The Engagement
38 Resposta
Derek se sentia mais nervoso ainda a cada passo que dava. Ele não acreditava que os seus companheiros poderiam ser tão irresponsáveis. A família principal do bando marchava na direção do portão central com certa pressa e fúria.
Os alfas do bando já estavam irritados com os próprios betas pela audácia de permanecerem contra as suas ordens de aceitar os ômegas. Agora, os irresponsáveis conseguiram piorar toda a situação ao confrontarem a alcateia aliada na entrada do vilarejo.
Eles estavam possessos pela frustração e pela raiva.
Mas, no meio desses dois sentimentos dominantes, havia um terceiro. Escondido. Enraizado em seus peitos, fortificando os outros dois, ao mesmo tempo em que se alimentava deles para se manter mais forte.
O maldito medo.
O conde havia deixado bem claro que não iria suportar mais frustrações.
— qual é o problema deles? – questionou Laura, revoltada.
Ninguém teve tempo algum de responder a mulher, pois Heather passou correndo por todos eles, os surpreendendo com a sua velocidade. Eles mal puderam ver a garota, que corria curvada para a frente, de vez em quando usando os braços como patas quando perdia, raramente, o equilíbrio, voltando a correr abaixada assim que recobrava o mesmo.
— Heather! – exclamou Ennis correndo logo atrás da garota, sendo seguido por Cora e Malia.
— isso não é bom – murmurou Derek começando a correr logo em seguida.
Assim que alcançaram o portão central, eles foram surpreendidos por um pequeno grupo de doze lobos que cercavam o conde e os seus ômegas. Mas eles não eram os únicos. Grande parte do bando Hale estava posicionada ao redor do portão, apenas assistindo a toda a situação que aparentava se tornar séria a cada segundo que passava.
O olhar entediado do conde podia dizer aquilo por si só.
— os alfas – murmuraram alguns dos espectadores e logo os lobos abriram um caminho pequeno para o grupo de alfas
Para a surpresa da família Hale, Vernon, Theo e Jackson estavam posicionados entre os ômegas e o próprio bando, assim como Heather, que se encontrava abaixada entre Vernon e Jackson, rosnando para os lobos da alcateia Hale, com as suas garras finas e curvadas a mostra. Enquanto um Ennis, desesperado, tentava acalmar a garota.
Heather tinha um olhar furioso para os doze homens que cercavam o seu bando, o que surpreendia há muitos. Ela estava disposta a defender aquele humano com tudo o que tinha. A garota era tão fiel ao humano quanto eles eram aos seus alfas. Mas ela não era treinada. E era por esse motivo que Ennis tentava, a todo custo, conter a garota.
Um ato impensado poderia fazer a garota avançar contra os membros do bando Hale. E Ennis sabia que Stiles não iria gostar nada daquilo. O homem de vermelho era orgulhoso, mas também astuto e, acima de tudo, era inteligente. Ele não seria o primeiro a atacar. O adolescente esperava o movimento do adversário, para em seguida o destruir por completo, alegando defesa própria.
Ele já há a presenciado o castanho agir antes.
E não fora algo bonito de se ver.
Bom. Não para quem o enfrentava. Mas para espectadores, era de despertar a atenção de qualquer um para o lado sexual do conde. As mulheres solteiras daquele vilarejo haviam se interessado pelo seu novo alfa, muito provavelmente, durante o duelo sagrado pela mão do filhos do meio dos alfas do bando Hale.
Mas o duelo fora contra uma beta.
Um lobo beta, mesmo que seja o mais forte, não chegava aos pés de um alfa feito. E Stiles Stilinski havia matado alfas gêmeos, mais difíceis ainda de se enfrentar. Ele ainda não havia mostrado do que era capaz para aquela alcateia.
Eles não sabiam quem era o Homem de Vermelho.
— o que diabos vocês pensam que estão fazendo? – ralhou Talia, tratando de se colocar entre os betas e o conde, assim como o marido.
— nós entendemos que era para respeitar eles. Mas não somos qualquer um para deixar eles trazerem quem bem entenderem para dentro do nosso território – argumentou uma loba, a qual parecia ser a líder daquela movimentação.
— você tem terra na cabeça? – questionou Laura, irritada.
— você disse que não é ninguém para nos deixar entrar com um prisioneiro – a voz de Stiles chamou a atenção de todos, enquanto os ômegas se posicionavam ao lado do mesmo, em uma linha reta.
