The Engagement

40 Quem são os próximos?


— eu acho que todos concordam que Ennis ganhou – ditou Alan vendo o calvo, ajoelhado, arfando levemente enquanto encarava o bando Hale com seriedade.

Ninguém respondeu.

O silêncio da alcateia Hale era gerado não apenas pela surpresa, como também pela raiva. A minoria dos membros do bando estava surpresa. Enquanto a maioria se via furiosa.

Apenas um beta. Um mísero beta fora o suficiente para vencer todos os adolescentes do bando Hale. Dezessete vitórias. Ennis conseguiu vencer dezessete membros de uma alcateia de duzentos membros guerreiros. Aquilo era de dar vergonha em Benjamin e Alexander. Um beta. Foi tudo o que conde Stilinski precisou para poder começar aquela disputa com uma vantagem surpreendente.

Ennis enfrentou três ondas de cinco adolescentes, as quais foram vencidas com uma esmagadora humilhação. O homem poderia ter levado a luta a sério, mas ele preferiu brincar com cada um dos jovens que foram colocados em grupos no campo de batalha. Os dois adolescentes remanescentes foram enviados juntos como esperança de que vencessem o homem por ainda estarem começando, enquanto Ennis já estava há um bom tempo lutando.

As esperanças foram dizimadas pelo beta calvo, que os venceu rapidamente por já estar um tanto cansado de tanto esforço físico.

Fora algo difícil de o bando Hale ver. O homem brincava com os adversários enquanto o conde ainda não chamava pelo seu nome. Sempre que ouvia o castanho lhe chamar, o beta do bando de ômegas mudava de postura e logo todos os adolescentes perdiam em um incrivelmente curto espaço de tempo quando eram jogados para fora do campo.

— ainda não acabou. Podem mandar mais betas. Vou colocar todos para fora – ditou o lobo sem cabelos chamando os betas da alcateia Hale com a mão.

— Samira. Clover. Vão – ordenou Benjamin encarando Alexander, assim como as duas mulheres. Estando os três esperando a aprovação do homem.

Alexander meneou positivamente, ainda de braços cruzados. As duas mulheres sorriram largamente enquanto avançavam para o campo delimitado pela magia do druida. As betas se posicionaram de frente para o homem, que se ergueu, ainda minimamente ofegante.

— Ennis – o conde chamou pelo calvo, surpreendendo a todos pela velocidade do ocorrido.

Nas outras lutas, o Stilindki deixava o seu beta se divertir por um tempo antes de ordenar que o mesmo acabasse com a disputa rapidamente.

— você já foi útil o suficiente – falou o humano deixando todos confusos.

Ennis apenas encarou o próprio alfa, se certificando de que era isso mesmo que os olhos de Stiles queriam dizer, antes de ele se recompor, respirando fundo, e reverenciar as duas mulheres a sua frente.

— eu desisto – anunciou o calvo deixando todos boquiabertos.

— o quê?! – indagou Jackson, surpreso.

— mas por quê? – questionou Theo, confuso.

— está óbvio o fato de que ele tem força, habilidade e lealdade. Ele já satisfez as vontades do conde e correspondeu as suas expectativas – explicou Vernon vendo o beta do pack Stilinski caminhar na direção do próprio alfa, recebendo uma carícia no rosto por parte do conde assim que se ajoelhou na frente do mesmo.

— aquele homem... Ele com toda a certeza é um bom parceiro de treino – comentou o jovem Boyd, analisando bem o único beta do bando da Rosa Negra.

— e quem vai entrar no lugar do Ennis? – indagou Mason vendo o castanho olhar bem para as betas em campo.

— eu não sei – respondeu o Boyd analisando bem o conde, tentando identificar algo nas reações físicas do adolescente.

— talvez agora seja a caçadora – comentou Mason vendo o castanho olhar para o lado esquerdo, onde Allison se encontrava.

— Scott, sua vez – ditou Stiles surpreendendo os betas mais uma vez.

— quando vai ser a vez dela? – murmurou Talia, curiosa e pensativa.

— vamos começar com isso – ditou Scott enquanto adentrava o campo cercado de vinhas alongando o ombro direito.

— um ômega – sorriu Clover enquanto estalava os dedos das mãos apertando os punhos.

— vai ser só isso? – questionou o moreno de queixo torto suspirando.

As duas sorriram.

— vai ser o suficiente – ditou Clover antes de as duas entrarem em posição de batalha.

— se você diz – o ômega deu de ombros.

Samira não deu nem tempo para mais palavras serem ditas. A mulher avançou com velocidade contra o ômega. Scott a encarou com tédio quando ela tentou lhe socar o rosto. O homem apenas inclinou o dorso para o lado, erguendo o joelho com força, golpeando o abdômen da loba, a fazendo se curvar, antes de a golpear com o cotovelo no centro das costas.

A mulher cambaleou com a dor nas costas, se afastando do ômega, que apenas correu em sua direção ganhando velocidade para lhe chutar com força, a derrubando no chão, quase a tirando do campo. O rosto da mulher ficou sobre as vinhas, enquanto o resto do corpo permaneceu no campo.

Clover tentou um bote pelas costas, mas, quando se aproximou do moreno correndo, o mesmo se virou bruscamente, lhe desferindo um golpe com as costas do punho. O golpe fora bloqueado quando a mulher colocou o braço diante do rosto, o protegendo. Clover desferiu um soco com o outro punho no abdômen do moreno, que apenas soltou uma lufada de ar pelo nariz com a dor.

A mulher ficou confusa quando o moreno sorriu. Ela não entendeu o motivo. Clover havia conseguido lhe desferir um soco. Mas ela também não quis pensar muito, antes de lhe desferir outro. Scott ignorou o segundo golpe da mulher, segurando os ombros dela com força antes de saltar e se jogar de costas no chão, colocando os pés na cintura da mulher, levando o torso dela consigo. O moreno empurrou as pernas com força, jogando o corpo da loba na parceira dela, que ainda se erguia. As duas mulheres caíram uma sobre a outra.

Clover, rapidamente, se ergueu quando as vinhas começaram a se emaranhar em Samira. A loura agarrou a perna da morena, a puxando de volta para o campo e livrando a companheira das vinhas. Scott sorriu com o desespero das duas em se afastarem rapidamente do limite do campo de batalha.

— isso deveria ser o suficiente? – indagou o McCall sorrindo divertido.

— nós temos que ir as duas de uma única vez – ditou Samira enquanto ele e a companheira de bando caminhavam em círculos ao redor de Scott.

— concordo – murmurou Clover ao mesmo tempo em que se separava da companheira de alcateia, fazendo com que cada uma girasse em um sentido diferente.

Scott compreendeu tudo. Não foi muito difícil, também. Qualquer um poderia perceber. Assim que uma se posicionou diante de Scott e a outra nas costas do homem, elas avançaram. As duas mulheres golpearam o moreno com um soco, mas Scott bloqueou os dois golpes, girando no próprio eixo, apenas para ter certeza da posição dos golpes alheios, e golpeando ambos os punhos com os seus cotovelos.

Os punhos livres de ambas foram direcionados para o rosto de Scott, com as garras a mostra. O moreno rolou para a frente, se colocando de joelhos, saindo do alcance dos golpes. Quando Clover correu na direção dele, Scott se colocou de quatro, esticando a perna direita na direção da loba, acertando o tornozelo da mulher, a derrubando no chão, ao seu lado.

Rosnando de raiva, Samira saltou sobre o ômega, mas o mesmo rolou para o lado, desviando do ataque, antes de erguer as pernas e as mover para baixo, se erguendo em um salto. A mulher girou, tentando acertar um golpe com o calcanhar no moreno de queixo torto, mas ele desviou, agarrando-se em sua perna e rolando para ficar entre os dois membros.

