The Engagement
35 Prova
— Conde Stiles?! – questionou Jordan surpreso ao reconhecer o adolescente ao lado do irmão de sua noiva.
— Oficial Parrish – cumprimentou o castanho ao ver o louro se aproximar.
— o que faz aqui? – indagou o homem erguendo a mão para o mais novo.
— eu iria lhe questionar o mesmo – disse o Stilinski vendo o louro sorrir para si enquanto lhe apertava a mão.
— eu cheguei de viagem hoje cedo e vim ver a minha noiva, Laura – explicou o Parrish estendendo a mão para a mulher que tratou de agarrar a mesma na sua, entrelaçando os seus dedos.
— ah, então você que é o parceiro de alma da mais velha – afirmou Stiles vendo o homem sorrir largo.
— eu mesmo – falou o homem beijando a mão da morena que sorriu para si. O homem parou de sorrir quando finalmente analisou as palavras do castanho.
— espera. Como sabe sobre companheiros de alma? – indagou desconfiado.
— eu estou aqui para firmar um tratado – o conde respondeu a pergunta do delegado, vendo o mesmo lhe fitar questionador, antes de perceber a braçadeira no braço do mesmo e a mão do irmão de sua noiva com os dedos entrelaçados com os do adolescente.
As palavras de Laura explicando que o alfa de ômegas estava noivo do irmão da mulher vieram em sua mente treinada que logo trabalhou, tratando de unir as peças do quebra cabeça. Ao olhos de Jordan se arregalaram brevemente quando o mesmo percebeu o que estava sendo dito nas entre linhas daquele diálogo.
— espera. Você é o alfa que está se casando com o Derek?! – indagou o policial, surpreso.
— sim. É ele – respondeu Derek apertando levemente a mão do noivo, que sorriu em sua direção
— desde quando está metido com esse mundo sobrenatural? – perguntou o louro e o castanho franziu o cenho para a sua sentença.
— eu odeio essa palavra – disse o castanho, com naturalidade, não notando os lobos franzindo o cenho em sua direção.
— mas, respondendo a sua pergunta, desde que nasci – disse o castanho vendo o homem olhar surpreso em sua direção, enquanto os lobos permaneciam de cenho franzido.
— pensei que só tivesse encontrado o seu beta mais antigo apenas aos treze anos – argumentou Cláudia vendo o adolescente dar de ombros.
— e encontrei. Mas as portas para o mundo de lobisomens, kanimas e afins não me foram abertas por ele. Todos nós já nascemos nesse mundo, afinal, fazemos parte dele. Nós apenas começamos a enxergar ele quando nos deparamos com um de vocês – explicou o conde vendo os olhares pensativos de cada um.
— faz sentido – disse Cora enquanto via os mais velhos lhe fitarem curiosos.
— então vocês já se conhecem – afirmou Laura vendo o noivo menear positivamente.
— o meu irmão trabalha em uma das fábricas do conde. E esse homem aqui também forneceu o novo armamento da delegacia e da guarda real – explicou Jordan vendo alguns franzirem o cenho para suas palavras.
— armamento? – indagou Derek, confuso.
— a fábrica de armas do meu pai ainda funciona – respondeu Stiles vendo o moreno de olhos verdes franzir o cenho em sua direção.
— e perfeitamente, eu diria. São as melhores armas que eu já vi – comentou Jordan e o castanho sorriu vitorioso.
Enquanto isso, Isaac subia os últimos degraus da escada, assim como lhe fora ordenado por seu alfa, para que pudesse acatar a ordem do mesmo de chamar o resto dos ômegas para o almoço. Ao alcançar o andar de cima, o louro fora surpreendido pela imagem de Scott e Allison, abraçados, parados, na porta de um dos quartos.
— pelo amor de nosso Deus. Se contenham – ditou Isaac ao chegar no corredor e notar Scott e Allison a beijos violentos na porta do quarto da morena.
— ciúmes? – indagou Scott, sorrindo travesso, enquanto o louro passava pelos dois, sendo surpreendido por um tapa de Allison em suas nádegas.
— faz tempo que nós quatro não fazemos nada juntos! – exclamou Allison, um tanto desanimada.
— hoje pela noite nós vamos caçar. Mas amanhã pela tarde poderíamos fazer – disse o louro de cachos enquanto seguia pelo corredor, batendo nas portas dos quartos de todos os companheiros de bando.
— o mestre está chamando! – ditou o louro enquanto começava a retornar para o andar de baixo.
