The Engagement
37 Recompensa
Bryan corria com desespero. Se as suas suspeitas estivessem corretas. Se aquele adolescente de cabelos castanhos fosse realmente o que ele achava que fosse, ele estava perdido. Só haviam oito pessoas no mundo inteiro com aquele tipo de poder. E o mestiço tinha que dar de cara logo com um desses oito. Tantas pessoas no mundo e ele tinha que encontrar logo uma dessas malditas pessoas.
Mas o pior de tudo não era a presença do conde. Era o fato de a flor que fora o motivo de sua vinda para esta cidade estar, agora, destruída. Ele se sentia furioso o suficiente para cogitar voltar até lá e matar todos eles. Mas ele sabia que não conseguiria. Ele havia perdido a sua varinha. Muitos feitiços não podiam ser feitos sem uma, enquanto alguns outros não eram aconselhados a serem feitos sem uma varinha. Ele, agora, poderia depender apenas de feitiços simples, com muito esforço, e suas habilidades lupinas.
Enquanto corria, Bryan podia ouvir, cada vez mais, os animais noturnos, que já não faziam tanto barulho, irem se silenciando aos poucos. Ele podia ver uma coruja e um bando de morcegos irem se distanciando na mesma direção que ele seguia. Aquilo só podia significar uma coisa. Eles estavam se aproximando. Se aproximando rápido demais. Ele não entendia como diabos aqueles ômegas conseguiam ser tão rápidos quanto ele, que era um alfa.
Tudo bem que ele não era o lobisomem mais treinado do mundo, mas, devido a sua condição de alfa, ele deveria ser mais rápido do que qualquer lobo que não fosse um alfa. Ômegas poderiam chegar perto de lhe alcançar. Ele entendia isso. Ômegas ganhavam poder a medida que perdiam a sanidade. Ou seja, aqueles ômegas deveriam ter perdido a sanidade há muito tempo para conseguirem lhe alcançar tão rápido. A ave de rapina passou voando com velocidade ao lado de seu rosto, tentando acertar um de seus olhos com as garras, enquanto cantava a plenos pulmões.
— inferno! – exclamou quando sentiu as garras da ave cortando a sua bochecha.
O mestiço olhou com confusão para a coruja, antes de ver os olhos do animal. Não estavam em uma cor comum. Os olhos potentes da ave estavam brilhando em rosa, indicando que ela lhe atacara a mando de alguém. A coruja estava enfeitiçada. E ele se lembrava de alguém que usara magia na cor rosa recentemente. Aquilo era obra da ruiva que defendera o conde da sua magia.
Eles já haviam lhe encontrado.
Após o canto da ave, foi apenas questão de segundos para que ele começasse a ouvir o som de passos ao seu redor. Primeiro foi a direita. O mestiço pôde ver, claramente, dois lobos correndo ao seu lado. Não demorou para que, pela esquerda, mais dois se aproximassem. O bruxo os reconheceu como os quatro lobos que ele conseguiu atacar mais cedo. Eles estavam se aproximando cada vez mais pelas laterais.
Dois lobos, um de cada lado, saltaram em sua direção tentando lhe prender o torso e as pernas, mas a tentativa fora falha, graças aos seus reflexos ágeis. Bryan saltou, deitando o corpo no ar e girando o mesmo, chutando a face de Scott e socando a de Aiden, os distraindo e os fazendo errar o seu corpo. Quando caiu, já continuando a correr, o encapuzado fora surpreendido quando uma loura de cabelos cacheados caiu, abaixada, diante se si antes de duas projeções laranjas de caudas de raposa surgirem do céu, se fixando ao solo, cercando a loura, antes de uma morena aterrissar, lentamente, ao lado da garota de vestido azul.
— mas que merda é essa?! – exclamou o mestiço, surpreso, enquanto parava de correr, pensando no que fazer.
