The Engagement
46 Momento
Um golpe do chicote no rosto de Miranda a fez cambalear para trás, em um giro. Stiles surgiu na ponta do chicote, envolvendo o mesmo em sua mão, antes de o pixar em um novo golpe. A pedra vermelha que ornamentava a arma voou com o movimento, se dirigindo para a adversária lupina.
Quando Miranda se virou mais uma vez, se colocando de frente para o conde, ela fora pega de surpresa pelo golpe do ornamento vermelho, lhe fazendo jogar a cabeça para trás e voltar a cambalear.
A mulher girou, tentando se situar e recuperar do golpe. Stiles avançou contra a mais velha, a qual ergueu a perna em meio ao giro, tentando um golpe. O público se exaltou com o golpe rápido e de última hora. No entanto, o garoto de dezessete anos ergueu as mãos, colocando o chicote na trajetória do tornozelo da alfa, bloqueando o movimento alheio.
A mulher se viu perplexa.
No entanto, Miranda não se deu ao luxo de perder tempo. Recolhendo o próprio pé, a Boyd se preparou para uma nova abordagem. Contudo, ela não fora a única a agir. O conde também não se deixou levar pelo tempo. Enquanto a mais velha se preparava para um novo ataque, o humano já estava adiantando o próprio. Assim que Miranda preparou um soco na testa alheia, o Stilinski se afastou em um salto, golpeando a face alheia com o chicote mais uma vez.
Miranda cambaleou mais um passo para trás, com a mão na face. As suas maçãs do rosto já ardiam com tamanhas chicotadas seguidas. O adolescente fazia questão de lhe acertar no rosto, por um motivo desconhecido para ela. Já era o sexto golpe que ela recebia no rosto desde que o seu marido Benjamin fora derrotado.
A mulher estava gostando do ritmo em que as coisas estavam indo.
— você não para de me surpreender, rapaz – comentou a alfa quando, enfim, recobrou o equilíbrio.
Estranhamente, o Stilinski não possuía a intenção de lhe tirar do círculo de vinhas naquele momento. Pois ela sabia que a oportunidade era boa. Ele poderia usar o chicote para lhe asfixiar, como fizera com o seu marido, mas, desta vez, até ela perder a consciência, ou então lhe bater até que ela saísse do campo, já que estava próxima do limite do mesmo. As possibilidades eram muitas e todas poderiam ser usadas naquele momento em que ela se encontrava vulnerável após o segundo golpe. Mas lá estava o conde, parado, em pé no centro do campo.
— você consegue, Miranda! – um dos betas tentou animar a alfa, batendo palmas, sendo acompanhado por alguns dos companheiros.
— os seus olhos... – comentou o conde sorrindo gentil, chamando a atenção dos lobisomens.
Scott sorriu largo.
Miranda apenas esperou que o humano continuasse.
— são tão bonitos! – a passos suaves, o conde começou a marchar com calma na direção as Boyd, que analisava os seus movimentos calmamente.
— eu agradeço o elogio – a mulher o reverenciou, segurando uma saia inexistente e flexionando minimamente os joelhos em um ato de formalidade.
— não vai falar dos meus? – indagou, curioso.
— duvido que já não tenha ouvido o quanto são bonitos – argumentou a mais velha, olhando fixamente para o torso alheio.
— não da senhora – argumentou o mais novo começando a caminhar para o lado.
— pois saiba que os acho belos. A cor combina com os seus cabelos – comentou a mulher, ainda olhando apenas para o torso alheio.
Stiles sorriu de canto.
— não vai ao menos olhar em meu rosto? – indagou o Stilinski observando a mulher negar com a cabeça.
— eu não vou cair em seus jogos, rapaz. Vai ter que fazer melhor do que isso se quiser me –
Miranda fora interrompida quando o castanho moveu o braço, golpeando com o chicote em sua direção. A mulher desviou do golpe direto enquanto ainda falava, mas a sua visão morreu assim que o rapaz desapareceu do seu campo de visão. O conde surgiu na ponta do chicote, lhe agarrando o pescoço com a mão livre, enquanto puxava o corpo da arma com a outra mão.
— não deve resistir! – ordenou exercendo pressão no pescoço alheio, surpreendendo a Boyd, que, assustada, não percebeu o mais novo juntando o rosto no seu, aproximando ao seus olhos.
