The Engagement

28 Procurando


— quem são aquelas pessoas estranhas na sua casa? – perguntou Jordan encarando a mulher ao seu lado lhe fitar curiosa para a pergunta.

— ah, os ômegas? – indagou Laura vendo o noivo olhar pra si, confuso, com o cenho franzido.

— espera! Ômegas não são lobos que não possuem alfa? – inquiriu o homem vendo a loba menear positivamente.

— então o que eles fazem aqui? Pensei que eles fossem loucos psicopatas que matariam qualquer um sem pensar duas vezes – questionou o humano apertando, levemente, os dedos entre os dedos da mão de Laura. A loba sabia que aquilo era uma forma de Jordan se mostrar preocupado. Ele sempre procurava se aproximar mais dela quando estava preocupado com a companheira.

— não se preocupe com isso. Aquelas pessoas não são ômegas comuns. Eles são os seres mais estranhos que eu já vi – respondeu a mulher apertando a mão do noivo em uma tentativa de confortar o mesmo.

— mas ainda são ômegas, certo? Eu não sei muito sobre os lobos e o seu comportamento, mas sei que abrigar monstros loucos não é uma coisa boa, até mesmo para pessoas extremamente fortes e sensitivas, como vocês – argumentou o humano observando a noiva sorrir e olhar ao redor.

— não fale assim! Todos eles se ofendem muito com isso. Alguns não demonstram. Ficam com expressões sérias, como se não tivessem ouvido nada. Já outros, se revoltam imediatamente. Nós preferimos evitar conflitos entre ambos os lados. Por isso, não volte a fepetir isso, por favor – repreendeu a mulher sorrindo na direção do homem que retirou o chapéu que usava com a mão livre, coçando a cabeça logo em seguida, perdido.

Ele havia acabado de voltar de uma viagem de trabalho e já tinha tanto para Laura lhe contar?! Realmente, se relacionar com uma loba não era nada fácil. O louro começava a perceber isso cada vez mais. No entanto, isso não o impedia de se apaixonar mais pela mulher ao seu lado.

— mas me responda, meu amor, por que há ômegas em sua residência, no território da sua família? – questionou o delegado encarando a mulher abaixar o olhar para as flores, vendo como as mesmas pareciam mais bonitas naquele dia.

— como eu disse, eles são os seres mais estranhos que eu já vi. Eles são ômegas, mas possuem um alfa – explicou a mulher de longos cabelos negros ainda olhando para as flores, perdendo o momento em que a expressão de Jordan se tornou em uma de surpresa.

— há um alfa de ômegas?! – indagou, perplexo, surpreendendo Laura, que o encarou.

— sim. Há um alfa de ômegas – respondeu a mulher.

— e por que eles estão aqui? Algum tipo de acordo está sendo feito? – inquiriu o louro vendo a morena menear positivamente.

— o acordo já foi feito. Só está sendo selado. O acordo foi um casamento – respondeu a mulher e ambos voltaram a caminhar pelo jardim do bando Hale.

Quando Jordan chegou de surpresa na porta da residência dos Hale, o homem pôde perceber a presença de Heather e Allison na sala, assim como Ennis, que estava sendo usado de apoio pela Argent, ao mesmo tempo em que era abraçada por um dos braços do homem, enquanto a mais nova dos ômegas brincava de boneca entre as pernas do calvo. Ele fora surpreendido pelo olhar questionador dos três, mas logo Laura surgiu e o homem esqueceu-se do mundo a sua volta. Ele a convidou para um passeio pelo território e fora assim que chegaram ali.

— quem está sendo casado? – perguntou Jordan, um tanto aliviado por seu relacionamento com Laura ser um sagrado em que nenhum lobo ousava interferir.

— o meu irmão, Derek – respondeu a mulher parando brevemente para pegar um narciso branco e a colocar na braçadeira que dera para o homem, enquanto o mesmo recolhia um crisântemo vermelho e colocava nos cabelos da noiva.

— e ele aceitou? Digo, não teve nenhuma ação rebelde nem nada do tipo? – indagou vendo a mulher soltar o ar pelo nariz com violência, indignada.