E foi nesse momento em que Isaac e Ethan saltaram no encapuzado, o imobilizando, antes de Corey saltar sobre os três, mordendo o pescoço do mestiço. Bryan gritou de dor com o veneno ácido do kanima começando a circular por seu corpo, o paralisando aos poucos. Quando deu por si, ele não podia mover a língua, muito menos os pés e as mãos. Ele estava a mercê daquela alcateia estranha e confusa. De forma lenta e constante, ele sentia o sono ir lhe dominando, enquanto via, com a sua visão turva, um ser de cabelos vermelhos brilhantes se aproximar de si calmamente. Bryan escutou algo confuso, antes de apagar completamente.
Derek havia acabado de tomar banho após o seu treinamento. Ele saiu do banheiro enquanto enxugava os cabelos e o rosto, ao mesmo tempo em que pensava nos últimos acontecimentos de sua vida. Estava tudo ocorrendo tão rápido. Em pouco tempo vários fatores importantes ocorreram em sua pacata vida.
Ele teve a sua mão oferecida em um tratado; descobriu o seu bando estava começando a perder a vantagem no quesito aliança quando comparado a outros bandos; descobriu estar noivo de um alfa humano de um bando de ômegas responsável pela mesma cidade que o seu bando; descobriu que sua ex-namorada não era o tipo de pessoa que ele pensava ser; teve a sua mão destinada ao noivo quando o mesmo ganho um duelo sagrado por si; descobriu que o seu noivo não era tão humano quanto pensava.
Pois é. Os últimos dias da vida de Derek estavam sendo de uma loucura sem fim.
Enquanto se vestia, o Hale se fazia uma série de questionamentos. Ele se perguntava como estaria sendo a captura do mestiço. Se questionava se o seu bando iria compreender, realmente, que poderiam confiar no bando de ômegas com a entrega do mestiço para os seus alfas. Seria complicado se os seus companheiros permanecessem a implicar com o bando Stilinski. O tratado poderia acabar sendo desfeito se a paciência do conde fosse atacada mais uma vez pela insolência dos betas de seus pais.
Assim que terminou de se vestir, Derek iria sair do quarto para esperar por seu noivo no andar de baixo. Já estava quase na hora de todos dormirem. Mas ele parou na porta do quarto, antes de olhar para o criado ao lado da porta e de sua cama. O moreno pensou por poucos segundos, antes de voltar ao quarto, se sentando em sua cama e abrindo a gaveta do criado. O Hale acolheu a caixinha preta em sua mão, para em seguida abrir a mesma e começar a colocar os brincos dourados em suas orelhas.
— vamos ver se vocês me dão sorte desta vez – murmurou o lobo enquanto encarava o último brinco em sua mão, antes de o encaixar em sua orelha.
— agora é só esperar – sussurrou o moreno se erguendo e se dirigindo para fora do quarto.
O Hale desceu as escadas, encontrando Cora, Laura e Heather. As três estavam a comer biscoitos e tomar leite, vestidas em seus pijamas enquanto discutiam sobre o que iriam fazer no dia seguinte. Olhando para o relógio, Derek notou ainda ter tempo até a hora em que ele e seu noivo iriam conversar a sós. Então, pensando em como passar o tempo, o moreno seguiu para a biblioteca no intuito de procurar algo para ler. Passando próximo ao escritório de seu pai, Derek acabou ouvindo a voz do mesmo.
— o conde saiu na caçada pelo mestiço – ditou Alexander chamando mais ainda a atenção de Derek por falar sobre o humano.
— eu sei. Senti a presença dele se afastando. Estou aqui por outro motivo – argumentou Alan e Derek não pode deixar de se aproximar para ouvir melhor.
— e o que seria? – indagou Cláudia, curiosa.
— devo alertar que sinto um perigo muito grande se aproximando — respondeu o druida deixando todos, inclusive Derek, apreensivos.
— um perigo grande? Por acaso estaria relacionado com o mestiço? – indagou John e o druida negou prontamente.
— eu creio que não. Sinto que não está relacionado com bruxos, mas sim com humanos e lobos – respondeu Alan e todos suspiraram logo em seguida.