A loba admirou o brilho castanho mel dos olhos alheios, antes de se sentir sendo engolida pela escuridão das pupilas. Quando dera por si, tudo havia sumido: O conde, o seu bando, ao ômegas, a clareira, tudo havia desaparecido. Até mesmo a lua estava ausente.
Aquilo era tão estranho.
A senhora Boyd olhou bem ao redor, constatando que não conseguia enxergar nada naquele breu. O que era estranho, já que ela era uma loba. Ela podia enxergar no escuro da noite. Mas aquele não era a escuridão noturna. A alfa conseguia apenas ver o vazio ao redor do seu corpo
Ao mover os pés, a mulher se surpreendeu ao sentir um líquido gelado em seus membros.
— mas o quê... Onde eu estou? – indagou a si mesma, tentando procurar uma razão para aquilo.
Um par de tochas se acendeu, assustando a mulher, que não esperava por aquilo. Logo mais duas tochas se acenderam, antes de mais dois surgirem do escuro, em chamas, revelando o conde do outro lado do pequeno caminho iluminado. A mais velha franziu o cenho, encarando a calma e a naturalidade do rapaz para com o ambiente.
— assustada? – questionou o rapaz, sorrindo minimamente.
— onde estamos? O que está acontecendo? – inquiriu, confusa.
Um lobo es esfregou nas pernas da mulher, a surpreendendo.
— então esse é o seu outro eu – comentou Stiles encarando o animal peludo fixamente.
Miranda o encarou com confusão o lupino ao seu lado. O animal passava uma sensação de intimidade, como se lhe conhecesse há anos. O que não era uma mentira se o humano estivesse falando a verdade.
— somos um só desde o nascimento – a voz feminina da loba surpreendeu a Boyd, que encarou o animal em espanto.
— não se espante tanto, senhora Boyd. Estamos em um espaço complicado que se encontra dentro de mim. Todos possuem esse espaço, mas são poucos os que conseguem acesso a ele. – o adolescente começou a explicar estalando os dedos do braço queimado, fazendo mais tochas se acenderem, os cercando em um grande círculo.
— muito menos aqueles que os dominam. Nesse espaço, podemos olhar bem para o interior um do outro. Consigo ver os seus dois Eu’s – ditou o rapaz vendo a mais velha desviar o olhar para o animal ao lado dela, mais uma vez, antes de voltar a lhe direcionar a atenção.
— agora, me permita lhe apresentar o meu outro Eu – anunciou o castanho abrindo os braços na altura de sua cintura, os estendendo na direção do chão, em diagonal.
Miranda percebeu pequenas ondas se formando no chão escuro coberto de água, forçando o líquido a tremular, atrás de Stiles, e se propagar por todo o ambiente, até que se perdessem em meio ao mar de líquido. Um grande gêiser explodiu atrás do castanho, surpreendendo a mulher, que levou uma de suas mãos a cabeça de sua loba, instintivamente.
— onde está? – murmurou, nervosa.
Ela se lembrava muito bem da reação de Laura ao se deparar com a criatura misteriosa. E Miranda conhecia os Hales muito bem para saber que Laura Hale não se assustava com pouca coisa. O que a semi alfa viu a deixou em choque e pânico. A mais nova alegou pensar que seria engolida viva.
Miranda estava se preparando para qualquer coisa. Completamente focada, Miranda Boyd analisava tudo ao seu redor, se preparando para um ataque surpresa
Stiles apenas sorriu de canto.
Um som gutural, como um rosnado que ecoava por uma caverna, se propagou pelo ambiente, chamando a atenção de Miranda.
A mulher, enfim, percebeu o que estava acontecendo. A loba encarava a pele escura e brilhante atrás do castanho começando a analisar a criatura, permitindo que o seu queixo caísse e os seus olhos se expandissem em espanto.
O silêncio esta a deixando todos aflitos. O bando Hale encarava a vena com agonia. Miranda e Stiles se encaravam nos olhos fazia algum tempo, sem nada afazer ou dizer. Os betas já estava ficando agoniados e Benjamin, preocupado.
— ela está vendo a coisa – comentou Laura encarando o corpo paralisado de Miranda.
Aquilo já se encontrava óbvio para os alfas ao seu lado, que apenas observavam, ansiosos, o desenrolar do encontro.
Quando Stiles soltou o pescoço da mulher, todos prenderam a respiração, esperando uma reação de Miranda. A Boyd inspirou profundamente, como se estivesse prendendo a respiração por muito tempo, antes de cambalear para trás, zonza, balançando a cabeça de um lado para o outro repetidas vezes.