Com o moreno enroscado em sua perna, Samira foi ao chão. Scott se ergueu com velocidade se afastando da mulher. O ômega avançou contra Clover, que já avançava contra ele. Os punhos dos dois se encontraram, fazendo ambos os recuarem com certa dor. Os nós dos dedos doíam enquanto os dois usavam o outro punho para enfrentarem.

A morena tentou socar o rosto do ômega, mas Scott desviou, agarrando o punho da mulher. O homem puxou a mulher para si, fazendo com que ela se batesse contra o seu corpo. Nesse instante, o moreno golpeou o rosto de Clover com uma cabeçada, a fazendo cambalear para trás com a mão no rosto.

— FILHO DA PUTA! SEU DESGRA... – a mulher fora interrompida quando um soco lhe atingiu a boca do estômago em cheio, lhe tirando todo o ar.

A mulher levou um dos braços ao abdômen dolorido. O golpe havia sido forte demais para ignorar. Ela não esperava por ele. Estava tão concentrada com o seu nariz latejando e sangrando devido a cabeçada que recebera, que nem chegou a pensar que levaria mais um golpe tão rápido daquela forma. Era suposto para o ômega também estar com uma leve dor na cabeça. Scott chutou as costas do joelho esquerdo da mulher, a fazendo cair de joelhos no chão, inclinada para a frente com as mãos no abdômen.

— Boa noite – a morena ouviu o homem pronunciar antes de sentir uma forte dor na nuca.

Theo se viu em choque com o golpe do McCall. Scott simplesmente girou sobre uma perna, enquanto erguia a outra e golpeava a nuca de Clover com o calcanhar. O homem apenas desceu o calcanhar de cima para baixo com força e a mulher caiu no chão instantaneamente, imóvel. Ela apenas suspirou de dor por alguns segundos antes de desmaiar. Aquele era um golpe duro. Um chute daqueles era difícil de se acertar, mas também era eficiente quando se queria fazer alguém desmaiar.

— maldito – rosnou Samira, antes de avançar contra o moreno com raiva.

Scott avançou contra ela também.

O encontro dos dois fora feito com o punho da mulher se chocando com o cotovelo do homem. Quando Samira retraiu o punho, Scott sorriu enquanto abria o braço com força, acertando o rosto da mulher com as costas da mão. Samira revidou com um golpe de suas garras no ombro do moreno, o fazendo guinchar de dor e se afastar de si.

— ora sua... – Scott fora calado quando a loura avançou com tudo, o impedindo de se recuperar.

Mas o que ela não sabia, era que Scott não havia sido abalado. Ele fora irritado. Samira tentou um soco do punho direito, mas o lobo jogou o torso para a esquerda rapidamente. Ela jogou o punho já erguido na mesma direção, mas o McCall se abaixou. A beta tentou uma joelhada, mas o homem fincou a perna que se encontrava mais a frente no chão, e, abaixado, jogou os punhos em sua direção, lhe golpeando a barriga com os mesmos, a fazendo perder o equilíbrio para trás, além do fôlego.

O moreno se afastou, caminhando de costas, enquanto rosnava. As marcas em seu ombro, aos poucos começavam a sumir, indicando como a cura de um ômega era eficiente.

— eu já esperava que tivesse que fazer isso. Eu só não esperava que fosse ser tão cedo – ditou a mulher enquanto rosnava revelando os caninos que cresciam cada vez mais.

— isso não vai adiantar muito, se quer saber – ditou o McCall assistindo a transformação da mulher em sua forma bestial.

— isso é o que vamos... – a mulher falava enquanto avançava, mas fora rapidamente calada por um soco potente que recebera no queixo, a fazendo morder a própria língua.

Mas Scott não parou por ali. Ele passou a desferir socos cada vez mais fortes no peito de Samira, a fazendo recuar a cada golpe. O último golpe fora dado com os dois punhos, paralelamente, no abdômen e peito da loba, a fazendo cair para trás. Assim que o seu corpo caiu em algo que passou a se mexer foi que ela entendeu. A mulher havia sido pressionada por quase metade do campo de batalha até ser jogada sobre as vinhas, que logo passaram a se enroscar em si.

— Não! NÃO! NA... – ela se debatia tentando escapar e gritava desesperada, mas fora calada quando três vinhas se enroscaram diante de sua boca, lhe servindo de mordaça.

— está acabado – ditou o ômega reverenciando os Hale, olhando fixamente para Derek.

— isso é um desafio? – indagou Benjamin curioso com o olhar do ômega fixado no moreno de olhos verdes.

— não. É apenas uma reverência comum. Ele está para ser o nosso novo alfa. Temos que mostrar força e respeito – respondeu o moreno enquanto Alan batia com o cajado no chão, fazendo as vinhas soltarem a loba.

— pegue a sua companheira. Vocês duas perderam – informou o druida vendo a mulher, ainda transformada, rosnar para si, furiosa, antes de acatar a sua ordem.

— Amícia. Arthur. Vão – ordenou Alexander e os dois menearam positivamente antes de adentrarem o campo com velocidade, já se transformando.

— Merlim, você também – ordenou Talia surpreendendo Alexander.

Stiles gargalhou.

— alguma piada? – questionou Benjamin, levemente irritado.

— o modo como mandam os seus betas ao campo. Parece que estamos jogando uma partida de xadrez – comentou o castanho, risonho.

Os alfas franziram o cenho para o garoto, estranhando o motivo da risada do mesmo. O castanho sorriu largo antes de direcionar o olhar para o seu beta.

— Scott. Coma logo os peões – ordenou o conde e o moreno de queixo torto sorriu.

— como desejar, meu rei – disse o McCall sorrindo vitorioso na direção dos betas do bando Hale.

Nenhum dos três adversários de Scott entenderam bem o que o castanho queria dizer com aquilo. Quando os três avançaram de vez. Scott avançou também, os surpreendendo. O ômega não parecia ter ficado intimidado com o fato de os três estarem em suas formas bestiais.

Amícia fora a primeira a alcançar o adversário. A mulher desferiu um soco no rosto do ômega, sendo surpreendida quando o mesmo se abaixou, passando por seu braço e lhe acertando uma cotovelada potente na boca do estômago. A mulher não parou para reclamar. Ela ergueu o punho e desferiu uma cotovelada nas costas do moreno, que guinchou de dor antes de erguer o torso, juntamente com o punho, desferindo um soco potente no maxilar da loba, que cambaleou para trás gemendo de dor ao morder a própria língua.

Scott fora surpreendido pela imagem de Merlin, ao seu lado, pronto para lhe desferir um soco. O moreno de queixo torto desviou do ataque, acertando um golpe das costas do punho no rosto alheio, tendo o rosto jogado para o lado, acompanhando o punho de Scott. O ômega retraiu o punho imediatamente após o golpe. Quando Merlin voltou a lhe encarar, fora surpreendido por uma cotovelada no rosto que o fez cambalear para trás.

O moreno de olhos castanhos fora surpreendido quando braços lhe abraçaram por trás, passando por baixo de seus braços e seguindo para a sua nuca, lhe imobilizando.

— te peguei, descontrolado – ditou Arthur e Scott passou a o empurrar para trás com o próprio corpo.

Mas Arthur estava forte o suficiente para conseguir impulsionar o corpo para a frente, os mantendo no mesmo lugar. A força dos ômegas era assustadora para os betas quando se parava para pensar que um ômega em sua forma humana tinha a mesma força de um beta em sua forma bestial.

Merlin e Amícia avançaram contra o ômega imobilizado. Scott impediu que eles se aproximassem ao saltar, erguendo bem as duas pernas, em uma clara tentativa de os chutar, mas os betas pararam, evitando o golpe. O ômega sorriu.

