Erica encarava o grupo de betas selecionados para lhe enfrentar. Todos os oito lhe encaravam com um semblante fechado. Apesar das expressões sérias, a ômega conseguia reconhecer o medo no olhar de todos eles.

Bom, quase todos.

Isso lhe irritava ainda mais.

Vernon Boyd, o beta de pele preta e cabelos raspados lhe encarava com algo pior do que medo. Algo que lhe gerava repulsa, lhe desperrava um sentimento ruim que beirava o ódio.

O beta filho de um casal de alfas lhe encarava com pena. A loura cerrou os punhos com força tentando controlar a raiva que sentia. Os seus cabelos cacheados se eriçaram brevemente e as escleras começaram a ser cobertas por um líquido dourador. No entanto, a loura se conteve. Com um suspiro, evitou que sua pele se tornasse pálida e seus ossos fervessem e emergissem para fora do seu corpo como ouro branco líquido. A garota com um leve toque de queijo no aroma apenas olhou para o próprio alfa por alguns segundos, em um questionamento interno, antes de voltar a olhar para frente.

— vamos começar com isso – ditou a adolescente inclinando a cabeça para os lados, fazendo o pescoço emitir sons de estalo.

Vernon suspirou, derrotado. Todas as súplicas que fizera aos céus não serviram de nada. O homem implorou para alguma força divina para que ele não fosse selecionada para enfrentar a garota. Mas, logo na primeira onda, ele fora selecionado como o primeiro beta. O Boyd olhou para o grupo que o acompanhava na batalha, antes de bater suas palmas com os dedos curvados, emitindo um som mais grave, chamando a atenção dos outros betas. Eles viram o homem bater no próprio rosto com as mãos, com os olhos fechados. Quando abriu os olhos, a cor dos mesmos já havia mudado para o dourado, enquanto pelos surgiam em seu rosto.

— eu não queria ter que lutar contra você. Eu gostei de você, Erica. Mas, infelizmente, eu não tenho escolha. Preciso obedecer e servir aos meus algas – ditou o Boyd já tomando a sua forma bestial e entrando em posição de batalha.

Erica apenas inclinou a cabeça para a esquerda, lançando um olhar entediado para o beta, o qual lhe encarou nos olhos assim que se viu pronto para a luta.

— eu não me lembro de ter lhe pedido a opinião sobre essa luta – disse a Reyes com frieza.

Vernon não se viu surpreso. Na verdade, ele já esperava por um tratamento daquele tipo. Ele se lembrava muito bem do erro que cometera na sua escolha de palavras no diálogo que tivera com a ômega, quando a garota salvou um membro do seu bando de ser atropelado por um cavalo desgovernado. O beta passava horas do dia pensando como poderia ter escolhido palavras melhores, gravando as melhores combinações possíveis para usar em momentos futuros. Ele, como filho de dois algas e um jovem que aspirava um papel importante no bando, não poderia cometer tais erros com frequência. Essas gafes eram imperdoáveis, em sua visão.

— e antes que você comece a se revelar um desses homens que se engajam em monólogos repletos de falsa filosofia, me permita lhe deixar informado sobre algo: eu não me importo com o que você quer, não me importo com o que você sente, muito menos com o que você gosta, beta – a loura falou com desprezo, quase cuspindo ao proferir a classificação alheia.

— espero que tenhamos uma luta justa e honrada – pronunciou outro beta, reverenciando a loura.

Erica bufou em desdém.

— uma luta justa? Então é melhor trazerem os derrotados de volta ao campo. É o único jeito dessa luta se tornar justa – disse a ômega antes de olhar para o alfa por sobre os ombros.

— também não precisa ofender – comentou uma das betad em campo.

— precisamos mesmo passar por isso? – inquiriu a loura, entediada, vendo o Stilinski menear positivamente.

— não precisa derrotar muitos, se você não quiser. Apenas demonstre a sua força – respondeu o castanho, gentilmente, vendo a garota menear positivamente.

— vai sobrar pra mim – reclamou Corey, cruzando os braços diante do peito.

— chega de conversa! Vamos lutar – repreendeu um beta, avançando com velocidade.

Erica não se moveu até que o adversário a alcançasse. Um soco fora desferido contra a garota de cabelos cacheados. Mas logo ele fora substituído por um chute, se revelando ser apenas uma distração. A Reyes não mordeu a isca. A adolescente apenas ergueu a mão, parando o chute de um beta transformado com a mesma facilidade que uma criança parava uma porta que se fechava sozinha. O braço ou qualquer outra parte da garota se quer se moveu com o impacto. Erica permaneceu estática. O beta a encarou com perplexidade no olhar

— quando quiser começar a lutar, é só me avisar – disse a garota, calmamente, vendo o homem abaixar a perna peluda, antes de tentar lhe atingir com um soco.

A ômega voltou a parar o golpe sem muita dificuldades. O homem, novamente, não conseguiu fazer com que a garota se movesse. Muito pelo contrário. Ele fora quem acabou se movendo. Recuando alguns passos, o beta passou massagear o punho enquanto encarava a adversária com surpresa no olhar.

— qual é o problema, Sebastian? – inquiriu uma mulher avançando pela lateral

— essa garota é dura feito pedra – reclamou ainda massageando o punho.

A mulher, Rebeca, deslizou pela grama, desferindo um golpe do pé no tornozelo de Erica. A Reyes saltou para trás, desviando do golpe. A beta sorriu.

— bem, invulnerável ela não é. Já que recuou – comentou Maethe, a mulher, enquanto se erguia

— o ponto fraco deve ser nas pernas – ditou Jessabel já avançando contra Erica pelo outro lado.

Sebastian a seguiu.

Vernon franziu o cenho.

— É arriscado! – o Boyd tentou alertar os companheiros.

— no que está pensando? – questionou Ian, um dos betas ao seu lado.

— Reapers possuem pernas extremamente fortes, pelo que percebi. Deve ser pelo fato de carregarem o peso de seus ossos – comentou Vernon vendo Jessabel desferir uma rasteira contra a Reyes, que saltou a mulher, se aproximando ainda mais de Sebastian, que já preparava um soco.

Erica desviou do golpe, abaixando o torso e girando sobre o próprio eixo, deixando suas costas próximas das do beta atacante. O homem também girou ao errar o golpe, em uma tentativa de se afastar da ômega. Erica, ao finalizar o giro, realizou mais um, desta vez se aproximando de Sebastian, enquanto erguia uma perna, em um golpe. O chute acertou a lateral do coroo do beta, o jogando para o lado. Sebastian caiu de lado e rolou por alguns metros, antes de cair com o rosto sobre as vinhas.