A mais velha encarava o adolescente com espanto no olhar. Stiles apenas desfilou, comumente, pelo círculo, girando a pedra do chicote em sua mão, como um brinquedo qualquer, enquanto observava a alfa por sobre o ombro. Ele sabia muito bem que aquela atitude poderia mudar o comportamento da mulher, mas ele não se importava. Ele já não se importava mais com a imagem que bando alheio tinha de si.
A alfa encarou o marido e os amigos alfas, que a observavam com preocupação e ansiedade. Miranda os encarava com medo. Ela estava apavorada. Stiles sorria de canto, esperando por alguma reação da mulher que enfrentava. Quando a Boyd abaixou a cabeça e levou as mãos aos joelhos, começando a respirar pesado, o conde suspirou decepcionado, perdendo o seu sorriso. Mas assim que a mais velha começou a gargalhar, o humano lançou para ela um olhar de confusão, junto a um sorriso mínimo. A alfa se ergueu completamente, dando início a sua transformação pata a forma bestial.
Vernom suspirou, aliviado, lançando par ao humano um olhar nervoso. Ele estava ansioso. Sabia o poder de sua mãe, conhecia a força da mulher que lhe criou e, muitas vezes, lhe treinou. Agora era que a luta começaria de verdade. Se o noivo do seu amigo achava que a mulher era perigosa na forma humana, ele ficaria impressionado na forma bestial.
— você – a mulher pronunciou em meio a sua transformação, em um rosnado.
— você é cheio de surpresas, meu rapaz – a voz assustadora pronunciava enquanto Miranda marchava na direção do conde Stilinski.
O humano não movia um músculo, se quer. O adolescente apenas se virou quando Miranda se encontrava a três metros de distância, ficando de fronte a mulher. A loba, agora mais alta, se aproximou ainda mais, ignorando a pose de superioridade do homem a sua frente. Com a respiração acelerada, a Boyd rosnava para o ser de cabelos castanhos, estando a centímetros do homem.
— agora é que a Miranda vai com tudo o que tem – comentou Benjamin sorrindo orgulhoso de sua esposa.
A mulher ergueu o punho cerrado até a altura do queixo alheio, ainda rosnando contra o conde.
— eu desisto – Miranda anunciou levando o pinho cerrado ao peito.
O silêncio se instalou nos betas e alfas.
— você o quê?! – inquiriu Vernon, surpreso.
— Miranda! – repreendeu Benjamin, indignado.
— tem certeza disso? – perguntou Stiles – o seu bando não parece muito feliz com as suas palavras –
Miranda olhou ao redor, retornando a forma humana, agora com algumas partes de suas roupas apresentando rasgos, os quais ela teria que costurar posteriormente. Os olhares indignados e frustrados dominavam as feições dos betas e alfas do bando Hale.
— como um rapaz sábio disse uma vez: não é nada indigno desistir diante de alguém mais forte, ao reconhecer a sua força – respondeu a mulher vendo o adolescente acolher uma de suas mãos e a levar ao rosto, se inclinando para lhe beijar as costas.
— Miranda Boyd. Uma mulher tão fascinante como você é como a mais bela das rosas: Difícil de achar, mas fácil de diferenciar – elogiou o conde, observando a mulher sorrir e lhe reverenciar adequadamente, em agradecimento.
— assim eu fico sem jeito, rapaz – comentou a mais velha antes de se afastar e começar a se retirar do campo de vinhas.
— mas o que foi isso? – questionou Benjamin, confuso.
— isso foi o que esse torneio deveria ter sido desde o começo, Ben. Isso foi respeito mútuo – respondeu a mulher tomando o seu lugar ao lado dos alfas, apertando brevemente o braço de Talia, antes de menear na direção da alfa.
— como foi? – inquiriu Peter, curioso.
— nunca vi nada igual
— qual de vocês Será o próximo? – indagou o adolescente, parando de girar a pedra do chicote.
— creio que agora seja um bom momento para ser a minha vez – anunciou Alan começando a marchar na direção do círculo movendo o seu cajado consigo a cada passo.
— o druida – comentou Erica um tanto entediada, ainda ajoelhada em uma reverencia ao próprio alfa.
— ele pode ser mais complicado do que os lobos – soltou Lydia, curiosa.
— assim espero – soltou Erica, visivelmente entediada.
