The Evil Within
40 O Preço do Resgate
Notas iniciais

Victor encarava Jimin com um sorriso torto, carregado de perversidade.
— Enquanto eu não consigo o que quero... — disse ele, mordendo os lábios e observando Jimin dos pés à cabeça — posso muito bem me divertir com você, meu querido Park Jimin. Você está ainda mais bonito. Aposto que aquele seu policialzinho andou cuidando bem de você. Mas... — Victor estreitou os olhos, se aproximando — duvido que ele te faça feliz como eu fazia. Duvido que você nunca tenha sentido minha falta.
Jimin deu um passo para trás, os olhos em chamas.
— NÃO ENCOSTA EM MIM, SEU DOENTE! — gritou, a voz firme, mesmo com o coração acelerado. Ele fazia força para respirar direito, tentando manter o tom controlado. Não queria parecer frágil diante do homem que o fez sofrer tanto — Eu não sou seu. Não sou de ninguém. Eu sou meu — continuou com firmeza. — Se você encostar um dedo em mim... vai se arrepender.
Victor soltou uma risada baixa, carregada de crueldade, e continuou se aproximando, devagar, como um predador que sabia exatamente o quanto amedrontava a presa.
Jimin recuou instintivamente, o corpo ainda reagia com medo, mesmo que a mente estivesse decidida a resistir. Victor notou. E era isso que ele queria: explorar a sombra daquele antigo medo, achando que ainda tinha algum tipo de poder sobre ele.
Jimin recuou até ser pressionado contra a parede. Victor se aproximou ainda mais, encostando a mão em seu queixo com um toque suave e repulsivo. Jimin virou o rosto na hora, num impulso. Só de sentir aquele homem tão perto, seu estômago se revirou. Quase vomitou. Não era só medo. Era nojo.
O único toque que desejava era o de Jungkook. Só ele. Só Jungkook podia tocá-lo daquele jeito, fazer carinho em sua pele, fazê-lo se sentir amado. Victor, por outro lado, fazia tudo dentro de Jimin gritar por socorro.
— Que bobagem... — Victor sussurrou. — Não lute contra isso. A gente pode relembrar os velhos tempos — Ele lambeu o pescoço de Jimin, que se debateu com todas as forças.
— ME SOLTA! — gritou, a voz embargada de raiva, enquanto Victor tentava beijá-lo à força.
Era estranho, para Victor, vê-lo resistir. Jimin sempre foi submisso e obediente. Mas agora não. Agora ele lutava, o que só acendia ainda mais o desejo de dominação doentia em Victor.
— Você gostava tanto das minhas carícias... o que aconteceu com você, pequeno Jimin?
— Eu NUNCA gostei de nada! — cuspiu as palavras. — Me solta! Você me dá nojo!
Victor parou. O sorriso sumiu. E então ele o encarou.
— Te garanto que posso te satisfazer muito mais do que aquele seu policialzinho de merda.
— NÃO FALA DO KOOKIE! — Jimin gritou, tentando empurrá-lo, mas Victor foi mais rápido. Agarrou seus braços com força e o jogou no chão.
Victor o imobilizou com o próprio peso, prensando Jimin contra o chão gelado, tentando beijá-lo à força. Jimin se debatia, chutava, gritava por socorro com toda a força que tinha, esperando que alguém o ouvisse.
Foi então que, num movimento rápido e desesperado, ele conseguiu soltar um dos braços. Enfiou a mão por dentro da manga e puxou o caco de vidro pontudo que havia escondido. E sem pensar duas vezes, cravou com toda a força onde conseguiu. O vidro afundou na carne de Victor, e o sangue quente escorreu pelas mãos de Jimin.
Victor gritou de dor, cambaleando para trás sem entender o que havia acontecido. Levou a mão às costelas, onde o sangue jorrava sem parar. Olhou para Jimin, perplexo, nunca imaginou que o veria daquela forma.
Sem perder tempo, Jimin se levantou e partiu pra cima dele, mas Victor, mesmo ferido, correu mancando para fora do quarto e trancou a porta atrás de si, gritando e xingando feito um louco.