— para alguém que não sabe falar com uma garota, você é bem inteligente – comentou a Reyes vendo o beta engolir em seco, nervoso.

— essa garota fala demais – comentou Benjamin franzindo o cenho para a loura.

— eu não sou a única, certo? Afinal, você está aí, latindo desde o começo e seus betas ainda não fizeram nada – a Reyes rebateu e Stiles gargalhou baixinho.

— Erica, não se deve zombar da situação alheia. É falta de educação – o conde repreendeu a ômega, que sorriu ladina na direção do alfa de pele escura.

Vernon aproveitou o momento de distração e avançou. O homem desferiu um soco contra o rosto da loura, que apenas girou para o lado. Mas o Boyd já havia previsto o movimento e saltou acertando um golpe do peito do pé na lateral da cabeça da adversária. Erica cambaleou dois passos para o lado, tomando um olhar severo no rosto.

Sebastian se aproximou pela outra lateral, pronto para ligar um golpe ao do Boyd. O soco do moreno acertou o nada quando Erica se moveu para trás. Um passo fora o suficiente para a retirar da linha de ataque do beta. Com as mãos ela agarrou o braço alheio, o puxando. Sebastian fora atingido com força no abdômen pelo joelho da adolescente. Jogando as mãos para trás, Erica as apoiou no solo, antes de erguer aa pernas, acertando um golpe do joelho no rosto alheio.

Após ficar em pé, a loura correu na direção do homem, antes de girar e erguer a perna, acertando um chute certeiro no abdômen alheio. Sebastian voltou a ser lançado para trás, mas o homem fora salvo por uma de suas companheiras, que o agarrou pelos pés antes que ele alcançasse as vinhas.

— não ataquem sozinhos. É suicídio. Ataquem em duplas. Ela não deve conseguir lidar com duplas atacando simultaneamente mesmo que transforme os braços – ordenou o Boyd ao se lembrar de como Erica se movia de forma um tanto lenta com apenas os braços transformados.

Os companheiros betas menearam positivamente.

— ele é um bom estrategista – comentou Scott par ao seu alfa vendo o Stilinski permanecer encarando o beta de cabelos raspados com seriedade

— poderia ter sido ele o seu noivo. Seria uma aquisição interessante – comentou Ethan enquanto abraçava o irmão de lado.

— não creio que os Boyds concordariam com esse tipo de acordo – comentou o Stilinski se focando por um momento nos pais de Vernon.

— eles são inteligentes. No entanto, ninguém é perfeito – ditou Stiles voltando o seu foco para a luta.

— seria melhor do que o atual, de qualquer jeito – resmungou Aiden, venenoso.

— silêncio! – repreendeu Stiles e os ômegas se silenciaram com sorrisos nos rostos.

Os betas atacaram em duplas, assim como fora sugerido por Vernon. O Boyd fazia dupla com Arya, enquanto Sebastian estava com Hilary, Rebeca com Maethe, e Adrien com Rose. Rebeca e Maethe avançaram descaradamente pela dianteira. Adrien avançou por trás e Rose pela esquerda. Quando o ataque dos quatro estava quase a alcançando, Erica saltou para trás, usando as costas de Adrien como base para rolar sobre a mesma e cair abaixada atrás do beta.

O acontecimento a seguir fora desastroso. Adrien cambaleou com o peso em suas costas, o fazendo entrar na linha de ataque de Rose. O soco as mulher empurrou o beta aliado para o lado. O corpo do homem caiu diante dos pés de Rebeca que tropeçou no mesmo e caiu no chão. Maethe, ao ver o espaço entre Adrien e Rose sumir, se jogou no chão, rolando no mesmo. No entanto, antes de seu ato se completar, um pé de Rose lhe acertou, fazendo ambas caírem no chão, terminando com Maethe estando sob a sua companheira de bando.

Derek suspirou, negando com a cabeça, assim como Laura e os pais. Cláudia, e Miranda cobriram os rostos com uma das mãos. Benjamin rosnou em desgosto. Já John e Peter riram com o ocorrido. Peter em gargalhadas enquanto John tentava disfarçar um risinho.

Adrien se ergueu, envergonhado, se colocando abaixador, antes de lançar um olhar curioso para os ômegas, esperando pelo gargalhar dos mesmos. No entanto, o que ele recebeu fora ainda pior. Tédio e indiferença dominava os olhares do bando da Rosa Negra. Era como se eles já esperassem por algo como aquele desastre.

Aquilo o irritou.

Cerrando os punhos, o homem se ergueu completamente, rosnando em fúria. Suas garras coçavam para serem cravadas na pele clara da garota de cabelos cacheados. Seus olhos brilharam e suas presas. Ele estava permitindo que mais de sua fera interior emergisse, aguçando os seus sentidos.

— não rosne para mim! – repreendeu a adolescente, surpreendendo a todos.

Adrien se viu perplexo quando a voz da ômega soou ao seu lado. Olhando para a direção do som, o moreno fora surpreendido quando uma perna lhe atingiu o abdômen com força, o lançando de costas nas vinhas. O homem se quer teve tempo de reação. Ele havia perdido o ar com o chute na bica do estômago. Aquela garota tinha uma força surpreendente nas pernas.

— merda! – praguejou Rose enquanto se erguia e se juntava a Maethe e Rebeca, formando um trio.

As três recuaram com velocidade. As betas sabiam que precisavam sair, o mais rápido possível, do alcance da linha de ataque da reaper. Erica girou no próprio eixo com agilidade, fazendo os betas que se preparavam para atacar organizadamente pararem os seus movimentos em uma medida preventiva. A Reyes havia se virado para direcionar o olhar para o seu bando, mais especificamente para o seu alfa.

— eu posso desistir, agora? – inquiriu a ômega surpreendendo a todos, com exceção do conde.

— como é?! – inquiriu Garret, perplexo.

— ei! Ei! Ei! Você pretende mesmo deixar essa gente toda para mim? – indagou Corey, igualmente perplexo.

— está achando ruim? Vai ter mais diversão para você – argumentou a Reyes encarando o castanho lhe fitar com indignação.

— mas no que...

— Erica, por favor. Isso seria deselegante. Os enfrente por mais um tempo. Desistir agora seria desrespeitoso com ambas as partes – pediu Stiles enquanto se erguia, colocando-se de pé mais uma vez.

O castanho ergueu uma mão diante do rosto, sensualmente. Erica tremeu com o olhar predatório do alfa em si, antes de sorrir minimamente. O Stilinski exibia três dos seus para a garota, enquanto fazia um circulo com o indicador e o polegar. O dedo anelar e o dedo do meio que se encontravam em riste pressionavam os lábios do rapaz de cabelos castanhos de forma sensual, ao mesmo tempo em que cobriam parcialmente o seu sorriso.

