The Engagement
16 Ponto
Derek estava realmente confuso.
Ele não conseguia entender o que diabos havia acontecido. O moreno de olhos verdes até chamou pelo castanho duas ou três vezes, mas nada ocorreu. Nenhuma resposta fora recebida. O Hale até cogitou ter entrado na porta errada e tratou de averiguar as duas salas ao lado, também não encontrando nada nelas. Ele sabia que havia acertado a porta. O cheiro de rosas e raiva do conde estavam ali, naquela sala, fresquinhos.
Stiles realmente havia adentrado aquela sala.
Derek só não conseguia entender como o conde saíra sem ele perceber. A sala continha apenas uma porta e uma janela para arejar o local. I sangue do Hale gelou quando uma ideia se passou pela sua cabeça. O lobo correu até a janela o mais rápido que conseguiu naquele curto espaço.
“Ele não cometeria suicídio por isso, cometeria?”
“Não. Ele não faria isso”
“Deus, que ele não tenha se jogado pela janela”
Pensava o lobo, enquanto se aproximava do quadrado na parede, que dava acesso ao lado de fora do templo. O Hale suspirou aliviado ao olhar para baixo e não notar sinal nenhum de corpo no chão. O alívio lhe dominou momentaneamente, antes de dar lugar ao nervosismo mais uma vez. Mas dessa vez, o seu nervosismo vinha acompanhado da curiosidade.
Como Stiles havia saído daquela sala?
Porque, sim, Derek tinha a certeza de que o castanho havia adentrado aquela sala antes dele. Ele viu o conde adentrar aquela sala. Ele sentia o cheiro de rosas do outro naquele local. O Hale só não conseguia ver Stiles naquela sala. Derek não era louco. Ele sabia que Stiles havia ido até ali. O moreno de olhos verdes só não sabia como ele havia saído. O lobisomem não conseguia pensar direito com toda a culpa que o rondava.
Logo agora que ele havia decidido seguir em frente com o casamento tinha que acontecer isso?
Derek começava a pensar que alguma força superior não gostava de si e queria apenas lhe foder. Era a única explicação que ele conseguia achar para aquela série de desventuras que vinham acontecendo em sua vida: alguém lá em cima não simpatizava consigo. Mas o que merda Braeden tinha na cabeça para fazer aquilo? Por que raios Derek não usara da força bruta com a loba antes? Por que Stiles tinha que chegar justamente naquele momento? Por que justo quando ele havia conseguido se libertar do controle que os toques de Braeden tinham sobre o seu corpo? Por que, Deus, Derek tinha que ser tão azarado?
O Hale passou as mãos pelos cabelos, desesperado, antes de sair daquela sala e voltar a correr pelos corredores. O moreno se olhos verdes não sabia o que fazer. Ele precisava achar Stiles. Derek precisava explicar para ele toda a situação. Tinha que dizer para o Conde que não queria estar ali, com Braeden. Derek precisava dizer que escolhia ele e não a loba.
Derek correu para casa o mais rápido que conseguiu. O bando Stilinski não tinha muitos lugares para se esconder e isso era um tanto gratificante, no momento. O Hale subiu a grande escadaria da mansão Hale em um curto espaço de tempo que impressionaria Cláudia, que era a mais rápida de todo o bando Hale. A mulher simplesmente pare uma divindade da caça. Tão rápida e silenciosa que nem mesmo a mais rápida das lebres tinha chance de escapar de suas presas.
Quando ele abriu a porta da mansão, fora encarado por um Peter curioso que bebericava um chá no momento. O loiro ergueu uma sobrancelha em questionamento ao modo desesperado como o sobrinho adentrara a sua casa. A expressão de Derek era de puro desespero e seu cheiro não estava muito diferente. Mas assim que sentiu melhor o cheiro do sobrinho, Peter se sentiu temeroso e revoltado. Aquele maldito toque adocicado no cheiro do Hale mais novo atiçara a sua fúria como tio e como alfa.
— por que diabos você está cheirando a mulher, Derek? – questionou Peter, em um sussurro, encarando o moreno de olhos verdes lhe fitar amedrontado.
— onde está o Stiles? – inquiriu o beta de olhos verdes encarando o tio lhe fitar questionador.
