The Engagement

25 Sem Chance


Dizer que Derek não estava nervoso com a presença de Ennis seria uma inverdade. O moreno de olhos verdes podia até agir e dizer que não, mas ele estava receoso, sim, com o beta estrangeiro. Ennis tinha uma jeito espaçoso que conquistava as pessoas aos poucos. Ele pode ter sido um tanto ousado no primeiro contato com a família Hale, naquela manhã, mas, aos poucos, ele ia conquistando os alfas. Cada ato, cada olhar, cada palavra emitida pelo beta calvo recém chegado era carismática. Era quase impossível não gostar de Ennis.

Quase.

Pois Derek conseguia.

O moreno de olhos verdes estava em seu quarto, rosnando para as paredes enquanto pensava no que fazer. Ele não iria ficar quieto e permitir que aquele beta ousado ficasse se insinuando para o seu noivo, só porque era ele que estava como noivo do Stilinski e não Ennis. Derek não iria aceitar isso de forma alguma. Sem chance. Ele não havia passado por tudo aquilo para nada. Se havia alguém que iria se casar com aquele humano de olhos claros, esse alguém era ele. O Hale precisava fazer alguma coisa e rápido. Mas como ele iria mostrar para Ennis que o beta estava tentando entrar em seu território?

Os brincos não haviam tido utilidade alguma e Derek duvidava que teriam sem que Stiles lhe beijasse por vontade própria. Essa ideia ainda lhe assustava um pouco, mas ele estava determinado a aceitá-la a qualquer custo, afinal, Stiles era o seu noivo. Eles ficariam o resto da vida juntos após recitarem os votos sagrados. Então nada mais comum do que adquirirem intimidade o suficiente para isso, certo? Sem contar que se a magia presente nos brincos fosse ativada, ela o ajudaria a afastar o Bishop do humano. O fato de Stiles ter disputado um duelo sagrado por si também não pareceu ter muito significado para o beta sem cabelos que se encontrava no andar de baixo. Aquilo era frustrante. Ele não sabia o que fazer para forçar Ennis a recuar e não investir no Conde. Nem os brincos que representavam a sua posição no bando Stilinski, que agora se encontravam guardados na caixinha na qual chegaram até suas mãos; nem o duelo, no qual o Conde ganhara o ferimento em seu rosto, haviam lhe servido para coisa alguma. E, para completar tudo, a sua nova condição com o humano não estava lhe ajudando. O fato de não poder tocar o conde sem que tivesse que solicitar o ato ao humano lhe impedia de provar para Ennis que ele não tinha pelo que lutar, ali, já que Stiles já era seu.

Derek passou a caminhar de um lado para o outro, pensativo, ao mesmo tempo em que encarava o solo em busca de alguma resposta. O moreno de olhos verdes precisava agir, e sabia disso, mas não sabia como. Ele tinha medo de agir sem pensar, como fizera anteriormente e acabar piorando a situação. No entanto, Derek também tinha receio de pensar demais e agir de menos, como fizera com Braeden, e acabar piorando as coisas. O lobo de olhos verdes suspirou cansado. Precisava de ajuda, era óbvio. Não conseguia fazer aquilo sozinho. Mas para quem ele deveria pedir ajuda? No fim, o Hale nem precisou pensar muito. Apenas guardou a caixinha com uma rosa desenhada no topo em sua gaveta do criado e desceu as escadas com velocidade, chamando a atenção dos que encontrou pelo caminho.

— para onde vai com essa pressa toda? – indagou Peter que se encontrava em pé de frente para Ennis, já que conversava com o beta.

— Eu estou indo falar com o Boyd – falou já se retirando da mansão, não dando tempo de notar o sorriso ladino nos lábios de ambos os lobos.