— é claro que ele teve! Até parece que não conhece o meu irmão. Derek surtou. Disse que não iria se casar, que achava um absurdo, que estavam vendendo ele – a mulher falou com certa irritação, lembrando-se da reação do irmão com relação ao noivado.

— imaginei que ele fosse fazer algo do tipo. Mas, e a noiva dele, como reagiu? – perguntou o humano parando embaixo de uma árvore e puxando a loba para si, a abraçando pela cintura.

— aí é que está o motivo da revolta do Derek. O meu irmão está noivo do alfa de ômegas – ditou Laura vendo o humano parar de se aproximar quando estava quase lhe beijando, para lhe fitar com surpresa no olhar.

— é o quê?! Os seus pais escolheram um homem para se casar com o seu irmão?! – indagou o humano perplexo ao mesmo tempo em que a noiva meneava positivamente.

— Stiles é um rapaz inteligente e com um controle sobre ômegas que me surpreende bastante. Meus pais acharam que ele seria uma boa aquisição ao bando. Eles acham que o bando de ômegas é o suficiente para suprir a falta de união que o nosso bando vem sentindo – respondeu a mulher vendo o humano a fitar surpreso.

— bom, isso é comum entre os lobos, certo? Os seus tios são um trio e os dois homens dele se relacionam .E os seus pais também tem um outro membro no amor deles – comemtou o homem vendo a mulher menear positivamente.

— isso é raro, no nosso bando. Mas acontece muito em outros. E também temos Lucy e Megan, que moram perto dos Boyd’s. Mas, sim, isso é comum entre lobos e alguns outros seres como nós – respondeu Laura tomando os lábios do noivo em um rápido beijo, antes de Jordan dar início a outro.

Os dois estavam tão entretidos na conversa e em tocar um ao outro, que nem notaram uma terceira presença no jardim. Laura só percebeu quando fora surpreendida pelo cheiro da pessoa. Ao se virar para trás, a loba fora agraciada pela presença de Lydia, que encarava os dois com um sorriso simples. A ruiva usava um vestido branco, com um colar prateado que possuía uma pedra verde sobre os seios. A ômega colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha antes de direcionar o olhar para o casal a sua frente.

— este é o seu noivo, não é? – perguntou a ruiva vendo a loba menear positivamente, estranhando a pergunta da banshee ômega, se é que banshee possuía alguma classificação. Mas Lydia apresentava o mesmo leve toque ácido em seu cheiro que todo ômega apresentava. Então, é, ela era chamada de Banshee ômega entre a família Hale.

— aqui, peguem – disse a ruiva erguendo dois cravos verdes para o casal que a fitou em confusão.

— receber flores de uma banshee atrai sorte no amor – explicou a ruiva vendo o casal arregalar os olhos em sua direção.

— nossa... obrigado – agradeceu o Parrish erguendo a mão na direção do cravo da mão esquerda da ruiva.

— mas o casal deve pegar as flores ao mesmo tempo. Portanto, os dois devem estar com as flores na mão quando eu as soltar – alertou a ruiva observando Laura a encarar, antes de erguer a mão na direção do cravo da mão direita. Quando Jordan e Laura seguraram as flores, Lydia as soltou, vendo o casal permanecer com os cravos em mãos.

— e o que fazemos agora? – perguntou Jordan vendo a bela ruiva sorrir em sua direção.

— devem dar um para o outro – respondeu a ruiva antes de dar as costas e caminhar elegantemente para fora do enorme jardim Hale, parando apenas para pegar um cravo verde e o colocar em seu cabelo, e foi só então que Jordan e Laura notaram uma rosa na orelha da mulher, a qual fora substituída pelo cravo, enquanto a rosa fora movida para os seios da ruiva, onde permaneceu.

— ela é do bando do noivo do seu irmão? – perguntou o Parrish vendo a ruiva fazer a curva na cerca florida e desaparecer do campo de visão de ambos.

