The Engagement
42 Vez
Derek olhou com atenção quando o louro de cabelos cacheados passou a caminhar na direção do campo de vinhas com os braços cruzados atrás do torso, como um servo que tinha o maior orgulho do mundo em servir ao seu mestre.
— vamos logo com isso. O meu alfa tem coisas importantes para fazer – ditou o Lahey ainda com os braços atrás do torso, elegantemente.
Instantaneamente, um burburinho surgiu no bando Hale. Alguns membros da alcateia de maior população passaram a comentar, em sussurros, sobre como o ômega os assustara na mansão Hale. Eles ainda se lembravam de quando o louro de cabelos cacheados atravessou todo o corredor, desviando de todos os ataques.
— ih, eu vou é me sentar – ditou Erica enquanto olhava bem para o gramado ao eu redor.
— gostaria de um acento? – questionou Kira, se virando para o adolescente de cabelos castanhos, o vendo negar com a cabeça.
— eu estou bem – respondeu o conde e logo Scott se ajoelhou ao seu lado.
— se quiser qualquer coisa, providenciarei imediatamente, meu senhor – disse o moreno enquanto abaixava a cabeça em total submissão.
— gostaria de beber ou comer algo? Já está tarde e há passado a hora em que comes todas as noites — indagou a Yukimura vendo o alfa humano franzir o cenho em sua direção.
— uma fatia de bolo com vinho seria um aperitivo demasiadamente apreciável – falou o conde e, no mesmo instante, Scott se ergueu, passando a caminhar na direção da mansão Hale.
Antes mesmo de se afastar demais da clareira, o McCall parou, ergueu os ombros por um segundo, como se questionasse a si mesmo e respondesse o próprio questionamento em seguida. O ômega de olhos castanhos e queixo torto se virou para o bando Hale e passou a se aproximar do mesmo.
Os betas iam abrindo caminho para o ômega a cada passo dado pelo mesmo. Scott mal os encarava. Apenas seguia firme em seus passos com o queixo erguido. Ele sabia que a reação do bando Hale era gerada por sua vitória sobre os betas do mesmo. Quando a imagem de Derek se formou a sua frente, em meio aos betas, o ômega parou.
Derek não estava acostumado com aquilo.
O ômega simplesmente levou uma das mãos para trás da cintura, antes de se curvar para si, em sinal de respeito. O moreno de olhos verdes engoliu em seco, nervoso.
— deseja algo para acompanhar o meu senhor em seu aperitivo? – indagou o ômega antes de voltar a erguer o torso vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar um tanto nervoso.
Derek não sentia fome. Estava nervoso demais para isso. Por outro lado, ele temia acabar sendo mal educado com o ômega. Sem contar que durante a madrugada era o momento em que ele e o noivo tinham para interagir em paz, sem ninguém os espreitando ou os encarando. Embora a tão apreciada paz e privacidade não fossem existir ali.
— ah... Apenas um pouco de vinho, se não for incomodar – pediu o Hale vendo o McCall menear positivamente e se retirar.
— podemos começar ou não? – indagou Isaac voltando a atenção alheia para si.
— esse é comigo – ditou Peter impedindo que Alexander pronunciasse o nome de qualquer beta.
— Kalus, Wanda, Steve, Logan, Mac. É com vocês – falou o louro mais velho vendo os seus betas se alongarem antes de adentrarem o campo delimitado pelo druida do bando.
— ficamos sabendo sobre você. Dizem que você é muito rápido – comentou Wanda enquanto rondava o louro de cabelos cacheados.
— será que eu consigo ser mais rápido do que essas línguas descontroladas? – inquiriu o Lahey vendo os lobos do bando Hale lhe cercarem, girando ao seu redor.
— a pergunta que fica é: você é mesmo tudo isso? Fomos treinados por Peter, um dos melhores de luta de todo o bando. Talvez você não seja nada... – Kalus provocou mas fora rapidamente calado quando, ao se aproximar, recebera um soco certeiro em seu nariz.
— a sua voz me irrita. O seu bando não ganhou nenhuma das disputas até agora. Quando você vai entender que nós somos mais fortes? – indagou o louro de cabelos cacheados, colocando as mãos nos bolsos de sua calça.
Os betas avançaram sem misericórdia. Todos de uma vez. Isaac os surpreendeu desviando de todos os golpes e garras afiadas sem retirar as mãos do bolso em momento algum. O Lahey era, realmente, rápido e tinha uma incrível habilidade de saber se mover em locais com pouco espaço. Derek já havia presenciado as habilidades do ômega antes. Isaac atravessara um corredor cheio de betas sem sofrer nada, apenas usando de sua velocidade, deixando todos perplexos, incluindo Talia e Peter.
O louro de cabelos cacheados girou sobre o calcanhar esquerdo, passando ao lado de um beta, desviando do soco do mesmo, antes de erguer a perna e acertar o joelho no abdômen do adversário, o surpreendendo. Wanda correu até o Lahey, tentando o pegar desprevenido durante o golpe que o parceiro recebia. Mas o ômega fora mais rápido, dando um passo para trás, após inclinar o torso para a mesma direção. As garras de Wanda passaram por sobre o companheiro, diante de Isaac, este que jogou a cabeça para trás, antes de acertar com a mesma na mulher, golpeando a face da outra.
Wanda se permitiu cair sobre o companheiro, Logan, devido a tontura. Os dois demoraram um pouco para se recompor dos golpes que receberam.
— caramba! – exclamou Garret vendo o ômega se afastar da dupla a passos calmos, enquanto Steve saltava sobre os dois, avançando contra Isaac.
— e vocês estavam fazendo pouco caso dele – comentou John, ao lado do louro, o surpreendendo.
Garret tentou argumentar mas sempre que abria a boca, nada saía. Ele não tinha argumentos. Se lembrava bem de quando comentara com Jackson que achava uma loucura completa por parte dos alfas vender a mão do filho por apenas onze aliados. Mas, agora, pela primeira vez, ele via que o número de membros de um bando não significava a sua força.
Steve rugia enquanto avançava com as garras a mostra. Isaac apenas sorriu de canto antes de prender o fundo do seu sapato esquerdo, com o bico do direito, erguendo levemente o calcanhar. Quando o moreno de olhos castanhos se aproximou mais, o ômega se moveu.
Jogando a perna esquerda para cima, abrindo bem os membros inferiores, o louro acertou o sapato na face do moreno, o surpreendendo. Steve fechou os olhos brevemente, não vendo o momento em que Isaac abaixou a perna esquerda e a retraiu, se preparando para chutar algo com força. O impacto do pé de Isaac no rosto do beta surpreendeu a todos, fazendo alguns soltarem exclamações de dor solidária assim que Steve teve o torso jogado para trás e os pés erguidos, caindo deitado no chão rapidamente.
Isaac fora surpreendido por uma presença violenta atrás. O louro apenas teve tempo de olhar por sobre os ombros, antes de um pé lhe atingir a lateral do pescoço, lhe fazendo rolar para o lado.
— peguei! – exclamou Mac em sua forma bestial, fazendo os lobos do bando Hale soltarem exclamações
O Lahey conseguiu parar o movimento do seu corpo, colocando os dois pés no chão e os flexionando. O ômega ergueu um olhar sério para o beta ruivo, o vendo entrar em posição de batalha, indicando que estava pronto.
— vejo que alguém aqui é bem rápido e sorrateiro quando muda de forma – disse o louro enquanto se erguia devidamente.