Peter não demorou muito para ligar as peças e montar o quebra cabeças em sua mente, vendo a imagem da situação estampada nele. Derek fora flagrado com Braeden pelo Stilinski adolescente e aquilo fizera o conde engolir a raiva e sustentar o orgulho, sumindo da visão do Hale antes que perdesse a postura. O loiro largou a porcelana da xícara sobre o braço do sofá e encarou o mais novo com preocupação. Derek estava tenso, amedrontado e desesperado enquanto cheirava a mulher, como quando ele chegava de suas noitadas.
— por favor, me diga que não estava traindo o conde Stilinski e, para completar a merda toda, você ainda foi flagrado pelo humano – pediu o loiro, levando os dedos ao topo do nariz, o apertando em um pedido de paciência aos céus.
— e-eu não estava traindo ele. Foi a Braeden quem me puxou e tentou me convencer a trair o conde. Mas eu não o fiz! – ditou Derek, rapidamente, enquanto via o tio medir a sinceridade de suas palavras.
— tem certeza de que não o fez? Aquele garoto me parece inteligente demais para acreditar em uma farsa do tipo “vou me jogar nele no momento em que a outra pessoa chegar” – contra argumentou o mais velho, pensativo e desconfiado.
— ele chegou num momento bem crucial, Peter. Se fosse eu no lugar dele, até eu acharia que estava sendo traído – argumentou Derek vendo o tio lhe fitar pensativo.
— me conte exatamente a situação em que ele lhe pegou com essa garota, Derek – ordenou o mais velho voltando a bebericar do seu chá.
— eu estava entre a Braeden e a parede, com aquela maluca abaixada tentando colocar o meu pau na boca. Foi quando o Stiles abriu a porta da sala e nos viu naquela situação. Braeden tentando me chupar e eu a afastando de mim – Derek desatou a falar enquanto andava de um lado para o outro, desesperado.
— ah, meu querido sobrinho, assim também não tem como lhe defender! – exclamou Peter encarando o sobrinho lhe fitar surpreso.
— como é? – indagou o moreno, furioso, já sentindo que estava perdendo o controle com o tio.
— porra, você estava excitado e com o pinto para fora, quase entrando na boca da mulher. Assim não tem como ninguém lhe defender. Você vai dizer o quê? Que ela amarrou uma corda para você se levantar? Que ficou apenas parado, pedindo socorro enquanto ela abaixava a sua calca? – argumentou o loiro vendo o sobrinho lhe fitar indignado.
— porra, Peter! Eu ainda gosto da Braeden? Gosto. Eu namorava com ela antes de meus pais oferecerem a minha mão para o Conde. E eu realmente gostava dela! Não tem eu deixar de gostar de alguém em uma semana. Não é como se eu vestisse uma roupa e os toques da Braeden não fizessem mais efeito no meu corpo. Mas mesmo com ela, mesmo gostando dela, mesmo sendo ela ali, eu resisti e escolhi ele e o bando. Eu escolhi continuar honrando o meu bando, o nome do nosso bando, honrando ele, a mim mesmo, e a essa porra dessa braçadeira mesmo sem gostar dele. Então não me venha apontar o dedo para mim, muito menos me criticar – rosnou o moreno de olhos verdes, irritado, surpreendendo o seu tio.
Peter ficou sem palavras com a reação do sobrinho. Derek estava tão irritado consigo que fora impossível para o lobo mais velho não acreditar no discurso do mais novo. Ele podia ver os olhos do moreno brilharem em dourado, enquanto as veias dos músculos do mais jovem começavam a saltar. Apesar do coração acelerado, o órgão não falhou nem mesmo uma batida durante todo o discurso do mais novo. O homem sabia que não tinha como aquela reação ser atuada. A braçadeira no braço esquerdo do lobo até se expandiu junto dos músculos do mesmo. Derek falava a verdade e o Hale mais velho podia notar isso.
— tudo bem. Tudo bem. Eu acredito em você. Agora, me diga, o que pretende fazer a respeito? Porque eu sinto que sozinha essa situação não irá se resolver. Sem contar que o bando precisa muito daquele garoto e dos ômegas. Desde que conheço o Deaton que ele nunca errou com o bando, Derek. Se ele diz que precisamos desse garoto, então nós não podemos deixar ele ir – argumentou o loiro vendo o moreno lhe fitar irritado.