— três. Depois de derrotar mais três betas, eu lhe concedo a permissão para desistir – o conde afirmou com autoridade com os olhos brilhando em um castanho claro intenso.

Erica se curvou, reverenciando o rapaz de vestes vermelhas e bandagens no rosto.

— se assim desejar, assim eu farei, mestre – disse a Reyea antes de se virar para os seus adversários.

— vocês o ouviram. Vamos logo com isso – ordenou já começando a marchar na direção de Rebeca, Rose e Maethe.

A ômega fora cercada pelos outros betas, que avançaram pelas laterais. Dois deles miravam com as garras no torso alheio, enquanto os outros dois miravam os seus ataques nas pernas alheias. Vernon, um dos betas que mirava o ataque no torso da adversária, pôde ver perfeitamente quando a loura saltou, desviando dos ataques rasteiros, enquanto usava os braços para bloquear os socos que receberia no peito. A Reyes fora empurrada para trás antes de aterrissar no solo, devido a força dos dois betas atacantes.

Assim que a loura de cachos acolheu o chão com os pés, ela deslizou por um metro e meio pelo gramado, antes de finalmente parar de ser empurrada. A ômega retirou o bloqueio que seus braços exerciam sobre os punhos alheios, antes de girar, permitindo que os betas avançassem com o ataque, desviando de ambos ao se colocar de lado. A garota de cabelos cacheados socou o braço de Vernon, o afastando, antes de se voltar contra Arya. A ruiva teve o braço agarrado pela ômega.

Erica girou, passando o braço da beta por suas costas, antes de o colocar sob o seu braço, para em seguida desferir um golpe do cotovelo no rosto alheio. Arya tentou desviar do golpe, mas o corpo da Reyes estava tão próximo que ela acabou não tendo tempo. Assim que o cotovelo atingiu o rosto da beta, a ômega agarrou o braço da mesma com força e girou, erguendo a adversária do chão com a velocidade do giro, e a jogando de costas na lateral do corpo de Vernon, que se aproximava para atacar.

O Boyd, surpreso, colocou o braço flexionado na frente da lateral do rosto em uma medida defensiva. As costas de Arya o atingiram em cheio, o empurrando para trás. Sebastian e Hilary se aproximaram pelas costas da garota com velocidade, enquanto Rebeca, Rose e Maethe avançavam pela dianteira.

Vernon se recuperou do golpe e avançou junto com as três mulheres. Theo franziu o cenho ao ver as pernas da loura terem o volume dobrado. Flexionando as pernas, Erica sorriu. Vernon analisou os fatos em meio ao ataque. Quando Erica se moveu, ninguém teve tempo de reação, por serem pegos de surpresa com a velocidade anormal da ômega. Ninguém exceto o Boyd.

O homem ergueu a perna, tentando ter o pé acertado pelo rosto da adolescente quando a mesma avançou contra Rebeca. Funcionou. O seu pé fora atingido pelo rosto de Erica, mas, diferente do esperado pelo homem, aquilo não a atrapalhou. A adolescente tinha os olhos cobertos por uma membrana dourada, o que fez do seu ato uma tentativa de distração falha. A Reyes abraçou Rebeca pela cintura, a erguendo do chão e atravessando todo o campo de batalha com a mulher em seus ombros. Ao parar a corrida na beirada do campo, Erica soltou a beta, vendo a adversária continuar com o percurso no ar por tempo o suficiente para cair em pé nas vinhas, antes de cair deitada sobre as mesmas quando os seus pés realizaram atrito contra o solo.

— essa garota parece um touro – comentou Mason, surpreso.

— eu não entendo. Por que ela é mais forte do que o Liam? O garoto é ainda maior do que ela – argumentou Garret, confuso.

— eu nem questiono mais nada. Para mim já é uma surpresa e tanto os mais novos serem os mais fortes – comentou Mason sem desgrudar os olhos da luta.

Theo, instantaneamente, se lembrou de quando encontrara Liam no templo. O Dunbar havia lhe dito que estava com problemas para controlar a sua fera interior. No momento, ele achou engraçado. Liam parecia ser o garoto perfeitinho que todo pai sonhava em ter. Mas, agora, ele entendia o motivo. Ele não fazia ideia de como seria ter que controlar uma hibrido de lobo com ceifador.

“Talvez fosse o autocontrole”.

Ele pensou.

O Raeken se apressou em responder o amigo. No entanto, assim que sua boca se abriu, a sua voz morreu. Que direito ele tinha de falar de Reapers? Que experiência ele tinha no assunto? Qual a credibilidade ele tinha com os seres para responder aquela pergunta por eles. Por mais que fosse uma mera suposição, Theo decidiu que tinha apenas o direito de se calar. Já havia deixado as coisas complicadas para o seu bando, uma vez. Por falta de controle em sua língua ferina, o louro acabou gerando um surto na garota que agora se encontrava lutando.

Theodore riu.

No final da história, ele era como Liam. Alguém que não conseguia controlar algo dentro de si que poderia ser desastroso. O louro fora surpreendido quando o corpo de Sebastian se chocou contra o seu, lhe derrubando no chão. Algumas poucas pessoas riram de sua situação. O Raeken estava tão distraído que nem notou quando o companheiro de bando fora arremessado para fora do campo de batalha. O louro se ergueu, ajudando o outro a se levantar, antes de direcionar o olhar para o campo, em tempo de ver Erica apoiar as mãos nas costas de Vernon, o usando de base para desviar de um ataque de Rose.

As garras da beta rasgaram o braço do Boyd, antes de Erica aterrissar atrás do mesmo, o enlaçar pela cintura com os braços e o erguer do chão, o jogando de nuca no chão ao flexionar os joelhos e permitir que seu torso caísse para trás em um arco. Vernon sentiu todo o corpo amolecer com a dor.

Mas ele não perdeu a consciência. Apenas sentia dor demais para poder processar qualquer outra coisa. Rose, desesperada, fora ao seu encontro tentativa de impedir que o mesmo fosse jogado para fora ou tivesse a consciência perdida. Vernon era o melhor em análise e estratégia naquele círculo de vinhas. A família Boyd em peso era boa naquele quesito. No entanto, Erica não tinha a menor intensão de atacar alguém tão debilitado tendo alvos em melhores condições. Seria dar margem para que os inúteis membros daquele bando criticassem sua força e habilidade.

Vernon, agora, servia apenas de isca.

E Rose a mordeu instantaneamente.

