The Engagement

47 Traição



Os dois lutadores colocaram o antebraço direito na frente do corpo.

O membro de Peter colidiu com a bengala que antecedia o membro do conde. O impacto forçou Stiles a flexionar os joelhos, enquanto era empurrado pelo mais velho. O louro sorria predatório na direção do adolescente, que lhe encarava com seriedade. Stiles desistiu da disputa, retraindo o seu braço e girando no próprio eixo. O Hale, orgulhoso, desferiu um soco no castanho, o vendo sumir em um vulto diante dos seus olhos.

O mais novo reapareceu atrás do homem, no ar, olhando para as costas do lobisomem, se preparando para golpear a nuca do mesmo com a bengala. Usando de sua velocidade, Peter girou, agarrando o acessório antes mesmo que ele se movesse. Surpreso, o castanho relaxou na postura.

Antes que os pés do conde tocassem o chão, o alfa de cabelos louros socou o abdômen do mesmo com força. O corpo de Stiles fora forçado para trás, voando no ar, até o centro do círculo de vinhas. Ao tocar o solo com os pés, o conde deslizou pela grama, flexionando os joelhos e se abaixando.

— e então? Sou o suficiente para poder ver você por dentro? – inquiriu com um sorriso largo no rosto.

O Stilinski sorriu de canto.

— eu sinto muito. Peter. Mas um suposto alfa poderoso não é o suficiente -para atrair a atenção do meu outro eu –

O castanho provocou. Observando Peter cerrar os punhos, possesso pela raiva, ele se deleitou. Ver um homem mais velho e de posição respeitada naquele bando se aborrecer com tão pouco lhe divertia. Stiles sabia que o Hale iria morder a sua isca.

Ele não era uma criança, como todos pensavam.

Havia percebido a falta de controle que Peter tinha sobre si mesmo no momento em que o viu nas escadas, na tarde em que fora apresentado ao seu noivo. E os dias seguintes em que convivera com o homem apenas confirmaram a sua análise. Peter sempre sorria largo de ansiedade quando estava perto de seus ômegas. Bastava qualquer demonstração de poder por parte dos seus dez betas, que o louro vibrava em excitação.

— suposto?! –

O homem voltou a inquirir, indignado.

Era a segunda vez naquela noite que ele tinha a sua força questionada. Aquilo o irritava profundamente. Entretanto, Peter não era um amador. Não era facilmente influenciado pelos outros. O Hale tinha uma personalidade forte e fora abençoado com uma boa capacidade cognitiva.

O homem logo tratou de respirar fundo para se acalmar.

Ele sabia o que o adolescente queria fazer. Stiles queria lhe tirar a concentração por meio da raiva, ao mesmo tempo em que queria lhe mostrar o erro que havia cometido.

— eu peço desculpas por ter duvidado de sua força, meu rapaz –

— hm? –

— você pode não ter a nossa força física. Mas a sua inteligência e agilidade compensam bastante. Você é forte o suficiente para enfrentar um casal de alfas e ganhar com uma boa vantagem. Eu não devia ter lhe subestimado –

Stiles sorriu largo.

Peter prendeu a respiração, surpreso, assim que o conde sumiu em um vulto preto e vermelho. O homem sentiu um arrepio lhe subir a espinha. Ao se virar, o Hale pôde ver o Stilinski ainda no ar, com a bengala erguida em um golpe. O lobisomem não pôde bloquear o ataque, muito menos desviar do mesmo. Tudo o que ele conseguiu fazer fora mover o corpo, de forma que o golpe da bengala não lhe acertasse o pescoço ou a cabeça.

O corpo do acessório do humano lhe acertou o ombro de forma certeira. O gemido de dor que escapara por seus lábios surpreendeu os betas de seu bando. Stiles aterrissou em pé no chão, ao mesmo tempo em que o lobisomem caía de joelhos. Peter, furioso, levou os braços a perna do humano, tentando agarrar o mais novo. O mais velho falhou miseravelmente quando, ao erguer os membros, sentiu uma dor intensa em seu ombro. Com um grunhido de dor, o louro parou ao seus movimentos instantaneamente, em um reflexo, permitindo que o conde se afastasse. Foi naquele momento que Peter percebeu.

A sua clavícula estava quebrada.

— Peter? – chamou Paul, confuso.

— calado! – ralhou o alfa, se erguendo com a mão no ombro.

Ele teria que ficar um certo tempo sem usar o braço esquerdo.

— tsc! Filho da mãe – rosnou o louro, olhando para o adolescente que lhe encarava com seriedade.

— algum problema? Ou será que um alfa tão poderoso desse bando não pode com a força de um humano de bengala? –

Peter gargalhou.

— eu adoro o seu senso de humor –

Se erguendo de vez, o homem avançou a passos pesados na direção do castanho. O lobisomem desferiu um soco no adolescente, que bloqueou o mesmo com sua bengala. Com o braço queimado, Stiles socou o rosto do mais velho, que, pego de surpresa, fora forçado a cambalear para trás.

— o que houve, Peter? Devo pegar leve devido ao seu ombro machucado? –

O mais velho rosnou, irritado.

— ah, mas o que é isso?! Não seja tão competitivo! Afinal de contas, agora estamos em situações equivalentes –

O louro sorriu de canto.

— você é uma cobra, Stilinski! –

Os ômegas ergueram os olhares, surpresos, na direção do alfa da alcateia aliada. Os membros da família Hale se encontravam igualmente surpresos. Stiles franziu o cenho para o seu adversário, o vendo sorrir travesso em sua direção, ainda com o braço esquerdo abandonado ao lado do corpo, imóvel.

— isso era para ser uma ofensa? –

Miranda sorriu diante da resposta do adolescente.

— é um elogio. Vou me divertir muito com você fazendo parte de nossa família –

O conde sorriu de canto, abaixando o olhar para a pedra vermelha em sua bengala.

— tenho a mesma impressão. Não irei mentir. –

Assim que finalizou a sua fala, o conde avançou contra o lobisomem. Peter investiu contra o humano. Stiles se jogou no chão, deslizando pela grama, em um giro, golpeando os joelhos alheios com a sua bengala. O louro saltou, desviando do ataque. Ao aterrissar, o mais velho praguejou com a dor que sentira no ombro. Stilinski e Hale giraram sobre os calcanhares, erguendo os punhos dos seus braços em socos potentes.

O impacto entre o braço útil de Peter e o braço queimado do conde gerou um som que fez todos os presentes se assustarem.

O urro de dor de Stiles causou o pânico nos ômegas.

O som dos ossos se quebrando forçou os betas a produzirem caretas de dor. Mas o urro do castanho gerou uma agonia generalizada.

O homem cambaleou para trás, abaixando o braço instantaneamente.

Peter girou, erguendo a perna, visando acertar um golpe no peito alheio. Stiles flexionou o seu outro braço diante do golpe, posicionando sua bengala de modo a formar um triângulo diante do corpo. A planta do pé do lobisomem acertou o triangulo de forma certeira, surpreendendo o mais velho. Stiles fora empurrado para trás, caindo de costas no chão. O Hale avançou no alfa aliado, preparando as garras para cortar o peito alheio.

Derek se viu nervoso.

Stiles estava vulnerável, devido ao ferimento no braço, já injuriado. Mas o louro não tinha clemência alguma em suas investidas. O moreno de olhos verdes focou o olhar no noivo, o vendo fitar o seu tio com surpresa e fúria, antes de cerrar os dentes. Stiles fincou a bengala no chão, com raiva, e se sentou no chão com velocidade

— CHEGA! – gritou o adolescente antes de jogar a mão do braço bom na direção do louro.

