The Engagement
49 Comer
Derek estava sentado em sua cama ainda tentando processar tudo o que havia acontecido naquela noite. Era muita coisa acontecendo para que ele pudesse assimilar tão rápido. Ele viveu uma vida pacata e tranquila, apesar de ser um lobisomem. Como o bando Hale havia declarado a sua fidelidade a rainha, caçadores oficiais não ousavam atacar os bandos que serviam a coroa de forma tão direta. Eles poderiam atacar pequenos grupos que se encontravam em serviço de caçada e acabar se livrando da culpa devido ao trabalho que eles tinham em comum: caçar seres da noite em nome da coroa.
E ter enfrentado o bando da rosa negra naquela noite havia lhe mostrado o quanto o mundo do lado de fora do vilarejo poderia ser assustador. As imagens de Ennis lidando com os adolescentes sem se quer usar uma das mãos lhe surpreendia; assim como Scott lidando com betas adultos como se fossem crianças em treinamento; Allison lidar com um grupo de lobisomens sozinha, como uma equipe de caçadores de um homem só; Isaac enfrentando tantos betas simultaneamente, sem se quer usar as mão; Kira brincar com a mente dos seus companheiros tanto dentro quanto fora das vinhas; Lydia sentada no chão enquanto os seus golens eram o suficiente para segurar os betas que enfrentava; os gêmeos brincando com os adversários, antes de se unirem e virarem Steinner rugindo com a sua voz gutural; Liam se transformando no gigante ósseo, antes de voltar a forma humana, que parecia mais assustadora depois de revelado o seu eu interior; Erica, completamente entediada, enquanto enfrentava os seus adversários; e Corey, que lidou com uma parcela considerável do bando Hale sozinho.
Mas a sua maior surpresa, sem sombra de dúvidas, fora o seu noivo. A magia escura a troca de pele, a sua regeneração superior a tudo o que ele havia visto, os corpos escuros, a derrota do seu pai, a disputa com a sua mãe, a barreira, e a retirada do bando de ômegas. Ele não esperava por aquele final de batalha. Na verdade, Derek achava que ninguém eu seu bando pudesse estar esperando por aquilo. O moreno de olhos verdes suspirou, antes de encarar o chão de seu quarto, curvando o torso e apoiando os cotovelos nos joelhos.
Um casamento era uma responsabilidade e tanto. O lobisomem nunca havia parado para pensar nisso. A união não se resumia a apenas uma pessoa. Um casamento não é apenas conquistar uma esposa ou um marido e pronto, tudo resolvido. Era como cair no centro da teia de uma aranha. Você tinha algo em específico, o centro, mas ele estava conectado há vários pontos que o sustentavam. Logo, você também se ligava a esses outros pontos. Assim como o seu casamento com Stiles não lhe trará apenas um conde com quem passaria a vida, mas todo um grupo de guerreiros incrivelmente fortes que, aparentemente, não gostavam muito de sua cara.
Ser adulto era uma barra e tanto. Ser um adulto comprometido então...
Ele estava frustrado e irritado.
Frustrado por saber que precisava levar o casamento adiante, o que não seria um problema, pelo que ele via até agora. O seu pretendente era um homem, o que ainda lhe deixava receoso, mas era um homem educado, que tratava a sua família bem. O que realmente lhe incomodava era o tempo. Ele não sabia quanto tempo era necessário para poder evitar a tragédia que Alan previu. Ele sabia que tinha que agir rápido para que o casamento acontecesse. Entretanto, Derek não queria ir rápido demais e acabar estragando tudo.
E por falar em estragar tudo, Derek sentia que teria que ter uma conversa com os membros do seu bando. Ele iria implorar, se fosse preciso, para que eles evitassem, ao máximo, gerar qualquer tipo de desconforto e irritação nos ômegas. Mesmo que sua tia Cláudia já tivesse dado um bom discurso de repreensão durante o caminho de volta para o vilarejo, Derek senti que devia mostrar ao bando que não haveria pontos negativos na inserção do bando pequeno n alcateia de sua família.
Os seus três tios repreenderam todo o bando, repugnando o comportamento do mesmo diante dos aliados e, principalmente, após o resultado da disputa entre as duas alcateias.
“Vocês estão orgulhosos do quê?!”
