The Engagement

45 Desarmado


Derek encarava com receio o noivo posicionado diante de si . A pose confiante de Stiles apenas dava mais base para a teoria de Derek de que os ômegas se curvavam apenas para um ser mais forte do que eles. O castanho lhe encarava com naturalidade, enquanto o moreno o lançava um olhar pensativo.

Três minutos se passaram e os dois permaneciam naquela mesma posição.

— não pretende nem mesmo assumir uma posição de ataque ou defesa? – indagou o Stilinski, chamando a atenção do Hale.

— eu estou pensando – respondeu com cautela, vendo o mais novo franzir o cenho em questionamento.

— e eu posso saber no que pensas? – inquiriu o conde, curioso, dando alguns passos para a frente, avançando lentamente contra o oponente

— se devo ou não lutar com você – respondeu Derek, recuando alguns passos.

Stiles inclinou a cabeça levemente para o lado, lançando um olhar questionador ao noivo.

— estas a questionar a minha força... mais uma vez? – questionou o humano movendo a bengala para as costas, unindo as mãos atrás do próprio corpo.

— de forma alguma. Eu sei que você é forte. Sei que você é mais forte do que eu. Mas você é o meu noivo. Eu deveria estar protegendo você, não lhe atacando. – argumentou o lobisomem, parando de recuar.

O Hale riu sem graça.

— se bem que... Você com certeza não precisa de alguém tão fraco lhe protegendo. Mas, ainda assim, é o meu papel como seu noivo. Por outro lado, eu sou um Hale. Tenho que fazer o meu papel como beta e honrar o meu bando – ditou o moreno de olhos verdes, antes de adquirir uma posição ofensiva.

— isso sem contar que ao lhe dar as costas e me render, eu estaria ofendendo a sua presença e a sua força – falou o Hale dando dois passos a frente, avançando.

O Stilinski parou de avançar.

— então, não. Eu não vou desistir de lutar com você. Eu quero ver o quão mais forte do que eu você é – disse o lobisomem começando a apertar o passo.

Stiles sorriu ladino.

O conde desferiu apenas um golpe de sua bengala na lateral do corpo do lobisomem, não sendo surpreendido quando o moreno de olhos verdes agarrou o objeto com demasiada facilidade. O mais velho não sorriu com o seu feito. O Hale estava completamente focado no noivo, enquanto tentava prever o próximo movimento do Stilinski. Stiles nada fez, apenas esperou.

Derek, curioso, soltou a bengala e se afastou em um salto, entrando em posição de defesa. Ele suspeitava de que o adolescente de titulo nobre estivesse tramando alguma coisa. Mas o outro apenas abaixou a bengala, voltando a adquirir uma pose de superioridade, ao apoiar a mão na pedra vermelha.

— você não está brincando. Realmente está levando a luta a sério – comentou o conde vendo o mais alto apenas piscar, se mantendo focado em si.

— sim. Eu estou levando isso a sério. Estou tomando você como um inimigo enquanto estamos nesse circulo de vinhas – afirmou o moreno de olhos verdes encarando o humano lhe fitar com um sorriso mínimo nos lábios.

— perfeito – falou o Stilinski batendo com a bengala no chão.

— mas eu não quero que me enfrente sozinho. Eu quero algo mais divertido – ditou o conde olhando na direção dos alfas do bando Hale, que lhe fitaram com seriedade.

— poderiam, por obséquio, introduzirem o rapaz Lance e a moça Laura? – pediu o homem de vermelho vendo Talia franzir o cenho, pensativa.

— Laura é uma semialfa há meses. Lance se tornou um ontem durante a noite – argumentou a mulher vendo o castanho tomar um ar sedutor ao sorrir ladino e lançar um olhar pedinte.

— é por isso que acho eles dois serão o suficiente para tornar isso divertido – contra-argumentou o Stilinski vendo os dois alfas primordiais do bando Hale se entreolharam.

— me deixem ir – pediu Laura já marchando na direção do círculo de vinhas.

Lance não pensou duas vezes antes de seguir a irmã do amigo e filha mais velha de seus parceiros. Ambos os lobos jogaram suas camisas no chão, logo no início do círculo de vinhas.

— longe de mim duvidar de sua capacidade, conde. Mas espero eu que se recorde de que eu não estou habituado a minha força atual – alertou Lance enquanto espremia os punhos nas palmas das mãos, estalando os dedos.

— nenhum de nós três pretende relevar com você – comentou Laura flexionando os joelhos e adquirindo uma posição de ataque, ao lado de Derek, enquanto Lance se alongava do outro lado do moreno.

O conde sorriu ladino, tomando um ar sedutor.

— perfeito! É assim mesmo que eu quero – disse o humano dando um leve toque com a ponta da bengala no gramado do ambiente.

Instantaneamente, Lance e Laura avançaram, surpreendendo os ômegas ao se revelarem ligeiramente mais ágeis do que os betas. Lance se jogou no chão, mirando uma rasteira como pé esquerdo no tornozelo do castanho. O humano saltou, retraindo as pernas, antes de desferir um golpe de sua bengala no punho de Laura, bloqueando o soco da morena. Lance girou, impulsionando o torso com as mãos, em uma flexão potente, conseguindo se colocar abaixado, apoiado apenas os próprios pés, em pouco tempo.

Stiles moveu o braço com a bengala para baixo, desferindo um golpe potente contra o louro. No entanto, o semi-alfa o surpreendeu ao bater uma mão contra a outra, em uma palma, imobilizando a bengala entre elas. Laura aproveitou o momento, puxando o outro punho para socar o adversário.

Stiles moveu o torso, girando o ombro ao máximo enquanto afastava o braço do corpo, fazendo o soco de Laura passar por entre o seu torso d o seu braço que segurava a bengala. Chutando o chão, o castanho ergueu o corpo, forçando a bengala e as mãos de Lance para baixo, fincando o acessório no chão e dando um mortal sobre o mesmo, caindo em pé diante da bengala e ao lado dos dois semi-alfas.

O louro e a morena, surpresos, se viraram bruscamente, procurando se defender de qualquer ataque. Derek passou pelos dois, avançando de forma direta. Rosnando, o Hale beta desferiu um golpe de garras diretamente contra o peito do noivo, sem arrependimentos e nem preocupações. O adolescente de rosto enfaixado e braço queimado lhe surpreendeu ao bloquear o ataque perfeitamente, encaixando a bengala na ponta dos seus dedos, impedindo que o homem agarrasse o acessório escuro de pedra preciosa com a mão atacante.

Lance surgiu ao lado de Derek, mirando com o punho no rosto do conde. Quando o adolescente desviou do ataque do mais velho, Lance girou tão rápido e forte que acabou cambaleando para o lado. A sua mente não estava treinada para pensar e responder a estímulos na mesma velocidade em que seu corpo se movia. O rapaz começou a rir de seu desempenho, sendo seguido pelo conde, pelo druida e pelos ômegas. Criando uma leve descontração no ambiente

— forte demais? – inquiriu o conde puxando a bengala e girando para o lado. Permitindo que Derek avançasse.

— ainda não tive tempo de ver como eu funciono com essa força – comentou o parceiro de Talia e Alexander, ouvindo grande parte dos presentes rirem.

— vá devagar. Não queremos que você saia do campo sozinho, queremos, senhor...? – inquiriu o Stilinski, sorrindo ladino na direção do lobisomem, esperando por uma apresentação do mesmo.

— Villin. E não. Não queremos que isso ocorra – brincou o louro flexionando os braços algumas vezes.

— perfeito – disse o conde avançando contra o moreno de olhos verdes.

Derek, sendo pego de surpresa pela velocidade com parceiro, recuou um passo, quebrando a base de sua defesa. O conde sorriu ladino com o movimento do noivo, movendo o braço com a bengala para o lado. Laura, ao identificar o erro do irmão, logo descobriu o alvo do Stilinski. Com velocidade, a morena se colocou na frente do irmão, defendendo a lateral do mesmo. Quando Stiles brandiu a bengala no ar, a direcionando para a perna de Derek na qual se encontrava todo o peso do lobo, Laura já estava a espera da mesma.