— nós vamos acabar com a sua raça, ômega – falou Mac enquanto começava a caminhar na direção do adversário com calma.
— eu já estou perdendo a paciência – comentou Isaac enquanto encarava o próprio alfa, que apenas acenou para si com a cabeça em confirmação.
O Lahey sorriu ladino e a explosão surgiu.
No mesmo instante, todos os lobos ali presentes, com exceção dos alfas do bando Hale e os ômegas, se curvaram para a frente. Joelhos flexionados, garras a mostra, mãos erguidas, olhos atentos e presas expostas. Das gargantas de todos, um rosnado rouco, quase baixo, era emitido. Era como se eles não tivessem força ou coragem para rosnar.
Isaac sorria vitorioso ao ver Kalus, o beta tagarela, simplesmente se ajoelhar em sua presença, enquanto recuava, encolhido e abaixado.
O louro inclinou a cabeça para o lado, exibindo os dentes em um sorriso predatório.
— então os outros ainda conseguem se manter de pé? Vocês são melhores do que eu tinha imaginado – comentou o Lahey colocando os braços para trás e unindo as mãos.
— é uma sede de sangue incrível para alguém tão jovem – comentou Benjamin, surpreso.
Ele se viu em choque quando a explosão do cheiro do outro espalhou a sede de sangue do mesmo, em um alerta claro de perigo.
— ele ainda não está em seu máximo – afirmou Peter, sorrindo ladino.
O louro estava adorando aquele bando de ômegas. Cada vez que um ômega adentrava aquele campo de batalha feito por Alan, o homem sentia uma vontade quase incontrolável de lutar. E presenciar a sede de sangue de Isaac era algo bastante excitante. Ele queria avançar. Queria lutar. Queria poder medir suas habilidades com as daqueles ômegas.
Mas ele sabia que deveria esperar.
Deveria esperar não apenas para manter o foco dos seus betas, como também para enfrentar algo melhor. Pois ele sabia que se Isaac estava na luta agora, era porque os outros que esperavam por sua vez eram ainda melhores do que ele.
— como assim ele não está no seu máximo? – questionou Benjamin, surpreso, olhando brevemente para Peter, antes de voltar a olhar para o ômega.
Isaac encarou o Boyd por sobre os ombros, sorrindo divertido, antes de lançar uma piscadela para o homem.
O Lahey jogou a cabeça para o lado, fazendo o seu pescoço estalar. Com o som dos ossos do ômega, outra explosão de sede de sangue ocorreu, intensificando ainda mais o temor dos betas para com aquele homem.
Theo se viu de joelhos, encarando o ômega no centro do campo de batalha, surpreso, assim como a maioria dos betas do bando Hale. Derek teve que se inclinar para a frente, em uma pose defensiva, para não se ajoelhar. Isaac dava medo, ele tinha que admitir. O Hale olhou para o próprio bando, vendo que mais da metade dos lobos ali presentes havia se ajoelhado, tentando se manter no controle de seus corpos, que não paravam de tremer.
— mas o que diabos é você? – indagou Wanda, aterrorizada.
— sabe? O nosso alfa nos dá cores de acordo com as nossas habilidades. Ele é o Homem de Vermelho, Allison é a Prata, Scott é o Azul e eu sou o Roxo. – falava o louro enquanto caminhava na direção dos betas, que, acuados, passavam a se afastar ainda abaixados.
— e-e o que isso tem a ver com você? – indagou Wanda, receosa.
— a minha cor é o roxo, pois é a cor que todos enxergam em meus olhos, quando eu libero toda a minha sede de sangue – explicou o louro e todos os betas do campo de batalha desviaram os olhares para os olhos do louro, os vendo azuis.
— m-mas estão azuis – argumentou Kalus, confuso.
— eu não disse que estava usando a minha sede ao máximo, disse? – indagou Isaac, travesso, vendo o homem lhe fitar abismado.
Isaac gargalhou alto, assustando ainda mais os betas em campo.
— para a vossa informação, de todos os ômegas do meu bando, Isaac é o mais sanguinário. A sua sede de sangue chega a pressionar até mesmo alguns alfas – comentou o humano de braço queimado vendo os betas desviarem o olhar para os alfas, vendo que todos se mantinham eretos, com exceção de Laura, que era uma semi-alfa e se encontrava minimamente inclinada para a frente.
Isaac voltou a ser o centro das atenções quando ele avançou contra Kalus. O beta, assustado, se jogou para trás, não percebendo onde se encontrava posicionado. Assim que tocou o chão, o homem fora surpreendido quando as vinhas lhe enlaçaram a cintura. Ele havia se jogado na armadilha do druida. Desesperado, tentou se erguer, mas as vinhas já haviam tomado os seus braços, seguindo para o torso.
Isaac riu, divertindo-se com o desespero do lobo a sua frente.
— vamos, levantem-se. Me divirtam – ditou o louro e logo a sede de sangue do mesmo desapareceu.
— por que você parou? – indagou Wanda, confusa.
— se eu ficar apenas usando a minha sede de sangue, as pessoas nunca irão lutar comigo. – respondeu o Lahey dando de ombros.
Isaac voltou a sentir uma presença violenta atrás de si, como se alguém estivesse com a sede de sangue direcionada especificamente para si. Mac tentou chutar a nuca do louro e o fazer desmaiar, mas o seu tornozelo fora alvo do braço do ômega, que bloqueou o ataque com o membro, surpreendendo o beta. O homem caiu no chão, atrás do beta do conde, se afastando em um salto logo em seguida, vendo o louro de cachos lhe fitar por sobre o ombro.
— é uma pena, mas, uma vez que eu esteja ciente de sua velocidade, ela deixa de ser efetiva contra a minha pessoa – explicou o ômega antes de avançar contra o homem.
“Que rápido!”
Pensou Mac assim que o ômega se encontrava diante de si, a poucos centímetros, já com o joelho sendo direcionado ao seu abdômen. Mac levou as mãos ao joelho alheio, tentando bloquear o ataque. Foi naquele momento em que o homem se permitiu ser acertado por Isaac.
Com as mãos sendo posicionadas diante do corpo de mal jeito, devido ao desespero, o homem permitiu que Isaac, ao abrir a perna, trocando a joelhada por um chute, danificasse o seu braço com o golpe. O Lahey não chegou a quebrar o osso do braço do outro, mas havia chegado perto. Mac soube disso assim que a dor em seu braço cresceu.
O homem cambaleou para o lado, levando a mão do braço ileso ao membro atingido, tentando amenizar a dor. Foi assim que Isaac, girando o corpo, voltou a lhe acertar um golpe, desta vez com o calcanhar, no outro braço.
O beta rugiu de dor, antes de tentar levar a mão ao braço, sendo surpreendido quando o primeiro braço atingido doeu mais ainda com o movimento. Sem opção, Mac apenas se abaixou, deixando os braços caírem com a ausência de movimento. Ele não podia mover os membros devido a dor dos seus ossos danificados.
Isaac sorriu ao erguer a perna direita ao ar, pronto para golpear o beta com o calcanhar ao descer o membro com força. Steve correu na direção das costas de Isaac, vendo ali a chance que esperava. O homem saltou, direcionando o pé esquerdo para a coluna do louro. Aquele ataque não seria capaz de quebrar ou danificar a mesma, debilitando o louro, mas seria o suficiente para o ômega passar um tempo com dor nas costas, limitando os seus movimentos durante o combate.
