The Engagement
48 Vencedor
Derek observou o noivo sorrir, negando com a cabeça. O moreno de olhos verdes se questionava o que o rapaz mais novo tinha em mente.
— então eu lhes pergunto: foi traição? Ou incompetência? –
O questionamento do adolescente chocou a todos os presentes.
Os próprios ômegas se encontravam surpresos com a audácia de seu líder. Os betas, então, se encontravam perplexos. Ninguém esperava que o conde iria tão longe com sua arrogância e audácia ao pronunciar tais palavras diante dos líderes aliados. Paul segurou o rosnado em sua garganta. Sabia que estaria errado em permitir que sua raiva fosse exposta de forma sonora. Havia perdido para um adolescente, mesmo estando em um grupo. Sem contar que o conde já havia provado o seu valor bélico ao enfrentar e derrotar cinco alfas e um druida ecperiente.
Derek abriu a boca, tentando falar. Mas nada proferiu. Ele não entendia bem como o seu bando havia parado naquela situação. Ele sabia os tópicos, não era um estúpido completo. Mas o que ele, e muitos ali, não compreendia os fios que manusearam os fantoches para a história alcançar aquele ponto dramático. Os seus companheiros nunca haviam desobedecido os seus alfas antes. A alcatéia Hale era conhecida por ser rígida e controlada.
Então, como haviam alcançado aquele ponto?
Os betas repetiram o ato de Derek. Refletiram bem o que estava a acontecer e se prepararam para protestar. Mas as bocas abertas foram caladas, antes mesmo de se pronunciarem, pelas risadas dos ômegas. O gargalhar suave e abafado de Lydia, Erica e Liam, assim como os sorrisos de Allison, Scott, Isaac, Ethan, Aiden, Corey e Ennis, eram colocados em segundo plano devido a presença do gargalhar doce, espontâneo e livre de Kira. O espírito milenar havia colocado a sua katana ao lado de seu corpo, sendo usada de apoio enquanto ela guiava a mão, que antes estava em seu peito, no abdômen, chamando a atenção dos betas, que se viam receosos de voltar a ofender aquele bando.
O riso de Kira fora, gradativamente, sendo substituído por um gemido manhoso e sádico.
— ansiosa estou para ver o que as crianças vão responder –
Alexander cerrou os punhos, respirando fundo, antes xe negar com a cabeça.
— podemos... Apenas começar? –
— poder... Nós podemos. Mas não seria nada interessante. Eu gostaria que, ao menos, toda essa implicância com o meu bando me gerasse algum entretenimento. E não só dor de cabeça – pontuou o Stilinski passando a analisar o próprio braço, que antes de sua troca de pele.
O moreno de olhos verdes com fios grisalhos dando sinais de vida franziu o cenho, pensativo.
“Se isso amenizar a situação. Então que assim seja”
— traição... Não foi. Não tenho, nem nunca tive, qualquer intenção de apunhalar você ou os seus companheiros pelas costas. Eu diria que incompetência –
O humano de pele escura sorriu largo.
— desenvolva , por favor – pediu Kira, chamando a atenção do alfa soberano da alcateia maior.
Alexander Hale voltou a suspirar, retraindo um pouco as suas garras.
— eu digo, com certeza, de que foram ambos – ditou Talia, surpreendendo o marido e o próprio bando.
Stiles lambeu os lábios com vontade, surpreendendo os alfas pela aparência do membro. Era suave, quase imperceptível, podendo passar despercebido por muitos, mas não para os olhos treinados de alguns daqueles lobisomens. Miranda sorriu quando Derek franziu os olhos, tentando enxergar melhor, mas Stiles já havia recolhido a língua, escondendo a pequena fenda que havia na ponta do membro úmido.
— senhora? – inquiriu um dos betas, confuso.
— houve traição, sim. Por parte dos meus betas! – acusou a alfa, chocando o próprio bando.
— senhora! – repreendeu uma mulher, que fora rapidamente calada por Alexander, que ergueu o punho cerrado, em uma ordem de silêncio.
— eles nos traíram ao irem contra as nossas ordens de lhes receber bem. Nos traíram ao nos envergonhar e ao erguer as suas armas para um aliado. Um aliado que está se unindo a nossa família por meio de um casamento — ditou a morena com frustração no olhar, sem encarar os próprios betas
— interessante. Mas onde se encaixa a incompetência? – indagou o conde largando a bengala, que se manteve em pé sozinha, passando a cruzar os braços, levando uma mão ao queixo.
Talia suspirou.
— a incompetência foi minha. Me deixei levar pelo meu lado fraternal como alfa ao ver os meus betas com tanto desejo em defender o seu território. Me empolguei com a sua força e não puxei as rédeas do meu bando como eu deveria. Fui desleixada. Pensei que com o tempo eles lhe veriam como eu vejo. Que veriam o quão importante você é. Coloquei fé demais nos meus, ao invés de segurá-los.
Os betas abaixaram suas cabeças. Sentiam-se inúteis. Sentiam-se desprezíveis, vazios. Haviam falhado com a sua alfa primordial. Eles envergonharam o próprio bando e os seus líderes tentando demonstrar a sua força, honra e determinação. Mas acabaram apenas sujando a própria reputação ao tentar defender a mesma.
— você está certa. Fomos culpados mais do que os nossos betas. Fomos piores do que eles. Pois vimos e ouvimos suas atitudes. Mas nada fizemos a respeito. Os verdadeiros culpados pelo fracasso desse noivado, fomos nós – ditou Alexander cerrando os próprios punhos e os erguendo ao seu campo de visão, observando as garras perfurando a palma da mão, fazendo o seu sangue escorrer.
Um gargalhar grave e baixinho fora emitido pelo conde. O mesmo olhava com ternura e encanto para o casal a sua frente. O moreno ergueu um olhar severo para o adolescente, enquanto via o mesmo apertar as mãos em uma palma unida, com os dedos entrelaçados. O rapaz parecia achar fofa a cena a sua frente, o que irritava o homem no campo de vinhas.
— tão inspirador! Tão altruísta e confiante! – ditou o rapaz de cabelos púrpuros, começando a caminha na direção do casal, abandonando a bengala onde estava.
— diga-me... Qual dos dois se tornou alfa primeiro? Tenho a leve impressão de ter sido a senhora Hale – questionou o conde passando por Alexander, que se preocupou em manter a distância do adolescente, recuando alguns passos para o lado.
Já Talia não se deu ao trabalho, mantendo o olhar baixo, ignorando a movimentação do mais novo.
— Sim. Foi Talia. Fomos casados ainda betas. Ela fora a primeira a despertar como semi-alfa, antes de se tornar uma alfa completa – respondeu Alexander, só então notando o modo estático de sua parceira.
— não sejam tão duros com vocês mesmos – disse o adolescente, acolhendo o rosto da mais velha em suas mãos com um toque suave, acariciando com delicadeza a mulher a sua frente.
— mas de fato, a culpa foi de vocês dois. Francamente, como os seus betas poderiam reconhecer o meu poder, como eles poderiam reconhecer algo que se quer você sabe o que é? – o rapaz soou venenoso, ao mesmo tempo em que sua voz era carinhosa e acolhedora.
— quanta estupi... –
Derek se viu surpreso quando o seu noivo sumiu do campo de visão de todos. Mas, diferente do esperado por todos, o conde não se esquivou ao desaparecer como um vulto mais uma vez. Stiles, simplesmente, fora erguido no ar quando Talia ergueu o punho direito em um gancho certeiro em seu queixo, lhe quebrando dois dentes. Os ômegas olharam com surpresa para o corpo de seu líder, ainda no ar, quando Talia surgiu acima dele, girando e acertando o calcanhar no peito do adolescente, o jogabdo para baixo com força.
O conde Stilinski sorriu em meio a sua queda, já preparando o corpo pra desaparecer em meio a própria sombra, evitando o impacto contra o solo. Ele havia sido pego de surpresa pelo golpe da mulher. Ela era forte o suficiente para lhe erguer com um único soco, e ágil o suficiente para lhe pegar de surpresa com o ato. Mas ele fora surpreendido, mais uma vez quando sentiu duas mãos calejadas lhe segurarem os tornozelos com força.
