Notas iniciais
Desculpem-me a demora... tive alguns probleminhas e a Sandy desistiu da escola e eu não tive mais contato com ela o que me fez pensar em desistir da história, mas resolvi continuar e termina-la. Será complicado e provavelmente esses intervalos longos de atualização das fics continuara. E principalmente pelo fato de minha aulas terem voltado e o tempo ficou ainda mais curto. Bem, tirando esses problemas espero que gostem e se divirtam com a história.

Olho-me naquela lateral espelhada. Vejo minha imagem refletida, parecia comigo e ao mesmo tempo não. Meu lado direito estava completamente tomado pela mulher, que no caso sou eu, mas má. E meu lado esquerdo sou apenas eu. Normal. O olho direito com a esclera negra e a íris vermelha. O esquerdo continua comum. Minha face estava dividida, de um lado pacífico e do outro sanguinário. Os cabelos que costumavam a ser coloridos e alternativos, agora se encontravam apenas de um lado. O lado direito estava completamente diferente, os cabelos estavam brancos, sem cor. Sem vida. Minha pele também estava mais clara e minhas roupas mais gastas. Havia manchas vermelhas espalhadas pelo meu corpo e em meu braço um tipo de selo, que parecia muito uma tatuagem.

Toco meu rosto, sinto minha pele macia e lisa do lado esquerdo. Arrasto meus dedos para o lado direito, sem saber bem o que esperar. Aqueles olhos sanguinários, frios, olhando para o reflexo no espelho. Meus dedos tocam a superfície da pele do lado direito. Vejo um sorriso malévolo se formar apenas do lado direito, sinto como se não o pudesse conter e nem controlar qualquer parte do meu corpo que fique deste lado. O lado direito adquiriu vida própria. Sinto a pele áspera e rígida. Algo de assustador há em tudo que diz respeito aquele lado.

Um estalo faz com que eu desperte como alguém que sai de um transe. Observo todas aquelas pessoas olhando para mim, assustadas e horrorizadas com o meu aspecto. Não as culpo. Até mesmo eu estou meu sentindo horrível e incomodada, assustada também. Olhando-as sinto algo estranho, meu estomago embrulha e minha cabeça dói. Sinto algo se manifestando dentro de mim, não tenta sair, mas sim, me controlar. Meu olho direito está ainda mais firme e poderoso, vê as coisas com mais intensidade. A fome por humanos aumenta e só me perturba. Sou jogado ao chão e lá me contorço numa tentativa de amenizar a dor e parar a agonia, mas nada funciona, sinto um calor conhecido invadir meu corpo e já sabendo o que aquele faria luto contra ele, tento detê-lo com todas as minhas forças para que meus poderes se mantenham guardados e não proporcionem mais desgraça e horror.

Sinto uma força extrema penetrar meu coração como uma agulha fina que logo se expande, ficando grossa abrindo um buraco nele. Meu braço brilha intensamente, um brilho extraordinário. Somos obrigados a fechar os olhos devido à luz o selo é ativado e desliza de meu braço para o chão. Novamente uma luz forte cobre o selo e é seguida por uma fumaça densa que se espalha por toda a praça.

Meu corpo ferve como se estivesse em chamas. Sinto-me ficando mais poderosa como se pudesse destruir tudo e todos. Tento me manter calma e contê-lo, mas sinto que não tenho força suficiente para tal.

Eis que então algo muda. Lembranças de minha vida até hoje surgem em minha mente. Sinto que tenho forças para destruir um caminhão sem usar esses tais poderes. Explodo com um grito agudo e alto. Todos em minha volta param para olhar-me e noto que estou tomando toda a atenção para mim.

Paro de gritar para olhar as pessoas que me rodeiam, seus olhares confusos e assustados afixados em mim.

Uma garota com, mais ou menos dezesseis anos, se aproxima de mim. A garota se ajoelha no chão em minha frente, ela estende a mão para mim. Seu olhar é diferente, um olhar simpático seguido por um sorriso modesto.

Eu olho dentro de seus olhos, vejo neles algo além do que já tinha visto. Como se neles existisse uma galáxia, linda. Um brilho forte como o do sol vinha de dentro deles, mas por algum motivo eu conseguia ficar olhando-o, era de fato muito interessante, tanto que mesmo que eu não pudesse aguentar olhar para aquele brilho sem estreitar os olhos ou fecha-los eu o faria.

Depois de um tempo observando-a resolvo aceitar seu gesto educado. – Venha, eu a ajudo. — diz ela com um sorriso sem dentes e fechando os olhos deixando uma expressão simpática, porém vergonhosa.

Em resposta estendo a minha mão e a agradeço. Ela me puxa enquanto faço força para levantar. Bato em minha roupa para tirar o pó que nela estava devido ao chão que estava empoeirado e acabei me deitando nele. Ela sorri para mim e continua me olhando, eu a estranho, afinal, minha aparência não era nada amigável assustava a maioria das pessoas, mas ela simplesmente ignorava isso e tentara me ajudar.