Para a sua surpresa, Isaac girou sobre o próprio pé, agarrando a sua perna e permanecendo a girar, lhe balançando no ar. Quando o louro de cachos iria usar Steve como arma para acertar Mac, ele fora pego de surpresa quando algo parou o beta em suas mãos. Ao olhar para trás, o ômega pôde ver Wanda, segurando os braços de Steve, o impedindo de acertar Mac, que se encontrava indefeso sem os seus braços.
Isaac sorriu, travesso.
Mac desferiu uma rasteira no ômega distraído, o levando ao chão. Isaac, com o susto, acabou soltando Steve, que fora afastado de si por Wanda, enquanto Logan corria até o ômega e desferia um chute no rosto do mesmo, o fazendo cuspir sangue e permanecer jogado no chão, imóvel.
Mac se ergueu, se afastando, assim como Logan e Wanda. Todos com os olhos fixos no ômega jogado ao chão .
Todos os ômegas ergueram as sobrancelhas para os betas, os vendo totalmente concentrados em Isaac. Stiles sorriu antes de passar a bater com a mão no próprio peito, chamando a atenção de todos.
— devo parabenizar-lhe, Peter. Os seus betas, de fato, se mostram bem treinados frente a um adversário. Eles não baixaram a guarda para o meu ômega desde que viram do que ele é capaz. Eles não se deixam levar pela aparência da situação. Meus parabéns. Eu estaria aplaudindo com as duas mãos, mas, infelizmente, o meu braço ainda se encontra debilitado – ditou o conde chamando a atenção do bando Hale para si, com exceção dos betas em campo.
— isso é uma tentativa de distração, garoto? – indagou Garret vendo o castanho de braço queimado ignorar completamente a sua existência.
— está tentando favorecer o seu ômega de alguma forma? – questionou o pai de Braeden vendo o conde lhe ignorar para se focar em Peter, que sorriu com o elogio.
— ele não precisa disso – ditou Derek chamando a atenção do seu ex-sogro.
— escuta! Eu sei que ele é o seu noivo e você deve zelar por ele, mas trapaça já é demais – Garret argumentou encarando Derek, mas ele logo teve a sua atenção chamada quando os ômegas passaram a gargalhar.
— esse vai ser fácil – ditou Corey passando a língua pelos lábios, travesso.
— ele não precisa distrair ninguém, porque ele sabe que o Isaac está apenas brincando – argentou Derek sem desviar os olhos do ômega de cachos, que passou a tremer no chão.
— então você percebeu – comentou Talia imitando o ato do filho.
A verdade era que os alfas em peso se encontravam com os olhos fixos em Isaac, que continuava a tremer no chão. Garret iria questionar do que a mulher estava falando, mas a risada do Lahey lhe chamou a atenção. Isaac gargalhava, no chão, enquanto começava a se erguer. Os betas de Peter entraram em posição de combate, ao mesmo tempo em que o homem de cabelos cacheados se apoiava nos próprios joelhos, ainda se erguendo.
— então você percebeu – Isaac repetiu as palavras de Talia, antes de sorrir travesso para Derek.
— percebeu o quê? – questionou Jackson, confuso, para Vernon, que também não sabia do que eles estavam falando.
— aquele homem mal usou as mãos – respondeu Miranda, com os olhos escarlates fixos no louro.
— espera... O quê? – indagou Garret, confuso.
— ele quase não usou as mãos?! – indagou Mason surpreso.
— vocês estão mesmo assistindo a luta? – questionou Liam, indignado.
Os betas engoliram em seco, envergonhados. Não era como se eles estivessem habituados a ver um ômega lutar. Os betas não sabiam até onde aquele homem podia ir. O louro de cabelos cacheados sorriu largo antes de bater com as mãos na própria roupa, a limpando da sujeira do chão que havia ficado em suas vestes.
— tudo bem, tudo bem. Vamos continuar logo. Como eu disse, o meu alfa tem compromissos pela manhã – ditou o homem de cabelos cacheados entrando em posição de batalha.
Instantaneamente, os betas de Peter mudaram para as suas formas bestiais.
Isaac sorriu fechando os olhos.
Wanda avançou com fúria, aproveitando o momento de descuido do ômega. Isaac apenas abriu os olhos quando o punho da beta estava a centímetros do seu rosto. Com uma mão, o Lahey agarrou o pulso da mulher e girou o braço da mesma, a lançando de costas no chão ao fazer com que ela também girasse no ar.
Antes mesmo que Wanda pudesse fazer qualquer movimento, Isaac chutou o rosto da mulher três vezes, a fazendo desmaiar. Steve avançou com fúria, sendo surpreendido quando o Lahey usou o corpo de Wanda como arma. Se abaixando, o beta desviou do corpo da companheira de bando. O ômega soltou a beta, fazendo o corpo desacordado cair sobre as vinhas do druida e ser abraçado por elas.
Steve socou o torso do Lahey, mas fora bloqueado pelo joelho do adversário. Mac surgiu atrás de Isaac, saltando e girando o corpo, tentando acertar um chute veloz na nuca do ômega. O louro se abaixou, fazendo o golpe de Mac acertar o rosto de Steve, que cambaleou para trás com as mãos no rosto. Isaac gargalhou alto, antes de acertar um soco potente no peito de Mac, o fazendo cair para trás.
— isso é desapontador – afirmou o louro caminhando calmamente até Mac.
— filho da mãe – rosnou o beta tentando acertar uma rasteira no ômega, aproveitando que estava deitado e o outro estava no alcance de suas pernas.
Isaac nem mesmo se deu ao trabalho de desviar. O louro apenas ergueu a perna direita, acertando o tornozelo do adversário, o quebrando.
— mas que estúpido! A sua maior arma é a velocidade e você sacrifica as suas pernas tão facilmente?! – indagou o ômega enquanto ouvia o beta urrar de dor, erguendo a perna o máximo que podia para levar as mãos para perto do ferimento.
— vou fazer o favor de lhe livrar da dor por um tempo – anunciou o Lahey e tudo o que Mac viu antes de o seu corpo amolecer fora o pé do ômega se aproximando de seu rosto com velocidade.
— mais um para a conta – ditou o louro se abaixando e agarrando o pescoço do beta, que retornara para a forma humana, com a mão direita.
Ao erguer o corpo do beta, o Lahey fora surpreendido quando as mãos e as pernas do mesmo lhe envolveram o braço com força. Pego de surpresa, o ômega fraquejou no ato, permitindo que o outro tocasse o chão novamente.
— você... – o ômega sussurrou ao ver o beta se transformar em sua forma bestial novamente e cravar as garras em seu pulso.
— não vou deixar que me jogue para fora tão fácil! – exclamou o beta com determinação.
Isaac sorriu ladino antes de começar a gargalhar alto, surpreendendo a todos. Mac olhava confuso para o ômega enquanto se mantinha agarrado ao braço do mesmo. O louro de cachos lançou um olhar predatório na direção do beta agarrado ao seu braço, o vendo engolir em seco. Lambendo os lábios, o Lahey se ergueu, enquanto erguia o beta preso ao seu braço, o vendo lhe fitar surpreso. Isaac ergueu o braço com o qual agarrava o adversário, chamando a atenção de todos para a sua força.
— mas o que ele... – Garret força interrompido em seu questionamento quando Isaac desceu o braço com força, se abaixando.
As costas de Mac atingiram o solo com tanta força que o único gemido que o homem conseguiu emitir fora completamente mudo. Mac não tinha forças nem mesmo para gemer, mais. Se recebesse outro golpe daqueles, não teria mais forças para se manter preso ao braço do ômega.
