The Engagement
41 Quando
— não tão rápido! – ditou o beta do bando Hale acompanhando Allison na corrida.
A alcateia Hale estava animada com a situação.
A humana pertencente ao bando de ômegas fora encurralada na beirada do campo de batalha por três betas. Dois deles, assim que fora encurralada, caíram no chão devido aos efeitos da lambida de cervo. Mas o terceiro beta ainda não havia sido acertado por suas adagas envenenadas. Para completar toda a situação, a caçadora havia perdido as suas armas embebidas em veneno.
Todas as quatro haviam sido lançadas para fora do campo pelos betas. Aqueles não eram estúpidos como os outros dezessete que ela enfrentara. Quando Allison lançou as suas duas adagas em dois deles, os betas simplesmente arrancaram a arma de suas carnes e as lançaram para fora do campo, antes de avançarem com fúria. Grande erro, pois, da cintura, Allison retirou mais duas adagas e passou as usar de modo mais precavido, antes de as perder pata outros dois betas, que a imobilizaram e arrancaram as armas de suas mãos.
— AGORA VOCÊ CONSEGUE! – gritou Mason, animado, tentando incentivar o companheiro de bando.
— eu não teria tanta certeza – murmurou Laura, contida, analisando bem a situação.
O beta estava muito perto da beirada, assim como a caçadora. Um passo em falso e Allison ficaria presa nas vinhas por conta própria. Por outro lado, Laura sentia que a mulher estava ali de propósito. A Argent já tivera três chances de se afastar das vinhas, mas ela simplesmente deixou passar, se mantendo no cerco adversário.
— você percebeu – comento Talia chamando a atenção de Derek.
— percebeu? O quê? – indagou confuso.
— ela vai ganhar – admitiu Talia chamando a atenção do próprio filho e marido.
— como assim ela vai ganhar? – indagaram os dois morenos de olhos verdes, confusos.
— agora – ditou Talia apontando para o campo.
Derek e Alexander focaram os olhares na luta em tempo de poderem ver o companheiro de bando desferindo um soco potente no rosto da caçadora. Allison desviou com facilidade, permitindo que o punho passasse ao lado de sua cabeça, enquanto ela girava encaixando a axila alheia em seu ombro. O beta se assustou quando a morena lhe agarrou o antebraço.
— não! – exclamou antes de Allison lhe acertar o nariz com a nuca, o deixando tonto, para em seguida se inclinar para as vinhas, chutando o tornozelo do beta.
Todos assistiram, surpresos, quando, com esforço, a caçadora ergueu o beta do chão e o jogou sobre as vinhas.
— ele perdeu – comentou Talia assim que Allison desviou do golpe.
Mas, para a surpresa da mulher, o seu beta cravou as garras em um dos braços da caçadora, a puxando consigo.
— ela perdeu! – exclamou Jackson, vitorioso.
O beta, aliviado por ter derrotado um membro do bando de ômegas e não ter deixado ele simplesmente desistir, afrouxou o agarre, a soltando e apenas permitindo que os dois caíssem livremente. Ele sobre as vinhas e ela sobre o seu corpo. Allison teve as pupilas dilatadas quando se sentiu ser solta. A mulher aproveitou o momento e sua posição para apontar com a mão para a testa do beta. Quando o lobisomem caiu deitado, ela usou de sua mão para se apoiar no homem e, chutando o chão erguer os pés, apoiando todo o seu peso em seu torso. Mas não parou por aí, a mulher, apoiada no beta, girou o corpo, posicionando o mesmo sobre o corpo do homem.
As vinhas, ocupadas demais em conter os braços e as pernas do homem, não puderam evitar quando a caçadora apoiou os pés no peito alheio e saltasse, retornando para o campo. Algumas vinhas livres do corpo do beta, ainda tentaram deter a caçadora. Entretanto, quando enfim se enroscaram no pé esquerdo da humana, ela caiu de quatro no campo, surpreendendo a todos. As vinhas, então, soltaram o pé da Argent, se focando apenas em prender o beta já parcialmente imobilizado.
— impossível! – exclamou Jackson, em choque.
— como se eu fosse perder em uma situação simples dessas – comentou a Argent, antes de se ajoelhar, com apenas o joelho esquerdo tocando o solo.
A humana uniu as palmas das mãos e passou a sibilar palavras.
— ela está rezando? – indagou Peter, confuso.
— é o que parece – disse John, igualmente confuso.
Allison desfez a união de suas mãos e passou a dirigir as mesmas para o solo, entre as suas pernas.
— Allison – a voz de Stiles atravessou o ar para alcançar a mulher, que parou imediatamente, olhando para o lado e vendo o conde lhe fitando com seriedade.
— certo – ditou a mulher antes de se erguer.
Allison caminhou até o lado do bando Hale, parando diante das vinhas. Ela estava, mais especificamente, diante de Derek, o encarando com seriedade. Benjamin já estava para rosnar quando a humana levou a mão direita ao peito e se ajoelhou diante do moreno de olhos verdes, o deixando confuso.
— eu desisto – ditou a morena antes de se erguer.
Benjamin teve que segurar um rosnado em sua garganta.
Vinte.
Vinte betas foram necessários para que o conde Stilinski a fizesse desistir.
O Stilinski tivera que fazer a humana desistir. Do contrário, ela ainda enfrentaria mais betas e, com certeza, ganharia de mais deles. Aquilo era frustrante, irritante e odioso. Uma humana havia derrotado betas.
Aquilo era humilhante.
— agora podes nos dizer como és tão forte? – questionou Laura vendo a humana encarar Lydia, que, instantaneamente sorriu largo na direção da loba.
— desculpe, mas ela não perdeu. Ela apenas desistiu. Logo, o nosso acordo não pode ser validado – ditou Lydia sorrindo vitoriosa na direção de Benjamin, que rosnou, irritado.
— explique – ordenou Stiles, calmamente, contrariando a ruiva, que suspirou.