— sim. Ela se chama Lydia. É a banshee do bando de ômegas – respondeu a Hale olhando para o cravo em sua mão, antes de o colocar na braçadeira do noivo, ao lado do narciso branco, enquanto Jordan colocava o outro cravo verde ao lado do crisântemo vermelho nos cabelos da mulher a sua frente.

— a propósito, o que é uma banshee? – questionou o humano vendo a mulher sorrir minimamente.

— posso lhe fazer uma pergunta? – questionou Derek se aproximando da pedra na qual Stiles estava deitado.

Ele e o noivo haviam passado a manhã inteira ali, nadando e conversando. Interagindo como apenas dois homens, ignorando completamente o peso do casamento que carregavam. Demorou alguns minutos, mas Derek conseguiu ignorar o fato de que Stiles era o seu noivo, enquanto eles estavam pelados em um rio, assim como o castanho o fez desde o momento em que fora surpreendido pela presença do noivo em seu exílio no rio.

— pode, sim – respondeu Stiles, que estava deitado na mesma. O Hale saiu da água, se arrastando um pouco para cima do rochedo, enquanto encarava o rio.

— por que você se isola na natureza quando está triste? – perguntou Derek se sentando naquela pedra que se encontrava exatamente no centro do rio, enquanto encarava o céu um pouco nublado daquele início de tarde.

— e quem disse que eu faço isso quando fico triste? – indagou Stiles encarando o céu e Derek abaixou o olhar para a pedra.

— bom, eu conversei com o Liam antes de vir lhe procurar aqui. Ele me disse que você faz isso – respondeu o lobo e o humano suspirou, passando a mão pelos cabelos molhados, os penteando para trás no processo.

— porque eu me sinto livre, aqui. Eu me sinto como se eu fizesse parte da harmonia dela – respondeu o conde fechando os olhos ao mesmo tempo em que sentia a correnteza deslizar por seus pés, lhe causando uma sensação boa.

— eu entendo. Nós lobos precisamos dessa liberdade, também. Por isso é muito incomum bandos se localizarem em cidades grandes. Nós preferimos os vilarejos pois assim ficamos mais próximos da natureza e podemos ser nós mesmos, sem medo de humanos assustados erguendo armas para nós – comentou o Hale desviando o olhar para o Stilinski, que o observava em silêncio.

— é, eu sei. Meus betas também precisam desse contato com a natureza – comentou Stiles se sentando e passando a encarar a água com certa nostalgia.

Derek observava o castanho em silêncio. Ele sabia que o outro estava abalado pela morte de seus sete irmãos. Se perder um irmão já deixava uma pessoa tristonha, saber de uma única vez que havia perdido sete deveria abalar o conde de uma forma bem intensa. O lobo se viu, novamente, na obrigação de consolar o humano, de dizer que tudo ficaria bem, que eles estavam em um lugar melhor.

— eu os conheci quando tinha doze anos. Matt e eu somos os mais novos. Depois de meus pais, eles foram as primeiras pessoas que eu considerei como minha família – falou o castanho no instante em que Derek ousou se aproximar para tentar o consolar, fazendo o moreno de olhos verdes parar para lhe observar.

— Matt adora a água, já Nolan odeia ficar molhado – comentou erguendo um dos pés, sentindo a força da correnteza contra o mesmo.

— você gostava muito deles, não é? – questionou Derek em um tom de voz rouco por receio de despertar sentimentos ruins no mais novo.

— não é todo mundo que entra no coração de alguém ao ponto de considerarmos um irmão, Derek. Ainda mais em tão pouco tempo. Passamos apenas um ano juntos. Todos juntos. Depois nos separamos em grupos, para em seguida nos separarmos completamente – respondeu o castanho olhando para o noivo, antes de voltar a encarar a água, brincando com a mesma.

— eu sinto muito por sua perda – murmurou o Hale vendo o Stilinski negar com a cabeça.

— não se desculpe. Ainda mais porque eu ainda não os perdi. Eles apenas estão sendo mantidos vivos de alguma forma que não possam se matar – ditou o castanho observando o moreno lhe encarar confuso.