Alexander girou duas vezes com força, balançando o Stinski no ar como uma boneca de pano, antes de o lançar para fora das vinhas. Antes de, se quer, alcançar as vinhas, o corpo do Stilinski escureceu, se transformando em Adrien. De joelhos, o Stilinski caiu do corpo do adolescente, que permaneceu a voar na direção de Scorr. O moreno de queixo torro nada fez, surpreendendo o bando Hale. Talia assistiu, surpresa, quando o corpo de Scort atravessou o corpo negro, como se não fosse nada. Adrien acertou uma árvore com a cabeça e estourou em cinzas escuras.
— — ótimo! Agora eu estarei mais faminto ainda. Fazer ossos crescer não é nada fácil, principalmente para humanos – ditou o conde exibindo ao dentes ao erguer o lábio superior para lamber os mesmos.
Os lobisomens se surpreenderam com o modo como os dentes do rapaz renasceram nos espaços vazios em seu sorriso. Era como se um par novinho estivesse apenas esperando que Talia se livrasse dos outros para que eles nascessem e os substituíssem rapidamente.
— mas o que porra é esse cara?! Um monstro humano?! – inqueriu Garret, perplexo.
— você está longe de saber, meu jovem. Muito longe. –
A resposta de Alan atraiu a atenção dos lobisomens por um curto período de tempo, uma vez que o som dos pés ágeis e fortes de Alexander esmagando a grama os forçou a voltarem os seus olhares para a batalha mais uma vez. O lobisomem avançou de forma direta, erguendo as garras na direção do humano antes mesmo de alcançar uma distância menor.
O conde sorriu de canto
“o meu pai usou um ataque direto demais. O Stiles não vai cair nisso. Está obvio de que é uma armadilha. Ele vai ter que desviar.”
Pensou o moreno de olhos verdes ao ver o ataque direto e um pouco óbvio do pai.
Mas Stiles caiu, para a surpresa dos lobisomens. No entanto, o choque maior fora de Alexander e Talia. Stiles comprou a armadilha oferecida pelo moreno, algo que não era esperado pelos dois Hales. Alexander e Talia esperavam que o conde desviasse do ataque, se esquivando pela lateral, onde a alfa atacaria com um chute potente. No entanto, quando Stiles se jogou na armadilha de forma inesperada, os lobisomens não souberam o que fazer.
Stiles apoiou a bengala deitada diante do corpo, a encaixando nas mãos de Alexander, que cerrou os punhos ao redor do corpo preto. Talia girou, avançando no conde ao passar pelo marido, e erguendo o punho, preparou um ataque. O adolescente ergueu o braço direito e abaixou o esquerdo, forçando o pai de Derek a repetir os movimentos, devido a bengala. Os dois homens acabaram por bloquear a investida de Talia com o acessório escuro.
A morena teve que avançar mais alguns passos para ultrapassar o corpo da bengala sem problemas, o que deu tempo para Stiles saltar, forçando o lobisomem a erguer os braços. Alexander não perdeu tempo e puxou os braços para baixo com força, jogando o corpo do adolescente contra o chão. Stiles desapareceu no solo, quase que instantaneamente, abandonando o seu misterioso acessório na mão do adversário.
— tome cuidado – repreendeu Talia ao ver o marido empunhar a bengala.
A mulher mal terminou de falar e já fora surpreendida quando um pé surgiu do chão, entre os seus pés, sendo direcionado para o seu rosto. A alfa permitiu que o seu corpo caísse de costas no chão, fazendo com que o conde errasse o golpe. O corpo do adolescente girou duas vezes no ar, antes de o rapaz cair no chão, voltando a sumir no mesmo. Talia girou no solo, se erguendo com velocidade.
Stiles piscou os olhos e Alexander surgiu em seu campo de visão, manuseando a sua bengala como uma espada. O golpe do acessório em seu peito lhe pegou de surpresa. Mas o Stilinski fora lançado de costas no chão, com o peito dolorido e os pulmões sem ar. Os ômegas, surpresos, se ergueram minimamente, mas foram parados pelas caudas de Kira, que se colocaram diante do bando, os pedindo, silenciosamente, para terem cuidado.
— está tudo bem. Mesmo que o machuquem, ele voltará a ficar bem. Se preocupem apenas em não o ofender – alertou a Yukimura, ainda sentada com elegância, apenas observando a disputa.
Alexander passou a espancar o conde com a própria bengala, surpreendendo os betas. O ato do alfa estava surpreendendo até mesmo os outros alfas do bando. Eles não entendiam como o homem havia se tornado tão violento. O moreno de olhos verdes simplesmente desferia golpes contra o humano jogado a sua frente, que não expressava nada, além de grunhidos e suspiros de dor. Em certo momento, quando a bengala fora erguida novamente, o Stilinski agiu. Surpreendendo Talia e Alexander, o rapaz rolou para o lado, passando a mergulhar de cabeça no chão, criando um circulo escuro que passou a lhe engolir todo o corpo, o atraindo para a região onde antes se encontrava a sua cabeça.
O conde surgiu atrás de Alexander, ao surgir da sombra do homem. O lobisomem girou, tentando golpear o adolescente com o cotovelo, e o impedir de lhe imobilizar por trás. Mas o humano o surpreendeu quando se esgueirou ao seu redor, como uma serpente, passando o braço por dentro do seu movimento, no intuito de alcançar a pedra vermelha de sua bengala.
— não o deixe encostar na pedra! – repreendeu Talia, avançando no noivo do filho, com o punho mirando de forma certeira no peito alheio.
Stiles, ao perceber o movimento da mulher, abriu mão do seu plano inicial, mudando a sua trajetória. Abandonando o braço de Alexander, o Stilinski jogou o corpo par ao lado, desviando do ataque. Ao perceber a mudança de movimento do adversário, o moreno de olhos verdes e cabelos um tanto grandes intensificou o agarre no acessório alheio, mudando o golpe de um acerto com o cotovelo, para um acerto com a bengala ao manter a sua movimentação, mudando apenas o ponto em que concentrava a sua força e abrindo o braço. O corpo do conde se escureceu e suas costas se abriram, como um botão de flor a desabrochar.
O conde surgiu do corpo escuro, o qual se moldou para tomar a aparência do homem de cabelos lisos e rosto redondo, outrora chamado de Porã. Alexander golpeou a sombra com a bengala, a fazendo se despedaçar em cinzas. A pequena série de movimentos fora executada em um espaço tempo tão curto, que gerou suspiros de espanto nos betas do bando Hale e grunhidos de curiosidade por parte dos ômegas.
— eles são melhores do que os antigos alfas – comentou Ethan, observando, surpreso, os dois alfas lobisomens a sua frente desaparecerem, avançando contra o conde, ressurgindo apenas quando se encontravam ao lado deste.
— concordo – soltaram Scott, Lydia, Allison e Isaac.
— os nossos não chegaram nem perto de acertar o Senhor. Mas lembre-se que o nosso alfa possuí a dança das rosas – argumentou Aiden, ainda surpreso, vendo Stiles desviar dos dois socos simultâneos ao girar o corpo, mas não conseguiu desviar do golpe de sua própria bengala que veio por trás.
O adolescente se curvou para a frente, devido ao golpe em suas costas. Talia e Alexander ergueram os joelhos, simultaneamente. O rapaz apenas apoiou as mãos em ambos os joelhos, saltando e abrindo as pernas, surpreendendo ao acertar um chute em ambos os peitos, os forçando a cambalear para trás, lhe dando mais espaço.
Derek suspirou, assustado, ao se recordar do movimento usado pelo seu noivo contra a sua ex-namorada. No entanto, o moreno também se recordou de algo sobre o movimento de batalha do, agora, rapaz de cabelos púrpuros. O Hale se recordava bem de que Stiles usara apenas a sua bengala para bater em Braeden durante a dança das rosas. E, no momento, o acessório do conde se encontrava nas mãos de seu pai.
