No outro dia tenho uma manhã normal, sem problema algum. Saio para comprar pão para o café da manhã, lá encontrei um velho amigo, Eduardo. Conversamos por um tempo enquanto pegávamos o pão. Depois de pagarmos ele me oferece uma carona, minha casa não está tão longe da padaria, porém eu ainda caminharia pelo menos uns três quarteirões para alcança-la, então aceito. No carro conversamos mais, ele sabia do que havia acontecido com Victor, ele torcia muito por nós e foi um “conselheiro amoroso” na verdade posso dizer que ele nos juntou... Ele vivia dizendo para eu falar com ele, e passamos a conversas, claro que quem deu a primeira palavra foi o Victor. Depois de um tempo confesso ter partido o interesse nele, mas Eduardo sempre me foçava a falar com ele. Chegou a ser irritante, mas depois de um tempo eu não ligava mais. Não conversávamos tanto quando ele começou a buscar novas pessoas, mas foi nesta época que eu me toquei de tudo. Eu estava apaixonada por ele, só de pensar que ele poderia estar com uma pessoa que não fosse eu já me irritava. Ouvi piadas de algumas pessoas, diziam que eu estava o perdendo e que eu era tola por isso. Por ele ser um uma pessoa legal e um cara bonito. É paquerado por muitas... E muitos, digamos que ele é o tipo de muita gente. Bonito e tem estilo. Também conhecido como “Alargs”. Eduardo mesmo o apelidou.

Depois de um tempo com esse apelido, não muito tempo, ele já havia perdido sua própria identidade, seu nome agora era Alargs. Minha agonia por vê-lo com outras só aumentava. Ele trocava de garota a cada semana, cheguei a pensar que estava fazendo de proposito, só para me irritar, mas não era isso. Ele estava se formando naquele ano e provavelmente ele iria pegar quantas garotas conseguisse, estava feliz por não fazer parte de sua listinha, mas também estava ciente de ele era desejado por muitas e que esses e essas poderiam até ter uma chance com ele. Mas no fim, ele ficou comigo. Chegou a namorar uma garota por um tempo, mas a deixou para ficar comigo.

Depois de um tempo conversando com Eduardo chegamos a minha casa. Ele para o carro em frente minha porta e eu o convido para entrar, mas ele se desculpa e diz que ficara para uma próxima, pois hoje ele estava com pressa.

Ele se despede e volta para o carro e então parte para seu caminho. Eu entro e vou direto para a cozinha. Sento-me a mesa e então me lembro da Yoko, ela poderia estar precisando de algo. Como a as pressas, me arrumo e saio de casa. Tento me lembrar do nome falso que íamos usar, enquanto caminho e tento localiza-la. Achei! Ela está no mercado perto de onde estou, sinto a sua presença, porem ainda não me lembro dos nomes falsos. Minha percepção me alerta que existem outros como eu por perto. Paro e tento sentir onde está a tal pessoa que é como eu. Meus olhos se estreitam para tentar ver alguma aura negativa ou forte demais, porém não consigo encontrar. Decido achar Yoko o mais rápido possível e sair daqui antes que nos alcance. Talvez seja um Tenshi, mas não sei se os Tenshi são os “bonzinhos” e se for Shinigamis talvez tentem nos matar ou sei lá. Corro na direção da porta de entrada do mercado e esbarro com força em alguém. Caímos. Levanto-me rapidamente, porem tonta, novamente caio devido à tontura que sentia por causa do impacto. Vejo imagens embaças e então percebo que esbarrei em Yoko e essa sacudida me fez lembrar os nomes falsos que criei para nós, eu seria Ren e ela Sheiji.

– Sheiji, Sheiji. – engasgo seu nome falso procurando faze-la ouvir.

– Hã?... Ah! Sim entendi. – sua expressão de duvida é trocada pela de entendimento. – Ren, o que faz aqui?

– Temos que ir agora. Levante e venha comigo há mais um de nós aqui.

– O que? Explique-me isso-

– Não há tempo para isso. – eu a interrompo.

Levantamos e saímos do mercado correndo, nos dirigimos até o lado contrario por aonde ele vem. Ela o sente também. – Eu posso senti-lo. – ela diz perplexa.

Chegamos ao outro lado e então sua chegada é anunciada por ela. – Ele chegou. – diz Yoko. Olho para o outro lado da rua e o vejo, um homem, não posso julgar pela aparência, mas diria que ele é um Shinigami.

Ele olha diretamente para nós, porém sua expressão é de surpresa como se ele ainda não nos tivesse detectado. Ele corre em nossa direção o que nos deixa surpresas e assustadas. Corremos para fugir dele. Ele nos segue freneticamente sem parar um segundo. – Corre Sheiji, corre. Tentamos continuar, mas o cansaço não nos deixa prosseguir, ela é a primeira a cansar tento incentiva-la, mas ela não aguenta mais, seu corpo pesa e seus pulmões estão vazios. Ela luta para andar e tentar fugir, mas cai e me puxa junto com ela.