Quando Isaac ergueu Mac mais uma vez, se preparando para o jogar contra o solo mais uma vez, usando o próprio braço de clava, ele fora surpreendido por Logan, que se agarrou ao seu outro braço, o forçando para trás. O louro olhou brevemente para o beta, antes de voltar a se erguer, surpreendendo Logan. Se Isaac conseguisse realizar outro golpe daquele contra o chão, Mac com toda a certeza não aguentaria.
O ômega, mesmo com o braço imobilizado para trás e a mão de Logan em seu ombro, conseguiu erguer Mac mais uma vez. Steve avançou contra Isaac, o abraçando por trás, imobilizando o braço do homem e a cabeça do adversário, ao mesmo tempo em que impedia que o mesmo se abaixasse por estar abraçado ao torso dele.
— agora você é nosso! – exclamou Logan enquanto via os olhos do louro de cachos varrerem o ambiente com velocidade.
O beta que segurava o braço e ombro de Isaac, passou por cima do membro, girando o mesmo, deslocando o ombro do Lahey. Como Steve conseguia imobilizar os dois braços de Isaac, Logan se permitiu focar apenas no pulso do louro de cachos, para que, com o pé, pudesse chutar o rosto do ômega várias vezes. No sétimo chute, Isaac desviou o olhar para Logan, o vendo se focar apenas em lhe chutar mais forte. Quando o próximo chute veio, Isaac jogou a cabeça para trás, permitindo que a perna do beta passasse por si, acertando a perna do beta que ele erguia, o fazendo se soltar com a dor. Ao ver havia cometido um erro em seu movimento, Logan tentou retrair a perna, mas as presas de Isaac lhe impediram. O grito de dor veio acompanhado da explosão do cheiro ameaçador do Lahey. Ao olhar para os olhos de Isaac, o beta se viu tão apavorado que acabou por gritar de medo ao perceber a cor azul nos olhos do adversário.
Isaac soltou a perna de Logan, que tratou de se afastar do louro, desesperado. Steve, apesar do medo, apenas apertou mais ainda o seu agarre no outro, tentando, ao máximo, o impedir de se mover. Mac, que já se encontrava sem ar, se debatia para que o Lahey lhe soltasse, o olhando assustado devido a sede de sangue que o outro liberava.
— eu não vou lhe soltar! – exclamou Steve, apertando o outro o mais forte que podia.
Isaac apenas sorriu.
— brincadeirinha! – exclamou o ômega reprimindo a sede de sangue imediatamente, deixando todos confusos.
Logan, receoso, apenas entrou em posição de defesa e não ousava se aproximar. Mac simplesmente desmaiou devido a falta de ar, fazendo com que o ômega lhe largasse, permitindo que o seu corpo caísse no chão. Steve, confuso, acabou diminuindo consideravelmente a força do seu agarre no ômega. Instantaneamente, a expressão do membro do bando Stilinski mudou de extrovertida para convencida. Quando os músculos de Isaac quase triplicaram de tamanho, Steve percebeu a besteira que havia feito. Em um movimento brusco e forte, Isaac de soltou dos braços do beta quase que sem resistência alguma. Steve ainda estava pasmo pelo choque de ter vacilado tão facilmente. Ao se soltar, instantaneamente, Isaac girou sobre os próprios pés e agarrou o pescoço de Steve com força, retornando para a forma humana completa, ao mesmo tempo em que puxava o beta para si.
Uma cabeçada fora o suficiente para deixar o outro tonto. Uma joelhada na boca do estômago fora o necessário para fazer com que o beta se curvasse para a frente, exibindo a nuca para o louro. O Lahey não resistiu a tentação e ergueu o pé o mais alto que podia, antes de o descer com violência, acertando o calcanhar na nuca de Steve. O beta teve os olhos arregalados ao sentir a dor forte em sua nuca. Fora ali, naquele momento, míseros segundos antes de desmaiar, que Steve soube que ele, juntamente com todo o seu bando, haviam formado um preconceito sobre os ômegas. Com o olhar fixo no bando de ômegas, devido a posição em que se encontrava, enquanto sentia as pálpebras pesadas se fechando, Steve pôde ver claramente, várias sombras com luzes coloridas e brilhantes na altura da cabeça.
— mas que porra! Ele usa esse golpe como se fosse fácil! – exclamou Garret, irritado.
— é porque para ele é fácil. Isaac, claramente, se aperfeiçoou em usar as pernas para combate. São poucos os momentos em que ele usa os punhos – ditou Peter vendo o louro de cachos passar a mão pelos mesmos, antes de lançar um olhar sedutor e predatório para Logan.
— só restou você. Pretende continuar ou desistir? – indagou o ômega vendo o beta cerrar os punhos com ódio.
— prefiro perder de forma digna do que admitir a minha derrota e sujar a minha honra – ditou com fúria já entrando em posição de batalha.
Isaac suspirou, mantendo a pose com a mão nos cabelos, o que acabava por despertar a atenção de algumas pessoas para a beleza do ômega. A maioria do bando temia tanto aquele pequeno grupo de ômegas, que acabavam por se esquecer completamente de como eles eram jovens e bonitos.
— não existe honra em enfrentar alguém mais forte e não reconhecer a sua força – disse o louro passando a mão completamente pelos cabelos, antes de a apoiar em sua nuca – assim como não é nada indigno desistir diante de alguém claramente mais forte, ao reconhecer que não tem como ir contra ele – finalizou jogando a cabeça para o lado, sutilmente, gerando um estalo em seu pescoço.
— vocês têm ideias errôneas sobre alguns aspectos da vida – Logan se indignou com as palavras do louro diante de si.
— apenas cale a sua boca e me enfrente com tudo o que tem – ditou o beta vendo um sorriso brincalhão surgir nos lábios alheios.
— acho que não devo pegar tão pesado assim. Afinal de contas, isso é apenas uumadisputa por respeito, não uma batalha até a morte – confessou o Lahey gerando ódio no adversário
— ora, seu...
— faça – ordenou Stiles surpreendendo Isaac, que olhou para trás, surpreso.
— mas... Meu senhor... — o louro tentava argumentar, mas ele não conseguia formular nada com o olhar sério de Stiles em sua direção.
Scott surgiu ao lado de Stiles com uma fatia de bolo em sobre uma peça de porcelana, enquanto carregava dois copos empilhados em uma mão e uma garrafa de vinho sob o braço. O conde apenas pegou o bolo com a mão, não se importando com a peça de porcelana sobre a qual a fatia estava, enquanto que com a outra mão acolhia o copo para que Ethan lhe servisse do vinho.
— tudo bem. Eu farei – disse o Lahey suspirando e olhando fixamente para. Logan.
— pode vir. Eu estou... – o beta se calou quando os olhos de Isaac brilharam em azul, lhe fazendo tremer de medo com a sede de sangue, enquanto a musculatura do outro aumentava.
A cor azul nos olhos alheios sumiu, assim como a sede se sangue do mesmo e o próprio Isaac. O medo de Logan o fazia olhar para o local em que ele sentira a sede de sangue, antes de ela sumi, o fazendo ignorar quase que completamente o fato de Isaac estar avançando com uma velocidade incrível pela lateral. Assim que sua mente processou que o seu agressor, o homem que lhe causou tanto medo, se aproximava pela lateral, Logan se virou, pronto para socar, em meio ao seu momento de pânico, o louro. Isaac revelou seus olhos azuis mais uma vez, e o medo congelou o corpo de Logan, que parou o ataque, permitindo que o louro desviasse do seu punho, fazendo a cor azul de seus olhos sumir, e lhe acertasse um soco na boca do estômago. O Lahey aproveitou o momento de vulnerabilidade alheio e acertou um gancho no queixo do adversário, o fazendo cambalear para trás.