— não é óbvio? Eu vou achar ele e explicar tudo! – respondeu se virando para a escada.
— e como vai fazer isso? Ele é um humano, Derek, mas mesmo assim é um alfa. E um alfa é o membro mais orgulhosos de um bando. Se o orgulho do alfa é ferido... – Peter disse enquanto bebericava do seu chá.
— o bando inteiro tem o orgulho ferido – o mais novo completou a fala do tio.
— e um alfa com orgulho ferido tende a ser irredutível. Sem contar que ele não pode ouvir o seu coração como nós. Ele precisa de provas, garoto. Sendo assim, se, por causa dessa garota, ele der fim a esse casamento, espero que prepare a si mesmo para ver ela ser castigada, ou pior, banida – o loiro soou calmo, como se banir alguém de um bando fosse a coisa mais natural para ele.
Forçar alguém a abandonar a própria família. Derek preferiria ser morto a ser expulso do bando. Mas o que lhe fez tremer não fora isso, e sim a possibilidade de Braeden ser expulsa do bando. Ninguém o podia culpar de ainda gostar da mulher. Ele era apaixonado por ela. Mesmo que estivesse extremamente furioso com a loba, ele não queria ver a mesma sendo expulsa do bando. Tudo bem que ele concordava que Braeden deveria, sim, ser punida por suas atitudes. Mas um banimento era algo sério demais para que ele não ficasse nervoso.
— acha que a mamãe e o papai poderiam expulsar ela do bando? – questionou o mais novo ouvindo o loiro suspirar com a sensação quentinha do chá lhe aquecendo por dentro.
— eu acho improvável, mas não duvido. Se eles não a expulsarem, decidiremos um castigo bem pesado para ela. Como por exemplo fazer companhia ao Paul no calabouço – respondeu Peter vendo o sobrinho engolir em seco.
“Você realmente gosta dela”. Pensou Peter ao encarar o outro subir as escadas desesperado.
— ele não passou por mim. Logo, se entrou na mansão, fora por alguma janela – ditou vendo o moreno de olhos verdes parar e pular da escada, antes de correr para a saída.
“Acho bom se decidir de vez, Derek. Porque trair um companheiro tendo feito os votos sagrados é um dos maiores pecados de nossa espécie”. O loiro pensou encarando as duas braçadeiras negras em seus braços. “Nunca se deve quebrar um juramento feito para a Lua, meu sobrinho. As consequências podem ser mortais”. O lobo de cabelos loiros finalizou o seu pensamento, antes de levar a porcelana aos lábios, finalizando também o seu chá.
— acho que vou adestrar o Paul, agora – disse inocentemente, se erguendo e caminhando para a cozinha, onde colocaria a xícara para lavar.
Liam estava ficando preocupado. O seu alfa quase nunca se atrasava. Mas lá estava o loirinho, em pé, naquela sala do templo do bando Hale, a espera do castanho de olhos claros, que havia lhe prometido apenas trocar de roupa e lhe seguir logo após. Estaria ele procurando em que sala ele estava? O loirinho achava que não. Assim como o humano tinha a capacidade de atrair seres especiais, como ele gostava de chamar, Stiles também era atraído por eles. Chegava a ser impressionante essa estranha atração. Lembrava-se bem de como Stiles encontrara Corey pela primeira vez. Ninguém havia notado a presença do garoto, mas o seu alfa simplesmente estendeu a mão na direção do nada, antes de o Kanima revelar a sua presença para todos.
O loirinho suspirou, derrotado, antes de cruzar os braços, chateado pela demora. O seu alfa havia ficado responsável por lhe ajudar em sua transformação parcial, mas ele estava demorando demais. Liam não sabia se ficava preocupado ou irritado. Cansado da demora do castanho dos olhos claros, o Dunbar se dirigiu para a porta da sala, se retirando da mesma a passos lentos. Se encontrasse o mais velho, seria bom; se não o encontrasse, estaria tudo bem, também. O garoto sabia como andava a vida do seu alfa nos últimos dias. Primeiro teve um incêndio na mansão Stilinski; depois houve a entrada naquele ambiente hostil; agora havia o noivado para que o seu senhor se mantivesse ainda mais ocupado e preocupado. Então, sim, ele estava satisfeito em não precisar colocar um peso a mais nas costas do seu alfa.