Da mão de Stiles, uma pequena rajada de chamas surgiu, surpreendendo a todos, inclusive o louro que avançava contra si. Peter se jogou de costas no chão, permitindo que as chamas queimassem no ar, sem lhe tocar. O urro de dor de Stiles cortou a surpresa dos espectadores, que desviaram o olhar das chamas para o adolescente, que recolheu a mão, a abraçando logo em seguida.

Peter olhou abismado para o adolescente sentado a sua frente.

Ele jurava que Stiles desapareceria e tentaria lhe atacar pelas costas, mais uma vez. No entanto, ele fora completamente surpreendido pelo mais novo quando ele liberou aquelas chamas bem diante de si. Porém, algo parecia estar errado com o noivo do seu sobrinho.

— não deve tentar usar o fogo! – repreendeu Kira, preocupada, chamando a atenção para si.

— sabe que não tem o controle total sobre ele. Ainda é uma habilidade recente -

— ele vai desistir? – inquiriu uma das adolescentes que enfrentou Ennis, esperançosa.

— calada! – ralhou Theo, irritado.

— desde quando consegue fazer isso? -

— eu, realmente, não esperava ter que usar isso tão cedo – ditou o conde, se erguendo com certa dificuldade.

O alfa mais velho flexionou as pernas, se preparando.

— estava guardando para Alexander e Talia. Mas você... Você me surpreendeu bastante, Peter. Acabei baixando as minhas expectativas ao ver os betas – falou o rapaz enquanto desfazia o curativo em sua cabeça, abandonando as bandagens sobre as vinhas.

— erro meu –

— desembucha, garoto –

Stiles sorriu ao ver o adversário erguer a guarda diante do seu silêncio.

— sabe? Existe um limite de vezes em que posso usar isso. Algumas vezes, eu posso exceder esse limite em uma unidade. É demasiado cansativo de se fazer, mas é bastante útil –

A medida em que falava, o conde começava a despir o seu torso com cuidado, removendo o seu sobretudo sem magoar o seu braço quebrado, que já apresentava um enorme inchaço na região em que os ossos se partiram.

— e quando eu faço isso, não posso ser interrompido sob qualquer circunstancia –

— do contrário? – inquiriu o louro, curioso e confuso.

— do contrário, posso acabar esfolando a mim mesmo –

A resposta do adolescente surpreendeu o bando de lobisomens, que o encarava com exímia atenção. Aquela luta estava sendo interessante demais para que pudessem desviar os olhos. Alguns betas se encontravam excitados com o combate, enquanto outros, apenas admiravam a cena com brilho nos olhos.

Stiles levou a mão do braço saudável para o ombro do braço quebrado, deixando os presentes curiosos.

— eu não me canso de isso – comentou Liam, chamando a atenção da família Hale

— o que ele está fazendo? – murmurou Talia, pensativa.

O castanho cravou os dedos na própria pele, deixando o adversário curioso. Quando o conde puxou sua mão para o lado, a sua pele passou a rasgar, abandonando o corpo e seguindo o membro. A careta que surgiu no louro fora involuntária, assim como as expressões de todos que assistiam a cena. O adolescente arrancou o própria pele, exibindo outra pálida e macia por baixo, exatamente como era antes das queimaduras.

Derek arregalou os olhos para a cena.

A pele queimada fora jogada no chão assim que a ponta dos dedos queimados de Stiles se desprendeu do corpo do adolescente. O braço de Stiles, antes repleto de queimaduras, agora, estava limpo. Sua pele estava idêntica a de dias atrás. O seu braço estava quase novo em folha.

Quase.

Ainda era possível ver o inchaço causado pelos ossos quebrados, indicando que a injúria interna permanecia.

— ele está... – Alexander tentou pronunciar, mas se calou ao ver o conde puxar a pele de corte em seu rosto, passando a rasgar a própria face.

— trocando de pele... – murmurou Cláudia, perplexa

— hunf. Quem diria? – murmurou Peter, sorrindo ladino.

— então você não pode ser interrompido? – inquiriu o louro revelando as garras, antes de começar a caminhar na direção do conde.

Para a surpresa dos lobisomens, o castanho passou a afundar no chão, como se estivesse sobre areia movediça. Ao olhar para os pés do rapaz, todos puderam ver uma certa escuridão dominar a grama, cercando o conde. Enquanto afundava, o adolescente permanecia a arrancar a própria pele, encarando o Hale com seriedade. Em choque, Peter apenas assistiu ao rapaz sendo engolido pelo solo. Quando Stiles desapareceu por completo, o silêncio dominou o ambiente.

Nada acontecia.

Peter ergueu a guarda, novamente, mas nada ocorria. Não havia sinal algum do Stilinski em lugar algum. O seu cheiro havia desaparecido, assim como a sua imagem e os seus batimentos cardíacos. Era quase como o kanima do bando de ômegas. Entretanto, não havia som de passos, muito menos qualquer manifestação do conde.

Derek se viu perplexo quando uma lembrança se passou por sua cabeça.

No dia em que fora pego pelo castanho, rendido aos toques de Braeden, o adolescente subiu para um dos andares do templo de treinamento, antes de adentrar uma das salas e desaparecer sem deixar qualquer rastro. Então fora dessa maneira que o seu noivo escapou de si naquele dia, passando o dia inteiro desaparecido.

Peter não reclamou.

Usou do tempo de inatividade do seu adversário, para concentrar o seu fator de cura em seu braço quebrado. Ato que exigia demasiada concentração do lobisomem, o que o forçava a ficar parado durante todo o tempo. Com a mão boa, Peter tateou o próprio ombro, para ter a certeza de que não teria que mover os ossos quebrados para agilizar a cura.

O louro teve os olhos arregalados em surpresa ao se sentir sendo observado pelas costas. Saltando para a frente e se virando com velocidade, o homem pode ver os olhos de seu adversário, localizados onde antes estava uma de suas sombras criadas pelas tochas.. A surpresa aumentou ao notar como os cabelos do mais novo estavam posicionados.

Todos direcionaram o olhar para o foco dos olhos de Peter, sendo surpreendidos pela cabeça do conde, que surgia do chão, até os olhos, mantendo o resto do rosto e do corpo escondidos. O que mais surpreendia não era a localização, muito menos o modo como o outro surgia.

Era a cor dos seus cabelos.

Aos poucos, o corpo do adolescente começou a surgir, subindo do mesmo modo que desapareceu. O sorriso no rosto de Stiles assustou o pai de Braeden assim que o conde surgiu. A mesma cor arroxeada que fora revelada no duelo sagrado, agora era exibida pela segunda vez. A cor que causara espanto pelo descontrole, agora causava a mesma sensação, mas pelo seu autocontrole. A pele escura do adolescente ainda chocava os betas. O sorriso branco que entrava em contraste com o tom novo de sua pele, alertava para Peter que cuidado era necessário.

— o seu braço – comentou o homem vendo o rapaz de cabelos roxos erguer o braço quebrado.

— o meu outro eu é bem útil em batalhas, Hale –

O Stilinski exibia, com orgulho, a cura que ocorria em seu braço. Em questão de instante, um estalo fora ouvido oriundo do braço do humano, antes de o músculo inchado murchar com velocidade.

— mas o que... -

Derek estava impressionado. Não poderia negar. Nem mesmo a cura dos seus pais conseguia ser tão rápida.

— é incrível, eu sei. Mas existe um preço a pagar por essa cura milagrosa –

— nem tudo o que reluz é ouro – comentou Peter vendo o corte no rosto do conde desaparecer por completo.

— essa cura me exausta, uma vez que sou humano e não deveria ter esse tipo de habilidade, naturalmente. É por isso que uso apenas em certas ocasiões –

— lhe exausta? –

— sim. Quando eu voltar para a minha forma humana, me sentirei exausto e faminto –

— faminto? –

— o seu ombro... Já se curou? –

Peter desviou o olhar para o próprio ombro, movendo o mesmo.