— cuidado com a sua base, Derek. – a mulher repreendeu o irmão quando e agarrou a bengala do conde, o vendo sorrir maroto para si.

Derek recuperou a sua postura avançando contra o castanho juntamente com Lance. Laura havia criado uma boa abertura ao agarrar a arma do mais novo. Agora, Lance e Derek poderiam atacar sem ter que se preocupar em serem acertados pela bengala.

O moreno de olhos verdes preparou o punho para socar o noivo, enquanto Lance girava para erguer a perna e tentar acertar q nuca do adolescente e o apagar de vez.

O Stilinski puxou a bengala com força, mas, apesar de o objeto deslizar alguns centímetros por entre os dedos de Laura, a morena, com força no punho, conseguiu manter o acessório parado entre eles dois. Os olhos do adolescente varreram o seu campo de visão com velocidade, se movendo de um lado para o outro com extrema velocidade, analisando a postura dos três lobisomens. Demorou apenas meio segundo para que ele encontrasse o que tanto procurava.

A falha do momento.

Movendo a sua perna esquerda para a direção do pé direito de Derek, o adolescente conseguiu se abaixar ao encaixar o pé ao lado do pé do lobo. Aquele movimento fora o suficiente para o tirar da linha de ataque do chute de Lance, uma vez que, ao abrir as pernas ao máximo, ele havia reduzido a sua altura. Mas o punho de Derek ainda se aproximava com velocidade. Jogando o torso para trás, o rapaz conseguiu retirar o corpo da trajetória do golpe. Erguendo a mão que segurava a bengala, Stiles encaixou a pedra vermelha na exata trajetória do pé do louro que o atacava.

O punho de Derek passou por sobre o corpo do noivo, quase atingindo o ombro do braço que era erguido para segurar a bengala. O pé de Lance acertou a pedra vermelha com força e Stiles soltou a sua bengala, surpreendendo Laura quando o acessório avançou contra o corpo da mulher, lhe acertando o peito com a parte pontuda. A dor aguda e o susto forçou a Hale a largar o objeto e se afastar do mesmo, preocupada.

Laura já sabia que a bengala escondia uma espada em seu interior. A dor aguda a assustou para a possibilidade de a bengala se romper e a lâmina lhe atravessar o peito, gerando um ferimento mortal. Stiles jogou o torso para o lado, erguendo um pé e acertando o peito do mesmo no rosto de Derek, que se encontrava surpreso com a esquiva do noivo. O Hale cambaleou para o lado, quase caindo devido a perda da base de sua postura após o chute que recebera no rosto.

Com velocidade, Stiles apoiou os braços no chão, girando o corpo sobre a grama, deixando os pés na direção de Lance. O Villin se afastou a passos apressados, vendo o castanho erguer os pés, equilibrando o corpo sobre as mãos e jogar o corpo para a frente, se colocando de pé com o ato. O castanho apenas se colocou de joelhos, agarrando a sua bengala com a mão direita, antes de se erguer com a sua típica pose autoritária.

— Porra! – exclamou um dos adolescente do bando Hale, perplexo com a agilidade do humano.

— vamos começar logo com isso – ditou Stiles antes de avançar contra o noivo assim que o mesmo recuperou a pose de batalha.

Derek não recuou.

O punho do Hale se direcionou contra o rosto do seu prometido, mas o conde o bloqueou com a lateral da parte inferior da bengala. O castanho girou o punho, mudando a bengala de posição, antes de mover o braço para cima, tentando acertar o moreno com um golpe em diagonal para cima. Derek girou, se esquivando do golpe com facilidade. Stiles girou sobre os calcanhares, deitando a bengala no ar ao deitar o braço na mesma altura de sua cabeça.

Ao finalizar o sei giro, Derek fora surpreendido quando o acessório do humano lhe acertou o pescoço. A musculatura sensível do local protestou com a dor que lhe dominou a região.

Quando Derek cambaleou para o lado, Laura se aproximou do castanho com uma voadora, a qual fora bloqueada, novamente, pela bengala do mais novo. O adolescente estava se mostrando um bom guerreiro com a sua arma. Ele não apenas atacava com o acessório, como também se defendia muito bem fazendo uso do mesmo.

A mulher, no entanto, tinha completa noção de que o Stilinski bloquearia o golpe. Laura flexionou a perna assim que a ponta do seu pé tocou a madeira da bengala, permitindo que o seu corpo se aproximasse mais do corpo do conde. A mulher se impulsionou, usando o humano de base, voltando a se afastar.

Stiles sorriu para a Hale mais velha.

— tática interessante. Será que eu posso tentar? – indagou o humano, surpreendendo a morena ao se aproximar com velocidade.

Laura cruzou os braços diante do peito, bloqueando a voadora do Stilinski, que, diferentemente dela, não usou a loba de base para se afastar em um outro salto. Derek viu o castanho fincar a bengala no chão, se apoiando na mesma com uma das mãos, antes de desferir um chute potente no rosto de sua irmã mais velha. A Hale cambaleou para trás, tonta, enquanto erguia os braços, os usando para tentar bloquear algum possível ataque que pudesse suceder o chute que recebera. Stiles aterrissou no chão, abaixado, já preparando sua bengala para golpear o peito da morena a sua frente.

Derek se viu surpreso quando Lance surgiu em seu campo de visão, acertando uma voadora no ombro do castanho. O chute potente do lobisomem, somado com o movimento do corpo de Stiles ao tentar golpear Laura, fora o suficiente para jogar o conde para o lado, o arremessando deitado no gramado.

Os betas exclamaram em espanto, vendo o humano erguer a cabeça, lançando um sorriso ladino para o louro, que ergueu os punhos em uma posição de ataque. Laura se virou contra o Stilinski, também adquirindo uma pose de ataque. Stiles apenas ergueu as pernas, antes de girar o corpo, o movendo no chão. Quando o castanho parou de se mover, já estava ajoelhado sobre o chão, surpreendendo Derek.

O moreno de olhos verdes começava a se animar com a luta, ao invés de apenas temer o resultado dela.

Um sorriso mínimo surgia em seus lábios.

— você realmente é rápido. Mas os golpes de Laura são mais fortes – ditou o castanho batendo com a mão, suavemente, na região atingida por Lance, retirando a poeira que ali desenhava o pé do outro.

O castanho se calou, rolando no chão, para em seguida se virar contra o noivo, que havia tentado um ataque pelas costas, mas fora um fracasso. Laura avançou, desferindo um chute no conde ajoelhado. Stiles se ergueu, girando no próprio eixo, desviando do ataque enquanto se erguia. Quando o rapaz finalizou o giro, desferiu um golpe da bengala contra Laura, que jogou o torso para trás, desviando.

Derek avançou pelas costas, desferindo um soco contra as costas alheias. Stiles girou no último instante, segurando a bengala com as suas mãos, a encaixando na curva externa do pulso do seu pretendente, movendo, suavemente, o golpe para mais perto do moreno e mais distante de seu corpo. Os olhos verdes permaneciam cravados em si, assim como os olhos castanhos estavam cravados em suas íris esverdeadas

— você gosta de uma investida por trás, não é? – inquiriu o adolescente, vendo o Hale sorrir ladino.

O castanho moveu o seu pé direito, acertando uma rasteira no mais velho, que foi ao chão ao perder a base de sua postura. Derek, surpreso, apenas sentiu a dor das costas se batendo contra o chão, antes de uma bengala começar a pressionar o seu peito e um pé pisotear a grama ao lado do seu rosto com força.

— já eu prefiro colocar todos aos meus pés e os mostrar quem é que manda – ditou o Stilinski vendo o Hale lhe fitar levemente boquiaberto.

— ele é tão forte para um humano – o moreno de olhos verdes pôde ouvir Samira comentar baixinho ao seu lado.

Laura avançou ao lado de Lance. Os dois começaram a atacar o humano com os punhos, em conjunto, sendo surpreendidos, assim como todo o bando, quando o rapaz passou a se esquivar de todos os ataques com exímia precisão, sem fazer uso de sua bengala. O adolescente movia o torso para os lados, para frente e para trás, jogava os braços para cima e para baixo com exímia precisão.

