The Engagement
36 Pronto
O moreno de olhos verdes arfava, cansado, enquanto permanecia a fazer a sua série de exercícios. Derek não havia treinado naquele dia e aquilo acabava pesando em sua consciência. Ele tinha aquele desejo infinito de ficar mais forte pelo bem do seu bando, que o fazia treinar todos os dias. Mas, naquele dia, ele não havia se quer sonhado em colocar os pés no templo. Ele havia passado o dia trabalhando em algo mais produtivo para o seu pack. O Hale estava trabalhando na aliança com o bando Stilinski.
A presença de Ennis o irritava e era uma concorrência maior do que qualquer mulher naquele bando que se encantasse pelo conde. Segundo o próprio conde, ele havia rejeitado várias mulheres, então não seria agora que ele iria aceitar. Stiles disse estar atrás de um parceiro do sexo masculino, e, para o azar e ódio do Hale, Ennis pertencia a esse sexo. Aquilo o irritava muito. Só de imaginar o calvo se intrometendo em sua vida já fazia os músculos de Derek se tencionarem e os punhos do moreno se fecharem com força.
O moreno de olhos verdes socou o pedaço de madeira com força, o quebrando após tantos golpes sofridos naquela noite. O lobisomem assistiu ao movimento do maior pedaço que restou da porção roliça de madeira, o vendo quicar e rolar no chão até ser parado por um pé, que se colocou sobre o mesmo. Erguendo o olhar para o dono do pé, Derek se viu surpreso ao ver um de seus melhores amigos, ali, parado na porta, apenas o encarando com um sorriso ladino. Vernon ergueu o pé, antes de o descer com força, fazendo o pedaço de madeira se quebrar novamente, constatando que, sim, ele havia sofrido muito naquela noite estando nas mãos de seu amigo.
— eu sabia que você estaria aqui – ditou o Boyd vendo o amigo de olhos verdes abandonar a pose de batalha, para lhe encarar com normalidade.
— o que faz aqui tão tarde? – questionou Derek vendo o amigo dar de ombros.
— você não apareceu para treinar. Então eu pensei que você viria pela noite – respondeu o rapaz, se aproximando, dando espaço para que Theo e Jackson adentrassem a sala.
— por que não veio mais cedo? – indagou Theo, cruzando os braços e se apoiando na parede ao lado da porta.
— estava resolvendo alguns problemas do meu noivado – respondeu Derek, se dirigindo para a pilha de madeira que havia separado para usar em seu treinamento, pegando mais um tronco cilíndrico e o prendendo em uma estrutura de ferro que o deixava erguido na altura do seu tronco.
— você está levando esse casamento a sério mesmo, não é? – inquiriu Jackson vendo o moreno dar três socos rápidos no tronco, antes de parar para lhe encarar.
— eu tenho que levar. É um casamento feito por um tratado. Sem contar que, eu não poderia deixar que o meu noivo resolvesse os problemas, sendo que o causador deles fui eu – respondeu encarando o amigo balançar a cabeça, analisando as suas palavras, enquanto, aos poucos, concordava com elas.
Derek girou, antes de erguer a perna, acertando o peito do pé na lateral do tronco. Vernon encarou o amigo surpreso. Derek havia amadurecido rápido em relação ao noivado. Ele não esperava aquilo. Não sem participar pelo menos um pouco mais. Derek sempre lhe procurou quando tinha problemas com os quais estava confuso. O casamento era um deles. E ver o amigo resolver o problema sem lhe questionar era surpreendente e bom. Ele sentia uma estranha sensação de orgulho com aquilo. Derek golpeou o tronco com o peito do pé mais três vezes, antes de voltar a usar as mãos no mesmo.
— e como você se saiu? – questionou o Boyd enquanto retirava a camisa e os sapatos, se preparando para ajudar o amigo no treinamento. Um corpo vivo e preparado como o de um parceiro do bando era muito mais eficiente em um treinamento do que troncos de madeira.
— eu acho que... – o Hale golpeou o tronco mais duas vezes com o punho, antes de segurar o mesmo, se apoiando enquanto recuperava um pouco do folego perdido.
— bem. O noivado não está sendo ruim. E o meu noivo é uma boa pessoa, além de divertido. Então, é. Eu vou ficar bem. Eu acho – respondeu se recordando de como fora passar o dia com o noivo.