Girando no próprio eixo e erguendo a perna, a ômega simulou um ataque contra o Boyd, quando na verdade estava a pegar impulso. Quando Rose se aproximou o suficiente, a Reyes realizou o seu movimento, jogando a perna para baixo. O membro passou a centímetros do rosto de Vernon antes de seguir diretamente para o queixo de Rose. Dando um mortal no ar, Erica aterrissou sobre os próprios pés, enquanto a beta atingida cambaleava para trás, zonza. Sem perder tempo, a Reyes agarrou o braço da mulher e girou, a erguendo no ar, antes de a lançar para fora com a facilidade de jogar um pequeno tronco de madeira cortado.

Vernon recobrou os sentidos, se surpreendendo ao notar Erica tão próxima do seu corpo caído. Instantaneamente, o homem rolou para longe, na tentativa de fugir da garota, caso ela estivesse focando algum ataque em si. No entanto, o homem se surpreendeu quando a loura simplesmente deu as costas para o bando Hale e passou a caminhar na direção do próprio alfa.

— como exigido quatro betas foram derrotados – ditou a loura, se ajoelhando no campo de batalha, na direção do próprio alfa, em a reverência.

— você foi muito bem, Erica – disse o adolescente de cabelos castanhos, estendendo a mão para a adolescente de cabelos louros.

A Reyes se aproximou alguns passos, acolhendo a mão do seu alfa na sua com extraordinária delicadeza. A garota se inclinou em uma reverência, antes de levar as costas da mão alheia aos lábios, a beijando com ternura.

— já acabou? – inquiriu Liam, surpreso, já devidamente vestido, enquanto se aproximava da clareira calmamente.

— parece que sim – comentou Corey, venenoso.

— você vai me agradecer – provocou Erica sorrindo ladina na direção do companheiro de bando.

— não me faça dizer o que irei fazer com você – ditou o Bryant, emburrado.

— você pode ir quando quiser – disse Stiles enquanto Erica se dirigia para o seu lugar.

Corey passou a caminhar na direção do círculo de vinhas, enquanto era encarado por todo o bando Hale.

— o mais forte – murmuraram a maioria deles ao mesmo tempo em que o kanima atravessava as vinhas enfeitiçadas.

— um kanima com poder de invisibilidade – murmuraram Derek e Vernon, vendo o garoto de cabelos castanhos parar assim que atravessou completamente as vinhas.

O garoto parecia visivelmente incomodado com toda a atenção que recebia. Um tanto acanhado, Corey ergueu a mão em um cumprimento simplório, soltando um tímido e calmo “Boa noite”. Os membros da alcateia Hale franziram o cenho. O garoto aparentava ser extremamente inofensivo para ser o ômega mais forte do bando. Corey permaneceu estático, com os braços cruzados atrás do corpo e as mãos unidas sobre as nádegas. Os lábios espremidos um contra o outro e os olhos analistas estudando cada expressão

— ele vai ficar ali, parado? – inquiriu Samira, já recuperada do veneno da caçadora do bando adversário.

— ele sempre me pareceu muito tímido – comentou Theo, curioso..

— mas ele é o mais forte de todos os outros. Geralmente, o poder vem acompanhado pelo exibicionismo. Sem contar que todos os outros ômegas se mostraram bem animados em demonstrar a sua força superior. Tem algo errado – comentou Laura, de forma analista, e John meneou em concordância.

Corey ergueu uma mão e os betas em campo flexionaram os joelhos, se preparando. O garoto apenas acenou para eles com a mão, como se os cumprimentasse.

— eu... Acho que... Nós já podemos começar – o Bryant disse com calma e suavidade na voz.

— ele deve estar tramando alguma coisa – comentou Arya se aproximando dos companheiros com cautela.

Corey cobriu a boca, rindo baixinho. O bando inteiro franziu o cenho, enquanto os betas em campo se retraiam em um reflexo. O castanho permaneceu a rir, com a mão cobrindo o rosto em uma tentativa de abafar a risada. Os betas cerravam os dentes, irritados, tentando conter os rosnados em suas gargantas. Temiam irritar o mais forte dos ômegas e serem cruelmente humilhados diante de seus alfas.

O rapaz de cabelos castanhos começou a caminhar, calmamente, na direção dos seus adversários. Os betas fortaleceram suas posições de defesa, enquanto analisavam minuciosamente o adolescente. O garoto tinha um olhar predatório, ofídico, direcionado para os membros do bando Hale. Quanto mais o Bryant se aproximava, mais tensos os betas ficavam. Hilary, irritada com a própria situação, decidiu que ela mesma iria mudar tudo.

— isso só pode ser brincadeira! Nós somos um bando também! Nós somos fortes! Já passamos por muita coisa Mesmo que ele seja o mais forte, nós somos betas adultos e fortes. Não vai ser um garoto que... – Hilary tentou incentivar os companheiros, mas fora calada quando sentiu o seu pé ser puxado violentamente, a derrubando no chão.

Todos olharam confusos para a mulher.

— mas o que... – a mulher fora novamente calada quando o seu corpo passou a ser arrastado pela grama, antes de ser erguido no ar pelo pé, balançado no ar e lançado para fora no campo.

— mas que diabos! – exclamou Maethe, surpesa.

Logo uma enorme membro de cor rosada se revelou no ar, ligado a boca de Corey, que era coberta pela mão. A língua do kanima passava por baixo da mão do mesmo, por um pequeno e estratégico espaço entre a palma e o queixo. Quando o membro úmido retornou para a boca do seu dono, o kanima olhou de soslaio para a beta derrotada, que o encarou com perplexidade.

— a sua língua é grande demais – ditou o ômega, venenoso.

— como diabos?! – inquiriu Arya, confusa.

— ele pode deixar apenas a língua invisível – explicou Vernon vendo o adversário sorrir vitorioso.

— e desde quando kanimas podem fazer isso?! Já é raro eles conseguirem se camuflar. Ficar invisível, então? Agora eles podem escolher o que deixar invisível?! – exclamou Maethe, visivelmente indignada.

— hm? E que culpa eu tenho se você só conheceu kanimas fracos? – argentou o castanho dando de ombros.

Os betas rosnaram.

— agora chega! – ralhou Arya avançando com velocidade.

— vamos! – exclamou Maethe seguindo a companheira.

Vernon as seguiu.

Corey girou quando Arya o alcançou, desviando do golpe da mulher. Maethe surgiu diante de si com o punho erguido, já desferindo um soco no kanima. O ômega voltou a girar, dessa vez se abaixando para passar por baixo do braço da adversária. Maethe girou, desferindo um golpe das costas da mão, tentando acertar o adversário pelas costas, mas o Bryant voltou a desviar quando saltou, se afastando das duas betas.

