Talia acordou atordoada. Ela se sentia tonta e perdida. Os cheiros de preocupação e receio lhe atingiram as narinas, enquanto a mulher ainda procurava ajustar a sua visão. Ela tentava entender onde estava e o que estava acontecendo. A morena abriu os olhos, vendo a imagem de um loiro conhecido por si se formar. Ela viu o loiro sorrir minimamente para si. Só então ela notou que havia alguém acariciando os seus fios negros.

— está se sentindo bem? – perguntou o loiro vendo a mulher sorrir para si.

— e tem como não me sentir bem acordando com você assim? – perguntou a alfa vendo o beta sorrir e beijar-lhe os lábios em um toque calmo e singelo.

— ficamos preocupados com você – murmurou o rapaz afastando-se minimamente.

— porque ficariam preocupados comigo? – questionou a alfa, confusa, vendo o loiro respirar um pouco pesado, antes de suspirar. Mesmo que quisesse privar a parceira, ela deveria e iria saber.

— você desmaiou quando o conde cancelou o casamento – respondeu o loiro vendo a morena arregalar os olhos e se sentar de imediato.

Ela jurava que era apenas um sonho confuso. Um pesadelo no qual o nome do seu bando ficaria manchado. Mas Lance confirmou o seu maior medo: Stiles havia, de fato, cancelado o casamento. Ela sentiu o loiro se sentar na cama e se aproximar, a abraçando. Talia estava muito apreensiva. Eles precisavam de mais alianças, ou poderiam sofrer consequências severas.

— ele cancelou mesmo o noivado? – perguntou Talia mais para si mesma do que para Lance.

— bom, ele não cancelou definitivamente. Ele apenas mencionou que iria fazer e você desmaiou. Alexander e eu pegamos você antes que caísse no chão. Enquanto o conde foi tomar um banho para tirar o sangue do corpo, Alexander e eu lhe trouxemos para cá. Ficamos com você o tempo todo, até Derek anunciar que o conde estava esperando por Alexander. Os dois ainda estão no escritório debatendo a possibilidade de resolverem sejam lá quais forem os problemas que implicaram em o conde Stilinski pensar em cancelar tudo – explicou Lance e, no mesmo instante, Talia lhe fitou surpresa, antes de se erguer, mesmo com os chamados do loiro.

— eu preciso participar dessa conversa – falou a morena abrindo a porta e caminhando na direção do escritório, ignorando o fato de estar descalça.

Lance se levantou em um salto, correndo atrás da alfa e parceira. Ele temia que, estando fraca, a loba desmaiasse novamente. O louro viu Talia cruzar o andar de cima, rumo as escadas, as pressas. Ela desceu as escadas sendo encaradas por todos. A alfa ignorou todo e qualquer questionamento, seguindo a passos firmes e ágeis para o escritório da mansão.

Os betas e comandantes do bando Hale encararam, em silêncio a mulher desaparecer no corredor, sendo seguida por um Lance desesperado que tentava, a todo custo, fazer a mulher se acalmar, mas falhava miseravelmente. Peter olhou para a filha dele com Cláudia e para a sobrinha, sussurrando um “corram”. Ele sabia que as duas garotas ficavam apreensivas quando os dois alfas gritavam. No mesmo instante Malia e Cora correram para o lado de fora da casa, seguindo para o jardim do vilarejo.

Talia estava furiosa. Ela estava indignada. Ela se sentia traída. A mulher abriu a porta do escritório com força, calando não só o marido e o conde, como também Lance em sua tentativa de pedir calma para a alfa. Os dois alfas dentro do escritório encararam a mulher adentrar o mesmo a passos pesados e ágeis. Talia se aproximou do castanho o encarando com fúria e desgosto. O castanho iria se manifestar quando ela o calou, ao apontar com o indicador para o mesmo. Stiles encarou fixamente a garra do indicador da alfa que já nascia no dedo, antes de desviar um olhar entediado para a mulher.

— eu acho bom que você tenha um motivo muito bom para cancelar esse noivado. Porque eu não tive todo o trabalho que tive para convencer o meu filho a entrar nesse acordo, para você jogar tudo para o ar por qualquer coisa – ditou a mulher, visivelmente irritada e o castanho sorriu nasalado, fazendo a mulher tomar uma carranca na face.

— Talia... – Alexander tentou intervir, mas a mulher não lhe deu ouvidos.