Derek ergueu o tronco, o jogando para a pilha, antes de mover a estrutura de ferro feita para segurar o mesmo na direção da pilha, abrindo espaço para ele e Vernon.
Os dois lobisomens se cumprimentaram com um meneio de cabeça simplório, antes de avançarem um contra o outro. As presas nascendo e os olhos brilhando em dourado. Os dois corpos se encontraram no centro da sala, com os lobos segurando um ao outro, tentando empurrar o adversário, o subjugando. A disputa por força entre os dois era bastante acirrada. A musculatura de ambos era bastante parecida e eles treinavam bastante. Em resumo, eram bons parceiros de treino.
— eu soube que ele e o bando dele saíram do território – ditou Jackson vendo Theo menear positivamente em sua direção.
— eu os vi saindo. Eles pareciam... ocupados demais para se importarem em olhar para as pessoas – falou o Raeken se lembrando bem de como os ômegas ignoravam os sussurros do seu bando, enquanto se dirigiam para a saída do território.
Derek, ao prestar atenção na conversa de seus dois melhores amigos, acabou vacilando na força e acabou sendo subjugado. Vernon não perdoou o amigo. Com as mãos, ele empurrou o torso do Hale para baixo, enquanto, com o pé, dava uma rasteira no outro lobisomem, o sentindo perder o equilíbrio. Foi nesse momento em que ele rugiu, jogando o amigo para o lado, que caiu de bruços, antes de subir no mesmo, forçando o corpo do moreno de olhos verdes para baixo, prendendo um dos braços do mesmo atrás do corpo.
— perdi essa – anunciou Derek, admitindo a derrota, antes de sentir o amigo sair de cima de si.
— sabem para onde eles foram? – questionou Vernon, curioso.
— eu não faço ideia. Só ouvi as pessoas dizendo que eles saíram do território – respondeu o Whittemore vendo o Hale suspirar, ainda deitado.
— eu tentei perguntar, mas fui ignorado completamente – respondeu Theodore se lembrando bem de quando se aproximou de Liam, mas o mesmo apenas permaneceu a marchar enquanto encarava fixamente as costas de seu alfa. Os dois louros direcionaram os olhares para os amigos vendo Derek se erguer.
— eles foram atrás do mestiço – respondeu o moreno de olhos verdes e Jackson franziu o cenho.
— meu pai disse que não conseguiram achar o mestiço. Como eles pensam que vão achar ele? Gritando por ele no meio da noite? – questionou o louro mais alto, rindo brevemente de suas próprias palavras.
— segundo o meu noivo, eles já acharam o mestiço, estão apenas indo capturar ele – respondeu o Hale, calando o louro, que perdeu o sorriso imediatamente.
— eles... Já o acharam? Como?! – indagou o Whittemore surpreso.
— nossos esforços não foram o suficiente, mas eles conseguiram? – questionou Theo, igualmente surpreso.
— nós perseguimos apenas os rastros dele. Eles seguiram a magia dele – respondeu Derek voltando a avançar contra Vernon.
— e como raios se faz isso? – questionou Jackson, surpreso
— a magia é uma característica rastreável como outras comum, meu jovem. Se souber como procurar, você vai achar o dono – respondeu Alan, aparecendo na porta da sala, com o seu velho bastão de madeira com uma das pontas extremamente redonda, chamando a atenção dos quatro.
— é quase como cheiro – completou o homem apoiando o corpo no cajado com uma mão, enquanto a outra mão estava alocada em suas costas.
— como o cheiro? – indagou Vernon, confuso, quando pararam de lutar.
— sim. Alguns seres que podem usar magia podem localizar a mesma. Vocês são mais dependentes dos sentidos comuns, como olfato e audição. Mas, alguém como eu, a banshee ou a kitsune pode muito bem ver o que se encontra sobre a palma de minha mão – respondeu o druida erguendo a mão esquerda com a palma virada para cima.
— eu não enxergo nada — ditou Jackson assim que os quatro se focaram na mão do homem.
— espere um pouco – disse o homem ao bater com o bastão no chão. Uma onda de choque leve emanou do impacto, antes de uma nuvem esverdeada agraciar o olhar dos lobos com a sua presença sobre a palma da mão do druida.
— o que é isso? – questionou Theo, fascinado.
— está é a aura da minha magia. Se olhar para o chão, vai ver que o local em que bati o meu bastão apresenta a mesma cor – respondeu o sábio e os quatro olharam para o chão, constatando que realmente havia uma esfera pequena com a cor verde no local do impacto.
