The Engagement
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— há vezes em que nós somos tão preguiçosos – murmurou Aiden ao pé do ouvido do gêmeo, ouvindo o mesmo gemer manhoso enquanto concordava consigo.
— há vezes em que eu penso que éramos para ser um só, mas a preguiça não cabia em nosso corpo e por isso nascemos gêmeos – murmurou Ethan ouvindo o irmão rir brevemente.
— meu pai do céu! Vocês dois superam o bando inteiro! – exclamou Isaac encarando os gêmeos deitados um ao lado do outro, abraçados, no chão da varanda da mansão Hale.
— olha só quem fala! Você está aí há mais tempo do que nós dois estamos deitados aqui! – exclamou Ethan abrindo uns dos olhos, assim como o irmão, para poder direcionar o olhar para o louro de cachos, vendo o mesmo dar de ombros.
— eu estou entediado. Fizemos os nossos deveres de casa, sair dessa mansão é um saco e o nosso alfa está andando por aí com o noivo dele. Nós não temos nada para fazer – falou Isaac cruzando os braços atrás da cabeça, enquanto se acomodava melhor contra a parede e cruzava as pernas.
Os três estavam deitados ali há quase duas horas, sem qualquer tipo de passatempo, o que estava tornando sua estadia no território uma tortura. Lydia vivia a visitar e conversar com as flores do território inteiro, pouco se importando com os betas ridículos do bando da região. Erica vivia se trancando na biblioteca, Kira vivia meditando, Allison se quer ousava sair da mansão, Scott fazia companhia a parceira e também evitava sair, Heather vivia rolando na lama com as mais novas da família principal do bando Hale, Liam ainda ousava sair, mas apenas para ir ao templo, Corey andava disfarçado usando sua invisibilidade, e Ennis era o único que se enturmava naquele bando.
O beta recém-chegado passava despercebido por entre os betas do bando Hale por, simplesmente, ainda ser um beta. Os três lobos suspiraram cansados de tanto tédio e indisposição para aquele território, antes de ouvirem os passos pesados de alguém que subia as escadas. Não demorou para que eles reconhecessem o cheiro do indivíduo e encarassem as escadas, esperando a imagem de Liam se formar ali. O louro com boina laranja se aproximava da porta a passos tão pesados que fazia os três lobos o fitarem com certo receio de uma provável explosão de fúria por parte do baixinho.
— lá vem. O que aprontaram dessa vez? – perguntou Isaac, entediado, encarando o louro mais baixo lhe fitar com seriedade e raiva.
— preciso realmente responder? – indagou o Dunbar se jogando sentado próximo ao trio.
— alguém sabe quando a nossa nova casa vai ficar pronta? – indagou Corey, surgindo sentado ao lado dos gêmeos, fazendo os mesmos se sobressaltarem para a aparição repentina do seu corpo.
— odeio isso em você – murmurou Aiden vendo o rapaz sorrir ladino antes de se virar para Isaac ou Liam.
— ninguém? – inquiriu ao ver que nenhum dos seus companheiros de bando dava qualquer sinal de que iria responder a sua pergunta.
— eu também gostaria de saber. Já não suporto mais esse lugar. – ditou Ethan voltando a fechar os olhos e a apertar mais o seu corpo contra o do irmão.
— esse é o meu medo – revelou Isaac encarando o nada.
— que medo? – questionou Aiden, curioso, apoiando o queixo no peito do irmão, como um gato, para que pudesse encarar os dois louros.
— sabemos o que viemos fazer aqui, mas... – começou Isaac, receoso. Ele temia dizer aquilo em voz alta, como se apenas a pronúncia de seus pensamentos fosse o suficiente para concretizar o seu receio.
— mas? – questionou Ethan, ainda de olhos fechados.
— “mas e se não voltarmos?”, não é? É esse o seu medo, certo? – perguntou Liam também olhando para o nada.
— nós odiamos esse lugar. Porém, o casamento do nosso alfa pode acarretar nesse inferno ser a nossa nova casa – argumentou Isaac, explicando-se, enquanto encarava os companheiros de bando lhe fitarem surpresos, com exceção de Liam.
— c-como assim?! – indagou Ethan, visivelmente indignado.