— o que quer dizer com isso? – indagou o moreno de olhos verdes vendo o castanho sorrir minimamente e negar com a cabeça.

— nada demais. Venha, vamos voltar. Já está quase na hora do almoço – disse o humano se levantando e pulando no rio, enquanto era seguido pelo olhar atento de Derek.

O Hale saltou logo em seguida e ambos nadaram na direção da margem. Eles saíram e se dirigiram até as suas roupas, passando a vestir as mesmas. Assim que devidamente vestidos, os dois decidiram que estavam prontos para retornar. Quando Derek iria começar a se embrenhar na mata novamente, Stiles segurou o seu braço, o parando.

— tem um caminho aberto, mas é maior – argumentou o humano encarando o lobo estreitar o olhar em sua direção.

— você veio por aquele caminho?! Mas leva dez minutos correndo na forma de lobo! – argumentou Derek, surpreso.

— demorei um pouco mais, mas cheguei – argumentou o conde dando de ombros e encarando o noivo estreitar o cenho, pensativo.

— por mim tudo bem. Podemos conversar pelo caminho – comentou o lobo dando de ombros e colocando as mãos nos bolsos da calça, enquanto o humano caminhava brincando com sua bengala em uma das mãos.

— então... para quando o nosso casamento está marcado? – questionou Derek ao se lembrar que nenhum dos seus pais havia dito nada sobre a data do casamento.

— ainda não foi marcado. As únicas coisas que eu e seus pais debatemos foram as regras do acordo e quem seria indicado por cada bando para formar a aliança. A data do casamento eu achei melhor discutir com você – respondeu o conde.

— podemos discutir isso depois do jantar – sugeriu o Hale vendo o Stilinski sorrir ladino.

— eu adoraria, mas acho melhor deixarmos para amanhã – disse o humano causando um olhar questionador no lobo, que tratou de o controlar para encarar o noivo com normalidade.

— por mim tudo bem, mas, por que acha que é melhor amanhã? – indagou o lobo vendo o castanho suspirar e olhar para o ambiente ao seu redor.

— é aquilo que eu disse antes. Estamos dando muitos passos para a frente, hoje. É melhor tomarmos um pouco de cuidado para não colocarmos as carroças na frente dos bois – respondeu o humano golpeando o chão com a ponta da bengala, surpreendendo Derek ao fazer uma pedrinha levantar voo e acertar um galho de ima árvore, fazendo uma fruta da mesma cair no chão ao romper o talo que ligava o fruto ao galho.

— você é muito bom com essa bengala! – afirmou vendo um pequeno esquilo recolher a fruta e sair correndo na direção da floresta.

— o meu status me obrigava a usar isso, então nada melhor do que me aperfeiçoar, não? – argumentou o humano girando o objeto em uma das mãos, antes de o parar e unir as mãos atrás do torso.

— você não gosta dela? – questionou Derek estranhando o argumento do mais novo.

— no começo, eu odiava. Mas ela me ajudava a andar, então eu a usava de todo jeito. Mas, depois, eu passei a gostar de usar quando ganhei esta – disse erguendo a bengala na frente do corpo, encarando a pedra vermelha fixamente.

O Hale observou o estranho fascínio que o Stilinski parecia ter pela pedra vermelha, a qual era do mesmo tipo das pedras que haviam nos brincos dourados em sua gaveta. O tipo de pedra que faria os ômegas lhe reconhecerem como um outro alfa. Agora que havia parado para pensar, se aquela pedra o tornaria um alfa de ômegas, então quer dizer que Stiles apenas era respeitado pelos ômegas por causa da pedra em sua bengala?

— essa pedra. Ela... está relacionada ao poder que você tem sobre os ômegas? – perguntou Derek, curioso, vendo o noivo negar com a cabeça e abaixar a bengala, passando a caminhar normalmente ao lado do lobo.

— não. Ela não exerce poder nenhum sobre os ômegas, pelo menos não quando não está comigo. É difícil de explicar, mas essa pedra é algo raro no mundo. Essa aqui e as dos seus brincos são apenas pedaços da verdadeira. Com a minha verdadeira, existem apenas oito delas no mundo. Cada uma pertence a um dos membros da minha família adotiva – respondeu o castanho encarando a pedra vermelha novamente, antes de olhar para o moreno de olhos verdes.