Quando Logan se recuperou, Isaac já estava próximo de si novamente, pronto para lhe acertar. O beta, mais uma vez, rentou revidar com uma joelhada, dessa vez, mas, novamente, Isaac revelou os olhos azuis por alguns segundos, lhe fazendo congelar de medo, enquanto engolia um pequeno grito de pânico. O ômega, novamente, acertou dois socos potentes no beta, que cambaleou para trás.
— mas o que é isso? – questionou Laura, surpresa com o modo de lutar de Isaac.
— Isaac é o único de nós que tem o controle completo sobre a sua sede de sangue, mesmo tendo a maior de todas. Ele libera a sua sede de sangue estando bem perto do adversário, o deixando com tanto medo por sentir aquilo tão perto, que ele congela, perdendo completamente o espírito de luta, e se sustentando apenas com o espírito de sobrevivência. Pessoas de espírito fraco são completamente inúteis enfrentando Isaac – explicou Scott enquanto servia vinho para Derek, que agradeceu um tanto sem jeito.
— então, basicamente, ele paralisa todo mundo, como a caçadora fez – pensou Theo vendo o ômega negar com a cabeça, desviando o olhar para luta, onde Isaac seguia espancando Logan sem sofrer nenhum golpe.
— Allison usa uma substância que precisa de tempo para fazer efeito, e de um antídoto para ser desfeita. Isaac simplesmente deseja e a paralisia acontece. Em contra partida, o veneno de Allison funciona com todos os seres vivos. Já a habilidade de Isaac só funciona com pessoas que...
— não tem coragem o suficiente. Estou certo? Afinal, ele usa o medo como veneno – ditou Derek vendo o ômega de queixo torto lhe encarar.
— está errado. Não é questão de coragem. Coragem muitas pessoas têm. Qualquer um pode ter. Mas um espírito de luta forte e resistente são poucos. Isaac não tenta abalar a coragem dos outros. O seu beta ainda tem coragem de o enfrentar, ao invés de desistir. Isaac destrói a confiança das pessoas em suas próprias forças, fazendo aqueles que não reconhecem suas fraquezas serem engolidos por elas sem se quer perceberem. – corrigiu o ômega chamando a atenção de Talia
— então algumas pessoas são imunes a sede de sangue dele – ditou a afla vendo o moreno menear positivamente.
— sim. Todo o nosso bando é imune a Isaac. Com exceção de Header, que acabou de chegar e ainda não foi treinada corretamente. Até mesmo Ennis, que é um beta, já é imune a sede de sangue de Isaac. – disse o McCall chamando a atenção dos alfas para suas palavras.
Todos estavam surpresos de que todo o bando adversário tinha confiança plena em suas forças ao ponto de não se abalarem com uma sede de sangue tão intensa.
— Stiles também é? – indagou Derek, curioso.
O seu noivo havia mostrado uma habilidade de luta surpreendente contra Braeden. Não seria muita surpresa se o castanho fosse imune a habilidade do próprio ômega. Mas ele queria saber. Precisava saber até onde aquele humano poderia ser tão bom para se tornar um alfa de ômegas.
— se ele é? – questionou o ômega com um sorriso vitorioso nos lábios.
— quando encontramos Isaac, ele já tinha os olhos roxos devido a sua sede de sangue intensa. Eu tremia mais do que uma mudinha em uma tempestade. Isaac me dava medo. Mas Stiles? Stiles se quer piscava diferente. Isaac tentou. Tentou mesmo provar que Stiles deveria ter medo dele, que ele era ameaçador. Mas tudo o que Stiles via era... Um filhote abandonado que precisava de cuidados – ditou o ômega olhando com certa admiração para o conde.
Com um golpe do calcanhar na boca do estômago, Isaac retirou a consciência de Logan, o fazendo cair de costas sobre as vinhas mágicas do druida. O louro, imediatamente, se virou para o bando Hale, lançando um olhar sério.
— ei, Scott. É melhor você pensar melhor no que dizer antes de abrir a sua boca – ralhou o Lahey apontando com seriedade para o McCall.
— como podem ver, o filhote é um pouco tímido – brincou Scott e Isaac rosnou para si, irritado.
— Isaac. Limpe o campo para que possamos continuar logo – ordenou o conde finalizando o bolo que tinha em mãos.
— sim, senhor – Isaac obedeceu arrastando os corpos desmaiados até as vinhas, os jogando sobre elas.
Assim que Stiles deu o último gole do vinho em seu copo, cujo qual era também o último gole de vinho da garrafa, Isaac acertou o ultimo golpe no beta daquela onda de lobos. Era o trigésimo beta que caía diante de si. O Lahey, sozinho, havia enfrentado trinta betas sem muitas dificuldades. Alguns cortes aqui e ali em suas roupas, mas a sua pele não apresentava marca alguma, a não ser por um pouco de sujeira de todas as vezes em que teve que se jogou ou fora jogado no chão
O castanho ergueu o copo para Ennis, que acolheu o objeto sem dizer uma só palavra. O conde se sentou no gramado, despojadamente, ao lado do homem de cabeça limpa. Derek desviou o olhar para o castanho. Stiles parecia um tanto... Entediado, ao seu ver. Apoiando um dos braços sobre um dos joelhos, enquanto levava a outra mão para o centro do seu peito, tratando de abrir o primeiro botão de sua camisa. O Hale, analisando bem o Stilinski, notou a ausência do cordão no pescoço do mesmo. Levando a própria mão ao peito, Derek sentiu a presença do pingente de madeira no formato de flores em seu peito. Um presente dos ômegas do dia de seu noivado, com o intuito de afastar os maus espíritos. Ele se lembrava do que ocorrera com o cordão do conde.
Braeden o arrancara durante o duelo sagrado, quando o humano conseguiu desviar de um dos seus golpes, mas o objeto acabou permanecendo no campo de alcance da loba.
Um estalar de dedos acabou chamando a atenção de Derek, em meio a sua recordação do duelo sagrado. Ao erguer o olhar para a direção do som, o Hale pôde ver Isaac olhar para o próprio alfa. O louro meneou em concordância, antes de reverenciar a família Hale.
— eu desisto – ditou o ômega de cabelos cacheados antes de se erguer e dar as costas para o bando Hale, seguindo para o próprio bando.
— agora deve ser a um dos mais jovens – comentou Jackson vendo o bando de ômegas gargalhar alto com suas palavras.
— ainda tentando avaliar nossa força por nossas aparências? – indagou Allison vendo o louro engolir em seco.
— vá lá e destrua-os – ordenou Stiles erguendo a mão dramaticamente, antes de cerrar o punho. Do punho cerrado do adolescente, Derek, Vernon, Theo e Jackson puderam ver cinzas negras caírem, como se o conde tivesse carbonizado algo com a mão.
Os ômegas sorriram vitoriosos. A alcateia Hale ficou confusa. O humano não havia apontado para ninguém, mas todos os ômegas sorriam como se já soubessem de quem o humana estava falando.
— Lydia – Stiles pronunciou o nome da ruiva apenas para que os membros do outro bando soubessem quem ele estava designando para a luta.
— está na hora de brincarmos, crianças – Lydia provocou enquanto caminhava com sutileza até o centro do campo.
— Lydia?! – indagou Talia, surpresa.