— ainda não. Não por completo. –

Stiles suspirou.

— os próximos, por favor, entrem no círculo. Não tenho a noite toda – o adolescente chamou pelos alfas restantes com a mão, surpreendendo o bando Hale.

— não acha que está um pouco egocêntrico demais? – indagou Peter, irritado por ser ignorado.

O homem de cabelos louros se transformou e avançou com velocidade e fúria. Quando o homem desferiu um soco no rapaz de cabelos roxos, o mesmo agarrou o seu pulso com uma mão e, o erguendo do chão, o jogou de costas na grama. O mais novo sorriu largo para a expressão de surpresa do seu adversário.

— apenas cale-se e obedeça –

Peter se manteve paralisado de espanto enquanto via os olhos negros avermelhados lhe fitarem com diversão. O Stilinski se ergueu e se virou para John e Cláudia.

— vocês são os próximos? Vão deixar o seu companheiro ser atacado com o braço ferido? –

O casal se transformou em sua forma bestial, se mantendo parado ao lado dos alfas primordiais. Rosnavam de raiva para o adolescente cheio de si no centro da clareira.

— estamos apenas esperando a ordem – informou John enquanto cerrava os punhos.

— vão – a voz de Alexander soou calma.

No mesmo instante, os dois lobisomens desapareceram do campo de visão dos betas, que, surpresos, olharam na direção do conde. Eles não conseguiam ver os seus alfas, porém, já estavam habituados com a velocidade máxima de seus superiores. Eles apenas conseguiam ouvir os passos ágeis do casal de cabelos castanhos, antes de o som sumir e os dois surgirem diante do conde, no ar, indicando que haviam saltado. Os punhos erguidos em um ataque estavam cerrados firmemente e direcionados para a face alheia.

Quando os golpes foram desferidos, os braços do conde foram cruzados diante do peito, fazendo as mãos do rapaz bloquearem as trajetórias dos ataques. Cláudia e John golpearam a lateral do torso do adolescente com os pés em um ataque combinado.

Com as duas laterais sendo atacadas simultaneamente, o rapaz se viu sem opções. Abandonando os punhos alheios, o conde desapareceu em um vulto escuro, reaparecendo atrás de Cláudia, com o peito do pé sendo dirigido ao pescoço da mulher, em um ataque rápido. Se abaixando, Cláudia permitiu que o ataque passasse por cima de si. John, com velocidade, agarrou o membro alheio no ar e o girou com força, o lançando para fora das vinhas.

— NÃO! – gritou Peter, desesperado.

Ele não queria sair como derrotado tão facilmente. Aquele sentimento consumiria o seu orgulho por dias. Ele queria passar mais tempo no campo de batalha com o noivo do seu sobrinho.

— ISSO! –

Joseph e os demais betas estavam entusiasmados com o feito do Stilinski mais velho. Ver o conde atingir as vinhas, ainda no ar, os deixava aliviados e revigorados. Por mais que tivessem perdido grande parte das lutas, eles ainda sairiam como vencedores do torneio. A grande maioria dos membros havia se esquecido completamente do verdadeiro intuito daquela disputa amistosa entre bandos.

O corpo de Stiles se tornou completamente preto, chamando a atenção dos mais atentos. Quando os fios púrpuros se tornaram negros, Derek franziu o cenho e os ômegas sorriram de canto. Do peito de Stiles, uma mão saiu, estendida na direção dos alfas em campo, surpreendendo a todos. Quando um segundo Stiles surgiu, eles deixaram o queixo cair. O novo conde, que possuía os cabelos púrpuros de sua transformação, se desprendeu por completo do primeiro, aterrissando no campo de batalha, enquanto o Stilinski de cabelos negros se dirigia para os membros do bando Hale com velocidade.

O pai de Jackson, que seria atingido pelo adolescente, flexionou as pernas e se transformou, se preparando para o impacto. Quando o humano de cabelos negros atingiu o peitoral do lobisomem, ele se desfez em cinzas antes que o Whittemore pudesse lhe acolher nos braços. As cinzas escuras se espalharam com o vento, antes de desaparecer, deixando o homem confuso.

— mas o que porra foi isso? – indagou Jackson, surpreso, vendo o pai analisar o próprio corpo, completamente perdido.

— você... – o adolescente de cabelos roxos apontou com o indicador na direção do homem de cabelos castanhos – você realmente tem o sangue Stilinski. Sempre com um raciocínio rápido que lhe mostre como conseguir vantagem –

— como conseguiu... – John fora calado quando o conde voltou a desaparecer.

O castanho ergueu a guarda. O homem se virou, rapidamente, ao sentir a presença do conde atrás de si. Stiles se abaixou, em uma rasteira e John saltou. Antes que o rapaz efetuasse o ataque, ele voltou a desaparecer, em um vulto, que permaneceu no mesmo lugar. O Stilinski logo entendeu o seu erro.

Cruzando os braços diante do rosto e encolhendo as pernas até se encolher no ar, o homem pôde ver Stiles girar, no ar, se preparando para lhe chutar. O homem viu o momento exato em que o punho de Cláudia acertou a lateral do abdômen alheio, o afastando de si. Stiles deslizou pela grama, antes de avançar a passos rápidos contra a dupla.

Peter surgiu no meio do trajeto, abaixado, desferindo uma rasteira no mais novo. O rapaz de pele escura saltou, desviando do ataque. John surgiu diante do mesmo, desferindo um chute em seu abdômen. O Stilinski mais novo golpeou a cabeça de Peter com um dos pés, aumentando a sua altitude, e desferiu um golpe com as duas mãos na perna do alfa adversário, desviando o golpe do mesmo. Como um vulto, Cláudia surgiu acima de John, surpreendendo o conde.

O homem de cabelos castanhos moveu as mãos para a frente, agarrando os pulsos alheios, mantendo o adolescente no lugar. Stiles teve os olhos arregalados em espanto. Unindo as mãos em um martelo, a mulher desferiu um golpe potente no rosto juvenil.

Stiles apenas não fora jogado para o lado, por John, que mantinha o aperto firme em seus pulsos. Peter, que havia rolado para o lado durante o ataque da castanha, agarrou a mulher nos braços e girou, a jogando para o lado, fazendo a esposa não cair sobre o marido. John, aterrissou abaixado, com um dos joelhos erguido. Ao puxar o conde para baixo pelos pulsos, o alfa lobisomem fez com que o outro caísse com o rosto em seu joelho.

— eles são bons – murmurou Scott enquanto assistia ao seu alfa cair deitado no chão.

— a sincronia é boa -

— e o braço de Peter já se curou por completo –

— agora é que fica divertido de assistir –

Os ômegas dialogavam entre si, tecendo comentários sobre a disputa que assistiam.

— a confiança que eles carregam naquele humano é perturbadora – comentou a senhora Whittemore, surpresa.

— perturbadoramente compreensível – corrigiu o pai de Jackson, ainda surpreso com o que assistia.

— por que venerar alguém cuja raça tanto lhe fez mal? – inquiriu a mulher com os olhos vidrados no campo de vinhas.

Jackson e o pai, assim como alguns companheiros de bando, a fitaram brevemente, aproveitando o momento de calmaria na luta. Alguns deles com questionamento, se perguntando se a mulher não conseguia ver o que os seus olhos captavam. Outros, com compreensão. Aquele era um dos pensamentos que os levavam a rejeitar tanto os ômegas.

— era o que eu me perguntava. Mas, agora, eu vejo o porquê. Como um humano consegue fazer essas coisas? Como não reconhecer tal força? –

Jackson se viu surpreso com as palavras de sua mãe. Ela que tanto lhe instruiu a se envolver o mínimo possível com os visitantes, em seu papel de mãe preocupada, agora se via encantada pelo alfa do bando alheio.