— nós podemos demorar um pouquinho para descer – sugeriu Scott enquanto via Allison sorrir para si e ambos desviaram o olhar para o Lahey vendo o mesmo parar ao lado da escada, um tanto pensativo.
— é melhor, não. Stiles está chamando a gente – disse o louro começando a descer as escadas e Scott rolava os olhos.
— ele tem razão. Vamos deixar para amanhã – disse a morena enquanto se afastava do parceiro de queixo torto, acariciando o rosto do mesmo, antes de dar as costas, ouvindo o lobo rosnar para o teto, chateado.
— sem reclamar – disse Kira, passando por Scott, deslizando as unhas pelo queixo torto do homem, o vendo sorrir minimamente, tentando controlar o desgosto que sentia.
O seu alfa o chamava, então ele deveria ir. Ele não havia seguido Stiles quando o conheceu para reclamar por ter que atender aos seus chamados. Sem contar que ele deveria se mostrar um beta eficiente. Ele sabia que o seu alfa não estava muito contente com muitas coisas que estavam acontecendo naquele território. Portanto, ele deveria agraciar o castanho, o deixar contente e tentar o fazer se manter no controle para que o casamento ocorresse o mais rápido possível, sem qualquer contratempo por parte do seu superior.
— é melhor esconder isso daí – brincou Aiden ao passar por Scott e bater com o indicador na cabeça do pau do mesmo por cima da calça, que já se encontra visível devido a tentativa recente do homem de ter um momento a sós com Allison.
— idiota – ralhou o moreno de queixo torto enquanto ajustava o membro na calça e respirava profundamente, por um tempo, controlando o desejo sexual.
O moreno de queixo fora o ultimo ômega a descer as escadas, encontrando Liam já adentrando a sala de jantar. Os ômegas se sentaram em um lado da enorme mesa, do lado em que Stiles se encontrava sentado, enquanto que a família Hale e alguns poucos betas se encontravam do outro lado da mesma. A mesa estava dividia ao meio pelos noivos do tratado, estando Stiles do lado dos ômegas, enquanto Derek se encontrava do lado em que estava a sua família.
Assim que todos se encontravam sentados a mesa, foi que Derek notou a ausência de Ennis. Aquilo gerava um certo alívio em si. Ele mal conhecia o novo beta do seu noivo, mas já não o suportava. A afronta do calvo na mesa de café da manhã ainda lhe incomodava e não era pouco. Por mais que Stiles dissesse que não havia nada mais do que uma amizade entre eles, Derek não gostava do modo como o novo beta do bando de ômegas se portava com o seu noivo.
Ele sentia que, para Ennis, aquilo ainda não havia acabado. O calvo aparentava sustentar a ideia de que o seu passado com o conde ainda tinha algum futuro. Isso lhe irritava. O seu lobo era possessivo. Possessivo demais. Se algo era identificado como seu, o Hale não gostava nem um pouco da ideia de alguém se meter em seu território, principalmente alguém tão ousado e atrevido.
Derek não apreciava nem um pouco a presença de Ennis no território Hale. Aquilo implicava que ele estava perto do seu noivo e isso, por si só, já lhe incomodava. O beta de estatura física maior do que a sua era um homem ousadamente carismático que lhe irritava demasiadamente pelo seu interesse em seu noivo. O moreno de olhos verdes deveria se sentir mais aliviado com a braçadeira no braço de Stiles, mas ele não se sentia assim. Ele sabia, agora, que alguns lobos ousados poderiam, sim, se aproximar, ignorando a alerta das braçadeiras. Tudo graças à loucura que Braeden cometera no templo. Por isso que a ausência do novo beta do seu noivo era tão gratificante para si e o seu lobo.
— vejo que também começou a usar a braçadeira antes do casamento – ditou John vendo o seu parente distante sorrir levemente com a menção do adereço em seu braço.
No mesmo instante todo os membros do bando Hale que se encontravam sentados à mesa direcionaram o olhar para o braço do castanho humano, se surpreendendo com a presença do adereço de runas vermelhas escuras e o símbolo Hale presente na única pedra verde da braçadeira. Peter sorriu divertido na direção do sobrinho, elogiando, mentalmente, a inteligência do moreno de olhos verdes mais novo, enquanto os pais de Derek sentiam um alivio enorme tomar os seus peitos. Aquilo significava não apenas que o seu filho do meio estava tomando juízo e presando ainda mais pelo parceiro, como também que o conde estava decidido a continuar com o tratado.