A mulher de cabelos amarrados em tranças flutuou até Allison, parando um pouco atrás da caçadora, ainda flutuando. A morena abriu a camisa que vestia, se despedindo parcialmente. Quando a Argent retirou a camisa por completo, Lydia moveu a mão direita, apontando para a companheira de bando e símbolos estranhos surgiram nos punhos, e torso da morena.
— o que são essas coisas? – indagou um beta, confuso.
— runas – rosnou Benjamin.
— e o que isso significa? – perguntou Laura tentando compreender aqueles símbolos estranhos.
— isso significa que esta humana tem habilidades superiores as de um humano comum. Ela tem runas de força nos punhos, runa de velocidade no seio esquerdo e uma de resistência no seio direito. Não se pode subestimar essa mulher – respondeu Alan chamando a atenção para si.
— em resumo, eu sou mais rápida do que um humano. Sou mais resistente do que um humano. E o melhor, eu posso lhes dar a surra que um humano não pode – ditou a caçadora sorrindo vitoriosa para o alfa que havia lhe acusado de trapaça.
— satisfeito? – questionou a Argent antes de passar a se vestir.
Lydia sorriu, pensando em um modo de provocar ainda mais o homem que segurava um rosnado na garganta. Benjamin estava incomodado e se quer conseguia disfarçar. Vernon olhou com curiosidade para o pai. Ele entendia que o seu pai era rigoroso e um tanto tradicionalista, mas ele não conseguia entender o que se passava na cabeça do seu velho naquele momento. Benjamin sempre fora ético e responsável. Mas ali, diante dos ômegas, ele que parecia descontrolado.
— eu peço desculpas... – Alexander começou a se desculpar pelo jeito desconfiado de Benjamin, vendo as duas ômegas darem as costas para si, retornando para o lado do seu alfa.
— Kira. É a sua vez – ditou o Stilinski, cortando o alfa do outro bando, surpreendendo os lobos.
— ele é curto e direto – comentou Vernon ao mesmo tempo em que via a estrangeira ajustar a espada nas costas, enquanto se virava para Lydia, que lhe entregou uma espada de madeira.
— de onde ela tirou aquilo? – questionou Theo, surpreso.
— ela já estava com aquela espada ali? – indagou Mason, curioso.
A mulher de cabelos amarrados em um coque com palitos com rosas desenhadas nas pontas caminhou até o campo de batalha com calma e de queixo erguido, enquanto passava por Allison. A caçadora deslizou os dedos pelo braço da companheira de bando, sensualmente, sorrindo predatória.
— tente deixar alguns para os outros – disse a Argent e a Yukimura apenas suspirou em desdém.
— eu não vou nem precisar soltar meu lado ômega – anunciou a japonesa parando próximo ao centro do campo, com a espada de madeira apontada para o solo, imitando a pose em que seu alfa mantinha em posse de sua bengala.
Talia franziu o cenho, encarando bem a arma de madeira, se perguntando quem poderia usar para enfrentar a mulher. Alexander encarava o conde Stilinski, pensativo. Ele se questionava que tipo de habilidades os outros deveriam ter. Estava claro para ele, como estava para Cláudia, John, Talia e Benjamin que o bando da Rosa Negra era bastante diversificado.
Havia uma reaper, um kanima, uma kitsune, uma banshee, uma caçadora, um beta, lobos, uma tygra, e, a cereja do bolo, um humano que consegue controlar todos eles.
Aquele, realmente, era um bando singular.
— eu gostaria de mais do que cinco betas, por favor- pediu a morena de cabelos amarrados, de forma educada e tom calmo.
Talia tentou conter um rosnado, mas tudo o que conseguiu fora impedir o som de se manifestar, pois as suas presas cerradas ela não conseguiu esconder. A cada vez que um ômega adentrava aquele campo de batalha, mais o seu bando era mostrado como inferior. Aquilo já estava lhe sufocando. Mas ela não podia negar que, lá no fundo, ela estava gostando. A prova da força do bando alheio apenas confirmava que a decisão de escolher o conde como noivo do seu filho fora uma boa escolha.
— Tony, Clyde, Bonnie, Ariadne, Victor, Zack, Trevor. Vão – ordenou Alexander e no mesmo instante os betas avançaram contra a kitsune, sem se quer se prepararem dentro do campo.
Eles apenas correram com velocidade, tratando de fazer zigue-zague enquanto se aproximavam da adversária. Kira os encarou com naturalidade, antes agarrar a empunhadura de sua katana de madeira.
O grupo se dividiu em três linhas de ataque. As três equipes avançavam pela dianteira, descaradamente. Kira sorriu sutilmente, apertando o agarre de sua mão na arma de madeira. Foi nesse momento em que o ataque coordenado começou, surpreendendo Corey, Liam e Erica. Os três betas que ergueram os punhos para Kira, simplesmente frearam, se jogando para trás quando a mulher moveu, levemente, o punho para cima, erguendo a espada alguns centímetros acima do solo.
De trás dos três betas, os outros três surgiram, com as garras apontadas para a mulher. Kira simplesmente se inclinou para trás, enquanto movia a espada para a esquerda, ainda com a arma de madeira apontada para o chão. A mulher acertou a mão do beta da esquerda ao erguera a lâmina, a deixando deitada no ar, mudando a trajetória do ataque alheio, antes de mover o braço para a direita, fazendo a espada acertar os outros dóis betas, também movendo as mãos deles, mudando a trajetória.
Os outros betas aproveitaram o momento em que a defesa da kitsune estava focada nos três a sua frente para atacar. Dois deles se colocaram de quatro, enquanto a mulher iniciava a defesa, movendo a mão do beta da esquerda, antes de correrem na direção dos dois espaços vagos entre os três betas adiante, enquanto a outra beta se abaixava, se preparando para saltar sobre o beta do meio, que tinha a mão desviada pelo golpe da espada.