Aquela ruiva de tranças e vestido verde hortelã era a ômega que dividia o bando de Stiles entre os mais fracos e os mais fortes. A banshee era o intermédio de força do bando da Rosa Negra. Se os anteriores já eram guerreiros muito habilidosos e fortes, os que sucederiam a ruiva deveriam ter uma força fascinante. Liam, Corey, Erica, Ethan e Aiden sorriram largo com os olhares direcionados para si, em choque. Os cinco sabiam o que aqueles olhares expressavam: Medo e Surpresa.
— acho que vocês deveriam estar mais focados em quem está no campo, e não em quem está de fora dele – ditou a ruiva cruzando os braços atrás do corpo. Uma aura gentil e meiga rondava a mulher, causando receio nos betas.
— Petra, Cornélia, Beth, Helen, Greg. Vão – ordenou Laura vendo os betas citados darem um passo a frente, se preparando para adentrar o campo.
— e então? Como preferem? – indagou Lydia vendo os betas se entreolharem após adentrarem o campo de vinhas
— com magia ou sem magia? – indagou a banshee estendendo as palmas das mãos, como se oferecesse alfo que existisse sobre elas.
— venha com tudo o que tem, se não for incomodar – ditou Helen e logo todos os cinco reverenciaram a ruiva, em um cumprimento antes da batalha, surpreendendo os ômegas.
— queremos com magia – responderam Petra e Beth sorrindo na direção da ômega.
Lydia cerrou os punhos
— isso é alguma piada de mau gosto? – indagou enquanto encarava os betas com fúria. Cornélia piscou os olhos, confusa.
— perdão. Eu... Não estou entendendo – disse a beta de cabelo longos amarrados em uma trança.
— um absurdo! – comentou Corey, indignado.
— humilhante – ditou Allison com desprezo
— ah, você não está? – inquiriu a Martin expressando pouco de sua fúria em sua voz.
— vocês nos desprezam o tempo todo. E agora ousam me insultar em um campo de batalha? – indagou a ruiva retirando um par de leques de sua cintura. Petra franziu o cenho, confusa.
— não entendo vocês. Se os maltratamos, vocês se incomodam; se nós os respeitamos, vocês se incomodam. Será que vocês podem se decidir, por favor? – ditou a ruiva, possessa.
— vocês são ridículos – ditou a ruiva encaixando os indicadores nos aros presentes nas pontas inferiores dos leques, começando a girar as armas em seus dedos.
Os lobos se viram surpresos quando os leques se abriram. Os dois objetos, que deveriam ser meramente estéticos, se revelaram como armas quando os lobos perceberam o brilho das lâminas nas pontas dos objetos. A ruiva movia os leques como serras redondas. Aquele ato chamou a atenção dos lobos do bando Hale. Lâminas haviam se mostrado armas bastante perigosas nas mãos dos ômegas.
Allison os havia acordado para a realidade quanto as habilidades dos ômegas. Não fora somente a Argent. No entanto, o fato de uma humana, sozinha, fazer tudo o que a moça fizera... Era de deixar todos os betas receosos com os outros ômegas. Quando a mulher de cabelos ruivos parou de girar as armas em seus dedos, ela as agarrou com as mãos. Is leques se fecharam, passando a serem empunhados como adagas.
— primeiro vocês nos desprezam. Acham que só por não termos mais uma casa estamos desesperados para fazer parte de algo como o seu bando. Nos tratam como estorvos fracos. Como se o que os incomodasse não fosse a nossa força, que mesmo sem a conhecer, sabiam que era maior do que a sua, mas sim o nosso cheiro ácido. Agora querem vir me cumprimentar em um duelo? Não sejam ridículos! Assumam os seus atos! – ralhou a banshee antes de começar a caminha lentamente na direção dos betas.
Cornélia suspirou.
A mulher sabia o que havia feito de errado para deixar a ômega daquela forma. Levando uma mão ao peito, a beta se transformou em sua forma bestial, sendo acompanhada pelos companheiros. A mulher se curvou minimamente, antes de se colocar ereta, para em seguida entrar em posição de combate.
— eu admito. Eu lhes julguei mal. Quando chegaram ao nosso território, achei que vocês eram pouco pão para um saco de ouro. Mas, agora, eu entendo que vocês são fortes. O seu bando chegou na metade e já derrotou quase cem betas do nosso bando. Peço desculpas pelo infortúnio. – ditou Cornélia antes de Lydia avançar com velocidade em sua direção.
Quando o soco da ruiva fora parado pela mão da loba, que apenas acolheu o seu punho na palma da mão, Lydia sorriu largo ai mesmo tempo em que lançava um olhar predatório na direção da beta. Cornélia se viu surpresa com o sorriso vitorioso nos lábios alheios.
— você realmente gosta de lutar – comentou a loba vendo a ruiva rir baixinho.
— você não faz ideia – comentou a Martin antes de acertar uma cabeçada em Cornélia, a forçando a lhe soltar em tempo de desviar das garras de Petra, que avançou pela sua lateral.
A banshee dava uma série de mortais, sempre intercalando entre apoiar o o peso do corpo nas mãos e nos pés, conseguindo sair do alcance das garras da beta, que seguia avançando. Ao dar mais uma cambalhota para trás, a ruiva fora atacada por Helen, que surgiu ao seu lado. A beta estava abaixada, com a perna pronta pra acertar as mãos da fada, a fazendo cair no chão com a rasteira. No entanto, quando o golpe fora executado, as duas lobas não se surpreenderam muito ao ver a ruiva girar no ar, sem tocar o solo, passando a flutuar.
Em meio ao giro, Lydia lançou ambos os leques na direção de Petra, que se abaixou para desviar das duas armas. Se havia algo que os betas tinham em mente naquela batalha era: desviar das armas. Eles sabiam que no momento em que fossem atingidos por uma lâmina e a mesma alcançasse as duas veias, um relógio começaria a contar os minutos para que a sua derrota fosse concretizada.
A beta se ergueu assim que as armas da ruiva passaram por cima de si e passou a avançar contra a ômega desarmada. Beth, que até então estava apenas assistindo, analisando o estilo de luta da banshee, fora surpreendida quando, ao tocar o chão com os pés, Lydia puxou os braços para trás, em um movimento aparentemente aleatório. Quando Beth compreendeu o que estava acontecendo fora tarde demais para alertar os companheiros. Petra gritou de dor quando os leques, completamente abertos, passaram por seus ombros, cortando os ao mesmos enquanto giravam no ar, seguindo para as mãos da banshee.
— maldita! – exclamou a loba, rosnando por já estar com o tempo contado naquela disputa.
— vamos! Deixe de escândalo. Foram só dois cortezinhos – comentou a ruiva, saltando, deitando o corpo no ar, em giros, antes de desferir um chute potente no ombro ferido de Petra, que se ajoelhou devido a dor.
Ainda girando, após apoiar o corpo com um pé no chão, a ômega acertou um golpe do joelho no rosto da beta, que se permitiu cair deitada com a tontura. Lydia finalizou o movimento giratório já lançando os seus leques em Helen, que saltou para o lado, desviando das armas da adversária, que seguiram para Greg. O homem analisou os movimentos das duas armas giratórias, que se aproximavam com velocidade. Saltando, o homem deitou o corpo no ar, o girando, permitindo que o seu corpo lassasse pelo espaço entre dos dois leques.
— merda! Não dá para tentar agarrar essas coisas. Elas giram rápido demais! – exclamou o beta seguindo para Lydia, sendo acompanhado por Helen no ato.