— sim. O seu sobrinho me presenteou com ele, hoje, enquanto estávamos fora do vilarejo – falou o conde e Derek corou minimamente com a atenção que era recebida dos membros do seu bando.
— parece que alguém está empenhado – provocou Kira sorrindo com diversão na direção do pretendente do seu alfa.
— estou feliz que estejam se dando bem – ditou Cláudia enquanto via o casal de noivos sorrir em sua direção.
— por onde estiveram? Pedi para Jackson lhe chamar, mas ele disse não conseguir lhe encontrar – indagou Alexander vendo o filho lhe fitar um tanto tímido.
— banho de rio – respondeu o moreno de olhos verdes e, no mesmo instante, Peter, John e Cláudia se engasgaram, tossindo uma vez.
John e Peter se entreolharam, enquanto Cláudia abaixava o olhar, tentando conter um sorriso maroto em seus lábios. Todo mundo olhou com curiosidade para os três parceiros, enquanto os três tentavam se conter. No entanto, o gargalhar de Stiles acabou chamando a atenção, inclusive do trio de parceiros, para si. Todos ficaram mais confusos ainda com o gargalhar animado do adolescente com o título de conde. Derek e Laura olharam para os ômegas, esperando os encontrar rindo com o alfa, mas o bando de ômegas parecia tão perdido quanto o bando Hale.
— então você continuou com a tradição? – indagou Stiles, ainda rindo, olhando diretamente para John, que se encontrava surpreso.
— somos os únicos Stilinskis vivos e seus pais morreram quando você tinha oito anos. Como você sabe disso? – indagou John vendo o castanho dar de ombros.
— os diários de nossa família são mais particulares do que parecem – respondeu o castanho e o homem franziu o cenho em sua direção, sorrindo ladino.
— houve diários com isso? – questionou o homem e o castanho sorriu de canto.
— todos eles tinham, pelo menos, umas cinco ou sete menções – ditou o Stilinski mais novo vendo o parente erguer uma sobrancelha em questionamento.
— eu não estou entendendo nada – ditou Derek olhando para o tio, vendo o mesmo negar com a cabeça.
— quem sabe depois do casamento você não entende? – inquiriu Peter levando a taça com vinho aos lábios, bebericando do mesmo.
— acho melhor mudarmos de assunto – ditou Cláudia, ainda sorrindo.
— é bom. Devemos deixar esses assuntos para um momento mais apropriado – falou o castanho concordando com a mulher do seu parente.
— por que não nos diz como ganhou essa braçadeira? – pediu Liam vendo o alfa olhar para si, enquanto degustava do vinho servido.
— achei uma ótima ideia – disse Talia enquanto via Cora e Malia menearem positivamente freneticamente.
— ah... por que não? – indagou o castanho enquanto apoiava a taça na mesa.
— eu estava no rio, nadando, quando Derek chegou ao mesmo – Stiles falou notando os olhos brilhantes das duas garotas que viviam a brincar com Heather sendo direcionados em sua direção.
As duas garotas estavam com a atenção totalmente voltada para o Conde. As duas primas pareciam ter entusiasmo e certa expectativa com a história que estavam pestes a ouvir. O castanho sorriu, enquanto narrava, com cuidado, o ocorrido no rio. Ele tinha o cuidado concentrado em sua fala, lembrando-se de ocultar certos fatos e diálogos, tanto para conservar o laço entre os dois bandos, como também para não deixar o seu noivo mais desconfortável ainda. O lobo de olhos verdes mais novo era timidez pura ao seu lado. Por isso o Stilinski ocultou a discussão ocorrida assim que Derek chegou ao rio, assim como a parte em que o lobo admitia a existência do ciúme que sentia por Ennis.
O Hale agradeceu mentalmente pela descrição do noivo. Ele não saberia lidar com o olhar de sua mãe, sua tia e suas irmãs para si. Elas não lhe deixariam em paz por décadas se soubessem as palavras que ele pronunciara dentro daquelas águas. O ciúme que sentia já fora exibido para os familiares durante o café da manhã, ele já não se importava tanto em o esconder. Mas ele admitir em voz alta já ra outra história. Após o assunto da braçadeira morrer, o silêncio retornou, mas apenas por poucos minutos, já que havia outro assunto burocrático a ser discutido.