Derek desceu a enorme escadaria com velocidade. A sua vontade era de saltar aquelas escadas e cair já na entrada da casa dos Boyd. O moreno de olhos verdes cumprimentou as pessoas que lhe cumprimentavam, enquanto ignorava o olhar de estranhamento dos outros para a sua corrida desesperada. Em pouco tempo, Derek já estava invadindo a residência dos Boyd, assustando um pouco a mãe do amigo, que se sobressaltou diante do fogão quando o Hale surgiu na cozinha, do nada, de forma brusca, a pegando desprevenida. Derek se desculpou com a mulher, que lhe encarou com seriedade após se recuperar do susto. Ouvindo uma breve ameaça, Derek seguiu para outros cômodos da casa, chamando por Vernon.

— ele saiu bem cedo. Não sei onde está – falou Miranda, mãe de Vernon, voltando a mexer na panela com uma colher de madeira.

— ele não falou nada? – perguntou o Hale surgindo na porta da cozinha novamente.

— não me lembro. Por que? Precisa de ajuda com algo? – respondeu encarando o lobo com braçadeira, no braço contrário ao que seu marido usava, suspirar frustrado.

— sim. Eu preciso que ele me ajude a pensar em uma coisa – disse o moreno de olhos verdes vendo a mulher sorrir gentil em sua direção.

— é sobre o seu noivado? – indagou encarando o moreno de olhos verdes, de soslaio, corar um pouco enquanto abaixava a cabeça. A mulher aceitou o silêncio e nervosismo do homem como uma resposta positiva.

— Vernon me contou que você andava bem indeciso sobre se casar ou não com esse rapaz, o Conde – comentou abaixando a cabeça para a panela a sua frente.

— é. Eu estava, mesmo – respondeu um pouco envergonhado por seus medos terem sido expostos para a mãe do seu amigo.

— e não se sente mais dessa forma? – perguntou Miranda vendo o Hale negar com a cabeça.

— não. Eu aceitei fazer parte disso. Eu vou seguir em frente com o noivado – respondeu com a voz firme.

— do jeito que você fala, parece que ficar ligado a ele para o resto da vida será uma tortura. Ele não é um bom rapaz? É uma pessoa podre? – indagou a mulher de cabelos cacheados, pegando uma xícara e colocando um pouco do conteúdo que mexia, antes de estender a mesma para o Hale.

— cuidado que está quente – alertou vendo o rapaz acolher a porcelana em uma mão, com cuidado, antes de pegar uma colher em um armário. Os doces da senhora Boyd eram os melhores de todo o bando Hale.

— não. Na verdade, eu conversei com ele em uma noite. E ele é uma boa pessoa. Ele me fez rir a todo o momento em que conversamos naquela noite. E... Eu vejo o modo como ele trata os ômegas dele. Não parece ser uma pessoa ruim. É mais como... Um pai para eles, sabe? Os mais velhos parecem o respeitar. Mas os mais novos o veem como um tipo de Deus absoluto – ditou Derek, corado, tratando de ocupar a boca com o doce em suas mãos logo em seguida.

O moreno de olhos verdes estava envergonhado por admitir aquilo para a mãe de seu melhor amigo. Miranda encarou o Hale rapidamente, notando o mesmo cabisbaixo, não tendo coragem de lhe olhar nos olhos. A mulher suspirou indignada, se remexendo na frente do fogão, não sabendo se dava atenção a panela ou quebrava a colher de madeira na cabeça do mais novo. Então a mulher parou, respirando fundo, antes de decidir se focar no fogão. Derek Hale estava nervoso com a situação e ela se via no dever de guiar o rapaz naquele momento. Ele não era apenas o amigo do seu filho.ele era um membro do bando do qual fazia parte. Era um membro de sua grande família. E, como uma alfa, ela se sentia no dever de ajudar o homem de cabelos negros. E foi por isso que ela se acalmou. Para achar um modo de aliviar a pressão sobre o moreno de olhos verdes. A Boyd procurou, na mente, alguma situação que lhe lembrasse algo pelo qual o Hale passava, sem que isso aumentasse o nervosismo do rapaz.