— você acha que está perto? Eu gostaria que os casamentos de Derek e Laura ocorressem antes de tudo isso – indagou Talia e o homem sorriu para Laura.
— você está se tornando uma alfa muito rápido. Me lembro de quando não passava dos meus velhos joelhos e ficava esfregando a sua cabeça em todos, marcando eles com o seu cheiro. Agora, está prestes a se tornar uma comandante – falou o Druida e, envergonhada, Laura sorriu.
— não sei quando virá, mas também gostaria que ambos os casamentos ocorressem. O oficial Parrish é um bom homem. E o conde Stilinski, além de bom rapaz, é o ser mais interessante que já conheci. Gostaria de passar mais tempo com ele – disse o druida enquanto brincava com o seu cajado.
— esse... Grande perigo seria capaz de nos destruir? – indagou Peter vendo o amigo de longa data parar e olhar para o nada, pensativo.
— se não tivermos os ômegas de nosso lado, será o início do fim do bando Hale – respondeu Alan surpreendendo Derek em sua resposta.
— o fim bando? – indagou o moreno de olhos verdes, adentrando o escritório.
— há quanto tempo você está aí? – indagou Talia surpresa com a presença do filho.
— há pouco tempo, mas o suficiente para saber do que falam – respondeu Derek antes de voltar a sua atenção para o homem calvo sentado elegantemente na poltrona ao seu lado.
— sim, o início do fim do bando. Eu vou explicar melhor. – respondeu Alan se erguendo e retirando da cintura um saquinho de couro.
O homem enfiou a mão no saco de couro e retirou dele um pó na cor verde. Alan assoprou o pó sobre a mesa, onde havia um candelabro. As chamas cresceram, passando a refletir imagens estranhas. Era uma batalha. Uma batalha sangrenta. Era possível ver varias pessoas correndo e atacando outras pessoas. Em uma imagem, foi possível ouvir o som de gritos de guerra e rosnados. Foi possível ver, também, em uma das imagens, o corpanzil ossudo de Erica rosnando e avançando com violência, enquanto Stiles apontava para alguma direção com elegância.
— isso é... – Laura tentava entender aquelas imagens confusas e imóveis, embora as chamas balançassem.
— isto é o que irá ocorrer se o casamento entre Derek e o conde for consumado – respondeu o druida antes de assoprar as chamas com suavidade.
As imagens mudaram para algo mais violento e sangrento ainda. Eles podiam ver Erica esmagando alguns lobos, enquanto outros eram mortos por flechas e até mesmo outros lobos. A imagem mudou para Alexander sendo atacado por um lobo, enquanto Peter o resgatava. E então mostrou Talia caída ao lado de John, com a mão erguida, tentando proteger o homem de um lobo que apontava uma flecha para si. Na imagem, Corey havia arrancado o coração do homem com a sua enorme língua, mas mesmo assim a flecha havia sido disparada e voava na direção da mulher e do cunhado. A imagem mudou para Derek atacando alguém violentamente, enquanto Stiles, atrás de si, decapitava uma cabeça conhecida para eles.
— aquela cabeça é do... Paul? – indagou Peter surpreso.
— se o bando da rosa negra for nosso aliado por meio do casamento, a sua obrigação de nos ajudar será maior do que a de nos ajudar por simplesmente termos o ajudado quando ele precisou. Sendo assim, eles irão ter maior eficiência, e mostraremos maior força na primeira onda de ataque. Primeira e única. – respondeu enquanto apagava o fogo que revelava as imagens do que ele sentia se aproximar.
— mas por que ele estava matando um dos nossos? – indagou Cláudia, confusa.
— caso o casamento não ocorra, eles irão nos ajudar pela honra do conde. Mas os nossos companheiros não irão confiar neles da mesma maneira que seria com o casamento, assim como os ômegas não confiarão neles. Sendo assim, nas próximas ondas de ataque, a desconfiança vai aumentar até que um dos dois lados inicie um ataque interno. E, a julgar pelo que podemos ver hoje, já podem imaginar qual será o lado que iniciará o confronto entre aliados – explicou o druida vendo os Hales suspirarem tentando respirar calmamente.