— Peter, depois do almoço, quero que junte um grupo e faça uma ronda extra no território. Ainda não tenho certeza de que o perigo detectado pela guarda real foi um alarme falso – ordenou Talia vendo o irmão menear positivamente, mastigando um pedaço de carne, e olhar com seriedade para o marido, que meneou positivamente, dizendo que acompanharia o parceiro.
— eu fiquei sabendo que você conseguiu rastrear o mestiço – ditou Alexander olhando fixamente para o alfa aliado, chamando a atenção de todos os membros do bando Hale para o conde.
— eu consegui, de fato – foi tudo o que o humano falou enquanto levava mais um pedaço de carne a boca, com classe.
— como conseguiu? Nossos betas não conseguiram achar o rastro do mestiço – questionou o alfa principal do bando Hale vendo o conde soltar o ar pelas narinas, em um riso contido
— os seus betas estavam apenas farejando o território. Eles consideraram apenas o lado lupino do mestiço. Bruxos escondem o seu cheiro, já que esconder apenas a imagem não engana os lobos e outros seres de sentidos superiores aos humanos – informou o castanho enquanto ignorava a imagem de todos, se focando apenas em seu prato.
— nós procuramos pelo cheiro e pela magia – respondeu Kira vendo o alfa aliado franzir o cenho.
— e por que não nos informou a sua localização? O deixar solto por mais tempo pode atrair caçadores – perguntou Talia vendo o castanho dar de ombros.
— como notei que o trabalho de seus betas não foi o suficiente para rastrear ele, decidi que nós faremos a captura – disse o conde erguendo o olhar para os dois alfas principais, os vendo franzir o cenho em sua direção.
— por acaso está subestimando o nosso poder? – indagou Talia vendo o adolescente negar com a cabeça quase que instantaneamente.
— então o que significa isso? – questionou Peter vendo o castanho sorrir vitorioso.
— uma prova – respondeu Stiles encarando o louro, este que franziu o cenho, confuso
— uma prova? – indagou o alfa Hale e o Stilinski meneou positivamente.
— vamos provar que somos desejáveis para esta aliança lhe entregando o mestiço inteiro e com vida – respondeu o Conde voltando a se concentrar na carne em seu prato.
— já provaram serem merecedores desta aliança com aqueles caçadores – argumentou Alexander e o rapaz negou com a cabeça.
— não o suficiente. Aqueles mercenários queriam me matar também. Aquilo contou mais como uma defesa pessoal do que uma prova de honra – contra argumentou o castanho olhando diretamente para os alfas principais enquanto levava um pedaço da carne aos lábios, parando com o garfo na frente dos lábios para se pronunciar mais uma vez.
— esta noite, ele lhe será entregue com vida – falou o adolescente antes de acolher o pedaço de carne, educadamente, com os lábios.
Os alfas do bando Hale se entreolharam, se questionando se deveriam aceitar a proposta oferecida pelo castanho. Um mestiço poderia ser bastante perigoso, até mesmo para um exército de lobos como o bando deles. Além de possuir a magia, ele possuía a força, a velocidade e a regeneração de um licantropo. Mestiços eram uma espécie rara e quase sempre desejada em um bando, isto é, se eles fossem confiáveis. O estilo ardiloso da vida de um bruxo poderia dificultar as coisas no bando. Talia lançou um olhar repreensivo ao marido, dizendo, silenciosamente, para o mesmo não permitir que o pretendente do seu filho fosse sozinho naquela captura perigosa
— isso quer dizer que não vamos conversar hoje? – indagou Derek direcionando o olhar para o noivo sentado ao seu lado.
— pretendo estar aqui na hora exata – respondeu o conde lançando um sorriso amigável para o moreno, que sorriu igualmente amigável para si.
— então, aceito a sua prova – falou o moreno de olhos verdes, passando por cima das palavras de seus alfas, surpreendendo o pack Hale.
— Derek – repreendeu Laura vendo o irmão dar de ombros em sua direção.
— eles não vão mudar de ideia e nosso bando não encontrou rastro nenhum do mestiço. O que aconteceria se fossemos lá e o mestiço fugisse? Não conseguiríamos seguir ele, uma vez que ele não deixa um rastro de cheiro. Tudo o que temos para fazer é esperar que eles peguem o homem – argumentou o moreno de olhos verdes antes de direcionar o olhar para os pais.
— é um bom meio de mostrar aos nossos betas que não há motivos para desconfiança – ditou antes de olhar diretamente para os poucos betas ali sentados junto de sua família.
