O nervosismo pairava sobre a maioria dos membros do bando Hale.

Um confronto direto com os ômegas mexia um pouco com alguns lobos.

Hector e Olívia, por exemplo, temiam que o filho sofresse nas mãos da alcateia aliada por sua língua descontrolada. O casal caminhava de mãos dadas, olhando fixamente para os ômegas com temor nos olhos. O grupo menor de não-humanos desfilava com confiança e autoridade. Era como se eles já tivessem sido declarados os vencedores.

Aquilo não preocupava apenas ao casal Raeken. Os Whittemore também mantinham esse pensamento negativo em suas mentes. Eles tinham confiança em seu bando, não havia como negar. Mas o temor de enfrentar Erica ou ver os seus filhos a enfrentando era perturbador demais para que eles sentissem algo além de receio.

A loura de cabelos cacheados recebia olhares receosos da maioria dos membros do bando aliado. Ela sabia que aquilo era efeito de sua fera interior. Ser a mutação de um reapper era um fardo e tanto. Mas ela não se importava com os olhares de agora. A garota sabia que quando ganhassem o torneio eles iriam piorar. Se tornariam olhares de puro medo e pânico.

Talia e Alexander lançavam olhares pensativos para o chão e para o conde. Eles entendiam a fúria do garoto. Stiles e os seus betas foram desrespeitados varias vezes em seu território, pelos seus betas. Era mais do que compreensível a raiva do rapaz. Nenhum dos dois alfas tiravam a razão do humano em exigir algo como uma recompensa por ter que aturar tudo aquilo.

No entanto, um torneio só iria gerar mais intrigas. Eles não entendiam como diabos um torneio de luta entre os dois bandos iria resolver tudo aquilo. O objetivo dos alfas, naquele período, era adiantar, o quanto antes, o casamento. Mas Stiles parecia querer o atrasar ainda mais.

— não passou, por sua cabeça, que isso poderia atrasar o casamento? – questionou Cláudia, retirando as palavras da boca de Talia, chamando a atenção para si.

— não – respondeu o conde, sem se importar.

— e não teme que isso aconteça? – indagou John vendo o rapaz permanecer inatingível por suas palavras

— não há motivos para que eu tema esse confronto. O seu bando, por outro lado... – comentou o castanho ignorando o mais velho, que olhou ao redor, notando que muitos companheiros de alcateia apresentavam receio com o que estava para acontecer.

— você parece saber o que está fazendo – comentou Alexander vendo o rapaz sorrir minimamente.

— eu não sou um homem de ser facilmente cegado pela raiva, sogro – argumentou Stiles não vendo o choque do homem com a sua resposta.

Derek encarava o noivo pelas costas. Era um tanto difícil de decifrar Stiles. O castanho parecia só saber demonstrar autoridade. Nada além disso ele conseguia sentir se Stiles não exalasse pelo cheiro. Aquilo o preocupava um pouco. O Stilinski não era alguém fácil de se ler. Esse ponto poderia se tornar negativo no casamento.

Quando, enfim, todos alcançaram a clareira, o bando Hale se colocou de um lado da mesma, formando a maior parte do círculo oval, enquanto o bando Stilinski finalizava o círculo, deixando um breve espaço entre eles e os betas da alcateia aliada.

Derek se colocou entre a irmã mais velha e Cláudia, enquanto se perguntava de qual lado ele deveria estar. Ele era um Hale, mas ele também era noivo de Stiles. Se ele escolhesse ficar com o próprio bando naquele confronto, iria arruinar tudo o que havia conseguido com Stiles? Ele se perguntava enquanto seus pés ansiavam por algum movimento.

— precisamos formalizar as regras – disse Alexander caminhando para o centro do círculo, acompanhado da esposa.

— um ponto importante – comentou o castanho de bengala seguindo na direção dos dois alfas.

— obviamente, a morte é proibida – ditou Talia vendo o castanho menear positivamente.

— morte ou mutilação é motivo de derrota e punição igualitária – afirmou o conde vendo alguns lobos engolirem em seco.