— eu disse, sim – afirmou a loba vendo o mais novo sorrir minimamente, encarando os próprios pés, ao mesmo tempo em que tomava uma pose ereta.
— então me diga: você e qual exército vão me impedir? – questionou o Stilinski ao erguer a cabeça, surpreendendo a todos pela ameaça nas palavras do castanho.
— viu?! É disso que estamos falando! Desde hoje, pela tarde, esse bando começou a se comportar como os donos do território. – exclamou um outro lobo, apontando para o bando Stilinski, que, os encarava com desdém.
— Nos olham de cima, como se fôssemos nós que estivéssemos de favor em suas terras e não o contrário – apontou um terceiro lobo.
— a partir do momento em que você nos esnoba, temos o direito de esnobar vocês. Afinal de contas, somos mais fortes do que vocês — argumentou o conde olhando entediado para o lobo, vendo a raiva dominar o outro aos poucos.
— seu... – rosnou a loba cerrando os punhos com fúria.
— discorda do que eu disse? – questionou o castanho de roupas vermelhas encarando a mulher com seriedade
— está afirmando que pode tomar esse território? – questionou outra loba, tentando, ardilosamente, levantar certa desconfiança dos alfas para com o alfa de ômegas.
O humano sorriu despretensioso.
— ele não precisa – cortou Derek passando pela companheira de alcateia, fazendo questão de golpear o ombro da mesma com o seu, indicando que estava irritado com a sua atitude.
— esse território é da minha família. Esse bando é liderado pela minha família. A minha mão foi oferecida à ele e fora aceita. Esse território também é dele, agora – afirmou o moreno de olhos verdes parando ao lado do castanho no espaço vago entre o conde e Erica.
— o que diabos pensam que estão fazendo cercando um aliado na entrada do vilarejo?! No local em que eles deveriam se sentir seguros e acolhidos! – ralhou Talia fazendo questão de deixar os olhos escarlates para fazer as suas palavras pesarem mais sobre os betas.
— chega – ditou o conde chamando a atenção dos alfas
— eles precisam ser repreendidos – argumentou Alexander vendo o rapaz bufar em indignação.
— não precisam, não – contra-argumentou o castanho deixando o homem confuso.
— o que você quer dizer? – indagou Derek, perdido.
Os ômegas sorriram largo antes de se entreolharem e começarem a gargalhar. Olhares predatórios surgiram nos rostos dos membros do pequeno bando comandado pelo humano, deixando Derek mais perdido ainda.
— finalmente! – exclamou Liam alongando o pescoço.
— eu já não aguentava mais – comentou Isaac vendo os alfas do bando Hale lhe fitarem confusos.
— acho que não estou entendendo – disse Talia vendo o beta do humano sorrir ladino, lhe encarando com descrença.
— ainda não percebeu? – questionou Stiles deixando a mulher mais confusa e receosa.
— creio que não – respondeu Alexander e o rapaz bufou em descrença.
— os seus betas não precisam de sermões. Eles precisam de consequências. Se não aprendem com o amor, vão aprender com a dor – explicou o conde deixando os alfas apreensivos.
— o que, exatamente, você quer dizer com isso? – indagou John vendo o rapaz retirar a mão da bengala, que ficou em pé por si só, antes de estalar os dedos.
No mesmo instante, os ômegas deram dois passos a frente e se colocaram em posição de batalha, deixando o bando Hale receoso e confuso. Precisou apenas que as mãos de Erica crescessem minimamente e ficassem levemente pálidas, se tornando cobertas por uma fina camada de osso, as deixando mais resistentes, como se usasse algum tipo de manopla, para que os espectadores da confusão recuassem alguns bons passos.
De todos os ômegas que eles temiam que perdessem a sanidade dentro do território, a mulher de cabelos louros e cacheados era a mais preocupante. Eles julgavam que seria necessário um quarto do bando apenas para derrubar a loura. No entanto, eles preferiam não arriscar um confronto, deixando aquilo para que o grupo que criara a confusão toda resolver.
Jackson saltou, colocando as mãos no chão, girando o corpo sobre as mesmas com as pernas abertas, antes de permitir que o corpo se inclinasse na direção do seus alfas, parando de quatro, de fronte aos ômegas, com as garras a mostra. Theo e Vernon se quer conseguiram pensar em se mover. Is dois estavam tensos demais com o nervosismo que sentiam com os corpos de Scott e Isaac tão perto dos seus exalando tanta raiva.