— mas a bengala está com o meu pai. Ele não vai conseguir executar a dança das rosas, certo? – questionou o moreno, se aproximando um pouco dos ômegas, observando Kira menear em concordância.
— sim. De fato, a dança das rosas é uma dança que só pode ser executada com uma arma em mãos –
As palavras da Yukimura tranquilizaram o lobisomem . então ele, realmente, havia compreendido um pouco da essência daquela habilidade do conde.
— eu não ficaria tão aliviado assim se eu fosse você – soltou Liam, chamando a atenção do moreno de olhos verdes pata si.
— se eu me lembro bem... Você já esteve com aquela bengala em mãos, não? –
A fala do mestiço surpreendeu o lobisomem.
Aquilo era um fato. Derek já estivera com a bengala em mãos antes. Mas, em um momento de distração, o conde voltou a tomar posse do objeto. Ao voltar o olhar para o campo de batalha, o moreno pôde ver os pais voltando a enfrentar o conde, mas o mesmo permanecia a se esquivar dos ataques com alguma dificuldade em certos momentos.
— ele vai recuperar a bengala. É o foco dele no momento – ditou, pensativo, observando como todos os poucos momentos em que Stiles mostrava uma posição ofensiva, estavam voltados para Alexander. Mais especificamente para o seu braço com a bengala.
— ele já deve estar pronto para a dança – comentou Isaac, encarando o seu alfa começar a dar cambalhotas para trás, tentando se afastar de Talia, que o seguia golpeando o ar com as garras.
— os preparativos já foram feitos –
— preparativos? – perguntou o moreno de brincos encarando a caçadora menear positivamente.
— a dança das rosas só pode ser executada depois de um certo tempo de luta –
— e por que? Pensei que fosse só um jeito de usar a bengala – argumentou o beta, curioso e confuso.
Ennis gargalhou, surpreendendo o Hale.
— a dança não é uma dança de espada, Derek. É uma técnica para explorar os pontos fracos inimigos – explicou o Bishop observando o seu novo alfa saltar, surpreendendo Talia.
Talia se viu perplexa ao ver o Stilinski saltar. O rapaz estava quase alcançando as vinhas com as suas cambalhotas. Então ele saltou e ela golpeou o rapaz mais uma vez, conseguindo, porém acertar a perna do rapaz quando o mesmo mergulhou no chão, desaparecendo em instantes. A mulher se viu surpresa quando algo se passou em sua mente.
Instantaneamente, a alfa se recordou do adolescente e da nova beta do mesmo, Heather.
“Eu uso buraco de coelho”
A voz do conde ecoou em sua mente
“e o que isso faz?”
A garotinha veio logo em seguida.
— ele pode mudar o cavaleiro dele de lugar em até dezoito casas, negando o ataque – murmurou Talia olhando para o chão, surpresa.
Erica sorriu de canto.
— ela pegou a ideia. Mas está usando na pessoa errada – comentou ouvindo Corey rir baixinho.
Stiles do nada, logo atrás da mulher, surpreendendo Alexander. Quando a alfa sentiu a presença do humano, ela se virou, pronta para golpear o mesmo. Quando as garras de Talia perfuraram o abdômen do Stilinski, o rapaz a ergueu pelo pescoço. Instantaneamente, a alfa fechou os olhos, se negando a olhar nos olhos brilhantes
Stiles gargalhou, divertido, enquanto a Hale se esperneava e lhe golpeava o braço repetidas vezes.
— TALIA! – rosnou Alexander, avançando contra o adversário, com a bengala empunhada como uma espada.
O Hale golpeou o conde com a bengala, se surpreendendo quando o mesmo largou Talia e agarrou o seu punho. Antes que o moreno puxasse o punho, Stiles levou uma das mãos para a pedra vermelha. Alexander chutou o Stilinski e ergueu a mão com a bengala, observando o conde ser jogado de costas no chão.
— apenas saber sobre isso não pode ajudar – murmurou Talia, pensativa, se erguendo.
De fato, saber sobre a similaridade do jogo de tabuleiro com os poderes de Stiles não ajudava muito. Ela conseguia entender a teoria. Mas a prática se mostrava demasiadamente complexa. No tabuleiro, ela saberia muito bem até onde o Stilinski poderia ir, se parasse para contar as casas. Mas, ali, como ela faria? Quanto seria uma casa no mundo real? Um metro? Dois? Centímetros? Passos? Talia não sabia. Se ao menos ela tivesse uma ideia, poderia delimitar o raio de alcance da habilidade. Mas, mesmo assim, não teria tanta eficácia na luta.
Ela era uma loba. Uma genuína loba. Sangue puro. Não possuía uma única gota de sangue mágico em si, apenas bestial. Não possuía um ataque como Lydia, Allan e Stiles, que poderia cobrir toda uma área com facilidade. Mesmo que calculasse o alcance a partir do ponto em que Stiles sumisse, ela seria inútil. Talia não era ágil o suficiente para superar a agilidade do conde e ainda cobrir toda uma área desconhecida. Stiles se ergueu e Alexander flexionou os joelhos.
— já que você possuí uma regeneração tão boa. Não vai se importar se eu treinar um pouco de esgrima em você, certo? – questionou o moreno de olhos verdes levando a mão a pedra vermelha, se surpreendendo logo em seguida, com o sorriso de canto do conde.
Stiles avançou como um vulto na direção do casal. Quando o rapaz passou por ambos, Alexander apenas piscou os olhos, surpreso enquanto Talia girava no mesmo lugar. Stiles parou diante de Derek, que piscou os olhos, perplexo, para o adolescente. Alexander levou o olhar para a bengala, perplexo, quando o sangue começou a escorrer por seu abdômen e cingura. E foi com o olhar que ele confirmou a ausência da pedra vermelha no corpo escuro.
O corte na lateral do seu corpo era longo e profundo. A carne fora aberta. E o Hale sabia muito bem disso. Tinha a impressão de que qualquer um poderia, muito bem, enfiar a mão ali e retirar um de seus órgãos. Derek encarava o noivo, perplexo, o vendo com a espada ensanguentada erguida na sua direção, indicando o posicionamento que ele usou para abrir um corte em seu pai.
Mas algo estava errado.
A medida em que o sangue gotejava da lâmina fina, a mesma tremia minimamente. A respiração do Stilinski estava descompassada. O humano parecia estar com problemas para controlar algo. E foi então, com extrema surpresa, que Derek, juntamente com os ômegas, expressou uma careta de dor. O conde imitou o ato do moreno de olhos verdes com quem compartilhava a braçadeira de fidelidade, antes de morder o lábio inferior e erguer o braço esquerdo, vendo o seu pulso apontar para o chão, embora o cotovelo estivesse flexionado.
— como? – inquiriu Jackson, perplexo.
Stiles se voltou para Talia, a vendo lhe encarar com concentração.
— você... Como você... – o humano fez uma pausa ao morder o lábio com força e grunhiu no instante em que o seu braço quebrado se alinhou, gerando um estalo agoniante.
— como você conseguiu? – concluiu ao suspirar de alívio logo após.
— você é rápido, mas não ainda podemos te tocar enquanto estás avançando – ditou a morena, frustrada ao ver o braço do conde se curar completamente em instantes.
No entanto, ela notou um certo cansaço no olhar alheio.
— eu já sei como superar essa sua capacidade de regeneração – disse o homem mais velho se virando na direção do conde.
— eu vou criar tantos cortes em você que vai se desgastar apenas em tentar curar todos eles – argumentou o alfa lupino, levando a mão ao seu ferimento, que já estava com o processo de cura um tanto avançado.
Stiles gargalhou divertido,
— então vamos ver qual arma é a melhor. As suas dez garras, ou a minha única lâmina – desafiou o rapaz, manuseando a espada habilidosamente.
O Hale e o Stilinski flexionaram os joelhos e avançaram, simultaneamente. Talia se preparou para abordar o conde no ponto exato do encontro dos dois, mas recuou assim que ouviu o som da lâmina da espada tilintar alto e grave. Ela notou o brilho laminado girando ao redor do humano, a medida em que novos sons eram emitidos. Os betas e os ômegas se biram surpresos quando Alexander e Stiles passaram a duelar com a espada e a bengala.