Quando Kira finalizou o seu movimento defensivo, ela pôde ver o outro ataque se aproximar. Dois betas passaram pelas pernas dos três primeiros atacantes, visando as suas pernas que se encontravam desprotegidas por se manterem firmes durante a inclinação do seu corpo para lhe manter de pé. Ao mesmo tempo, uma beta vinha de cima, com as garras e presas a mostra, mirando em sua cabeça.
“Entendo. A distração, na verdade era a preparação para o verdadeiro ataque”
Pensou a morena enquanto analisava bem a situação.
— pegamos! – exclamou um dos adolescentes derrotados por Ennis, surpreso com o ataque coordenado dos membros do seu próprio bando
— será? – indagou Miranda, pensativa.
Kira aproveitou a sua inclinação para trás e girou o corpo, permitindo que o mesmo se inclinasse ainda mais, fincando a espada no chão atrás de si e erguendo o próprio corpo. Ela usou a espada de base para dar um mortal para trás, erguendo as pernas, as livrando do ataque dos dois betas, enquanto surpreendia a terceira beta com um chute, o qual fora bloqueado pelos dois braços da mulher. E foi aí que o sétimo beta entrou no ataque. Ele saltou, se aproximando da beta que bloqueara o chute de Kira com os dois braços, usando o corpo da companheira de base para saltar mais uma vez, se direcionando para a kitsune com mais velocidade.
Mas Kita fora mais rápida do que ele. Puxando a espada do chão, a mulher abriu mão de sua base para poder possuir uma arma novamente. Ela girou no ar, acertando a katana de madeira na cabeça do homem, o fazendo perder o foco do araque. A medida em que ele se aproximava, o corpo de Kira caía em meio ao giro. O homem, por ter fechado os olhos ao receber um golpe da espada de madeira no rosto, não notou quando passou por cima da morena, que conseguiu se colocar de quatro antes de cair no chão, enquanto ele passava direto, caindo de peito no chão. Se impulsionando com os braços, a mulher se ergueu com velocidade.
— não vamos deixar que escape! – exclamou Victor correndo na direção da mulher, junto dos outros dois betas que tiveram os seus ataques bloqueados pela espada de madeira.
Victor seguiu com as garras apontadas para o torso da Kitsune, estando com o corpo um pouco para a esquerda do corpo da morena de cabelos amarrados em um coque.
— inútil – ditou a mulher, golpeando o braço do homem com a espada.
— será? – questionou Victor e logo Kira pôde ver Tony, deslizando pela grama com o pé mirando em seu tornozelo.
Kira tomou um olhar entediado antes de saltar, visando aterrissar com os calcanhares no abdômen de Tony quando este se encontrasse completamente abaixo de si. No entanto, os planos de Kira foram frustrados quando Bonnie surgiu a sua frente, com as garras apontadas para os seus ombros. Ela conseguiu bloquear o ataque com a katana de madeira, que fora agarrada pela loba.
— agora não poderá se defender com o seu brinquedo — ditou a beta sorrindo vitoriosa.
— mas você também não poderá se defender com as suas mãos – apontou Kira surpreendendo a mulher.
— como? – indagou confusa enquanto caíam.
A Yukimura acertou um golpe de sua testa no rosto alheio, antes de folgar o agarre de suas mãos na espada de madeira para em seguida saltar, girando o corpo no ar e conseguir se colocar atrás de Bonnie. As duas caíram sobre Tony, que gemeu de dor com o impacto de dois corpos sobre o seu.
— merda! – exclamou Victor assim que Bonnie gritou com a dor da pressão dos joelhos da Kitsune em suas costas, enquanto a mulher puxava a espada contra o pescoço da beta.
Pelas laterais, Ariadne e Trevor se aproximaram com velocidade, com os olhos cravados na Kitsune. O objetivo não era atacar a mulher, mas sim imobilizar ela. Cada um segurou um dos braços da mulher, enquanto Victor estrangulava a morena por trás.
— nossa vez! – disseram Clyde e Zack se aproximando da mulher, fazendo a volta para a encarar de frente.
— podem tirar elas duas de cima de mim? – pediu Tony com uma leve falta de ar.
— puxem ela – ordenou Victor enquanto ele, Ariadne e Trevor tentavam afastar a mulher, que ainda se encontrava presa a Bonnie pela espada de madeira.
Kira respirou fundo, enchendo o peito de ar.
Stiles sorriu.
— vai começar – ditou sorrindo divertido.
Derek encarou o noivo com curiosidade. Ele não estava entendendo. O companheiro parecia animado demais, sendo que Kira estava sendo imobilizada por três betas. Ela não teria como se safar com facilidade.
Ou teria?
— algo está vindo – disse Miranda vendo a mulher asiática abrir a boca.
Instantaneamente, uma neblina densa fora liberada pela boca da kitsune, surpreendendo os betas. Assim que a neblina começou a se aglomerar ao redor deles, eles não conseguiram enxergar a mulher do bando de ômegas direito, mas sabiam que ela estava ali, pois eles ainda a seguravam. Logo nem mesmo o bando Hale e os ômegas podiam ver Kira direito. A mulher estava liberando muita neblina. Ela ainda puxou o ar mais uma vez para liberar mais ainda, antes de olhar para os betas que a prendiam, lançando a neblina nos olhos deles.
Momentaneamente cegos pela neblina gélida liberada pela adversária diretamente em seus olhos, os betas se viram obrigados a fechar os olhos, dando um leve descanso aos mesmos. Kira se debateu, mas não conseguiu se soltar.
A ômega permanecia presa.
Ou, pelo menos, fora isso que os betas pensaram. Pois, quando Victor, Ariadne, Trevor, Clyde e Zack abriram os olhos, não era mais a asiática presa por eles, e sim Bonnie. A loba até mesmo tossia devido a liberação de sua garganta.
— mas que merda! Como ela fez isso? – indagou Trevor e todos os três soltaram Bonnie, olhando ao redor.
— eu se quer senti ela saindo. Eu juro que não a soltei! – exclamou Victor se perguntando como raios a mulher conseguiu sair do seu agarre.