— ainda acha graça? – questionou indignada vendo o conde se levantar lentamente, antes de erguer a mão aberta para si, exibindo quatro dedos.

— eu lhe dou quatro motivos bons o suficiente para fazer qualquer alfa desistir desse noivado – disse castanho em um tom sério, enquanto encarava a mulher com igual intensidade.

— e quais seriam? – indagou Talia vendo o rapaz encarar a própria mão com falsa diversão no olhar.

— o próprio pretendente destratou o parceiro e alfa do outro bando. Os seus betas afrontam o alfa aliado. Os seus betas destratam os betas aliados. Um dos betas chegou a tentar agredir o alfa aliado – ditou o castanho com seriedade, encarando a mulher engolir em seco, mas ainda assim permanecer com a expressão severa na face.

— somente esses quatro já seriam motivos suficientes para fazer qualquer alfa agarrar o orgulho e dar o fora daqui sem olhar para trás, Senhora Hale – falou o Stilinski em um tom autoritário, fazendo a mulher respirar fundo.

— e por que ainda não o fez? – questionou entre dentes, que já se tornavam presas. Stiles ergueu uma sobrancelha, encarando a alfa questionador.

— TALIA! – ralhou Alexander encarando a mulher com seriedade, vendo a mesma lhe olhar da mesma forma.

Eles ficaram um tempo se encarando com seriedade, em silêncio. Logo a mulher perdeu a expressão furiosa, substituindo a mesma por uma cansada e desesperada. A loba passou as mãos pelos longos fios negros, antes de começar a caminhar de um lado para o outro. Lance adentrou o escritório e fechou a porta, para isolar a conversa.

Ela sabia. Talia sabia que o seu bando havia dado motivos para o conde tomar a decisão de cancelar o casamento. A Hale só... Só não conseguia aceitar que ela se esforçou tanto com o intuito de fazer aquela aliança dar certo para que em poucos dias ela fosse frustrada por seus betas inconsequentes.

— eu sei. Eu só não quero acreditar, sabe? Eu... Me sinto tão frustrada comigo e com o meu bando que... Me desculpe – falou Talia, mordendo o lábio inferior e passando as mãos pelos cabelos novamente.

— está tudo bem, Talia. Não foi culpa sua – ditou Stiles, suavemente, tentando acalmar a loba.

— não há nada que possamos fazer para você mudar de ideia? – questionou o loiro se aproximando, abraçando a alfa e parceira, apoiando o queixo sobre o ombro da mesma.

— eu receio que não. Eu já expliquei a Alexander e vou explicar para vocês: há muita gente insatisfeita com a ideia desse casamento. É melhor deixarmos isso de lado. Vocês me ajudaram quando precisei e jamais vou esquecer isso. Serei seu aliado, mesmo que não siga em frente com o noivado. Sempre que precisarem é só nos chamarem, mas não creio que devamos unificar os dois bandos com esse noivado – disse o Stilinski, encarando a mulher e o loiro lhe fitarem curiosos e confusos.

— como assim tem muita gente insatisfeita? Do que está falando? – perguntou Talia encarando o castanho suspirar e encarar Alexander.

O Hale entendeu aquilo como um “agora é com você”. O moreno de olhos verdes suspirou, encarou a mulher com um olhar tão frustrado quanto o da mesma e deu a volta na mesa, parando na frente da mulher e do parceiro. Os dois lhe fitavam curiosos e ansiosos. Lance até desfez o abraço na parceira para encarar o parceiro melhor. Alexander suspirou cansado, antes de coçar a barba e ousar se manifestar. Ele sabia que Talia ficaria uma fera quando soubesse o real motivo do cancelamento do noivado.

— nossos betas têm falado de nós, Talia. Eles tem criticado a nossa decisão e a nossa escolha de aliados – disse o alfa vendo a parceira lhe fitar confusa e questionadora.

— eles o quê? – questionou a mulher achando não ter ouvido direito.

— eles têm questionado as nossas ações. Primeiro questionaram o motivo de escolhermos um bando de ômegas como aliados, depois questionaram a nossa decisão de termos os acolhido em nosso território. Agora sussurram sobre uma provável traição por poder por parte dos ômegas – disse Alexander encarando a mulher lhe fitar embasbacada.

— não. Não pode ser – murmurou a morena, se negando a acreditar que os seus betas fariam algo do tipo.