Stiles golpeou o solo com o chicote, chamando a atenção dos demais para si.
— como prefere, meu caro? – inquiriu observando o homem retirar o casaco que usava e o jogar na direção das vinhas.
— como você prefere? Com ou sem magia? – questionou o druida lançando um olhat analítico pata o bastão em sua mão.
— sinta-se a vontade para decidir – respondeu o Stilinski antes de golpear o ar com a mão, forçando o chicote a se dirigir para o Deaton.
Alan apenas bateu com o cajado no chão, naturalmente, e o chicote recuou no ar. Stiles sorriu, puxando a sua arma de volta para si. O conde repetiu o golpe, desta vez pelo outro lado, e Alan voltou a bloquear o mesmo ao bater com o cajado no chão. O castanho permaneceu a tentar chicotear o calvo, mas o druida insistia em bloquear os seus ataques com as batidas simplórias de seu cajado.
— você não é um mero druida – comentou o conde parando de golpear, e recolhendo o seu chicote.
— não. O clã de minha família descende de mestiços de bruxos e druidas –
— compreendo –
Stiles voltou a atacar com o chicote. Alan voltou a bater com o cajado no chão. No entanto, antes que o movimento do mais velho fosse concluído, o adolescente desapareceu do campo de visão de todos, surgindo na ponta do chicote. Stiles puxou a ponta da arma, forçando o resto do corpo a se mover contra o druida, que já havia se focado em um ponto específico.
A magia simples que conjurava não pararia o ataque do mais novo. O homem de pele preta sorriu de canto. A pedra vermelha se aproximou com velocidade do emissário do bando. O homem tratou de girar o cajado na mão e usar a cabeça de gato entalhada no topo da madeira para golpear a pedra vermelha, bloqueando o ataque.
— se não se importar, eu gostaria que a nossa luta fosse em um lugar mais... Reservado – propôs o Deaton observando o Stilinski gargalhar.
— não me faça propostas tão atrevidas, senhor Deaton. Sou um homem comprometido. Não posso me despir assim tão fácil para outras pessoas – brincou o mais novo, se movendo com velocidade até a outra ponta do chicote.
Alan se surpreendeu com o movimento alheio. Como ele havia rebatido a pedra vermelha com o cajado, ela se encontrava relativamente perto de si. O castanho desferiu um chute com a perna esquerda, o qual o druida bloqueou com a sua arma de madeira.
— queira me desculpar a ousadia. Mas isso é algo pelo qual anseio desde que chegou nessas terras – comentou o mais velho se afastando em um salto.
Stiles gargalhou baixinho, simpático, antes de abrir os braços e passar a marchar na direção do adversário.
— você sabe o que fazer –
Alan não precisou ouvir mais nada. Ele começou a caminhar na direção do conde, olhando fixamente para os olhos do mesmo. Os dois pararam de caminhar, simultaneamente, surpreendendo os dois bandos.
— o que eles estão fazendo? – perguntou Derek, curioso.
Stiles e Alan estavam há alguns minutos parados. Os dois nada faziam ou diziam. Se quer mexiam algum músculo. Minutos estavam passando, um atrás do outro, se movendo de forma lenta e angustiante. Os lobos não sabiam o que esperar. E, pelo que Derek notou, os ômegas também não. Eles encaravam a luta com ansiedade e curiosidade.
— por que não se mexem? É para lutar! – exclamou Paul, indignado.
— eles estão lutando – responderam Lydia e Kira, surpreendendo o homem.
— isso é uma luta? – inquiriu Samira, descrente..
— é, sim. Eles apenas estão em um lugar mais reservado – comentou Miranda, chamando a atenção para si.
A mais velha desviou o olhar para Laura, que lhe encarou com confusão, antes de expandir os olhos. A semialfa desviou o olhar para o druida, se surpreendendo com a duração do efeito no homem.
— eles estão naquele lugar. Mas o Alan ainda não voltou – murmurou, pensativa.
— que lugar é esse? – perguntou John, confuso.
— o que você viu, mãe? – indagou Vernon, aproveitando o estranho silêncio entre os dois lutadores, assim como a falta de movimentos.
— algo muito interessante. Você ficará impressionado –
A resposta de Miranda apenas deixou o seu filho mais curioso ainda. Vernon era um rapaz que gostava da lógica e de resolver problemas. Sempre fora naturalmente curioso, o que lhe forneceu uma mente que gostava de resolver problemas. Um homem ansioso por respostas.