Cornélia se aproximou de Lydia por trás, já saltando, mirando com o pé na costela da mulher. A ruiva a surpreendeu ao girar, agarrando o seu pé. Girando com força nos braços, Lydia simplesmente jogou a mulher contra o chão, a fazendo soltar um gemido seco.
Greg saltou na ruiva, tentando a pegar desprevenida em meio ao golpe dado em Cornélia. O homem mirou com as garras nos ombros da ômega, conseguindo fincar as garras nos ombros da adversária, que guinchou de dor. O homem olhou a ruiva nos olhos, vendo a Martin lhe fitar com as íris brilhando.
— você não sabe o monstro que criou – ditou a ruiva começando a socar o lobo repetidas vezes, antes de golpear o queixo do homem com força, o fazendo lhe soltar e cambalear para trás.
— Agora você é minha – ditou Helen acertando um soco no rosto da ruiva, que apenas jogou a cabeça para o lado.
— minha vez – ditou a Martin agarrando a beta pelos cabelos e passando a distribuir joelhadas no rosto da mesma.
Lydia apenas soltou Helen quando as duas caíram após Petra acertar uma rasteira na ômega. A Martin caiu de costas no chão e a mesma beta que lhe acertou a rasteira subiu em seu corpo, lhe imobilizando. Os betas sorriram animados com a façanha da loba.
— agora nós pegamos! – exclamou Garret, animado.
— eu acho que não – murmurou Derek, pensativo.
Algo lhe incomodava. E ele podia perceber que não era o único. Laura permanecia a morder a unha do polegar com suavidade. Algo os incomodava, mas eles não sabiam dizer o que era. Algo sobre a mulher de cabelos cobreados estava martelando em suas mentes, mas eles não conseguiam o encontrar. Beth se encontrava da mesma forma. Ela sentia que deveria prestar bem a atenção em algo sobre a adversária, mas não conseguia saber do que se tratava . E foi só quando Lydia lambeu os lábios com um sorriso traquino que a mente de Beth trabalhou com velocidade, encaixando todas as engrenagens que ergueram as cortinas de sua mente, revelando o que tanto lhe incomodava.
“Lábios... Boca... A boca!”
Pensou Beth ao ver todos os betas avançarem contra a ruiva imobilizada. Stiles sorriu, fincando a bengala no chão. Derek, Vernon, Jackson e Theo se viram surpresos quando as vinhas feitas por Alan Deaton foram cobertas por uma névoa sombria. Quando todo o círculo de vinhas fora coberto pela magia, a névoa escura se ergueu como uma parede, criando um domo ao redor do campo. O Hale e seus amigos franziram o cenho para o conde, perdendo o momento em que os olhos de Beth se arregalaram e a mesma tentou correr até os parceiros.
— NÃO! SE AFASTEM! CUBRAM OS OU... – a beta corria enquanto cobria os próprios ouvidos.
Quando Lydia gritou, todos os betas que a cercavam foram jogados para trás. Eles se caiam no chão, com as mãos nos ouvidos, completamente tontos. As ondas sonoras que eram emitidas pela ruiva avançaram na direção do bando Hale como um sonar de morcego. Os lobos fora do campo de batalha se viram surpresos quando os seus ouvidos não foram atingidos pelo grito da ruiva. Alan, Derek, Jackson, Vernon e Theo viam, surpresos, a névoa sombria tremular no ar, indicando que algo de chocava contra ela.
— ele está a bloqueando – murmurou Derek, surpreso, vendo o Stilinski sorrir na direção da batalha, ainda sentado no chão com o braço apoiado sobre o joelho.
— o que disse? – indagou Laura, confusa.
— nada demais. Eu estava apenas pensando – respondeu cruzando os braços, rezando para que a irmã permanecesse calada e voltasse a se focar na luta contra a fada.
Quando Lydia parou de gritar, Beth era a única a se manter em pé. Todos os outros estavam tontos e tinham os sentidos bagunçados. Em seus ouvidos, um zumbido extremamente agudo e incessante ecoava. Aquilo lhes gerava uma gastura intensa na cabeça, os forçando a se deitarem no chão, com as mãos pressionando as suas cabeças. No entanto, era tarde demais para tomar uma providência. Eles foram atingidos diretamente pelo grito as banshee. Por mais que as ondas sonoras, que permaneciam sendo emitidas pela ruiva, ecoassem pelo local e fossem impedidas de lhes atingir diretamente os ouvidos, os seus tímpanos haviam sido afetados pelas primeiras ondas da ruiva. As suas cabeças giravam, os seus corpos tremiam e a agonia incessante se tornava cada vez mais intensa.
Beth, a única que tapou os ouvidos antes do ataque sonoro da ômega estava perplexa. Ela sabia, sim, que a banshee podia usar, e muito bem, a sua potência vocal como arma. Depois dos ataques dos caçadores ao território os betas comentaram por horas sobre a performance dos ômegas em um ataque coordenado, e como a bela mulher ruiva simplesmente explodiu q cabeça de um humano usando apenas a voz. Mas nem todos puderam ver aquela cena. A maioria do bando estava escondida em suas casas, como lhes fora ordenado. Tudo o que eles puderam fazer fora ouvir o que se passava do lado de fora. Os vários tiros disparados, os passos pesados da forma não-humana da loura de cachos, e um estranho zumbido que ecoou por todo o território.
No entanto, uma coisa era ouvir os relatos dos poucos membros da alcateia que presenciaram a cena. Outra coisa era ver pessoalmente. E não importava se aquela era a segunda vez que Laura e Derek presenciavam a habilidade vocal da fada, os dois permaneciam impressionados. Lydia Martin, com toda a certeza do mundo, daria uma perfeita cantora de opera. A ruiva permanecia a gritar, liberando um som agudo constante e nivelado. Ela só parou de emitir o seu ataque sonoro quando finalmente se colocou de pé.
Mesmo quando Lydia parou de gritar, os betas atingidos permaneciam no chão, se contorcendo. Aquele ataque era severo demais para lobisomens. Derek assistiu, surpreso, o domo criado pela magia do conde se dissipar no ar, como fumaça ao vento. Petra e Greg levaram suas mãos as cabeças, pressionando as mesmas, tentando fazer com que aquela agonia constante sumisse. Quando algo molhado tocou suas cabeças os dois levaram as mãos para os campos de visão, confusos. Ao olhar bem para suas mãos, os dois betas puderam ver pequenas manchas de sangue em suas palmas. Levando os dedos aos ouvidos, eles se viram surpresos quando sentiram sangue em suas cavidades auditivas. Os seus ouvidas haviam sangrado durante o ataque da banshee.
Agora eles tinham a certeza absoluta: aquele bando valia mão do filho dos seus alfas. Um único grito de Lydia poderia imobilizar uma boa parte do bando. Uma única ômega poderia criar a abertura perfeita, se quisesse. Aquele bando era extremamente perigoso e habilidoso. A audição de um lobisomem era uma de suas melhores armas. Se a ruiva a tirasse de seus adversários, eles entrariam em desespero, exatamente como outros entraram quando foram atingidos pelas armas envenenadas da caçadora.
— vamos limpar esse campo – ditou a ruiva enquanto começava a se aproximar dos betas jogados ao chão.
Cornélia, ao se erguer, notou Beth movendo os lábios enquanto olhava em sua direção. A beta não entendeu nada. A companheira de bando falava e falava, chegava a gritar, pelo que ela podia ver, mas Cornélia simplesmente não conseguia ouvir nada. A única coisa que soava em seus ouvidos era o zumbido causado pelo ataque da ômega que enfrentava.