— não podemos morar aqui para o resto de nossas vidas! – exclamou Aiden completando o pensamento do irmão.
— não mesmo! Esse lugar inteiro grita ódio pela gente! — exclamou Ethan encarando os amigos concordarem.
— não tem a menor condição de a gente viver em um lugar desses! – fora a vez de Corey demonstrar a sua indignação.
— temos que falar com o Stiles sobre isso. A gente não pode passar o resto de nossas vidas nessas condições. – disse Isaac vendo os outros quatro concordarem, enquanto Liam olhava para o território Hale, pensativo.
— considerem a possibilidade de ser difícil convencer o alfa disso – alertou o Dunbar se erguendo e indicando que iria entrar na mansão.
— por que você acha isso? – indagou Isaac vendo o louro de laranja dar de ombros e levar a mão para a porta.
— esse local é importante para o noivo de nosso alfa. Há a possibilidade de ele conseguir convencer o nosso senhor a ficar – respondeu o baixinho entrando na mansão, deixando os quatro ômegas para trás, pensativos.
Enquanto isso, no andar de cima, Alexander e John estavam na janela de um dos quartos, ouvindo toda a conversa ao mesmo tempo em que jogavam xadrez. John moveu o bispo para a frente, capturando a torre do seu alfa, vendo o mesmo encarar o tabuleiro com certa fúria. O Hale de cabelos negros moveu o cavalo para capturar o bispo do alfa a sua frente, vendo o mesmo erguer um olhar sério em sua direção.
Os dois homens se entreolharam vendo a seriedade em seus olhares, antes de menearem positivamente um para o outro. Levando uma mão para os seus respectivos reis, cada um derrubou a sua peça, em um acordo mudo de empate. Guardaram as peças com calma e em silêncio, antes de se retirarem do local, ainda em silêncio, se dirigindo para o escritório, no andar de baixo. Cláudia e Laura estranharam as expressões sérias dos dois homens e trataram de os seguir, curiosas. Assim que as duas mulheres passaram pela porta do escritório, John tratou de fechar a porta, olhando atentamente para o corredor, procurando sentir a presença de alguém do bando Stilinski próximo ao escritório.
— então... qual é o negócio de sua família? – perguntou Derek ainda caminhando ao lado do castanho. Eles já estavam caminhando há dez minutos, já era possível ver os muros do vilarejo dali. Mais alguns minutos e eles já estariam passando pelos portões.
— é um negócio complexo. Meu pai era dono de uma fábrica de armas. Minha mãe, era dona de terras que herdara do meu avô, tanto aqui quanto fora da Inglaterra. – respondeu Stiles caminhando calmamente, sempre elegante.
— incrível. Você deve sentir muito apreço por esses negócios, certo? Digo, são coisas deixadas por seus pais para você. Quer dizer, eu já sinto zelo pelo meu território e sou apenas um beta. Mas eu me orgulho muito pelo o que os meus familiares construíram – comentou Derek, um tanto receoso de não ser bem compreendido em suas palavras.
— para falar a verdade, nem tanto. No início, eu realmente era como você. As fábricas de meu pai, as terras de minha mãe, eu sentia grande apreço e orgulho deles. Hoje, eu tenho vergonha do que meus pais construíram – argumentou o castanho de olhos claros, surpreendendo o moreno de olhos verdes.
— por que? – indagou Derek, confuso.
— Quando eu tomei controle de tudo, passei grande parte do meu tempo estudando os negócios dos meus pais. Me senti humilhado ao descobrir que meus pais não eram boas pessoas como eu imaginava que eram – respondeu Stiles com um tom decepcionado na voz.
— o que descobriu? – perguntou Derek, curioso.
— O meu pai fabricava armas, mas não para a defesa da nação ou da rainha. O meu pai fabricava armas para guerras e tomada de territórios. Além disso possuía um negócio ilegal de uma substância alucinógena chamada de ópio. Ele as fabricava e a minha doce e inocente mãe os exportava. A minha mãe? A mulher que nunca levantou a mão para mim, levantava um chicote para os filhos dos outros. Ela era dona de escravos em suas terras fora do país, como no Império do Brasil – respondeu o adolescente e Derek encarou o noivo, surpreso.