— então... Sempre que elas enxergam isso, indica que você fez uma magia? – questionou Derek vendo o druida negar com a cabeça.
— sim, e não. A aura não é algo único. A cor varia de acordo com a espécie. Os druidas possuem a cor verde, devido a sua ligação com a natureza. Assim, não se pode saber se fui eu ou outro druida que esteve aqui, mas apenas que foi um druida que fez esta mágica – respondeu Alan vendo os lobos lhe fitarem confusos.
— entendi. É como a essência lupina. Aquele toque no cheiro que indica se somos ômegas, betas ou alfas – falou Vernon vendo o druida menear positivamente.
— a cor dos druidas é verde, a das banshes é rosa, a dos kitsunes é vermelha... – o ancião parou de falar e ficou pensativo, como se houvesse mais alguma coisa a falar, algo que ele houvesse esquecido.
— há uma outra? – questionou Derek notando o silêncio súbito.
— você me parece mais preparado do que os seus pais – ditou o Druida chamando a atenção do Hale.
— você e Vernon possuem uma maturidade fascinante, mas a sua falha as vezes – ditou o druida deixando o moreno confuso.
— existem muitas cores. A das bruxas é cinza, a dos feiticeiros é amarela, e a do seu noivo é preta – respondeu o druida antes de esperar pela pergunta do moreno, que fora proferida por Jackson.
— como ele solta magia? Ele não era humano?! – questionou o louro, confuso.
— o homem de vermelho é humano, sim. No entanto, o seu outro eu, não. E por ter nascido com ele, o corpo humano do conde acabou ganhando certas habilidades que humanos normais não tem. Foi por isso que ele ganhou o duelo. Stiles, para os humanos, também é uma criatura da noite – respondeu o Deaton vendo os quatro jovens franzirem o cenho.
— então os caçadores também vão atrás dele? – indagou Vernon vendo o homem lhe fitar confuso.
— pensei que fosse mais observador, meu caro Vernon. O ataque que sofremos não tinha vocês, lobos, como alvo. Eles estavam focados no conde – respondeu o mais velho enquanto se dirigia para a saída da sala de treinamento.
— então ele mentiu. Ele não é humano – falou Jackson antes do druida o fitar com a sobrancelha erguida.
— não completamente – completou Theo vendo o druida negar com a cabeça.
— vamos deixar algo bem claro. Eu sou o sábio deste bando, e, como tal, me vejo na obrigação de lhes alertar de algo. Essa aliança será mais do que proveitosa para o bando Hale. O homem de vermelho será muito útil, tanto em confrontos futuros, quanto em relações diplomáticas. No entanto, nenhum tesouro é adquirido sem a dor. Tenham a certeza de não transformarem a dor em algo letal – ditou o druida vendo os licantropos engolirem em seco
— apenas não estraguem tudo – foi tudo o que o sábio disse antes de se retirar da sala.
Derek encarou a porta por alguns bons minutos apenas absorvendo as informações que o druida lhe fornecera. Ele ainda encarava a aura esverdeada da magia do druida, que permanecia no chão da sala de treinamento do templo. O Hale estava tendo dificuldades para processar tudo aquilo. Ele já estava começando a ficar nervoso. A sua mente estava produzindo imagens e pensamentos nada proveitosos.
As ideais oriundas da soma das informações de Alan, com as palavras de Braeden, juntamente com as imagens do castanho na clareira, com os cabelos roxos e espetados, rosnando com a pele escurecida, não eram nada positivas. Derek estava imaginando Stiles do jeito que Braeden queria: um monstro maligno.
Na cabeça de Derek, imagens de Stiles, com os fios roxos e pele enegrecida, com uma aura negra o cercando. O moreno de olhos verdes não queria pensar naquilo. Não queria pensar no outro eu do seu noivo daquela forma. Ele se quer sabia o que habitava o corpo de Stiles. Ele temia ter mais uma ideia errada sobre o conde e acabar estragando tudo mais uma vez. Ele não podia errar com o noivado mais uma vez. Dar um passo para trás iria desencadear a fúria do conde, que com certeza iria desfazer o noivado no mesmo instante.
— então o seu noivo pode soltar magia – murmurou Jackson vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar, preocupado.
— o que pensa em fazer? – indagou Vernon vendo o amigo suspirar, pensativo.