— espere! Essa não... – Clyde fora calado quando Bonnie acertou um golpe da espada de madeira no seu rosto, surpreendendo Victor, Ariadne, Zack e Trevor.
— mas o que... – Victor fora cortado quando Bonnie avançou contra Zack.
Ele pôde ver, onde antes estavam Kira, Bonnie e Tony, que o corpo de Bonnie estava desacordado sobre o corpo de Tony, que também se encontrava desmaiado.
— mas o que... – Ariadne fora calada quando escutou um gemido seco de Zack, antes de ouvir o som de um corpo caindo.
— três já foram – eles puderam ouvir a voz de Bonnie soar maliciosa.
Ao olharem para Zack, puderam ver a falsa Bonnie em pé ao lado do corpo desacordado de Zack.
— três?! – questionou Clyde, confuso.
Victor olhou para Tony, vendo que o mesmo também não se movia. Nenhum deles soube como, mas Kira havia conseguido desacordar Tony e Bonnie, mesmo estando aprisionada por eles.
— sim. E você será o próximo – ditou a mulher antes liberar mais neblina
— mas que merda! Agrupar! – exclamou Victor e, no mesmo instante, ele, Ariadne, Clyde e Trevor já estavam agrupados, um dando as costas para o outro.
Eles puderam ouvir passos os rondando, antes de os passos pararem na direção dos alfas do bando Hale. Kira, já em sua aparência original, avançou contra Victor, desferindo um golpe de sua espada de madeira no ar, o surpreendendo. O homem cruzou os braços, tentando bloquear o golpe, mas não fora necessário. Kira simplesmente recuou, voltando a sumir na neblina. A mulher repetiu falsos golpes algumas vezes, tanto em Victor quanto nos outros betas, os deixando nervosos. O medo os dominava, pois eles estavam se acostumando com aquilo. Eles já não sabiam mais quando ela realmente iria atacar.
— temos que revidar de algum jeito – argumentou Trevor olhando bem ao redor, não conseguindo ver nada além de neblina.
— vamos atacar em grupo. Assim ela não pode tomar a forma de nenhum de nós quatro – pontuou Victor analisando o campo ao seu redor.
— será que não? – a voz de Kira veio de trás dos quatro, os surpreendendo.
A ômega estava parada, de braços cruzados, dentro do espaço pequeno que era a área cercada pelos quatro lobos. Clyde tentou golpear a mulher, enquanto os outros três se afastavam rapidamente. A Yukimura desviou do golpe com extrema facilidade, antes de chutar o abdômen de Clyde e correr na direção de Ariadne, que recuou mais, se afastando mais ainda dos três companheiros.
— ARIADNE! – exclamou Trevor tentando impedir a companheira, mas a mesma já havia desaparecido na neblina, assim como Kira.
— reagrupar! – ordenou Victor e logo os três homens estavam de costas um para o outro, enquanto ouviam o som de corpos colidindo, indicando que as duas mulheres estavam se enfrentando.
— eu estou com ela! – avisou Ariadne e todos olharam na direção da voz da companheira de bando.
— merda! – exclamou a mulher antes de surgir da neblina, correndo na direção dos companheiros de bando.
Assim que os alcançou, a mulher fora surpreendida por um soco potente de Trevor em seu abdômen, e um golpe, igualmente potente, das mãos unidas de Victor na sua nuca, a desmaiando imediatamente.
— não vai nos enganar de novo – disseram os dois homens, em uníssono.
— finalmente! Finalmente um deles foi derrotado! – exclamou Trevor, aliviado e animado.
— e nós se quer suamos! – exclamou Victor erguendo a mão para o amigo, o vendo apertar a sua mão sorrindo.
— é bonito de ver tanta animação e expectativa com a minha derrota, mas eu me sinto levemente ofendida – a voz de Kira veio de trás dos dois, os surpreendendo.
Ao olharem para trás, eles se depararam com a cena que eles nunca imaginaram. Kira estava parada em pé, ao lado do corpo de Clyde, que tinha o torso erguido do chão pela mão da kitsune, que agarrava firmemente os seus cabelos. Os betas olharam para trás, mais uma vez, vendo o corpo de Ariadne caída aos seus pés.
— então essa é... – Trevor tentou dizer, mas fora calado pela adversária
— vocês foram tão fáceis de enganar – disse a Yukimura golpeando o ar com a espada de madeira e logo a neblina passou a se dissipar, dando visibilidade para todos.
A neblina liberada por Kira havia se concentrado dentro do campo delimitado pelas vinhas mágicas de Alan, fazendo com que as pessoas do lado de fora do campo não pudessem ver nada do que estava acontecendo lá dentro. Quando a neblina finalmente se dissipou, eles puderam ver claramente em que nível aquela batalha se encontrava.
— o quê?! – exclamou Jackson, surpreso por ver que a mulher já havia derrotado cinco dos sete betas.
— cinco em um espaço tão curto de tempo – murmurou Vernon, descrente.
— eu esperava que ela fosse ardilosa, mas não esperava que fosse tão forte – comentou Miranda enquanto via a mulher soltar Clyde no chão
— o quer dizer com isso? – questionou Derek vendo a mãe do amigo suspirar.
— kitsunes não são tão fortes, fisicamente, como nós. Mas, em compensação, elas tem algo ainda melhor do que força física. Elas tem algumas habilidades mágicas bastante interessantes, como a de tomar a forma de mulheres, por exemplo. Com certeza ela deve ter tomado a forma de Bonnie e Ariadne para os deixar confusos e dominar a luta rapidamente – respondeu a senhora Boyd, cruzando os braços, pensativa.
— agora são só vocês dois – falou Kira apontando com a espada de madeira na direção dos dois betas.
— não tem mais neblina. Ela não pode se esconder – ditou Trevor encarando bem a mulher enquanto já se transformava.