— a sua mãe era dona de escravos?! – indagou o lobo vendo o humano menear positivamente.
— minha mãe manteve os seus primos pobres nessas terras, para tomar conta de tudo enquanto ela estava aqui, conosco. Fiquei tão frustrado com isso – ditou o castanho encarando o lobo, vendo o mesmo lhe fitar atento.
— nossa... eu não sei o que faria em sua situação – comentou Derek vendo o noivo sorrir ladino.
— você faria o mesmo que eu fiz: nada – disse o castanho vendo o lobo lhe fitar em choque.
— espera! Você não fez nada?! – perguntou Derek, parando de caminhar para encarar o mais baixo dar quatro passos e se virar para si.
— é uma história complicada que não quero partilhar, agora – respondeu Stiles observando o outro coçar a cabeça, antes de dar um passo em sua direção.
— você não é dono de escravos, é? – perguntou o lobisomem, receoso. O seu melhor amigo era negro. E Derek se sentiria traindo os Boyd se relacionando com alguém que ainda mantinha escravos, mesmo depois da liberação dos mesmos há alguns anos.
— me sinto orgulhoso de sua posição quanto a escravidão, Derek, no entanto, me sinto traído pelo questionamento feito para com a minha pessoa. De todos os betas do seu bando, Vernon é o que eu mais aprecio a presença. Eu jamais poderia viver comigo mesmo tendo esses atos cometidos em terras minhas – fora tudo o que o castanho disse, antes de se virar, dando as costas ao noivo e continuando a caminhar na direção do vilarejo de Hills.
— me desculpe por isso. Mas quando você disse que não fez nada, eu fiquei com medo de que você estivesse continuando com os atos de seus pais – desculpou-se o moreno de olhos verdes, seguindo o castanho de olhos claros.
— está tudo bem. Eu sei que não me julgou por mal. Você apenas queria retirar uma dúvida para o bem de seu amigo – o conde respondeu e o moreno logo se posicionou um pouco atrás de si, ao seu lado.
Derek suspirou chateado consigo mesmo. Já era a terceira vez que ele julgava o conde de forma errônea. O lobo deixou os ombros caírem e passou a olhar para o chão, pensativo, tristonho. Já estava virando um costume seu julgar o humano sem analisar os fatos. A primeira vez fora na cozinha, quando julgou que o adolescente estava a sua espera para o repreender por sair com os amigos; a segunda fora na biblioteca, quando pensou que o mesmo estava se relacionando com alguém que não fosse ele; e, agora, vinha essa. Estava ficando cada vez mais claro, para Derek, que ele era o problema daquele acordo.
O moreno suspirou chateado, mais uma vez. Ele não se portou como um noivo quando deveria, fez acusações contra o próprio noivo e chegou a quase se render as carícias de sua ex-namorada, o que lhe fez quase trair o Stilinski. Derek realmente não estava sendo muito eficiente para firmar esse tratado. O lobo estava tão cabisbaixo, que se quer notou quando o castanho o fitou por sobre os ombros. Stiles riu, liberando o ar pelas narinas, negando com a cabeça. O seu pretendente era um tanto difícil de lidar. Mas ele era um alfa de ômegas, era capaz de lidar com um beta confuso.
— eu tenho dificultado as coisas, não tenho? – perguntou Derek desviando o olhar, pelo canto dos olhos, para o rapaz ao seu lado.
— eu não vou mentir. Você é um lobo. Os seus instintos lhe ajudam a averiguar a veracidade das pessoas, sem contar que você é o meu noivo, não preciso mentir para você: você tem dificultado as coisas, um pouco. Mas mais ainda o seu bando. Não se martirize sozinho pela responsabilidade que é de um grupo – respondeu o castanho ouvindo o noivo suspirar, derrotado.
— você é bem direto, não é? – indagou o Hale, tomando um sorriso mínimo nos lábios. O castanho não havia aliviado em nada para si.
— novamente, não tenho necessidade de mentir para você. Sinceridade, entre nós, é uma obrigação – respondeu Stiles sorrindo para o lobo.