Talia e Alexander ponderaram por alguns segundos antes de Cláudia suspirar, chamando a atenção de todos. A mulher possuía um sorriso orgulhoso nos lábios, enquanto olhava diretamente para os dois irmãos sentados de fronte.
— o meu sobrinho tem razão. O nosso bando já nos trouxe problemas com a desconfiança que tem com os ômegas. Se eles trouxerem o mestiço, quem sabe assim não abram os olhos dos nossos betas antes que tenhamos que tomar medidas drásticas – argumentou a castanha ouvindo os betas engolirem em seco enquanto Corey soltava uma risadinha.
— tudo bem, então. Vamos aceitar a sua prova – ditou Alexander após suspirar e olhar na direção do humano, que apenas ergueu a taça em sua direção, em um agradecimento silencioso.
— aqui está bom – ditou Rafael e logo todos pararam os cavalos e desceram dos mesmos.
Cada um dos membros sabia exatamente o que fazer. Megan e Bartolomeu iriam juntar madeira, Rafael iria ascender a fogueira e preparar a comida, Clarck iria montar as camas ao redor do fogo, e os outros dois iriam fazer uma ronda rápida pelo local para ver se não havia nada perigoso, aproveitando para pegar a comida.
Megan caminhava por entre as árvores com cautela, enquanto olhava ao redor, procurando por madeira seca. Ela e Bartolomeu já haviam andado por muito tempo mas não encontravam quase nada. Aquela floresta era cheia de árvores, mas não tinha quase nenhum galho no chão, o que não era nada bom. Quando havia muita mata por perto, mas nenhum galho bom para se fazer fogo no chão só poderia significar uma coisa.
— aqui é movimentado – ditou a mulher enquanto ouvia o companheiro caminhar próximo de si.
— pois é. Não tem nenhum galho no chão – falou Bartolomeu enquanto olhava para cima.
— vamos ter que pegar das árvores e deixar dois na ronda, ao invés de um – disse a mulher enquanto começava a olhar para as árvores.
— me ajuda aqui – disse Bartolomeu enquanto apontava para um galho acima de Megan, que olhou para o mesmo antes de abrir as pernas e unir as mãos com as palmas para cima.
Bartolomeu pegou um pouco de distancia da mulher, antes de correr na direção da mesma. O homem saltou, colocando um dos pés na junção das palmas das mãos da companheira de equipe, antes de a mesma lhe impulsionar para cima, o ajudando a dar um segundo pulo. Esticando os braços, Bartolomeu conseguiu alcançar o galho que queria. Ele se colocou pendurado, usando apenas um braço para se manter erguido, antes de girar, se colocando de frente para a mesma direção que Megan, para em seguida, cuidadosamente, se colocar pendurado pelas pernas, abraçando o galho com as costas dos joelhos. O homem permitiu que o torso caísse, enquanto estendia as mãos para a parceira, que já se afastava alguns passos, se colocando de frente para o companheiro.
— no de trás – ditou a mulher e o homem meneou positivamente.
Correndo, Megan pegou impulso e saltou, conseguindo alcançar os pulsos de Bartolomeu. As mãos da mulher agarraram os pulsos do homem, enquanto o mesmo agarrava os seus. Soltando uma pequena baforada de ar, enquanto emitiam um pequeno som que indicava o nível do esforço físico que faziam, os dois começaram a se mover. Megan foi a primeira, balançando as pernas, o que a fazia ir para frente e para trás, assim como os braços de seu amigo, que logo passou a movimentar os mesmos junto do corpo da mulher, a fazendo começar a pegar velocidade e impulso.
— agora – disse Megan antes de se impulsionar para trás.
Soltando mais um som de esforço, os dois colocaram força naquele impulso final. As mãos soltaram os pulsos um do outro, permitindo que a caçadora fosse lançada para uma árvore próxima. As mãos femininas calejadas de tanto exercício bruto que faziam alcançaram o galho desejado. Erguendo, cuidadosamente as pernas, a mulher, assim como Bartolomeu fez mais cedo, as passou por seus braços, antes de acolher o galho com as costas do joelho. Enquanto Bartolomeu aproveitava o impulso que tinha e acolhia o galho com as mãos, mais uma vez.
Com muito cuidado e esforço, os dois caçadores se colocaram sentados sobre os galhos, antes de se colocarem de pé sobre os mesmos. Desembainhando as suas espadas, os dois caçadores se colocaram a cortar alguns galhos que julgavam estarem secos o suficiente para serem usados em uma fogueira.