— vamos acabar com isso o mais rápido possível – John ergueu o alfa aliado pelos cabelos, se preparando para golpear a cabeça do mesmo contra o solo.

A mão de Peter fora rápida em agarrar o seu pulso, lhe impedindo. O castanho olhou para o louro, confuso.

— ainda não. Eu não estou satisfeito com isso. Eu quero mais dele. Quero ver mais do que ele pode fazer –

— agora não é hora para isso, Peter. Precisamos nos livrar dele agora. Vimos o que os ômegas podem fazer. Agora pudemos ver o que ele pode fazer. Temos que ganhar isso –

O homem se irritou com as palavras de Cláudia.

Sabia que a mulher estava certa. Mas o seu orgulho e sua sede por ação insistiam em gritar em sua cabeça para que ele continuasse com a luta.

— você terá outra chance de lutar contra ele, Peter. Mas, agora, precisamos mostrar aos nossos que compromisso é essencial –

O argumento de John fez com que o louro soltasse um rosnado.

— vamos acabar com isso, querido – falou Cláudia, vendo John menear em concordância.

O homem jogou o mais jovem para baixo, sendo surpreendido quando a cabeça em suas mãos afundou no chão escuro. O corpo do conde passou a ser sugado para a região, assim como os braços do lobisomem. O Stilinski mais velho tentou se afastar, mas as suas mãos simplesmente não conseguiam sair de dentro do chão.

Fora tudo tão estranho.

Apesar de estar adentrando o chão, as suas mãos não encontraram resistência alguma para seguir adiante naquele ato inusitado.

Peter e Cláudia seguraram o marido, o puxando para longe do conde, que, agora, já havia desaparecido completamente. A dupla conseguiu puxar o companheiro para fora do solo. John caiu sentado sobre o chão, olhando para os próprios braços, perplexo

— o que diabos é isso? – perguntou Cláudia, espantada.

— eu não sei. Mas é tão gelado... É como se eu estivesse afundando na neve – comentou o castanho, ainda abismado.

— vocês podem tentar se livrar de mim. Mas não vai ser tão fácil –

A voz do adolescente surpreendeu ao trio, que se virou para trás, surpresos, vendo o adolescente de pé, com os braços cruzados e um sorriso traquino nos lábios sujos de sangue.

— poderia nos dizer o que é isso? Que tipo de magia é essa? – indagou o Hale, curioso.

— uma que apenas um grupo específico de pessoas é capaz de realizar – respondeu o conde com um sorriso de canto.

Peter franziu o cenho.

— oito -

— oito pessoas conseguem realizar esse tipo de magia –

— você e os seus irmãos. Estou certa? –

Stiles meneou na direção de Cláudia, afirmando.

— agora que o seu braço está bom, Peter, creio que, finalmente, poderemos nos divertir -

O Stilinski avançou no louro, que ainda se encontrava ao lado dos parceiros. O soco do humano fora parado pelo soco do lobisomem. Os dois retraíram os seus membros, simultaneamente. Enquanto os dois se recuperavam de seus golpes, John avançou pela lateral, focado no torso alheio. Cláudia seguiu pelo outro lado. Quando o castanho golpeou com o punho, Stiles girou, impedindo que o ataque acertasse e danificasse as suas costelas. O adolescente preparou a perna para golpear a nuca do homem com o calcanhar. No entanto, Cláudia estava realizando o mesmo movimento em si.

O rapaz teve de desistir do seu ataque, usando de seu giro com a perna erguida para poder abaixar o torso, permitindo que a perna da castanha passasse por cima de si. John rolou para a frente, se movendo sem interferir na movimentação de Cláudia. O homem desferiu um chute no local em que Stiles apoiou o pé, derrubando o adolescente de pele escura.

Cláudia saltou, girando no ar, e descendo os pés na direção do mais novo. O golpe atingiu em cheio o abdômen alheio, forçando o humano a se engasgar com o ar. A mulher moveu o pé, o erguendo, golpeando o peito do rapaz, que voltou a tossir com o golpe recebido.

— desista! –

O Stilinski sorriu, exibindo presas afiadas no lugar dos caninos. A mulher, surpresa, se tornou vulnerável às mãos do mais novo, que agarraram o seu pé com força. A mais velha, novamente surpresa, tentou se soltar, mas fora em vão. Desistindo de forçar a fuga de seu membro, a castanha sorriu, antes de erguer o outro pé, apoiando todo o seu peso sobre o peito alheio.

— se pode se curar tão rápido de um braço quebrado. Umas costelas serão pouca coisa –

No entanto, para a sua surpresa, o outro não pareceu sentir dor alguma. E, mais uma vez, a mulher fora pega desprevenida pelo mais novo. O corpo do rapaz passou a afundar no chão mais uma vez. Desesperada, Cláudia gritou por ajuda. Em segundos, Peter e John a estavam puxando para trás, impedindo que a esposa afundasse ainda mais no chão.

Quando a mulher voltou a se colocar sobre os próprios pés, o trio fora surpreendido quando Cláudia fora impulsionada para a frente, quase caindo sobre as vinhas. John se voltou trás, apenas para que a pedra vermelha lhe acertasse a face com força, o fazendo girar o corpo no sentido do rosto, cambaleando alguns passos para o lado.

Peter se virou, sendo recepcionado por um golpe do corpo da bengala.

Quando o trisal se recuperou de seus respectivos ataques, os três direcionaram o olhar para o adolescente, o vendo manusear um bastão escuro com um pedra avermelhada no topo.

Os betas e alfas da alcateia Hale, mais uma vez, se viram confusos e surpresos.

— quantas armas você tem? – perguntou Peter, irritado, levando a mão ao rosto, massageando o mesmo.

— o suficiente para me agradar –

O conde avançou com o bastão em suas costas. Assim que se aproximou do trio, os lobisomens atacaram. Cláudia passou a caminhar pela grama, em guarda, analisando o modo como Stiles enfrentava os seus dois maridos. A nova arma escolhida pelo adolescente permitia que defendesse e atacasse ambos os lados com velocidade, dificultando os outros dois alfas a criarem uma abertura sem serem tocados pela arma.

Ela tentava compreender o que estava enfrentando. Buscava em suas memórias algo que pudesse lhe dar uma direção. Não se lembrava de ter lido algo como aquele rapaz em qualquer bestiário que fosse. Stiles possuía um outro eu misterioso que não exalava cheiro algum. Ele conseguia fazer uso de magia, confirmando que não era um humano simplório. O seu acessório mágico se moldava em armas diferentes de acordo com a vontade de seu dono.

Afinal, que tipo de ser vivo era aquele rapaz?

Que tipo de criatura mudava a cor dos cabelos para roxo, a pele para preto e o deixava com aqueles olhos? E aquelas habilidades? A sua velocidade que se assemelhava a de um alfa e um ômega, a sua regeneração que ultrapassava a dos lobisomens e muito, a sua capacidade de afundar no chão e de arrastar alguém consigo para baixo. O modo como os seus membros ficaram frios quando o conde passou a lhe puxar para baixo fora uma sensação completamente nova para a mulher.

O Stilinski mais novo desferiu um golpe do bastão na face de Peter, o fazendo cambalear para trás, antes de girar, manuseando a arma com habilidade, a fazendo dar a volta em seu pescoço, para se virar na direção de John, que avançava contra si. O conde empurrou a arma na direção do lobisomem, golpeando o peito alheio com a ponta do corpo escuro da arma. O homem castanho agarrou a ponta do bastão, a prendendo firmemente.