Os dois pararam o confronto, com as duas armas sendo impulsionadas uma contra a outra.
— eu não esperava que fosse tão bom com uma arma – comentou o Stilinski enquanto pressionava a espada contra a bengala sem rubi.
— eu sirvo à rainha. O uso da espada está em nossa cultura há anos. Sem contar que era um bom jeito de esconder minha real natureza para os ingênuos, na adolescência –
— ah! Que intrigante! Gostaria de ter tido a oportunidade de te conhecer em seus tempos rebeldes –
— essa coisa é bem resistente –
O mais velho empurrou o conde, o forçando a recuar, fazendo com que o humano caminhasse de costas para Talia. A mulher tentou cravar as garras nos ombros alheios, para o imobilizar, criando uma brecha para o marido atacar. Mas ela fora surpreendida quando a ponta da lâmina fora apontada para a sua garganta.
— se você fosse um pouco mais silenciosa, minha querida, teria feito um estrago e tanto –
— não vai me ferir aqui, então por que ameaçar? – questionou a morena, pressionando a garganta na lâmina afiada.
— para chamar a sua atenção –
A resposta surpreendeu a alfa, que se viu mais surpresa ainda quando algo se enroscou em seu pescoço. A lâmina deslizou por sua pele, criando um leve corte, antes de os seus dois joelhos serem chutados, a derrubando no chão. Alexander pôde ver Aki e Adrien rolarem para o lado, antes de Porã e Gabriel segurarem a Hale pelos braços.
— esses desgraçados somem e surgem do nada como se passassem por uma porta aberta! – reclamou Peter, irritado com a sua derrota.
— tem que ter uma explicação para isso – murmurou Cláudia, pensativa.
— não faz diferença. Talia é muito mais forte. Pode se soltar facilmente –
— o problema não é se manter presa. O problema é manter a velocidade contra o conde enquanto é atacada por tosos os lados – comentou John, preocupado.
Quando Kim surgiu atrás de Talia e lhe puxou os cabelos, forçando a alfa a erguer a cabeça, Alexander surgiu atrás da velhinha, a atravessando com o corpo da bengala. A velhinha ergueu a cabeça, abrindo a boca como se estivesse rugindo de dor, antes de se desfazer em cinzas. O Hale observou, confuso, o resultado de seu ato, antes de repetir o mesmo nos outros dois seres escuros.
— não adianta. Eles retornam – comentou Peter, irritado.
— não dessa vez – disse Stiles apoiando a sua espada sobre o ombro.
— a madeira dessa bengala é especial. É de uma árvore há muito extinta. Mas seres como eu podem usufruir dela até os tempos de hoje, com muito sacrifício, é claro! Esta madeira é capaz de inibir eles. Quando feridos mortalmente pela madeira, eles demoram um bom tempo para se — ditou o Stilinski começando a caminhar na direção do casal com calma.
— e por que está nos dizendo isso? Somos inimigos enquanto estamos nesse campo de vinhas –
Stiles sorriu para Talia.
— porque vocês tem muito o que aprender. Não é bom sobrecarregar alguém com o conhecimentos. É bom ir ensinando aos poucos –
Alexander avançou contra o mais novo. Ele sabia que a madeira da bengala iria resistir aos golpes da lâmina da espada. Então, tecnicamente, ele também estava armado. O homem saltou sobre o rapaz, girando o corpo. Stiles apenas bloqueou o caminho com a espada, fazendo Alexander golpear a lâmina três vezes seguidas em meio ao giro. Assim que o lobisomem aterrissou, Talia surgou atrás do mesmo, saltando com os pés apontados para o noivo do filho
Stiles repetiu o ato do Hale a sua frente, imitando a mesma pose. Mas, diferente de Alexander, o conde moveu a sua arma, surpreendendo Talia com os cortes em suas pernas. A mulher caiu deitada no chão e rolou pelo mesmo.
— mas que merda! – exclamou Garret, irritado.
Stiles sorriu, antes de Alexander tentar lhe acertar um golpe da bengala. Oo adolescente afundou no chão, irritando ainda mais o homem de cabelos negros.
— o seu tempo está acabando, meu querido sogro – a voz do púrpuro surgiu do chão, deixando o lobisomem confuso e em alerta
Talia, que se encontrava focada em regenerar os cortes em suas pernas, se viu surpresa quando o seu braço se tornou gélido. Ao se lembrar da descrição de John de como se sentira quando quase foi absorvido pelo chão junto com o adolescente, a morena arregalou os olhos em espanto e se jogou par ao lado, rolando. Do chão, onde antes se encontrava exatamente o peito da morena, a lâmina do conde surgiu, rasgando o chão. Os lobos se assustaram com a investida do Stilinski.
— mas que merda! Isso não é brinquedo, garoto! Essa porra pode matar alguém! – reclamou Samira, indignada
Para o espanto de todos, a lâmina passou a percorrer o chão, avançando contra Alexander. O homem, surpreso por ver apenas a lâmina se aproximar, flexionou os joelhos, se preparando. A risada do conde voltou a surpreender os betas do bando Hale.
— e agora? Como vai lidar com um corpo que não pode ver? – questionou com diversão em aua coz.
A lâmina seguia pelo solo, com a barbatana de um tubarão, com a sombra que originara a sua emergência estando a serpentear pelo chão, guiando a arma branca na direção do lobisomem alfa. O moreno de olhos verdes sorriu girando a bengala nas mãos e se preparando.
— eu posso não te ver. Mas eu sei que posso te tocar –
Assim que a espada lhe alcançou, o homem fincou a bengala na sombra. Para a surpresa de todos a lâmina parou de avançar. Mas, para o desânimo de Alexander, ele não sentiu nada sólido ser alcançado pela arma em sua mão. O alfa do bando de lobisomens sentiu o corpo se arrepiar, antes de se afastar num salto. Todos encararam a espada. Esperando que algo acontecesse. Mas tudo o que ocorreu fora o surgimento do conde. Calmo e tranquilo.
— o que houve? Tem medo da cobra dar o bote? – indagou o Stilinski com um sorriso de canto.
O lobo rosnou em resposta.
Todos se viram em choque quando um vulto passou diante do adolescente, que arregalou os olhos em espanto. Talia freou a sua corrida bruscamente ao perceber que se aproximava das vinhas. A loba parou diante do irmão, com as garras expostas, as exibindo. Os betas e ômegas se viram em choque ao notar a cor rubra nas garras escuras. Ao perceber os olhares de espanto para si, a alfa envarou as próprias mãos, se vendo em choque ao perceber o sangue que escorria por suas garras.
— oh merda! – exclamou, em pânico, antes de erguer o olhar para o adolescente, esperançosa de que o Stilinski estivesse bem.
Mas o modo estático como o conde se manteve a aterrorizou.
— não pode ser. Ele... Ele podia ter desviado! – exclamou Derek, perplexo, marchando na direção das vinhas, tentando encontrar um ângulo melhor para observar.
Os engasgos de Stiles o silenciaram e paralisaram. O conde cambaleou para a frente, largando a espada no chão, levando as mãos ao ferimento causado pela alfa do bando Hale. O sangue escorria pelas mãos do humano, deixando todos ainda mais surpresos e amedrontados.
— senhor! – exclamaram os ômega se erguendo de prontidão, descrentes do que estavam vendo.
— puta merda! – exclamou Theo seguindo para as vinhas, desesperado, assim como outros betas do bando.
No entanto, as vinhas que formavam um circulo oval na campina começaram a impedir que todos entrassem no campo, impossibilitando que fornecessem socorro ao humano.
— respirem! Ele ainda está transformado. A regeneração dele será o suficiente – alertou Jhon, fazendo com que, aos poucos, os lobisomens parassem de se amontoar nas vinhas.
As palavras do púrpuro pareceram acalmar não apenas os betas, como também Talia e Alexander, que já começavam a caminhar na direção do adolescente. Quando o casal de alfas parou com o avanço de seus corpos, o Stilinski no campo de batalha se contorceu, ainda pressionando o abdômen com as mãos.