Logo o salto se revelou não ser uma tentativa de chutar Amícia e Merlin, mas sim uma fuga do agarre de Arthur quando o ômega não abaixou as pernas para aterrissar. Ele apenas se deixou cair, escorregando um pouco do agarre de Arthur, que para impedir que o ômega escapasse dos seus braços, deixou o torso seguir o corpo do McCall. Ele apenas não esperava que Scott esperava por isso. No último instante, os olhos de Scott brilharam em azul e os seus caninos cresceram. O ômega abriu os braços com forca, enquanto caía. A sua força fora o suficiente para o livrar dos braços de Arthur.

O ômega ainda assim caiu no chão, sentado. Mas ele não fora ao chão sozinho. Os seus dedos se emaranharam nos cabelos de Arthur, puxando a cabeça do mesmo para baixo, fazendo o rosto do homem se chocar com o seu ombro, ao mesmo tempo em que o movimento brusco para baixo e o impacto contra uma superfície sólida geraram um leve desconforto em sua coluna.

— eu não acredito que ele conseguiu sair daquele agarre! – exclamou Jackson, indignado.

— preste atenção, Jackson. Analise bem ele. Você pode ser o próximo. Tente achar um padrão no estilo de luta dos ômegas – alertou o pai de Jackson vendo o filho voltar a se concentrar na luta que assistia.

O moreno de queixo torto não teve tempo de se erguer, pois os outros dois betas avançaram contra si. Merlin preparou um soco vindo de cima com toda a força que tinha, enquanto Amícia desferia um chute no rosto do ômega. Scott encolheu o próprio corpo, antes de abrir as pernas, bloqueando o chute da mulher com o joelho e o soco do homem com o calcanhar.

— mas que merda! Ele defende tudo! – ralhou Amícia, irritada.

— acho que já está óbvio que não preciso me transformar para enfrentar vocês – falou Scott enquanto acertava um chute na virilha da mulher ao abrir a perna dobrada com força, antes de aproveitar que estava sobre as duas mãos e rolar para trás, se erguendo já com o cotovelo apontado para trás, surpreendendo a todos quando quase acertou o rosto de Arthur, que avançou contra o ômega mas parou bruscamente, sem se que olhar para trás.

O ômega saltou, girando ao redor do próprio eixo, acertando um chute na nuca de Arthur, que tentava se aproximar mais de si para voltar a lhe imobilizar. O homem girou com a mão na nuca, um tanto zonzo pela força do golpe. Scott avançou, o abraçando na diagonal, com o ombro abaixo do braço do homem, enquanto o braço fazia a volta no pescoço do beta. O moreno de queixo torto jogou o torso para a frente, derrubando o homem no chão ao soltar ele quando teve a certeza de que o beta iria ao chão.

Scott ergueu o pé, antes de golpear a barriga de Arthur com força, o fazendo se engasgar de dor. Subindo no peito do beta, Scott usou a outra perna para desferir um chute potente no rosto alheio, fazendo o adversário desmaiar, antes de ficar com um pé no chão e outro na barriga do lobo.

— Vamos! Eu preciso de mais para levar isso aqui a sério! – exclamou ômega, olhando com superioridade para Talia e Alexander, que rosnaram.

Merlin avançou contra as costas de Scott, mas o ômega se virou com o punho direcionado contra o rosto do beta, que se abaixou. O moreno ergueu o joelho, acertando o rosto de Merlin, que cambaleou para trás, mas fora puxado por Scott quando ele agarrou os seu cabelos e passou a distribuir joelhadas em seu rosto. O beta do bando Hale ergueu as mãos, segurando o joelho de Scott, mas este sorriu largo antes de unir as mãos, entrelaçando os dedos e golpeando a nuca do outro com força, o fazendo perder a consciência.

O ômega pegou o beta pelos cabelos, o impedindo de cair no chão e o arrastou para perto de Arthur. O moreno jogou um beta sobre o outro, os empilhando.

— só falta uma – ditou o moreno, ainda provocando o outro bando, colocando um dos pés sobre as costas de Merlin, que estava deitado sobre o peito de Arthur.

Scott cruzou os braços, antes de olhar um sorriso debochado para Amícia. O moreno avançou contra a mulher, que se assustou com a aproximação. Ela desferiu um soco no McCall, que apenas agarrou o seu punho, sorrindo largo, chutando a barriga da mulher, que gemeu de dor. Scott puxou o punho para si, e a mulher se aproximou, com o joelho erguido. O moreno de queixo torto desviou, colocando o pé diante do pé da beta, a fazendo tropeçar e começar a cambalear na direção dos corpos dos dois parceiros.

— junte-se a eles – ditou Scott socando o ombro da mulher, a fazendo cair de costas sobre a pilha.

O moreno de queixo torto se posicionou próximo a mulher, passando a distribuir uma série de socos no abdômen da loba. Quando Amícia finalmente iria revidar o ômega, Scott socou o queixo da mulher com força, forçando a cabeça da beta para trás, antes de repetir o golpe mais três vezes a fazendo desmaiar.

— acabou – ditou o moreno de queixo torto, se afastando da pilha de corpos.

— Morgan, Mitch, Ritch, Zack, Jared. Vão – ordenou Alexander e no mesmo instante os cinco homens começaram a assumir as suas formas bestiais.

Os betas removeram os seus companheiros do campo de batalha, antes de entrarem em posição de batalha. Os cinco deram um passo na direção de Scott e foram pegos pela curiosidade pelo moreno de olhos castanhos, que ergueu a mão para eles, pedindo por um tempo.

— não terás tempo para descanso – ditou Mitch permanecendo a caminhar, junto dos outros betas.

— vocês já viram um ômega lutando? – questionou o moreno de queixo torto vendo os cinco betas lhe fitarem confusos.

— acabamos de ver você lutar – respondeu Zack e o ômega sorriu.

— mas já viu um ômega lutando apenas com os olhos transformados? – questionou o McCall e os betas entraram em posição de batalha.

O moreno apenas piscou os olhos.

E quando voltou a os abrir, as suas íris estavam azuis em um tom prateado. A coloração dos olhos do ômega revelavam que ele havia permitido que sua fera interior se libertasse um pouco, melhorando suas habilidades físicas. Os betas começaram a se mover, cercando o moreno de queixo torto.

— e lá vamos nós de novo – murmurou o ômega antes de os cinco apertarem o passo, passando a correr ao seu redor.

“É agora!”

Pensou Morgan, passando ao lado de Scott. O homem avançou contra o outro pela lateral, sendo seguido por Jared pela outra lateral. O ômega, como resposta, avançou contra Mitch, que havia parado diante de si.

O ômega passou a girar, no último instante, deixando o beta confuso. Mitch optou por um soco direto, mas fora pego de surpresa quando o ômega saltou, lhe acertando a cabeça com o calcanhar, o fazendo girar, ficando de costas para si. Jared e Morgan se aproximaram com as garras a mostra. Scott se apoiou nos ombros de Mitch e saltou, desviando dos betas que tiveram que parar o ataque bruscamente para não acertarem o companheiro de alcateia.

— está na hora de te colocar na cama – ditou o moreno de queixo torto, girando acima do outro, antes de se permitir cair, puxando o beta consigo, o derrubando de costas no chão, enquanto aterrissava abaixado, pronto para qualquer ataque que recebesse.

O moreno de queixo torto socou o rosto de Mitch, que gemeu de dor e se contorceu, levando as mãos ao rosto.

— MAS QUE MERDA! – gritou de dor enquanto se contorcia no chão.

— vamos pegar ele, Morgan – ditou Jared e os dois passaram por Mitch, seguindo para o moreno de queixo torto.