— como protegido do bando Hale, deveria me tornar parte dos seus membros participantes – falou Alan se colocando entre os três alfas, vendo Talia e Alexander lhe fitarem com seriedade.

— mas como druida, eu sou compelido a servir o conde – ditou o homem fazendo uma leve reverência ao homem de vermelho, deixando todos confusos.

— e por que diabos farias isso?! – questionou um homem, confuso.

— és um traidor! – ralhou uma das lobas que atacaram o bando de ômegas minutos atrás.

— assim como a sua natureza grita para proteger o seu alfa, a minha grita para servir ambos os lados – argumentou Alan antes de bater com o seu cajado no chão uma única vez.

— não se acanhe, Druida. Sirva aos Hale. Afinal, você é protegido deles há mais tempo do que a nossa aliança foi feita. Não se preocupe com formalidades da natureza – alegou o conde vendo o homem reverenciar para si mais uma vez, antes de sorrir divertido.

Para a completa surpresa de todos, vinhas começaram a crescer diante deles, demarcando o círculo oval que todos formavam. As vinhas se enroscaram, criando cordas enquanto se inclinavam para o lado direito, criando um círculo de cordas de vinhas, ao mesmo tempo em que dentro deste havia um outro grande círculo de grama.

— o que significa isso? – questionou Scott olhando seriamente para o druida.

— isso é uma magia que vai deixar as lutas entediantes – respondeu Lydia abrindo um leque e passando a se abanar com o mesmo.

— que tipo de magia? – questionou Liam, curioso.

— por que você não vem aqui e descobre? – questionou Alan vendo o louro franzir o cenho.

— Liam, venha – ordenou Stiles e o rapaz deu um passo a frente, pisando no círculo de cordas de vinhas.

No mesmo instante, as vinhas prenderam a sua perna e permaneceram subindo, tentando se enroscar por todo o seu corpo.

— mas o que é isso?! – exclamou o ômega irritado por ter o seu corpo tomado rapidamente por vinhas.

— Peter – ordenou Talia e logo o irmão meneou positivamente.

Mas Peter não iria colocar o pé ali. Ele já sabia o resultado. O campo de vinhas impediria ambos os lados de invadirem o campo sem a permissão do druida. O louro mais velho flexionou os joelhos e saltou sobre o campo de vinhas, tentando cruzar o mesmo. No mesmo instante em que se aproximou do campo de grama, o homem sentiu algo agarrar o seu pé com força e lhe puxar para baixo.

Peter caiu de quatro sobre o círculo de vinhas e logo teve o corpo inteiro tomado pelas cordas verdes e vivas, que deixaram apenas os olhos e as narinas do louro de fora, permitindo que o mesmo respirasse, mas não falasse.

Os dois louros tentavam se soltar, mas era em vão. Por mais que uma mão ou outra se soltasse, em questão de segundos elas já estavam presas novamente pelas velozes e resistentes cordas de vinha. Alan ergueu a mão lentamente e as vinhas foram soltando os dois louros.

— agora entendem que não poderão intervir em qualquer disputa que esteja acontecendo aqui dentro, certo? – indagou o Deaton vendo os três alfas menearem positivamente.

— e como vai ser? – questionou Alexander ao conde, já que o mesmo tivera a ideia.

— vamos fazer algo parecido com o original – respondeu deixando todos os membros do bando Hale confusos.

— eu fui à China uma vez, medir os estragos feitos pelo meu pai para saber o quanto eu deveria trabalhar para redimir o nome de minha família. Aprendi alguns aspectos curiosos de sua cultura, dentre eles, uma arte bastante interessante – o castanho anunciou, iniciando a sua explicação.

— nessa arte, os artistas testavam a sua habilidade em um campo de batalha limitado. Havia duas formas de ganhar nessa arte: o jeito tradicional, que é derrotando todas as habilidades do adversário, e o jeito alternativo, pressionando o adversário até ele sair do campo. Quem pisasse fora do campo limitado teria que admitir a derrota, já que fora pressionado pelo adversário a forçar uma expansão do campo de batalha. – explicou o conde vendo os dois alfas do bando Hale ficarem pensativos.