— você... Você desferiu um golpe para matar... – comentou o conde ainda engasgando-se com a dor.
— penseo que você desviaria a tempo. Nas me enganei – ditou Talia, assustada e receosa.
Alexander se colocou diante da mulher, empunhando a bengala com firmeza.
— não se deixe enganar, Talia. É um blefe. Ele se curou de um braço quebrado em segundos. Seus dentes ressurgiram com velocidade. Esse corte não pode matar ele – o homem, então, avançou contra o genro, que apenas se manteve estático.
Alexander golpeou a cabeça do conde com a bengala escura, surpreendendo a todos quando o corpo de Stiles fora dobrado para trás com o golpe. O movimento repentino do corpo, somado ao som do golpe na cabeça alheia gerou espanto e desconforto. O ferimento no abdômen do adolescente rasgou o deu corpo ao meio, surpreendendo os betas. O sangue que jorrava do corpo dividido em dois assustou os membros do bando Hale, que exclamaram em espanto e repúdio.
Talia, que se encontrava perplexa, franziu o cenho com a quantidade de sangue que esguichava da cintura alheia. O corpo mais parecia um gêiser de sangue do que um corpo de verdade. O sangue subia alto, ao ponto de ultrapassar a altura dos lobisomens, a deixando confusa. Alexander encarava a cena com confusão e receio.
— mas o que merda está acontecendo aqui? –
— tem alguma coisa muito errada – murmurou Talia erguendo a mão para a chuva vermelha que começou a ocorrer.
E foi então que ela notou. O que caía ao seu redor, não era sangue. Ao invés de um líquido escarlate com cheiro e gosto férricos, o que alcançou a palma da mão da loba foi uma escama escura. Ao lado da escama, um pétala de tosa caiu, uma pétala com a tonalidade extremamente similar a da escama. Quando todos perceberam que o que jorrava do corpo alheio não era sangue, o pânico se dissipou. O gargalhar do adolescente lhes chamou a atenção, antes de o corpo do Stilinski murchar no chão e a chuva de rosas e escamas cessar.
— o que houve? – a voz do conde ecoou pela clareira.
Alexander, novamente em alerta, ergueu a bengala e começou a caminhar na direção do corpo murcho como e embolado, como roupas abarrotadas sobre o chão. O homem levou a bengala para a pele vazia, se surpreendendo ao erguer a mesma.
— isto... É a pele velha – comentou em um sussurro.
— por um breve momento, pareceu que vocês se preocuparam com as consequências dos seus atos – provocou o adolescente e logo as pétalas e escamas começaram a se mover, seguindo na direção de Alexander.
— ele sabia que Talia iria atacar pelas costas. Não foi ele que saiu do chão. Foi apenas a pele vazia recheada com magia – murmurou Cláudia, surpresa, encarando o conde surgir do chão, do ponto exato em que as pétalas e escamas giravam como um redemoinho.
A medida em que o rapaz surgia do chão, as pétalas e escama sumiam. O rapaz se colocou de pé atrás do alfa moreno de olhos verdes
— eu admito que foi divertido, Alexander. Mas o tempo está passando –
O Stilinski soou calmo enquanto erguia a sua espada. O Hale se afastou o mais rápido que conseguiu. O púrpuro moveu uma das pernas, se colocando de lado a medida em que erguia a espada, deitada no ar, na altura do ombro, com o braço um tanto flexionado.
Derek cerrou o punho, nervoso.
— a dança das rosas – murmurou o moreno e os membros do bando Hale engoliram em seco, enquanto os ômegas sorriam de canto.
— muito bem, beta. Está quase tão bom quanto Ennis. – ditou Ethan com um sorriso traquino no rosto.
— mas apenas quase – provocou Lydia, cobrindo a boca com o leque, escondendo o seu sorriso travesso.
Ennis sorriu com a provocação dos ômegas. O homem negou com a cabeça ao perceber que Derek aceitara a provocação, lhe encarando de canto de olho. O beta do bando da Rosa Negra apenas suspirou e se acomodou no solo.
— ainda falta muito para ele chegar, se quer, perto –
Derek segurou o rosnado perante a provocação do calvo.
— mas, voltando ao combate, eu já estava achando estranho toda essa demora – comentou o Bishop fixando o olhar em seu novo alfa.
— demora?! Eu achei foi rápido! – exclamou Jackson indignado, vendo Talia avançar contra o conde, interrompendo o posicionamento do mesmo, que saltou para trás, se esquivando.
— ele demorou mais com Braeden para poder usar isso – comentou Vernon, curioso.
— eu também achei mais demorado. Mas levando em consideração que são os alfas primordiais, e que, desta vez, ele realmente tem a intenção de usar, não apenas de brincar, se torna compreensível – ditou Isaac, cruzando os braços diante do peito.
— Braeden não era nada. Ele estava apenas brincando com ela – rebateu Liam, de forma grossa, se focando na luta.
— não vou deixar que use isto – ditou Talia voltando a avançar no rapaz, que voltou a saltar, se esquivando.
— a lógica dela é boa – ditou Scott, sorrindo minimamente.
— mas peca na execução – disse Allison vendo a morena passar ao lado do conde mais uma vez.
— mas se continuar assim ele não vai conseguir usar a dança, certo? Então, tecnicamente, está dando certo – comentou Theo curioso, observando Erica e Liam rirem de suas palavras.
— ele já está usando – as palavras da ruiva surpreenderam os betas.
— é claro que eles não perceberam – provocou Corey, irritado.
— não se pode julgar isso. Só viram a técnica uma única vez. E justamente na que viram, não era uma luta séria – comentou Kira.
— eles não puderam ver do que, realmente, se trata a dança das rosas – concluiu Aiden, sorridente.
Stiles rolou de costas no chão, esquivando do golpe de bengala executado por Alexander. Assim que o rapaz se colocou de pé, rapidamente, Talia lhe desferiu uma rasteira, da qual o conde se esquivou com um salto para o lado. Marido e mulher se colocaram, cada um, de um lado do adolescente, passando a atacar o mesmo. No entanto, nenhum dos golpes o atingia. Stiles conseguia desviar de todos com exímia facilidade, surpreendendo o casal, que já começava a questionar as suas chances de vitória em combate.
“Se continuar desse jeito, só conseguiremos o vencer se o forcarmos a sair ou se ele se cansar”
Pensou Talia, enquanto desferia golpes com suas garras que não tinham sucesso algum em seu objetivo.
— viu? A dança das Rosas não é um movimento ofensivo. Uma dança não possui apenas um objetivo – ditou Kira enquanto assistia o seu alfa desviar de todos os ataques, forçando o casal Hale a recuar, cansado.
— não é ofensivo?! – inquiriu Derek, surpreso.
Se recordava bem de todos os ataques utilizados em Braeden durante a dança das rosas. Ennis bufou pelo nariz, sorrindo vitorioso.
— é uma técnica neutra. Utilizada tanto para o ataque quanto para a defesa – disse o calvo apoiando o braço no joelho, chamando a atenção de um moreno de olhos verdes, que se irritou com a sua voz.
— Stiles criou essa dança para ser usada para finalizar o combate. Mas ela não pode ser utilizada no início de um. O mais surpreendente, é que ele tirou a ideia do jardim de seu irmão mais velho – Derek franziu o cenho para o lobisomem beta do bando de Stiles.
— você estava lá quando ele criou? –
— sim –
— o objetivo da dança das rosas é analisar o oponente, para poder criar uma linha de dedução sobre os seus movimentos. Então, seguindo essa dedução, o nosso alfa pode se mover de forma a anular os movimentos alheios – explicou Lydia voltando a se abanar com o seu leque.
— exatamente como uma tosa dançando no vento. Você tem que tomar cuidado ao tentar colher ela, para não pegar os espinhos – concluiu Ennis vendo o púrpuro estalar os dedos e seis dos corpos escuros do Jardim dos Mortos se ergueram ao ser redor, voltados para Alexander.