— mas também não temos gente o suficiente para atacar ela – argumentou Victor enquanto também se transformava em sua forma bestial.
— mas agora nós estamos transformados – contra argumentou Trevor antes de rosnar com fúria para a ômega.
— é. Isso deve ser o suficiente – falou Victor antes de avançar contra a kitsune com fúria.
— mil anos de vida não serão derrotados por uma mera transformação – ralhou Kira antes de golpear o queixo de Victor com a sua espada de madeira, sendo surpreendida quando o homem a agarrou com a boca e a mordeu com força.
As presas de Victor se fixaram na madeira, mas, para a surpresa do beta, a sua mordida não causou mais dano do que meras perfurações na madeira. Kira sorriu antes de saltar, apoiando o seu peso na espada, que fora sustentada pela boca do beta transformado, antes de acertar um golpe do calcanhar na nuca do lobisomem.
Kira aterrissou no chão sem dificuldades, agarrando a empunhadura da espada com a mão direita e tentar a puxar, sendo surpreendida quando a espada não se moveu. Ao olhar para trás, ela pôde ver Victor a encarando com fúria, enquanto mantinha as presas na madeira.
— o quê? – indagou, em choque, antes de se afastar de Victor quando Trevor tentou a atacar.
— isso! Agora ela não tem mais uma arma para nos atacar – argumentou Trevor olhando brevemente para o parceiro.
— ela é forte. Minha nuca está doendo – argumentou Victor com dificuldade devido a espada em sua boca, levando a mão ao local golpeado por Kira.
— já pode tirar isso da boca – ditou o castanho vendo o moreno levar uma das mãos a espada.
— não consigo. Os meus dentes estão presos – argumentou Victor e o castanho começou a rir.
— mas é um idiota, mesmo! – exclamou antes de avançar contra Kira novamente.
— e agora? – questionou enquanto atacava a mulher com socos, dos quais a morena desviava com facilidade.
— com o que vai me bater? Você é mais fraca e se encontra desarmada – ditou assim que a encurralou no limite do campo.
— VOCÊ PERDEU! – o homem rugiu, avançando em um último ataque.
Victor se viu surpreso quando Kira simplesmente girou, desviando das mãos do seu companheiro, enquanto retirava a sua espada das costas. Eles haviam se esquecido completamente que a mulher estava com a verdadeira espada nas costas. Kira finalizou o giro, jogando o braço para o lado, firmemente, acertando a nuca de Trevor com as costas da lâmina, fazendo o beta erguer a cabeça com o golpe.
O castanho de olhos castanhos escuros, com a cabeça erguida, voltou a forma humana, enquanto o seu corpo caía sobre as vinhas, que não demoraram para lhe abraçar e lhe puxar para o chão, se enroscando mais ainda em seu corpo. Victor viu a mulher, simplesmente, guardar a espada nas costas, novamente, a embainhando antes de lhe fitar com seriedade.
— ainda acha que pode fazer alguma coisa? – questionou a morena e o homem abaixou o olhar, se transformando novamente em sua forma humana, permitindo que a espada de madeira escapasse de suas presas.
— posso não ser o suficiente para você, mas eu não vou me... – o homem perdeu a voz ao erguer o olhar vendo que a mulher estava cercada por uma aura laranja, e que dez caudas igualmente laranjas eram projetadas de suas costas, feitas da mesma aura que a cercava.
— você não chega nem perto do suficiente, beta. Não contra os meus mil anos de vida. Eu não cheguei nem perto de usar metade dos meus poderes contra vocês – ditou a mulher, enquanto as pupilas dos seus olhos se afinavam, como as de uma fera.
— você realmente deve ser forte – confessou Victor vendo a mulher manter a aura ao seu redor.
— mas eu não posso desistir. Preciso me manter firme para honrar o meu bando. O que os outros bandos vão pensar se souberem que os betas do bando Hale desistiram antes mesmo de enfrentarem alguns ômegas? – argumentou o homem, surpreendendo Stiles ao erguer a espada de madeira contra a mulher.
— ele tem coragem ou muita burrice para erguer uma espada contra Kira – comentou o humano de cabelos castanhos sorrindo para a mulher, que segurava um rosnado.
Uma das caudas surpreendeu a todos ao avançar contra Victor. O homem a golpeou com a espada, a desviando, sendo surpreendido quando outra surgiu logo atrás da primeira. A cauda de energia se enroscou no pescoço do lobisomem, o erguendo no ar
— esse é o problema de vocês betas. Honra, honra, honra. Sempre com a sua maldita honra. Colocando essa desgraçada acima de tudo. – ditou a mulher erguendo uma das mãos, fazendo a sua cauda erguer ainda mais Victor no ar, antes de a jogar para baixo, fazendo a sua cauda descer com velocidade e força contra o chão, arremessando o beta no solo.
— você faz – ditou movendo a mão para o lado, arrastando o homem pelo chão – ideia – ela o jogou no chão mais uma vez – de quantos –Victor fora mais uma vez arrastado pelo chão – bandos – mais uma vez jogado no chão – já morreram em nossas mãos? – indagou mulher jogando Victor no ar, o acertando com uma das caudas e o jogando contra Bonnie e Tony, os separando.
— tudo isso por causa dessa sua maldita honra. O que tem de honrado em ignorar a força e a honra de alguém apenas por ele não seguir o seu maldito alfa? – indagou a Kitsune voltando a jogar o homem no ar, estendendo quatro caudas e as usando para golpear o beta repetidamente, o fazendo apenas suspirar de dor a cada golpe enquanto era jogado de um lado para o outro.
— ela consegue ser mais assustadora do que a reaper – comentou Joseph, um dos adolescentes derrotados por Ennis.
— ah, eu já tinha me esquecido – comentou Corey chamando a atenção dos ômegas ao ficar completamente invisível.