— ele deve ter encontrado o Hale e eles foram dar aquele passeio que marcaram mais cedo – pensou unindo as mãos, agora atrás do corpo, quase cruzando os braços.
— talvez eu devesse procurar um dos gêmeos para me ajudar. Ou quem sabe a Lydia – conversava consigo mesmo, enquanto seguia para o andar de baixo do templo.
Liam estava tão distraído em seus próprios pensamentos sobre tudo o que ocorria ultimamente com ele e o seu bando, que nem notou a porta de uma sala de treinamento aberta a sua esquerda. O loirinho caminhava descontraído e relaxado. Não haveria o porque de imaginar um corpo sendo lançado em sua direção. Mas o Dunbar era um ômega. Os seus instintos quase nunca estavam relaxados. Eles estavam sempre em alerta sobre o ambiente a sua volta e qualquer ser vivo no mesmo. E fora por causa deles que o garoto notou o corpo loiro e não muito alto voar em sua direção. Em um salto para trás, o garoto girou o corpo no ar, realizando um mortal. O corpo do beta atravessou o corredor, passando por baixo do corpo em movimento do ômega. Liam caiu em pé, encarando o corpo do lobo caído ao pé da parede, de qualquer jeito.
— caramba, loirinho! Tu és rápido! – exclamou Mason, surpreso, surgindo no corredor ao ver que ele quase acertou um dos ômegas com o corpo do seu parceiro de treino.
— é por isso que vocês nos temem, não? Porque somos mais desenvolvidos – comentou Liam, inocentemente, não notando o modo como o pomo de Adão do negro se moveu, indicando que ele estava a engolir em seco.
O baixinho estendeu a mão para o loiro jogado no chão, vendo o mesmo lhe fitar um tanto surpreso pela resposta dada ao comentário do seu amigo. Theo estendeu a mão na direção da mão do menor, mas parou assim que viu o baixinho retrair a mesma. Ele encarou, confuso, o baixinho fitar a si e a própria mão, pensativo. Liam se questionava se deveria ajudar o loiro ali jogado. Ele havia feito Erica se sentir mal. Havia pronunciado as palavras proibidas para um Reaper. Isto, sem contar que os betas do bando Hale vinham maltratando a si e a seus companheiros de bando há um tempo. Então, por que os ajudar? Mas logo o Dunbar voltou a estender a mão para o Raeken, que, um pouco envergonhado, a aceitou. O louro mais velho sabia que o, ligeiramente, mais baixo estava pensando se deveria lhe ajudar ou não. Não o julgava. Theo também pensaria duas vezes antes de ajudar alguém que o tivesse destratado como eles fizeram com os ômegas.
— n-não é como se tivéssemos medo de vocês – argumentou Mason, encabulado por ser exposto pelo baixinho daquela maneira.
Os dois betas engoliram em seco e Mason se afastou em um salto ao ver o baixinho girar o rosto bruscamente para lhe fitar com os olhos de cor intensa com um certo brilho assassino. O negro ergueu as garras em resposta, indicando que ele se defenderia caso fosse necessário, mas que não atacaria. Theo viu o mais baixo mover o indicador na direção da palma da própria mão, ouvindo o mesmo estalar. Liam exalava a raiva e frustração, enquanto encarava o seu amigo.
— o primeiro passo para se vencer um medo, beta, é admitir ele existe – ditou o baixinho, fazendo o beta lhe fitar confuso quando ele apenas fechou os olhos, os fazendo retornar a cor normal.
Mason corou ao ver o loirinho negar com a cabeça antes de largar a mão de Theo, passando a abanar com a mesma, em uma despedida um tanto debochada, enquanto se afastava, sorrindo minimamente. Garret se aproximou da porta para encarar o ômega, que desfilava com sua roupa laranja na direção de uma das escadas. O baixinho de calças curtas que exibiam a maior parte das pernas, que mais padeciam calças de criança, parou de abanar a mão no ar, voltando a unir as duas sobre o traseiro, enquanto cantarolava alguma música desconhecida para os betas.
— esse cara parece uma criança, mas ele também parece ser forte – comentou Garret, encarando o baixinho começar a descer os degraus.