Com o adolescente estando impossibilitado de brandir a sua arma, o alfa castanho sorriu, observando o marido se aproximar pelas costas alheias com violência. Assim que Peter desferiu o soco na nuca alheia, rosnando em fúria, o corpo escuro se desfez em um vulto.

Para a surpresa do Hale, o seu corpo fora atravessado pelo vulto, que se movera em sua direção. O homem se perdeu em sua surpresa, o que deu brecha para Stiles lhe chutar as costas, lhe empurrando na direção de John. Mas o castanho não se rendeu as vontades do seu parente distante.

Ignorando o corpo do marido, John se afastou do mesmo, ainda segurando o bastão firmemente. O adolescente se moveu, avançando no lobisomem sem soltar a sua arma. Peter se apressou e, desferindo uma rasteira, forçou o rapaz a saltar. Aproveitando o seu movimento, o Hale agarrou a outra extremidade do bastão, imobilizando a arma alheia por completo. Os dois homens menearam em conjunto, antes de erguerem uma de suas pernas na direção do conde.

Saltando, Stiles se colocou sobre o bastão usando as mãos de apoio, desviando dos dois chutes, que logo se encontraram, fazendo os dois maridos atingirem a curva do pé um do outro. Encolhendo o corpo, o rapaz de cabelos roxos trocou as mãos pelos pés, antes de saltar na direção do chão, deixando os lobisomens confusos.

“Ele vai sumir mais uma vez.”

Pensou Cláudia, ao ver o conde Stilinski preparar o punho contra o chão Diferente de Peter e John, ela não se surpreendeu quando o rapaz desapareceu no chão. Mas nem mesmo ela esperava que Stiles fosse surgir do chão, imediatamente, na mesma pose em que sumiu. O humano surgiu entre os pés do Stilinski mais velho.

O punho cerrado acertou o queixo do lobisomem, o forçando a soltar a sua arma e cambalear para trás. Peter usou do bastão em sua mão, aproveitando que John não segurava a outra extremidade, para desferir um golpe na cabeça do seu adversário, ao empurrar o bastão contra o seu dono. O conde se virou rapidamente e agarrou a arma com a mão, passando a segurar o objeto na outra extremidade.

Peter não se deu por vencido. Ele usaria aquele bastão contra o outro de qualquer maneira que pudesse. Erguendo a arma, o louro passou a erguer o adolescente de peso humano no ar.

Stiles, definitivamente, não esperava por aquela atitude. No entanto, estando quase sobre o Hale, o Stilinski não se viu em desvantagem. Assim que Peter conseguiu lhe colocar na altura máxima que poderia alcançar, o Conde soltou a arma, sendo arremessado para o outro lado do campo.

Girando no ar, o Stilinski mudou a posição de seu corpo, apontando com os pés para o solo, enquanto Peter manuseava o bastão, de forma a colocar suas mãos no centro do corpo escuro.

“De novo”

E, mais uma vez, a mulher se viu correta. Stiles voltou a desaparecer ao afundar no solo. Peter, instantaneamente, colocou o bastão deitado diante de seu corpo, pronto para bloquear qualquer investida que viesse do solo a sua frente. Mas nenhum dos dois lobisomens esperava que Stiles surgisse do chão atrás do Hale, usando do impulso do lançamento feito pelo louro para ganhar altitude.

— Peter! – Cláudia apenas teve tempo de repreender o marido, antes de o conde passar por sobre o homem, agarrando os fios louros e o puxando enquanto realizava a sua queda, trazendo o lobo, desprevenido, consigo.

Os dois foram ao chão. Peter apenas bateu contra o solo, de cara, enquanto Stiles voltava a sumir no chão, surgindo deitado na mesma posição entre John e o louro, aproveitando o impulso da queda para se erguer de abrupto sem usar de suas mãos. O humano abriu as mãos, com as palmas voltadas para cima, e então as ergueu um pouco, com força.

— não fique apenas parada, Cláudia. Participe também –

— que porra?! – exclamaram alguns betas, surpresos.

A mulher, surpresa, franziu o cenho, antes de sentir algo lhe golpear a nuca. Ao se virar, surpresa, a castanha encarou, perplexa, uma mulher escura da cabeça aos pés, manusear o bastão do Stilinski nas mãos, antes de lhe desferir mais um golpe. A alfa se abaixou, desviando do ataque, mas a outra era rápida, girando a arma, desferindo novo golpe, que lhe atingiu o bro.

Cláudia estranhou.

— você não é forte como ele – murmurou, pensariva.

Aquela mulher de cabelos longos e olhar vazio tinha a força de um humano. Se quer se comparava a força do golpe em que recebera do conde. Desferindo mais um golpe, a mulher misteriosa brandiu a arma. Cláudia moveu o braço, bloqueando o golpe com facilidade

John passou a enfrentar o conde, desferindo golpes de suas garras no peito alheio. Stiles estava sem a sua bengala para os bloquear com facilidade, e não tinha garras para poder revidar os cortes. Mas, para a sua indignação, o outro Stilinski desviava de si com habilidade. Peter se ergueu e se juntou ao marido, avançando com as garras e presas a mostra.

Stiles exibiu as presas em um sorriso largo.

— vamos dançar, senhores – ditou o castanho avançando contra John e colocando os seus olhos na altura dos olhos alheios.

John arregalou os olhos, surpreso, antes de desviar o olhar para os lábios alheios, acertando um soco no peito do conde.

O Stilinski mais novo, surpreso, não esperava pela sequência que se seguiu. Girando no próprio eixo, John se curvou, abaixando-se e desferindo uma série de socos no peito e abdômen alheio, forçando o conde a recuar alguns passos. O alfa mais velho retraiu o punho, girando mais uma vez e socando o queixo alheio, quebrando alguns dentes do adolescente, o erguendo do chão e o jogando de costas no solo.

Peter agarrou a cabeça alheia no ar, com as duas , posicionando os seus olhos sobre os olhos alheios.

— olhe para mim. Não para o meu marido – rosnou, irritado pela negligência do conde, antes de descer a cabeça alheia no chão, com força.

— Aki –

O adolescente pronunciou, deixando o louro confuso. Mas Peter não se preocupou nem um pouco com o dizer alheio. Ele iria golpear o adolescente tão forte contra o chão que, se Stiles não desmaiasse, sofreria um dano sério na cabeça. Desviou do bastão, se curvando e girando sobre os próprios pés, dando as costas para aquele servo misterioso.

Quando a castanha se ergueu, pronta para golpear o ser escuro com um soco potente, ela fora surpreendida quando a pedra vermelha lhe atingiu o rosto com tanta força que a jogou deitada no chão. Aquilo não estava certo. A mulher completamente preta acertara alguns golpes, e nenhum deles apresentava a força que aquele possuía. Nenhum dos golpes tinha a força que Stiles usara contra ela.

Erguendo o rosto, a loba se viu perplexa ao encarar Stiles, fincando o bastão no chão e o usando de apoio para se içar no ar. John se espantou ao ver o conde ganhar altitude e virar, para colocar os pés na direção de sua esposa.

Os dois homens avançaram com tudo contra o conde, ignorando o corpo escuro da mulher que Peter jogou a cabeça contra o chão. John rosnou, preparando as garras , enquanto Peter se colocava inclinado, pronto para agarrar os pés do conde antes que atingissem Cláudia.

Stiles sorriu.

A castanha viu o adolescente erguer o bastão, ainda estando no ar, antes de ela rolar no chão, desviando do golpe. A pedra vermelha do bastão acertou a nuca de Peter, o desequilibrando e o jogando no chão, enquanto John prosseguia com o ataque.