— sabe? Quando Benjamin e eu namorávamos, antes de ele me pedir em noivado, acontecia isso. Nós nos juntávamos na casa de um dos dois e ficávamos conversando. Não conseguíamos parar de sorrir por um minuto, se quer. Até a comida que levávamos a boca era motivo para sorrisos na direção um do outro. – falou a mulher sentindo os lábios se curvarem, ao mesmo tempo em que ela olhava para o doce fervente que se encontrava a sua frente.

Derek observou a mãe de seu melhor amigo, vendo um sorriso bobo nos lábios da mulher. Aquilo lhe lembrou a noite em que passou acordado com Stiles, comendo alguns doces que lhe foram entregues como oferendas. Ele lembrava de sorrir com o castanho, enquanto eles compartilhavam histórias engraçadas de ambos os bandos. Ele se lembrou do sorriso do castanho quando o mesmo lhe fez corar ao elogiar o seu cheiro de folha de limoeiro. O Hale mordeu o lábio inferior, se lembrando de como ele achava bonito quando o rapaz abaixava o olhar, antes de o erguer em sua direção.

— vocês se gostavam naquela época, não gostavam? – questionou o beta, provando de mais um pouco do doce feito de abacaxi.

— está brincando comigo, garoto? Eu não conseguia tirar o seu tio da cabeça nem quando tentava pensar em outra coisa. Pensava tanto naquele homem, que se eu plantasse uma árvore, ela teria o formato exato do Ben – brincou a mulher ouvindo o moreno gargalhar um pouco.

— mas e você? Pensa nesse rapaz? – inquiriu Miranda vendo o moreno olhar para a xícara com seriedade.

— as vezes. Há momentos em que eu me pego pensando nele, mas tem vezes que esses pensamentos não são positivos, sabe? Eu tenho quase certeza de que penso nele apenas por medo de perder essa aliança – respondeu Derek ouvindo a mulher suspirar um tanto chateada.

— ótimo, já está pronto – disse a Boyd retirando o doce do fogo e o colocando próximo a janela.

— está realmente delicioso – elogiou Derek, finalizando a porção que comia – mas eu tenho que procurar pelo Vernon – ditou Derek largando a xícara sobre a mesa e começando a se afastar.

— ah, mas não vai, não! Eu vi você crescer, Derek. Não vou deixar que fique com algum problema sem que eu tenha tentado ajudar. Vamos, sente aqui e vamos conversar – ditou a mulher puxando uma cadeira e sendo seguida pelo rapaz no ato.

— eu não sei se a senhora pode me ajudar – murmurou Derek, um tanto receoso.

— querido, você está se casando. Apenas alguém que já passou por isso pode lhe ajudar. Sei que o meu filho é inteligente e bom em decidir o que fazer. Mas nesse caso em específico, consultar um cachorro de rua seria uma ideia melhor do que consultar o meu filho – ditou a alfa de cabelos escuros e cacheados vendo o moreno de olhos verdes rir contido.

— vamos lá, me diga o que está afligindo este seu coraçãozinho, meu jovem – pediu Mirando unindo suas mãos as do Hale.

— bom, eu e Stiles estamos noivos. E agora mais do que nunca. Uma vez que teve o duelo sagrado entre ele e Braeden – explicou Derek vendo a mulher menear positivamente.

— isso mesmo. Agora que ele ganhou. Qualquer pessoa que lhe veja com olhos apaixonados, deve ganhar dele em um duelo para poder ter alguma chance com você – continuou Miranda, tentando enfatizar o fato de que, agora, Derek estava realmente enlaçado no humano, seja com noivado ou sem noivado.

— mas que ideia ridícula foi a dessa garota? Você estava noivo! Ela deveria desistir de você – ditou a mais velha vendo o rapaz suspirar cansado.

— bom. Não foi total culpa dela. Nós namorávamos em segredo quando os meus pais ofereceram a minha mão nessa aliança – explicou o Hale encarando a mulher menear compreensiva.