Eles só conseguiriam pensar o que ocorreria caso o conde se envolvesse. Afinal, a ruiva chamada de Lydia, por si só já daria muito problema, assim como a garota com a espada em mãos, que fazia questão de mostrar as suas quatro caudas enormes balançando atrás de si com brutalidade, indicando fúria.
Ennis, ao notar que o conde estava mais do que insatisfeito com aquela situação, tratou de parar de tentar conter Heather e se colocar ao lado da garota, suspirando em negação, entrando em posição de batalha, do mesmo jeito que havia ensinado a garota.
— Stiles, por favor, não precisa de tanto – pediu Cláudia vendo o conde lhe fitar com seriedade.
— você pretende mesmo nos atacar com todo o seu bando tão diretamente? – questionou Talia vendo o adolescente sorrir ladino.
— só um estúpido faria isso. Apesar de eu ter poder para tal, eu prefiro uma abordagem mais discreta – argumentou Stiles vendo os alfas franzirem o cenho.
— então o que você está fazendo? – indagou John, desconfiado.
— chamando a atenção – respondeu o conde deixando todos confusos.
— vocês estão tão focados com o meu bando aqui, em pose de batalha, que se quer perceberam que está faltando um dos meus betas – ditou Stiles e só então todos passaram a dar falta da ausência de um dos membros.
Talia olhou ao redor, assim como Derek e Jackson, procurando pelo mesmo. Mas fora tarde demais. O grito de socorro de um dos membros do bando Hale chamou a atenção de todos, assim como os gritos de susto quando o homem passou a flutuar, se debatendo, enquanto levava as mãos ao pescoço. As pessoas se afastavam do homem, que não demorou a parar de se debater.
Ele ainda se movia, mas devagar. Parecia estar sonolento ou coisa do tipo.
— mas o que diabos...
Peter fora calado quando um membro viscoso e brilhante surgiu ao redor do pescoço do homem, seguindo para o telhado da casa atrás do beta, antes de a imagem de Corey surgisse, pendurado pelas garras, de cabeça para baixo, como um lagarto em uma árvore. Os lobos se viram surpresos pela força que o rapaz tinha na língua.
Ele havia erguido um lobisomem adulto sem problema algum. Ainda por cima fez aquilo estando camuflado, ato que demandava concentração por parte dos kanimas. Aquilo surpreendeu, e muito, os membros do bando Hale.
— ELES JÁ ESTÃO ATACANDO! – gritou a loba antes de avançar contra a alcateia do conde Stilinski, gerando um cenário caótico imediatamente.
— CHEGA! – ralharam Alexander e Talia, ao mesmo tempo, parando todos os betas, exceto o pequeno grupo de doze betas que cercaram o bando da rosa negra na entrada do vilarejo.
Para a surpresa dos alfas do bando Hale, todos os betas de Stiles, com exceção de Heather, avançaram. Ennis tratou de dar uma rasteira na garota, a derrubando, impedindo que ela interferisse de alguma forma. Derek se colocou na frente do humano, rosnando para os companheiros de bando. Quando todos estavam prontos para alcançar o Hale e o castanho, o moreno fora surpreendido quando um viu um círculo de fumaça negra passar por si e por todos.
Os doze lobos pararam de imediato após terem seus pés ultrapassados pela fumaça escura. Derek ficou confuso com aquilo. Eles pareciam não mais lobisomens durante um ataque, mas, sim, estátuas que representavam o ocorrido. Ele tentou se recompor para pensar, mas fora impedido pelo próprio corpo, que não mais respondia.
— você não – ditou o conde tocando a mão do lobo, a acolhendo na sua e logo Derek sentiu o corpo relaxar, indicando que já poderia se mexer.
— foi você – Derek não demorou a ligar os pontos
A sua mente tratou reproduzir a voz do druida do bando quando o mesmo lhe revelou que o conde Stilisnki podia usar magias.
— você criou aquele círculo — murmurou Derek vendo o noivo sorrir ladino.
— você pode ver... – murmurou Stiles pensativo antes de se focar nos olhos do moreno, vendo um brilho verde ao redor dos mesmos.
— entendo. O druida lhe enfeitiçou – comentou o castanho vendo o Hale menear positivamente.
— mas não vai durar. Daqui a dois dias deve passar e você não verá mais nada desse tipo de coisa – falou o castanho dando as costas ao moreno de olhos verdes.
— sério? – indagou o Hale, preocupado.
— mas não se preocupe, quando os brincos funcionarem, farão você enxergar enquanto usar eles – explicou o adolescente antes de se colocar um passo a frente do seu noivo.