“Se isso fosse uma guerra entre bandos, quL de vocês estaria vivo para se vangloriar?”
“Nós perdemos todas as batalhas. Ganharam uma apenas porque o conde interveio e ordenou que o ômega desistisse”
“Sem contar que esqueceram completamente o foco. O objetivo não era ganhar o mestiço, idiotas. O mestiço já era nosso. O conde ofereceu o prisioneiro para nós como símbolo de lealdade, para que ganhássemos a recompensa da rainha por sua cabeça. O verdadeiro objetivo dessa duelo de bandos era medir forças! E vocês perderam essa disputa. Nós perdemos!”
E o acesso de raiva da mulher calma e tranquila pareceu surtir efeito em seu bando. Mas, mesmo assim, Derek iria conversar com alguns membros da alcateia. Principalmente aqueles que criaram toda aquela situação ao, simplesmente, encurralar o bando aliado na entrada do vilarejo. Precisava mostrar controle com a situação e naturalidade. Mesmo que ele não tivesse controle algum.
Um suspiro voltou a escapar dos seus lábios.
— e mais uma vez, vocês dois não me ajudaram – murmurou levando sua mão ao brinco em sua orelha direita.
Ele se recordava de ter colocado os brincos um certo tempo antes de a animosidade entre os dois bandos explodir. Havia descido para a biblioteca afim de esperar que o humano retornasse da caçada ao mestiço para que pudessem repetir o momento de paz e tranquilidade que tiveram enquanto assaltavam a geladeira na madrugada anterior. Mas, após o duelo entre as duas alcateias, Stiles havia se fechado em seu quarto e não havia saído do mesmo ainda. Derek sabia que ele estava em seu quarto. Havia o cheiro do conde escapando por entre as frestas da porta. O lobisomem imaginava que ele estivesse exausto da disputa. Stiles enfrentou um beta, dois semi-alfas, um druida e sete alfas. E mesmo que Alan não tivesse a força física de um ser como ele, o velho druida sabia compensar com magia e conhecimento.
E então, como um estalo, a mente de Derek trabalhou rapidamente de forma repentina.
— ele deve estar exausto demais para levantar e fome demais para lutar contra o cansaço – pensou consigo mesmo antes de se erguer e rumar para o corredor.
Derek fechou a porta do quarto com cautela, para não acordar qualquer um que já estivesse dormindo. Ele desceu até a cozinha e passou a reunir algumas frutas em uma bandeja, junto com alguns dos doces de noivado em alguns pirex. Allison surgiu na porta da cozinha, surpreendendo o moreno, que não a ouviu se aproximando, pois estava concentrado em organizar o serviço que realizava. A caçadora entrou no recinto em silêncio, sem se quer lhe dirigir o olhar, ela bebeu um pouco de água e se virou na direção da porta pela qual entrou. O modo como a Argent ignorou completamente a sua existência perturbou o Hale. Tudo bem. Ele não iria negar que a humana estava em seu direito de estar chateada consigo e com o seu bando. Mas ainda, assim, ser ignorado era doloroso.
— Allison – o lobisomem de olhos verdes chamou pela morena de cabelos longos assim que a viu se dirigir para a saída.
A caçadora se virou na direção do Hale, com certa curiosidade.
— sim? –
— o seu alfa já comeu? – inquiriu, receoso vendo a mulher negar com a cabeça.
— por que? -
— você acha que isso é muito para o Stiles comer? – inquiriu, nervoso, sinalizando para a bandeja a sua frente com as mãos.
A Argent analisou a bandeja com frutas, tortas, pudins e doces feitos de frutas e sorriu de canto, negando com a cabeça.
— para um Stiles depois de transformado?! — questionou com um sorriso de canto – eu acrescentaria um guisado e uma lebre assada na brasa. Mas. Omo não tem tempo para isso, coloque alguns biscoitos e pães com creme de queijo –
— ainda vai mais comida? – indagou, perplexo.
Allison riu baixinho.
— Derek, você é um lobisomem. Sabe o quanto pessoas com metabolismo tão rápido precisam comer para suprir o que perderam com suas metamorfoses e processos regenerativos – Derek sorriu minimamente, negando com a cabeça, após ouvir o conselho da caçadora.