— então... você está melhor? – questionou Megan enquanto jogava um galho na ilha que ela fazia.
— do que? – indagou Bartolomeu, ainda de costas para a morena de cabelos curtos como o de um homem.
— você sabe... Rafael – respondeu a morena ouvindo o outro suspirar pesado.
— não mesmo – confessou Bartolomeu antes de os dois pularem dos galhos, aterrissando em pé ao lado das pilhas criadas por eles.
Nada mais foi pronunciado.
Megan não sabia o que dizer para o amigo. Rafael o havia humilhado na frente de toda a equipe. Ela entendia o motivo de todo o silencio por parte do companheiro. Ela foi humilhada muitas vezes em seu treinamento apenas por ser uma mulher e muitas vezes tentaram lhe fazer desistir de se tornar uma caçadora. No entanto, ela engoliu a dor do treinamento intensivo e provou o seu valor se mostrando melhor do que a grande maioria dos homens. No entanto, o caso com Bartolomeu fora diferente. Eles eram bons, uma das melhores equipes de caça da ordem dos Argents. Mesmo assim Bartolomeu fora humilhado na frente de muitos por apenas ter feito o seu trabalho sem a delicadeza angelical ordenada por Christopher.
Ela não conseguia entender o líder da cidadela em que vivam. Chris Argent tinha toda uma delicadeza com as bestas da noite que ninguém conseguia entender. Ninguém exceto a mulher do mesmo, Victoria. Megan fora resgatada pela mulher durante um ataque de vampiros, quando ainda era criança. Havia um convento estranho em sua cidade natal. As mulheres do mesmo quase nunca saiam de dia e quando o faziam, eram vestidas da cabeça aos pés, sem nunca revelar se quer as pontas dos dedos. Quando as vampiras decidiram atacar a sua casa, os Argent chegaram. Ela se lembrava perfeitamente dos movimentos suaves e precisos de Victoria. Todas as vampiras foram mortas com apenas um ou dois golpes. Não havia tanto sangue como nas caças que a sua equipe já fizera, não havia tanta dor por parte das bestas. Era simples, rápido e limpo.
Ela sentia um desejo enorme de seguir os passos da Argent, mas, quando finalmente saiu da academia pronta para se dedicar ao máximo para entrar na mesma equipe que a mulher, Victoria já não mais caçava. A perna da morena sofreu um dano irreparável durante a caça dos lobos que lhe levaram a filha ainda adolescente. O joelho de Victoria não se movia corretamente, o que fazia a mulher mancar e a impossibilitava de correr, ato mais do que necessário em caças.
— Eu não sei como raios ele fez tudo aquilo, Megan – argumentou o homem chamando a atenção da morena depois que o silencio entre eles se instalou.
— do que está falando? – indagou a morena, confusa.
— Chris não caça há anos, mas conseguiu me derrubar em segundos. Como isso é possível? – explicou o homem cerrando os punhos ao redor de um dos galhos, enquanto carregava alguns embaixo do braço.
— você não sabe? – questionou a morena, surpresa.
— do que? – perguntou o homem, curioso.
— Chris não sai da cidadela mais, no entanto, ele continua treinando – respondeu Megan com seriedade ao lado do amigo, que lhe fitou surpreso.
— ele continua treinando?! – questionou descrente vendo a morena ao seu lado menear positivamente.
— eu só ouvi falar. Nunca entrei lá. Mas dizem que há um salão de treinamento apenas para Argents. É um treinamento severo, com direito a armadilhas perigosas e tudo mais. Dizem que ele passa horas lá e sai sem possuir se quer um arranhão no corpo – respondeu Megan enquanto se aproximavam do acampamento.
— outro salão de treinamento? E como eu nunca ouvi falar? – questionou Barto enquanto via os companheiros surgirem em seu campo de vista.
— na volta eu falo mais – sussurrou Megan antes de, em silêncio, se aproximarem de Rafael, deixando a madeira perto do mesmo, que começou a montar a fogueira.
— onde fica esse salão? – questionou Bartolomeu quando se viu longe do acampamento o suficiente para ninguém lhe escutar.
— só os Argents sabem. Se você perguntar para qualquer um, ninguém vai saber do que você está falando – respondeu Megan enquanto se aproximavam do local onde haviam deixado as pilhas de madeira.