O Stilinski lobisomem fora pego de surpresa quando a mulher de preto surgiu ao seu lado. Ele desviou o olhar para a mulher de olhos vazios e escuros, que se encontravam perfeitamente alinhados com os seus. Logo o vazio se preencheu e o preto tomou uma nova cor. O homem se viu surpreso quando se sentiu ser puxado pelo olhar alheio.

Cláudia, ao perceber um dos olhos de Stiles completamente escuro e vazio como os da mulher, logo compreendeu o que o adolescente queria. A loba agarrou uma pedra e a atirou na direção da mulher de preto, mais especificamente no rosto da mesma.

A pedra acertou a sobrancelha da mulher e Stiles cambaleou para trás, levando a mão ao olho.

— ele iria usar ela para enfeitiçar John? – inquiriu Lance, surpreso.

— mas o que é Ela? – indagou Derek, curioso.

— essa é uma boa pergunta –

— por que toda essa fixação com o meu marido, Stiles? Por que não Peter ou até mesmo a mim? Chances você teve –

Stiles sorriu.

— esse privilégio é para poucos, Cláudia. E, com todo o respeito, você e os seus maridos já não me interessam tanto. John será apresentado ao meu outro eu por consideração. Somos Stilinskis. Se Laura, Miranda e Deaton sabem, ele têm o direito de saber –

— e se eu recusar esse convite? –

O castanho mais velho questionou, tomando o cuidado de não olhar nos olhos do adversário.

Stiles sorriu de canto.

— você não tem escolha –

John sorriu.

— você não é o meu alfa. E eu já parei de obedecer ao meu pai há muito tempo. Você não diz o que eu faço ou deixo de fazer –

— o sangue do meu sangue saberá o motivo pelo qual deve me temer –

O mais novo avançou novamente em um vulto vermelho se dirigindo para o seu parente distante. Peter imitou o ato do adversário, surgindo ao lado do mesmo assim que Stiles colocou os olhos diante dos de John. A mulher surgiu nas costas de Peter, surpreendendo John, que desvioi o olhar para ela. Cláudia surgiu atrás do ser preto, a agarrando pelo pescoço e a arrastando para longe de Peter, que agarrou o conde pelo rosto, o empurrando para trás.

John riu brevemente.

Estava se divertindo, apesar da tensão do momento. Ver Peter irritado com pessoas que mexiam consigo lhe excitava.

— pensei que tinha entrado nesse combate para salvar você, não para você ficar me protegendo – ditou com os braços cruzados, vendo o marido forçar o Stilinski mais novo a afundar no chão mais uma vez.

Peter se ergueu, sorrindo para o marido.

— hey. Você pegou minha retaguarda. Agora é a minha vez de pegar a sua –

— meus amores. Sabem que eu adoro ver vocês flertando. Mas agora não é a hora mais adequada – soltou Cláudia, antes de empurrar a mulher de preto nas vinhas, a vendo se desfazer em pétalas e escamas.

Stiles surgiu atrás de Peter, saltando e desferindo um chute nas costas do homem. O louro se abaixou, permitindo que John agarrasse o pé de Stiles e girasse, o lançando fora das vinhas. Mas, mais uma vez, o humano saiu de dentro de si mesmo, voltando a aterrissar no chão do campo de vinhas. Peter ignorou o conde, em função de puxar a esposa para si, a erguendo do chão, a girando nos braços, a beijando na bochecha e a jogando na direção de John, que agarrou a mulher nos braços, a colocando devidamente no chão, antes de lhe roubar os lábios em um selinho.

Peter avançou em Stiles, que passou a bloquear todos os seus golpes com perfeição.

— Alan – chamou Cláudia, se virando par ao homem de cajado.

— pois não? –

— existe alguma magia das sombras? – questionou a alfa, gerando um sorriso orgulhoso no druida.

— certamente –

— como descobriu? –

A voz de Stiles em seu ouvido fez o corpo da mulher tremer. Ao olhar por sobre os ombros, ela notou o olhar predatório do adolescente em si.

— Fique longe! – ralhou John desferindo um soco, que fora rapidamente bloqueado pela palma alheia.

Stiles cerrou o punho, mantendo a mão do outro alfa firme em seu agarre. Quando John relaxou o membro, antes de começar a puxar o mesmo, o corpo de Stiles se tornou completamente prero e a expressão do mesmo mudou para uma feminina.

A mesma mulher que Cláudia expulsara do campo havia retornado. O torso do conde surgiu do ombro da mulher, pegando John desprevenido. O Stilinski mais novo preparou o punho, o cerrando com força, mirando no rosto do homem. Mas Cláudia fora mais rápida, golpeando o cotovelo da mulher adversária com o punho, quebrando o braço da outra, desequilibrando o conde.

Stiles voltou a sumir no braço as mulher, surpreendendo os membros do bando Hale.

— os seus jogos das sombras acabou. Eu sei que você usa a escuridão da noote para sumir no chão, e usou as sombras de John e Peter para surgir logo abaixo deles -

Os ômegas encaravam a mulher com perplexidade.

— como diabos? – inquiriu Ennis, surpreso.

— todos os locais em que ele afundou no solo. Todas as vezes em que ele usou essa magia com velocidade, eram em pontos em que as tochas mal iluminavam. Quando estava perto da luz, ele as realizava com mais calma, como se exigisse mais concentração – respondeu Cláudia vendo a mulher de preto se afastar, antes de começar a mudar de aparência, tomando uma cor mais viva.

Stiles surgiu, fazendo a mulher sumir.

— meus parabéns. És a primeira lobisomem que consegue descobrir por conta própria –

O humano batia palmas, a medida em que começava a caminhar pelo campo, passando a rondar a mulher.

— eu também sei o seu ser interior – comentou a mulher fazendo os ômegas abandonarem as posições que tinham, se erguendo, surpresos.

Stiles sorriu vitorioso.

— pois bem. Me deixe ouvir –

— é como Peter disse. Você é uma cobra, Stiles – soltou a mulher, começando a imitar o humano.

Derek desviou o olhar para os ômegas, surpreso, esperando por alguma confirmação da parte deles. No entanto, a expressão de divertimento e decepção nos olhares do bando aliado lhe diziam que sua tia estava errada. Scort e Liam gargalharam, assim como Erica e Ennis.

— isso é um pouco óbvio. Poucos são os seres capazes de trocar de pele. Mas a resposta não é tão simples assim, mulher -

Cláudia se viu confusa, por um momento.

— sim. Eu imaginava que a sua resposta seria algo parecido –

Stiles sorriu galante, cruzando um dos braços e apoiando o cotovelo do outro no mesmo, erguendo a mão em direção aos lábios.

— você diz que meu jogo de sombras acabou... Apenas por descobrir que sou capaz de manipularas sombras com magia? –

— agora que sabemos o que faz, não vai nos pegar desprevenidos – ditou Peter, adquirindo um posição de defesa.

Stiles gargalhou suavemente.

Um gargalhar gostoso e inofensivo.

— irei mostrar como estão errados – comentou estalando os dedos da mão erguida.

— Aki –

Após a pronúncia, a mulher de preto e rosto asiático e cabelos curtos retornou, surgindo do chão ao seu lado.

— ela tem a força de uma humana. Não é um ameaça –

Stiles sorriu com a pronúncia de Cláudia, assim como Aki.

— Gabriel — o Stilinski voltou a estalar os dedos, surpreendendo o bando Hale quando um homem mais velho surgiu do chão, ao seu lado esquerdo.

— isso é novidade – comentou John, vendo o homem de preto e terno lançar o olhar vazio em sua direção e exibir o mesmo sorriso que Stiles.

— Nicole –

E um mulher de cabelos longos surgiu diante de Cláudia.

— Adrien –

Um adolescente de quinze anos surgiu ao lado de John.

— Iara –

Uma mulher de rosto redondo, cabelos lisos brilhantes e piercings feitos de madeira.