Stiles seguiu, calmamente, o castanho invisível com o olhar, o vendo se revelar diante de Joseph, que se encontrava abaixado ao lado de Vernon e Theo. O beta adolescente, assustado, acabou se desequilibrando e caindo sentado no chão da clareira, enquanto via a enorme língua do outro adolescente deslizar pelos lábios sorridentes do mesmo, ao mesmo tempo em que balançava diante do olhar predatório do castanho para o louro.
— ei, Joseph, o que está fazendo aí sentado? Não foi você que disse que iria nos chutar para fora do seu território? – questionou o Bryant e sua língua parou de balançar como a cauda de um gato, passando a dar a volta no pescoço do outro, sem se quer encostar em sua pele., deixando um espaço considerável tanto entre ela e o corpo de Joseph, como entre as camadas do membro que faziam voltas no pescoço do beta em uma espiral ascendente.
— não seja tão duro com ele, Corey. Ele é só um garoto sonhador – disse o conde Stilinski, chamando a atenção do seu beta, que virou o rosto para lhe encarar, mantendo a língua viscosa ao redor do pescoço do beta de cabelos louros.
— mas isso não é desculpa para nos chamar de fracos! – exclamou o kanima, visivelmente indignado.
— você terá a sua chance de provar a sua força. Guarde a sua vontade de se revelar até lá – falou o humano voltando a olhar para a luta, percebendo que Kira já não mais batia no beta.
— você está sobre as vinhas de novo, mas elas não lhe agarram. Como faz isso? – indagou Derek, surpreso.
— é simples. Essas vinhas foram feitas para deter qualquer um que tentasse intervir na partida. Mas eu não tenho a menor intensão de entrar ali. Muito menos agora que a Kira ficou irritada – explicou o Bryant apontando para a Kitsune, enquanto se aproximava de Derek, sempre caminhando sobre as vinhas.
— honra é um assunto delicado para ela – sussurrou o rapaz antes de começar a caminhar na direção do próprio alfa.
— então admitem ter matado outros bandos? – questionou o moreno enquanto se erguia com o corpo dolorido. As caudas de Kira avançaram, o enlaçando pelo torso e o erguendo.
— o quê? Vai me dizer que o seu bando não tem as mãos sujas de sangue? Vai me dizer que nunca entraram em guerra? – indagou Kira com certo deboche em sua voz.
Victor pareceu perder os argumentos. Ele havia tocado naquele assunto tentando mostrar um lado negativo dos ômegas para os seus alfas. Tentando os fazer abrir os olhos. Mas ele falhou miseravelmente com a pergunta da Yukimura. Todo bando tinha as suas mãos sujas com o sangue de alguém. Era impossível pertencer ao mundo de lobisomens e criaturas mágicas sem se sujar com o sangue de alguém. Aquele mundo era violento e, de certa forma, caótico. Principalmente quando havia a interferência humana.
— sim. Nós nunca negamos que matamos os bandos que ousaram nos enfrentar. Mas eles sabiam que mereciam. No momento exato de suas mortes, eles compreendiam que fizeram por merecer. E, da mesma forma que eles nos subestimaram, nos os subjugamos; da mesma maneira que nos menosprezaram, nós os humilhamos; e, da mesma forma que nos ameaçaram, nós os esmagamos – ditou a mulher encarando a sua vítima com seriedade, enquanto todos os ômegas gargalhavam divertidos ao se lembrarem dos seus feitos.
— não somos os outros bandos – Victor falou com certa dificuldade devido a dor que sentia.
— por causa dessa sua maldita honra, o nosso alfa foi desrespeitado por outros bandos. Zombaram de nós apenas por sermos ômegas e até mesmo tentaram nos atacar. E o meu alfa apenas precisou erguer uma mão para que, da noite para o dia, o bando inteiro desaparecesse. Restando apenas cadáveres e os escombros de suas casas para indicar que alguém já viveu naquele lugar – disse a Kitsune ainda erguendo o homem, antes de abaixar um pouco o mesmo.
— então me diga: o que te faz diferente? O que faz o seu bando ser diferente? – indagou abrindo espaço por entre suas caudas para que sua mão alcançasse o pescoço do beta.
— vocês nos menosprezam, nos desrespeitam. Até mesmo tentaram nos atacar. Um de vocês, betas inúteis tentou atacar o nosso alfa. O que vocês tem de diferente? Eu lhe respondo: aquela família. – a mulher cuspiu as palavras com desprezo antes de apontar com a mão para a família Hale.
— o único motivo de ainda não estarem mortos é ela. O respeito que ela teve por meu alfa, a consideração que tiveram por ele. Isso foi o que lhes manteve vivo – respondeu ainda com desprezo.
— e agora, quem é o bando inútil? – indagou Kira antes de jogar o homem no ar, para em seguida unir duas de suas caudas, as transformando em uma mais grossa.
Ela usou essa cauda mais grossa para acertar o abdômen de Victor no ar e o lançar para fora do campo. As vinhas se quer precisaram fazer algo. Stiles apenas apontou com o indicador para a direção em que o beta voara e logo Erica correu até o homem, antes de saltar, o agarrando no ar. A loura flexionou as pernas e logo os seus pés acertaram uma árvore, fazendo a loura e o homem pararem de se deslocar no ar.
Kira caminhou pelo campo, sempre arrastando algum corpo com uma de suas caudas, antes de parar de frente para o bando Hale.
— é isso o que compõe a honra de vocês? Palavras vazias e fracassos? – indagou a morena erguendo seis de suas caudas, levantando os betas desacordados pelos pés, com exceção de Trevor, que era erguido pelos pulsos, já que ele estava acordado.
— desgraça... – o beta de cabelos castanhos fora calado quando Kira jogou todos no chão, diante do bando Hale, os expulsando do campo.
— devo considerar isso como uma ofensa? – questionou Benjamin encarando a morena com desconfiança.
— ah, cala a boca. É claro que é uma ofensa. Se está tão incomodado, venha me enfrentar. Pelo modo como o cachorro ladra, se quer deve morder – ralhou a kitsune balançando as suas caudas com velocidade.