— eu acho melhor contarmos para os alfas. Eles devem saber o que fazer – sugeriu Theo olhando bem para cada um dos três amigos. Jackson meneou concordando com o melhor amigo, que encarou Vernon e Derek a espera de uma opinião.
— eu sei o que fazer. Vamos ficar com essa informação para nós, até que ela se torne relevante. Não vamos contar para ninguém, nem nossos pais, muito menos outros betas. – ditou o Hale vendo o grupo de amigos franzir o cenho em sua direção.
— você vai deixar os alfas no escuro? – perguntou Jackson encarando o amigo, que suspirou enquanto caminhava na direção da janela da sala.
— O druida disse que meus pais não estão preparados para a informação, então eles não devem saber ainda. Os meus pais confiam cegamente em Alan e ele nunca nos decepcionou antes. Agora, ele confiou em nós quatro. É melhor não decepcionarmos ele – respondeu o Hale antes de entrar em posição de batalha novamente.
— o que o Derek está dizendo é verdade. Ele está certo. Não devemos decepcionar o druida. Os nossos alfas não devem saber disso até o momento certo – disse Vernon imitando o amigo de olhos verdes no ato antes de avançar contra o mesmo.
— eu não sei, não. E se nós acabarmos prejudicando o bando inteiro com isso? – indagou Jackson vendo Theo menear positivamente
— eu continuo achando que isso seria como trair os alfas – argumentou o Raeken desviando o olhar do Whittemore para os outros amigos em tempo de ver quando Derek conseguiu lançar Vernon no chão, o imobilizando com certa dificuldade.
— nós prejudicaremos o bando se criarmos desconfianças entre os alfas de ambos os bandos. Vocês dois querem ajudar o nosso bando? Então fiquem de bico fechado – falou o Hale enquanto Vernon batia com a mão no chão.
Jackson e Theo se entreolharam antes de suspirarem profundamente. Eles não tinham outra opção. Se não alertassem os alfas sobre a habilidade “secreta” do conde, poderiam se tornar traidores futuramente, mas se alertassem aos alfas, estariam traindo a confiança do druida, de Vernon e de Derek. Eles estavam encurralados naquela situação.
Não era de se estranhar a quietude do lugar. A cidade de Beacon era uma cidade não muito grande, mas ainda sim tinha um grande território. Ela era grande o suficiente para ser guardada por dois bandos que nunca haviam se visto. Os homens não costumavam dormir cedo naquela cidade. Haviam noites em que alguns deles só chegavam em casa na hora do almoço. Os bordéis de Beacon eram famosos por suas atrações exóticas. Havia um certo bordel na cidade que quase fechou a porta dos outros, se não fosse pelo bando Stilinski.
O bordel era comandado por uma mulher que levantou bastante suspeitas por nunca sair do local. E a maioria dos homens que visitava o bordel, retornava diferente.
Um grupo de bruxas.
Um grupo de bruxas astutas era que estava por trás do bordel. As mulheres enfeitiçavam os homens para que os mesmos se viciassem em seus corpos falsos e sua falsa beleza traiçoeira. Os homens nem conseguiam ver a morte chegando quando eram escolhidos para algum ritual. Quando gastavam todo o dinheiro que tinham com o bordel, eles eram sacrificados para aumentar os poderes delas.
Mas então o conde visitou o bordel. As mulheres tiveram os olhos iluminados pela luxúria quando viram o adolescente rico se sentar em uma mesa, sozinho. Mas, para o seu azar, o castanho não comia nem bebia nada do que lhe era oferecido. Uma delas até tentou lhe enfeitiçar com um beijo, mas ficou chocada quando, após a dança de seus lábios, o adolescente não apresentou nenhum sintoma do feitiço.
Na manhã seguinte o bordel fora fechado. Com uma denúncia anônima, a polícia encontrou os corpos das bruxas. Todas assassinadas brutalmente, mas a dona do bordel nunca fora encontrada pelos humanos leigos, já que fora entregue para a guarda real, como prova do serviço cumprido, antes de ser morta pelos humanos na fogueira.
Agora, era uma noite igualmente calma como aquela. Não havia um humano se quer nas ruas. Os homens estavam ou em suas casas, com suas mulheres e filhos, ou nos bordeis.
Mas ele não era um humano.
Ele era um mestiço.