— onde diabos seria essa salão? Não me lembro de nenhum local da cidadela em que possa existir algo assim – se perguntou Bartolomeu, pensativo.
— nem pense em ir lá. Vai por mim. Já verifiquei cada canto da cidadela e nunca achei esse maldito salão – ditou Megan enquanto via as pilhas surgirem.
— tem certeza de que isso existe? De quem você ouviu falar isso? – indagou o homem vendo a morena menear positivamente, quase que desesperada para comprovar que dizia a verdade.
— eu acabei ouvindo uma conversa entre a senhora Kate e a senhora Victoria, há alguns meses. Kate perguntou se Rafael ainda treinava no salão secreto e Victoria disse que ele, no início, saia todo ferido, mas que agora saía de lá impecável. Ouvi também Kate dizer que ele não frequentava aquele salão desde a adolescência. Ou seja, os Argents, quando saem do treinamento normal, vão treinar naquele salão – respondeu Megan enquanto se abaixava para coletar alguns pedaços de madeira da sua pilha.
— um salão secreto em que só os Argents treinam – murmurou Bartolomeu, agora vendo todo o sentido de Chris se mostrar mais forte do que ele.
Quando se está em uma caça, a maior parte do tempo se passa viajando e reconhecendo o território, em um treinamento, você passa todo o tempo se dedicando exclusivamente a melhorar as suas habilidades, sem demorar para se deslocar ou esperar o momento exato para atacar por horas. O homem, agora, se encontrava bastante interessado nesse salão.
Ele precisava encontrar esse lugar
— VORXINA! – gritou a mulher de capuz preto, chamando a atenção de todos os lobos quando os muros do vilarejo vieram abaixo quando raízes enormes começaram a crescer por dentro deles.
— ESTAMOS SOB ATAQUE! – gritou um dos betas enquanto outro uivava para todo o bando, que logo tratou de se mover.
As crianças começaram a correr para longe, sendo acompanhadas por algumas mulheres, que eram responsáveis por os proteger na fuga para um local seguro enquanto todo o resto do bando avançava para o local de onde viera o uivo. Logo a encapuzada estava cercada de lobos, seja em suas formas humanas, em suas formas lupinas, ou até mesmo em suas formas semitransformadas.
— adorável – disse a mulher enquanto via todas aquelas presas e garras preparadas para perfurarem a sua carne e estraçalhar a mesma.
— ela está sozinha – disse um dos betas quando finalmente um dos alfas chegou.
— quem é você? – indagou o alfa secundário enquanto esperava o seu superior chegar.
— em quantos vocês estão? – questionou a encapuzada olhando ao redor e notando um número razoável de lobos lhe cercando.
— quem ousa destruir os muros construídos pelos nossos ancestrais – questionou o alfa primário enquanto os betas lhe davam espaço.
O homem de massa corporal invejável por muitos lobos se aproximou do alfa secundário, enquanto o mesmo não desgrudava os olhos da encapuzada. A mulher ignorou todos os betas, olhando para o muro atrás de si, analisando o mesmo. Ela deu de ombros, enquanto voltava a olhar para o alfa primário e apontava com o polegar para os destroços atrás de si.
— está fazendo questão por essa porcaria? – perguntou com desdém vendo todos os lobos rosnarem para si, inclusive o alfa.
— já não gosto de você. Matem-na! – ordenou o alfa e a no mesmo instante quatro betas avançaram contra a mulher.
Dois estavam em sua forma humana enquanto os outros dois estavam em suas formas lupinas. Os primeiros a alcançarem a mulher de capuz foram os dois lupinos em suas quatro patas. Um saltou, mirando com as pressas em seu pescoço, enquanto o outro se focava em uma de suas pernas. Jogando o torso para trás e jogando os pés para cima, a mulher deu um mortal. O torso do seu pé acertou o queixo do lobo que visava o seu pescoço, o jogando para trás, enquanto que o que visava a sua perna fora surpreendido, assim como todos, quando raízes brotaram do chão, se enroscando em seu corpo e o puxando para o chão imediatamente.
— já contei dois – ditou a mulher enquanto erguia as mãos abertas para o bando a sua frente, vendo os dois lobos restantes continuarem o ataque.
Batendo o pé no chão, a mulher fez com que mais raízes prendessem tanto os dois, quanto o lobo que havia levado um chute no queixo, o qual já tentava se erguer, mas as raízes o impediram, enquanto os outros dois eram levados ao chão quando as raízes prenderam os seus pés. O alfa primário rosnou, enquanto erguia a mão na direção da mulher e logo mais oito betas avançaram. A mulher sorriu e logo avançou contra os betas que prendeu contra o chão, criando uma caveira negra em uma de suas mãos e apontando com a mesma para a cabeça do beta amarrado no chão.