Vernon avançou, tentando impedir que o ômega adquirisse algum tempo de alívio da pressão de ser atacado. Corey se jogou contra o beta, apoiando as mãos nos ombros do homem, que ainda tentou lhe agarrar os braços, mas falhou miseravelmente quando vacilou no movimento ao sentir uma dor repentina em seu pescoço e tentar levar as mãos ao local, em um reflexo. O garoto avançou contra as duas mulheres. O rapaz se colocou no meio das duas, desviando habilidosamente de seus golpes.

Sempre que seus punhos se aproximavam do ômega, as duas mulheres sentiam dores agudas, porem pequenas, em seus membros. Elas podiam ver, de soslaio, alguns pequenos cortes se fechando, não dando tempo nem mesmo de uma quantidade notável se sangue surgir do ferimento. Vernon avançou, cercando o garoto em um triangulo de ataques, os quais não eram efetivos. O Bryant ora bloqueava, ora se esgueirava por seus membros de forma surpreendente, a sua coluna parecia ser tão flexível quanto a de uma serpente. Não demorou para que os movimentos dos três betas restantes se tornassem lentos, chamando a atenção do bando Hale.

— o que está acontecendo com ao movimentos deles? Eles estão lentos – comentou Theo antes de bater palmas e gritando para que os três se esforçassem mais.

— recuem – ordenou Vernon e os três saltaram para trás, arfantes

Arya caiu de costas chão ao saltar para trás. Os seus pés tocaram o chão mais cedo do que ela realmente esperava. Os betas estavam arfantes e visivelmente debilitados, o que era estranho, devido a energia que deveriam ter por serem lobisomens. Logo Vernon se ajoelhou, piscando os olhos várias vezes, indicando que ele não estava enxergando muito bem. A sua visão estava turva. Ele via mais de um ômega em pé a sua frente.

Corey gargalhou baixinho.

— qual é o problema, Vernon? – inquiriu Benjamin em um tom de voz sério. Ele sabia que o ômega havia feito algo com eles e não estava gostando nada daquilo.

— e-eu não consigo enxergar direito. Eu me sinto fraco e está focando difícil de respirar – o homem respondeu ao pai, que franziu o cenho na direção do adolescente de cabelos castanhos.

— o veneno. Ele injetou o veneno sem que eles notassem – murmurou Benjamin vendo o garoto se aproximar de Vernon, se ajoelhando diante do mesmo.

— se me permite dizer, eu não gosto de você. Eu não gosto de nenhum de vocês que servem a família Hale. Vocês são nojentos. A hipocrisia é uma máscara que vocês vestem com tanta facilidade como se fosse os seus próprios rostos. Isso me irrita. – Corey cuspiu as palavra ao mesmo tempo em que sustentava um olhar de tédio, desviando olhar para o pai do beta a sua frente.

— mas, para a sorte de vocês, o conde é misericordioso. Do contrário, já teríamos pisoteado suas mascaras no primeiro dia em que colocamos os pés nessas terras, e teríamos feito da mansão Hale a nossa nova casa, como vocês vem descaradamente insinuando – o garoto pronunciou, erguendo o rosto de Vernon com dois dedos, o olhando com uma falsa ternura, enquanto os seus olhos revelavam o instinto predatório que o garoto continha em seu interior.

O Boyd respirava com dificuldade enquanto encarava os dois castanhos sobrepostos que ele via. A língua de Corey deslizou sobre os lábios carnudos do rapaz, de forma sensual.

— desista – o Bryant sussurrou contra o rosto de Vernon.

O homem mordeu o lábio inferior, irritado, encarando o kanima nos olhos. Suspirando de frustração, Vernon abaixou a cabeça, alegando desistência. Maethe e Arya relutaram, mas, no final, nem precisaram dizer mais nada. Estavam tão impossibilitadas que foram retiradas do campo pelos companheiros de bando, assim como Vernon fora retirado com a ajuda de Theo e Derek.

— os próximos, por favor – pediu o adolescente, cruzando os braços diante do peito.

— Mason, Jason, Dylan, Dwight. Vão – ordenou Talia vendo os betas menearem positivamente.

Os quatro adentraram o campo de vinhas com cautela. Corey sorriu ladino, antes de se colocar inclinado para a frente, adquirindo uma posição de ataque. Os betas se prepararam. Quando o ômega avançou, nenhum deles se surpreendeu com a velocidade do mesmo. Dylan fora o primeiro alvo do castanho. O kanima desferiu um soco no beta, mas o mesmo desviou do golpe e lhe golpeou o rosto com o punho. Corey girou no próprio eixo, passando ao lado do beta e desferindo uma cotovelada na nuca do mesmo.

Jason avançou logo depois, conseguindo alcançar Corey assim que o mesmo acertou a cotovelada na nuca de Dylan. O homem tentou acertar uma rasteira no ômega, mas este saltou, passando por cima de si e correndo na direção de Dwight. O garoto gargalhou ao ver o homem ter um reflexo de receio ao se encolher brevemente, antes de se repreender mentalmente e firmar sua posição de defesa.

— agora você vê – disse Corey ao preparar um punho para socar o beta, antes mesmo de o alcançar.

Dwight estava pronto para desviar o golpe do ômega e desferir um no garoto, quando o rapaz simplesmente sumiu do sei campo de visão.

— agora você não vê — o Bryant ditou com um tom risonho, antes de Dwight levar as mãos ao pescoço, emitindo um som de engasgo. Quando Corey reapareceu, o garoto já estava com as mãos ao redor do pescoço do beta.

— agora você vê – ditou enquanto empurrava o beta com velocidade contra as vinhas.

— e agora você perde – anunciou ao erguer o mais velho do chão e girar, o lançando de vez contra o limite do campo, derrotando o mesmo.

O ômega ficou invisível no momento exato em que Mason saltou, tentando acertar um chute em suas costas. O beta atravessou o ar, aterrissando em pé, já em posição de defesa e olhando bem ao redor. Os outros dois betas em campo deram as costas um ao outro, também entrando em posição de defesa. O Bryant gargalhou alto, chamando a atenção de todos para a direção em que se encontrava.

— a invisibilidade não deve ser tão efetiva se ficar emitindo tantos sons, assim – comentou Derek, pensativo.

— mas ele já sabe disso. Ele está os distraindo – comentou Laura e o irmão meneou em concordância.

O Hewitt sentiu algo molhado tocar em sua nuca e se virou prontamente, desferindo um soco no ar. O golpe acertou algo consideravelmente pequeno. Corey franziu o cenho, curioso, antes de gargalhar mais uma vez, chamando a atenção para outra direção.

— ele se move que nós se quer vemos! – exclamou Lance, surpreso por não notar movimentação nenhuma na grama.