Envolto em sua capa, com o capuz lhe cobrindo o rosto, ele caminhava pelas ruas da cidade, procurando pelo local onde antes ficava o antigo bordel de bruxas. Ele tinha que verificar se os boatos eram verdadeiros, mesmo que tivesse que arriscar a sua vida, como estava fazendo naquele instante.
Entre os bruxos e feiticeiros, havia um boato de que a líder do grupo, a qual “desapareceu misteriosamente”, era a dona de um antigo ingrediente bastante raro de se encontrar. Uma flor chamada de Beijo-da-morte. Uma única pétala era o suficiente para fazer qualquer um lhe obedecer de bom grado pelo resto da vida. Poções e feitiços feitos com aquela flor tinham os seus efeitos bastante intensificados. Se ele colocasse as mãos em uma flor daquelas, ele seria o mestiço mais forte dentre os bruxos.
Uma flauta começou a ser ouvida e o mestiço parou. Ele havia encontrado o antigo bordel. Mas ele não entendia de onde vinha aquele som. As notas estavam altas, indicando que a flauta estava próxima, mas ele não conseguia dizer a direção. O toque era calmo, suave, quase relaxante. Aquilo erava estranho. Se aproximando do prédio onde antes era o bordel, o mestiço franziu o cenho quando a música parou de tocar.
— eu não faria isso se fosse você – uma voz calma alcançou os seus ouvidos e o mestiço, rapidamente, se virou, apontando com um graveto para o adolescente castanho de rosto enfaixado atrás de si.
Da ponta do graveto, uma esfera cinza fora dispara com velocidade. Surpreendendo o homem, o adolescente saltou para o lado, dando um mortal no ar, desviando do ataque esférico colorido. O mestiço encarou, curioso, o adolescente a sua frente, o qual segurava uma flauta.
— conde Stilinski – falou o homem enquanto permanecia a apontar a varinha para o humano.
— você sabe quem sou eu. Não vai me dizer que é outro Kythin – disse o adolescente e o mestiço sorriu.
— kythins não podem ser mestiços – disse enquanto via o humano guardar a flauta no bolso do paletó que vestia.
— e como sabe quem sou? – indagou o castanho vendo o mestiço abaixar o graveto levemente torto.
— não é muito difícil. Jovem, roupas vermelhas e o ar autoritário. Você não é exatamente discreto – respondeu o mestiço movendo, discretamente, a varinha na direção do humano.
— eu também não faria isso se fosse você – o humano voltou a falar olhando diretamente nos olhos do mestiço, mas mão foi o suficiente para parar o meio bruxo, que apontou com a varinha para o humano.
— flamarus – ditou o mestiço chamas foram disparadas na direção do humano.
No mesmo instante, Stiles colocou a mão na frente do corpo. O bruxo não soube, exatamente, o que aconteceu, mas quando parou de lançar a sua magia, o conde ainda estava de pé. Com o braço envolto pelas chamas. O humano grunhiu de dor, antes de, com os olhos brilhando em vermelho, suspirar. A neblina que escapou por seus lábios envolveu o braço do castanho, apagando as chamas do mesmo.
— você – murmurou o bruxo vendo o humano analisar o próprio braço.
O terno vermelho, agora apresentava chamuscos no braço, próximo ao ombro, devido as chamas que engoliram o resto do tecido que antes envolvia o seu braço. A sua pele, antes clara e lisa, apresentava marcas de queimaduras. Aquilo pareceu enfurecer o castanho, enquanto surpreendia o encapuzado.
— como fez isso? – indagou o mestiço vendo o mais novo suspirar, enquanto os olhos retornavam a sua coloração normal.
— ainda não posso controlar o que não me pertence. Eu não estou pronto – murmurou o humano, contraindo o braço devido a dor que sentia.
— o que é você? – indagou o mestiço encarando o adolescente controlar a expressão de dor.
— você não seria capaz de compreender – ditou o castanho vendo o encapuzado voltar a apontar com a varinha para si.
— não pode me deter. Não, assim – falou antes voltar a invocar a sua magia contra o castanho.
Assim que as chamas surgiram, o castanho ergueu o braço bom na direção do fogo. Surpreendendo o mestiço, as chamas sumiram, restando apenas uma nuvem de cor preta. O bruxo cessou o ataque, antes de a nuvem desaparecer, restando apenas o conde, exibindo os seus olhos vermelhos com autoridade.
— é preciso mais do que um mero mestiço para me vencer – o castanho ditou com firmeza, antes de abaixar o braço, voltando a ter os olhos da cor âmbar.