— me parece ser interessante – comentou Alexander vendo o genro sorrir divertido

— não é?! É ainda mais interessante de se ver quando é realizado pelos chineses – exclamou o conde sorrindo gentilmente para o pai do seu noivo.

— começaremos pelos mais fracos, assim mostraremos a evolução de força de nossos membros – ditou Talia com seriedade.

A mulher aparentava estar focada na disputa.

Stiles sorriu ladino para ela.

— o meu bando, sim. O seu? Não – falou o castanho fazendo a mãe de Derek erguer uma sobrancelha em sua direção.

— está querendo mandar em meu bando? – questionou Talia, aparentando desconfiança.

— não. Estou lhe fazendo uma exigência como um aliado que teve o orgulho ferido pelos seus betas, no seu território – respondeu o Stilinski vendo a mulher lhe fitar em silêncio.

— não – Alexander respondeu no lugar da mulher

— como? – indagou Stiles, curioso.

— Alexander – Talia chamou pelo marido em um pedido implícito para que o mesmo pensasse melhor.

— a resposta é não. Somos aliados, sim, e deveríamos lhe conceder tal exigência. Mas, agora, estamos nos enfrentando, medindo poderes. Nenhum de nós tem direito de exigência sobre o outro – respondeu o homem antes de olhar com seriedade.

— começaremos dos mais fracos para os mais fortes – ditou Alexander se virando para o próprio bando e focando o olhar nos lobos mais jovens que já treinavam.

— Lucio – o moreno chamou pelo rapaz, que tremeu na base ao ver o alfa caminhar para fora do campo de batalha enquanto apontava com o polegar para a alcateia de ômegas.

— Alexander... – Benjamin tentou argumentar com o seu superior.

— se os mais fortes forem derrotados por alguns deles, como os mais novos vão se concentrar na luta sabendo que os mais experientes não conseguiram ganhar? – Alexander calou o subordinado já argumentando com o mesmo.

— isso é uma disputa de forças, Benjamin. E a nossa força não vem apenas do mais forte, mas também de nosso número. – explicou o alfa vendo a mulher sair do campo, apertando o ombro de Lucio quando encontrou com o mesmo na metade do caminho.

— sua vez de escolher o seu representante – disse Alan vendo o conde acenar gentilmente para o rapaz escolhido por Alexander, antes de se virar para os próprios betas e caminhar na direção deles sem os olhar.

— essa o Lucio ganha.

— vai ser ele contra uma caçadora

— Lucio é mais forte fisicamente do que a garota humana

— VAI LUCIO!

Os ômegas sorrirem largo ao ouvirem os sussurros dos membros do bando Hale.

— esse é o membro mais fraco de vocês? – questionou o conde vendo Alexander menear positivamente, juntamente com o jovem e envergonhado rapaz.

— Ennis, sua vez – ordenou Stiles surpreendendo todos os membros do bando Hale, novamente.

— Ennis?! – questionou Derek, surpreso.

— pensei que fosse começar pelos mais fracos – debochou Peter vendo o rapaz tomar uma falsa inocência no olhar.

— mas Ennis é o mais fraco do meu bando, atualmente – comentou Stiles sorrindo vitorioso quando todos direcionaram os olhares para os ômegas, vendo os mesmos com sorrisos largos nos lábios.

— MAS E A HUMANA?! – exclamou a mãe de Lucio, indignada.

— ah, sim. Sem duvida Allison perde para Ennis no quesito força bruta, mas em batalha, ela ainda assim venceria Ennis – explicou Stiles e todos direcionaram um olhar surpreso para a caçadora, que sorriu divertida para o próprio alfa.

— você está mentindo! – exclamou uma das lobas que atacou o pack de ômegas mais cedo.