— você tem razão. Obrigado –
— se precisar de mim, estarei dormindo com Kira, hoje –
— ah, certo. Obrigado, mais uma vez – respondeu enquanto encarava a caçadora sumir pela porta.
“Com Kira?” se questionou em pensamento, confuso.
Decidindo por se concentrar em seu trabalho de agradar ao noivo, o moreno de olhos verdes optou por seguir os conselhos de Allison e acrescentar biscoitos e algumas fatias de pão. Ele se aproximou do pote de porcelana onde estavam armazenados os biscoitos que a sua tia Cláudia sempre fazia.
— sabe – a voz de Allison ecoou pela cozinha, quase gerando um ataque cardíaco no homem, que teve que lutar para agarrar a tampa de porcelana que ele havia arremessado para cima com o susto.
— jesus! – exclamou o lobisomem, levando a mão com a tampa a testa, aliviado.
Claudia lhe mataria se quebrasse o seu item favorito da cozinha. Aquele maldito pote de porcelana branca.
— como você chega tão silenciosa em um lobisomem?! – indagou o Hale, surpreso e um tanto irritado pelo susto.
— eu sou uma Argent. Fui treinada para isso. Mas, mudando de assunto, amanhã, eu posso te ensinar um dos pratos favoritos do Stiles – ditou a caçadora, sorrindo levemente na direção do lobo.
Derek sentiu um alívio tremendo.
— sério?! Muito obrigado, Allison –
— mas vamos fazer disso uma surpresa. Com isso, você ganhará prestígio com o meu senhor, ao mesmo tempo em que acalmará os ânimos dele – sugeriu a morena observando o homem lhe fitar, um tanto preocupado.
— ele está irritado? –
— ah, não. Ele está possesso –
O moreno suspirou em derrota.
— olha, desculpa pelo que vocês tiveram que passar mais cedo. Os meus pais e eu, nós nunca... Nunca vimos o nosso bando agir assim antes, sabe? Sempre fomos muito leais uns aos outros. E eu não sei o que fazer para os fazer parar com essa... Desconfiança deles quanto a vocês – o Hale se desculpou enquanto preparava os pães com creme de queijo.
— não há nada o que se fazer, Derek. Não se pode obrigar uma pessoa a confiar em outra. A confiança deve ser natural. Apenas deixe que as coisas aconteçam como as pessoas querem que aconteçam. Todos escolhem o caminho que querem seguir – disse a caçadora com naturalidade, antes de acenar com um sorriso e começar a marchar para fora da cozinha.
— como vocês fizeram aquilo? –
A mulher parou na porta, acolhendo a portada da madeira com a sua mão.
— aquilo o que? –
— sumiram no chão como o Stiles faz – explicou Derek, curioso, ajustando os itens na bandeja de forma a caber os biscoitos e os pães.
— Stiles – respondeu a morena encarando o lobisomem lhe fitar, curioso.
— quando se torna um membro definitivo de nosso bando, você ganha uma marca. Uma marca feita pelo Stiles que lhe permite usufruir um pouco dos seus poderes – ditou a morena antes de unir as palmas das mãos como um ato de devoção, sibilar algumas palavras e separar as mãos.
A Argent voltou a acolher a portada com a mão, surpreendendo Derek quando a mão da caçadora afundou na madeira. Olhando atentamente, o lobo percebeu que a caçadora não havia penetrado a madeira. A sombra da mão de Allison engoliu a mão da mesma. Logo a caçadora puxou a mão, revelando uma adaga entre os dedos.
— o conde me permite armazenar as minhas armas junto com as dele. Assim, como uma caçadora, eu nunca estarei desarmada, graças a sua marca em mim –
Derek encarou a caçadora manusear a adaga com habilidade, antes de voltar a enfiar a mão nas sombras, retirando uma espada. O lobisomem, perplexo, viu a Argent voltar a guardar a espada, e retornar de mãos vazias
— e vocês podem fazer isso quando bem entender? –
— sim. Mas, embora façamos quando quisermos e a hora que quisermos, Stiles saberá que fizemos. Agora, ele já deve estar ciente de que estou explicando o ocorrido para alguém –
— todos possuem a marca? –
— sim –
— mesmo Ennis? –
— sim. Ennis é um caso especial. Mas, sim, ele possui a marca de Stiles –
A caçadora notou o modo preocupado que o lobisomem franziu o cenho para a bandeja.