— isso não ajuda muito... – comentou o mais novo, um tanto chateado.
— tenha calma, Vernon. Se for para lhe mostrar, ele irá mostrar – comentou Miranda, em uma repreensão suave.
Benjamin se viu indignado.
— mas o que é isso, Miranda?! Por que todo esse segredo?! – inquiriu, irritado.
— nós somos um bando! Somos uma família! – argumentou Paul, aliando-se a Benjamin em sua indignação.
— somos um bando. Mas ele também é importante – rebateu a alfa, ignorando a imagem do marido.
— e mais. Ele confiou isso a mim. Não a você. Teve várias chances se lhe mostrar, mas não o fez. Sinal de que você ainda não está preparado para isso. – afirmou a mulher com seriedade.
Ela estava irritada com o marido e queria deixar isso óbvio para ele.
— você pôde ver o outro eu dele? – perguntou Derek, curioso.
Miranda desviou o olhar para o pretendente do conde, o vendo lhe fitar com uma curiosidade natural. Havia um certo receio no olhar alheio. Uma nervosismo. A mulher franziu o cenho, por um segundo, antes de retornar para a sua expressão carismática.
O outro eu do adolescente de cabelos castanhos causava curiosidade e medo em quase todos os membros do bando. Mas ela não poderia permitir que Derek se deixasse cair na escuridão daqueles sentimentos. Como uma alfa e membro do bando Hale, a Boyd se via na obrigação de guiar o mais novo naquele caminho novo.
— sim. Eu vi –
— certo –
Miranda Boyd, que já se preparava para negar ao pedido da informação da natureza do ser que se encontrava no interior alheio, fora completamente pega de surpresa pela resposta monossilábica do moreno de olhos verdes. Ela, que há havia ajudado o moreno a se recompor e começar a enfrentar as responsabilidades de um pretendente, ficou sem palavras diante do sinples menear de cabeça do mais novi, antes de o homem voltar a olhar para a disputa silenciosa dos dois homens no círculo de vinhas.
Com um sorriso orgulhoso nos lábios, a loba apenas uniu as mãos e voltou a se concentrar nos dois lutadores. Antes que Benjamin ou qualquer outro lobo voltasse a iniciar um questionamento, o corpo de Stiles fora impulsionado para trás. Pegos de surpresa, ambos os bandos liberaram sons de espanto ao verem o adolescente se curvar, enquanto era arrastado no chão, freando com os pés.
Alan liberou um suspiro, antes de finalmente se mexer, alongando os braços. Os membros do bando Hale se animaram com o resultado do estranho confronto.
Erguendo um olhar divertido para o druida, o humano voltou a se erguer de forma correta
— nada mal –
Alan sorriu com o elogio.
— estou velho e enferrujado, mas sei que você não me enfrentou com seriedade, garoto. – comentou o druida observando o rapaz sorrir de canto.
— mais uma vez? – inquiriu o castanho vendo o calvo menear uma vez.
— por favor –
Os dois voltaram a ficar imóveis.
— mas o que foi isso? – questionou Lucio, curioso.
— eles estão tendo uma luta de mentes, garoto – explicou Ennis que se encontrava sentado na grama.
— o druida é experiente e inteligente. O nosso alfa é jovem e inteligente. Eles preferem uma luta mais privada – comentou a Yukimura que estava sentada no chão na posição de lotus, enquanto limpava a sua espada com um tecido de seda.
— nunca teve uma luta desse tipo? – questionou Corey, que se encontrava ajoelhado, com um semblante sério.
Lucio negou.
— é cada uma que me aparece – comentou o kanima, negando com a cabeça e voltando a se concentrar em seu alfa.
— não pode julgar o garoto por não ter alguém poderoso para o instruir, Corey. Não é nada gentil ou educado zombar das necessidades alheias – repreendeu Kira, analisando a lâmina de sua katana, antes de voltar a lustrar a mesma.
— pode ao menos me dizer o animal dele? – inquiriu Derek, olhando para Miranda.
— não – respondeu a mulher, totalmente concentrada na luta a sua frente, embora nada realmente ocorresse no momento.
— você pode ser acusada de traição pelos betas – comentou Lance, tentando surrupiar alguma informação.