Theo observou o ômega de fios loiros lisos descer alguns degraus, antes de desaparecer de sua vista. Ele passou a refletir sobre as palavras do baixinho. O Raeken passou a se perguntar o que poderia fazer para melhorar a estadia do mais novo em seu território. Ele ainda se sentia culpado por ter feito Erica matar dois prisioneiros com a facilidade de espremer um limão para uma limonada, antes de fazer a reaper sair correndo do vilarejo. E para completar, a duvida do baixinho em lhe ajudar a levantar ou não acabou mexendo consigo.
— eu vou descansar um pouco, agora. Pode fazer dupla com o Jackson, se quiser, Mason. Eu vou tomar água – ditou o Raeken, encarando os amigos menearem positivamente.
O loiro se levantou e seguiu para as escadas a passos apressados. Ele apertou um pouco mais o passo assim que alcançou as escadas. O beta desceu os degraus quase que correndo, enquanto via, aos poucos, a imagem do baixinho de boina e calças curtas, ambas da cor laranja, surgir em seu campo de visão. O loiro mais velho parou de correr apenas quando se colocou ao lado do baixinho, vendo o mesmo lhe fitar curioso.
— para onde está indo? – questionou Theo vendo o ômega lhe fitar com uma sobrancelha erguida em questionamento.
— para a mansão Hale – respondeu o baixinho, ignorando o loiro ao seu lado.
— posso te acompanhar, então? – perguntou o Raeken sentindo o odor de raiva ser exalado pelo menor.
— por que? Acha que vou tentar matar um dos seus alfas por poder? – inquiriu Liam vendo o mais alto coçar a nuca, um pouco constrangido.
Theo havia gostado do baixinho. De todos os ômegas daquele pequeno bando, Liam era o que menos causava desconforto em seu círculo de amizade desde o dia em que ele levara comida e vinho para ele e seus amigos na clareira. O Raeken mordeu o lábio inferior, pensando em um jeito de se redimir com o baixinho por tudo o que fizera aos ômegas. Ele não era bom em pedir perdão. O beta de cabelos louros sempre fora o engraçado do grupo. O responsável sempre fora Vernon. Era ele quem sempre sabia o que dizer e quando dizer.
— olha, eu... Queria pedir desculpas, sabe? Por tudo o que fiz – murmurou o mais velho, envergonhado, olhando para os próprios pés enquanto caminhavam.
— não é para mim que você tem que pedir desculpas – o mais baixo soltou, sério, sem encarar o beta ao seu lado.
Theo engoliu em seco.
Liam tinha razão.
— eu sei. É só que... Sei lá. Você foi gentil comigo e com os meus amigos lá na clareira. E eu não fiz nada por você. Eu meio... Que me sinto mal com isso, sabe? – o beta tentou se explicar, encarando o ômega soltar uma lufada de ar pelo nariz, irônico.
— isso é ser gentil. Fazer algo bom sem esperar nada em troca – ditou Liam ouvindo o outro suspirar.
— por favor, Liam. Me desculpa. Eu só estou tentando fazer as coisas certas dessa vez – pediu o Raeken segurando o braço do ômega em uma súbita onda de coragem, vendo o mais baixo parar, suspirando derrotado e lhe fitar ainda com seriedade.
— olha. Vamos começar do zero. Prazer, eu me chamo Theo, Theo Raeken – disse o, minimamente, mais alto, estendendo a mão para o mais baixo.
Theo encarou, nervoso, o ômega de fios loiros olhar para sua mão estendida para ele. O Raeken temia ser rejeitado pelo menor, e ainda mais em público. Já o menor se questionava o motivo de o loiro estar agindo daquele jeito. Ele estava desconfiado, mas, cansado da situação entre os dois bandos, o baixinho resolveu relevar.
— Liam, Liam Dunbar – falou apertando a mão do mais alto com a sua.
Os dois ficaram se encarando por um tempo, antes de o Raeken sorrir divertido para o Dunbar. Liam estreitou os olhos, confuso com o sorriso do loiro e questionou ao mesmo sobre o motivo do sorriso. Theo negou com cabeça, enquanto via o loirinho lhe fitar desconfiado.
— não é nada. É só que... Eu jurava que o seu sobrenome seria Stilinski, também – comentou o beta vendo o membro do bando Stilinski lhe fitar confuso.