— Derek — chamou Peter no intuito de alertar o sobrinho para que o mesmo tomasse mais cuidado com o casamento.
— não! – repreendeu Alexander chamando a atenção dos outros alfas.
— Derek já é um adulto. Sabe muito bem o que deve ou não deve fazer. Não precisamos ficar em seus ombros lhe dando ordens – ditou o moreno de olhos verdes mais velho, vendo o filho menear positivamente.
— a sua preocupação não deve ser comigo. Se depender de mim o casamento virá mais cedo do que imagina. O nosso problema atual é com os outros betas – argumentou Derek cruzando os braços diante do peito.
— parece que não fomos claros o suficiente em nosso último aviso – disse Talia cerrando os punhos sobre as pernas cruzadas.
— devemos aproveitar a saída do bando da rosa negra e fazer mais uma reunião na clareira – pontuou John enquanto encarava os outros alfas lhe fitarem pensativos.
— creio eu que mais uma reunião seria perda de tempo – argumentou Laura vendo o tio a encarar a espera de uma explicação.
— eu concordo com Laura. Já deixaram bem claro naquela reunião que eles iriam se arrepender caso fossem contra a união. Outro alerta vai apenas os deixar mais convencidos quanto a própria opinião – argumentou Derek vendo os alfas suspirarem.
— se não podemos deixar nossas opiniões bem claras em suas mentes, vamos marcá-las em seus corpos – ditou Cláudia chamando a atenção dos companheiros, que a fitaram com olhares determinados.
— e como pretendem fazer isso? – indagou Alan, curioso.
— vamos usar os treinos. Poderemos exigir mais ainda deles, fazendo seus corpos cansarem ao máximo. Seria eficiente e discreto – respondeu John vendo a esposa menear positivamente.
— vou me divertir bastante com isso – disse Peter olhando para as próprias garras e sorrindo ladino.
— ótimo. No treino de amanhã vocês irão começar com isso – disse Alexander vendo os três alfas menearem positivamente.
— Alex e eu vamos procurar nos envolver mais com o bando do conde – ditou Talia e o marido meneou em concordância.
— eu vou fazer o mesmo. Não é apenas importante fazer os dois bandos coexistirem. Também é importante criarmos um vínculo com os ômegas – falou Laura vendo o irmão menear positivamente.
— é bom ver que estão dedicados. Mas devo alertar que os ômegas chegaram – disse Alan vendo os alfas lhe fitarem com seriedade.
— estão acompanhados? – indagou Cláudia vendo o homem se concentrar no nada por um tempo.
— não posso responder essa pergunta. Mas tudo o que sei é que apenas eles estão com os pés no chão – respondeu o druida antes de alguns lobos começarem a uivar, indicando que os ômegas retornaram.
— qual é a necessidade de alertar a entrada de um aliado que está morando conosco? – indagou Derek confuso.
— só se eles estiverem preparando algo para eles – respondeu Peter segurando um rosnado.
— era só o que faltava – resmungou John enquanto todos se dirigiam para fora do escritório.
— ela está por perto – alertou Rafael ao se abaixar para analisar algumas folhas no chão.
Eles já estavam perseguindo aquela desgraçada daquela bruxa por horas. A maldita havia quase acabado com o braço de um dos seus homens em uma maldita magia de controlar as plantas. Aquela criatura era mais audaciosa do que o esperado.
A mulher não fizera questão de esconder a sua presença. Ela praticamente se anunciou para os caçadores. Aquilo irritava os humanos mais ainda. Estava óbvio, para Rafael, que aquela bruxa não era normal. Ela tinha uma falta de receio em lhes enfrentar que o fazia pensar duas vezes antes de seguir a desgraçada. Ele sentia que aquilo era uma armadilha.