Mason, concentrado na direção de onde viera o gargalhar do adversário, se tornou um alvo tentador para o ômega. Corey revelou a sua imagem atrás do beta, chamando a atenção de todos. Com um sorriso predatório nos lábios, se preparou para agarrar o corpo do beta por trás, o prendendo em um agarre firme. Seu golpe fora frustrado por uma cotovelada do Hewitt, que girou com velocidade, acertando o golpe no rosto alheio.

Todos os ômegas se viram surpresos com o ato do beta.

Mas Corey não perdeu tempo. Quando Mason desferiu um soco em si, o rapaz se abaixou, girando com velocidade, acertando uma rasteira no mais velho. O corpo do Hewitt foi ao chão e o Bryant não se demorou a se colocar sobre o mesmo, com as garras fixas na carne dos ombros do outro. O beta rosnou para o ômega, em uma tentativa de intimidação, o kanima piscou uma vez ,perplexo, antes de exibir suas presas, emitindo um rosnado reptiliano em resposta.

— eu não vou desistir – ditou Mason encarando o outro com determinação.

Corey sorriu divertido.

— você, não. Mas o seu corpo vai – comentou o Kanima antes de avançar contra o outro, desferindo uma mordida certeira no pescoço.

Exatamente como uma picada ofídica, o ato não levou nem mesmo um segundo. O garoto apenas fixou as presas na carne alheia apenas para liberar o seu veneno diretamente na corrente sanguínea, antes de recuar, voltando a entrar no campo de visão do Hewitt.

— não precisa nem mesmo se levantar. Pode esperar sentado para não ficar cansado – disse o Bryant, sorrindo vitorioso antes de se erguer em um salto.

Jason se aproximou com velocidade, tentando acertar um chute no ômega distraído, mas Corey se mostrou muito bem atento. O homem ainda tentou ajudar Mason, mas o Hewitt alegou que já era tarde. Seria uma questão de tempo para que o veneno expelido pelo kanima começasse a surtir efeito. E de fato não tardou para que Mason começasse a ver tudo turvo e o corpo amolecer. Ele recebera uma dose diretamente de uma picada. Não fora como Vernon, que tivera o veneno injetado por pequenos cortes nos braços.

Derek ainda não entendia como aqueles cortes haviam sido feitos. Corey não usara as garras, muito menos as presas. Não tinha como o castanho ter aproximado a cabeça dos membros alheios, durante toda aquela movimentação, sem ser notado ou até mesmo acertado. Os cortes nos braços do amigo eram um completo mistério. Quando Laura lhe puxou para perto, Derek ficou confuso, mas logo ele entendeu o ato da irmã, pois o corpo de Jason caiu exatamente onde ele estava.

Ao sair de seus devaneios e olhar para o centro da clareira, Derek pôde ver Corey, o único de pé, encarando o pai de Vernon com um sorriso divertido e um olhar predatório, enquanto Mason estava deitado, já paralisado pelo veneno, e Dylan estava ajoelhado, diante do kanima, tendo os cabelos puxados pelo mais novo, o mantendo de cabeça erguida a contra gosto.

— esses são os homens que disseram que nos expulsariam daqui a força? – questionou o membro do bando da rosa negra vendo o Boyd rosnar, irritado.

— esse garoto me irrita – falou Benjamin com um olhar sério.

Um a um, os betas do bando Hale foram caindo diante do Corey. O garoto de dezessete anos, cabelos castanhos e rosto quadrado se quer suava contra os adversários. Todos pereciam ao seu veneno, ou a sua movimentação rápida, somada com a sua capacidade perfeita de camuflagem. Frustrada, a alcateia Hale assistia a sua queda perante os ômegas em silêncio. Nada podia ser dito. Nada de útil vinha a mente de algum membro do bando. Todos apenas pensavam no quanto estavam admirados com a força de combate do garoto a sua frente.

E finalmente ocorreu.

A última onda de betas fora convocada para lutar. Derek estava nervoso. Sabia que era o mais fraco dentre todos ali. Fora o primeiro a ser convocado por seus pais. Mas sabia que tinha o apoio de seus companheiros de bando. Se eles pudessem coordenar um ataque bem elaborado, poderiam render o ômega no chão, ou até mesmo o empurrar para as vinhas. Contra aqueles adversários, eles não precisavam de força, apenas, precisavam de astúcia.

— podemos? – inquiriu Corey ao ver todos os dez betas parados a sua frente.

Derek engoliu em seco, antes de avançar contra o ômega. Corey franziu o cenho em um julgamento. O Hale desferia socos contra o kanima, que apenas recuava e desviava de todos os ataques.

— é realmente prudente atacar de forma tão direta sendo o mais fraco do grupo? – inquiriu o Bryant e o moreno de olhos verdes saltou, se afastando, no momento em que percebeu que o outro não havia mais se afastado.

— bom, estamos indo do mais forte para o mais fraco, não? Senti que deveria começar – respondeu Derek e o castanho repuxou os lábios em desgosto.

— você está muito cheio de si, não acha? Seria por ser o pretendente do nosso alfa? – inquiriu o kanima se aproximando do Hale a passos calmos.

Um beta se aproximou pela lateral com velocidade, Corey saltou o homem, rolando por sobre o mesmo. Antes que o homem se recuperasse do seu fracasso, Corey o golpeou com um chute nas costas, o impulsionando para frente e removendo-o do seu caminho.

— eu não sou assim! – ralhou o moreno recuando a medida em que Corey avançava. Ambos a passos calmos.

Uma mulher avançou pela dianteira do castanho.

— não pense, nem por um momento, que eu esqueci o que aconteceu naquele templo – resmungou Corey, desviando do soco da mulher, agarrando o braço da mesmo, a girando e a mordendo no pescoço, antes de a jogar para o lado como um brinquedo quebrado.

Derek mordeu o lábio inferior, nervoso.

Ele odiava aquele assunto. Ainda se sentia um completo imbecil por ter sido manipulado tão facilmente daquela forma.

— você não é o único que se sente irritado com isso. Eu também sinto raiva de mim por aquilo. Me sinto um completo idiota por ter sido usado daquele jeito – rosnou o Hale parando de recuar e adquirindo uma posição de ataque, surpreendendo o Bryant.

Corey rosnou. Em seu pescoço, linhas surgiram e escamas tomaram a pele de seu rosto em algumas regiões, enquanto cobriam todo o pescoço. O som de chocalhos foram emitidos, surpreendendo os lobos. O kanima apressou o passo, começando a correr na direção do Hale.

— eu vou fazer você sentir coisas, sim. – comentou com um semblante fechado, antes de desaparecer por completo.

Derek entrou em posição de defesa e todos os betas se prepararam para um provável ataque vindo de qualquer direção.