— acha que conhece a força dos meus subordinados mais do que eu? – indagou Stiles em um tom autoritário, surpreendendo a mulher, que gelou ao perceber a afronta que havia feito.

— n-não... Q-quero dizer... – ela tentou consertar ao mesmo tempo em que tentava controlar a raiva que sentia.

— então vença os meus betas até chegar a vez de Allison e me prove o contrário – ordenou o Stilinski vendo a mulher rosnar para a sua audácia.

— não podem decepar qualquer parte do corpo, ou matar o outro. Também não podem causar danos graves permanentes no outro, como furar os olhos. – ditou Alan vendo os dois lobos menearem positivamente, Ennis com calma e Lucio com nervosismo.

— me leve a sério, por favor – pediu Ennis vendo o rapaz lhe fitar um tanto confuso, ainda nervoso.

— estou dizendo para se acalmar – ditou o mais alto vendo o mais baixo engolir em seco.

Ennis suspirou.

Ele não gostou nada de ser o primeiro. Não por ser considerado o mais fraco. Pois ele sabia que era. Não precisou lutar com Allison ou Lydia para saber disso. Somente a presença das duas mulheres lhe dava uma sensação de submissão, pois o seu lobo reconhecia a sua posição ali. Por mais que Allison fosse humana, ela ainda era uma ômega.

Ele não gostou de ser o primeiro por ter que enfrentar os mais jovens do bando Hale. Era óbvio que os mais fracos iriam ficar nervosos por terem de enfrentar uma alcateia de ômegas.

— lembre-se que sou apenas um beta. Ainda não sou um ômega – disse o calvo em uma última tentativa de acalmar o rapaz.

Esta pareceu funcionar.

Lucio respirou fundo, sentindo a ausência do toque levemente ácido no odor alheio, e se acalmou. Logo o rapaz se colocou em pose de batalha, erguendo os punhos e abrindo um pouco as pernas.

— flexione o joelho dianteiro. Você está sem base. – disse Ennis entrando em pose de batalha, surpreendendo ambos os bandos quando passou a dar instruções para o rapaz.

— eu não estou...

Lucio tentou argumentar, mas um único chute de Ennis na perna dianteira do garoto fez com que o rapaz quase fosse ao chão ao perder o equilíbrio quando sua perna se moveu para o lado. Os mais experientes do bando Hale suspiraram com o erro do jovem.

— vamos! Você é um membro de um bando bem grande. Você deve ter tido um treinamento adequado – comentou Ennis tentando socar o rapaz, mas este desviou com certa dificuldade

Lucio ousou um soco no rosto do adversário, mas fora prontamente impedido pelo punho de Ennis, que golpeou o pulso do rapaz com as costas das mãos, afastando o golpe do seu rosto.

— vamos – pediu o calvo vendo o rapaz rosnar, irritado, e tentar outra vez.

Soco atrás de soco, Lucio fora atacando e Ennis fora desviando todos os golpes. Alguns lobos já estavam exaustos daquela brincadeira no centro da roda. O beta do bando de ômegas não estava levando a luta sério e aquilo já estava irritando alguns lobos que estavam ansiosos para disputarem.

— se vocês não querem lutar, abram espaço para quem quer – ditou uma loba enquanto se sentava no chão.

Lucio corou um pouco, envergonhado e, acima de tudo, irritado. Ele estava envergonhado por não conseguir se quer acertar um soco em Ennis. E irritado consigo mesmo por não conseguir ajudar em nada o seu bando.

— você não precisa ser rude – ralhou Ennis vendo a loba sorrir cínica.

— eu vou ser rude ao lhe fazer dormir aí dentro – ditou a loba vendo o outro rosnar irritado.

— Lucio – Talia e Stiles chamaram pelo rapaz ao mesmo tempo.

Todos ficaram confusos quando o conde, ao chamar pelo rapaz, começou a adentrar o círculo. Eles ficaram surpresos ao ver o castanho caminhar sobre as vinhas, que tentavam lhe agarrar os pés, mas, assim que conseguiam, recuavam, como se ficassem arrependidas de terem tocado o adolescente.