As palavras do conde ecoaram na mente de Derek, enquanto eles continuavam a caminhar na direção do vilarejo. Ele ficou pensativo por boa parte do caminho. Seus pensamentos o levaram para o dia anterior, o qual ocorreu o duelo entre o Stilinski e Braeden. Ele se lembrava da Onew questionando quem Derek amava e preferia. O medo de sua resposta colocar a aliança em jogo levou ao lobo a escutar as respostas da boca do conde. Stiles realmente era sincero consigo, desde que chegara. De fato, ele devia sinceridade a Stiles. Ele devia tanta coisa ao conde.
— ei – o lobo chamou o humano, vendo o mesmo lhe olhar, novamente, por sobre o ombro.
— eu... sei que eu não tenho sido o melhor noivo – disse o lobisomem vendo o humano lhe fitar com seriedade.
— de fato, você não vem – soltou Stiles vendo o lobo corar, envergonhado.
— mas eu vou mudar a partir de agora. Eu vou virar um bom noivo para você – ditou o moreno de olhos verdes tomando a mão livre do castanho nas suas.
— assim espero, Derek. Se lembre que já demos passos para trás demais – disse o castanho vendo o moreno de olhos verdes levar sua mão aos lábios, beijando as costas da mesma.
— não vamos dar mais nenhum – falou o lobo vendo o castanho virar as duas mãos e levar a sua aos lábios.
— nenhum – disse o castanho após beijar a mão do moreno de olhos verdes.
— filho! Entregue isto para um dos alfas líderes – ditou o senhor Whittemore se aproximando do filho com um envelope em mãos.
— o que é isso? – perguntou Jackson, curioso, encarando uma carta na mão do seu pai.
— Talia me pediu para averiguar o território. Segundo a guarda real, há a possibilidade de um feiticeiro vir para Beacon. O Conde e alguns ômegas já averiguaram a cidade, mas mesmo assim ela nos pediu para fazermos nossa parte – disse o homem entregando o papel ao rapaz, que meneou positivamente.
— tudo o que ela precisa saber está aí. Tome cuidado – alertou o louro mais velho vendo o filho menear positivamente.
— tudo bem. Estou indo entregar agora mesmo – ditou o mais novo antes de se virar na direção da mansão Hale.
O Whittemore mais novo levou apenas alguns poucos minutos para chegar a mansão da família principal do bando. Assim que subiu os degraus da escadaria principal, ele foi surpreendido pela imagem de dois ômegas, os gêmeos, deitados abraçados no chão da varanda. O louro os encarou um tanto receoso, tratando de desviar o olhar rapidamente, caso algum deles o olhasse. Assim que abriu as duas portas da mansão o louro mais novo fora surpreendido por Alexander, que se dirigia para o lado de fora.
— Meu alfa, o meu pai me pediu para lhe entregar isso – Jackson reverenciou o homem enquanto lhe estendia a carta
— ah, certo. A ronda foi terminada – falou o moreno de olhos verdes abrindo a carta e lendo o conteúdo da folha de papel.
— eles não encontraram nada – ditou o homem, suspirando. Às vezes, a guarda real mais atrapalhava do que ajudava.
— o que devemos fazer? – perguntou Jackson vendo o alfa superior suspirar e fitar o nada pensativo.
— tenho que rever isso com o conselho, mas creio que vamos apenas esperar. – respondeu o mais velho encarando o louro menear positivamente.
— certo – ditou o mais novo se virando para sair.
— Jackson! Preciso que faça outra coisa para mim – disse o moreno de olhos verdes vendo o louro parar para lhe encarar.
— preciso que vá atrás do meu filho e o diga que eu estou chamando – ditou Alexander vendo o rapaz menear positivamente.
— se não se importar, nós gostaríamos de ir – se manifestou Aiden, ainda deitado e abraçado ao irmão, o alfa e o beta os olharam, surpresos por descobrirem que os mesmos estavam acordados.
— por mim tudo bem – disse Alexander vendo o gêmeo que estava com a cabeça no peito do irmão abrir um dos olhos para os observar.
— ah, n-não precisa. O território não é tão grande assim. Eu posso encontrar o Derek rápido – argumentou o louro vendo o gêmeo erguer a sobrancelha do único olho aberto, enquanto o outro soltava o ar pelas narinas com um sorriso nos lábios.