— o que significa isso? – questionou Alexander surpreso com os seus betas estáticos em uma posição de ataque.
— isso, meu caro Hale, é a minha taça se estilhaçando – ditou o castanho girando a bengala e puxando a mesma, surpreendendo os alfas quando a mesma se revelou ser uma fina lâmina com uma capa negra.
— mas o que...?
— o quê? Que tipo de homem eu seria se não tivesse uma espada? – questionou o conde apontando a arma para a loba que erguia as garras em sua direção, paralisada devido a sua magia.
Derek sem viu surpreso, assim como Laura, ao notar a vermelhidão e a pele irritada com algumas formações de bolhas no braço do castanho jovial.
— o seu braço – alertou Derek fazendo a volta no castanho, ignorando completamente a arma do mesmo.
— isso não tem importância, agora – argumentou Stiles ignorando o lobo que não sabia se tocava o braço do rapaz ou não para impedir o rapaz de usar o membro.
— onde você quer chegar com dois reféns? – questionou Laura e Peter suspirou, negando com a cabeça.
— dois? Você ainda precisa treinar muito, minha cara – disse o conde e só então Laura notou os betas do castanho se dirigindo para cada um dos betas do seu bando que o atacaram e que, agora, se encontravam paralisados nas mesmas posições de ataque.
— Conde Stiles Stilinski – a voz de Talia chamou a atenção do castanho devido ao tom de repreensão utilizado pela alfa.
— acha mesmo que nos atacar vai fazer as coisas melhorarem? Acha mesmo que nos atacar vai mudar a opinião deles sobre vocês? – questionou a morena tentando apelar para o lado racional do humano.
Ela julgava que o adolescente havia perdido o controle para a raiva.
— eu não acho – Talia suspirou aliviada – eu tenho certeza – ditou o humano surpreendendo a mulher, enquanto elevava a espada em sua mão, a guiando até o rosto da beta que coordenara o ataque contra a sua pessoa, erguendo o rosto da mulher com a arma, suavemente
— o seu bando acha que não somos o suficiente para a mão do seu filho. Eu aturei muito em silêncio. Meus betas aturaram muito mais do que eu. Estamos fartos disso. Se não sabem reconhecer o nosso valor, vamos exibir ele para vocês – falou o humano antes de voltar a embainhar a espada em sua mão, que retornou a ser bengala, e a fincar no chão, subindo na mesma em um salto.
— vamos fazer um torneio de luta, agora – ordenou Stiles vendo os alfas do bando Hale franzirem o cenho em sua direção.
— como é? – questionou Laura, confusa.
— vocês do bando Hale estão nos julgando como mais fracos do que vocês apenas por causa do nosso número. Então vamos ver quem realmente está por cima – respondeu o castanho vendo os lobisomens lhe encararem apreensivos.
— um torneio? – questionou Alexander ainda confuso.
— será simples. As lutas serão de um contra um, mas isso pode ser mudado se os lutadores aceitarem. Há três maneiras de perder: desistência, desmaio ou expulsão do campo de batalha – explicou Stiles, ainda sobre a bengala, vendo os alfas lhe fitarem com seriedade.
— não creio que isso seja necessário – argumentou Laura vendo o mais novo ignorar a sua imagem, permanecendo a encarar os seus pais.
— na verdade, é necessário, sim – falou John chamando a atenção dos companheiros de alcateia.
— o que está fazendo? – indagou Laura, nervosa.
— queríamos que os nossos betas parassem de os ver como inimigos. Se souberam o quanto eles irão nos ser úteis, talvez isso abra a mente de nossos companheiros. Sem contar que, todo o dano físico que sofrerem já será um castigo por terem nos desobedecido e nos decepcionado – explicou Cláudia cruzando os braços diante do peito.
— e onde faríamos algo assim sem chamar a atenção? – indagou Talia vendo o castanho se jogar, caindo sentado, elegantemente, com as pernas cruzadas, sobre a bengala, que estava sob uma de suas nádegas.
— Clareira – responderam Peter, Cláudia, John e Stiles, ao mesmo tempo, surpreendendo a todos pelo pensamento simultâneo.
— o que acha? – perguntou Alexander para a mulher, a vendo ficar pensativa.
— vamos aceitar. Será bom para eles, assim como será útil para nós – respondeu a morena vendo o marido menear positivamente.
— tudo bem. Nós aceitamos – anunciou Alexander para o desespero de alguns membros.