— conde! Está quebrando as regras! – ralhou o pai de Vernon vendo o castanho jogar a própria bengala para o alto.

Derek e Lucio acompanharam a bengala subir, enquanto fazia um arco no ar, antes de cair em pé, um tanto torta, entre Scott e Isaac, que se quer piscaram quando o objeto atingiu o solo.

Talia tentou imitar o ato do conde de adentrar o campo, mas fora interrompida pelas vinhas, que se fixaram em seus pés, subindo por suas pernas. Alexander puxou a mulher para trás e as vinhas a soltaram quando ela recuou.

— não estou quebrando regra alguma. A prova disso é que a proteção do druida não me conteve – argumentou o castanho vendo o alfa estreitar os olhos antes de encarar Alan, que confirmou com um meneio de cabeça.

— fique tranquilo – disse o humano quando passou a se aproximar de Lucio, que recuou alguns passos, ainda em posição de batalha.

— o que você quer? – questionou o lupino adolescente vendo o outro adolescente se aproximar mais.

— conversar – respondeu Stiles e logo protestos surgiram entre alguns membros do bando Hale.

— não precisa ficar tão nervoso. Não lute porque eles mandam – disse o conde e Alexander franziu o cenho.

— lute porque você quer – falou o humano alcançando os ombros do outro com as mãos.

— você quer defender o orgulho e a força da sua alcateia, não quer? – o castanho passou a rondar o adolescente, sussurrando para o mesmo em um tom baixo e levemente sedutor.

— quero – respondeu Lucio e logo sentiu o queixo do conde em seu ombro, mas ele não se importou, pois, por algum motivo, estava mais focado em Ennis, enquanto que o toque da pele do conde na sua era relaxante e agradável.

— pois então foque no seu adversário, em como derrubar ele. Não fique pensando no seu bando. Pense em como derrotar aquele beta ali – sussurrou o Stilinski tocando o queixo de Lucio, fixando mais ainda o olhar dele em Ennis.

— mas ele é mais forte – comentou Lucio, desanimado.

— isso não importa. Todo mundo tem um ponto fraco. Ache o dele – ditou o castanho apertando o braço do rapaz levemente, antes de começar a se afastar.

Quando o castanho saiu do campo de batalha, Ennis avançou contra Lucio, socando o rapaz. Mas Lucio desviou habilidosamente, surpreendendo todo mundo, inclusive ele mesmo.

— ISSO! – exclamou o pai de Lucio quando o garoto se abaixou no momento de um segundo soco de Ennis, antes de revidar com um gancho de esquerda potente devido a velocidade do golpe.

— consegui? – indagou Lucio, surpreso.

Ennis sorriu antes de encarar o rapaz, erguendo o indicador e o movendo de um lado para o outro.

— nem mesmo os alfas humanos podem derrubar um lobo adulto com um único soco de mãos vazias no rosto – ditou o calvo antes de Lucio, em um súbito ato de coragem, avançar contra si com velocidade.

Ennis bloqueou os dois primeiros socos com as mãos, desviando o terceiro com a palma da mão, para em seguida se abaixar quando o quarto soco veio. O homem repetiu o golpe que o mais novo dera em si, fazendo Lucio cambalear com a mão no rosto após receber o gancho certeiro da mão esquerda do outro em seu queixo.

— caramba! – exclamou o rapaz acariciando o queixo por um tempo.

— porra! Lucio! Luta direito, caralho! Parece uma criança! – exclamou um rapaz cruzando os braços, impaciente com a ineficiência do companheiro.

— vamos ser piadas para esses ômegas se continuar assim! – exclamou um outro rapaz.

— Joseph! Calado! – repreendeu a mãe do louro que acabara de falar.

— Lucio nunca foi o melhor em luta. Ele sempre foi melhor nos trabalhos manuais do que em lutar – argumentou uma garota enquanto negava com a cabeça ao ver mais uma tentativa de ataque falha por parte do moreno.