— Aba –

Uma mulher de cabelos raspados surgiu diante de Derek, no campo de vinhas.

— Porã –

Um homem de rosto redondo, corpo trabalhado, tatuagens nos braços e peitoral surgiu diante de Kira.

Aos poucos, o campo de vinhas foi ficando repleto de seres escuros e de olhos vazios.

— mas quem diabos é essa gente?! – inquiriu Jackson, confuso por começar a perder o seus alfas de vista em meio a multidão de cor preta.

— Kim –

Uma mulher idosa surgiu diante do conde, antes de ele se aproximar da velhinha, começando a penetrar as suas costas, sumindo no interior da idosa.

— vamos começar – ditou enquanto apenas o seu torso se encontrava visível.

— contemplem... O Jardim dos Mortos – Pronunciou enquanto o seu rosto começava a desaparecer nas costas da velhinha.

Os corpos sombrios passaram a marchar na direção do trio, que se encontrava cercado, com as costas voltadas para os outros, tentando criar uma defesa ampla.

Porã desferiu um soco em Peter, que bloqueou o ataque com as mãos, sem muitas dificuldades. Aki desferiu um soco contra Cláudia, mas a mulher segurou o pulso alheio, parando o golpe. Adrien desferiu um soco em Jhon, que moveu o golpe para o lado, o desviando.

— qual é o sentido disso? São todos fracos. Não tem como esses ataques surtirem algum efeito –

Dizia Peter enquanto desviava mais um golpe, desta vez de Iara. Quando ele agarrou o pulso de Porã, como Cláudia fizera com Aki, a centímetros de seu rosto, o homem fora pego de surpresa quando um punho surgiu do punho do homem escuro, lhe acertando o rosto com força o suficiente para lhe fazer cambalear.

— o quê?! –

Cláudia recebera um soco de Kim, mas, do peito da senhorinha, um pé surgiu, acertando o abdômen da loba.

Da boca de Lucian, a pedra vermelha surgiu, avançando contra o peito de Peter, o empurrando para trás, o que acabou empurrando John e Cláudia, que os separando minimamente. O casal se virou para o louro, o vendo sendo engolido por uma montanha de corpos escuros, quando Jéssica, uma garota de treze anos se enroscou em uma de suas pernas, o levando ao chão.

— Peter! – chamou Cláudia, vendo o marido, aos poucos, começar a se levantar, ou pelo menos tentar.

Peter não sabia como, mas ele sentia Stiles lhe golpear várias vezes com a bengala, impossibilitando a sua movimentação. Mas ele não desistiu. Quando sentiu o conde cessar o ataque, ele forçou o seu corpo para cima, erguendo a pilha de humanos escuros e os jogando para o lado.

— você... Não vai me vencer tão fácil, garoto – ralhou, pisando na cabeça de Porã com força, a esmagando, fazendo o homem desaparecer em uma nuvem de cinzas.

— CLÁUDIA! – o grito de John despertou o louro, que se virou para a mulher, encontrando a palma da mão da mesma estendida na direção do marido, enquanto ela era soterrada por corpos.

— não vai, não – rosnou seguindo para a mulher, começando a destruir os corpos escuros, esmagando os seus crânios com as mãos.

— Peter – chamou a castanha, quando, por um breve momento, encontrou o rosto de um dos maridos, quando o mesmo retirou a velhinha de cima de seu rosto.

— estou aqui –

— É uma armadilha... Ele quer o John – a mulher conseguiu falar, antes de Aba voltar a cobrir o seu rosto, ao se jogar sobre si.

Peter, surpreso, se virou para John, o vendo se ajoelhar diante de Nicole, a encarando nos olhos. Todos os corpos escuros que cercavam John, agora seguiam para Peter e Cláudia, enquanto John se rendia ao olhar intenso do conde.

— Merda! – rosnou enquanto Akin saltava em sua direção, lhe agarrando o braço.

John viu as tochas se acenderem em meio ao ambiente escuro lhe deixando confuso e curioso. Ele não sabia onde estava, mas sabia o que significava estar ali. Ele havia olhado nos olhos de Stiles. Estava preso no encanto do conde.

— fique atento – uma voz ecoou ao seu lado, lhe surpreendendo.

Ele, estranhamente, reconhecia aquele lobo ao seu lado.

— o seu lobo é bonito – a voz do conde chamou a atenção do lobisomem.

Ao olhar para trás, o membro do bando Hale se viu surpreso ao ver um adolescente de cabelos castanhos, pele pálida e sobretudo vermelho com uma manga faltando. Apesar de tudo o que sofrera na luta, a vestimenta do adolescente estava como se fosse nova. Um estado excepcionalmente perfeito.

Diante e atrás do Stilinski mais novo, as tochas se seguiam, em uma caminho infinito de luz natural. O lupino se virou em um salto, passando a encarar o humano nos olhos, enquanto a sua versão humana lançava um olhar de receio na direção de Stiles.

O homem lançou um olhar curioso para o lobo ao seu lado, passando a compreender o que estava ocorrendo. Aquele era o seu outro eu. O lobo que habitava o homem. As duas faces de uma mesma moeda colocadas lado a lado.

— alerta, robusto, inteligente, pelo brilhoso. Um bom parceiro -

— onde está o seu outro eu? – inquiriu o Hale vendo o seu parente distante sorrir de canto.

— para quem não queria o conhecer, você me parece bem ansioso –

— todos me pareceram bem surpresos. É de se esperar seja algo que me deixe sem palavras. Mas até agora, não vejo nada –

— está olhando nos lugares errados. Me deixe lhe mostrar o caminho –

O adolescente se virou, passando a marchar pelo caminho molhado, criando ondulações suaves na água. A dupla o seguiu, atenta, sempre olhando ao redor.

— ele não gosta muito de outros seres de aparência similar aos humanos. Ele prefere animais. Então está um pouco irritado após ser apresentado tantas vezes em uma única noite –

— isso está me cheirando mal – comentou o lobo ainda caminhando ao lado do seu eu humano.

Stiles riu.

— não confia em mim? Te coloquei ao lado do seu outro eu. Não se sente mais livre nesse mundo? –

— eu estive observando, garoto. Sei o que significa estar aqui –

O castanho mais novo voltou a rir.

— não seja tão molenga. Você é um alfa. Deve mostrar coragem –

— eu tenho uma pergunta. Se você é um humano. Como possui um outro eu? – inquiriu John vendo o mais novo olhar por sobre o ombro brevemente, sorrindo gentil em sua direção.

— eu nasci com ele. Mas ele não interfere em minha espécie. Bom, não totalmente. Eu sou uma espécie rara de humano. –

Eles caminharam por um bom tempo, antes de John avistar um círculo de tochas, onde a água que cobria o solo demonstrava ondulações sem que nada estivesse atingindo a superfície.

— olha ele alí. Estávamos falando de você agora mesmo –

Um rosnado agudo fora emitido, estrondando os ouvidos aguçados da dupla que se encontrava atrás de Stiles. O lobo recuou um passo e John cobriu os ouvidos com as mãos.

— só coisa boa. Só coisa boa. Para de implicar – reclamou o conde se movendo para o centro do círculo de tochas.

— onde, exatamente, ele está? –

— abaixo de nós –

A resposta pegou John e o lobo de surpresa. Os dois olharam para baixo, vendo duas luzes brilhantes surgirem abaixo de Stiles. O chão passou a borbulhar, antes explodir, como um gêiser, atrás do adolescente. John deixou o queixo cair, enquanto cobria os olhos com a mão, tentando impedir que a água bloqueasse a sua visão.

— não pode ser – murmurou, observando as escamas negras arroxeadas da serpente a sua frente.