Laura se quer sentia o toque suave do sobretudo vermelho em sua pele. O castanho não deixava uma única brecha de ataque. Os dois semi-alfas já estavam se irritando com aquilo. Os seus golpes estavam mais fortes e distribuídos de forma a se concentrarem mais nas laterais, tentando impedir o rapaz de se esquivar para os lados, criando um espaço entre eles dois. Quando Derek se moveu, tentando acertar uma rasteira no noivo, o mesmo avançou contra Laura e Lance com velocidade, ultrapassando os dois em um piscar de olhos.

Quando Lance piscou os olhos, o conde já não estava mais em sua frente. O louro apenas notou um vulto passar pela sua lateral, e quando deu por si, já não havia mais alvo a sua frente. Quando ousou procurar pelo Stilinski, o Villin fora ao chão quando sentiu o joelho ser chutado pelas costas, sendo obrigado a ficar de joelhos, antes de sentir o golpe forte da bengala do conde em sua nuca.

— foi igualzinho ao que ocorreu com a Braeden – comentou Vernon, pensativo, se recordando de quando a loba que não havia participado das lutas fora lançada contra o bando Hale, mas o castanho surgiu diante dos líderes em um piscar de olhos, antes de golpear a loba e impedir o seu corpo de atingir os alfas.

— as runas desse garoto devem ser mais fortes do que as da caçadora – comentou Miranda, igualmente pensativa.

Laura chutou o castanho, o vendo bloquear o seu pé com a bengala, antes de erguer o próprio pé, acertando um chute no rosto do louro que se encontrava de quatro a sua frente, o jogando deitado no chão. A morema avançou com fúria, desferindo vários socos no rapaz, que voltou a se esquivar de todos enquanto recuava.

Em um acesso de fúria, Laura abriu os punhos, flexionando as mãos, passando a usar suas garras nos seus ataques. Em um dos ataques, Stiles se viu surpreso quando as garras afiadas da loba alcançaram o botão escuro de sua camisa social branca, o arrancando. O castanho, voltou a se esquivar do próximo ataque, sendo novamente surpreendido quando as garras de Laura conseguiram rasgar sua camisa ao alcançar a brecha gerada pelo botão perdido.

Desistindo de se esquivar, o adolescente passou a se defender com a bengala, bloqueando os ataques da morena. Laura tentou agarrar um dos ombros de Stiles. O castanho se abaixou levemente, permitindo que o ataque passasse por sobre o seu ombro. Fincando a bengala no chão, o conde deixou as mãos livres para que pudesse agarrar o braço da loba. Stiles ergueu a mais velha do chão ao se inclinar para a frente, e a lançou de costas sobre o gramado.

Agarrando a bengala de volta na mão. Stiles a jogou brevemente para cima, trocando o local em que segurava com a mão, da pedra vermelha para a base pontuda. O Stilinski girou a bengala com força, golpeando o rosto de Laura com a pedra octogonal. A mulher gemeu de dor, jogando a cabeça para o lado, antes de permanecer ali, no chão, apenas sentindo o rosto latejar e a tontura que lhe dominou passar.

Derek avançou contra o noivo com velocidade. Stiles apenas caminhou em sua direção, pisando na barriga de Laura no processo, como se a mulher fosse apenas um degrau no meio do caminho. Os punhos de Derek colidiram com a bengala do castanho dezenas de vezes seguidas, criando uma tensão no bando Hale. Eles se questionavam qual dos dois iria conseguir atingir o outro primeiro.

A resposta veio quando Derek agarrou a bengala do conde, em um dos golpes, antes de erguer a perna, acertando um chute no abdômen alheio. O Stilisnki, por reflexo, se inclinou para a frente, acabando por colocar o rosto no alcance do ataque do punho do Hale.

Derek não pensou duas vezes.

O seu punho acertou o rosto enfaixado, fazendo o conde o erguer com velocidade. Lance saltou, girando no ar, acertando um chute na lateral do rosto alheio jogando o adolescente deitado no chão. Stiles se ergueu em um salto, encarando os dois homens com um sorriso mínimo nos lábios. Ele não precisava retirar as bandagens de seu rosto para saber que o corte que adquiriu no duelo sagrado com Braeden havia sido aberto com o golpe do Villin. Ele sentia o sangue esquentar a sua pele por baixo do curativo.

— vícios marciais são realmente perigosos. Você fez tanto uso dos punhos desde que começamos, que eu me esqueci, por um segundo, que você tinha pernas – ditou o conde levando a mão ao próprio abdômen.

— ne desculpe pelo corte. Não foi a minha intensão – comentou Lance após sentir o cheiro de sangue e ver uma mancha vermelha surgir nas bandagens que cobriam o rosto alheio.

— não se desculpe. Em uma luta de verdade, você não se desculparia. Por que deveria o fazer agora? – indagou Stiles antes de respirar fundo e voltar a adquirir uma pose de superioridade.

— você perdeu a sua bengala. Não seria melhor adquirir uma pose diferente? – perguntou Derek, erguendo o braço na altura dos ombros, alinhando a bengala com o mesmo, enquanto a apontava para Stiles, indicando que não hesitaria em usar o acessório contra o próprio dono.

— não precisa. Eu não estou tratando vocês com seriedade. Estou apenas me aquecendo. Faz muito tempo que eu não enfrento alguém que realmente valha a pena mudar de posição – ditou o castanho vendo os betas de fora do círculo de vinhas rangerem os dentes em irritação.

No entanto, eles nada disseram. O Stilinski estava, de fato, se mostrando um humano incrivelmente forte mais uma vez. Os betas apenas se silenciaram enquanto esperavam pela vez dos seus alfas.

Um chute nas costas do joelho foram o suficiente para que o castanho se colocasse de joelho, antes de uma joelhada voltar a lhe jogar deitado no chão.

— então você precisa olhar melhor para esse campo – ditou Laura enquanto se preparava para golpear o abdômen do adolescente com o pé, o pisando com força.

Se erguendo com velocidade, o Stilinski agarrou a perna da loba, a surpreendendo. Laura não teve tempo de reação. Stiles apenas girou para o lado, a derrubando no chão, ao seu lado. O adolescente subiu na loba, sentando sobre o quadril da mesma, antes de se inclinar para a frente, agarrando as mãos da semi-alfa e as imobilizar contra o solo com os seus dedos entrelaçados. O Stilinski aproximou o seu rosto do rosto da Hale, a deixando tensa com o seu olhar penetrante.

— você parece ser uma mulher forte e corajosa – ditou enquanto Laura tentava se soltar de suas mãos.

— vamos ver o quanto – o rapaz pronunciou deslizando os lábios pelo queixo alheio, antes de colocar os seus olhos de frente para os de Laura.

— olhe dentro de meus olhos, loba – pronunciou o castanho com uma voz sensual, deixando tanto Laura quanto os outros lobisomens do bando dela em completa confusão

Em um momento o conde estava agressivo, e no outro estava completamente calmo e sedutor. Ao invés de golpear a morena, ele apenas a imobilizou, mesmo com outro lobos em campo. Ao invés de derrotar Laura, ele apenas conversou com ela. Lance avançou ao perceber mais uma chance de ataque. As duas mãos do conde estavam entrelaçadas com as de sua enteada. Ali seria a chance perfeita para derrotar o outro. Laura permaneceria segurando as mãos de Stiles, enquanto ele derrotaria o rapaz. Seria rápido e fácil.

Mas Laura obedeceu o castanho.

Quando deu o seu segundo passo, Lance e todos foram surpreendidos quando Laura passou a gritar em completo pânico. A mulher se debatia no chão, tentando se soltar do mais novo, ao mesmo tempo em que berrava a plenos pulmões. Ela tentava se arrastar para longe, mas o Stilinski a mantinha no mesmo lugar. Quando Stiles a soltou, se erguendo, a mulher apenas se virou, se colocando de quatro e se arrastando para longe, antes de se erguer e começar a se afastar com mais velocidade.