— Lance confirmou. Não são apenas os amigos de Derek que têm aprontado com o bando Stilinski, o que explica o tempo que ficam dentro dessa casa. Eles não saem para nada, e quando saem voltam rapidamente. Eles escutam, Talia. Sabem do que os outros falam. Não me surpreende que o conde não queria se aliar ao nosso bando da maneira que pretendíamos – ditou Alexander vendo a mulher encarar o loiro em questionamento.

— o vilarejo inteiro fala. Quando o Conde estava voltando no ombro de Reaper, eu estava voltando da cidade. Eu pude ouvir que eles questionavam a presença deles em sussurros e também o seu critério de escolha para aliados – disse o loiro vendo a mulher desviar o olhar para o solo.

— mas o que merda eu fiz com esse bando? O que porra eles têm na cabeça? – questionou a mulher erguendo o olhar para o marido.

Lance podia sentir o cheiro de frustração e raiva sendo exalado pelos parceiros. Ele não estava surpreso pelos cheiros dos dois. Até mesmo ele os liberou quando ouviu todas aqueles pensamentos absurdos para com os seus alfas. Ele viu Conde negar com a cabeça suavemente.

— não importa a influência que tenhamos com os outros, ainda haverá momentos em que seremos questionados, Talia. Podemos tomar mil e uma decisões corretas, mas basta uma que aparente ser errada para sermos questionados e apontados – falou o conde vendo a morena conter lágrimas de raiva e frustração.

Batidas na porta foram ouvidas e logo a mesma fora aberta, exibindo Peter, que adentrou o escritório um pouco receoso, porém ele também estava curioso. Todos puderam ouvir o grito de Alexander para com a mulher, a repreendendo. Desde então a curiosidade se instalou no bando Hale e no bando Stilinski, que apenas não iam bisbilhotar o que ocorria no escritório por respeito aos membros do outro bando que se encontravam presentes na sala.

— chegou uma carta para vocês e uma para o Stiles. São da Rainha – disse loiro erguendo as duas correspondências e logo Talia e Stiles as tomaram em mãos, agradecendo ao loiro mais velho.

— está tudo bem por aqui? – questionou Peter enquanto viam dois dos três alfas abrirem as cartas.

— na medida do possível, Peter. Na medida do possível – murmurou Alexander se apoiando na mesa com as nádegas e cruzando as pernas, assim como os braços.

— então vão mesmo cancelar o noivado? – questionou o loiro mais velho encarando o conde.

— é a intenção – respondeu o Stilinski, descontraído, enquanto lia a carta em suas mãos. Talia suspirou encarando o marido.

— problemas. A guarda Real especializada em nosso mundo identificou uma ameaça se aproximando de Beacon – disse a mulher vendo o marido erguer uma sobrancelha para si.

— e o que seria? – questionou Alexander vendo o castanho suspirar.

— um mestiço. Um lobisomem feiticeiro – respondeu o castanho notando que havia duas cartas em seu envelope. Ele puxou a segunda e passou a ler a mesma.

— seria grosseiro perguntar do que se trata a segunda? – questionou Peter vendo o parente do marido terminar de ler a carta e lhe fitar antes de negar com a cabeça.

— ela fala que a rainha ficou sabendo do incêndio e pergunta se está tudo bem, se houve perdas e se temos lugar para ficar – respondeu guardando ambos os papéis antes de colocar o envelope no bolso de sua camisa.

— e o que pretende responder? – perguntou Lance vendo o conde suspirar e encarar a janela.

— não pretendo sair da cidade. Isso implicaria em problemas os quais prefiro evitar. Sem contar que preciso fazer algo sobre esse feiticeiro. Então vou responder apenas com agradecimentos pela oferta feita, dizer que está tudo bem e que irie investigar sobre o feiticeiro – disse o castanho encarando o lobo lhe fitar com seriedade.

— e o que pretende fazer sobre o casamento? – inquiriu Peter vendo o castanho suspirar.

— eu não quero fazer nada muito precipitado, novamente. Já fui precipitado ao aceitar essa aliança muito rápido, sem analisar os problemas da mesma. Por isso vou dar um tempo nas coisas, ver se tudo se acalma. Mas não irei me demorar muito. Embora eu esteja dando um tempo ao tempo, posso lhe assegurar que é quase certeza de que esse casamento será cancelado – respondeu o castanho encarando os alfas do bando Hale lhe fitarem tristonhos.

— sentimos muito por ter de passar por isso – disse Alexander vendo o conde suspirar e negar com a cabeça.