— não podemos ajudar? – questionou Ethan vendo o louro coçar a nuca, nervoso.
— n-não! Quero dizer, podem. Mas não preciso da ajuda de vocês – disse o louro vendo agora ambos os ômegas abrirem os dois olhos e desviar as irises para si, sem mover a cabeça.
— Jackson! – repreendeu Alexander vendo muito bem uma enorme chance de aquilo ser mal interpretado pelos gêmeos. O Whittemore tremeu com a repreensão de seu alfa.
— digo... – o louro tentou se explicar, novamente.
— não precisa explicar. Nós já entendemos – disse Aiden sentindo Ethan se erguer, antes de lhe puxar pela mão.
— sabemos quando a nossa presença não é bem-vinda – falou Ethan enquanto os dois, de mãos dadas, se dirigiam na direção da porta, consequentemente se aproximando dos lobos do bando Hale.
— não é isso – tentou argumentar Jackson, já podendo ouvir o sermão que levaria de Alexander.
— também não é como se esperássemos outra coisa — soltou Aiden, olhando por sobre o ombro que estava ao lado do ombro do irmão.
— Nós já sabíamos que iria ser assim no momento em que nosso alfa nos contou dessa aliança – soltou Ethan repetindo o ato do gêmeo.
Eles sabiam exatamente o motivo de Jackson negar a sua ajuda. Aquele território era grande, sim. Não que precisassem de três lobos procurando um, mas ainda assim era grande. Não era como se eles não esperassem ter a sua ajuda negada por sua classificação. Era justamente isso o que eles esperavam e, de certa forma queriam, ouvir do louro. Quando ouviram a negação imediata de Jackson, eles sorriram internamente, mas se forçaram a manter suas expressões neutras para despistar a dupla.
Alexander segurou um rosnado ao ouvir as palavras dos gêmeos. Ele se sentia tão irritado. Não só com o erro de seu beta, como também a certeza perfeita dos ômegas para como o seu bando reagiria, coisa que ele não esperava. A vontade de advertir o amigo de seu filho e do seu parceiro veio imediatamente, mas ele a segurou, junto do rosnado, criando um bolo em sua garganta. O homem se sentia tão impotente com aquela situação. A sua raiva era tamanha, que bastou um olhar de suas íris escarlates para fazer Jackson suar enquanto tremia.
— vocês podem ir se quiserem. Não é como se eu fizesse questão de procurar o Derek sozinho – o beta tentou argumentar, mas os gêmeos ergueram as mãos, em um dar de ombros calmo e lento, simultaneamente. As vezes, aqueles dois lobisomens pareciam ser apenas um lobo ao lado de um espelho.
— não – negou Ethan, prontamente, com a mesma necessidade que Jackson negou a sua ajuda, a poucos instantes.
— agora quem não quer somos nós – foi tudo o que Aiden disse antes de os dois adentrarem a mansão, deixando o moreno de olhos verdes e o louro para trás.
— Jackson – Alexander ditou com seriedade, segurando o rosnado ainda em sua garganta.
— p-perdão, senhor – foi tudo o que o louro disse, antes de reverenciar o mais velho.
— encontre o meu filho. Depois diga a Benjamin para reunir o bando inteiro na clareira, novamente – ditou o alfa antes de adentrar a mansão novamente.
Ela estava deitada, imóvel, no quarto iluminado pelo Sol que adentrava a janela. O seu peito descia e subia, obedecendo a necessidade do corpo de respirar. A mulher encarava o teto, aflita. Ela estava naquela posição já havia um bom tempo. Seus olhos estavam abertos, direcionados para o teto, o que parecia uma posição normal. No entanto, suas pupilas estavam encolhidas. Suas irises eram, agora, o puro castanho. Suas pupilas estavam quase invisíveis.
Eram a representação do medo puro.
A prova disso? O modo como seus olhos se moviam, velozes e trêmulos na direção de qualquer causa do som de algo deslizando. Mas o que mais a deixava assustada era o som de pés e sapatos se arrastando pelo chão, ou o som de membros deslizando pelas paredes. Seus olhos assustados seguiam o alerta de seu cérebro para o som captado por seus ouvidos aguçados. A morena respirava com dificuldade, sempre que ouvia algum dos sons que lhe assustavam.