— ótimo – ditou Barry destravando a arma em sua mão, lançando a cápsula ao ar, enquanto ele puxava dois cartuchos do compartimento de munição preso à perna de sua calça.
— tenham calma. Isso está estranho. É uma armadilha – alertou Rafael e todos entraram em alerta.
— tem certeza? – indagou Bartolomeu vendo o McCall menear positivamente.
— ela não escondeu a sua presença em momento algum. Parece até que não tem medo de morrer – argumentou o líder do grupo enquanto dava as costas a Megan, que fazia o mesmo consigo.
A risada psicótica de uma mulher alcançou os seus ouvidos ao ecoar por toda a mata. Todos os caçadores engoliram em seco, firmando as mãos em suas armas, se preparando para qualquer coisa. Eles olhavam ao redor, atentos, apenas esperando pelo ataque inimigo.
— eu?! – questionou a bruxa e logo todos se viraram para uma árvore, vendo a encapuzada, em pé sobre um galho, apontando para o próprio peito com uma das mãos fazendo uso de um ar indignado.
— vadia! – ralhou Barry apontando com a arma de fogo para a bruxa, que se permitiu cair antes que ele disparasse, desaparecendo em uma nuvem de folhas mortas.
— morrer para vocês?! – a voz da mulher voltou a chamar a atenção, desta vez das costas de todos, que se viraram imediatamente, já disparando.
A lâmina da flecha de Megan se aproximou do rosto feminino antes de atravessar o mesmo, perfurando algumas folhas secas ao invés de carne. As folhas caíram do galho, deixando todos irritados por, novamente, não poderem ver a bruxa, que permanecia a fazer aquele jogo mental com eles.
— vocês caçadores desenvolvem cada ficção. Deveriam ser escritores – ditou a mulher surgindo em outro galho, apoiada no tronco da árvore, de braços cruzados.
— calada! – ralhou Barry disparando mais uma vez.
— eu estou sendo perseguida por crianças e seus brinquedos – reclamou a bruxa, surgindo sentada em um galho, com as costas apoiadas no tronco da árvore, enquanto bocejava.
— você vai morrer pelas minhas mãos – ditou Megan, confiante, enquanto disparava uma flecha.
Qual não foi a surpresa da morena ao ver a flecha ser parada prla mão nua da bruxa sem problema algum? Eles viram a encapuzada parar de balançar uma das pernas, pendurada pelo corpo, para olhar para eles. Mais especificamente para Megan, antes de descer da árvore ao se permitir cair do galho, aterrissando também sem problemas.
— como vocês souberam a minha localização? Quem os informou sobre mim? – indagou a mulher vendo os humanos a fitarem com seriedade.
— mesmo que eu soubesse, não iria lhe dizer – respondeu Barry voltando a apontar com a arma para a bruxa.
O erro de Barry, assim como o dos outros, incluindo Rafael, fora ignorar o ambiente que os cercava. Apenas um toque leve do pé descalço da bruxa fora o suficiente para que, após poucos segundos, eles pudessem sentir vinhas se enroscando em seus pés. Eles não contavam com aquilo. A mulher se quer pronunciou alguma palavra mágica.
— mas que merda! – exclamou Bartolomeu, tratando de puxar sua arma branca, assim como Megan e Rafael.
O resto do grupo se concentrou na bruxa, tratando de apontar suas armas para a encapuzada. Enquanto Megan se focava em ajudar os outros a se livrarem das vinhas, Rafael e Bartolomeu se focaram em tentar se aproximar da bruxa.
— morra – ditou a encapuzada apontando com a mão para Barry, que se preparava para acertar uma bala em sua cabeça.
Os humanos foram surpreendidos quando uma caveira roxa surgiu diante da palma da mulher e voou na direção de Barry. O homem, nervoso, disparou na caveira, a vendo se quebrar com a bala e sumir. Ele não sabia o que diabos era aquilo, mas sabia que podia matar com a sua arma, então isso o aliviava.