— o que você quer? – questionou o mestiço abaixando o capuz para encarar melhor o humano.
— você tem machucado pessoas. Muitas pessoas – ditou o castanho levando a mão boa para dentro do paletó, voltando a puxar o instrumento que tocava havia pouco tempo.
— e o que você tem a ver com isso? – indagou o mestiço, voltando a apontar com a varinha para o humano.
— a rainha está irritada com você. Ela quer você. Quer que você pague pelo que fez – ditou o humano com seriedade.
— e você e qual exército vão me impedir? – questionou o bruxo, irritado.
— foi bom você ter perguntado – falou o castanho antes de estalar os dedos da mão boa.
O mestiço foi surpreendido quando, do nada, ao lado do humano, um corpo de cabelos castanhos e aparência jovial surgiu. O homem olhou com seriedade para o mestiço, antes de uma língua de duas pontas escapar por seus lábios e golpear a própria face, próximo ao olho esquerdo. O tamanho e a forma fina e bifurcada da língua denunciou a sua espécie imediatamente.
De trás do Kanima com a estranha e rara habilidade de se tornar invisível, o mestiço pôde ver dois louros saírem de trás do mesmo, um baixinho de fios lisos penteados para trás com vestes laranjas e uma loura de fios cacheados com vestes azuis. Os dois se colocaram do lado direito do kanima de vestes amarelas. Ao lado esquerdo do conde, aterrissou uma morena com traços asiáticos empunhando uma espada. Ele não precisou de muito tempo para saber se tratar de uma kitsune. A lâmina dourada, em contraste com suas vestes púrpuras, não era muito difícil de ser identificada, assim como o, nada discreto, símbolo do clã Yukimura gravado na lâmina.
Ao lado da kitsune, dois lobos caíram, após saltarem de um dos telhados. Um era louro de cabelos cacheados, trajando vestes na cor púrpura, enquanto o moreno de queixo torto trajava vestes marrons. A porta atrás do mestiço se abriu, o fazendo se virar para encarar o que havia atrás dele. Da porta, uma ruiva saiu, trajando vestes na cor verde. Após alguns passos da mulher, dois homens surgiram da porta com sorrisos presunçosos nos lábios. Gêmeos. Um vestindo carmesim enquanto o outro vestia carmim.
— não se esqueça da caçadora – ditou o humano apontando para o teto da casa atrás de si e o mestiço ergueu o olhar, notando uma morena de vestes da cor âmbar a qual mirava uma flecha em seu olho direito.
— de onde diabos vocês vieram? – indagou o mestiço, impressionado como, do nada, todos aqueles estranhos coloridos surgiram.
— você está atrás do lírio, certo? O Beijo-da-morte? – o onde questionou observando como o outro franziu o cenho em sua direção.
— por que acha isso? – perguntou desconfiado.
— é a única razão pela qual um bruxo viria até esse local – respondeu o castanho.
O lobo sorriu ladino. O desgraçado era astuto, não havia como negar. Mas ele também era. A sua mente já havia produzido um plano de ataque. Os lobos tinham um certo receio de fogo. Ele apenas precisava usar o flamarus mais uma vez contra os lobos, depois se focar no kanima, com mais um flamarus. Depois disso, ele apenas precisava cuidar dos três atrás de si. E por fim, ele iria precisar apenas procurar pelo lírio no interior do bordel e depois restava escapar daquele grupo estranho.
— é inútil – o castanho chamou a atenção do mestiço que o fitou curioso.
— o quê? – indagou o mestiço, curioso.
— o lírio. Não existe mais nenhuma pétala, se quer, nesta cidade – respondeu o conde, surpreendendo o mestiço.
— como? – questionou o homem achando não ter ouvido direito.
— eu destruí até o último resquício daquela flor – falou o humano de rosto enfaixado.
O mestiço encarou o humano com seriedade por um tempo, tentando medir a veracidade de suas palavras. O conde parecia realmente ter, como a verdade, o fato de ter destruído todos os resquícios do lírio naquele bordel. Aquilo o havia irritado. Ele havia percorrido tanto, sofrido tanto. Ele precisava daquele lírio, mas aquele adolescente desgraçado havia lhe tirado isso. A fúria tomou conta de si rapidamente.
— FLAMARUS! – gritou o mestiço apontando com a varinha para o conde.