Derek e Lance assistiram, completamente confusos, a mulher respirar pesado, passando as mãos nos cabelos, os retirando do campo de visão, enquanto olhava ao redor de forma desesperada. O bando inteiro se perguntava o que diabos estava acontecendo. Quando o Hale mais novo voltou a olhar para o noivo, ele se surpreendeu ao não encontrar mais o rapaz no mesmo local em que o vira da última vez.

O homem piscou os olhos, surpreso, e um suspiro de espanto morreu em sua garganta. O toque frio da mão pálida em sua pele lhe paralisou, o hálito quente batia contra a pele bronzeada do seu pescoço, lhe deixando nervoso e desnorteado. O nariz arrebitado subiu pela curva do seu pescoço, fazendo as maçãs de seu rosto corarem. Enquanto uma mão de Stiles deslizava do seu ombro até a mão com a bengala, a outra se encontrava no outro ombro do Hale, o mantendo fixo no local.

— esteve segurando para mim? Que amor! Mas que noivo prestativo esse que eu tenho – o adolescente pronunciou atrás da orelha contendo o brinco dourado assim que sua mão alcançou a pedra vermelha.

Derek estava paralisado de surpresa. Stiles se aproximou sem produzir um único ruído em meio a grama. Como ele havia feito aquilo? Derek não sabia. Talvez tivesse sido mágica. Ele não sabia de nada sobre mágica. Então poderia ser uma opção. Quando voltou a si, Stiles já havia retirado a bengala de sua mão, lhe golpeado as costas do joelho com o pé e usado a bengala para lhe acertar o rosto, o jogando deitado na grama.

— Derek! – exclamou Lance avançando contra o noivo do amigo, sendo surpreendido quando, em um vulto vermelho, Stiles lhe alcançou primeiro.

Em um reflexo, o Villin tentou socar o adversário, mas o mesmo se abaixou, desviando do golpe. Stiles agarrou a bengala pelo corpo de madeira, logo abaixo da pedra vermelha.

— você vai ser o primeiro! – exclamou o Stilinski, erguendo o corpo e o braço com força.

O som do impacto da pedra vermelha no queixo do louro não fora maior do que o som que os seus dentes emitiram ao se baterem. Lance fora erguido no chão por alguns centímetros. Altura mais do que o suficiente para Stiles girar a bengala na mão e a usar para lhe golpear o abdômen, lhe lançando sobre as vinhas, que não demoraram a lhe abraçar o corpo.

— porra! – exclamou Derek ao perceber o que havia ocorrido com o amigo.

— vamos para a próxima – disse o conde já marchando na direção de Laura, que recuou alguns passos, apavorada.

— Laura? – inquiriu o moreno de olhos verdes, perplexo.

Alexander franziu o cenho.

— mantenha a calma, querida. Não se perca com o desconhecido. Se foque no que você conhece – a voz de Talia chamou a atenção dos três lutadores, que olharam para alfa, curiosos.

Laura piscou os olhos algumas vezes, antes de franzir o cenho, pensativa, a medida em que dançava com o conde pelo campo de batalha. A cada passo de Stiles em sua direção, a mais velha de três irmãos recuava um passo. Se Stiles desse um passo para lado, ela também o dava, mas para o lado contrário. E foi então que ela entendeu.

Talia e Alexander já haviam compreendido tudo. Laura estava aterrorizada e amedrontada com algo que não podia ver.

Ela havia visto o interior do conde.

Focar-se no que conhecia.

A mulher respirou fundo, antes de ajustar a sua postura.

Stiles sorriu.

Peter riu brevemente, orgulhoso enquanto Cláudia e John apenas bateram três palmas suaves.

— venha – ordenou o conde e a morena avançou com velocidade surpreendente.

Laura havia libertado mais de sua fera interior. A loba desferia socos potentes contra o adolescente, que os bloqueava com a bengala. Inicialmente, o conde apresentou dificuldades em se defender, tendo que recuar a medida em que era atacado. A força e a agilidade de Lauda eram maiores do que o esperado. Ele não tinha tempo de encaixar a bengala na posição ideal, muito menos de firmar o braço para que o acessório não recuasse com o impacto. No entanto, precisou apenas de segundos para que o humano se acostumasse, começando a se defender com eficácia.

As garras de Laura voaram entre eles quando ela atacou mais uma vez. Stiles voltou a encaixar a bengala na trajetória, impedindo que o araque lhe alcançasse o peito. Entretanto, Laura mudou a trajetória do ataque no ultimo instante, transformando o golpe retilíneo em um gancho. As garras as Hale alcançaram o rosto alheio. O Stilinski recuou, mas não fora rápido o suficiente para que as garras afiadas de Laura lhe cortassem as bandagens do rosto, expondo o ferimento que havia retornado a sangrar.

Agarrando a bengala com a mão livre, a morena impediu que o conde se afastasse com o objeto. Girando o punho ao lado do rosto do adolescente, Laura voltou a atacar em um golpe horizontal. O humano se abaixou com velocidade, jogando o torso para o lado. Ele fora pego de surpreso quando. Ao terminar de girar o torso, voltando a se erguer exatamente no mesmo lugar, uma queimação leve lhe tomou o rosto. Logo abaixo do olho, ele sentiu mais um corte.

A mulher havia lhe acertado o rosto.

— chega de brincadeiras – ditou o Stilinski ao largar a bengala.

O castanho golpeou o torso alheio com o punho livre, surpreendendo Laura com a sua força. Em seguida, dois golpes ágeis foram acertados no ombro da loba, antes de o castanho lhe golpear o braço com uma mão, a fazendo soltar a bengala, quando, em um reflexo de dor, a morena abriu a mão.

Ela não pôde reagir.

Stiles girou com velocidade, lhe acertando o rosto com a bengala, a forçando a recuar um passo, jogando o rosto para o lado. Laura passou a ser o alvo de ataques rápidos do conde, que a golpeava seguidamente, sem dar para a mulher algum tempo de reação.

Derek se ergueu e fora ao socorro da irmã, mas assim que alcançou o castanho, o mesmo se esquivou do seu ataque, dando a volta em seu corpo e lhe golpeando as costas com a bengala, lhe afastando.

Stiles logo voltou a atacar a Hale, que ainda se encontrava zonza e debilitada por seus golpes. Após mais cinco golpes, e cinco passos recuados por parte de Laura, Stiles apenas ergueu a mão livre, tocando o peito da mulher com as pontas dos dedos.

— descanse. Você merece por me divertir e por me atingir – disse o adolescente, empurrando a loba para trás.

Laura caiu sentada quando as vinhas lhe impediram de dar mais um passo.

Benjamin e John se aproximaram, retirando a mulher das vinhas, a ajudando a caminhar até os pais. Eles colocaram a morena no chão, sentada, a vendo se apoiar nas pernas da mãe. Ela ainda estava afetada.

— o que houve? Por que gritou tão assustada? – indagou John, curioso.

— por que ficou daquele jeito, Laura? – inquiriu Benjamin, confuso.

— eu vi... Eu nunca vi nada como aquilo. Nem mesmo nos meus sonhos eu vi uma coisa daquelas – respondeu a mulher, confusa e levemente assustada.

— o quê? O que você viu? – questionou Benjamin vendo a mulher encarar o conde com um olhar assustado.

— eu vi o outro eu dele – respondeu vendo o Stilinski saltar para trás, se esquivando da investida de Derek.

— você viu?! Como era? O que era? – indagou o Boyd, curioso, se abaixando ao lado da morena.

— era... assustador. Eu pensei que ele fosse me engolir viva – disse a mulher olhando brevemente para o homem, o vendo com o cenho franzido em sua direção.

— como é? – pergunto, confuso, vendo a mais nova voltar a encarar o alfa adversário.

— como ele consegue ter aquilo dentro dele? – inquiriu Laura, ainda assustada

— então você o viu – comentou Alan, se aproximando a passos calmos.