— a sua magia não é tão forte quanto você pensava, não é mesmo? – questionou o caçador apoiando a arma na nuca, em uma pose vitoriosa.
Grande erro.
Provocar aquela mulher, naquela situação, era um erro grave. A bruxa ergueu uma mão e, do chão, uma caveira roxa surgiu. Barry sorriu ladino, sabendo muito bem que poderia contra uma cabeça voadora daquelas. O problema, foi que não surgiu apenas a cabeça. Logo as costelas, braços, coluna, pélvis e pernas surgiram, também do chão. Revelando um esqueleto completo na cor roxa.
Barry deixou o queixo cair, perdendo a pose, quando o esqueleto virou a cabeça em sua direção. Megan se abaixou ao lado do homem, começando a cortar as vinhas do pé do barbado. O esqueleto correu na direção de Barry e Megan, apontando suas mãos finas e roxas para o humano. O caçador atirou em um braço da coisa e o mesmo se desmontou, mas não parou a corrida do esqueleto.
Barry atirou no outro braço, mas nada ocorreu. Ele atirou no peito, mas as costelas apenas racharam com o impacto da bala. Cansada, Megan se ergueu, buscando o revólver em sua cintura e o apontou para a cabeça da criatura, acertando uma bala no centro da testa, fazendo a criatura cambalear para trás.
— ali é o ponto fraco – ditou a morena de cabelos curtos, impaciente, e o homem destravou a espingarda, acertando o buraco criado por Megan, destruindo a cabeça por completo, fazendo o corpo cair no chão e ser absorvido pelo mesmo.
— pronto – ditou Megan assim que acabou de cortas as vinhas.
— viu só?! – exclamou o humano, convencido mais ainda de que poderiam matar aquela bruxa.
Mas, ao olhar para a frente, a encapuzada não estava mais lá. Megan se sobressaltou, assustada, quando o corpo de Barry fora brutalmente jogado para a frente, ao ser atingido por algo nas costas.
A coluna de Barry se quebrou com o impacto. Megan escutou o estalo agonizante dos ossos se separando. Olhando melhor, ela pôde ver uma caveira idêntica a qual ela acertou uma bala, presa as costas do companheiro de equipe. Ao olhar para trás, a morena pôde ver a mulher de sobretudo e capuz escuros como a noite silenciosa, um pouco distante, apontando com uma mão para a direção em que ela estava, indicando que ela havia acabado de lançar aquela coisa no seu companheiro.
— é. Eu vi, sim –
— desgraçada – rosnou Megan puxando o revólver e disparando uma vez contra a besta da noite, vendo a mesma desaparecer, novamente, em folhas secas.
— SOCORRO! – gritou Barry expressando a dor que sentia.
— ESSA COISA ESTÁ ME COMENDO! – exclamou desesperado sentindo os dentes da caveira rasgando a sua carne cada vez mais.
— mas que porra! – exclamou Bartolomeu correndo até Barry e acertando um chute na caveira.
— vadia maldita! – exclamou Rafael disparando uma de suas pistolas contra o alvo, vendo a mulher desviar do disparo por pouco.
O McCall se viu surpreso com aquilo. Como alguém conseguia ser rápido ao ponto de desviar de uma bala que fora disparada de surpresa?! Aquilo estava muito estranho. Aquela bruxa parecia ser inatingível até para as balas de suas armas e suas miras quase impecáveis.
— quantos vão morrer até vocês perceberem que não podem comigo? – questionou a encapuzada saltando para alcançar o galho de uma árvore com a mão.
— ela está certa. Não podemos com isso. Ela é forte demais – argumentou Megan, disparando contra a bruxa, que apenas se balançou no galho para dar a volta no mesmo, parando acima do pedaço de madeira.
E foi naquele momento em que Rafael percebeu. Os três disparos efetuados por Megan deveriam atingir o alvo perfeitamente. Mas a bruxa se quer tentou desviar dos mesmos e ainda assim não fora atingida por nenhum dos três projéteis. Por prestar bastante atenção, ele notou que os disparos estavam atravessando o corpo alheio sem causar dano algum.