— eu acho que isso diz que Ennis está um passo a sua frente, não? – provocou a caçadora antes de bater suavemente com a palma no batente da entrada da cozinha – é melhor correr atrás do prejuízo, Derek. Ou pode acabar perdendo a aliança para um beta intruso –
O Hale desviou o olhar para a janela, irritado.
— até rastejando eu consigo passar aquele homem para trás – o lobisomem lutou para segurar o rosnado.
— eu não teria tanta certeza. Pelo que eu me lembro da visita que fizemos ao bando do irmão de nosso alfa. Ennis sempre foi muito galanteador. Até agora, eu apenas vi você com a cara fechada e resmungando –
Derek estranhou.
— aquele atrevido careca?! –
Allison riu.
— ele mesmo. Não vacile do mesmo jeito que Corey vacilou na disputa entre os bandos. Não confie demais em si, ou poderá se ver em uma situação perigosa – aconselhou a morena antes bater suavemente na madeira, indicando que havia encerrado o seu argumento.
— boa noite, Derek. E boa sorte com o meu senhor – ditou a mulher antes de se retirar definitivamente.
Derek encarou a porta da cozinha que levava para a sala de jantar, em silêncio.
— eu não vou mais cometer erros – murmurou para si mesmo, observando o nada – eu não posso –
Respirando profundamente, o Hale golpeou o próprio rosto com as palmas das mãos, tentando manter o foco. Com demasiado cuidado, acolheu a bandeja em mãos e marchou com calma e concentração rumo ao andar de cima. Quando alcançou as escadas, sentiu os olhares de Erica e Liam pesarem em si. Os dois louros estavam apoiados no corrimão do corredor, conversando baixinho, mas pararam ao ouvirem os seus passos. E agora, lhe encaravam com seriedade e desconfiança.
— hunf! – Erica bufou, com desgosto.
Derek ignorou verbalmente, se restringindo a apenas suspirar, enquanto se virava na direção do quarto de Stiles.
— o seu quarto é para o outro lado! – repreendeu Liam observando o lobisomem apenas seguir pelo corredor a passos calmos.
— eu sei – o lobisomem pôde ouvir um suspiro irritado do reaper, seguido de dois passos pesados, antes de Erica se pronunciar.
— não se envolva, Liam. Deixe que o nosso senhor cuide dele. Caso ele se canse, aí nós interferiremos –
O Hale sentiu o nervosismo aumentar com as palavras da Reyes. Stiles estava realmente irritado, pelo visto. Com razão, ele tinha que concordar. Mas preferia não pensar naquilo, no momento. Derek queria apenas relaxar e manter um pensamento positivo. Iria passar um tempo, mesmo que pouco, a só com o seu noivo. Para fazer aquela aliança ir para a frente, ele necessitava manter os pensamentos negativos e conflituosos longe de sua mente enquanto se encontrava em lazer com o conde.
O moreno teve os olhos arregalados e os passos cessados quando encarou o corredor com mais atenção. Diante de si, voltado para a porta do quarto dos seus pais, estava um corpo escuro com a escuridão que dominava a sua visão ao fechar os olhos, de baixa estatura e uma envergadura na coluna proporcionada pela idade característica de sua aparência.
— Kim? – murmurou o Hale observando a senhorinha apresentada ao seu bando na disputa entre bandos, durante o movimento denominado pelo conde como “Jardim dos Mortos”.
A velhinha golpeou a porta do quarto dos alfas primordiais do bando Hale com os nós dos dedos. A porta se abriu, revelando Lance, que encarou a velhinha com surpresa no olhar.
— eu gostaria de ter uma palavra com os seus parceiros – a velhinha proferiu, surpreendendo aos dois lobos pelo fato de a voz da mulher ser a mesma de Stiles.
O louro encarou a velhinha de olhos castanhos idênticos aos do conde por um longo período, apenas com a boca aberta, pensando no que responder. Talia e Alexander ainda não estavam completamente recuperados de seus ferimentos. O homem ainda apresentava alguns cortes superficiais e os músculos ainda estavam doloridos. Já a mulher estava sentada na cama sem qualquer tipo de mobilidade. Estava completamente debilitada, fisicamente, mas permanecia consciente e conseguia falar, um tanto rouca, mas conseguia.