— você já o viu? Sabe o que é?– indagou a morena, surpresa, vendo os alfas direcionarem o olhar para o druida.

— sim. Eu olhei nos olhos dele no dia em que o conde chegou ao nosso território. Quando demos as mãos, olhamos um para o outro – ditou o Deaton e Laura se lembrou de quando o druida se apresentou para o conde.

Ela se lembrou do momento exato em que os dois deram as mãos e as soltaram brevemente, como se fossem repelidos.

— o que ele é, Alan? – inquiriu Alexander vendo o amigo lhe sorrir gentilmente.

— tenho certeza de que você ficará bastante surpreso, meu amigo – disse Alan vendo os alfas franzirem o cenho em sua direção, questionadores

— Alan – Peter tentou repreender o amigo.

— o caminho de um lobo deve ser trilhado por um lobo, meu amigo. Um druida não é autorizado a percorrer o caminho. Nós somos apenas meros guias – o pronunciou o Deaton antes de se focar na luta entre Derek e Stiles.

Laura desviou o olhar para os ômegas, que ainda se encontravam ajoelhados em um claro sinal de respeito ao alfa que se encontrava em campo.

— eles sabem? Sabem o que aquele humano esconde dentro dele? – inquiriu a mulher e Alan desviou o olhar para ela.

— sim. Eles sabem. É por isso que eles o seguem com tanta devoção –

Derek girou, chutando o humano, que cruzou os braços diante do peito, com a bengala diante de um dos braços. O chute do lobisomem forçou o castanho a deslizar para trás por um metro, marcando o gramado com o trajeto dos seus pés. Assim que o seu corpo se estabilizou, o conde avançou com velocidade.

Derek repetiu o ato.

O punho do lobisomem se chocou contra a pedra vermelha da bengala. O beta tentou golpear o rosto ferido com o punho livre, mas o conde desviou ao ceder ao seu primeiro golpe. Recolhendo a mão com a bengala, o humano girou, desviando de ambos os punhos. Um golpe da bengala na lateral do joelho fora o suficiente para o beta perder o apoio do mesmo. Com um golpe do acessório no tosto, somado a perda do apoio do joelho, Derek fora jogado no chão.

O Hale sentia o momento da derrota se aproximando. Ele sabia que não conseguiria ganhar, más também não esperava que fosse acontecer tão rápido. Se colocando de joelhos, tentando se levantar, ele sentiu a ponta da bengala preta em seu queixo, o erguendo. Olhando para a frente, ele pôde ver o castanho lhe encarando com um sorriso mínimo no rosto.

— desista – ordenou o adolescente vendo o moreno de olhos verdes sorrir minimamente em sua direção.

— eu desisto – anunciou o lobo vendo o castanho ter o sorriso minimamente aumentado.

Abaixando a bengala e a fincando no chão, Stiles levou a mão livre aos fios pretos, surpreendendo Derek ao realizar uma carícia suave ali. Olhando nos olhos castanhos, Derek pôde ver um leve brilho orgulhoso, no olhar do conde. Aquilo o surpreendeu.

— você lutou melhor do que o que eu esperava – comentou o conde antes de sentir a mão do Hale na sua.

— espero não ter decepcionado – soltou o moreno levando a mão do outro ao rosto, beijando as costas da mesma.

— você superou expectativas — falou o mais novo vendo o lobo se erguer.

Stilinski e Hale se aproximaram deixando os membros da família Hale esperançosos. Os noivos se olhavam nos olhos com naturalidade, estando de mãos dadas, os enchendo de entusiasmo e expectativas. Quando os dois homens ergueram as mãos unidas até a altura dos seus rostos, os lobisomens já não entendiam mais o que eles estavam fazendo. Os dois ergueram as mãos unidas, antes de as beijarem, simultaneamente, se fitando com intensidade.

Derek estava confuso. Estranhamente, ele estava animado por ter sido derrotado. O seu lobo interior estava inquieto, implorando por atenção. Stiles era forte e isso lhe intrigava ao mesmo tempo em que lhe atiçava.

— agora é a parte em que você sai do campo – comentou o conde vendo o moreno, encabulado, começar a se afastar.

— certo – fora tudo o que o mais velho disse antes de lhe dar as costas com um sorriso maroto.

Assim que o moreno de olhos verdes atravessou as vinhas, Alexander estalou os dedos e logo os pais de Vernon marcharam na direção do adolescente de olhos castanhos claros. O homem alongava o corpo, antes de retirar suas roupas de cima e as jogar na direção de onde viera. Já Miranda, encarava o conde com a doçura costumeira com a qual olhava para os seus companheiros de bando.

— o senhor e a senhora Boyd – ditou o Stilinski vendo o casal se posicionar há alguns passos de si.

— finalmente vamos começar a levar isso um pouco a sério – comentou o rapaz chamando a atenção de Miranda.

— pode começar quando quiser – falou Benjamin, já adquirindo uma posição de batalha neutra.

Benjamin perdeu o ar, surpreso, ao ver o rapaz desaparecer e surgir diante de si como um vulto vermelho escuro. O conde atacou o alfa de cabelos raspados com a pedra da bengala, em um tipo de soco, no qual o impacto ocorreria apenas na pedra e no Boyd. O pai de Vernon recuou, instantaneamente, após reconhecer a localização do adversário. O ataque de Stiles já não iria o acertar, de qualquer jeito, mas mesmo assim o lobisomem se viu surpreso quando o adolescente interrompeu o próprio ataque, rolando para o lado.

— mas o que foi isso? – indagou o homem, confuso.

— assim como a sua família, senhor Boyd, eu costumo ser bastante observador. Mas, diferente de você, eu não costumo subestimar meus adversários com tamanha facilidade – explicou o conde Stilinski, sorrindo ladino.

— como é? – inquiriu o mais velho, desconfiado.

— uma ratazana pode, muito bem, se mostrar um inimigo páreo para uma cobra muito maior do que ela — proferiu o adolescente com o olhar centrado em Benjamin.

— me elogiar não vai me distrair – comentou o homem verificando a base de sua postura, ainda se mantendo focado no mais novo.

— você vai me desculpar, mas você é apenas um rato em meu sapato. A pessoa que estou temendo é a sua esposa – comentou o Stilinski desviando os olhos, pela primeira vez, para se focar na mais velha.

A mulher de pele preta e cabelos cacheados livres e volumosos lhe encarava com surpresa no olhar.

— é, senhora Boyd. Eu sei que você tem em mente um meio de me desarmar – comentou o castanho antes de mudar a sua postura para ficar de frente para a mulher, ignorando o homem completamente.

— mas há algo que me intriga. Assim como um humano liderando um bando é novidade para vocês, uma alfa em um bando mas que não tem seguidores também é uma surpresa para mim – comentou o castanho vendo a mulher suspirar, finalmente adquirindo uma postura de batalha.

— nem toda regra da natureza precisa ser seguida a risca. Assim como ômegas podem escolher seguir um alfa. Uma alfa pode escolher não ter seguidores – falou Miranda, chamando a atenção do castanho por sua posição de luta.

A mulher tinha o torso inclinado para a frente, com as garras expostas, assim como a maioria dos lobisomens. No entanto, todos os lobisomens mantinha o peito estufado, o queixo erguido e as costas o mais retas possíveis. As mãos deles costumavam ficar levemente erguidas e com as pontas dos dedos apontadas para a frente, com os braços flexionados, deixando as garras prontas para acertar qualquer coisa que se aproximasse. Mas Miranda não tinha aquela postura parcialmente ereta. O seu torso era completamente curvado, os seus braços estavam soltos, com as pontas dos dedos parcialmente abaixadas, e as mãos pouco erguidas. Os seus braços estavam quase largados ao lado do corpo. As sua pernas tinham pouca flexão, e maior afastamento entre os seus pés.

Miranda não estava pronta para se defender de qualquer coisa que se aproximasse. Elas estava pronta para se esquivar de qualquer ataque que lhe fosse desferido.