— bom, se ela controla ômegas, devo supor que controle qualquer tipo de lobo, certo? – questionou o Hale vendo o Stilinski negar com a cabeça.

— existe um motivo para ômegas serem fracos de consciência, Derek. E essa pedra só exerce efeito sobre as pessoas que carregam esse motivo. Sejam lobos, humanos, kanimas, bersekers, ghouls, banshees e até mesmo reappers. É por isso que o meu bando é formado por ômegas. Eu tenho controle sobre a sua sanidade, os deixo equilibrados, eu controlo o que eles querem manter sobre controle. Eu evito que sejam os assassinos descontrolados que já foram um dia – explicou o castanho e a imagem de cada um de seus betas quando os conheceu veio a sua mente como lembranças do passado sombrio de cada um deles.

Derek encarou o olhar perdido do castanho para a pedra e viu a forma como a pele do mesmo se arrepiou e um brilho avermelhado surgiu no olhar do humano. Aquilo lhe fez lembrar de quando o noivo perdeu o controle no duelo contra Braeden. Por falar na loba, estranhamente ela ainda não havia dado nenhum sinal de vida desde então. Provavelmente deveria estar trancada em casa, com tristeza e vergonha o suficiente para lhe fazerem temer sair da mesma. Derek não sabia se achava justo ou tinha pena da mulher, mas ele logo se lembrou do castanho e espantou a parte da pena para longe de sua mente. A loba havia desrespeitado os próprios alfas, a si e ao bando Stilinski insistindo em um relacionamento que já havia acabado.

— por falar em brincos, você os tirou. Estão muito apertados ou coisa do tipo? – inquiriu o castanho, escondendo o verdadeiro interesse da pergunta.

— n-não. Eu só achei que não poderia usar eles enquanto você estivesse chateado comigo. Como você disse, foi uma falta de respeito os usar na condição em que nos encontrávamos. Fui ingénuo naquele dia. Por isso os tirei, com medo de que ainda estivessem lhe ofendendo – disse o lobo levando a mão direita a orelha direita, acariciando o lóbulo com o polegar.

— não se preocupe, não estou mais chateado com você – disse o adolescente tocando gentilmente nas costas do lobo, sorrindo gentil para o mesmo, antes de voltar a colocar sua mão ao lado do corpo enquanto caminhava.

— então os colocarei assim que chegarmos – falou Derek vendo o humano ao seu lado rir nasalado.

— mas que porcaria! – exclamou o homem batendo com força contra a mesa.

— NÃO ACHAMOS NADA! – gritou arrastando as mãos pela mesa jogando tudo o que tinha sobre a mesma para o chão.

— é realmente prudente perder a paciência assim após tantos anos? – perguntou Gerard sentado em sua cadeira com um copo de vinho em mãos.

— da mesma forma que faz há anto tempo – comentou a mulher sentada na mesa ao lado do pai, encarando o irmão cerrar o punho.

— calem-se – rosnou Chris encarando o solo do escritório com fúria.

— acalme-se, meu irmão. Estamos apenas tentando abrir os seus olhos para a verdade. Allison nos deserdou, nos traiu – argumentou Kate levando o copo de vinho aos lábios, bebendo do líquido rubro púrpuro.

— CALADA! Você, de ninguém, pode falar sobre traição, sua cobra! – rosnou o homem encarando a mulher lhe fitar, agora com uma seriedade que não carregava nada além de fúria.

— está bem. Manter-me-ei em silêncio – disse a mulher cruzando as pernas e encarando o irmão da forma em que disse que ficaria: calada.

— achei que tivesse superado isso, meu filho. Achei que já tivesse seguido em frente e desistido de minha neta – afirmou Gerard encarando a forma como o filho mais velho encarava o mapa da Inglaterra atentamente.