— Kira, segure o regougo. Embora Benjamin de fato ladre demais contra nós, a família Hale ainda é nossa aliada. O noivado ainda está acontecendo. Então controle-se – repreendeu Stiles vendo, aos poucos, a aura laranja ao redor da kitsune sumir
— quem serão os próximos? – indagou a Yukimura reverenciando Talia e Alexander.
Os dois alfas se entreolharam, se questionando quais betas poderiam enfrentar aquela mulher.
— eu estava esperando por esse momento – ditou um dos betas, chamando a atenção do bando Hale quando um homem cruzou a multidão, marchando até as vinhas vivas.
— Alistair? – indagou Talia, surpresa, ao ver o homem com uma espada na mão.
— eu tenho esperado por esse momento desde que você chegou – ditou o homem desembainhando a própria katana, surpreendendo a maioria dos betas.
— o que pensa que está fazendo? – questionou Kira vendo o homem apontar com a espada para si.
— eu vou mandar você de volta para os pés do seu alfa – afirmou o louro de cicatriz no lado direito do rosto que cruzava da testa ao maxilar, passando por cima do olho, manuseando a espada com habilidade.
— Alistair, isso não é a sua oportunidade de vingança – repreendeu Alan vendo o homem golpear o ar com a espada em sua direção.
— não, não é. Mas a minha cicatriz está coçando por isso – afirmou Alistair antes de avançar contra a Kitsune golpeando a espada dela com a sua, ouvindo o som metálico do encontro entre as duas lâminas.
— sabe. Essa cicatriz... eu ganhei de uma kitsune há muito tempo, com essa mesma espada que tenho em mãos. Desde então eu só penso em retribuir o favor quando ela voltasse. Mas, enquanto ela não volta, eu uso você para testar o quanto eu fiquei bom com essa arma – disse o homem enquanto ele fazia força para empurrar Kira com a sua arma.
— então vamos acabar com isso para você voltar ao seu treino com espada o mais breve possível – ditou a morena recuando, permitindo que homem avançasse alguns passos, antes de se manter ereto.
— Kira vai massacrar ele – ditou Scott, cruzando os braços diante do peito.
— não tenho dúvidas disso – afirmou Allison sorrindo divertida para o beta, que avançou contra a mulher com velocidade.
As duas espadas colidiram, brevemente, antes de o homem girar o braço e tentar um golpe pelo outro lado, o qual fora facilmente bloqueado.
— com quem você pensa que... – Kira se calou quando não sentiu mais pressão alguma em sua katana.
Alistair havia preparado um segundo golpe, agora tendo a perna da kitsune como alvo. A lâmina de Alistair rasgou o vento com força quando Kira deu um mortal para trás.
— não vai escapar! – exclamou o louro começando uma série de golpes com a espada, os quais cortavam apenas o ar, já que a kitsune seguia dando uma série de mortais para trás.
Logo a morena alcançou o limite do campo. Apenas mais um mortal para trás e ela estaria sendo envolvida pelas vinhas. Alistair sorriu, apertando o agarre de seus punhos na empunhadura da katana.
“É agora!”
Pensou o homem avançando com velocidade com a katana apontada para o peito da mulher.
Para a surpresa e ódio de Alistair, a kitsune repeliu o seu golpe com a própria espada, jogando a espada de Alistair para o lado, fazendo a lâmina passar ao lado do seu corpo. O homem girou o próprio corpo, tentando um novo golpe, sendo surpreendido, assim como todos, quando a sua espada simplesmente cortou a espada de Kira ao meio, assim como o corpo da Kitsune.
— merda! – exclamou Derek ao ver o corpo da mulher ser atravessado e dividido pela espada.
O beta até deu um passo para a frente, preocupado, mas parou quando olhou bem para corpo da mulher raposa. O rosto de Kira começou a ser marcado por rachaduras, antes de tomar uma cor avermelhada. As marcas se espalharam de forma a delimitar áreas pequenas e de formato singular. As rachaduras começaram a se flexionar para o interior das pequenas áreas quase redondas. Alguns pedaços da pele da kitsune se soltaram do corpo, passando a cair lentamente, dançando no ar com a ajuda do vento. Em um segundo o corpo da ômega estava partido ao meio, estando o torso se inclinando para o lado, indicando que iria cair; no outro, o corpo da raposa se desfez em pétalas de rosas tão vermelhas e escuras que beiravam o roxo escuro, quase preto.
— mas o que é isso? – indagou Derek antes de o vento tomar força, se movendo de forma circular, fazendo as pétalas fazerem a curva no campo de batalha e seguissem na direção de Jackson, Theo e Boyd, subindo pouco antes de os atingir.
Alistair franziu o cenho, se concentrando no mundo a sua volta, antes de mover a espada para trás, quase a apoiando no ombro. Em meio a dança das pétalas vermelhas, o corpo de Kira surgiu, com a katana apontada para o pescoço do beta, e com o olho a centímetros da lâmina de Alistair. O homem encarou o conde Stilinski com seriedade, se concentrando em sentir e ouvir Kira.
— o seu poder de ilusão é bom – afirmou o homem antes de os dois recolherem suas espadas.
— você tem treinado bem os seus ouvidos. – comentou a morena se posicionando de frente para o homem e admitindo uma pose de batalha.
— eu conheço os seus poderes. Sou imune as suas ilusões – argumentou o homem imitando a pose da mulher.
— não. Você pensa que conhece. Há uma grande diferença – ditou a Yukimura antes e avançar contra o beta.
As duas lâminas se encontraram, antes de serem afastadas. Kira tentou um golpe pela direita, movendo a arma acima de sua cabeça, antes de a descer com velocidade, mas Alistair defendeu o golpe. Os dois afastaram as lâminas, se preparando para um novo golpe.
A disputa de espadas fora bem acirrada. Alistair surpreendeu muitos com a sua habilidade com a arma, até então desconhecida. O homem, mais uma vez, certo do seu golpe ser concretizado, segurou a espada com uma mão, enquanto segurava um dos braços de Kira.