Os dois ergueram as garras na direção do ômega. Scott saltou para trás, antes de revelar as garras, rosnando para os betas. Os dois continuaram o ataque, surpreendendo alguns ômegas que assistiam a luta, os fazendo exclamar em deboche.

Aquilo irritou os betas, que atacaram com mais fúria ainda. Scott bloqueava quase todos os golpes, enquanto desviava dos outros. Em um dado momento, os dois betas agarraram os braços de Scott e cada um seguiu para uma lateral do ômega, o prendendo.

— agora! – disseram os dois em uníssono antes de os outros três betas avançarem com tudo contra o ômega.

Scott ergueu as pernas, passando a golpear os punhos com os pés, se protegendo dos golpes alheios. Mas Ritch, o beta que se encontrava no meio, avançou mais, se aproximando, mirando perfeitamente em seu peito. O moreno de queixo torto acolheu o braço alheio com as pernas, as enroscando no membro, antes de girar o torso, erguido pelos betas que o prendiam, deslocando o ombro do lobo a sua frente, que gritou de dor.

Quando Mitch e Zack avançaram pelas laterais de Ritch, o ômega soltou o braço do beta. Scott chutou o rosto de Zack e desferiu um golpe do seu calcanhar no rosto de Mitch, que girou, e, em busca de apoio, acabou fincando as garras no ombro de Jared, que acabou o largando. Antes mesmo que outro beta avançasse contra o seu braço e o segurasse, o McCall desferiu um soco potente no rosto de Morgan, quebrando o nariz do mesmo.

Mitch e Zack continuaram o ataque, permanecendo a socar o moreno de queixo torto, o qual defendeu alguns golpes enquanto recuava e os betas avançavam, mas certos golpes conseguiram o acertar algumas vezes. O ômega rugiu de raiva, parando de recuar e passando a avançar, fazendo os betas recuarem, surpresos com o adversário, que já não era mais acertado por nenhum golpe deles. Com a surpresa feita pelo McCall, os betas vacilaram na sequencia de golpes, criando uma abertura para que o ômega revidasse, quebrando de vez a corrente de ataques.

Um soco fora o suficiente para fazer Mitch levar as mãos ao abdômen e se curvar para frente, se afastando a passos curtos. Já Zack, precisou de dois socos no rosto, seguidos de um chute nas costas para o fazer cair no chão.

Um assobio agudo do conde Stilinski cortou o ar até alcançar os ouvidos do ômega, chamando a atenção de todos.

Scott, instantaneamente, sorriu largo. O ômega se afastou de Zack, enquanto inclinava o torso para a frente. Morgan, Jared e Ritch já avançavam contra ele, mas pararam no meio do caminho quando notaram o estranho crescimento nos braços do ômega.

O moreno de queixo torto teve os seus músculos avantajados enquanto pelos surgiam em seu rosto. As suas presas cresceram, quase impedindo que ele fechasse a boca e a sua calça quase rasgou com o crescimento de suas pernas. Os betas deram um passo para trás quando o moreno soltou um rosnado gutural potente, indicando a sua voracidade. As garras de Scott cresceram consideravelmente. Elas brilhavam na luz das várias tochas que cercavam o campo, surpreendendo a todos.

— eu não pretendia usar isso tão cedo. Mas se o meu alfa mandou terminar com isso rápido, então eu vou ter que usar – disse o ômega em sua forma bestial enquanto erguia o torso.

— para o que os livros diziam, a forma bestial de um ômega não é tão assustadora assim – comentou Mason, curioso para o porquê de tanto alarde para algo até que simples.

— talvez, como ele tenha o alfa, a sua forma bestial seja diferente da dos livros – comentou Theo vendo o McCall estalar todos os dedos da mão ao, simplesmente, contrair os mesmos

— talvez. Ou talvez o temor da forma bestial de um ômega que lemos nos livros não esteja em sua aparência – ditou Vernon cruzando os braços sobre o peito levando uma das mãos ao queixo, pensativo

— vamos começar com isso – falou o moreno de queixo torto antes de avançar contra Ritch, surpreendendo a todos com a sua velocidade aumentada.

— ele é ráp... – Ritch fora calado quando o McCall agarrou o seu rosto com a palma da mão, fechando bem os dedos, cravando as garras em sua face, antes de empurrar a sua cabeça contra o chão, lhe jogando deitado no mesmo.

Scott golpeou a cabeça de Ritch mais duas vezes contra o chão com toda a sua força, fazendo o beta desmaiar e retornar a sua forma humana. O ômega ergueu a cabeça ao ouvir o som de passos próximos, sendo surpreendido pelo peito do pé de Zack se aproximando. O beta tinha uma expressão de fúria enquanto desferia o golpe. A sua expressão mudou de súbito quando o McCall agarrou a sua perna e se ergueu, passando a girar entorno do próprio eixo, erguendo o adversário do chão.

Zack gritou de surpresa com o agarre em seu pé enquanto era girado no ar, antes de sentir o seu pé ser solto e o seu corpo voar e atingir algo sólido com força. O beta havia voado pelo campo, passando por cima de Mitch, que se abaixou instantaneamente desviando a tempo, e saído do campo, atravessando o mar de betas que se abriu para a sua passagem, antes de colidir com uma árvore.

— o segundo já foi – disse o moreno de olhos castanhos sorrindo largo para os betas restantes.

— mas o que diabos está acontecendo? – indagou Morgan enquanto via o ômega correr com uma velocidade incrível na direção de Jared

O moreno de olhos azuis não teve chance contra o de olhos castanhos. Quando Jared desferiu um soco em Scott, este agarrou o seu punho com força e golpeou a parte interna do seu cotovelo também com força, o fazendo flexionar. O ômega empurrou o punho de Jared com força contra o próprio dono, o fazendo golpear a si mesmo no queixo.

— Morgan! Ao mesmo tempo! – ordenou Mitch antes de correr na direção do ômega, sendo acompanhado pelo companheiro.

Os dois betas alcançaram as costas do lobisomem de queixo torto e desferiram um soco potente no adversário, que os surpreendeu ao sumir do seu campo de visão, fazendo os dois punhos acertarem Jared, o derrubando no chão, sem fôlego.

— merda! – exclamou Mitch se abaixando para ajudar o companheiro, se livrando, por pouco, do chute que o acertaria no pescoço, fazendo o pé de Scott acertar Morgan. O beta cruzou os braços diante do golpe, tentando se proteger, mas fora jogado para trás mesmo assim.

— mas o que... – Mitch se perguntou enquanto via Morgan aterrissar no chão com os pés, se curvando para a frente e flexionando as pernas para derrapar pelo solo ainda de pé.

Mas a sua pergunta fora interrompida quando ele sentiu um instinto assassino atrás de si. Ele pôde sentir, muito bem, um par de olhos azuis prateados mirando o seu ser com um ar predatório e um desejo insano por sangue. Ele se jogou no chão ao lado de Jared e rolou, se esquivando de um golpe das garras de Scott, que acertou o abdômen de Jared. O beta grunhiu quando as garras perfuraram a sua pele e o aperto da mão do ômega intensificou a dor.

O beta louro gritou de dor quando Scott o ergueu pelo abdômen graças as garras presas em seu abdômen e o girou, o usando de clava para acertar Mitch, que se erguia para se afastar, o lançando no chão novamente. Mas a dor de Jared não parou por ali. O homem ainda sofreu mais quando o ômega o girou no ar mais uma vez, antes de lhe soltar. O beta sobrevoou todo o campo de batalha, antes de ser parado quando acertou Talia, que o agarrou no ar e flexionou as pernas, derrapando por entre a multidão de betas.