— nós vamos escolher os nossos onze melhores lutadores, para que seja uma batalha justa – ditou Talia se virando para o próprio pack.
— você não parece ter entendido o que eu quero fazer – a voz de Stiles alcançou os ouvidos dos lupinos, chamando a atenção de todos.
Talia se virou para o rapaz, confusa.
— que parte deixa transparecer que eu não compreendi? – interrogou a alfa-mor, curiosa.
— será uma batalha alcateia contra alcateia. Todos os membros de um bando contra todos os membros do outro. Para que não haja desculpas internas como “Se eu fosse escolhido, teria sido diferente”. Todos os membros de cada alcateia vão passar pelo torneio, para que assim possamos acabar com esse drama ridículo por parte do seu bando inconsequente – respondeu Stiles gerando surpresa não apenas pela afronta quanto a garantia que sentia de sua vitória, como também pela falta de respeito ao descrever como inconsequente o bando dos alfas que lhe estenderam a mão quando ele precisou.
Talia rosnou para as últimas palavras do adolescente, antes de se recompor quando viu o filho franzir o cenho em sua direção.
— tudo bem. Mas nenhuma criança dos dois bandos farão parte disso – ditou com seriedade, mostrando que não estaria disposta a mudar aquela regra criada por si para o torneio.
— de acordo
— ótimo. Todos para a clareira – ordenou Talia antes de começar a marchar para o local definido para o confronto entre os bandos.
Stiles tocou o chão com a ponta de sua bengala e logo os betas paralisados por sua magia puderam se mexer, caindo no chão por terem sido pegos de surpresa quando os seus músculos relaxaram.
— chamem todos os seus betas jovens e adultos – ordenou o castanho e logo Alexander e Peter uivaram, chamando por todos aqueles que ainda estavam em suas casas.
— tragam o mestiço – ordenou o conde e só então Derek e Laura notaram o homem preso por vinhas, cego por uma venda feita com a vegetação que o envolvia e amordaçado com um emaranhado de vinhas.
— por que levar o mestiço? – questionou Ennis vendo o castanho sorrir ladino.
— ele vai ser uma recompensa extra pela vitória – respondeu o humano ignorando a imagem do beta, que lhe encarou curioso.
Ennis não sabia o que Stiles estava planejando.
Rafael encarou o lado de fora do quarto.
Ele estava demasiado cansado da sua última caçada. Ele não teve resultados positivos nela. Um dos seus homens havia morrido e a sua caça havia fugido. Aquilo era um resultado bastante negativo para a ordem dos caçadores.
Ele deveria estar frustrado.
Mas ele não se sentia assim.
O humano se sentia... Esperançoso.
Ele estava cansado, mas não conseguia dormir. As palavradas proferidas pela maldita bruxa ecoavam em sua mente como um tipo de mantra, sem parar, repetidamente.
Ele queria acreditar na maldita. Queria que o seu filho estivesse vivo, bem e longe daquelas feras. Queria ver como o seu filho havia virado um homem, como ele estaria, como seria. Mesmo que aquilo pudesse lhe machucar o peito por o seu menino ter crescido longe de si. O homem não conseguia fechar os olhos por alguns segundos sem acabar se recordando da imagem do seu filho, ainda pequeno, antes de o seu peito apertar quando ele, incontrolavelmente, se recordava do dia em que teve o garoto arrancado de si.
A pior noite de sua vida e a culpa fora inteiramente sua.
Se não tivesse saído para beber com alguns homens da cidade em que morava próximo, talvez ele não tivesse perdido a sua família. Ou talvez tivesse, mas também tivesse morrido. Por anos, tudo o que lhe restou fora dúvidas, culpa e saudades.
Ele se recordava de cada detalhe daquela noite.
Até hoje, nenhum detalhe daquela maldita noite lhe fora esquecido. O seu ódio por seres da noite cresceu ali, no lugar que deveria ser o símbolo de paz e felicidade para si.
O homem de olhos castanhos havia enjoado de ficar no quarto sem fazer nada. Ele terminou de arrumar as suas coisas, após o seu banho mais do que necessitado. Ele estava imundo depois de tantos dias caçando, se embrenhando na mata e se arrastando na terra quando necessário, mas, acima de tudo, o banho havia lhe tirado a tensão de estar tão dividido entre seguir para aquela cidade onde era suposto que o seu filho, antes morto, estaria; ou voltar para a cidadela, alertar aos Argents do perigo da junção de uma bruxa com um bando de lobisomens e busca reforços.