Ele estava curioso. Laura teve a oportunidade de espiar o outro eu fo castanho. Miranda fora convidada a ter o mesmo privilégio. A curiosidade estava lhe matando. O druida instruiu Laura a manter segredo sobre o que vira, e Miranda não precisou de nenhuma palavra do Deaton para se manter em silêncio sobre o assunto.
— como uma alfa sem seguidores eu não posso obrigar ninguém a nada. Apenas instruir. Se eles quiserem seguir por esse caminho, será uma escolha deles. E serão os únicos a arcar com as consequências dessa escolha. Eu prefiro arcar com as consequências de me manter em silêncio –
A resposta de Miranda surpreendeu os companheiros de bando.
Stiles fora jogado para trás bruscamente mais uma vez. O rapaz caiu de costas no chão, antes de rolar pelo mesmo uma única vez, se colocando de pé no final da manobra. O resultado surpreendeu os ômegas, que encarvaam o druida com perplexidade.
— Stiles? – chamou Derek ao ver o humano levar a mão ao rosto, massageando o mesmo por sobre as bandagens.
— maldita coruja – o rapaz sorria enquanto praguejava.
— venha com tudo desta vez, por favor. Desse jeito você me ofende –
— tudo bem, então. Já peço desculpas de antemão –
O conde jogou a mão para o lado, fazendo o chicote avançar contra um dos betas do bando Hale. O lobisomem que segurava o corpo da bengala do conde fora surpreendido quando o chicote se enroscou no corpo preto. Assustado, ele soltou o objeto, permitindo que o humano o puxasse para si.
Os lobos se viram surpresos quando o chicote passou a adentrar a bengala, como se algo o puxasse para dentro com velocidade. A pedra vermelha se encaixou no corpo preto, e Stiles a girou, antes de manusear a bengala com a mão, antes de a fincar no chão, unindo as duas mãos sobre a pedra vermelha.
— vamos começar – anunciou o Stilinski voltando a se focar nos olhos alheios.
— quanto tempo isso vai durar? – indagou Samira, confusa.
— eu não sei. Mas, assim como eles esperaram por suas batalhas, vocês irão esperar pela deles — ditou Alexander, irritado.
— se vocês soubessem o quanto eu estou decepcionado com vocês... – comentou o alfa deixando todos os betas apreensivos.
— precisamos ficar mais fortes – murmurou Joseph, cabisbaixo.
— também precisam aprender a se comportar civilizadamente com aliados – comentou Derek, irritado, surpreendendo o pai e os tios.
— principalmente, aprender a calar a boca e a ouvir – falhou Cláudia, educadamente com a voz calma e aveludada.
— a humilhação que sofreram essa noite, é inteiramente culpa de vocês – ditou Alexander antes de começar a marchar na direção do canpo de vinhas, atravessando o mesmo sem problemas.
Ao passar pelo conde, os ômegas franziram o cenho para o alfa, o vendo se posicionar diante deles, sobre as vinhas, que não tentavam o parar.
— já de antemão, eu peço desculpas por mais uma ofensa que sofreram nas mãos dos meus betas. Saibam que não concordo em nada com nada do que lhe foi dito por eles, e informo que eles sofreram as devidas consequências por seus atos irresponsáveis –
Alexander reverenciou o bando, que apenas lhe encarava a em silêncio.
— não é conosco que deve se preocupar, senhor Hale. Tivemos o nosso orgulho pisoteado por todas as nossas vidas. Aprendemos a conter a nossa fúria quando estamos com ele – disse a Yukimura, finalizando a limpeza de sua espada e a guardando em sua bainha.
— aquele que deve ser acalmado -
— está ali dentro -
O Hale sabia que os gêmeos apontavam para o campo de batalha atrás de si.
— mas ainda, assim, eu lhes devo um pedido de desculpas em nome da minha família e do meu bando –
— sim, você deve – a voz de Kira fez o homem suspirar – estamos apenas lhe adiantando a informação: não tentem nos persuadir a convencer o nosso alfa a nada, criança – ditou a mais velha, lançando um olhar entediado para o lobisomem.
— não estamos aqui para satisfazer as suas vontades – Scott soou igualmente irritado.
— nós estamos aqui para satisfazer as vontades dele – continuou Isaac, naturalmente.
— e de ninguém mais – disse Allison, com um sorriso vitorioso.
Com um suspiro, e mais uma reverência, Alexander começou a marchar para fora do campo, retornando ao seu lugar, ao lado de Talia.
— estão claramente irritados e irredutíveis – comentou John, abalisando os ômegas.