A alfa deitou o homem no chão e passou a analisar o ferimento em sua barriga. Os betas e fizeram um círculo ao seu redor, olhando curiosos para a mulher e suas mãos que pareciam saber o que faziam. A morena suspirou e se ergueu, se afastando e voltando para o lado do marido.

— ele não acertou nem um órgão vital. O ferimento é superficial. Ele continua no torneio – comentou Talia e Alexander suspirou.

Scott estava se saindo ainda mais forte do que eles imaginavam. Não apenas no quesito força física, pois isso eles já esperavam por aquela força esmagadora. Mas o modo de batalha daquele homem estava os surpreendendo e muito.

— restam dois – ditou o ômega sorrindo ladino na direção dos dois betas.

— merda! – exclamou Mitch enquanto entrava em posição de batalha novamente.

— não temos chance contra ele – disse Morgan enquanto imitava, trêmulo, a pose do parceiro.

— mas a gente pode cansar ele. Do mesmo jeito que cansaram o tal de Ennis. Se não podemos com ele, vamos fazer alguém poder – ditou enquanto via o ômega sorrir.

Scott não esperou por um ataque. Assim que os dois betas piscaram os olhos, ele avançou. Socos e chutes foram inteiramente bloqueados pelos dois betas, que não se afastavam, pois, juntos, lado a lado, podiam limitar o campo de ataque do ômega. Mitch se preocupava em bloquear os ataques do punho e perna direita, enquanto Morgan se preocupava com os membros esquerdos do moreno de queixo torto.

— chega – ditou Scott enquanto atacava com os dois punhos, os quais foram bloqueados.

— vamos cont... – Morgan fora calado por uma cabeçada que ele não viu chegando.

Assim que o outro cambaleou dois passos para trás, Scott avançou, lhe mordendo o pescoço, impedindo que Morgan se afastasse enquanto ele executava socos rápidos no torso do beta. A cada soco, Morgan perdia as forças devido a dor. Scott lhe segurou a cabeça com as mãos, antes de lhe libertar da mordida. O ômega puxou o beta pela cabeça, passando a distribuir joelhadas em seu rosto e seu peito.

Mitch uniu as mãos para golpear a nuca do ômega, mas o mesmo se abaixou, fazendo com que o golpe acertasse Morgan, derrubando o homem no chão, desacordado.

— porra! – exclamou Mitch, recuando em saltos.

Scott agarrou uma perna de Morgan e passou a girar antes de lançar o homem contra Mitch, que saltou o corpo do parceiro, permitindo que o mesmo fosse arremessado para fora do campo.

Scott ouviu um grunhido manhoso ao seu lado. Ao se virar, ele pôde ver Ritch se contorcer no chão, indicando que estava acordando. O ômega avançou, o agarrou pela perna e repetiu o ataque, vendo Mitch, mais uma vez, saltar o corpo do parceiro, permitindo que o mesmo fosse arremessado para fora do campo.

— ele é muito forte em sua forma bestial – comentou Jackson vendo o ômega avançar contra Mitch, que ainda aterrissava, o pegando de surpresa.

— desse jeito vai ser difícil ganhar – comentou Theo de braços cruzados.

— difícil, mas não impossível – argumentou o pai de Theo vendo quando Scott acertou um soco no rosto do beta, que cambaleou e caiu deitado sobre as vinhas, que o arrastaram para fora do campo, o desclassificando.

Scott ainda surpreendeu o bando Hale, enfrentando mais dez betas, antes de o conde lhe chamar pelo nome e o moreno de queixo torto simplesmente desistir da luta, reverenciando o bando adversário e sair do campo de batalha despreocupadamente. Os alfas da alcateia Hale se quer haviam convocado mais betas para o campo quando o ômega desistiu, os deixando confusos.

— quem será, agora? – perguntou Laura, para Derek.

— eu não sei – respondeu o moreno de olhos verdes vendo o noivo suspirar e sorrir ladino.

— Allison, eu acho que agora pode ser a sua vez – anunciou Stiles vendo a morena dar um passo a frente, alongando o corpo.

— Claire. Olivia. É a vez de vocês – ordenou Talia vendo as duas mulheres sorrirem e avançarem para o meio do campo.

A Argent alongou o pescoço, gerando um estalo no mesmo, enquanto via as duas lobas sorrirem predatoriamente para si. A caçadora se virou para Stiles, o reverenciando, antes de adentrar o campo de batalha. A morena alongou os braços antes de se curvar para a frente, tocando a ponta dos pés com as pontas dos dedos.

Os olhos das lobas brilharam com a abertura irresistível gerada pela adversária.

As duas avançaram com tudo, já sorrindo com a ideia de cravarem suas garras no corpo da mulher inclinada a sua frente. Quando as duas lobas estavam para golpear a humana, a mesma se ergueu bruscamente, golpeando o ar verticalmente com as duas mãos, fazendo as duas lobas guincharem de dor. A caçadora aproveitou o movimento, dando um mortal para trás, jogando, com os pés, um pouco de terra nas adversárias.

— que merda! – exclamaram as duas enquanto levavam um dos punhos aos olhos, coçando os mesmos.

— vocês são tão infantis – comentou Allison encarando as duas mulheres coçarem os olhos antes de encararem um de seus pulsos.

Dos pulsos doloridos, era possível ver sangue escorrendo, surpreendendo a todos. Os pulsos feridos das duas exalavam um cheiro fraco que não pertencia ao seu sangue.

— como diabos?! – exclamou a loura encarando a ruiva, surpresa, que lhe encarava da mesma forma.

— vocês duas não acharam que eu iria entrar de mãos abanando, acharam? – indagou a Argent manuseando duas adagas com habilidade, as girando entre os dedos.

— sua vagabunda! – rosnou a ruiva enquanto sentia o pulso arder e um cheiro forte irritar as suas narinas.

— o que tem nisso aí? – indagou a loura vendo a morena encarar o próprio alfa por cima dos ombros.

— não cheira a wolfsbane – comentou a ruiva cheirando o próprio pulso, ensanguentado, antes de lamber o próprio ferimento.

— responda – disse Stiles e Allison meneou positivamente.

— eu chamo de Lambida de Cervo. Uma criação minha. Uma mistura de ervas que impedem a cicatrização dos cortes de vocês – explicou a caçadora colocando uma das adagas sobre o indicador, com a ponta afiada pressionando o próprio dedo.

— não é grande coisa – comentou Claire, a loura, erguendo o punho, antes de avançar novamente.

Para a surpresa de todos, a humana desviou com habilidade do ataque loba. A velocidade de Allison chocou até mesmo Peter, que sorriu com a velocidade de movimento e reação da humana.

Quando Claire finalmente acertou um soco, o mesmo fora bloqueado pela adaga da morena, que fora colocada entre o braço de Allison e o punho da loura. Instantaneamente, a caçadora golpeou o rosto da mulher com a empunhadura de sua arma, fazendo a outra gemer enquanto girava o rosto.

— eu não vou ser tão fácil – ralhou Olívia ao mesmo tempo em que avançava contra a morena.

— você já foi – disse a caçadora fixando a adaga no ombro da loba, que, mesmo assim, conseguiu lhe desferir um soco no abdômen, lançando a caçadora para trás, quase a retirando do campo de batalha, por já estarem em uma das pontas do campo oval.

— e agora? – indagou a loba agarrando a adaga e a retirando do próprio ombro.

— como você vai lutar sem uma de suas armas? – questionou enquanto guardava a adaga em sua cintura.

— você não vai durar muito – comentou a Argent passando a ignorar a loba que fora ferida no ombro para se defender da outra loba, que avançou contra si com raiva.

— você vai pagar pelo corte que me causou – ralhou enquanto ficava cada vez mais furiosa a cada esquiva bem sucedida da caçadora.