A maioria dos lobos tinha uma posição de ataque e uma posição de defesa. Ambas tendo uma base firme e extremamente sólida. A posição de Miranda era eclética. Servia tanto para ataque, quanto para defesa. E apesar de sua base não ser extremamente sólida, ela era flexível, permitindo uma maior mobilização do corpo. Benjamin era fácil de se ter uma leitura de movimentação. A posição que o corpo do homem admitia era de fácil leitura. Dependendo do posicionamento dos seus pés, Stiles conseguia dizer facilmente para quais direções o Boyd tinha mais chances de arriscar a se esquivar. Mas a mulher a sua frente tinha uma posição flexível. Ela poderia muito bem se mover para onde bem entendesse sem deixar que seu corpo fornecesse uma única pista ao seu adversário.

— entendo. Como mulher de um alfa e por permanecer sendo o membro de um bando, isso consegue manter o seu status natural, além de impedir que se torne uma ômega – comentou o Stilinski vendo a Boyd lhe fitar com seriedade.

— reivindicar o papel de alfa em um bando requer muita burocracia. Eu prefiro me manter afastada disso. Eu sou muito melhor com os trabalhos em que se precisa mais fazer do que falar – ditou Miranda e logo Benjamin avançou contra o castanho.

Somente quando o Boyd mais velho lhe alcançou, foi que o Stilinski se focou no homem. Os três socos seguidos que o pai de Vernon desferiu foram completamente bloqueados pelo corpo da bengala, que era manuseada como uma espada pelas mãos habilidosas do adolescente. No entanto, o bloqueio não fora perfeito, como o esperado pelos betas.

Benjamin era ainda mais forte do que um beta, por ser um alfa. O humano sabia que não podia competir na força bruta diretamente contra um beta. Contra um alfa então ele tinha plena certeza que não duraria nem um minuto em uma disputa de força bruta. Sempre que os golpes de Benjamin acertavam a sua bengala, o acessório recuava. O golpe seguinte conseguia atingir o objeto com ainda mais força, o forçando a recuar, devido ao tempo de mover a bengala, que se tornava cada vez menor, visto que o acessório era movido involuntariamente pelos golpes alheios.

— me ignorar não algo inteligente de se fazer – repreendeu o homem, visivelmente incomodado, vendo o castanho se afastar, novamente em um vulto vermelho escuro, lhe surpreendendo.

— de fato, não dar a devida atenção a um alfa em um batalha é um ato que requer muita tolice. No entanto, ignorar o fato se que a sua esposa é uma ameaça seria um ato que requer imensa inexperiência e completa incapacidade de liderança – argumentou o Stilinski olhando fixamente na direção de Miranda.

— como ele faz isso? – inquiriu Theo, surpreso, ao ver o adolescente parado a sua frente, com a sua típica pose de superioridade.

— eu não chego nem perto de sua força física, mas tenho vários atributos que compensam bastante – respondeu o Conde começando a retirar o seu sobretudo vermelho.

O castanho fincou a bengala no chão, antes de jogar os ombros suavemente para trás, permitindo que a peça longa na cor escarlate escorregasse sensualmente por seus braços. Lançando um olhar entediado para Theo, o Stilinski jogou o sobretudo na direção do louro que, pego de surpresa, apenas ergueu os braços para acolher a roupa alheia nos mesmos. Para o seu completo espanto, os pés descalços de Liam deslizaram pelas vinhas com velocidade, quando o rapaz freou a sua corrida, surgindo entre o Raeken e o Stilinski, abraçando o sobretudo do seu alfa com devoção.

Theodore piscou os olhos, surpreso com a velocidade do mais novo.

Stiles sorriu para o louro apenas alguns meses mais novo.

— poderia segurar para mim? A camisa está me incomodando – inquiriu o Stilinski vendo o Dunbar se ajoelhar diante de si, sem permitir que o seu sobretudo tocasse as vinhas.

— com todo prazer, meu senhor – disse o mais novo enquanto conde rasgava a própria camisa com certa brutalidade.

— já estava queimada, mesmo. Não teria serventia alguma – comentou o rapaz após se desfazer dos trapos, voltando a exibir o torso marcado de cicatrizes antigas, pouco perceptíveis a noite.

Liam, ao notar a manga queimada do sobretudo, tratou de rasgar a mesma, facilitando o trabalho do seu alfa. Além de diminuir o esforço de Stiles, também havia protegido o braço queimado do seu alfa. Ele ainda estava preocupado com o ferimento gerado pela magia do mestiço.

— quantas? – inquiriu Miranda vendo o adolescente erguer a mão para o ômega, que se aproximou com o sobretudo erguido.

— pois não? – indagou Stiles vendo a Boyd abandonar a pose de batalha momentaneamente, se erguendo devidamente.

— quantas runas, exatamente, você tem gravadas em seu corpo? – inquiriu a loba, curiosa.

Stiles sorriu.

— quantas espera que sejam? – indagou o humano, erguendo a palma, parando o ômega de seu bando, que já se preparava para lhe vestir com o sobretudo vermelho.

— forte do jeito que está, suponho que esteja com o dobro de sua caçadora – respondeu a mãe de Vernon ouvindo o marido se posicionar ao seu lado

— ele usa runas? – inquiriu Jackson, curioso.

— pensei que fosse naturalmente forte – comentou Theo, surpreso.

Liam riu abafado de seu comentário.

— ele não tinha um outro eu dentro dele? – questionou Garret, confuso.

— sim. Ele tem. Mas o Alan afirma que ele permanece sendo humano. Então ele, naturalmente, possui a força de um humano comum – explicou Benjamin vendo o adolescente de cabelos castanhos sorrir divertido

— para os interessados, Allison e eu temos, exatamente, o mesmo número de runas – disse o conde e varrendo o ambiente com os olhos, antes de olhar na direção de Miranda e Benjamin..

— mas o que são essas runas, afinal? Não entendi nada quando falaram da caçadora. E agora entendo menos ainda – inquiriu Samira vendo o castanho abaixar a mão, permitindo que Liam o vestisse com o sobretudo vermelho

— runas são atributos usados por uma civilização antiga de seres mágicos que as criaram para incrementar a sua eficiência em combate físico. Por serem criaturas mágicas, essencialmente, eles podiam usar magias mas tinham as capacidades físicas de um humano. Eram atacados com frequência por outros seres da noite. Por isso criaram esses símbolos mágicos para lhes deixarem mais fortes, mais rápidos e mais resistentes – explicou Alan vendo a mulher se forcar no castanho de olhos claros, que abaixou o sobretudo que vestia até a cintura, exibindo as suas costas.

Havia um grande símbolo rúnico em seu peito, cobrindo algumas cicatrizes. Um símbolo rúnico igualmente grande era exibido em suas costas. Já em seu braço queimado, era possível ver uma runa de força brilhar, se revelando. Uma runa que era igualmente reproduzida em seu outro braço.

— satisfeitos? – indagou o Stilinski vendo o Boyd avançar em si com velocidade.

— só quando você perder! – ralhou Benjamin alcançando o conde já com as garras erguidas.

Stiles ergueu o punho com a bengala, iniciando um bloqueio. Benjamin sorriu, se jogando no chão, o homem fincou as garras no solo, usando o braço de apoio, enquanto girava e esticava a perna esquerda em uma rasteira.

O conde apenas encarou o golpe alheio, antes de ser atingido pelo mesmo. Ao ser levado ao chão pelo golpe alheio, o humano manteve a mesma pose. A bengala se fincou no chão, impedindo que o Stilinski caísse por completo, surpreendendo os betas do bando Hale.

Derek riu, animado.

Por mais que o seu bando estivesse sendo massacrado pelo bando alheio, o Hale se via fascinado com o noivo. Ele já sabia que o conde era forte. Teve a certeza no duelo sagrado que fora realizado por sua mão. Após ver os ômegas lutando, o moreno teve a certeza de que pessoas tão fortes como eles só poderiam se curvar para alguém ainda mais forte. E a confirmação de sua suspeita estava vindo agora, com Stiles em campo.

O castanho se apoiou na bengala antes de trazer os pés para si, com velocidade, tratando de se colocar de pé. Benjamin girou mais uma vez, se erguendo, antes de efetuar um chute pela lateral. O castanho se abaixou, passando por baixo da perna alheia.