O McCall se virou para a porta decidido a sair do quarto. Com a mochila nas costas, Rafael iria ficar do lado de fora da pensão, no telhado da mesma, pensando. Iria pagar pela estadia e esperar até que os que restaram do seu esquadrão acordassem para seguir viajem. Ao abrir a porta, o moreno fora surpreendido pela imagem de Megan e Bartolomeu, parados no corredor, conversando, apoiados à parede pelos ombros. Os dois se viraram em sua direção e o encararam com certa expectativa.
— estamos prontos para seguir para a cidadela, senhor – informou Megan com a mão no peito, o reverenciando.
— podem descansar mais. Partiremos ao amanhecer – disse Rafael vendo os dois caçadores se entreolharem.
— com todo o respeito, senhor. Sabemos que não vamos seguir direto para a cidadela. O ideal seríamos partir agora mesmo – argumentou a mulher surpreendendo o homem mais velho.
— quanto mais tempo demorarmos para alcançarmos a cidadela, mais tempo eles vão ter para fazer o que quer que estejam planejando fazer. Uma bruxa comandando uma cateia não está apenas passando o tempo – argumentou Barto vendo o seu superior lhe encarar ainda surpreso.
Rafael se viu surpreso não com a eficiência dos dois. Megan e Bartolomeu eram bons caçadores. A mulher sabia atirar como ninguém, independente da arma que usasse. Bartolomeu não era o melhor com armas de fogo, muito menos arco e flecha, mas ele era bom com lâminas. O McCall estava surpreso era com a consideração dos dois por si e por sua família. Ele sabia que eles estavam dizendo para seguir viajem em busca do seu filho perdido. Rafael não era idiota e muito menos era preciso questionar isso.
— uma chance como essa não se tem em toda vida. É a chance de recuperar um pouco de sua felicidade. – comentou Megan vendo o homem menear positivamente, tentando conter a emoção que sentia no peito com o seu ato.
— vamos atrás do seu filho e transformar ele em um caçador melhor do que o pai – ditou Bartolomeu erguendo a mão aberta para o McCall que a apertou firme em um ato de gratidão.
— eu... nem sei o que dizer para vocês dois – falou Rafael ainda emocionado com o ato de solidariedade dos dois caçadores.
— assim eu fico com inveja – a voz de Clarck chamou a atenção de Rafael, que olhou para o lado, vendo os outros dois membros do grupo já prontos com a mochila nas costas.
— é melhor partirmos logo. Devemos conseguir algo para comer próximo do amanhecer – ditou Louis enquanto ajustava a besta em sua cintura.
— então vamos logo – ditou Rafael se virando para descer as escadas da pensão.
O grupo caminhava rumo a saída da cidade, chamando a atenção, novamente, dos poucos habitantes acordados, pela quantidade de armamento que carregavam. Os cinco caçadores receberam mais atenção ainda ao chegarem na cidade, por ter mais pessoas acordadas parar os verem passando. Agora, na cidade, havia apenas bêbados, velhos e mendigos pelas ruas. Caminhando rumo a saída, os cinco passaram por uma velhinha que caminhava envolta em uma manta. A mulher parou diante de Rafael, que liderava o grupo, olhando bem para o mesmo.
— pois não? – indagou o homem vendo a mulher lhe encarar nos olhos com seriedade.
— olhos de coruja. Os olhos da coruja que mudam de cor são bons – disse a mulher, olhando para o resto do grupo, antes de virar para a esquerda e seguir com o seu caminho.
Rafael olhou confuso para a mulher, antes de negar com a cabeça e seguir caminho.
— espero morrer antes de ficar caquético assim – resmungou Clarck vendo o parceiro negar com a cabeça.
— os olhos de coruja que mudam de cor... – murmurou Megan, pensativa.
— ignora. É só uma velha – ditou Bartolomeu seguindo Rafael.
— somos caçadores, Barto. Assim como nem tudo é o que parece, às vezes, as coisas não apenas parecem ser – argumentou Megan ignorando os três homens e focando em repetir aquela mensagem várias vezes em sua cabeça.
Ela sentia que aquilo não eram apenas palavra aleatórias de uma velha que já não sabia mais o que falava. O grupo parou, brevemente, no túmulo de Barry, se despedindo do homem uma última vez, fazendo questão de mencionarem que a morte dele não seria em vão. Que eles ainda iriam caçar a responsável por sua morte.
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