Elas não estavam entendendo. Como uma humana podia ser tão rápida? Como ela poderia ser resistente ao ponto de receber um golpe de Olívia no abdômen e ainda permanecer de pé? Como a morena conseguia se mover daquele jeito mesmo depois de receber um soco de um lobisomem na barriga?

Ninguém do bando Hale estava entendendo.

Allison golpeou o rosto de Claire com a mão vazia, fazendo a loba recuar o rosto com a dor. Allison correu contra a mulher e se jogou no chão, deslizando por entre as pernas da loba e fazendo um novo corte nas costas do joelho direito dela, a fazendo apoiar todo o peso do corpo em uma das pernas.

Em um deslize de Claire, Allison saltou sobre ela e a perfurou no ombro com a adaga, antes de saltar, usando a mulher de apoio e se afastar em um salto enquanto a beta protestava pelo ferimento, o cobrindo com a mão.

— e quanto a você, eu vou lhe dar apenas dois minutos – falou a caçadora, ignorando a loba que pegou a sua arma, enquanto apontava para a outra beta.

Olívia avançou, com a adaga alheia em mãos, tentando a usar contra a caçadora. Foi nesse momento em que a sua vista começou a ficar turva e Olívia parou de correr.

— dois minutos?! Não me faça... – Claire notou o modo como a parceira parou o ataque e passou a olhar para as próprias mãos.

— o que... Você... – a voz de Olívia saiu fraca, enquanto a mulher cambaleava.

Ela se manteve em pé, com dificuldade, deixando os joelhos juntos. As suas pernas estavam fracas e trêmulas. O mundo girava. Olívia não via mais ninguém além de três Allisons e três Claires. Não demorou para que ela se permitisse cair de joelhos, uma vez que as pernas já não aguentavam mais sozinhas.

— o seu corpo está dormente, não está? – indagou Allison vendo a mulher se manter de quatro no chão com certo esforço.

As mãos de Olívia tremiam, assim como as pernas. Ela não conseguia enxergar os próprios braços direito. Não sabia se eles estavam retos ou dobrados, pois ela já não os sentia mais corretamente. A concentração que usava para os manter lhe sustentando era grande. A mulher tentou falar, mas nem mesmo a sua língua estava livre da dormência. O músculo parecia inchado e pesado. Olívia abria a boca, mas não conseguia mover a língua para falar. Se quer conseguia manter a língua dentro da boca. Assim que abriu a boca, o músculo, pesado, desceu, saindo da cavidade a qual pertencia.

— a Lambida do Cervo está fazendo efeito – afirmou Allison se aproximando para pegar a sua adaga de volta.

— desgraçada! – ralhou Claire correndo na direção da caçadora, que saltou para trás, desviando do ataque, enquanto revidava, lançando uma das adagas na coxa da loba.

Claire se viu surpresa quando, no meio da corrida, a sua perna direita acabou fraquejando e ela se desequilibrou, não conseguindo parar de correr na direção de Olívia, tropeçando no corpo da companheira de alcateia e caindo de quatro no chão, antes de deslizar e acabar caindo de peito no campo de batalha.

— mas que merda! – rosnou Claire, já imaginando o que estava acontecendo.

— mas que diabos de mistura é essa? – questionou Theo, surpreso.

— eu não sei. Mãe? – ditou Vernon, esperançoso que sua mãe reconhecesse a mistura.

— não dá para saber. Eu não sinto o cheiro de nada daqui – respondeu a mulher encarando Claire se erguer com certa dificuldade.

— eu não sei o que tem ali, mas parece ser forte – ditou Cláudia encarando o modo com Claire, aos poucos, começava a ceder ao efeito da mistura de ervas criada pela caçadora.

— você tem mais dez segundos antes de ficar completamente imóvel – comentou Allison se sentando no chão, enquanto assistia Claire se ajoelhar, forçadamente, antes de perder o equilíbrio e cair deitada de lado.

— por favor... Faça... Parar – murmurou Claire, desesperada.

Aquela sensação era desesperadora. Ela apenas conseguia assistir enquanto o seu corpo saía do seu controle. Era como se, aos poucos ele estivesse morrendo.

Allison gargalhou divertidamente, como se estivesse assistindo a uma peça de comédia.

— a Lambida de Cervo tem duas propriedades. Primeiro, ela impede que os ferimentos de vocês se fechem, por mais leves que sejam. Até mesmo um corte no dedo ficará aberto enquanto a Lambida estiver fazendo efeito. O segundo efeito, é que ela vai paralisando todo o seu corpo aos poucos. Quando você menos esperar a sua visão vai ficar turva e as suas pernas vão falhar, antes de todo o seu corpo ficar paralisado – explicou a mulher antes de se erguer e se aproximar do corpo paralisado das duas, tratando de retirar a adaga da coxa de Claire.

— elas estão completamente impossibilitadas de lutar. Eu ganhei – anunciou a morena e Alan meneou positivamente.

Derek encarou ao final da luta em choque, assim como Laura.

Uma humana.

Apenas uma humana encerrou a luta bem mais rápido do que o beta do bando de ômegas. Ela acabou com a luta bem mais rápido do que o ômega que lutou anteriormente. Allison praticamente humilhou as duas betas. A caçadora só levou um golpe e derrubou duas lobas em menos de cinco minutos.

— mas o que acabou de acontecer aqui?! – indagou Mason, confuso.

Stiles olhou para Liam e Corey antes de estalar os dedos.

— o nosso bando acabou de acontecer – respondeu Corey enquanto caminhava, ao lado de Liam, na direção do campo, surpreendendo a maioria dos betas quando as vinhas não os atacaram.

— como eles fazem isso? – indagou Derek vendo os dois adentrarem o campo de batalha, seguindo para as duas lobas caídas.

Liam pegou Claire no colo, enquanto Corey enrolava o torso de Olívia com sua língua. Os dois se aproximaram do bando Hale removendo as duas lobas do campo.

— pegue isso. Coloque dez gotas disso aqui em um copo com água e dê para elas beberem – ordenou Allison jogando um pequeno frasco com um líquido âmbar para um membro do bando Hale, o vendo quase derrubar o frasco no chão.

— e o que é isso? – questionou Vernon, curioso, se aproximando do membro que coletou o frasco, o vendo erguer o pequeno objeto para si.

— Mel de Âmbar. É o antídoto do veneno – respondeu a caçadora.

— me tragam água e alguns panos para podermos tratar elas duas – ordenou Vernon para os jovens revoltados que haviam perdido as suas disputas.

Dois adolescentes prontamente menearam positivamente e começaram a correr na direção do vilarejo.

— já podemos prosseguir – ditou Allison assim que Liam e Corey deixaram as duas mulheres deitadas aos pés de Vernon e voltavam a adentrar o campo sem serem interrompidos pelas vinhas, antes de retornarem para as suas posições.

— eles são fortes mesmo – comentou Laura enquanto pressionava a unha do polegar com os dentes, analisando bem a caçadora.

— ESPERE UM MINUTO – gritou Benjamin impedindo que Alexander convocasse mais betas.

— qual é motivo do escândalo? – indagou Lydia vendo o homem apontar com o dedo para Allison.

— como pode uma humana bater com tamanha força em um beta? – indagou o Boyd, acusatório.

Stiles sorriu.

— não sabe perder, Benjamin? – questionou o conde e o alfa, imediatamente, apontou o dedo para si.

— o que fez com ela? – acusou o homem e o Stilinski gargalhou.

Lydia, imediatamente, passou a flutuar, expelindo uma nuvem roxa pelas mãos e pelos pés. Os últimos estavam unidos, enquanto os dedos das mãos eram mexidos suavemente. A mulher atravessou o campo pelo ar, antes de se aproximar do general do bando Hale, o qual franziu o cenho em sua direção quando ela pairou diante do mesmo, sensualmente.