— deixe entrar – Derek pôde ouvir a voz calma do pai, antes de Lance abrir passagem e a senhorinha marchar com clama para o interior do quarto.
Lance fechou a porta, deixando um Derek confuso no corredor.
— sobre o que quer falar? – inquiriu Alexander, preocupado com a presença de Kim e no que ela implicava.
— como vocês dois se sentem? –
— eu estou bem melhor. Já faz um tempo desde que me derrotou. As minhas lesões já foram reduzidas. Agora, só preciso fechar os cortes restantes. Mas Talia, por algum motivo continua sem conseguir se mexer – respondeu o Hale, preocupado.
— não consigo me mexer. Não tenho força fazer nada. E está tudo muito dolorido – murmurou a mulher, como pôde, vendo a vhinha de pele escura menear em compreensão.
— e você? – indagou Lance.
— estou dolorido. Mas nada que possa, realmente, me limitar. Uma vez que a minha cura é bem mais rápida e potente, eu já me encontro curado. Entretanto, estou demasiado cansado. Terei que ficar de cama por algumas horas. Por isso estou usando Kim para poder me comunicar com vocês -
— horas?! – inquiriu Alexander, surpreso.
— sim. Fazem dois anos que não deixo o meu outro eu se fundir a mim. Perdi um pouco do jeito –
— como?! – indagou Lance, pensando não ter ouvido corretamente.
— ele não precisa da liberdade que lobos e outros antropomorfos precisam. A verdade é que, ele prefere se manter escondido do mundo por seus próprios motivos –
— então... –
— comigo não tem lua cheia, nova, crescente ou minguante. A única coisa que pode fazer ele se exaltar é a morte de seus irmãos –
— que foi o que aconteceu no duelo sagrado? –
— sim. Muito embora não seja a morte propriamente dita. Mas vamos deixar isso de lado. Não fará a menor diferença vocês saberem ou não. O que importa é que eu acho que sei o que houve com Talia, então não há necessidade de preocupação – explicou a velhinha de olhos da cor de mel, surpreendendo os três lobisomens.
— você sabe?! –
— eu acho que sei, senhor Villin. Eu apenas preciso que Talia me responda uma coisa para confirmar a minha teoria – a velhinha uniu as mãos atrás do corpo, virando a cabeça na direção da alfa.
— Talia, querida, você, por acaso, sentou algo adentrar a sua boca durante a luta? –
— mas que pergunta é essa? – indagou Lance, confuso, Kim o silenciou ao erguer a mão em sua direção.
Talia encarou a velhinha, pensativa, antes de se recordar de um momento em especifico da luta recente. O momento em que rasgou as pernas do conde com as garras.
— sim. Q-quando eu rasguei as duas pernas com as garras. Eu senti que...
— você engoliu o meu sangue – concluiu Stiles e a velhinha meneou em compreensão – como eu pensei –
— então foi o seu sangue que me fez ficar daquele jeito? – questionou a loba, curiosa.
Ela nunca havia se transformado naquele estado. Talia nunca havia alcançado o ponto de violência e fúria que atingiu dentro daquela barreira mágica, quando retornou a si, estava cansada, preocupada e assustada.
— mais especificamente, você provou do sangue de um aspecto em ascensão–
— um aspecto? – Lance estava visivelmente confuso, assim como os dois alfas
— aspecto é o nome pelo qual a Ordem Jorgina chama pessoas como eu. Nós, aspectos, entramos em ascensão quando começamos a nos transformar, unindo nossos dois eus – explicou o conde observando as três partes do relacionamento lhe encararem ainda em confusão.
— e o que isso tem a ver com o ocorrido com Talia? –
— um aspecto em ascensão pode fazer com que um ser vivo ultrapasse os seus limites, apenas oferecendo algumas gotas de seu sangue –
— então aquela era força de Talia quando ela passou os limites dela? –
— exatamente. E é por isso que agora o seu corpo está tão exausto. Os seus limites foram rompidos, o seu corpo atingiu o esforço máximo, e, agora, ele precisa rever os seus limites –
— rever? –
— sim. Uma vez que rompidos, os limites precisam ser recalculados –
— isso quer dizer que... -
— parabéns, Talia. A sua força deu um salto interessante –
— agora, eu peço licença. Estão batendo em minha porta — ditou a senhorinha antes de começar a se desfazer em cinzas que se quer deixaram vestígios no ambiente.