— ambos os lados fora precipitados e irresponsáveis. Não se culpem sozinhos. – falou Stiles vendo os alfas suspirarem.

— é um pouco difícil devido a nossa atual situação – ditou Talia se jogando sentada em uma das cadeiras.

— se importam se eu usar a biblioteca de vocês? – indagou o conde, vendo os alfas negarem prontamente.

— você sabe que está em casa. Pode usar o que quiser, aqui – respondeu Talia encarando o conde com frustração.

— não seremos mais uma família, Talia. Devo me portar apenas como uma visita, agora — disse o castanho vendo a morena suspirar.

— mas ainda seremos aliados, pelo que me disse. E se és meu aliado, serás sempre bem vindo a minha casa como um membro da minha família – rebateu a morena surpreendendo o castanho.

— uma pergunta. Ainda seguirá em frente com as condições que nos estabeleceu? – questionou Alexander vendo o castanho negar com a cabeça.

— não irá funcionar sem o casamento. Agora, se me dão licença, preciso educar o meu bando — respondeu o castanho se erguendo e reverenciando os lobos, antes de passar por Peter. O loiro mais velho encarou o Stilinski desaparecer pela porta, antes de se virar para os alfas.

— quais são essas as condições aí? – questionou Peter vendo os alfas suspirarem.

— esqueça. Não precisa mais se preocupar com isso – ditou Talia cansada.

Ela simplesmente não acreditava nisso. Em sua visão, o seu bando sempre foi perfeito. Eles sempre aceitavam as suas decisões e também sempre os apoiavam e elogiavam. Ela estava em choque com a revelação de que o seu tão querido bando questionava a sua decisão quanto a aliança. E o pior, lhe envergonharam diante de outro bando.

Talia estava furiosa. Ela não havia aceitado um casamento arranjado para isso. A Hale não havia se tornado uma alfa para isso. A morena simplesmente não conseguia crer que aquilo estava acontecendo. Ela não queria acreditar que perdera uma aliança por causa do comportamento dos seus betas. A mulher estava sentindo vontade de afundar os dentes na pele de alguém.

Talia se levantou de sobressalto, assustando um pouco os outros lobos. Ela saiu do escritório as pressas, chamando pelos três homens que ficaram no local. A mulher parou na sala, vendo o conde parado, em pé em uma pose confiante.

— eu quero todos os membros do meu bando na biblioteca – ordenou o castanho e logo os seus betas passaram a lhe seguir para o cômodo.

— eu quero todos vocês no pasto do bosque, agora – ordenou a mulher furiosa, antes de seguir para a porta da mansão, abrindo a mesma com força desnecessária.

Talia retirou as próprias roupas, se transformando em uma loba de pelos negros logo em seguida. A loba ergueu a cabeça e uivou alto, fazendo os pelos da nuca de todo e qualquer lobo que pertencesse ao bando Hale se eriçarem. Sempre que um de seu alfas uivava convocando uma reunião com todo o bando, é que algo estava acontecendo.

Era até bonito de se ver, tantos lobos correndo em sua forma animal por entre as casas e até saindo das mesmas, seguindo uma só direção. Assim que chegaram ao bosque, no local onde deixavam os cavalos pastando, todos os lobos se transformaram novamente, retornando a forma humana e se espalhando sentados pelo chão ao redor da alfa, que se encontrava em pé sobre um tronco cortado que lhe servia de palanque.

— eu devo dizer que estou muito decepcionada com vocês – ditou a mulher assim que todos os duzentos lobos se encontravam ali.

Ninguém foi capaz de questionar o motivo, somente o cheiro de frustração e fúria dos alfas e comandantes era o suficiente para manter a todos de boca fechada. Talia caminhava de um lado para o outro sendo encarada com apreensão pelos betas. Alexander deu um passo a frente, cruzando os braços diante do peito.

— eu nunca me senti tão indignado em toda a minha vida – ditou o moreno de olhos verdes deixando os betas mais nervosos ainda.

— eu nunca me senti tão irada – ditou Talia vendo os betas irem encolhendo os ombros a medida em que eles falavam

— eu nunca me senti tão envergonhado – ditou Alexander com autoridade na voz.

— eu nunca me senti tão humilhada na minha vida – ditou irritado, tentando controlar o rosnado. Ele parou de caminhar de um lado pata o outro para passar a encarar o seu enorme bando.