— compreendo. Agora tenho um pouco de dó dela – comentou a senhora Boyd vendo o rapaz abaixar a cabeça.

— Eu também fiquei triste com o nosso término, e me senti mal pela Braeden. Mas aí ela teve a brilhante ideia de tentar transar comigo no templo – ditou Derek vendo a mulher tomar uma expressão de choque.

— que vadia! Espera... você não fez, certo? – perguntou a mulher, desesperada.

— não. Mas o meu maldito corpo não reagiu a tempo de impedir que ela colocasse o meu... a senhora sabe, para fora da calça – respondeu Derek observando a mãe do melhor amigo suspirar aliviada, antes de lhe fitar indignada

— como é? – indagou Miranda irritada.

— mas eu consegui empurrar ela e sair da sala de treinamento – Derek tratou de explicar antes que a mulher lhe golpeasse com a mesa a qual estavam sentados.

— mas antes que eu a afastasse de mim de vez, o Conde nos encontrou – falou Derek vendo a mulher praguejar, possessa.

— e foi por causa desse incidente que ele não me permite mais tocar nele sem a sua permissão – ditou Derek vendo a mulher lhe fitar levemente decepcionada.

— ah, mas eu também ficaria muito chateada com o Benjamin se eu o pegasse com o pau pra fora na presença de outra mulher. Principalmente com ela se insinuando para ele – argumentou a Boyd se remexendo na cadeira, apoiando o rosto em uma das mãos, ao mesmo tempo em que o cotovelo a sustentava na altura do rosto da mulher.

— eu sei que ele tem toda a razão de estar chateado, mas me impedir de tocar nele já é um pouco demais, não? Como vamos construir alguma relação sendo que eu tenho que pedir permissão para tocar nele? – argumentou o Hale vendo a alfa balançar a cabeça de um lado para o outro, indecisa.

— por um lado, eu concordo com você, mas eu me sentiria enojada de ser tocada pelo meu homem sabendo que ele se deitou com outra pessoa que não seja uma parceira ou parceiro nosso. Eu não conseguiria mais nem o chamar de querido – explicou a mulher vendo o moreno de olhos verdes ficar pensativo.

— acha que ele tem nojo de mim, agora? – perguntou Derek sentindo o peito se apertar um pouco com a ideia de o conde se retrair ao seu toque.

— eu creio que não. Já que ele lhe beijou na frente de todos durante o duelo sagrado – respondeu a mulher, feliz pelo tom de voz utilizado pelo Hale. Aquele tom de voz significava que havia possibilidades de aquilo dar certo. Derek engoliu em seco com a fala da mulher.

— bom, nós... ainda não nos beijamos. Aquilo foi pura encenação. Nós cobrimos os lábios com o polegar – revelou envergonhado e sentindo um certo receio pela reação da mulher a sua frente.

— chega. Para mim, já deu. Não se fazem mais jovens como antigamente. Pelo amor dos Deuses. Vocês são noivos! Na minha época noivos andavam de braços cruzados, já dormiam na mesma cama. Tudo bem que o melhor do casamento realmente fica para depois do casamento. Mas pelo menos dormir juntos nós fazíamos. E vocês se quer se beijaram?! Ah, tenha dó de mim – a mulher se ergueu, completamente revoltada, surpreendendo o Hale.

— eu nunca fiz isso com um homem na minha vida, senhora Boyd – argumentou Derek, em sua defesa, mas não pareceu convencer a mulher.

— meu filho, escuta a minha pessoa. Você já beijou alguma boca em sua vida? – perguntou Miranda, com as mãos unidas, encarando o rapaz lhe fitar confuso.

— s-sim. Eu já beijei, mas eram mulheres – respondeu Derek vendo a mulher suspirar cansado.