Os três lobisomens ficaram encarando o local em que Kim se encontrava antes de desaparecer, presos em seus pensamentos, apenas analisando a situação, tentando assimilar as informações que receberam.
— entre – Derek pôde ouvir o conde dizer.
Com cuidado e receio, ele abriu a porta.
— sou eu – anunciou ao encontrar a imagem do humano sentado na própria cama, com Porã ao seu lado, lhe encarando.
— precisa de algo? –
— não. Eu vim apenas lhe trazer algo para comer – respondeu fechando a porta e só então Stiles conseguiu ver a bandeja em suas mãos, uma vez que o Hale havia entrado no quarto de costas.
— oh! Isso é muito gentil de sua parte. Agradecido –
— você já comeu alguma coisa? – indagou o Hale, preocupado de o castanho já ter se alimentado.
— eu comi uma maçã que Heather me trouxe. Mas apenas isso. Estava cansado para pegar algo e ordenei que todos fossem descansar –
— mas você precisa comer, não? Lembro que disse que estaria faminto quando a luta acabasse –
O moreno de olhos verdes se aproximou da cama, tentando ignorar, ao máximo, a imagem de Porã ao lado da cabeceira da cama. O homem xe olhos escuros nada fez, apenas permaneceu ali, parado, como uma estátua. Stiles pareceu perceber a sua inquietude quanto ao homem quase seminu de coloração incomum. Com um mover de mão do conde, o corpo escuro se desfez em cinzas.
— não precisa se preocupar com Porã. Ele estava apenas me ajudando com uma coisa – ditou o castanho observando o moreno, surpreso, tentar esconder o incômodo por ter sido descoberto.
— você consegue chamar eles mesmo sem estar transformado? – indagou o licantropo, curioso.
— sim. A minha magia é proveniente do meu outro eu, mas não quer dizer que eu não possa usar ela sem pedir a ajuda dele –
O Hale apoiou a bandeja na cama, ao lado do seu noivo.
— você é muito intrigante, sabia? – brincou o lobo vendo o humano sorrir minimamente.
— pura estratégia, meu caro companheiro. Ninguém gosta de um adolescente inteligente, endinheirado, magricelas e com orgulho estruturado. O mistério é a parte agradável do conjunto -
A resposta do mais novo gerou um sorriso genuíno no lobisomem.
— isso é um fato –
— você é bem fortinho para um beta, sabia? – comentou o conde pegando um pão da bandeja e o levando a boca.
Derek deu um sorriso mínimo, orgulhoso.
— eu agradeço. Vindo de você é um elogio e tanto –
— não vai comer? – indagou o Stilinski sinalizando para a bandeja.
— eu trouxe para você –
— mas eu quero que você comer com você –
Derek sorriu, um tanto constrangido, antes de pegar um biscoito.
— vejo que continua com os brincos – comentou o humano, curioso, observando os acessórios nas orelhas alheias.
Derek meneou, um tanto tímido.
— eu... Os coloquei hoje a noite, quando estava esperando por você para que pudéssemos repetir aquela noite de ontem. Mas... Você sabe. Aconteceu toda essa bagunça – explicou o moreno, receoso de lembrar a afronta sofrida pelo conde na entrada do território de seu bando.
— oh, verdade?! – e ali estava mais uma das raras vezes em que o lobo percebeu a surpresa no olhar do humano.
— sim. Eu gostei daquela noite – comentou de servindo uma mordida suave no biscoito.
— fico feliz em saber que não fui o único. Mas devo lhe lembrar que os brincos devem ser usados apenas quando você se sentir confortável com o noivado – ditou o humano terminando o pão coberto com creme de queijo, observando o lobisomem sorrir minimamente.
— e eu estou – o lobo respondeu com convicção.
— está mesmo? – indagou, desconfiado de que o moreno ainda estivesse sofrendo pressão de alguma maneira por parte do seu bando.
— sim –
— bom... Me convença, então – ditou o mais novo acolhendo uma maçã e a mordendo.
— como posso fazer isso? — perguntou o Hale, confuso, não compreendendo a desconfiança por parte do humano, ao mesmo tempo em que não conseguia pensar em um jeito de provar uma sensação para outra pessoa.