— d-do que os senhores estão falando? – questionou um dos betas, receoso da resposta.

— do que estamos falando? – questionou Talia encarando o beta antes de sorrir nasalado e encarar o marido, que apenas meneou positivamente e a mulher se virou bruscamente para o beta, o assustando.

— DO QUE ESTAMOS FALANDO?! ESTAMOS FALANDO DA MERDA QUE ANDAM FAZENDO! – urrou a mulher fazendo alguns betas saltarem para trás, assustados.

— d-do que estás a falar, minha senhora e alfa? – perguntou uma das betas vendo a alfa tomar um olhar enfurecido.

— nós temos todo um trabalho para deixar um bando aliado confortável em nosso território para virem vocês e estragarem tudo – Talia disse tentando controlar mais um rosnado.

— é sobre os ômegas? – questionou uma mulher vendo Talia ficar ereta corretamente e respirar fundo. Ela não queria pensar que os seus betas estavam se fazendo de desentendidos para ela. O que ela tinha feito de errado, Deus?

— mas quem fez aquele monstro gigante sair correndo foi o Raeken – argumentou um dos homens apontando para Theo, que se encolheu receoso. Talia rosnou furiosa, assim como Alexander.

— não tentem culpar o Theo sozinho. Ele abriu a boca quando não deveria? Ele abriu. Mas ele não foi o único a abrir a boca por aqui, estou certa? – argumentou Talia, vendo quase todos os betas abaixarem a cabeça.

— eu estou muito decepcionada – ditou Talia negando com a cabeça e rosnando, fazendo os betas se encolherem mais.

— mas eles são ômegas, minha senhora! Todos sabem que ômegas não tem controle algum. E o líder deles é um humano. Não tem como um humano conseguir controlar nem mesmo um beta, quem dirá ômegas – um dos betas se manifestou em defesa, o que fez a irá de Talia subir. A mulher iria rosnar novamente, quando Alexander ergueu a mão a parando.

— qual de vocês não concorda com a ideia de fazermos aliança com um bando de ômegas? – questionou Alexander e quase todos ergueram as mãos. Os dois alfas lamberam os lábios, tentando se controlar.

— e quem concorda? – questionou Talia e somente Peter, Cláudia, John, Lance, Cora, Malia e Laura ergueram as mãos, Derek, um pouco indeciso, surpreendeu os pais erguendo a sua mão.

— os que não ergueram as mãos em nenhum das perguntas apenas não disseram que não concordam por receio das consequências – ditou Benjamin encarando a alfa com seriedade. Ele fora um dos que votaram contra a aliança.

— agora mais uma pergunta: quando foi que nós decepcionamos vocês quanto as nossas escolhas para com o bando? – questionou Talia encarando todos abaixarem as cabeças, envergonhados.

— foi o que pensei – disse a mulher antes de cruzar os braços e se jogar sentada sobre o tronco de árvore.

— mas o que merda têm na cabeça de vocês? Questionarem seus alfas e ainda criarem histórias sobre os nossos aliados? – indagou Alexander, indignado.

— o que o druida acha sobre eles? – questionou um dos betas, receoso.

— o druida disse para termos certeza de que devemos trazer eles para o nosso lado, tolo. Alan, como um druida, tem o dom de reconhecer o verdadeiro ser de cada um. E ele deixou bem claro que está mais do que interessado no bando do conde – ralhou Talia irritada.

— vamos estabelecer algumas regras severas a partir de agora – ditou Alexander chamando a atenção da mulher e dos comandantes e causando sussurros nos betas.

— não façam esse espanto! Vocês nos decepcionaram, saíram da linha e já estragaram a nossa chance de aliança. Por culpa de vocês o conde está pensando seriamente em cancelar o noivado e ir embora – ditou Alexander e uma mistura e alívio e nervosismo tomou conta do local.

Os betas se sentiam aliviados por saberem que talvez os ômegas fossem embora. Eles se sentiam ameaçados com os lobos que ganharam poder em troca de sua sanidade. Embora o bando Stilinski aparentasse ser educado e controlado, os betas sentiam como se a qualquer momento os ômegas fossem perder a sanidade e começar a atacar tudo e todos. Mas eles também se sentiam nervosos, pois a ideia de perder os ômegas não parecia agradar ou aliviar os seus alfas. Talia rosnou para aquele cheiro.