Quando Stiles se ergueu, o conde pôde sentir o peso do olhar predatório de Miranda em si. Se virar para trás fora uma perda de tempo. O castanho não pôde se defender do chute da mulher. O golpe lhe atingiu a lateral do rosto de forma certeira, o forçando a cambalear para o lado. Mas a Boyd não parou por ali. Girando sobre os pés com velocidade, em uma dança violenta, ela voltou a levar o calcanhar ao rosto alheio, em mais um golpe habilidoso.

Stiles, no entanto, não tentou bloquear o golpe da mais velha. Assim como fizera com Benjamin, ele apenas se abaixou, permitindo que o golpe passasse por cima de si. Ouvindo os passos do marido de Miranda, o Stilinski virou, bloqueando o soco do mais velho. A mulher ganhou impulso, chutando o ar para trás, em meio ao golpe falho, permitindo que o corpo girasse no ar em um mortal para a frente. O Stilinski agarrou o braço de Benjamin e o puxou em sua direção ao se jogar para trás.

Miranda, ao ver o marido adentrar no alcance do seu ataque, abriu as pernas em meio ao giro, desistindo do golpe. A mulher viu o conde desaparecer em um vulto escuro, deixando apenas Benjamin em seu campo de visão. Ela aterrissou no solo com segurança, enquanto Benjamin se erguia após recobrar o equilíbrio do corpo. Os dois olharam na direção do Stilinski. O adolescente os observava com o típico ar de superioridade, com as mãos unidas no topo da pedra vermelha, enquanto a bengala se encontrava fincada no chão.

— realmente não se pode perder um segundo em uma luta contra você, mulher – comentou o Stilinski, surpreso.

— um segundo é mais do que o suficiente para você se esquivar de situações perigosas de uma forma bem intrigante, pelo que percebi –

— és melhor do que eu esperava, senhora Boyd. – elogiou o castanho vendo a mulher voltar a tomar a sua posição de batalha – conseguiu perceber o companheiro no meio do ataque e cessou o mesmo no ar. O seu estilo de luta é fascinante – confessou o humano vendo a mais velha sorrir ladina.

— herança cultural, creio eu – comentou o conde e a mulher riu brevemente em um meneio.

— herança cultural – confirmou antes de Benjamin avançar mais uma vez.

Stiles agarrou a bengala firmemente antes de avançar contra o homem mais velho. Benjamin surpreendeu o conde ao rolar para o lado, revelando Miranda em seu encalço. O garoto não se abalou. Ele mudou de alvo, desferindo um golpe da bengala contra Miranda. A mulher agarrou o acessório com a mão, antes de puxar o mesmo para si. Stiles apenas pressionou a joia e a girou.

Vernon assistiu, surpreso, a mãe desarmar o adversário com facilidade, enquanto o seu pai avançava pela lateral. Quando o castanho girou, Benjamin sentiu algo lhe acertar a lateral do rosto com força, criando uma ardência que o distraiu, perdendo o momento em que o humano se afastava em um salto.

Os betas se excitaram em sua comemoração, erguendo os punhos, animados, socando o ar ao verem a bengala escura nas mãos de Miranda. No entanto, Derek fora o primeiro a notar a ausência da pedra vermelha no cabo preto do acessório.

— a espada – murmurou o Hale, pensativo, vendo o castanho se afastar mais uma vez, em um segundo salto, movendo a mão com velocidade pelo ar.

— a espada! – exclamou Laura, surpresa, ao se lembrar da arma escondida no interior da bengala.

No entanto, quando todos olharam para a pedra vermelha na mão direita do conde Stilinski, não era uma lâmina afiada que se encontrava ligada a joia. Stiles moveu a mão esquerda no ar, agarrando o resto do corpo escuro avermelhado ligado ao rubi em sua mão direita.

Benjamin levou a mão ao rosto, sentindo a ardência do golpe do chicote em seu rosto começar a criar um leve inchaço.

— ora, seu... – o homem resmungou, sentindo mais de sua fera vir a superfície.

— é falta de educação pegar algo dos outros sem a permissão, senhora Boyd – ditou o conde, enquanto se aproximava a passos calmos.

Miranda o encarou com seriedade.

— ora. Queira desculpar a minha falta de educação, meu jovem. Mas creio eu que um jovem cheio de energia e juventude como você não vai precisar disso – ditou a mais velha jogando o corpo da bengala em sua mão para fora das vinhas.

Stiles assistiu, entediado, a trajetória do objeto. Quando o acessório caiu sobre o gramado, o conde se moveu. Jogando o braço para o lado, o chicote voou até Miranda, que já se preparava para desviar do ataque, quando Benjamin surgiu diante de si, agarrando o chicote no meio do trajeto. O Boyd rapidamente deu uma volta com o chicote em seu pulso, antes de agarrar a arma com força.

— BOA! – exclamou Mason, animado,

— algo me diz que isso não é uma boa ideia – comentou Cláudia e logo Stiles puxou a pedra vermelha com a mão.

Benjamin sorriu e repetiu o ato do conde simultaneamente. Diferente do esperado, o braço de Benjamin não se moveu com o movimento de Stiles, e o conde também não fora puxado pelo lobo. O castanho simplesmente voltou a desaparecer em um vulto vermelho escuro.

— não vai me enrolar – alertou o Boyd, já se preparando para girar na direção em que o chicote fosse puxado.

No entanto, a arma não foi para nenhum dos lados o chicote simplesmente desceu ao perder a tensão, indicando que o outro lado da arma havia se aproximado.

— Ben! Encima! – Miranda alertou ao marido.

Quando Benjamin ergueu o olhar, ele teve tempo apenas de ver o calcanhar alheio se aproximar de cima com velocidade. O golpe acertou o seu nariz de forma certeira, o quebrando, fazendo alguns betas exclamarem em dor. O golpe forçou o gomem a abaixar a cabeça e o torso, se inclinando para a frente. Quando Stiles aterrissou em pé, diante do lobisomem alfa, o mesmo se abaixou, segurando no meio do chicote e jogando a ponta com a pedra vermelha para cima, em um giro. A pedra vermelha acertou o ferimento nasal do homem com força, o fazendo guinchar de dor enquanto jogava a cabeça para trás.

Miranda avançou contra o castanho, mas o mesmo voltou a desaparecer em um vulto vermelho. A mulher se colocou atenta. Quando Benjamim voltou a gemer de dor foi que Miranda notou o adolescente, atrás de si, ao lado do seu marido ferido. Stiles havia chutado a lateral do rosto do homem com a planta do pé, o forçando a cambalear para o lado. O adolescente voltou a reaparecer do outro lado do gomem, repetindo o golpe. Quando Miranda ousou se mover, o rapaz reapareceu atrás do homem, o chutando na direção da mulher.

Quando a Boyd iria acolher o marido nos braços, impedindo que o mesmo caísse de cara no chão, Stiles puxou o chicote, surpreendendo a todo quando o pescoço de Benjamin fora puxado bruscamente para trás, enforcando o homem. Miranda notou uma volta no pescoço do marido, que caiu de costas no chão.

— então foi isso o que você fez – murmurou a Boyd, sorrindo ladina.

— o que houve, Benjamin? – inquiriu o humano, puxando o homem até si, o arrastando pelo gramado.

— cansou de ladrar? – indagou levando o pé a cabeça do alfa do bando aliado, pisando na mesma com força uma vez e mantendo ali o seu pé.

— desgraçado – murmurou o Boyd ainda zonzo após tantos golpes seguidos na cabeça.

O homem teve força apenas de soltar o agarre de seu punho no chicote do conde, sentindo a sua pele queimar quando a arma deslizou por seu corpo com velocidade assim que o humano puxou o objeto.