Lydia colocou a mão diante de rosto e assoprou a palma da mesma na direção de Stiles. Da mão da ruiva, uma chama rosa surgiu, fazendo a volta no bruxo e se dirigindo para a frente do seu alfa, bloqueando as chamas vermelhas, as impedindo de o ferirem novamente. Irritados com o ataque contra o seu alfa, os membros do bando da rosa negra atacaram. O mestiço atacou o lobo de queixo torto e o de cabelos cacheados, fazendo vinhas surgirem do chão e os prenderem naquele lugar. Enquanto os dois lobos se abaixavam para rasgar as amarras vivas que os prendiam, os outros dois lobos do bando avançaram pelas costas do mestiço.
— RYGAH NAT-EY – o bruxo apontou com a varinha para Ethan e, do nada, o corpo do mesmo foi lançado para trás.
O mestiço girou a mão, apontando a varinha para Aiden e logo o mesmo ocorreu com o gêmeo. Liam e Erica avançaram e o mestiço girou, mas fora impedido de apontar com a varinha para os dois, quando uma língua grande, fina e viscosa se enroscou em seu pulso. Ele pôde ver o kanima, de braços cruzados, com a boca aberta, lhe fitando com fúria. Erica saltou sobre o mestiço, mas fora impedida de o golpear quando o mesmo lhe chutou a barriga, a jogando para trás. Liam fora acertado no queixo quando o mestiço lhe golpeou a face ao dar continuidade ao golpe dado em Erica, girando o corpo.
Enquanto acertava o louro de cabelos penteados para trás, o mestiço movia a mão do pulso preso para baixo, acertando a língua do kanima com a varinha, queimando o membro. Assim que se viu livre do agarre do lagarto desenvolvido, o mestiço apontou com a varinha para o mesmo, mas a língua do castanho lhe agarrou as pernas e as puxou, lhe fazendo errar o feitiço. Erguendo o mestiço, Corey deu abertura para que Isaac golpeasse a mão do mesmo, desarmando o bruxo.
O mestiço iria golpear o louro com suas garras, mas Scott e Ethan agarraram os seus braços, enquanto o kanima chegava com velocidade e saltava, lhe acertando um chute na boca do estômago, antes de Aiden acertar um soco na nuca do adversário imobilizado. Kira, rapidamente, cortou os músculos das axilas do mestiço, o impedindo de erguer os braços por um tempo. O homem apontou com a mão para a varinha, e a mesma voou até a sua mão. No entanto, de nada adiantou, já que, quando apontou com a varinha para o kanima, a mesma fora partida ao meio quando uma flecha a atravessou.
— eu me rendo – ditou relaxando os braços, fazendo com que a dor dos cortes da kitsune diminuísse.
— agora?! – indagou Erica encarando o mestiço lhe encarar nos olhos.
— não olhe nos olhos dele – repreendeu Lydia e logo todos desviaram o olhar.
— ele quer hipnotizar vocês – ditou Stiles se aproximando, enquanto mantinha os olhos fixos nos olhos alheios.
— e por que você não desvia o olhar? – questionou o mestiço vendo o humano se aproximar, ainda com a pele do braço bastante avermelhada, sem contar nas pequenas deformações que sua pele sofreu com o nascimento de bolhas por todo o seu braço. Resultados da queimadura que sofrera.
— porque você não pode me hipnotizar. Você não pode com alguém como eu – respondeu o castanho de rosto enfaixado, vendo o modo desesperado como o mestiço tentava lhe enfeitiçar com o olhar.
— ordene que me soltem – murmurou o mestiço, tentado com a ideia de dominar o rapaz que cometera tal afronta.
— olhe no fundo dos meus olhos – ditou o conde e o mestiço, tentado, obedeceu.
O castanho âmbar se tornou vermelho e o meio bruxo sentiu como se estivesse sendo levado pela correnteza de um rio de sangue para o interior daquele mar vermelho. Um rosnado gutural estranho ecoou, enquanto tudo ao redor se tornava escuro. O som de chocalhos eram ouvidos, assim como o regougo de várias raposas. O grito de uma mulher rasgou o ambiente, antes do uivo de vários lobos. Logo um único som era ouvido. O rosnado fino e alto de uma criatura enorme de olhos vermelhos.
— mas o que... – o mestiço fora calado quando aquele monstro avançou em si, tentando o engolir.