— eu não quero ouvir mais nenhuma ideia ridícula de conspiração, muito menos qualquer idiotice que pensem sobre o bando Stilinski – rosnou Talia se erguendo autoritariamente, deixando os betas cada vez mais nervosos.

— a partir de agora, eu quero que retirem toda e qualquer ideia ridícula dessas da cabeça. Se eu souber que isso continua se repercutindo, as consequências serão severas, ainda mais se o culpado não admitir – rosnou a mulher exibindo os olhos escarlates, assim como o marido, fazendo com que todos, até mesmo os comandantes sentissem um calafrio percorrer a espinha.

Os betas estavam em choque. Seus alfas nunca se mostraram tão furiosos consigo. Eles nunca usaram aquele tom, muito menos foram tão agressivos com eles em momento algum. E isso os fez questionar a necessidade do bando para com aquela aliança. Derek engoliu em seco quando o seu bando questionou sobre a necessidade da aliança com o conde Stilinski.

— é, o nosso bando precisa de mais alianças. Os outros bandos, incluindo os rivais, andam fazendo muitas alianças e ganhando número e território. Pode ocorrer de o nosso bando ser atacado e acabar perdendo devido a diferença de números – ditou Talia vendo os betas lhe fitarem apreensivos.

— o que iremos fazer? – questionou um dos betas vendo a alfa cruzar os braços diante do peito.

— o que deveriam ter feito desde o começo: tratar o bando Stilinski com respeito e tentar ao máximo os deixar confortáveis em nosso território e em nossa presença – respondeu a mulher vendo os betas engolirem em seco e menearem positivamente em um ato de aceitação a ordem da alfa.

— esperamos não nos decepcionarmos com vocês novamente – disse Alexander vendo os betas menearem positivamente.

— vamos nos esforçar para isso, meu senhor. Mas... Será difícil. Não estou dizendo que não tentaremos ao máximo, mas... eles ainda nos incomodam, sem contar que ainda não sabemos se eles podem nos atacar ou não – disse um dos betas encarando os alfas suspirarem.

— mas é claro que eles podem lhe atacar a qualquer momento. Se eu fosse tratado como vocês os tratam, eu não pensaria duas vezes antes de arrancar a cabeça de vocês fora – disse Peter com desdém.

Como sempre, o loiro era o mais temido dentre os comandantes. Ele sempre fora mais violento e mais animalesco do que os outros lobos. Sempre tratando a violência e a morte como elas realmente eram: naturais. Os betas engoliram em seco antes de verem o moreno dos olhos verdes, filho dos seus alfas, se erguer e caminhar até onde os pais se encontravam. O rapaz recebeu a permissão dos pais para subir ali e se virar para os seus companheiros de bando.

— eu não posso criticar vocês quanto ao modo como pensam sobre o bando Stilinski – disse o moreno de olhos verdes, surpreendendo os pais, que lhe fitaram indignados, mas ele ignorou.

— eu não posso exigir que mudem o seu jeito de pensar e nem posso controlar ele. Mas eu posso pedir. Pedir em nome do respeito que sentem pelos meus pais e pelo respeito que sentimos uns pelos outros. E é por esse respeito que eu peço que tentem ao máximo deixar os ômegas e o meu noivo confortáveis – pediu o moreno de olhos verdes vendo os betas lhe fitarem um tanto surpresos.

— eu sei como se sente. Porque eu me senti da mesma forma. Até cinco dias atrás eu era solteiro, dois dias depois eu já estava sendo apresentado ao meu noivo. Eu não gostei nada daquilo, não queria aquilo e temia ele e os ômegas tanto quanto vocês. Mas ontem, eu percebi que ele é um homem engraçado, gentil e carinhoso. Eu... Não me via seguindo em frente com isso, antes. Mas agora eu vejo e... Gostaria que tratassem o meu noivo com respeito, como se ele fosse um membro nascido do nosso bando – ditou o Hale, encarando Braeden em boa parte do seu discurso, antes de desviar o olhar para focar nos outros betas.

Derek tentou ignorar o olhar assassino de Braeden para si, já os betas não se deram ao trabalho de ignorar o odor de raiva e ciúmes da loba. Cláudia encarou a loba com um olhar severo. A castanha sempre teve bons instintos e eles lhe diziam para ficar de olho naquela mulher. E se tem uma coisa sobre a qual a família Hale aprendeu rapidamente, era sobre os instintos da loba alfa de cabelos castanhos.

Os instintos de Cláudia sempre tinham razão.