O ofídio rosnou, exibindo as presas longas, enquanto voltava a se abaixar, retornando para o solo, posicionando a cabeça deitada sobre a água, com Stiles entre as suas narinas.

— John, este é Wonaga. Naga, este é John. O outro Stilinski –

— Wonaga? – pronunciou o alfa lobisomem, perplexo.

No final das confas Cláudia estava certa. Era mesmo uma serpente que habitava o corpo alheio. Mas ele, em hipótese alguma, cogitaria que fosse um ser tão grande e assustador. Os olhos da fera queimavam como o fogo em um vermelho ardente e vivo como o sangue. Stiles apoiou o corpo nas escamas escuras, cruzando os braços diante do peito, tomando uma pose desleixada.

— e então? Está impressionado o suficiente? –

— que tipo de criatura é ele? –

Antes que Stiles pudesse responder, a serpente fungou, fazendo o ar se movimentar na direção da dupla lupina, bagunçando os seus pelos e roupas. O adolescente gargalhou, dando dois tapinhas nas escamas escuras e se erguendo. Wonaga mergulhou no chão, antes de se posicionar abaixo do Dtilinski mais novo e voltar a se erguer, içando o adolescente.

— você vai me desculpar, primo. Mas o seu bando não é merecedor dessa informação. Se quer são merecedores de estar aqui. Laura foi apenas demonstração de poder. Miranda foi por reconhecimento pela mulher que é. E você, meu caro, foi devido ao nosso sangue. Do contrário, se quer poderia olhar para a sombra de Wonaga –

O adolescente finalizou erguendo a mão esquerda com os dedos unidos. Wonaga rosnou, revelando suas presas e língua, mais uma vez, antes de avançar contra a dupla de lupinos. John e seu lobo se encolhera, apenas esperando o ataque.

Stiles estalou os dedos e tudo sumiu.

John se jogou para trás, assustado, recuando com dificuldade, enquanto arfava. Encarava o adolescente com pânico no olhar, ao mesmo tempo em que tentava associar o que estava ocorrendo. Ele já não sentia mais o molhado da água gelada que antes cobria os seus pés. Ele, agora, sentia apenas a grama gelada em contato com sua mão.

Ao, finalmente, se dar conta de que não se encontrava mais no mesmo plano em que Wonaga, o castanho suspirou. No entanto, o suspiro morreu em seu pescoço assim que uma mão se fechou naquela região, apertando firmemente e lhe erguendo do chão.

Levando as mãos ao pulso de seu agressor, tentando, inutilmente, começar um movimento que lhe livraria do agarre alheio. Mas ele não teve tempo. Stiles girou, o erguendo no ar, e logo o arremessou contra as vinhas.

— misericórdia! – exclamou a senhora Mason observando o alfa atravessar as vinhas e cair aos seus pés.

Peter, enfim, conseguiu se erguer mais uma vez, derrubando Gabriel no chão, diante de seus pés, e os outros corpos atrás de si. Quando notou que John não ae encontrava mais diante do conde, o homem prendeu a respiração, surpreso. Procurou pelo marido por todo o campo, o encontrando aos pés das família Mason, se levantando com dificuldade.

O louro se distraiu e perdeu o momento em que a barriga de Gabriel se abria. A pedra vermelha surgiu, junto do braço de Stiles. O golpe no queixo de Peter o ergueu no ar, junto do conde. Stiles girou no ar, acertando um chute no peito do lobisomem, o jogando na direção de Talia e Alexander. A mulher saltou, agarrando o irmão no ar.

— esse cara é forte pra porra! – exclamou Garrer, perplexo.

O senhor Onew rangeu os dentes, cerrando os punhos com fúria.

Cláudia se ergueu de prontidão quando todos os seres de preto que se encontravam no campo desapareceram em uma nuvem de cinzas. A mulher vasculhou o ambiente com o olhar, movimentando os olhos com velocidade pelo campo.

A mulher se viu surpresa quando um vulro vermelho passou diante de si. Entrando em posição de defesa, Cláudia se tornou hábil a defender o golpe de bastão que veio de trás, visando o seu ombro como alvo. A Hale se virou, bruscamente, já com o punho cerrado e erguido, mas o conde já não se encontrava atrás de si.

A castanha ergueu a perna para trás, em um chute, mas nada acertou. Stiles surgiu ao seu lado e ela tentou o socar, mas o rapaz agarrou o seu pulso com a mão esquerda, lhe mantendo no alcance. O rapaz ergueu a perna, passando a lhe desferir chutes na face com agilidade. Quando Cláudia tentou interceptar o terceiro chute, o adolescente abaixou a perna e desferiu um golpe da bengala na mulher, a fazendo cambalear para o lado, girando.

O Stilinski voltou a avançar contra a mulher, desferindo um golpe lateral do corpo da bengala no abdômen da loba, a lançando contra os ômegas, que se quer se moveram. Eles sabiam que o corpo da alfa seria interceptado pelas vinhas.

O humano ergueu o corpo apropriadamente, apoiando as mãos na bengala e se virando para o casal restante. Talia ainda segurava Peter em um abraço protetor, enquanto observava, abismada, a melhor amiga e cunhada ser espancada e derrotada pelo alfa aliado. Alexander mantinha os braços cruzava e um olhar severo enquanto estudava os movimentos alheios.

Cláudia havia sido capaz de compreender como o conde lutava em pouco tempo de campo. Então ele poderia fazer enquanto o rapaz ainda lutava com o trio. Mas fora complicado, ele não podia negar. Ver três dos seus alfas serem derrotados simultaneamente... Era difícil. Principalmente quando a raiva e a frustração lhe dominavam aos .

Stiles sustentava um sorriso ladino, maroto. Um sorriso de um garoto que aprontava algo grande e que sabia que não poderia ser pego por isso. Aquele maldito sorriso estava consumindo Alexander aos poucos, como o fogo consome uma vela.

— creio eu que vocês dois não precisam de apresentação alguma, já que são os alfas. E uma vez que são os últimos restantes – o tom de voz usado pelo conde gerou um rosnado em Talia. Mas ela o conteve, diferente de Benjamin.

Miranda calou o marido com um golpe do pé no peito do pé do homem, que lhe fitou indignado.

— boa sorte – murmurou Derek, para o pai, que meneou em agradecimento, sem lhe olhar.

O casal de alfas soberanos marchou na direção do campo de vinhas mais uma vez, atravessando a armadilha mágica do druida de seu bando. A cada passo que davam na direção do conde, era mais uma mudança em sua forma física. Já em suas formas bestiais, marido e mulher adquiriram posições de batalha, flexionando os joelhos e exibindo as garras em um aviso de sua seriedade quanto ao combate.

— antes de começarmos, eu gostaria de fazer uma observação –

O adolescente anunciou, chamando a atenção de todos, ainda com a sua pose elegante, sustentando as mãos sobre a pedra vermelha da bengala que se encontrava apoiada no chão , diante do seu corpo. Os dois alfas franziram o cenho ao observarem a seriedade do mais novo.

— eu vou fazer apenas uma pergunta... –

Derek não estava entendendo o mais novo. Nem mesmo os ômegas conseguiam pensar em um motivo pelo qual o seu alfa teria parado o combate.

— olhem bem ao seu redor, Alexander e Talia. Não... Na verdade, olhem bem ao redor todos vocês. –

Os lobos, confusos, olharam ao redor, não compreendendo o objetivo daquelas palavras.

— olhem o ponto em que chegamos. Um duelo entre bandos... Um duelo em que nós, o bando, aparentemente, em desvantagem, temos que mostrar a vocês, um bando poderoso e elogiado, que não temos a intenção de lhes roubar poder... –

O rapaz fez uma pausa, negando com a cabeça, rindo.

— então eu lhes pergunto: foi traição? Ou incompetência? -