— é uma miragem.... Ela é uma miragem! – exclamou o líder do esquadrão, após murmurar pensativo.
— uma miragem? – indagou Bartolomeu confuso, vendo o McCall se aproximar de si, calmamente.
— ISSO PARECE UMA MIRAGEM, CARALHO?! EU NÃO CONSIGO SENTIR AS MINHAS PERNAS – gritou Barry, irritado.
— se concentre – ditou Rafael fechando os olhos e começando a se acalmar.
Ele ignorou o som de Barry, gritando de dor, enquanto chorava por ter perdido os movimentos de suas pernas. Mas o sofrimento do caçador não durou muito quando o mesmo, do nada, teve a cabeça puxada para trás com força, quebrando o seu pescoço e o matando na hora. Bartolomeu se sobressaltou, se afastando e Rafael disparou a arma na direção em que ouviu um farfalhar de folhas.
No mesmo instante, o ambiente a sua volta se transformou. A floresta não era cheia de folhas e belas árvores, como antes. Era uma floresta quase morta, com marcas de fogo para todos os lados e folhas secas e queimadas espalhadas pelo chão. A coluna de Barry permanecia marcada com os dentes da caveira, mas a sua cabeça estava diferente. Ao invés de estar apenas jogada para trás, ela também estava atravessada por um raiz grossa.
— MAS QUE PORRA! – exclamou Bartolomeu, surpreso.
Rafael olhou para a direção em que apontava a arma, vendo uma encapuzada, um pouco ao longe, com a mão no rosto, sentindo algo quente e molhado em seus dedos. Era sangue. A bala da arma de Rafael atravessou toda a distância, acertando, de raspão, o rosto da mulher de sobretudo escuro.
Rafael sorriu.
A encapuzada também.
Batendo palmas, deixando todos confusos, a mulher começou a se aproximar a passos lentos. A cada passo da encapuzada, mais armas eram apontadas para si, enquanto os próprios caçadores recuavam. Era óbvio que aquela mulher era mais perigosa do que a maioria das bruxas. Todo cuidado era pouco.
— você é o primeiro humano a conseguir me acertar durante o meu feitiço – ditou a mulher parando de avançar, antes de parar de bater palmas.
— e daí?! Eu vim aqui para lhe matar. Não vim despreparado – argumentou o caçador tentando parecer o mais ameaçador possível.
— ah, meu odiado humano, você veio, sim – disse a encapuzada batendo uma única palma, com as mãos alinhadas e logo vinhas surgiram aos montes ao redor dos humanos.
Os caçadores foram capturados com tamanha facilidade que chegava a entediar a mulher. Eles tentaram se soltar das vinhas, mas fora em vão. As plantas recém criadas se enroscaram em seus corpos e começaram a os erguer do solo sem qualquer tipo de dificuldade ou capacidade de resistência por parte das vítimas. Eles se debatiam e tentavam forçar uma saída, mas era ridiculamente falha.
— quem é você? – questionou Megan tratando de tentar ganhar tempo para eles.
— eu possuo muitas denominações, mas a mais utilizada é Death – respondeu a encapuzada se aproximando mais de Rafael.
— o que faz nessa cidade? – perguntou o McCall vendo a mulher parar diante de si.
— estou governando um bando de lobisomens para capturarem alguém do meu interesse. Vocês vieram aqui me matar, pelo que deu para ver – respondeu Death vendo o humano lhe fitar com surpresa.
— uma bruxa?! Liderando lobos?! – questionou o homem, surpreso.
— eu dominei o alfa deles. Agora, eles me devem obediência – ditou a mulher e Rafael gargalhou.
— eles são bestas unidas. Na primeira oportunidade vão atacar você – argumentou Bartolomeu vendo a encapuzada lhe encarar.
— vocês também são – comentou antes de ignorar o caçador ao lado e se focar no moreno a sua frente..