— e não podemos culpá-los –
— alcançaram o seu limite após tantas ofensas –
— devemos dar tempo para eles, antes de nos redimirmos – afirmou Talia, arrancando um meneio de concordância dos outros alfas.
Alan gemeu de dor, antes de ser jogado para trás por uma força desconhecida pelos lobos. O homem atravessou todo o seu lado do campo, caindo de joelhos pouco antes de alcançar as vinhas.
— satisfeito? – inquiriu o conde, começando a marchar na direção do druida.
Com certa dificuldade, Alan se colocou de joelhos, encarando o adolescente se aproximar a passos calmos. O druida se manteve ajoelhado, apenas observando o Stilinski se aproximar naquele desfile majestoso. Rindo baixo, o homem permitiu que o mais novo se colocasse diante de si.
— eu confesso. Esperava que me considerasse um pouco mais – murmurou enquanto encarava as suas mãos.
— e considero. É por isso que não lhe acertei tão forte –
— me sinto honrado e ofendido –
— és forte, druida. Mas não possui a cura que eles possuem –
— compreendo o seu raciocínio. E agradeço a preocupação, meu jovem – comentou o Deaton se erguendo e reverenciando o mais novo.
— foi deveras interessante –
— se divertiu? –
— bastante –
Com um sorriso de canto, o Stilinski observou o druida se dirigir para o bando Hale, com um sorriso mínimo no rosto. O homem estava animado e satisfeito.
— eu acho que é chegado o momento que grande parte estava esperando – iniciou o Deaton, se colocando ao lado de Lucio e Joseph, apoiando o cajado no chão em um golpe suave contra o solo
O silêncio reinou entre os bandos.
Stiles retornou para o centro do campo de vinhas.
Peter sorriu divertido
— se prepare para a próxima batalha, garoto – proferiu Paul, já sabendo quem seria o próximo a pisar no campo de vinhas.
O louro se inclinou para a frente, flexionando os joelhos. Peter cruzou o campo rapidamente, alcançando o adolescente com a velocidade surpreendente de um alfa. O impacto entre ambos os corpos surpreendeu a todos, principalmente aos ômegas. O louro golpeou o castanho com o antebraço, sendo contra golpeado de igual maneira, estando a bengala entre os dois membros.
Stiles fora empurrado para trás por meio metro, antes de parar ao flexionar melhor as pernas. Com um sorriso no rosto, o Stilinski encarava o sorriso predatório do homem a sua frente. A diversão estava escancarada no olhar do lobisomem, que se quer tentava escondê-la.
O rapaz empurrou a bengala, forçando os dois a se afastarem.
Peter encarava o próprio braço, surpreso.
— a sua força é mais fascinante ainda quando sentida, meu rapaz – comentou o lobisomem, surpreso, abrindo e fechando o punho algumas vezes.
Ele sentia o músculo do antebraço reclamar devido a investida do humano contra o mesmo. Se pegou imaginando a dor que sentiria caso tivesse recebido aquele golpe de bengala de forma direta. O seu sorriso cresceu até os dentes surgirem por entre os lábios curvados.
— apenas é uma pena que o seu outro braço esteja debilitado. Não poderei provar do seu máximo –
Stiles sorriu.
— acha mesmo que isso será um fator limitante em nossa batalha? – o questionamento gerou um cenho franzido por parte do lobisomem.
— e não é? –
— pelo visto, coloquei expectativas demais em você – comentou o conde surpreendendo o mais velho, que se irritou com a ofensa.
Os pinhos cerrados chamaram a atenção do adolescente, que voltou a a poiar a bengala no chão, voltando a admitir a dua pose de superioridade.
— não se surpreenda tanto. Pode não parecer, mas esse meu hábito não é exatamente uma raridade – soltou o adolescente antes de rir brevemente, soltando uma lufada de ar pelo nariz, como em um suspiro de desdém.
— na realidade, ele é bem frequente –
— se acha que está tão bem assim, não há motivos para que eu me segure – o alfa provocou, revelando as garras.
O conde sorriu, levando o indicador queimado ao queixo, deslizando a ponta cheia de relevos pelo seu lábio inferior, ao mesmo tempo em que um sorriso traquino se moldava em seu rosto.
— pelo seu tempo de raciocínio, posso dizer que você, sem sombra de dúvida, é um alfa desse bando -
Peter rosnou, irritado, antes de avançar contra o mais novo.
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