— está na hora de alguém perder -
O Stilinski deu as costas ao lobisomem, começando a marchar na direção de Talia com a espada empunhada em sua mão direita. O lobisomem rosnou, enquanto via a esposa adquirir uma posição de defesa. Stiles girou a espada na mão, criando um zumbido pela velocidade que o objeto cortava o ar. O Hale cerrou o punho no corpo da bengala e analisou o campo a sua frente.
— todos eles possuem a força de um humano, apesar de a velocidade ser superior. Estão posicionados com certa distância. Logo, eles não vão conseguir me conter se eu forçar a passagem – murmurou o moreno analisando a situação com cuidado.
— sem contar que o conde está do lado de fora dos corpos. Então ele não vai conseguir me atacar através deles – murmurou Alexander, pensativo.
O homem flexionou os joelhos e avançou contra o conde Stilinski. Os corpos escuros se moveram para se colocar em seu caminho, mas, estranhamente, apenas dois deles, realmente ficaram em seu caminho. O alfa lobisomem ultrapassou o primeiro sem problema algum. Talia observou passar pelo primeiro corpo escuro, antes de o conde sorrir, os seus olhos se tornarem vazios e a pele do seu rosto escurecer. No mesmo instante, os corpos avançaram contra Alexander, que preparou a bengala para os perfurar.
— um caiu – ditou Stiles, agora com a aparência de Aki, que agora era quem se encontrava diante de Talia, surpreendendo a morena.
No mesmo instante, Talia se recordou das vezes em que o Stilinski fora arremessado para fora. O seu corpo escureceu e ele emergiu do corpo escuro. Da mesma forma em que os seus ataques emergiram dos corpos na luta contra Peter. Talia logo compreendeu do que se tratava, assim como Alan Deaton.
— é uma armadilha! – repreendeu a Hale, surpreendendo o marido, que só então notou o corpo escuro de Aki no lugar de Stiles.
— e ele caiu – murmurou Alan, sorrindo de canto.
— o quê?! – Jackson estava confuso.
Alexander preparou para golpear o primeiro corpo escuro com a bengala, quebrando o seu pescoço. No entanto, o lobisomem prendeu a respiração, em choque, ao ver a espada fina surgir da palma do corpo da mulher e bloquear o seu ataque. O homem recuou um passo, tentando se afastar, mas logo a lâmina voltou a sumir, lhe assustando. Ele não sabia de onde viria o próximo ataque, muito menos, quando. A concretização do seu receio veio no corte nas costas.
O homem se virou rapidamente, tentando se defender, mas apenas criou mais ima brecha, pois logo outro corpo escuro havia lhe golpeado o ombro com a espada. Quando ele se virou, novamente, ele notou os corpos escuros abaixados, simulando um agarre em espadas invisíveis em suas cinturas. Olhando para baixo, encontrou o conde, abaixado diante de si, desferindo um soco em seu abdômen.. Alexander não teve tempo de reação. Stiles forçou o homem a se curvar para a frente, largando a sua bengala no chão. O alfa recebeu um soco potente no queixo, o forçando a erguer o abdômen e arquear as costas.
— acabou para você – ditou o adolescente, antes de voltar a desaparecer.
Todos os corpos escuros passaram a golpear o ar com os braços. O brilho prata da espada era exibido devido a lua e as tochas que os circulavam. Alexander se quer se moveu. Apenas sentia os cortes em seu corpo surgirem enquanto ele se mantinha de pé. Talia correu de encontro ao marido, tentando ajudar o mesmo. Mas, assim que desferiu um soco potente na cabeça de Adrien, a mulher fora surpreendida pela mão do conde saindo dos cabelos escuros, e logo em seguida um pé atravessou as costas do adolescente e lhe acertou o abdômen.
Mas ela não desistiu. Voltou a atacar o rapaz, desta vez com uma rasteira, mas o conde voltou a lhe surpreender quando ambas as pernas surgiram das nádegas do adolescente de olhos vazios, lhe acertando o peito de forma certeira. A mulher fora jogada para trás, mas ela logo agarrou as pernas alheias. As suas garras rasgaram a roupa e a pele alheia, fazendo o sangue jorrar em seu rosto. A espada passou diante de seus olhos, criando um lwve corte em seu nariz. Com o susto, Talia recuou e Stiles saiu do corpo de Adiren, para voltar a acertar um chute, desta vez no rosto de Talia, a empurrando mais ainda.
Quando o brilho prateado da espada desapareceu, os betas encararam, surpresos o desenho que se formou no gramado com todos os respingos de sangue espalhados pelos movimentos da espada do rapaz. Alexander caiu de joelhos, antes de cair de peito no chão, deitado sobre a rosa sangrenta. Os corpos escuros desapareceram como cinzas ao vento e o conde jogou a espada para o lado, a limpando quase que completamente do sangue de Alexander.
— esse aí não levanta tão cedo – ditou Isaac, sorrindo de canto.
— por mais que a regeneração dele seja boa. O nosso senhor cortou ele vezes demais justamente para cansar o seu corpo – comentou Erica observando como o homem aparentava estar exausto, ao ponto de se quer se mover.
— isso sem contar que Stiles acertou pontos específicos da musculatura dele. Mesmo que tenha energia, ele não pode se mover até que se cure por completo. E os pontos específicos de nossa musculatura levam tempo para se curar – explicou Kira vendo o Hale tentar mover a mão, sem sucesso algum.
— em outras palavras –
— ele pretende derrotar a minha mãe antes que o meu pai levante — murmurou Derek vendo o rapaz se manter de pé com certa dificuldade.
Os cortes gerados pelas garras de Talia já apresentavam sinais de cura avançada. No entanto, para a surpresa de alguns, a velocidade já não era a mesma de antes, mas ainda superava expectativas. Quando embainhou a sua espada mais uma vez, Stiles se apoiou nela, para aliviar o peso em suas pernas.
— se serve de consolo... Eu esperava conseguir isso mais cedo. Mas vocês realmente me seguraram – ditou o Stilinski enquanto encarava a loba com um sorriso traquino no rosto.
Talia rosnou, enfurecida.
Corey desviou o olhar para o vilarejo, franzindo o cenho para a mata.
— a verdade é que você queria isso, não é? Todos vocês queriam – o conde soou autoritário enquanto marchava na direção do corpo de Alexander.
Talia se moveu, colocando-se entre o conde e o seu marido.
— ele já está no chão, Stilinski. Agora você deve lutar comigo – ditou a mulher, adquirindo uma posição de defesa.
“Alexander tem que continuar no campo. Se Talia conseguir expulsar o conde em uma manobra suicida, ainda podemos ganhar”
Era o pensamento de alguns membros do bando Hale.
Stiles sorriu de canto.
— as crianças estão se aproximando – alertou Corey e algumas pessoas olhou na direção do vilarejo, confirmando a suspeita do ômega.
Eles conseguiam ouvir os passos calmos e não tão silenciosos, bem como as conversas em sussurros dos pequenos.
— eles já deveriam estar na cama – resmungou uma beta, receosa de que os pequenos presenciassem o alfa mor caído e ensanguentado.
Talia iria uivar para repreender os jovens membros que se aproximavam com o intuito de sanar a sua curiosidade, mas a mulher fora interrompida por uma reação do próprio corpo. A mulher grunhiu e se curvou para a frente. Com as mãos sobre o peito e o abdômen, a morena rosnava e grunhia, deixando todos os presentes confusos. O conde franziu o cenho, confuso. Ele tentava entender se aquilo era algum tipo de blefe muito do mal feito. As garras de Talia começaram a se tornar mais grossas e a sua pelagem começou a engrossar, surpreendendo os seus betas.
— ela ainda tem como ficar mais entrelaçada com a sua loba? – inquiriu um dos betas, surpreso com o crescimento muscular da mulher.
— não... Não que eu saiba. Treinamos juntos. Aquela era a forma bestial da minha irmã – respondei Peter, confuso.
— então o que está acontecendo? – inquiriu Isaac, curioso.