A ruiva franziu o cenho ao ver o outro tomar um semblante irritado.

— está insinuando que estamos roubando? – indagou a ruiva, indignada.

— e se eu estiver? – perguntou o alfa vendo a ruiva lhe fitar surpresa, antes de tomar um olhar sério.

— Benjamin – repreendeu Alexander.

— eu não gostei do seu tom – reclamou a mulher vendo o outro estreitar o olhar em sua direção.

— o que fez com a humana, bruxa? – perguntou ainda desconfiado.

— eu sou uma fada! – ralhou a ruiva, entredentes, enquanto se afastava.

— e se quer tanto saber, eu não vou dizer – ditou a banshee rondando o homem pelo ar.

— perdoe o modo bruto de Benjamin – pediu Laura enquanto via a ruiva se virar em sua direção.

— nem você, nem ninguém, tem culpa dos modos de alguém mal-educado, exceto os pais dele – ditou a ruiva fazendo questão de a nuvem roxa de sua mão direita ser expelida na face do homem.

Benjamin rosnou.

A nuvem não tinha cheiro, ou gerava desconforto. Ele apenas odiou a afronta.

— mas tente entender. Somos um bando tradicional. Humanos alfas e humanos fortes como betas são algo que não conseguimos compreender sozinhos – explicou a mulher de colar de runas próximo aos seios, vendo a ruiva franzir o cenho, curiosa, antes de olhar para todos os betas, que a encaravam com curiosidade.

— tudo bem. Eu explico para vocês como Allison pode ser tão forte – ditou a Martin e os olhos dos curiosos brilharam em sua direção

— mas apenas quando ela perder – falou antes de voltar com velocidade para o seu lugar.

— é a vez de vocês – falou Stiles assim que Lydia aterrissou em pé do seu lado da clareira.

Alexander franziu o cenho enquanto pensava nos próximos betas que iriam para o campo.

— Clark, Minerva, Lucy. Vão – ordenou o homem e Allison sorriu vitoriosa ao ver os três se despirem de suas camisas enquanto se transformavam em suas formas bestiais.

— que o jogo comece – ditou a caçadora avançando contra os betas, que fizeram o mesmo.

Lucy passou pelos dois parceiros, sendo a primeira a alcançar a caçadora, que tentou lhe golpear com a adaga da mão direita, em uma investida direta, mas falhou quando a loba lhe agarrou pelo pulso.

— te pe... – a mulher fora calada por uma joelhada da Argent, antes de a mesma passar a lâmina da adaga da mão livre pelo braço da loba, a fazendo lhe soltar.

Quando Allison menos esperou, a outra loba do trio surgiu em seu campo de visão. A beta lhe socou a barriga, antes de cravar as garras em seus ombros e lhe girar, para em seguida a lançar na direção do parceiro, que golpeou as costas da humana com o cotovelo e na sequência chutar a sua barriga, a girando.

O lobo se afastou analisando bem a mulher que permanecia deitada no chão, de peito para cima, apenas apreciando a lua. Os três betas ficaram analisando a humana por um tempo, enquanto a beta que fora ferida no braço sugava a fenda em sua pele criada pela lâmina envenenada as adaga da caçadora, tentando remover o veneno da morena de seu corpo.

— hm? Acho que pegamos pesado demais com ela – comentou Minerva vendo que a caçadora não se mexia.

— parece que, no final das contas, ela não pode com três de uma vez – ditou Clark sorrindo vitorioso.

A barriga de Allison começou a tremular. A mulher passou a se contorcer minimamente no chão. Clark sorriu, assim como Minerva e Lucy ao verem a ômega se contorcer de dor. A Argent arqueou as costas e levou as mãos ao rosto, largando as adagas envenenadas no chão. A boca da humana se abriu, exibindo os dentes pressionados uns contra os outros. Os betas sorriram mais largo ainda.

Allison passou a gargalhar alto, surpreendendo os betas. O bando Hale olhou confuso para a morena, que jogou as mãos para os lados, voltando a olhar para a lua enquanto sorria largo.

— FINALMENTE! FINALMENTE EU VOU PODER ME DIVERTIR COM O COURO DELES! – exclamou a caçadora assustando a maioria dos betas por suas palavras.

— mas o que isso significa? – questionou Miranda, levemente assustada.

Couro era um termo muito utilizado pelos caçadores para se referir a cabeça de suas vítimas quando era mandado para matar algum lobo por ordem de compradores. Usar aquele termo na presença de lobisomens realmente mexia com eles. Derek olhou para Stiles tentando identificar na expressão do noivo o que o mesmo achava do comportamento da beta, se surpreendendo ao encontrar o conde sorrindo vitorioso.

— ele está de acordo com isso? – murmurou Derek, descrente.

— vocês lobos são tão arrogantes – disse a morena enquanto se erguia.

— acharam mesmo que só isso seria o suficiente? – questionou a humana acolhendo, novamente, as adagas com as mãos.

— sinceramente? Sim – respondeu Clark vendo a mulher girar as adagas nos indicadores.

— então vocês são mais burros do que eu imaginei – disse a mulher entrando em pose de batalha.

— como é? – questionou Minerva antes de avançar com fúria.

Allison desviou do soco da mulher, se abaixando e deslizando a adaga pelo torso da mesma, abrindo um corte na lateral do mesmo. Minerva protestou já sabendo que tinha pouco tempo para acabar com a caçadora.

— o tempo está passando para duas de vocês – provocou a morena balançando uma das adagas com o indicador, como o pêndulo de um relógio.

— ora, sua – ralhou Lucy antes de avançar contra a caçadora, enquanto Minerva avançava pelas costas de Allison.

Para a surpresa de todos, quando as duas lobas tentaram socar a humana, Allison apenas se abaixou, fazendo uma loba socar a outra. E quando as duas tentaram lhe acertar um golpe da coxa, a caçadora perfurou os dois membros com as adagas, bloqueando os dois golpes.

— e o tempo fica mais curto ainda – comentou a Argent antes de se erguer, deslizando a lâmina pelas axilas das lobas, introduzindo ainda mais veneno no corpo das duas.

— mas que merda! – exclamou Clark avançando contra a caçadora, que se afastou de Minerva e Lucy dando uma série de cambalhotas para trás.

Allison sorriu ao ver Clark se aproximar com velocidade. A mulher girou as adagas, colocando as suas lâminas para trás. Clark a socou, mas Allison defendeu o golpe e o retribuiu, vendo o outro bloquear o seu soco. Clark tentou outro soco, mas a caçadora desviou e lhe acertou dois socos no peito.

Allison deu uma cambalhota para trás, acertando a sua bota no queixo do beta, que não esperava por aquilo

— desgraçada! – rosnou o homem enquanto avançava contra a caçadora.

— mais um – ditou a mulher que pertencia ao bando da rosa negra, avançando contra o homem.

Punho colidiu com punho, sendo que o punho de Allison fora empurrado para trás pelo do beta. A morena desviou do soco, retraindo o próprio punho e se abaixando, passando por baixo do braço do homem. O joelho de Clark fora bloqueado pelo cotovelo de Allison, que teve o punho agarrado ao arriscar um gancho no queixo do homem. Allison se permitiu ser acertada por uma joelhada, antes de fincar as duas adagas na coxa do beta, o fazendo gritar de dor. A Argent retirou as adagas, antes de fincar as duas armas nos ombros do homem, o afastando ao mesmo tempo em que o feria.

— agora todos os três estão correndo contra o tempo – falou a caçadora, sorrindo largo na direção dos três betas, que rosnaram em uníssono antes de avançarem todos de uma vez.