Quem a via assim, pensava que ela estava alerta a tudo. Mas o seu estado alerta apenas lhe informava sobre o perigo dos ruídos que a assustavam. Pois ela se quer havia notado a pessoa que estava naquele ambiente há alguns bons minutos. Os seus olhos não captavam a sua imagem, suas narinas não percebiam o seu cheiro e os seus ouvidos não a ouviam. Se quer percebia a tristeza de sua companhia.
A mulher moveu o pé, enquanto fungava, chorando em silêncio. Ela sentia tanta dor em ver a morena mover o olhar, assustada, em sua direção, sempre que ela se descuidava em ser silenciosa. A mais velha sentiu as pernas tremerem quando viu o olhar da morena focado em seus pés, antes de se focar na porta. A mulher chorosa ouviu passos arrastados se aproximando e logo viu a morena começar a se mover na cama, pela primeira vez desde que fora deitada ali. A porta se abriu e a morena se arrastou para o canto da cama, assustada. O homem olhou tristonho para a morena, antes de olhar para a mulher chorosa ao lado da porta, que tratou de enxugar as lágrimas.
— ainda nada? – perguntou o homem vendo a mulher negar com a cabeça.
— ela não faz nada. Tudo o que ela faz é olhar assustada sempre que escuta algo se arrastando – respondeu a mulher se aproximando do homem e o abraçando apertado, sendo correspondida imediatamente.
— o que foi que fizemos de errado? – perguntou a mulher, chorando no peito do marido, sentindo o peito do mesmo subir e descer desordenadamente indicando o choro do mesmo.
— nada, meu amor. Ninguém podia fazer nada. Ela escolheu o destino dela. Nós não fizemos nada. Foi ele. Ele fez alguma coisa – respondeu o homem fungando enquanto encarava a filha os encarar assustada pelo som da pele de ambos deslizando uma na outra.
— você acha? – indagou a mulher se afastando um pouco.
— eu acho. Esse estado dela... não é normal – respondeu o homem vendo a filha os encarar assustada.
— mas o druida negou que ele pudesse fazer isso – argumentou a mulher vendo o marido tomar uma expressão séria ao lhe encarar.
— o druida disse que não sabia o que a deixou assim. Então ele não pode negar a culpa de alguém se ele não sabe o que aconteceu – ditou o homem encarando a mulher nos olhos, vendo a mesma encarar os seus.
Ambos reconhecendo a dor, a tristeza e a raiva no outro. Eles estavam tão concentrados, que nem viram quando as pupilas da morena cresceram um pouco ao, finalmente, os identificar. Ela estava os observando, assustada, a tanto tempo que foi impossível não os reconhecer. Ela parou de se encolher, passando a olhar ao redor, antes de voltar o olhar para a janela, assustada quando o som de um garoto arrastando o pé na areia a assustou.
— mãe... pai... – a morena sussurrou, se arrastando para perto de ambos, até onde a cama poderia lhe deixar próxima de ambos, ainda encarando a janela, não vendo quando os dois mais velhos a observaram, surpresos. No mesmo instante eles avançaram na direção da filha, preocupados e felizes por a mesma melhorar um pouco.
— eu vi – disse a morena assim que sentiu as mãos de sua mãe em sua pele.
— o que você viu, filha? – queationou a mulher, preocupada e confusa.
— eu vi ele – a morena sussurrou olhando aterrorizada para a mãe.
— quem? – perguntou o homem vendo a morena olhar fixamente para si.
— eu vi. Eu tenho que avisar para ele – a morena passou a sussurrar, desesperada, enquanto se contorcia na cama, olhando ao redor.
— o que você viu? Avisar a quem, minha filha? – inquiriu a mais velha vendo a filha direcionar olhar assustado para si.
— avisar ao Derek, mãe – respondeu a mais nova vendo a mulher lhe fitar confusa.
— o que você viu, Braeden? – indagou o pai da beta de pele morena vendo a mesma lhe fitar aterrorizada.
— eu vi o monstro que ele é – respondeu a Onew mais nova deixando os pais completamente confusos.
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