– Porque me ajudou? Pergunto a ela

– Como por quê? Você não faria o mesmo? Ela responde, perguntando.

– Oh! Sim, claro. Mas é que... Bem, minha aparência está...

–Não importa! É-É que... Bem, você estava ali, caída e todos a rodeavam e nem mesmo uma, parou para ajuda-la. Isso é horrível, eu não podia ficar parada olhando.

– Hm... Entendo. Você é uma pessoa muito boa. Já deve ter sofrido por isso, não?!

– Ah! Porque está me perguntando isso?

– Ah, por nada... É que... — um flashback do momento em que eu a olhei no olho vem em minha mente. – Não. Por nada... Esqueça. – Mas, diga-me você já sentiu algo estranho ou viu algo que os “outros” não podem?

– Hm... Eu acho que não. Bem, de vez em quando eu sinto algo estranho, como se eu pudesse sentir pessoas se aproximando. Certa vez eu estava indo para a estação de metro, aqui perto, e senti como se uma pessoa se aproximava. Eu olhei em direção a avenida de onde esse tal “sinal”, estava vindo. Então, deste surge uma mulher. Uma mulher bonita. Cabelos longos e louros, olhos azuis e uma pele branca como neve. Sentia como se o “sinal” aumentasse a cada passo que ela dava, nossos olhares se cruzaram como se ela também tivesse me sentido e mesmo com tudo isso ela passou por mim sem hesitar ou questionar-me. Eu fiquei parada olhando-a passar e a segui com os olhos até que ela sumisse pela escada rolante da estação. Desde aquele dia, eu sei que não sou apenas eu que sinto isso, mesmo ela passando por mim eu pude ver em seus olhos que ela também havia me percebido, ela não olhou para mim, ela olhou em meus olhos como se sentisse exatamente o que eu estava sentindo, mas para ela pareceu normal, ela simplesmente se foi e eu jamais a vi.

– Hm... Interessante. Bem interessante. Eu senti algo diferente em você antes mesmo de tocar em sua mão, e depois de toca-la pude sentir algo ainda mais forte. Exatamente como disse um “sinal”. E ao olha-la olho-a-olho pude enxergar além de sua íris e pupila, eu vi em seus olhos uma galáxia. Jamais passei por tal experiência, mas acredito em sua história tanto como acredito que estejamos no mesmo barco, ainda não compreendo bem tudo isso, mas acho que você pode ter o que chamam de... Eye Of Blood.

– Olho de Sangue...

– Exato! As pessoas que contém este olho possuem poderes, não só o comum que é poder ver as auras das pessoas, mas fora este a pessoa possui algo como contos de fadas. Mas acho que você é diferente e que mais pessoas são como você. Ao invés de ver as auras das pessoas, você as sente. E isso é bom, talvez possa ver as auras e ter ainda outros poderes, eu gostaria que você viesse comigo.

– Oh! Bem, é que isso tudo é novo para mim eu nunca pensei nada sobre isso, na verdade nunca me passou pela cabeça. Acho que eu precisaria pensar primeiro.

– Hm... Tudo bem, comigo foi da mesma forma... Deixarei que pense em tudo, mas saiba que existem pessoas más e elas iram atrás de você. Ainda não sei muito bem, mas já passei por muita coisa e só soube de tudo isso á pouco tempo. Então quero que tenha cuidado e confie somente em mim. – Peço um papel e caneta para ela. Ela me entrega. Anoto meu numero no papel e rasgo ao meio entregando-a meu numero, em seguida peço que ela me passe o dela que obedece e anota na outra metade do papel.

– Ah! Meu nome é Yoko, prazer.

– Oh! Desculpe. O meu é Sandy, mas acho melhor usarmos um nome falso, pode ser que um deles possua o poder de ilusão e possa usar contra nós.

– Hm... Bem, okay!

– o seu será Ren, e o meu Seiji, nomes masculinos, assim será mais difícil de descobrirem.

– Okay! Perfeito.

– Tenho que ir... Até mais.

– Até.

A gente se despede e seguimos nossos cursos. Ela caminha em direção ao ponto de ônibus, já eu, corro contornando a rua. Vejo todos ali caminhando e tudo fica em câmera lenta. Sinto que posso correr ainda mais rápido do que antes. Não perco tempo pensando, resolvo testar e corro até minha casa. Em dois minutos eu já havia chego, e estava longe de minha casa.

O cansaço me faz deitar em minha cama, não consegui evitar, o sono fez meus olhos se fecharem e sem perceber eu já havia dormido.

Notas finais
Obrigado por lerem e desculpem-me mais uma vez. tentarei atualiza-las com intervalos menores. :3