— hunf! – resmungou o castanho – pensei que sua convicção fosse maior. Afinal, não era você que queria impedir que um humano como eu roubasse os poderes do seu bando? –

Benjamin nada respondeu. Sentia, aos poucos, a recuperação agir em seu corpo. Sua cabeça estava parando de girar, mas a dor permanecia na mesma. Consequência do efeito da tontura. O seu cérebro clamava por descanso. Mas a vergonha e o orgulho lhe forçavam a querer resistir e se erguer.

Miranda não se moveu. Sabia que o marido precisava ser repreendido e, ainda mais, pelo humano que por seu bando fora tão gravemente ofendido diversas vezes. Como uma alfa, apesar de renegar toda a responsabilidade burocrática, ela tinha a responsabilidade de educar os seus. A mulher apenas assistiu, em espera, o castanho se abaixar para agarrar o homem de cabelos raspados pelas orelhas, erguendo a cabeça do mesmo.

— veja. Olhe bem para o seu bando e olhe para o meu – ordenou o adolescente, antes de se aproximar mais da cabeça alheia.

— quem realmente tem poder? Quem realmente teria que tomar cuidado com ganância e luxúria? Ponha-se no seu lugar, uivante. O status de alfa e a fama de seu bando lhe tiraram a capacidade cognitiva – o mais novo proferiu entre dentes, antes de jogar a cabeça do homem contra o chão.

Miranda tensionou o corpo.

“Ele acabou”

Quando a mulher de Benjamin avançou em sua direção, Stiles já esperava por um provável ataque em meio ao seu discurso. Mas ele se surpreendeu quando a mais velha esperou que ele finalizasse o que tinha para falar antes de atacar. Saltando para trás, com o chicote enrolado na mão esquerda, o conde deixou a pedra vermelha cair da mão direita, deixando o chicote correr pela mão até que a joia se encontrasse na altura do seu joelho. Se afastando mais um passo, o rapaz viu a Boyd o alcançar. Ele girou a mão direita com força, fazendo a pedra vermelha desenhar um círculo no ar e seguir na direção da cabeça da loba.

Miranda, no entanto, girou para o lado com velocidade, se esquivando em tempo. A mulher finalizou o giro com o punho direito erguido se aproximando do adolescente. O olhar ofídico analisando minuciosamente os movimentos do torso da adversária forçaram o conde a erguer o chicote repuxado diante do golpe em preparação. Quando o punho direito fora puxado para trás, o esquerdo se moveu para a frente.

“Um golpe chamativo de isca”

Pensou o Stilinski, já movendo ambas as mãos para posicionar o chicote na trajetória do outro punho. Foi aí que o rapaz fora surpreendido quando o pé direito de Miranda lhe acertou o rosto. O som do impacto entre a lateral do pé da mais velha e o maxilar do mais novo forçou os betas a suspirarem em agonia e os ômegas a arregalarem os olhos, perplexos. Stiles girou para o lado, caindo no chão.

Todos se viram confusos quando Miranda, ao dar uma passo para a frente erguendo novamente o pé para mais um golpe, fora ao chão logo em seguida, quando o humano puxou os punhos para cima. O pé de base da mulher fora puxado junto e só então todos notaram o chicote envolvendo o mesmo. Ninguém havia notado quando, em meio ao giro, o humano jogou a mão na direção da mulher, discretamente, posicionando uma armadilha no solo.

Os dois se ergueram de imediato. Miranda ergueu as pernas, girando o torso sobre o chão, antes de se colocar de joelhos com habilidade. O Stilisnki simplesmente girou no chão e se ergueu com velocidade, se colocando de costas para a loba. Benjamin avançou pelas costas do adolescente.

— Ben! Não! – repreendeu a mulher vendo o marido se aproximar do outro com velocidade.

Stiles respondeu ao ato, jogando o chicote na direção do homem, por cima do ombro. A arma voou até o lobo, que rolou para o lado e mudou a sua trajetória, se afastando da arma. O Stilinski, para a surpresa de todo, desapareceu em um vulto vermelho, surgindo no ponto exato em que o chicote acertaria o Boyd. Derek notou, surpreso, que o humano não mais segurava o chicote. A pedra vermelha havia ficado exatamente onde antes estava a mão do seu noivo, antes de começar a cair.

Agarrando o corpo do chicote com uma mão, Stiles o puxou para si, fazendo a pedra vermelha voar em sua direção. Girando uma vez, o adolescente ergueu o pé esquerdo, acertando o calcanhar na pedra vermelha, a chutando na direção seguida por Benjamin. O homem, surpreso, recuou alguns passos, rápido o suficiente para que a pedra vermelha não lhe alcançasse por centímetros.

“Esse garoto. A habilidade dele com o chicote é incrível.”

Pensou o Boyd, surpreso ao ver que o rubi vermelho da cor de sangue lhe acertaria certeiramente o nariz quebrado.

“É como ae a arma fosse parte do corpo dele. Como se os dois, juntos, fossem uma cobra longa e rápida”

Analisou Miranda, surpresa ao ver o adolescente voltar a desaparecer em um vulto vermelho escuro.

Quando Benjamin piscou os olhos, ele se viu surpreso quando uma fumaça preta acinzentada se dissipou diante dos seus olhos, revelando o Stilinski, no ar, com a mão direita envolvendo a pedra vermelha. O olha sério e entediado do adolescente revelava que o mesmo sabia, e muito bem, o que estava fazendo. O Boyd tentou recuar.

— quando...

O alfa fora cortado quando o adolescente direcionou o punho com a pedra vermelha ao seu rosto, em um golpe rápido e potente. O mais velho cruzou os braços na frente do rosto, se defendendo. Mas o Boyd fora pego de surpresa quando não sentou o golpe. Com sua visão periférica, ele notou o punho que antes lhe atingiria o rosto, abaixo de sua defesa.

Surpreso, exclamou em pensamento.

“Mudou! Vai acertar o meu abdômen!”

Desfazendo a cruz que formara com ao braços diante do rosto, o alfa tentou se defender do novo ataque. Mas, para a sua completa confusão, a mão de Stiles não foi ao seu abdômen, e sim ao chão.

— mas o que...

O homem fora interrompido quando o calcanhar alheio voltou a lhe atingir o nariz quebrado, que já estava parcialmente curado, voltando a o quebrar. Com os calcanhares, Stiles acertou uma sequência de quatro golpes, dando um passo para a frente usando as mãos como pés. Assim que o ataque fora encerrado, Benjamin, furioso, levou as mãos as pernas do adolescente, que girava para trás, tentando voltar a ficar de pé.

O Boyd iria agarrar o garoto pelas pernas e o girar no ar até o lançar para fora das vinhas, mas as suas mãos erraram os alvos quando a ponta do chicote lhe atingiu o topo do nariz, exatamente entre os seus olhos. O homem, surpreso, cambaleou para trás mais ainda, permitindo que o castanho se afastasse e recobrasse a pose ereta sobre os próprios pés.

“Quando? Quando ele usou o chicote?"

Se questionou o homem assim que sentiu o seu pé ser envolto por vinhas, em meio ao seu cambalear, forçando o seu corpo a ser levado ao chão. Ele não se lembrava de ver o conde jogar a mão para frente ou usando qualquer outro movimento que forçasse o chicote a lhe atacar. E foi então que ele se lembrou.

O movimento que Stiles usou para se colocar sobre as duas mãos no chão. Ao jogar o corpo violentamente para a frente, o chicote fora jogado para si, simultaneamente. A pedra vermelha acompanhou a mão do seu usuário, incentivando o ataque da arma. Mas somente aquele movimento não faria com que a ponta do chicote chegasse tão longe com um único movimento. Foi por isso que, durante o segundo chute, Stiles encaixou o pé no corpo do chicote, puxando mais ainda o mesmo e ainda usando desse movimento para mirar o golpe da arma no rosto do adversário. Quando Benjamin recuou após o ataque do conde, ele se colocou no ponto de alcance ideal da ponta do chicote.

— filho da mãe – rosnou o Boyd, entredentes, sentindo as vinhas lhe cercarem o pescoço, começando a cobrir o seu rosto. – eu perdi – murmurou para si mesmo, irritado, sentindo as vinhas começarem a lhe soltar quando admitiu sua derrota.