— durma comigo –
O moreno de olhos verdes piscou os olhos algumas vezes, perplexo. Ele não esperava por aquelas palavras do seu noivo. Na verdade, ele não sabia o que esperar como resposta. Mas, com toda a certeza do mundo, ele não esperava aquilo como resposta. Definitivamente, não. Ele sentiu a vergonha surgir. Se questionava onde fora parar o jovem compreensivo que lhe presenteou com aqueles brincos. Mas ele não se deixou abalar. Pelo menos não da maneira que seria abalado pelas palavras alheias há alguns dias atrás.
— Você... Tem certeza disso? – inquiriu, curioso, finalizando o seu biscoito, observando o conde dar de ombros.
— somos noivos, agora. Já estamos dividindo uma casa, no momento. Eventualmente, iremos dividir um quarto e uma cama. Está realmente bem com a ideia? –
Derek analisou o rosto do adolescente por alguns segundos, antes de dar de ombros
— já vou avisando que durmo em camisa –
— nadamos juntos no rio perto do território. Não me incomodo se está vestido ou não – rebateu o adolescente, surpreendendo Derek, que sorriu de canto.
— foi um bom argumento – comentou o Hale batendo as mãos do lado de fora da cama, limpando os dedos dos farelos de biscoito, antes de levar as mãos ao botão de sua camisa
Stiles encarou o lobisomem com curiosidade, o vendo começar a desabotoar a camisa que vestia, sem qualquer sinal de vergonha em seu rosto. O conde gargalhou, chamando a atenção do moreno de olhos verdes, que o encarou. O Stilinski o chamou com a mão, e o lobo, curioso o encarou com confusão, antes de se sentar mais perto do humano.
— não precisa fazer nada, Derek. Eu estava apenas lhe testando – disse acolhendo uma das mãos do lobisomem na sua.
Derek o encarou, surpreso, antes de rir, sem graça.
— eu deveria ter imaginado. Bem que eu estranhei que o homem que me disse para levar o meu tempo me dizendo isso –
Stiles voltou a rir.
— mas confesso que eu estou surpreso. Foi mais rápido do que eu esperava – comentou dando mais uma mordida em sua maçã.
—-o mérito é todo seu. Você é um homem e tanto. Fez de tudo para que eu me sentisse confortável – alegou o moreno, apertando suavemente a mão do conde, antes de a levar ao rosto e beijar-lhe as costas.
— não foi nada demais, Derek. Somos noivos. É nossa função garantir o conforto um do outro. A partir do nosso casamento, entraremos em uma corrida de três pernas. Um não irá para a frente se o outro ficar parado –
Derek meneou em concordância.
— sim. É assim que um relacionamento funciona, certo? –
Stiles sorriu, dando de ombros.
— sinceramente, eu apenas conheço a teoria. Você é o meu primeiro relacionamento, propriamente dito – as palavras do castanho pegaram o lobisomem de surpresa.
— o quê? Não está falando sério! – exclamou o Hale, perplexo, segurando o outro pulso do conde com a mão livre, roubando uma mordida da fruta que o humano finalizava.
— eu estou falando sério –
— mas e Ennis? Vocês não tiveram uma relação? –
Stiles fez uma careta pensativa, antes de começar a inclinar a cabeça de um lado para o outro, como se colocasse os fatos que ele conhecia em uma balança.
— sim e não. Eu estou falando de um relacionamento fixo. Um namoro, um noivado, um casamento. Ennis foi uma aventura sexual do meu início de juventude –
— então... Você não se interessa por ele? – indagou, esperançoso, vendo o humano terminar a maçã e puxar a xícara com o famoso doce de Miranda Boyd.
— esse aqui cheira tão bem. Eu estou de olhos nele desde que acabou o doce da Braeden – murmurou, pensativo, puxando uma porção com a colher de chá.
— esse é da mãe do Vernon. Miranda. A alfa que lhe chamou a atenção no duelo – disse Derek vendo o rosto humano se contorcer em deleite, enquanto o humano suspirava de prazer..
— divino! –
— hm! Por que eu deveria estar interessado no Ennis? Eu sou comprometido, agora. Não tenho tempo para desventuras sexuais – o conde respondeu, antes de oferecer um pouco do doce ao moreno, Derek permitiu que o humano levasse a colher a sua boca.
