The Eye of Blood
12 Reencontro
É Yoko... No chão, jogada. De bruços. Sua cabeça sangra muito, e não há nenhum sinal de vida. Eu não a sentia.
Lagrimas escorrem de meus olhos até onde posso senti-las. Uma raiva se instala corroendo tudo o que há dentro de mim.
Viro levemente minha cabeça para a esquerda. Horrível. É Breno... Encostado na parede, sua jugular ainda esguicha jatos de sangue. Nenhum sinal daquele monstro.
Caio de joelhos ao lado de Yoko, não consigo controlar minhas lagrimas. Elas escorrem sem parar. A raiva apenas aumenta. O céu escurece. Chuva talvez. Nuvens densas se formam bem carregadas aparentemente.
Pessoas ao redor dissipam-se ao som de murmúrios sobre o ocorrido e a minha horrível aparência.
Sinto o calor de antes retornar. Um grunhido escapa de minha boca antes que eu pudesse impedi-lo. Como se tudo que eu tivesse prendido na minha vida inteira agora se libertasse. Chamas queimam por toda parte. O selo que eu havia feito uma vez, este cancelado, se refizera. Desta vez com sucesso. Invocara algo que eu não sabia bem o que era, mas era forte e poderoso. Eu não consegui me controlar. Todo o meu corpo fervia. A fome me deixava louca, a sede por sangue me enjoava. Aqueles dois corpos no chão eram a única saída. Sentia a dor de estar pensando naquilo, afinal, poderia dizer que ambos eram meus amigos. Talvez não a um grande tempo, mas foram próximos suficientes para sentir remorso por apenas pensar na possibilidade de devora-los... Ou talvez sentisse isso por qualquer humano.
Ela não sabia, mas tinha de fazer. Meu corpo e espirito exigiam, se é que tinha um espirito. Algo dentro dela tentava se libertar... Por incrível que pudesse parecer, apesar de toda aquela dor e todo o momento que teve, ainda havia algo dentro de si que estava preso e precisava sair urgente. Não tinha forças para conter qual quer que fosse a coisa que estava dentro dela. Sem comer ela era fraca. E nem queria se conter... Depois de tanta luta talvez tudo isso pudesse acabar. E agora era a melhor hora de testar se isso funcionaria, não tinha mais nada a perder e estava cansada de correr, fugir, duvidar, acreditar... De tentar viver. Cada dia um pior que o outro. Chega. A hora era agora... Ela iria se deixar tomar pelo poder.
Redemoinhos de fogo se formam a sua volta. Poder, muito poder. Os ventos são mudados. Uma ventania muito forte se choca contra todos em volta. Derrubando as pessoas e os postes, os carros tremem e deslizando os pneus são arrastados para longe. As chamas continuam de espalhando e queimando tudo. Muitos gritos de medo e horror. Os redemoinhos ganham mais força e ficam gigantescos. Expandem-se e tomam seu rumo... Cada um para um lado. Destroem todo o bairro e possivelmente destruirão a cidade inteira em poucos minutos.
Ela ergue a cabeça para ver o que esta acontecendo... Talvez quisesse de fato ver tudo, em nome da curiosidade, mas sentia que a resposta seria mais como uma lança atravessando seu coração e a matando instantaneamente. E foi. Pessoas mortas e muito sangue. Destruição sem limites e muito ainda por vir, algo que ela não queria, mas só havia causado aquilo até o instante. Encolhe-se buscando desistir de tudo e contrair todo seu poder para não ferir mais ninguém, mas já fora muito além do que ela mesma podia aguentar.
Enquanto chorava e lamentava tudo o que acontecia, ele a observava. La de cima, parado. Planando no ar.
Ela não o havia sentido. Estava tão nervosa que seus sentidos estavam perdidos. Ao contrario de sua força que só aumentava e se expandia... Muito além do que podia imaginar. Um simples carinho poderia ser comparado a dez toneladas de algo sobre uma pequena formiga.
Ele sentia a dor dela, mas sabia o que devia fazer. Toda sua missão fora restaurada e ele devia cumprir... Não devia seguir seus sentimentos. Seu coração não queria aquilo, mas depois de tudo o que viveram era o melhor a se fazer.
Fazendo aquilo, talvez um dia, alguém especial assim como ela viria. Era difícil pensar assim, mas necessário para seu consciente aceitar a missão ancestral que lhe tinha sido concebida muito antes de seu nascimento... Estava marcado.
Ela não sabia e era melhor não saber... A luta era necessária para que tudo se esclarecesse. O que mais doía em seu peito era saber que iria feri-la e então mata-la... E que se não conseguisse fazer, mais cem mil anos se passariam até acharem um novo santuário que pudessem viver.
Uma dor se embrenhava entre seu cérebro... Levantou-se e então olhou para o céu e o viu. Seus olhos se arregalaram e ela estava mais que surpresa. Estava incrédula. Não poderia ser diferente. Não esperava vê-lo ali... Como seria possível? E como não seria? E por que não seria?
Seu estomago se contrai. Sua cabeça brutalmente é impulsionada para baixo e um esguicho de sangue explode de sua boca. Em seguida uma tosse sangrenta. Ela volta o olhar para cima sem acreditar ainda no que vê. Imagens do dia em que tudo se perdeu regressam a sua mente e lagrimas deslizam pelo seu rosto até chegarem ao chão.
Ele desce, seus pés tocam o chão. Ele a encara. Seus olhos pulsantes tentam acompanhar os dela, mas é impossível. Ela arde em ira e sua cabeça está confusa. Uma confusão que é convertida em raiva. Ela não consegue formular nenhuma palavra, chegou a pensar que tivesse perdido suas cordas vocais... Ou sua língua, mas sabia que estavam lá assim que sentiu o ar chegar a seus pulmões, após um forte inspirar.
As roupas dele estavam limpas e novas. Diferente das da ultima vez que o vira.
Ele se mantinha calado, parecia esperar alguma reação de Sandy, dá um passo à frente... Os olhares se cruzam e se avaliam mais uma vez. Ele nota as roupas em trapos da garota. Enquanto ela continua confusa sobre tudo que estava acontecendo. Raios se chocam contra o solo atrás deles. Uma fina garoa passa a cair. E ele finalmente diz: – Desculpe a demora, Sandy.
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