As paredes do corredor ficaram manchadas com as marcas de suas mãos ensanguentadas. Um de seus assistentes apareceu correndo, apavorado, e o amparou. Logo acionou os médicos de confiança, enquanto Victor mal conseguia se manter em pé.
...
Dois dias se passaram. Jimin ainda estava trancado naquele quarto, tentando se manter firme, mesmo com o cansaço e a angústia apertando seu peito. O que o mantinha de pé era pensar em Jungkook e nos seus amigos. Só de lembrar dos sorrisos, das vozes, das mãos que um dia o acolheram, já sentia um pouco de força voltando.
Desde o dia em que feriu Victor, ele não voltou mais. O único que aparecia era o assistente, sempre calado, apenas para deixar a comida em cima da mesinha e sair sem dizer uma palavra.
— O que aconteceu com ele? — Jimin perguntava toda vez. — O que ele quer? Por que ainda estou aqui?
Mas o homem nunca respondia. Nem uma troca de olhar, nem uma reação. Era como se estivesse cumprindo ordens cegamente. E isso só aumentava a ansiedade de Jimin. Ele precisava saber, precisava entender. Mas tudo o que tinha era o silêncio e o peso das horas passando devagar.
...
Jungkook não comia, não dormia, não conseguia sequer pensar em outra coisa. Estava esgotado, uma pilha de nervos à beira do colapso. Jin levou as meninas para cuidar delas por um tempo, Jungkook não tinha condições de ser responsável por ninguém, nem por si mesmo.
Namjoon não saiu de perto dele um segundo. Seus agentes estavam espalhados por toda a cidade, vasculhando cada canto em busca de Jimin.
Foi então que o telefone tocou. Um número desconhecido apareceu na tela.
Era Victor.
Namjoon rapidamente pegou o celular das mãos de Jungkook. Fez um sinal firme com os olhos, pedindo que ele mantivesse a calma. Naquele momento, perder o controle era tudo o que não podiam fazer. Jungkook assentiu, tentando controlar a respiração trêmula.
Namjoon atendeu.
— O que você quer dessa vez, Victor?
A voz do outro lado veio carregada de ironia.
— Namjoon! Quanto tempo… Que prazer ouvir sua voz de novo.
Na mesma hora, Namjoon sinalizou para um de seus agentes iniciar o rastreamento da ligação. O jogo havia começado, e dessa vez, ninguém sairia impune.
— Sabemos que está com o Jimin. Vá direto ao ponto e diga o que quer.
— Por que a pressa, senhor Namjoon? Antigamente a gente costumava se divertir tanto... — Victor riu, cínico.
— Não existe mais esse “antigamente”. Você sabe que, mais cedo ou mais tarde, vai cometer um erro. E quando isso acontecer, eu vou te prender.
— Pobre delegado Namjoon... lamento te informar, mas você nunca vai conseguir me prender. Nunca!
— E por que tem tanta certeza? — Namjoon mantinha a voz firme, mas estava focado em manter Victor falando enquanto a equipe rastreava a ligação.
— Porque eu sou um homem que conhece o próprio destino.
— Ninguém controla o destino, Victor. Nem você.
Victor soltou uma risadinha debochada.
— Eu controlo. Consigo tudo o que quero. Tudo tem um preço... basta saber qual é.
— Algumas coisas o dinheiro não compra. Amor é uma delas.
— Ai, Namjoon... que adorável essa sua inocência. O dinheiro compra tudo. Tudo. Inclusive o amor.
— Já conseguiu comprar o amor de alguém, então?
Houve uma pausa. Um silêncio breve, carregado. Victor deu uma risada curta.
— Você está tentando ganhar tempo, não está? Pra rastrear minha localização. Pois ótimo! Quero que saiba exatamente onde estou.
— Então fala logo o que você quer, Victor.
Um dos policiais fez sinal com a cabeça. Eles tinham a localização. Namjoon manteve a postura, mas por dentro o coração acelerou.
— O que eu quero? Eu quero... Min Yoongi — Victor deixou o silêncio pairar antes de continuar — Eu libero o Jimin e os outros reféns se me entregarem o meu Yoongi. Uma troca justa, não acha?
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