— pois é. Ele não presta muita atenção nos treinos. Se fosse – comentou outra garota, de braços cruzados.

— mais respeito com o seu companheiro. Vocês deveriam estar incentivando ele, o ajudando. Não o contrário! – ralhou John vendo os mais novos abaixarem o olhar com a repreensão.

As orelhas de Ennis tremeram ao ouvir aquilo. No mesmo instante, o lobo mais velho do ringue empurrou o mais novo com força, o fazendo cair deitado no chão de grama, enquanto ele se afastava em um salto.

— vocês quatro. É assim que enxergam um companheiro seu? — indagou Ennis apontando para o rapaz caído, que se ergueu, evitando olhar para o próprio bando

— de forma alguma – respondeu a mãe do rapaz louro que fora repreendido por John.

— a pergunta foi para eles. Quando eu quiser falar com a babá do bebê, eu aviso – o homem respondeu rudemente a mulher, a vendo rosnar para si.

— se acham melhor do que ele só porque lutam melhor durante os treinos? – indagou o calvo e os mais jovens o encararam confusos.

— deveria se concentrar em sua batalha e não tentar nos dar lição de moral – respondeu Joseph vendo o homem erguer a sobrancelha em questionamento.

— que tal deixar isso tudo mais interessante? – comentou o beta do humano de cabelos castanhos se virando para o alfa, vendo o mesmo franzir o cenho.

— se acha que pode, fique a vontade – ditou o castanho se apoiando na bengala enquanto se sentava.

— ótimo. Vocês quatro! Entrem no campo – ordenou Ennis chamando os quatro jovens que desrespeitaram Lucio devido a batalha.

— o quê?! – indagou Lucio, surpreso – eu ainda não perdi! – exclamou o moreno já entrando em posição de batalha.

— já que eles se acham tão bons, quero enfrentar todos de uma vez – ditou o calvo chamando os quatro jovens com uma mão.

— isso é sério? – questionou Peter sorrindo para o calvo e o vendo alongar o próprio corpo.

— muito. Esses jovens não vão ser muita coisa, no final das contas. Quem muito canta vitória é a banda do exército, já dizia o meu antigo alfa humano. Um guerreiro de verdade não anuncia a vitória, ele vai lá e ganha – comentou Ennis e os quatro jovens desafiados olharam com curiosidade para os alfas.

— vão – ordenou Alexander vendo os quatro adentrarem o campo.

As vinhas tentaram agarrar os seus corpos, mas Alan golpeou o solo com o seu cajado e logo todas as vinhas abriram passagem para os adolescentes.

— agora, sim, isso vai ficar interessante – ditou o louro se alongando.

— nomes, por favor — pediu Ennis deixando os jovens curiosos.

— por que precisa dos nossos nomes? – indagou uma das garotas vendo o calvo sorrir ladino.

— preciso saber os nomes de quem vou criticar por falar do Lucio, mas ser um inútil que só sabe ladrar – respondeu o mais velho gerando rosnados nos mais novos, com exceção de Lucio.

— Joseph, e esse é o nome do homem que vai chutar a sua bunda daqui – ditou o louro apontando para os ômegas.

— a vergonha, meu pai – comentou Allison, negando com a cabeça.

— Karen – ditou a morena já se inclinando e flexionando os joelhos, entrando em posição de batalha.

— Tiffany – se apresentou a loura, se mantendo ereta, mas a tensão em seu pescoço e o modo entreaberto de suas pernas denunciavam que ela estava pronta para começar.

— Rony – se presentou o moreno do quarteto, imitando a pose de Karen.

— ótimo. Vamos começar – disse o mais alto caminhando calmamente na direção do quarteto, que o encarou surpreso.

— está zombando de nós – disse Karen antes de avançar contra Ennis, furiosa, com as garras a mostra.

A morena tentou um golpe direto das garras no rosto do calvo. O mais alto se esquivou, mas a garota já estava preparada para isso. Ela direcionou a sua outra mão para a barriga do adversário, esperando sentir a carne do mesmo na ponta dos seus dedos.