Quando os olhos de Stiles voltaram ao normal, o mestiço começou a gritar descontroladamente, após segundos de silêncio e imobilidade. O estado aterrorizado do seu alvo não foi novidade para nenhum membro do bando da rosa negra, mas o modo como o homem olhou surpreso para o castanho, após se acalmar, é que fora uma novidade.
— você... Você é um deles... – murmurou o mestiço, chocado.
— você é um dos oito... mas... Isso é... Como? – o homem não parecia saber o que falar, sempre se engasgando com as palavras, antes de mudar a sua fala completamente.
— você parece saber o que sou – disse o castanho, curioso.
— sim, eu sei. Você é um
O mestiço tentou pronunciar o nome dado ao castanho nos livros em que ele havia coletado informações sobre seres especiais, mas assim que os seus lábios se moveram para pronunciar a palavra, todas aquelas pessoas coloridas rosnaram em sua direção, lhe calando. Confuso o mestiço olhou ao redor, tentando obter alguma informação do que diabos havia sido aquilo.
— limpe a sua boca para pronunciar tal nomenclatura, mestiço – ralhou Kira, irritada.
— você fez o ritual neles? – indagou o homem, curioso, vendo o castanho de braço queimado sorrir.
— eu nunca precisei fazer nada com os meus betas. Eles são fortes. Eles não necessitam da minha ajuda – respondeu o conde levando a mão para o ombro de Isaac, o acariciando.
— o que vai fazer comigo? – indagou o bruxo, nervoso.
— o mesmo que fiz com tantos outros. Você será julgado e receberá a sua punição – respondeu castanho entediado enquanto acariciava a orelha do louro.
— eu faço qualquer coisa, meu senhor. Mas não me leve para a corte – pediu o mestiço encarando o castanho franzir o cenho em sua direção.
— eu sei que você não pretende ser leal à minha pessoa — falou o castanho estalando os dedos e, no mesmo instante, Lydia amarrou o homem em vinhas, assim como ele fizera com os pés de Scott e Isaac.
— por favor – implorou o homem antes de ver a kitsune parar diante de si e suspirar contra seu rosto, liberando uma estranha neblina vermelha.
— você matou muitos inocentes, Bryan. Não posso ignorar o clamor dessas pobres almas. Sem contar que, o seu desejo por poder iria fazer com que me traísse no momento mais oportuno – ditou o conde já dando as costas para o homem e o seu bando, não vendo quando o homem, aos poucos, começou a ser abatido por um sono profundo.
— vai mesmo entregar ele para a rainha? Com as coisas que ele fez... A pena dele pode ser de morte – indagou Erica, preocupada.
— não podemos fazer nada. Este homem escolheu trilhar este caminho. Ele matou inocentes porque quis. Ele merece ser julgado. Ele não é como você, Erica. Não espelhe a sua bela imagem em algo tão indigno – disse o humano, retirando, novamente, a flauta do seu paletó. A loura olhou para o mestiço, confusa.
— o seu braço – murmurou Corey, se aproximando, após soltar o meio bruxo do agarre de sua língua.
— não se preocupe, Corey. Com o auxílio das ervas do druida, isto vai sarar rapidamente – falou o humano vendo o castanho passar a lamber os pedaços de tecido que se uniram a sua pele com as chamas, os derretendo com o seu veneno ácido.
Stiles apreciou, minimamente, a ardência em seu ferimento. A dor, agora, vinha da preocupação do seu beta para consigo e isso era importante. Indicava que Corey queria o seu bem. Sem contar que, se aquilo não fosse tratado agora, seria necessário mais veneno, mais tarde, o que lhe geraria mais dor do que o normal.
O castanho se focou tanto em Corey e no trabalho do mesmo em seu braço, que não notou quando o mestiço teve os olhos tomados pela cor dourada, antes de Isaac e Scott, que o escoltavam, serem lançados longe por uma onda de explosão mágica, enquanto as vinhas que o prendiam pegavam fogo. O homem recolocou o seu capuz enquanto começava a correr, desviando dos ataques mágicos da ruiva e da kitsune, além das flechas da caçadora, que acertaram os seus ombros, o fazendo gritar de dor. O conde só notou a fuga quando a mesma já havia ocorrido. Irritado, o humano suspirou, chamando a atenção dos ômegas. Ele só precisou começar a tocar a sua flauta para que os seus betas entendessem que ele queria o mestiço capturado imediatamente. Mesmo que, para isso, eles tivessem que ser violentos com o encapuzado.
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