— então você não o acha atraente? – inquiriu, tentando confirmar o seu pensamento.
Derek viu o castanho estreitar o olhar em sua direção, desconfiado.
— não confunda as palavras, Derek. Eu disse que não tenho mais disponibilidade para me relacionar com mais ninguém – ditou vendo o outro lhe fitar, curioso.
— bem, você nunca se atraiu por um homem antes, segundo você mesmo. Mas como alguém que nunca viu problemas em se relacionar com qualquer um dos sexos, eu devo confessar, Ennis é atraente e sabe ser charmoso – concluiu o humano observando o lobisomem estreitar o olhar em sua direção.
— oh! Entendi! Entendi! Território – comentou enquanto abandonava o doce na bandeja.
— Derek, como eu disso. Eu estou comprometido, agora. Comprometido com você. Não precisa se preocupar com Ennis ou qualquer outra pessoa – o castanho tratou de explicar observando o lobisomem se manter em silêncio, antes de alcançar o doce feito por Miranda Boyd e colocar um porção na boca.
Antes que Stiles voltasse a falar, Derek lhe estendeu uma porção do doce na colher. O conde encarou o lobo, o vendo lhe fitar com certo alívio nos olhos. O conde sorriu, minimamente, antes de permitir que o noivo colocasse a colher em sua boca
— me desculpe. Mas, agora que sou seu, o meu lobo está um pouco irritado com Ennis por perto – confessou o Hale, envergonhado.
— Derek –
— eu sei que, agora, ele é um beta do seu bando. Mas quando eu soube que vocês tiveram um relacionamento, eu me senti ameaçado. E isso me irritou. A minha mão lhe foi entregue, e você ganhou um torneio sagrado por minha mão –
— está tudo bem. Eu entendi. Se eu me envolvesse por outra pessoa... –
— a minha mão ainda seria sua –
— mas não se preocupe, Derek. Farei o que estiver ao meu alcance para que esse tratado dê certo. Mas eu preciso que o seu bando faça o mesmo o conde tentou acalmar o lobo, que suspirou, em derrota.
— eu sei. Estamos tentando fazer com que eles entendam que o acordo só trará benefícios para ambos os lados –
— sinceramente, duvido que depois da surra que levaram hoje eles não percebam. Com todo o respeito, é claro. O seu bando é forte. Isso é um fato. Mas o nosso bando é único – o castanho comentou e logo tratou de esclarecer o seu argumento.
Derek, no entanto, não pareceu se incomodar com o comentário. Ele apenas se sentiu incomodado diante das expectativas do conde. O seu noivo não deixou de notar o modo como ele evitou lhe encarar nos olhos.
— você está brincando comigo! – exclamou o Stilinski, perplexo.
— alguns se esqueceram completamente do objetivo do duelo entre os bandos – explicou Derek, envergonhado.
— eu não vou me revelar para essa gente! – ralhou, irritado, levando a mão a testa, apertando o topo do nariz entre os dedos.
— não se preocupe, Stiles. Claudia já os fez encarar a realidade. E eu devo dizer, não foi bonito de ver como ela falou com o bando, mas eu sei que foi necessário. Iremos consertar isso. Você já fez mais do que o suficiente. Você mostrou a sua força e a do seu bando. Agora é com a gente – ditou o moreno apertando suavemente a mão do noivo, tentando passar confiança no que dizia.
— eu espero que sim, Derek. Eu espero –
— sabe... Com o passar dos dias... Eu criei a teoria de que os ômegas só se curvavam para alguém mais forte do que eles. Então eu já esperava que você fosse tão forte. Mas eu não esperava que fosse tanto – comentou o Hale lançando um sorriso galanteador para o castanho, que lhe encarou, curioso.
Após alguns segundos de silêncio, Stiles se inclinou na direção do lobisomem, que mantinha os sorriso em sua direção, enquanto analisava o seu rosto. O Hale sentiu o Sti ski lhe golpear o peito com as costas da mão, sorrindo divertido em sua direção.
— você está tendo aulas com o Vernon, não é? – acusou o castanho e o mais velho gargalhou divertido, enquanto o humano se concentrava em pegar mais alguma coisa para comer.
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