— garoto, é uma boca. Boca não tem sexo, boca não tem pau, muito menos vagina. Boca é boca. Não estou dizendo para você transar com ele. Estou dizendo que um beijo não é a coisa mais difícil do mundo de se dar. E um simples beijo diz muita coisa que um livro inteiro não diz. Está arrependido do que “não fez” com a Braeden? Se desculpe e o beije sem receio nem um. Não pense que é um homem, não pense que é uma mulher. Pense que é o seu noivo e pense no quanto você queria que aquilo com a Braeden nunca tivesse acontecido. Ele vai entender o recado, eu te garanto – disse Miranda vendo o moreno de olhos verdes encarar a mesa, pensativo, antes de morder o lábio inferior, receoso.

— e se ele rejeitar? Achar que estamos indo rápido demais, de novo? – perguntou Derek vendo a mulher suspirar e se sentar novamente.

— não precisa o beijar na boca se ainda não estiver pronto. Pode ser na bochecha, até mesmo na mão – argumentou a senhora Boyd, acariciando as mãos ásperas do rapaz, vendo o mesmo abaixar o olhar, pensativo.

— c-certo, eu vou tentar fazer isso – falou Derek apertando as mãos da mais velha, antes de as levar ao rosto para as beijar em agradecimento.

— ótimo. Mais alguma coisa o perturba? – inquiriu Miranda vendo o rapaz fechar o semblante.

— Ennis – rosnou Derek assustando a mulher.

— o visitante? – indagou Miranda, confusa.

— é. Ele quer conquistar o Stiles – respondeu o Hale vendo a mulher lhe fitar surpresa.

— e você não gostou nada da ideia – ditou a mulher sorrindo ladina na direção do lobo mais novo.

— mas é claro que não! Se ele já tem um noivo, aquele careca dos infernos tem que entender que é para ele se afastar – pontuou Derek juntando as palmas das mãos, as usando para apontar na direção de pontos aleatórios na mesa.

— bom. O conde não tem algo que especifique para um lobo que ele é noivo de alguém, tem? – perguntou a mulher vendo o moreno de olhos verdes parar para pensar.

De fato, Stiles não tinha uma braçadeira como ele tinha. Derek tinha um símbolo de compromisso, mas Stiles não possuía nenhum. As lobas se afastam de Derek, mas não o faziam com Stiles. Não existe nada no rapaz que dissesse para qualquer um que ele pertencia a alguém. O Hale suspirou frustrado, antes de jogar a cabeça para trás e rosnar para o teto, não notando o sorriso crescendo nos lábios de Miranda. Ela sabia muito bem que aquelas palavras iriam afetar Derek. Assim como grande parte dos homens do bando, Derek era possessivo, territorialista, e gostava de exibir seus domínios para os outros, principalmente desconhecidos.

— mas que droga! Ele não tem uma braçadeira. Por que ele não tem uma braçadeira? – o moreno de olhos verdes começou a falar rapidamente, não conseguindo controlar o nervosismo.

— Isso é um tanto óbvio. Ele é o alfa de um bando de ômegas. As tradições daquele bando não são nada parecidas com as de lobos normais, creio eu. Mas o ponto principal é que: ele é um humano. Um humano que me assusta um pouco pelo ocorrido no duelo de ontem. Aqueles gritos e cabelos púrpuros. Enfim, o que eu quero dizer é que: como um humano, ele não é obrigado a usar uma. Não existe nenhuma lei nossa que o force a isso, como ela força você – explicou a mulher vendo o homem a sua frente lhe fitar indignado.

— mas quem merda inventou essas leis? – questionou Derek, indignado, fazendo a mulher rir baixinho.

— mais respeito com os seus antepassados, Derek – repreendeu a Boyd, ainda rindo do mais novo e sua indignação.

— por que ele não é obrigado a usar uma? Se ele é um parceiro de um lobo ele deve ser marcado também – argumentou o Hale vendo a alfa sorrir ladina.