Ômega!
Quando finalmente se tocou de que não mais ajudava Petra a conter a ruiva, Cornélia sentiu um olhar assassino cair sobre si. Ela se quer teve tempo de olhar para trás. Quando começou a mover a cabeça, a beta fora surpreendida por um golpe certeiro do peito do pé da ruiva em seu pescoço, lhe fazendo cair de quatro no chão, mais uma vez. A ruiva, então, chutou o abdômen da beta com toda a força que tinha, a fazendo cair de lado, sem ar, com as mãos na barriga. A ômega agarrou o pé de Cornélia e começou a girar com força, erguendo a loba do chão. Quando soltou a adversária, Lydia a viu voar na direção das vinhas, sendo agarrada por elas antes que pudesse as atravessar. As vinhas a puxaram contra o chão com força, a fazendo cair deitada antes de ser imobilizada.
Beth avançou antes que a ruiva pudesse pegar jogar mais alguém para fora. A mulher socou a ômega, a vendo bloquear o ataque com o próprio punho. A beta passou a distribuir uma série de socos, mas Lydia conseguia desviar de quase todos. Quando Beth finalmente acertou um soco, a ômega girou nos próprios pés, tentando sair do alcance dos ataques da loba. Não adiantou muito, como já esperado por Lydia, já que a beta continuou a avançar contra si.
Os outros betas se erguiam, confusos. Eles não ouviam nada, apenas podiam ver o que se passava ai seu redor. Quando todos, após refletirem sobre o que estava acontecendo, avançarem contra Lydia, a ruiva saltou para trás, alcançando o limite do campo.
— devo confessar que não esperei ter que usar isso tão cedo – alegou a ômega enfiando a mão esquerda em seus fios cobreados, a fazendo sumir ali.
— o que vai fazer, ruiva? – murmurou Beth, curiosa, entrando em posição de defesa.
Os betas afetados pelo ataque sonoro de Lydia não puderam ouvir nada do que a Martin falou. Eles apenas podiam ver Beth e Lydia movendo os lábios enquanto se encaravam com atenção.
— como você já deve ter percebido, assim como Allison, eu não posso superar vocês em força física. Mas isso nunca me impediu de varrer um campo de batalha antes – afirmou a ruiva retirando a mão dos seus fios cobreados, estando a mesma fechada em um punho.
— afinal de contas, batalhas e guerras não são vencidas apenas com força física. Um mundo é um lugar complexo demais para uma coisa assim ser resolvida apenas com esse fator. A junção de habilidades é que vencem. O mundo não é dos fortes, nem dos espertos. Ele pertence aos habilidosos – disse a ruiva vendo todos os betas momentaneamente surdos passarem por Beth, que tentou, em vão, os parar.
A ruiva abriu a mão, revelando um pequeno entalho de madeira. O bando Hale encarou a mulher em confusão. O que diabos um entalho de madeira estaria fazendo em sua mão em um momento daqueles? Eles não sabiam. O pequeno objeto de madeira, no formato do que parecia ser um gorila sem pelos, fora jogado para cima, na direção dos betas, que pararam o ataque, confusos.
— venha a mim, Ashu! – a ruiva ordenou com os olhos brilhando em rosa, surpreendendo os lobos.
Mas a verdadeira surpresa veio quando o entalho de madeira cresceu. Ao cair no chão, todos se viram perplexos quando o entalho de madeira tomou vida, com os olhos brilhando em rosa, iguais aos da banshee.
— MAS QUE PORRA! – exclamou Greg em um grito, devido ao descontrole que tinha na voz por causa de sua incapacidade auditiva recente.
— NÃO ME FODE! – gritou Petra, irritada. Ela já havia contado o seu tempo. O seu corpo já estava quase no limite dele.
E foi então que ela percebeu.
— meu corpo... Está se mexendo bem. Eu não me sinto estranha. – a mulher falou enquanto analisava o próprio corpo.
Pelo que ela havia percebido nas lutas da caçadora, o veneno Lambida de Cervo era rápido e efetivo. Mas ela não sentia efeito algum. E já se havia passado tempo o suficiente para as suas pernas fraquejarem. Ao olhar para os próprios ferimentos, a beta se viu surpresa ao perceber que eles estavam se curando.
Não havia veneno nos leques da ruiva.
— as armas dela não têm veneno... AS ARMAS DELA NÃO... – Petra fora impedida de continuar quando uma mão grande lhe acertou o abdômen, antes de lhe acertar o queixo, para em seguida lhe acertar o leito, lhe lançando diretamente nas vinhas, que não demoraram a lhe prender.
— mas que porra é essa?! – exclamou Theo, surpreso, vendo o que antes era um entalho de madeira expulsar Petra do campo.
— assim como os druidas fazem com que seres vivos possam lutar suas batalhas, as banshees podem fazer escravos inanimados, que ganh vida quando elas bem entenderem. Elas produzem o seu corpo fazendo entalhos de madeira ou ossos, pois ambos já tiveram vida antes de chegarem em suas mãos habilidosas. – explicou Alan assistindo aos betas voarem, um por um, do campo, com o gorila de madeira os atacando.
Beth fora a última a permanecer no campo. Como ela não havia sofrido nenhuma sequela do ataque sonoro da banshee, a beta podia ouvir o som a madeira estalando ao se mover, fazendo com que ela pudesse prever os ataques do servo da ruiva. Befh surpreendeu, e muito, os ômegas enfrentando Ashu sem ser atingida pelos golpes do golem de madeira.
Na verdade, a mulher conseguiu derrotar a criatura sem sofrer nenhum ataque. Sempre que desviava dos golpes do golem, a beta golpeava o mesmo no pescoço de madeira, fragilizando o mesmo. Lydia assistia a derrota de seu servo com deleite. Quando o golem desferiu um golpe das duas mãos, vindas de cima, com força contra o chão, Beth desviou ao deslizar por entre as pernas do gorila. Aproveitando a lentidão do servo da adversária, a beta subiu em suas costas e desferiu o golpe final. Um chute que quebrou a madeira que formava o pescoço do golem, rebelando um brilho rosado em seu interior, e uma névoa igualmente rosa que passou a escapar pelo buraco.
O golem começou a cambalear, ainda com Beth em suas costas, indicando que estava enfraquecido. A loba, não satisfeita, agarrou a cabeça de Ashu e a puxou para cima, decapitando o servo, liberando toda a magia presente no interior do mesmo. A beta, realizada, ergueu a cabeça de madeira em vanglória.
Erguendo voo, a banshee avançou contra a beta, que se encontrava distraída com a satisfação que lhe tomava o peito. Acolhendo a cabeça de fios negros com as duas mãos, Lydia girou no ar, tomando velocidade o suficiente para lançar Beth para fora do campo. Após soltar a beta de seu agarre, a ômega moveu as mãos, atraindo os seus leques de volta para elas. Lydia terminou o giro, graciosamente, fazendo os seus fios ruivos e brilhantes balançarem ao vento, enquanto ela aterrissava elegantemente com as pontas dos pés nos ombros de Ashu, cujo corpo se encontrava enrijecido pela morte. Abrindo um de seus leques, a Martin passou a se abanar com elegância, escondendo parte do seu rosto, rebelando apenas os olhos precatórios sendo direcionados para Benjamin.
— e então? De quem é a vez de perder? – inquiriu com a voz doce, escondendo um sorrisos sádico por trás do tecido verde do leque.
Fale com o autor