As duas mulheres começaram a trocar de lado enquanto corriam, tentando deixar a morena confusa. Allison apenas lançou as duas adagas na direção das lobas, que desviaram por pouco do ataque. O ato da Argent surpreendeu o bando Hale. A mulher havia lançado mão de sua vantagem naquela luta.

Lucy e Minerva avançaram com os punhos em riste, mirando no torso da caçadora, que desviou do golpe ao jogar o torso para trás, em uma cambalhota, deixando o ataque passar por cima de si. A caçadora se ergueu em tempo de ver Clark se aproximando. O homem desferiu um chute, que fora desviado quando a mulher rolou para o lado.

— e então, Lucy? Como está a visão? – indagou Allison, debochada, vendo a loba a quem se referia rosnar de raiva enquanto piscava os olhos repetidas vezes.

Allison não era nenhuma amadora. Ela tinha a capacidade de ferir as suas presas e calcular o tempo de ação do veneno em seu corpo. A morena nem precisou olhar para Lucy para saber que o veneno estava agindo no corpo da beta, mas ela o fez para se deleitar com o ódio expresso em seus olhos que já não enxergavam mais tão bem.

— merda – murmurou Lucy enquanto unia os joelhos ao sentir as pernas ficarem dormentes.

— mas que porra de veneno é esse que age tão rápido com tão pouco?! – exclamou Garret vendo a companheira de alcateia começar a ceder ao efeito do veneno. Não que ela tivesse muita escolha, já que aos poucos começava a perder o controle do próprio corpo.

— não foi tão pouco assim. Allison a perfurou em vários lugares diferentes. Lucy contribuiu para o veneno se espalhar ficando com raiva e fazendo esforço para atacar. É assim que o veneno se espalha tão rápido. O calor da batalha faz com que ele se espalhe muito rápido – explicou Vernon de braços cruzados, analisando, cuidadosamente, a luta a sua frente.

Ele não esperava que a humana fosse dar tanto trabalho. Ninguém esperava por aquilo. A mulher apresentava um domínio sobre a luta que os fazia assistir sem se quer piscar, a espera do próximo movimento que a faria fincar as suas lâminas envenenadas no corpo de algum beta, o fazendo se desesperar por ter que correr contra o tempo.

Aquela era a origem do domínio de Allison sobre a luta:

O desespero.

O desespero que tomava os betas por não quererem perder para uma humana os fazia atacar sem pensar muito. Os fazia ter o coração acelerado, diminuindo ainda mais o tempo necessário para o veneno os paralisar completamente. Cada erro, cada rosnado, cada raiva acumulada fazia o coração bater mais rápido e o veneno se espalhar cada vez mais pelo corpo.

— não se preocupe em falar. Você não vai conseguir nem mesmo dizer que desiste – debochou a Argent vendo a mulher cair de quatro no chão e passar a se contorcer enquanto tentava tomar o controle do próprio corpo.

— ora, sua... – Minerva rosnou antes de avançar, sendo acompanhada por Clark no ataque.

Os dois betas chegaram a alcançar a caçadora, que sorriu. No entanto apenas Clark conseguiu executar algum ataque, surpreendendo não apenas o lobo como a todo o bando Hale. Allison se quer teve o trabalho de se preparar para o suposto ataque de Minerva. Quando ela desviou do golpe de Clark, a humana simplesmente parou com os braços cruzados, assistindo a mulher, que piscava os olhos rapidamente como se estivesse enxergando embaçado, parada tentando se situar no ambiente.

E de fato estava.

Minerva fora acertada um pouco depois de Lucy e fora infectada com a mesma quantidade de veneno, praticamente. Era mais do que óbvio, para Allison, que ela iria cair alguns instantes depois da queda de Lucy. E foi o que ocorreu. Não demorou quase nada para que a loba começasse a perder o controle sobre as próprias pernas, que cederam, lhe fazendo cair para trás.

— mas que porra! – exclamou Clark se afastando subitamente e olhava para os próprios ferimentos, que ainda sangravam, indicando que o veneno já fazia efeito em seu corpo, anulando a sua cura rápida.

Ele tinha pouco tempo.

O homem avançou contra a humana com fúria. Socos e joelhadas. Nada era eficiente contra aquela humana, que gargalhava alto e de forma assustadora cada vez que uma investida do homem dava errado. Allison se afastou em dois passos, antes de se abaixar, girando e erguendo a perna, para que impedisse que o outro se aproximasse tão fácil enquanto que, com a mão, ela fincava os dedos no chão, recolhendo algo. Ao ver a mulher se erguer, Clark avançou.

O caminho estava livre sem a perna de Allison no ar para lhe acertar qualquer parte do corpo. Grande erro. Allison girou para o lado, desferindo um golpe de sua mão no ar, na direção do homem, o surpreendendo quando uma boa quantidade de terra lhe atingiu o rosto, adentrando os seus olhos e o impedindo de enxergar

Allison avançou sem dó. Socos e mais socos eram acertados no rosto do beta, que conseguia apenas jogar o rosto para os lados e nada mais. Ele até tentou dois ou três socos em um arco, para atingir Allison de onde quer que ela estivesse lhe golpeando, mas a mulher desviou dos três com facilidade, gargalhando ainda mais antes de, após golpear o rosto de Clark, passar a distribuir uma série de socos ágeis no peito e abdômen do homem, antes de lhe acertar um gancho no queixo de baixo para cima, jogando a cabeça do mesmo para trás, o fazendo cambalear e cair.

Clark abriu os olhos, tentando enxergar algo, mas os seus olhos ainda estavam incomodados com a areia presa neles. O homem sentiu um puxão em seus braços, os colocando ao lado do corpo, antes de um peso considerável lhe atingir o torso, prendendo os seus braços ao seu corpo.

Allison havia sentado em si.

A ômega desviou as mãos pelo peito desnudo do homem, antes de lhe agarrar os cabelos com força, os mantendo no chão, impedindo que o homem erguesse a cabeça para tentar lhe morder.

— eu estou com fome, Clark. Qual deve ser o seu gosto? – indagou a caçadora antes de levar o rosto ao ombro do homem, deitando o seu corpo sensualmente sobre o de Clark.

Allison olhou sensualmente para o próprio bando, gerando um sorriso largo em todos, mas somente três deles lamberam os lábios para a cena, vendo Allison passar a lamber o ferimento do ombro do beta, o fazendo grunhir de dor pelo contato direto de algo com um ferimento um tanto quanto grave.

Allison permaneceu a lamber o beta, que tentava, em vão se soltar. Ele não entendeu como ficara tão vulnerável para uma humana. Pelo menos não até sentir que não conseguia mais mexer as pernas. Ele, então, entendeu tudo.

O seu tempo havia acabado.

Ele rosnou de ódio, antes de morder os lábios. Clark não acreditava que aquilo estava acontecendo. Ele, um beta de uma alcateia tão forte, fora facilmente subjugado por uma caçadora. Ele, acompanhado de mais duas betas, fora derrotado tão facilmente por uma humana.

Ele se sentia tão humilhado.

— você venceu – anunciou o homem e a mulher se ergueu, mantendo-se sentada em seu corpo, lhe encarando.

— eu sei. Não é como se eu esperasse algo diferente – comentou a morena sorrindo.

— o seu corpo já não consegue mais se mexer, certo? – indagou a ômega se erguendo e vendo o homem menear positivamente, pois ele já não conseguiria mais falar com a língua tão pesada.

— o seu gosto não é dos melhores – ditou antes de se virar para o bando Hale.

— e então? Quais de vocês serão os próximos? – questionou sorrindo divertida.

Benjamin rosnou.