— ele pode não ser obrigado, mas não quer dizer que ele não possa usar uma – falou Miranda, como quem não quer nada, olhando fixamente para a janela. Derek ergueu a sobrancelha direita para a mulher em um questionamento mudo.

— explique-se – disse o rapaz em um tom de voz calmo, porém que tinha uma certa autoridade, o que despertou uma gargalhada em Miranda.

— bom. Ele não é um lobo, muito menos um membro nascido ou transformado do bando. No entanto, ele não foi o único a ser introduzido em nosso bando por meio de um casamento sem que ele fosse um lobo, certo? – indagou a mulher tentando fazer a cabeça do moreno de olhos verdes funcionar.

Entretanto, ao ver como os olhos verdes estavam fixos nos seus castanhos escuros ela suspirou um tanto derrotada. As vezes, os amigos do seu filho conseguiam ser tão idiotas quanto o mesmo. Ela suspirou pensando em uma maneira de fazer a cabeça do rapaz trabalhar sozinha. Ao olhar para a janela a loba pôde ver uma luz do que tanto procurava passar pelas ruas do vilarejo com uma expressão séria. Os cabelos castanhos penteados para trás, enquanto trajava uma calça negra com azul, presa ao seu corpo por um cinto de couro trançado. Combinação que sempre era vista em dias de treino.

— bom, o Conde Stilinski, o seu noivo, não foi o único Stilinski que entrou para esse bando por um casamento e sendo um humano, estou certa? – inquiriu Miranda sorrindo misteriosa para o homem jovial a sua frente.

Derek estreitou o olhar para a mulher, procurando entender o que diabos aquela senhora estaria tentando lhe fazer entender. Foi então que o seu cérebro começou a puxar os fatos. As vozes vinham a sua mente com facilidade, lhe fazendo perder o controle sobre sua expressão, enquanto erguia um olhar surpreso para a Boyd, que sorriu vitoriosa ao perceber que finalmente o rapaz havia entendido. Ela meneou positivamente, vendo o Hale abaixar a cabeça, pensativo.

— mas o Tio John foi transformado antes do casamento. Então ele passou a ser forçado a usar a braçadeira, não foi? – perguntou Derek vendo a mulher de olhos castanhos escuros menear positivamente.

— de fato, após a transformação ele foi obrigado a usar a braçadeira. Entretanto, ele a usava muito antes de ser mordido pelo seu avô. Quando John aceitou se envolver com o seu tio em um relacionamento sério, eu lembro que Peter veio a mim e a sua mãe, pedindo que nós o ensinássemos a fazer uma braçadeira – respondeu Miranda sorrindo ao se lembrar de como o homem parecia feliz e desesperado ao mesmo tempo.

— e por que ele simplesmente não pediu para que vocês fizessem uma para ele? – questionou Derek, curioso. Geralmente, as mulheres mais fortes eram quem faziam as braçadeiras e colares usados como símbolos de compromissos, e não algum homem.

— porque o símbolo de compromisso, quando feito pelo próprio parceiro, passa a ter mais eficiência em alertar qualquer pretendente desavisado ou ousado. Quando um parceiro faz uma braçadeira para o outro, o seu cheiro fica retido nos símbolos e desenhos das runas, assim o cheiro sempre acompanharia o seu parceiro – explicou a mulher vendo Derek lhe fitar surpreso.

— é verdade?

— não sente o cheiro do seu tio na braçadeira do marido dele? Foi porque aquela braçadeira fora feita por ele – respondeu a mulher vendo o moreno de olhos verdes ficar pensativo por um momento.

— depois desse dia, eu sempre vi o John usando aquela braçadeira. Até mesmo no dia em que ele fugiu de casa ela estava em seu braço – comentou Miranda se lembrando do dia em que voltaram de uma missão em nome da família real e John acabou vindo com eles.

— então, se eu oferecer uma braçadeira para o Stiles, ele usa? – perguntou Derek, esperançoso, vendo a mulher sorrir gentilmente em sua direção.