– O que vocês querem? Ele diz.

– Como o que queremos? Você nos perseguiu e agora pergunta o que queremos? Quem é você e, o que VOCÊ quer?

– Eu sou Breno. Eu não quero nada... Bem, vocês não são Shinigamis ou Tenshi?

– Não! Diz Yoko de imediato.

– Bem... Er...

– Você é? — Ele dá dois passos para trás hesitando. Ele se prepara para me atacar.

– Não. Eu não sei... Não! Eu não sou. Eu não aceitei o convite de nenhum deles e vivo por mim mesma. Mas, porque a pergunta?

– Porque eu não os aceitei também e tenho medo que me cacem como um animal, e acabem... Matando-me.

Levantamos depois de alguns minutos que sentamos no chão devido à corrida. Sinto mais um se aproximar, penso estar me antecipando caso eu alerte os dois, ele podiam senti-lo talvez e ele fosse igual a nós, somente um vivente.

Voltamos andando para o mercado e a cada passo que dávamos e podia sentia a outra pessoa se aproximar, lentamente dentre as ruas cercadas por prédios enormes. Lojas e pessoas não me deixavam vê-lo.

– Gente... – Eu os faço parar. – Eu sinto mais um por perto, eu já estou sentindo-o há algum tempo, porém decidi não dizer nada porque poderia eu estar me antecipando, afinal vocês também tem essa percepção e ele poderia ser apenas um vivente como nós fugindo dos clãs que tanto brigam.

– E porque está nos dizendo isso agora?

– Porque eu creio que este não seja apenas um vivente, acredito que ele está nos seguindo e se isso for verdade, então é bem provável que ele seja de algum clã.

– Entendo. Temos que correr então. – Diz Breno.

– Sim, temos. – Diz Yoko se preparando.

– Não!

– O que? – diz Yoko.

– O que? – Diz Breno.

– Não iremos conseguir correr dele. Se ele for de algum clã tenho certeza de que foi treinado e não nos deixara fugir. Ele correra atrás de nós e nos matara.

– Temos que tentar. Ficar parado aqui não é uma opção formidável. – Diz Breno entrando em desespero.

– Eu lutarei! – Digo com Firmeza.

– Não, Sandy... Oh! – Ela tampa sua boca. – Digo... Ren. – Posso ouvir ela se desculpar entre os dentes. De seus olhos escorrem lagrimas que deslizam até tocar o chão.

– Não tem problema... Pode me chamar pelo meu nome, só não se esqueça do seu e fique segura. – Digo enquanto pisco amigavelmente com apenas um olho. – Leve-a, Breno.

Ele entende e a pega no colo carregando-a forçadamente para longe. Fico aguardando a chegada daquele que poderia ser um assassino de algum dos clãs. Ele passa por mim. Arregalo meus olhos e meu corpo fica paralisado. Sinto meu suor frio escorrer em minha testa e encharcar minhas mãos que estavam fechadas. – Ei! – Grito chamando sua atenção. – Você ai, vire-se e enfrente-me. Deixe que partam, eles não tem nada a ver.

– Nada a ver? Eles também possuem os olhos e pelo o que sei não são de clã nenhum, mas não estou buscando você ou aquele repugnante homem e, sim, a garota.

– Jamais deixarei que você toque em um fio de cabelo dela.

– isso é o que veremos!

Ele rapidamente salta para cima de um prédio e vai pulando de prédio em prédio em busca de Yoko. Eu o sigo, mas pela rua. – Corra Breno, corra! Salve-a.

De cima do prédio ele continua a correr e saltar. Ele percebe que tento avisa-los e atira uma lamina em minha direção. Desvio de algumas, porém uma me acerta. Continuo a correr, mas sinto a dor da lamina que espetava meu braço. Sinto meu coração bater forte e meu peito dói muito. Meu corpo inteiro fica quente e caio no chão. Ele continua a correr saltando pelos prédios atrás de Yoko. Meus olhos se fecham e não vejo mais nada. Percebo então que passei um dia inteiro sem ouvir qual quer duvidas quanto a minha aparência o que me leva a pensar que eu não estava com aquela horrenda aparência que havia me acompanhado até minha cama na noite seguinte. Meu corpo fica quente e posso sentir toda aquela força retornar, porém penso que aquela aparência horrorosa estava presente comigo novamente.

Desperto. Ergo-me do chão, minha visão embaçada não me deixa ver claramente o que está a minha frente. Cambaleio até ficar firme de pé. Minha visão retorna aos poucos, e então sigo até onde um se junta um aglomerado de pessoas olhando para algo no chão.

Minha visão volta totalmente ao normal. Estabilizo-me de pé e corro até as pessoas. Empurro algumas abrindo espaço para minha passagem até chegar ao foco de todo aquele alvoroço.