O rugido de raiva e dor de Talia surpreendeu a todos, bem como os pequenos, que tentaram acelerar o passo. A musculatura da alfa praticamente havia dobrado de tamanho. Os olhos se mostraram escarlates opacos, como se o seu brilho de visa houvesse se apagado. A mulher se jogou de joelhos no chão e fincou as garras no solo, rasgando o mesmo ao tentar conter a sua dor. Em instantes, todos os membros do bando Hale sentiram o corpo tremer com o desejo de sangue que emanava da mulher. O instinto assassino da loba tomava conta da clareira, aterrorizando os betas e excitando os ômegas.
— ela... Está virando uma ômega? – questionou Scott, confuso, observando a similaridade da forma nova da mulher com a sua e a dos outros três lobisomens em seu bando.
— é impossível! Ela não renegou o bando! Se quer se manteve isolada dos outros – argumentou Allison, confusa.
— isso vai ficar interessante – comentou Liam sorrindo divertido para o canpo de vinhas, bem como Kira e Erica.
— ômega ou não... eu queria estar ali – comentou Lydia fechando o leque e mordendo a ponta afiada do mesmo, sensualmente.
— não perco isso por nada – comentaram os gêmeos sorrindo largo.
Stiles se mostrou surpreso antes de gorar a bengala na mão, colocando a pedra vermelha em sua palma e o corpo passando por entre os seus dedos. e abrir os braços, com as mãos voltadas para cima, erguendo a cabeça para a lua. Do chão, no exato limite entre o campo e as vinhas, escamas começaram a surgir do chão, se encaixando umas sobre as outras, começando a criar uma barreira que cercava o campo.
— o quê?! – inquiriu Erica, indignada.
— NÃO! – protestaram os ômegas, desapontados.
— o que está acontecendo? – perguntou Derek observando os betas de seu noivo suspirarem, desanimados.
— ele não quer que os pequenos vejam a luta — disse Alan, apontando na direção das árvores que escondiam a clareira do vilarejo, onde os mais novos surgiram pouco tempo depois, tentando se esconder nas sombras e falhando miseravelmente.
Logo pétalas de rosas escuras começaram a cobrir as escamas, mudando a aparência da barreira.
— nem eles e nem nós, pelo visto – murmurou Miranda, levemente chateada.
— Heather! – pronunciou Ennis, erguendo a mão e chamando a garota com a mesma
Não demorou nada para que, envergonhada por ter sido descoberta, a garota se aproximasse do próprio bando. Jhon assobiou e logos os pequenos do bando Hale começaram a sair dos seus esconderijos, caminhando na direção de seus pais, que agradeciam o fato de seus ferimentos não deixarem marcas em sua pele.
— você não deveria estar na cama? – indagou Allison observando a garota se sentar ao lado de Ennis, abraçando a mão do Bishop assim que o mesmo passou o braço por seus ombros.
— vocês estão brigando. Não consigo dormir – respondeu a mais nova, receosa do sermão que receberia.
— deixe a garota! Ela precisa saber do que nós somos capazes – argumentou Kira, se erguendo e se aproximando da garota, passando a pentear os seus cabelos.
— vocês deveriam estar dormindo! – repreendeu Cláudia vendo a filha e a prima se colocarem ao lado de Laura.
— quem está ganhando? – Malia ignorou o sermão da mãe.
— os ômegas, filha. Os ômegas – respondeu John observando as crianças encararem o pequeno bando, surpresas.
— e quem já lutou? – inquiriu um garoto, olhando com expectativas para o pai.
Com um nó na garganta, o homem respondeu.
— todo mundo. Agora, Talia e o humano estão lutando – respondeu apontando para a barreira de pétalas a sua frente.
— todo mundo tem que entrar ali para lutar? – indagou uma garota observando a barreira escura com curiosidade.
— não. Essa coisa apareceu só agora – respondeu Samira, evitando olhar para a irmã caçula, tentando achar um jeito de observar a luta.
— e quantos deles o nosso bando derrotou? – perguntou Cora, surpresa.
Os pequenos estranharam o clima pesado que se formou com a pergunta da garota.
— apenas o Kanima saiu derrotado. Mas ele não usou a força toda – Laura soou calma, acariciando o ombro da irmã mais nova.
— caramba! Eles são fortes, não é?! – exclamou Malia observando os ômegas interagirem entre si.
— mas que merda! – exclamou Corey se aproximando da barreira, passando a analisar a mesma.
Alguns betas seguiram o ato do ômega.
— essa coisa... É macia – comentou Jackson, surpreso.
Ele, realmente, sentia a textura de uma flor ao tocar na barreira.
— tenta escalar – sugeriu Liam e Corey fixou as garras na barreira mágica, mas logo as retirou.
— não dá. É macio demais. E minhas garras escorregam nas escamas – informou recolhendo as garras.
— deixe eu tentar ver por cima – sugeriu Lydia começando a flutuar na direção da barreira.
Assim que atingiu o topo, que não era distante, suspirou pesarosa e logo retornou ao solo.
— é uma caixa. Não dá para ir por cima -
— vocês dois não conseguem quebrar? Juntos devem ser muito mais fortes – inquiriu Derek e os dois adolescentes louros bufaram em resposta.
— e contrariar ao nosso alfa?! Nem ferrando! – exclamou Erica, cruzando os braços.
—sem contar que não somos o seu circo de aberrações para ficar lhe entretendo – rebateu Liam se jogando deitado sobre a grama.
Derek expressou uma careta de descontentamento, suspirando logo em seguida. Ele não queria irritar o louro baixinho, entretanto, o rapaz havia entendido errado a sua intenção. Kira chamou a atenção de todos ao soltar um sonoro “Bem”, enquanto permanecia a pentear os cabelos de Heather com o seu pente prateado.
— se ele não quer, então assim vai ser -
A atenção de todos deixou a mulher quando o som grave de um impacto ocorreu na barreira. Eles desviaram o olhar para o ponto diante de Joseph, observando as pétalas eriçadas, rebelando as escamas abaixo delas, que se movimentavam como as águas de um lago após uma pedra ser jogada nelas. Logo as pétalas voltaram ao normal, cobrindo as escamas.
— o que foi isso? – questionou o rapaz, surpreso, vendo o mesmo evento ocorrer no topo da lateral da barreira, logo acima do ponto anterior.
— estão lutando lá dentro. Alguém está acertando a barreira ou sendo jogado nela – respondeu Kira finalizando o penteado na jovem ômega
— aquilo é comum? – indagou Heather apontando para a barreira.
— não querida. Não é. Mas eu já vi. Mais de uma vez –
— nós só vimos quando ele precisou parar o Liam após um surto, logo no começo dele como um membro do bando – informou Scott observando mais um impacto ocorrer na barreira, desta vez diante de Derek.
— consegue quebrar essa barreira? Ela é mágica. E você é um mestiço – indagou Benjamin, observando Alan menear em concordância.
— sim. Eu poderia. Mas eu levaria muito tempo. Horas ou talvez um dia inteiro. Depende de o quão forte ele fez a barreira –
— não quer tentar? – indagou Paul observando o druida negar.com a cabeça.
— quem sabe em uma próxima oportunidade? –
— ninguém do bando vai quebrar a barreira! – ordenou Cláudia, irritada.
— ela está certa. Se ele quer privacidade durante essa última luta, devemos dar. É o mínimo que podemos fazer depois do que vocês fizeram – disse Miranda desviando o olhar do beta para o seu marido.
— então vamos apenas sentar e esperar? – questionou Joseph, confuso e desapontado.
— calado! – ralhou o pai do adolescente, golpeando sua cabeça com a palma da mão.
— a situação deve estar complicada para Talia – comentou John, pensativo.
— eu não sei, não. Aquele estado em que ela ficou quando o conde ergueu a barreira... Ela parecia ainda mais forte do que antes –
— o problema não é a força dela. Mas, sim, a permanência de Alexander lá dentro – argumentou o alfa chamando a atenção para aquele fato, até então, esquecido.
— Stilinskis – comentou Scott, sorrindo de canto.
— sempre pensando – concluiu Isaac sorrindo para o alfa castanho.