— esse jogo já esta me enchendo a paciência – comentou o Bryant e um doa betas se virou com velocidade, socando o ar.

— Corey – Stiles chamou pelo ômega, surpreendendo todos os betas em campo, que engoliram em seco, receosos.

Todos olharam para o Stilinski, o vendo de olhos voltados par aa pedra vermelha de sua bengala, antes de erguer o olhar diretamente para Derek.

— Não pense, nem por um segundo, em pegar leve com ele só porque é o meu noivo. Isso é uma disputa honesta entre os dois bandos. Destrua todos eles. Não deixe nenhum desses insolentes de pé -

— não acha que nos chamar de insolentes já é um pouco demais? – inquiriu uma das betas em campo, visivelmente ofendida.

A mulher gritou, assustada, quando sentiu uma mordida potente no pescoço, seguida de um abraço apertado em seu torso e braços, lhe deixando imobilizada. Logo a imagem de Corey surgiu, surpreendendo a todos.

— vocês nos ofendem por dias. Questionam nossa força e importância desde a nossa chegada. E agora quer dizer que não foi insolente? A sua hipocrisia me enoja – ditou o castanho, apertando ainda mais a mulher, a fazendo gritar de dor.

— ele está fazendo uso de violência desnecessária – argumentou Benjamin, irritado.

— contanto que não mutile, cause ferimento permanente ou mate, todo tipo de violência é aceita – ditou Talia, irritada.

— Benjamin, silêncio – ordenou Alexander, surpreendendo o Boyd.

— sim, senhor – o homem obedeceu, a contra gosto.

Derek correu para socorrer a beta mordida, mas logo se viu surpreso ao ver outro beta cair com a mão no pescoço. O companheiro ao lado logo fora arremessado para fora das vinhas com força. Uma mulher fora puxada pelo pescoço e arrastada pelo campo, até ser erguida no ar e jogada de costas nas vinhas. Outra mulher fora picada no pescoço e derrubada ano chão.

Cinco.

Cinco dos betas mais fortes eliminados em poucos segundos.

Derek não conseguia crer no que estava vendo. Nenhum dos membros do bando Hale conseguia crer. Um garoto. Um simples adolescente. Um ser tão jovem derrotou cinco adultos treinados por anos, em apenas segundos. O Bryant se revelou no centro dos betas, com os braços cruzados, enquanto lambia os lábios com volúpia.

— a porcaria do veneno faz efeito muito rápido – praguejou o beta mordido enquanto sentia o corpo amolecer aos poucos.

— é claro que faz. Em termos de velocidade de efeito, o meu veneno perde apenas para o da Allison – ditou o Bryant, orgulhoso, enquanto apontava com o polegar para a companheira de bando, que sorria em sua direção.

—-bom. Uma hora o seu veneno vai acabar – resmungou um beta, avançando com velocidade.

Os ômegas gargalharam. O bando em peso ria descontroladamente das palavras do homem. Stiles gargalhava enquanto abanava com a mão diante do rosto, tentando ser o mais educado possível naquela situação.

— qual é a graça? – questionou o homem, irritado, iniciando uma batalha corpo a corpo com o kanima.

Corey acertou dois socos no rosto alheio, antes de receber um golpe certeiro no rosto.

— diferente de Allison, Corey não precisa reunir ingredientes e passar um tempo preparando o veneno e o armazenar em algum recipiente. Ele é um kanima. O corpo dele produz veneno a medida em que ele é usado. No instante em que ele acertou o primeiro beta com uma porção do seu veneno, o seu corpo já começou a produzir mais – explicou o conde vendo o homem ser rapidamente derrubado pelo ômega, que se colocou de quatro sobre o homem, o prendendo ao chão.

— agora é a sua vez – disse o Bryant exibindo as presas e o som de chocalhos voltou a ser emitido.

Quando Corey se preparou para avançar com o rosto no pescoço alheio, o castanho fora surpreendido quando alguém saltou em si e rolou para o lado. Braços foram passados por debaixo dos seus e pernas rapidamente enlaçaram as suas, lhe imobilizando. O olhar surpreso do ômega fora tomado pelo de tédio assim que ele identificou o cheiro do homem que lhe imobilizava.

Derek sentia um pouco de dificuldade em manter Corey sob o seu controle. O Kanima se debatia rapidamente e com força, lhe forçando a se debater junto, na tentativa de impedir a fuga do rapaz. O Hale já havia percebido que aqueles que eram picados já estavam com a derrota declarada. Não adiantava ajudar os que foram envenenados. Ele pofia apenas jmpedir que outros fossem envenenados.

Logo os outros betas vieram ao socorro do Hale. Cada um se colocou responsável por algo. Dois betas seguraram os braços ômega, enquanto uma mulher se colocou sentada sobre as pernas do kanima, as prendendo unidas contra o chão. Derek soltou os braços e as pernas de Corey, passando a abraçar o pescoço do menor com força, o asfixiando. Aquela era a chance perfeita deles. O momento de derrotar, pelo menos, o mais forte dos ômegas.

— nós predemos todas as outras lutas – disse o beta que iria ser picado por Corey quando Derek o imobilizou, se erguendo e se aproximando do grupo.

— mas pelo menos você vai cair pelas nossas mãos – falou se colocando sobre Corey e Derek, preparando os punhos para começar a socar o rosto do adolescente com força.

O Bryant fuzilou o beta com o olhar. O garoto respirava com dificuldade. A sua bova estava aberta. Tentando puxar o ar para os seus pulmões, mas o aperto dos braços de Derek em seu pescoço dificultava a passagem. O homem se abaixou, pronto para começar o espancamento até que o garoto desistisse ou desmaiasse, mas parou assim que sentiu uma dor aguda no peito

Derek e os outros betas tiveram os olhos expandidos de surpresa, assim como todo o bando Hale. O homem abaixou o olhar lentamente, na direção do peito, onde ele sentia uma dor aguda. A língua de Corey estava esticada em sua direção, com a ponta atravessando suas roupas. O homem recuou e a língua de Corey se separou do seu corpo, arrastando um pouco de sangue. O beta puxou a camisa para baixo, revelando o próprio peito e um pequeno buraco que havia nele.

— mas... O que porra você fez? – questionou o homem, surpreso, vendo o sangue escorrer pelo ferimenro.

— não me surpreende que você não saiba disso – comentou Scott, entediado.

— do que adianta ter uma língua tão grande e forte, se ela não puder causar dano algum? – inquiriu Kira vendo os betas lhe fitarem com surpresa.