— eu sei que mais cedo ou mais tarde eles podem se voltar contra mim. Mas é por pouco tempo. Sem contar que eu fiz uma oferta tentadora. Eles me trariam o que eu queria e, em troca, eu aniquilaria um bando adversário. Qualquer um que o alfa quisesse – respondeu Death sorrindo para o caçador de cabelos pretos.
— eles aceitaram com sorrisos largos. Largos como o meu quando você quase me acertou – falou a encapuzada deixando todos confusos.
— você está feliz? – questionou Rafael e logo ele sentiu uma das mãos da mulher em sei peito.
— você é um humano interessante. E eu sinto que você pode me divertir ainda mais. Por isso, vou deixar vocês irem – ditou Death ignorando a pergunta do humano.
— mas, você foi o humano que conseguiu um feito incrível. Por isso, vou lhe recompensar com um pouco do meu poder – falou a encapuzada colocando a mão na testa de Rafael, que se debateu, a afastando.
— eu não quero o seu poder! Quero continuar humano! – ralhou o McCall com ódio no olhar.
— eu não vou lhe dar habilidade alguma, imbecil. Vou apenas usar um dos meus poderes com você – corrigiu Death socando a barriga do homem para o manter quieto.
— apenas me diga algo que você quer muito ter e eu lhe digo onde encontrar. Se for um objeto, será mais fácil. Mas um ser vivo tem que permanecer vivo – falou a encapuzada enquanto analisava as próprias unhas.
— vamos ver se você advinha o que eu quero – provocou Rafael, sorrindo, vendo a bruxa suspirar.
— se não quer ajudar, então o farei a força – falou a encapuzada colocando a mão sobre o peito do homem e logo vários flashs de imagens começaram a surgir em sua mente.
— a sua mulher, está morta – anunciou Death vendo o semblante do caçador mudar de sorridente para furioso.
Ele odiava aquele assunto.
— não ouse ler a minha...
— mas o seu filho está vivo – ditou a encapuzada calando o humano imediatamente.
— interessante – murmurou Death antes de sorrir ladina.
— isso vai ser divertido. É uma pena que eu não possa ver pessoalmente – murmurou enquanto se afastava do home..
— é mentira! A minha mulher e o meu filho morreram há muito tempo! – acusou Rafael sentindo o ódio consumir o seu corpo.
— a natureza não erra. Se ela diz que o seu filho está vivo, então ele está vivo. Se não quer saber onde ele está, tanto faz. Já lhe fiz um favor, não sou obrigada a fazer outro – ditou a encapuzada dando as costas e se afastando.
— espere! – chamou Rafael assim que a mulher deu cinco passos.
— o-onde. Se ele está vivo, onde ele está? – indagou Rafael, derrotado, sentindo, aos poucos, a esperança crescendo em seu peito.
Um sorriso grande surgiu nos lábios de Death, antes de ela erguer o braço direito para a direita.
— para lá. Em uma cidade longínqua chamada de Beacon. Procure bem por lá e irá encontrar. Não vai ser difícil de o identificar se ele ainda tiver o mesmo queixo torto de suas memórias – com um estalar de dedos da mulher, as vinhas começaram a soltar os caçadores.
— agora! – ditou Bartolomeu apontando a arma para a encapuzada.
Megan seguiu o exemplo, mas os dois foram impedidos de atirar quando duas aves de rapina desceram dos céus com velocidade, e passaram a atacar as suas mãos, distraindo os dois caçadores. Rafael nada fez. Ele sentia que estava em dívida com aquela mulher. Isto é, se o seu filho estivesse realmente vivo. Do contrário, ele retornaria e não se cansaria de caçar aquela bruxa, mesmo que aquilo o levasse ao inferno.
Ninguém brincava com a sua família.
— isso vai ser cruel. Divertidamente cruel – confessou Death ainda sustentando um sorriso vitorioso enquanto uma coruja se aproximava e pousava em seu ombro e virava a cabeça para trás, protegendo a retaguarda da mulher.
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