, no paredão.
— Como sabe que vou ganhar?
— Tenho um palpite.
Fiquei perto da base do paredão, observando, ela tinha movimentos habilidosos e ágeis.
Ela subiu em um ritmo constante, era esperta e usava bem seus músculos, enquanto Ray estava aflito e subindo rápido. Ele estava a uma distância maior de Natali, mais perto de vencer, mas ela não se importou e se manteve com o mesmo ritmo do início, o que a ajudou, já que Ray começava a cansar.
Aos poucos ela foi se aproximando e acabou por ultrapassá-lo, aproveitando que ele escorregou três vezes. Não havia mais chance de ele alcançá-la.
Depois de chegar ao topo, ela desceu rápido e muitos vibravam. Eu sorri com um pouco de orgulho, a garota tinha vencido, a minha garota, se é que eu poderia chamar assim. Nem mesmo eu sabia, mas eu gostei de como soou em minha cabeça.
Assim que ela chegou perto de todos — eram muitas pessoas cumprimentando-a —, eu vi o sorriso em seus lábios; ela estava feliz e eu senti uma pontada de dor, eu quase retirei isso dela, quase a mandei embora.
Ela chegou perto de mim e me encarou.
— O que está pensando, Tobias?
— Que eu não mereço isso.
— Acho que merece.
Segurei em sua mão e saímos do meio do tumulto.
— Tem certeza que não quer comemorar mais?
— Não, eu já me senti bem de ganhar, tripudiar seria de mais.
— Bem, vamos, quero te mostrar um lugar.
Levei-a pelas ruas em reforma, segurando sua mão e sentindo o suor acumulando ali.
Tentei evitar comparações, mas meu relacionamento com Tris aconteceu em meio a situações tensas, sem a calmaria e estabilidade que tínhamos hoje na cidade. Quando estávamos prontos para aquele momento, ela se foi e eu não tinha ideia de como seria nossa relação em meio à calma de agora, passearmos assim normalmente nas ruas, sem estarmos com medo de nada, sem estarmos fugindo... Apenas nós dois, sozinhos, como eu e Natali estávamos.
Era inevitável comparar, no entanto, eu queria saber como seria para ter uma base.
Cheguei em frente às portas de ferro que cercavam o antigo parque onde antes usávamos para jogos de guerra.
— Venha.
Abri as portas e o parque estava quase reformado, ele seria um parque temático e histórico. Levei Natali até a roda gigante, ela não seria ativada, mas serviria de monumento. Ela parou em frente e observou.
— Vai ser um monumento a quem?
— Veja.
Eu afastei um plástico preto que cobria a recém-colocada placa.
"Este monumento é para lembrarem-se da Inteligência, Bravura e Abnegação de uma das pessoas responsáveis por termos nossa liberdade hoje, em agradecimento à Beatrice Prior, que morreu pela liberdade das pessoas dessa cidade”.
— É maravilhoso, ela foi importante na vida de muita gente.
— Sim, ela foi.
— E na sua também. Olha, Tobias, eu acho um erro sabe? Eu não sou ela...
— E quem disse que você é ela? Eu sei disso, todos sabem e todos te acolheram, pois sabem que é o certo a fazer.
— Mas eu me sinto uma sombra. E agora... Nós... Se é que existe um nós! Eu não posso; isso é a vida dela.
Eu me senti mal, eu queria mostrar-lhe algo, porém não imaginei que isso iria afetá-la desta forma.
Ela foi em direção à saída e eu fui seguindo a certa distância, para lhe dar espaço. Quando ela diminuiu seu passo eu continuei no meu até ela parar.
— Não te trouxe aqui para tentar fazer de você, a Tris. Eu te trouxe porque se você deixou tudo para trás para vir atrás dela, significa que a admira também.
— Sim, eu admiro, e fico frustrada em não conseguir ser ela.
— Não tente, quem gosta de você vê a Nati, não a Tris. Eu não vejo a Tris, eu só vejo a Nati, e é dessa que eu estou gostando.
— Repete.
— O que?
— A parte de estar gostando da Nati.
Ela sorriu e meus lábios chegaram aos dela. Naquele instante eu sabia distinguir e sabia exatamente o que eu estava sentindo.
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