A kitsune golpeou a lâmina de Alistair próximo a base, e girou a mão, movendo as duas espadas. O beta se viu surpreso quando, com uma só mão, a mulher lhe desarmou, lançando a sua espada para trás. Desesperado, Alistair golpeou o rosto de Kira com a mão, agora livre e correu até a sua espada, que se encontrava jogada ao lado da espada de madeira da mulher, que estava ali desde a luta contra Victor, que acabou a largando no campo.
Kira se recuperou e correu atrás do beta. Alistair alcançou a sua espada em tempo de girar o corpo e desferir um golpe horizontal no ar, tentando partir a mulher ao meio. A kitsune rolou no chão, desviando do golpe, passando pelo homem e agarrando a espada de madeira.
— você já perdeu! – exclamou Alistair voltando a golpear a morena horizontalmente.
Kira golpeou a espada do homem com as suas duas espadas, surpreendendo a todos quando a espada de Alistair se quebrou, tendo a lâmina partida ao meio. O louro, perplexo, encarou a lâmina de sua espada cair ao seu lado. Mas, ao invés de a ponta afiada perfurar o chão e se manter ereta, ela apenas acertou o chão e caiu deitada.
— mas o quê? – indagou Alistair, confuso com a situação.
— é a prova de que você apenas pensa que sabe dos meus poderes – afirmou a Kitsune apontando com a espada de madeira para o homem, erguendo o queixo do mesmo com a lâmina de madeira.
— como ela fez isso? – questionou Theo, surpreso.
— você mexeu com a minha cabeça – acusou Alistair e logo a espada de madeira que era apontada para o seu pescoço se revelou ser a sua katana, quando pétalas de rosas escuras se mostraram envolvendo a espada antes de voarem com o vento. A mesma espada que todos pensaram ter se quebrado agora estava ali, em posse da kitsune. Quando olharam para a mão de Alistair, notaram que a espada que ele segurava era a de madeira, vendo pétalas de rosas também se soltando da superfície da arma.
— como fez isso? – questionou o homem olhando para a mulher a sua frente.
— a pergunta deveria ser “quando”. Assim que eu lhe desarmei, você olhou para mim e não para a sua arma. Assim que ela caiu no chão, eu a transformei em madeira e a madeira em lâmina. Foi nessa hora que você me bateu. Naquele momento, eu sabia que você não saberia qual era a verdadeira – explicou a Kitsune vendo o beta segurar um rosnado, furioso.
— maldita! – rosnou o louro, flexionando minimamente as pernas.
— não! – repreendeu a morena fazendo a lâmina da espada encostar no pescoço do beta.
Um filete de sangue desceu pelo pescoço de Alistair.
— tsc! – foi tudo o que o beta soltou antes de se ajoelhar.
— você perdeu no momento em que me golpeou no rosto. Sabe o quão difícil é, para alguém da minha idade, manter essa beleza jovial? – ditou a Yukimura e o homem anunciou a derrota em voz alta.
— certamente ter mil anos de idade tem as suas desvantagens – murmurou o louro de cicatriz, se erguendo.
— não sei o que a outra kitsune fez com você, mas você tem que melhorar um pouco mais se quiser ganhar dela. Você não é ruim. Mas ainda tem muito o que melhorar – disse a kitsune jogando a espada de Alistair para cima para em seguida agarrar a arma pela lâmina, estendendo a empunhadura para o homem.
Alistair analisou bem a morena, antes de segurar a espada com firmeza. O louro soltou uma lufada de ar pelo nariz, antes de se erguer. Sem dizer mais nada, o beta se retirou do campo, enquanto analisava a própria espada com um olhar pensativo.
— quem devemos mandar agora? – indagou Alexander, pensativo.
— mestre – pronunciou Kira, chamando a atenção de todos, enquanto se virava para o conde e se ajoelhava.
— sim? – respondeu Stiles encarando a morena abaixar a cabeça.
— peço permissão para me retirar – pediu a Yukimura surpreendendo ao bando Hale, que não esperava que a mulher fosse desistir tão cedo.
— já?! – indagou Liam, desconfiado.
— essa última luta foi do meu agrado. Me divertiu. Quero me manter assim. Lutar mais iria apenas me frustrar – explicou Kira vendo o louro mais jovem menear em compreensão.
Stiles sorriu de canto, estendendo a mão, suavemente, para a mulher, que sorriu gentilmente antes de se erguer e caminhar na direção do castanho, acolhendo a mão do rapaz com a sua. Stiles se curvou para a Kitsune, beijando, suavemente, a mão da mesma.
— você foi magnífica, como sempre – elogiou o humano vendo a kitsune sorrir largo e se curvar para lhe beijar a mão.
— tudo por você — proferiu a Yukimura o reverenciando mais uma vez antes de se colocar ao lado dos companheiros de bando.
— e então? Quem será o próximo? – questionou Talia vendo o conde sorrir para si.
— ela é tão forte – comentou Derek, pensativo.
— ela é uma kitsune, no final das contas – falou Alexander apertando o ombro do filho suavemente.
— ela afirmou ter mil anos de vida. Esses poderes não são o máximo que ela pode fazer. Kitsunes podem ter vários poderes. Como o controle de elementos, a capacidade de criar ilusões e tomar a forma de qualquer mulher – explicou o Hale mais velho vendo a Yukimura ajustar o próprio cabelo, enquanto se colocava de pé ao lado de Allison, que a encarava com um sorriso vitorioso.
— em qualquer mulher? – indagou Derek curioso.
— se ela quisesse, poderia ter se transformado em sua mãe e tentar os fazer desistir apenas com o diálogo. Mas ela preferiu a força do que a estratégia – comentou Alexander enquanto via o conde Stilinski olhar para os próprios betas, pensativo.
— vamos continuar – disse Stiles, sorrindo ladino, antes de estalar os dedos e apontar para o lado.
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