— a ponta da língua de Corey pode se tornar bem afiada quando ele quer. E ele acabou de usar ela para injetar veneno diretamente em sua corrente sanguínea, próximo ao seu coração. Eu lhe daria... 10 segundos de consciência – comentou Stiles vendo os betas lhe fitarem com surpresa

— então foi assim que ele me cortou – comentou Vernon, pensativo.

Quando todos processaram as palavras do conde Stilinski, já havia sido tarde demais. Todos os três que seguravam os membros do adolescente receberam. O único que ainda não havia sido envenenado era Derek. O próximo alvo. Corey ergueu sua língua, a fazendo se voltar contra o Hale. No entanto, o movimento do membro fora frustrado assim que uma mão o agarrou com força.

Surpreso, o Bryant ergueu o olhar para o beta acima dele, o vendo enrolar a sua língua no braço. O homem respirava com dificuldade, já sentindo os efeitos do veneno do Kanima por ter sido injetado em um local tão vulnerável. O homem enrolou uma porção considerável da língua alheia em seu braço, antes de, com as duas mãos, abraçar o próprio corpo, prendendo ainda mais a língua alheia, antes de se deitar ao lado de Derek, estando com o corpo sobre a língua de Corey.

— a gente vai cair... Mas nós iremos puxar você com a gente – ditou pausadamente, devido a tontura.

— vamos ver... Quanto tempo você... Fica sem respirar – disse o homem antes de desmaiar completamente.

Os betas que seguravam os braços do ômega se moveram, se ajoelhando sobre os braços alheios, deixando suas mãos livres para poderem golpear o rapaz. Eles atingiam o abdômen do adversário com socos e golpes de garra, rasgando tanto as roupas como a pele do garoto. Os seus golpes eram carregados de fúria e desespero. Um dos betas voltou a segurar o braço do ômega com as mãos, para que pudesse usar um dos pés para chutar a face do adolescente.

Corey fora acertado várias vezes. Golpe sendo seguido de golpe. O sangue do ômega já estava sendo retirado de seu corpo pelos chute em sua face. O seu rosto já estava tomando uma coloração diferente devido a falta de ar o agarre em seu pescoço era firma, devido a determinação de Derek. Os golpes em seu corpo eram fortes devido a transformação parcial dos adversário. O kanima olhou na direção do beta desmaiado ao seu lado, antes de gechar os olhos.

A decepção lhe tomava com força.

— já chega! – a voz do conde chamou a atenção de Corey, antes de o mesmo olhar na direção do alfa o vendo um pouco turvo devido a sua atual posição.

— Corey foi derrotado. Vocês ganharam – anunciou o adolescente de roupas vermelhas, surpreendendo o próprio bando.

Derek, aliviado, soltou o pescoço do Bryant, permitindo que o garoto respirasse. A mulher que prendia os pés do adolescente se ergueu, antes de se abaixar ao lado dos corpos de Derek e Corey, tonta pelo veneno. O beta que prendia o braço direito do kanima se jogou sentado, arfando com dificuldade devido a tontura que sentia. Mas o beta que imobilizava o braço esquerdo não parou.

Ele se encontrava cego pela raiva e pela frustração. Dois chutes foram efetuados depois do anúncio do conde. Alexander estava pronto pqra vociferar com o beta assim que o mesmo se preparou para o terceiro chute, mas parou quando viu o filho segurar a perna do companheiro de bando com um braço, impedindo a concretização do golpe, ao mesmo tempo em que Stiles avançou contra o homem, parando com a bengala apontada para o olho esquerdo do mesmo.

— ow! Chega! Ganhamos essa! – ditou Derek, surpreendendo Corey, que apenas lhe fitou de soslaio.

— acerte esse rapaz mais uma vez, e garanto que passará a ver a vida por um ângulo diferente – ralhou o conde, com a ponta da bengala pressionando a pálpebra inferior do beta.

O homem pareceu perceber o que estava fazendo e se ergueu, num salto

— caramba! Me desculpe. Eu não sei o que deu em mim. Eu... me desculpe – o beta se apressou em ajudar o garoto a se levantar, erguendo a mão para o mesmo.

Corey ignorou a ajuda do homem, não aceitando a mão estendida para si. Ao se ajoelhar, o Bryant se voltou contra o corpo do beta que ainda prendia a sua língua, o erguendo com a mesma, sustentando o corpo do homem pelo braço. Quando a beta que ainda se encontrava acordada, se ergueu, wla acolheu o corpo do homem nos braços, o deitando no chão assim que Corey o largou. Mastigando o ar algumas vezes, hidratando o membro ressecado, Corey se virou para o alfa humano, o vendo apoiar a bengala no chão.

— eu iria me transformar – comentou enquanto encarava o humano se aproximar a passos calmos.

Com uma carícia leve nos cabelos castanhos, Stiles afagou o rapaz, antes de descer a mão pelo rosto alheio retirando o sangue que escorria pelo canto da boca de Corey.

— se fizesse isso, você iria perder o controle da quantidade de veneno de sua picada , devido a falta de ar, e iria acabar matando algum deles – argumentou o conde vendo o rapaz mais novo suspirar.

— você pegou lege demais com eles. Usaram uma abertura em sua tática para lhe derrotar – ditou Isaac olhando com seriedade para o garoto.

— eu sei. Me desculpe – disse o garoto reverenciando o alga brevemente.

— você foi bem, Corey. Derrotou quarenta e nove deles. Praticamente um quarto do bando foi derrotado por você e sem morte alguma, mutilação ou descontrole. Você mostrou a sua força. – ditou Stiles vendo o seu beta menear positivamente antes de começar a se retirar do campo de vinhas.

— então... Nós ganhamos o torneio? – inquiriu Joseph, confuso.

Lúcio e Theo o encararam, descrentes.

— ganhar?! – indagou Theo, descrente.

— o que foi que a gente ganhou? O nosso bando foi massacrado! – exclamou Lucio, indignado.

— eu sei. Mas todos os ômegas já lutaram, e ainda restou o Derek no campo – argumentou Joseph, curioso.

— ele tem razão – Karen apontado com o queixo para Joseph.

Lucio olhou para o campo, pensativo.

— e quem foi que disse que acabou? – questionou Ennis, chamando a atenção dos garotos

— francamente! O que vocês ensinam para esses garotos? – reclamou Isaac levando a mão a testa, a pressionando com as pontas dos dedos.

— uma alcateia não é feita apenas de betas – ditou Kira e então Corey tomou o seu lugar ao lado dos outros ômegas, antes de todos se ajoelharem, com o punho esquerdo contra o chão, ao lado do joelho, e o punho direito pressionando o peito.

— bem. Eu já estou no campo. Não preciso de apresentações – ditou o Stilinski unindo as mãos sobre a sua bengala, diante do corpo.

Derek engoliu em seco.

Stiles sorriu ladino.