— eu pensei que já tivesse deixado bem claro que não acredito que ela tenha morrido – afirmou o homem cruzando os braços e encarando o mapa com seriedade, pensativo.

— mas morreu. E mesmo que esteja viva, ela não é mais a mesma garota que amamos e educamos. Allison não é mais uma Argent, Chris. Entenda. A sua filha não mata monstros, ela mora com eles, ela se deita com eles – disse Gerard encarando o filho cerrar os punhos.

O mais velho estreitou o cenho. Ele havia treinado os seus dois filhos muito bem. Conhecia cada movimento deles. Chris sempre fora o mais fácil de se ler. Quando o homem se virou para lançar uma faca em si, Gerard chutou a mesa a sua frente, derrubando a cadeira em que estava sentado, deixando a lâmina passar por cima de si. Quando se ergueu, o velho já estava com uma arma apontada para o filho, que já tinha outra apontada para o pai.

— é melhor lavar bem a boca ao falar da minha filha, da sua neta! – repreendeu o mais novo dos homens, enquanto media forças com o pai usando o olhar. Kate olhou para a janela ao ver uma sombra se movimentando pelo lado de fora.

— ela está vindo – ditou Kate em um sussurro, mas alto o suficiente para que os dois homens recuperassem a pose, guardando suas armas, mas permanecendo encarando um ao outro. Quando a porta se abriu, os dois deram as costas, Chris para encarar a porta e Gerard para levantar a cadeira na qual estava sentado.

— o que fazem aqui? Estou chamando para o almoço há um bom tempo – questionou Victoria observando o marido em questionamento, enquanto mancava para dentro do escritório do mesmo.

— estávamos discutindo estratégias – respondeu Chris observando a esposa com ternura, escondendo a dor que sentia no peito ao ver a mesma mancando daquele modo. Victoria suspirou encarando o marido com dor, antes de se afastar do mesmo e mancar até a mesa ao lado do mapa.

— o que custa admitir para mim que continua procurando nossa filha? – perguntou Victoria encarando o mapa marcado de várias formas e suspirando cansada.

— Victoria... você não deve se preocupar com isso, meu amor – Chris tentou alcançar a mulher, mas a mesma se virou bruscamente me sua direção, se apoiando na perna ruim e parando o movimento com a perna boa.

— não?! Como não?! Ela é minha filha, Christopher! Minha filha! MINHA! COMO NÃO DEVO ME PREOCUPAR COM A MINHA FILHA?! HEIN?! – gritou a mulher, observando o marido lhe fitar com receio, abaixando o olhar.

— Victoria, meu amor, se acalme. Isso não faz bem a sua saúde – pediu Chris vendo a mulher lhe fitar com fúria.

— não me trate como uma inválida! Posso ter perdido a perna, mas isso não afeta em nada a minha saúde! – rebateu a mulher encarando o marido com fúria.

— as vezes eu me pergunto se continuo sendo uma Argent – falou a mulher encarando os três membros originais da família de caçadores vendo o marido tomar um olhar tristonho enquanto Gerard e Kate lhe observando com naturalidade.

— Vic, não fale assim – o homem tentou se aproximar da esposa, mas a mesma se virou com velocidade, novamente, e desferindo um tapa no rosto do homem, que cambaleou para trás, surpreso.

— não fale assim digo eu. Só me toque quando voltar a me tratar como uma mulher, não como um fardo sensível – disse a mulher voltando a caminhar na direção da porta.

— você não é o único que quer nossa filha de volta, Christopher. Eu carreguei ela por nove meses em minha barriga. Ela era um pedaço nosso. Sabe a dor que você sente? Eu sinto ela. E olhe lá se a minha não for maior do que a sua – disse a mulher fechando a porta do escritório com força, deixando os três Argents para trás.

— sabe, eu havia esquecido o que eu vi nessa mulher para ficar fascinado por ela quando vocês dois começaram a namorar. Mas, agora, eu lembrei. Ela é forte. Uma mulher muito forte. Que pena que sofre da mesma doença que você. O sentimentalismo lhes mata – ditou Gerard se levantando e começando a se retirar do escritório.