— bom, você estava usando os brincos que ele lhe deu, não? – indagou vendo o moreno de olhos verdes corar minimamente, abaixando o olhar.

— pelo amor de Deus, homem! Ele é o seu noivo! Pare de abaixar a cabeça quando fizer algo por ele – repreendeu a mulher estapeando o braço do lobo de pele morena.

— eu não estou acostumado a fazer isso, senhora Boyd – murmurou Derek e a mulher obviamente entendeu o ponto do argumento.

— larga de frescura. Quem te olha assim nem pensa que virava a noite com os amigos atrás de mulher – ralhou a mulher vendo o moreno sorrir minimamente, ainda envergonhado.

— senhora Boyd... – chamou Derek, assim que o silêncio dominou por alguns segundos.

— diga

— me ensina a fazer uma braçadeira? – pediu Derek, um tanto cabisbaixo, encarando a mulher sorrir vitoriosa em sua direção.

— é claro! Venha, vamos para o quarto. Eu tenho tudo o que você precisa lá – respondeu a mulher se levantando e sendo seguida pelo mais novo no ato.

— mas como pretende dar ela para o seu noivo? – perguntou Miranda enquanto subiam as escadas.

— eu não sei. Ele ainda está chateado comigo por causa do ocorrido com a Braeden – respondeu Derek um tanto preocupado com a sua situação atual.

— isso pode ser um empecilho – comentou a senhora Boyd assim que eles chegaram ao segundo andar.

— mas estamos um pouco próximos, já que ontem ele aceitou um abraço meu. Eu acho que foi um avanço, mesmo sabendo que ele estava um tanto frágil no momento – argumentou o Hale chamando a atenção da mais velha, que parou de abrir a porta do quarto para lhe encarar.

— um alfa demonstrando fragilidade? – indagou Miranda, surpresa, antes de adentrar o quarto.

— longa história. Os sete irmãos adotivos dele foram assassinados por um grupo religioso – respondeu Derek vendo a mulher parar diante do armário e lhe fitar, chocada.

— um grupo religioso?! No que diabos eles estavam pensando?! – perguntou a mulher, indignada, antes de finalmente abrir o armário e puxar uma caixa do mesmo.

— eu não entendi muito bem a história. Mas todos eles têm algo dentro deles que esse grupo quer – ditou Derek vendo a mulher lhe fitar questionadora.

— algo dentro deles? – inquiriu Miranda, confusa.

— é. Ele disse ser algo como um outro eu – respondeu Derek vendo a mulher se sentar na cama, de frente para si.

— então há uma outra pessoa dentro dele, como se fosse um lobo? – indagou Miranda abrindo a caixa com cuidado.

— eu não sei. Ele não falou muita coisa. Tudo o que sei é que esse grupo religioso pode estar atrás dele, agora – respondeu Derek vendo a mulher lhe fitar com seriedade.

— então, mais do que nunca, você em que mostrar estar com ele, querido. A morte de um ente querido já nos abala, a de sete, então? E com essa possibilidade de ameaça, ele pode estar se sentindo só, desprotegido e impotente. Sei que ele pode estar chateado com você, mas você não pode deixar de estar ao lado dele por insegurança, achando que ele pode não querer – Miranda falou, calmamente, com uma voz suave e um tom compreensivo que deixou claro para Derek a preocupação da mulher. A Boyd era uma pessoa amável e atenciosa que se preocupava com todos do bando, até mesmo com os que mal conhecia.

— c-certo – respondeu Derek vendo a mulher permanecer a lhe olhar nos olhos, antes de bater uma palma, como se o som da mesma fosse espantar o assunto tenso da conversa.

— agora vamos parar de conversa fiada e vamos logo fazer isso. Você não quer que o visitante chegue primeiro no peito do seu pretendente, quer? – perguntou a senhora Boyd vendo o semblante do rapaz se tornar sério e irritado, o que a fez rir

— sem chance!