Ennis apenas segurou o pulso da garota que fora direcionado ao seu abdômen e o puxou, trazendo o corpo dela para si, antes de ele erguer o joelho com força, golpeando o abdômen da garota, que gemeu de dor, antes de ser jogada no chão pelo calvo.

— próximo – ditou Ennis seguindo para Rony, que lhe fitou surpreso, antes de se acalmar e lhe atacar.

Todos os golpes de Rony foram inúteis. Ennis apenas inclinava o torso para os lados, desviando de todos os socos e golpes com garras dados pelo moreno. Quando Rony tentou um golpe de garra na horizontal, cortando o ar, Ennis se abaixou, desviando e socando o abdômen do garoto com força, o fazendo levar as mãos a barriga e se inclinar para a frente, antes de receber uma cotovelada na nuca que o derrubou no chão.

— minha vez – anunciou Tiffany, correndo e saltando no outro, acertando os dois pés nos braços do homem, que foram cruzados diante do peito como um escuso.

A garota já aterrissou cortando o ar com as garras e rosnando. Até mesmo uma rasteira a garota tentou. Mas Ennis fora mais ágil e saltou, antes de chutar as costas da garota, que fora empurrada para a frente, sendo jogada de quatro no chão. A morena se ergueu, ainda rosnando, e avançou novamente. Ao tentar golpear o homem com as duas mãos, a garota teve os pulsos agarrados e puxados para os lados, a fazendo se aproximar do adversário, que golpeou o rosto da mesma com a testa, a fazendo cambalear para trás, tonta, com a mão no nariz, que sangrava. Ao exclamar de dor, a adolescente recebeu um soco certeiro no rosto, que a fez girar uma vez e cair deitada, mais tonta ainda.

Joseph saltou sobre o beta adversário, aproveitando que o mesmo estava de costas. Ennis se virou, agarrou o adolescente no ar, girando mais uma vez e o jogando no chão, próximo as vinhas em frente a Stiles. O rapaz se colocou de quatro, furioso, antes de sentir algo pesar em si. Ao erguer o olhar para cima, ele pôde ver todos os ômegas o encarando com superioridade e desgosto.

— você é melhor do que ele? – indagou Liam com desdém.

— é esse o garoto que alega ser o homem que vai nos expulsar dessas terras? – perguntou Isaac obviamente entediado.

— é alguma piada? Por que se for é uma de péssimo gosto – questionou Allison vendo o rapaz se encolher um pouco.

— que decepção! – disseram os gêmeos, em uníssono.

— não prestou nem para me fazer rir – ditou Erica cruzando os braços e vendo o rapaz cerrar o punho enquanto se erguia.

— no final das contas, ele parece ser só um uivante – ditou Corey, sorrindo ladino, ouvindo Joseph rosnar.

— o que houve, Ui-van-te? — indagou Scott, se abaixando para poder olhar o adoelscente nos olhos, usando, novamente, a ofensa proferida por Corey.

Uivantes era a denominação usada por lobisomens para denominar um lobo comum. Palavra usada para designar um animal que uivava para a lua durante a noite. Era uma ofensa comum entre os lobisomens.

— Ennis – chamou Stiles e o calvo o fitou imediatamente.

— eu sei que está divertido, mas lhe darei dez minutos para acabar com esses cinco. Tenho um compromisso amanhã – ditou o conde e o calvo o reverenciou.

— agradeço a consideração – disse Ennis antes de ver os quatro se erguerem, fitando os dois lados confusos.

— vocês ouviram o homem. Temos só dez minutos para brincar – anunciou o beta do bando da Rosa Negra vendo todos os quatro tomarem um olhar de fúria por serem subestimados daquela forma.

— é melhor entrar na brincadeira também, Lucio – disse o calvo vendo o moreno engolir em seco e entrar em posição de batalha.

— Me divirtam – ordenou Ennis e os jovens explodiram em raiva, avançando com ódio todos os cinco ao mesmo tempo.