— Talia não tem apenas que lutar contra o conde. Ela tem que impedir que ele se aproxime de Alexander –
— e agora, com a barreira, ela, com toda certeza, não vai poder jogar ele para fora do campo –
— em outras palavras: ou ela derrota, ou admite a derrota – concluiu Benjamin, preocupado.
— se ao menos ele estivesse desarmado – comentou Laura, desapontada.
Ela fora uma dos adversários do conde. E se quer consegui se livrar do armamento do mais novo. E ela, assim como Lance, Derek e os alfas, sabia bem o quão forte era aquela bengala misteriosa. Lance caminhou até a barreira, tocando a mesma suavemente, sentindo a sua pele arder levemente quando as suas garras alcançaram as escamas escuras. O louro desistiu de perfurar a barreira, passando apenas a tocar as pétalas macias.
— se ao menos ela pudesse se livrar daquela espada – murmurou o Villin suspirando pesado.
No mesmo instante, a lâmina fina atravessou a barreira, ao lado de sua mão, parando a poucos milímetros do pomo de adão do louro. O semi-alfa, surpreso, recuou instantaneamente. Logo em seguida, um baque ocorreu na barreira e ela tremeu na região, e então a pedra vermelha, suavemente, atravessou a barreira.
— a espada do conde – murmurou Cláudia, surpresa.
— Talia o desarmou! – Benjamin exclamou, animado.
Lance se abaixou para acolher a arma na mão, mas a mesma deslizou pelas vinhas, se afastando. O objeto cortou o campo, desenhando metade do contorno das vinhas, antes de se dirigir para Derek. Passando a levitar diante do Hale, com a pedra vermelha emitindo um brilho quase inexistente. O moreno e olhos verdes, confuso, desviou o olhar para os ômegas, os vendo lhe observar com naturalidade.
—-o que está acontecendo? – questionou o beta, receoso de fazer algo errado
— são os brincos – murmurou Vernon e Derek se virou para o amigo.
— eles estão brilhando também – comentou Theo, surpreso.
— a barreira mágica impede que ela sinta o nosso mestre. Então a pedra reage àquilo mais próximo do outro eu do nosso senhor, que no caso, são as pedras vermelhas em seus brincos – explicou Kira vendo o moreno encarar a arma, surpreso, antes de tentar pegar a mesma.
— não toque! – repreendeu Liam, assustando o moreno.
— isso não te pertence. Está apenas reagindo com os brincos, enquanto aguarda o seu dono legítimo – comentou Erica, irritada.
— mas se a pedra vermelha está aqui – iniciou Peter, pensativo.
— não há nada lá dentro que segure o outro eu do conde, caso ele saia do controle – concluíram Miranda e Alan, observando a barreira mágica.
Não demorou muito para que vários pontos da barreira começassem a se eriçar, rapidamente, um atrás do outro, surpreendendo a ambos os bandos. Ennis encarava a barreira, levemente boquiaberto, assim como Heather, enquanto os ômegas sorriam de canto.
— caramba! – Liam exclamou, animado.
— a coisa está divertida lá dentro –
Logo a barreira começou a sofrer alterações em um único ponto, chamando a atenção de todos. O silêncio reinou enquanto todos assistiam as pétalas começarem a se eriçar cada vez mais, aumentando a área de exposição das escamas. O som de vidro se quebrando pegpu todos desprevenidos, principalmente quando as pétalas e escamas explodiram, e acompanharam um objeto voador até uma árvore que cercava a clareira.
Os membros do bando Hale prenderam a respiração, nervosos. Eles sabiam que alguém havia sido arremessado do campo. Alguém havia apanhado o suficiente de algo forte para romper a barreira. Todos suspiraram, surpresos, ao olharem para o campo, vendo as escamas e pétalas caírem elegantemente sobre o campo, indicando que a barreira havia sido desfeita. No limite do campo com as vinhas, no local em que a barreira fora rompida, estava quem havia ganho a disputa.
— Talia? – inquiriu Vernon, surpreso, vendo a criatura em que a mulher havia se transformado, cansada, arfar pesadamente, retornando a sua forma humana e cair de joelhos sobre as vinhas, antes de cair deitada sobre as plantas que lhe abraçavam com determinação, indicando a sua derrota.
Os bandos olharam para a árvore, observando o conde se manter de pé com certa dificuldade, em sua forma transformada, enquanto algumas pétalas e escamas se encontravam presas em seus fios púrpuros, logo se dissipando em cinzas. O que mais chamava atenção, era que a sua transformação, agora, era diferente. Apresentava escamas no corpo e seus cabelos eram duros como espinhos ou hastes de ferro, o seu nariz havia encolhido um pouco e seus olhos se tornaram mais arredondados. Atrás do adolescentes, cinzas eram espalhadas ao vento.
Kira sorriu.
— ele usou os corpos do jardim dos mortos para amortecer o impacto com a árvore –.
— Stiles? – inquiriu Derek, descrente, observando o adolescente começar a marchar na direção do campo de vinhas.
No decorrer do caminho, os ômegas se ergueram, mas pararam com o leve erguer de mão do conde. As escamas no corpo de Stiles começaram a cair, se tornando cinzas escuras antes de atingirem o chão. Os seus cabelos, púrpuros, tomaram a cor castanha, enquanto se abaixavam, retornando ao normal. O rapaz mancava com a ajuda da bengala sem pedra vermelha.
O conde apontou, suavemente para Derek, e a espada com a pedra vermelha flutuou até o objeto, se encaixando no mesmo sozinha. O Stilinski alcançou as vinhas, onde Talia era mantida deita, mesmo que não tivesse forças para se erguer.
— parabéns... O mestiço é seu – ditou o conde antes de se deixar cair de joelhos sobre as vinhas e ajustar o cabelo da mulher, que cobria-lhe os olhos, atrás da orelha, liberando a vista para a alfa.
A alfa tentou proferir algo, mas a sua voz não saía. Ela apenas conseguia gaguejar grunhidos exaustos. O conde apoiou as duas mãos na bengala, antes de começar a afundar no solo.
— Preparem-se! Vamos voltar aos nossos aposentos! Nós perdemos – ordenou o rapaz e, instantaneamente, todos os membros do seu bando, se colocaram de joelhos, lhe reverenciando.
Heather, um pouco sem jeito e desordenada, seguiu os movimentos dos outros, sem prestando atenção na postura de Ennis para imitar o homem.
— como quiser – responderam e uníssono, com a garota proferindo um pouco atrasada.
Ennis puxou Heather para si, a colocando ao seu lado. Para a surpresa do bando Hale, aos poucos, todos foram sendo engolidos pelo chão, desaparecendo diante de seus olhos.
— mas que porra! Eles podem fazer isso?! – exclamou Jackson, perplexo.
— obviamente, eles não usaram de sua força total – comentou John, observando Peter marchar até Alexander e se abaixando ao lado dele.
— mas no final a gente ganhou! – comentou um dos betas adolescentes, sentindo todo o peso dos olhares de grande parte do bando em si.
— nisso ele tem... –
— cale a boca e espere pelos alfas – ordenou Miranda, surpreendendo a maioria pelo jeito rude.
— e agora? O que vamos fazer? – questionou o louro observando Lance seguir até Talia e a colocar nos braços, enquanto Alan golpeava o solo com o seu cajado duas vezes, desfazendo o circulo de vinhas.
— primeiro, vamos voltar para o vilarejo. E depois, eu digo o que vamos fazer – respondeu o alfa mor sentindo o louro lhe agarrar um dos braços, enquanto John lhe erguia pelo outro.
Os dois apoiaram o homem em seus ombros, enquanto Cláudia ordenava para que todo o bando retornasse. O grande grupo de lobisomens foi guiado por Cláudia e Miranda, ao mesmo tempo em que Benjamin, Alan e Laura as seguiam, escoltando o mestiço ainda enrolado em vinhas, enquanto Lance, John e Peter iam com Talia e Alexander atrás de todo o bando. Os alfas encaravam com fúria o modo aliviado com alguns dos seus betas comentavam sobre a vitória de última hora na disputa.
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