— é melhor os cachorrinhos ficarem quietinhos, ou eu vou ter que começar a diminuir o número de vocês – ditou a mulher enquanto a caveira começava a mexer a mandíbula, emitindo o som de dentes se chocando.
— PAREM! – ordenou o alfa primário e logo os betas pararam o ataque.
— o que quer? – questionou o alfa, olhando fixamente para o adolescente deitado no chão com a caveira mastigando o ar próximo a orelha do mesmo, que tentava se afastar, mas era impedido pelas raízes.
—o que eu quero? – indagou a mulher sorrindo na direção do homem.
Um sorriso frio.
O sorriso de uma serpente.
— eu quero um adolescente – respondeu a mulher e logo a língua da mesma se moveu, saindo da boca, antes de retornar por entre os lábios, rapidamente.
— se me disser para que precisa, talvez possamos entrar em um acordo — falou o homem se aproximando lentamente da mesma.
— ah, não, não, não, não, não, não, não – ditou a mulher negando com a cabeça enquanto se erguia.
— o adolescente que eu quero... vocês não o têm ainda – ditou a encapuzada apontando com a mão para o chão ao lado da cabeça do beta aos seus pés e logo a caveira seguiu para o ponto apontado pela mão da mulher abrindo um raso buraco no chão.
— como assim? – questionou o homem vendo a estranha mulher cruzar as pernas.
— vai entender quando eu tomar o seu bando para mim – ditou a mulher sorrindo vitoriosa e logo o homem voltou a ter um olhar sério em sua direção.
— sua...- o homem fora calado quando a mulher disparou uma caveira contra si.
O alfa primário saltou o esqueleto roxo voador enquanto se transformava no processo, tendo as suas roupas rasgadas. O lobo enorme de olhos vermelhos avançou contra a encapuzada, que gargalhou enquanto corria na direção do seu adversário. O lobo rosnou, tentando morder a invasora de seu território, mas falhou no ato quando a mesma se abaixou, passando por baixo de sua boca animalesca e lhe envolveu o pescoço com os braços. Todos os betas fitaram, surpresos, o enorme lobo do quão se orgulhavam de ser seu alfa, ser derrubado no chão apenas pelas mãos da encapuzada.
— você vai me obedecer, ou eu mato todos os membros do seu bando, um por um – ditou a mulher, com seriedade, ainda prendendo o pescoço do enorme lobo com os braços.
— não pode com todos nós – ditou o alfa secundário já avançando contra a mulher, mas parou assim que os gritos de todos os betas presos pela mulher alcançaram os seus ouvidos.
No mesmo instante, os betas transformados, se transformaram em humanos novamente. Eles assistiam, desesperados, as raízes começarem a se mover retornando para o interior da terra, mas sem desfazer o abraço em seus companheiros de bando, os espremendo contra o solo. No mesmo instante, o alfa se voltou a sua forma humana, enquanto a mulher preparava uma caveira com uma das mãos e apertava o pescoço do homem com a outra.
— e então? – indagou batendo com o dedão do pé no chão e logo raízes prenderam os membros do homem
— vamos lhe obedecer – respondeu o lupino e logo a mulher sorriu – agora pare com o que está fazendo – ditou o homem e logo a mulher estalou os dedos e as raízes pararam de pressionar os lobos contra o solo.
— ótimo. Vejo que és um alfa muito inteligente. Me ajude no que quero e eu prometo, como recompensa, destruir um bando que você odeie muito – falou a mulher, acariciando a face do homem, que pareceu gostar daquela parte daquele acordo forçado.
— consegue acabar com um bando de duzentos lobos sozinha? – questionou o homem e logo a mulher gargalhou, jogando a cabeça para trás.
— basta dizer o nome – ditou a mulher olhando nos olhos vermelhos do homem a sua frente.
— Hale – ditou com seriedade vendo a encapuzada dar de ombros.
— então o bando Hale irá desaparecer, contanto que faça algo para mim – disse a mulher vendo o homem menear positivamente, enquanto, aos poucos as raízes o soltavam.
— quem é esse adolescente que procura? – questionou o alfa vendo a nova aliada sorrir largo.
— Stilinski, conde Stilinski -
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