— você não se chama Hale. Não é porque pertence ao bando Hale que você vai ter o nome deles – argumentou o Dunbar vendo o loiro mais alto sorrir encabulado.
— touché – murmurou o Raeken, risonho.
Os dois chegaram a escadaria da mansão Hale, sendo encarados o caminho inteiro pelos outros betas, que ao menos tentavam disfarçar o olhar sério para a dupla de loiros. O mais novo se virou para o mais velho bruscamente, o que de certa forma assustou todos os betas, incluindo o Raeken. Liam riu. Ele sabia o efeito que causava nas pessoas por ser um ômega. O garoto podia até não gostar dos betas daquele bando pelo que eles faziam consigo e com os seus amigos, mas ele havia sido educado, principalmente por Stiles, então deveria mostrar como se portar com um bando aliado.
Ele daria o exemplo.
— olha, eu agradeço a companhia. Agradeço também a sua iniciativa de concertar as coisas. Foi bonito de sua parte – disse o Dunbar ajustando a sua boina laranja.
— não foi nada. Eu realmente precisava fazer isso – falou o Raeken encarando o baixinho sorrir nasalado.
— bom, eu já vou entrar – disse Liam dando as costas ao mais alto e se virando para as escadas.
— eu posso fazer uma pergunta? – indagou o Raeken encarando o baixinho se virar para lhe encarar questionador.
— pode – Liam respondeu confuso.
— por que tanto laranja? – perguntou ao se lembrar que, em todos os dias em que viu o loirinho, o mesmo sempre estava trajando algo da cor laranja.
— você não percebeu ainda, não é? – questionou o Dunbar em resposta, deixando o Raeken confuso.
Theo ficou perdido com a fala do menor. Estaria ele deixando algo passar? O loiro parou para pensar, levando uma de suas mãos ao suspensório de sua roupa, passando a brincar com o botão do mesmo, nervoso. E se fosse algo importante que poderia ofender o lobo mais novo? Ele não queria voltar a ser o boca aberta que sempre ofendia os ômegas de alguma forma. Liam sorriu ao ver o outro ficar perdido em pensamentos, antes de suspirar e negar com a cabeça.
— em nosso bando, cada membro tem uma cor – disse o baixinho sorrindo na direção do maior que lhe fitava confuso.
— e por que? – questionou Theo, ainda perdido.
— nosso bando não é reconhecido pelo sobrenome do nosso alfa, mas sim por nossas cores. Stiles é o homem de vermelho, porque não importa o dia, não importa a ocasião ele vai estar de vermelho – disse o Dunbar vendo o loiro mais velho lhe fitar confuso.
— e o que isso tem a ver com você usar laranja? – perguntou vendo o baixinho negar com a cabeça.
— sendo ele o homem de vermelho, nossos somos os cavaleiros que o protegem e também somos reconhecidos por nossas cores. Por isso uso sempre laranja e é, justamente, por isso que me chamam de cavaleiro laranja – explicou o mais baixo, antes de acenar para o loiro, se despedindo, e subir as escadas correndo, deixando um Theo pensativo e surpreso para trás.
No escuro daquele ambiente, o Conde se mantinha cabisbaixo encarando o chão negro com seriedade. Ele precisava pensar. Precisava mesmo pensar. Stiles não deveria tomar uma decisão tão importante com a cabeça quente daquele jeito. Havia muita coisa em jogo para ele tomar uma decisão tão importante naquele estado alterado em que se encontrava.
A raiva lhe consumia o peito com a mesma velocidade em que uma cobra se enroscava ao redor da presa, a asfixiando.
Ele precisava se acalmar. É fácil falar quando não se foi feito de idiota naquele acordo. O humano respirou fundo, olhando para a sua bengala em sua mão. O Stilinski precisava relaxar. Lembrar da cena do seu pretendente com aquela loba lhe deixava furioso. Ele sentia uma vontade enorme de destruir tudo, mandar tudo para o inferno. Queria poder dizer para tudo ir a merda e simplesmente destruir aquele vilarejo inteiro.
Como Derek tinha a coragem de lhe pedir para pensar em seguir em frente com o noivado, se ele estava se envolvendo com aquela loba? Stiles estava indignado. A sua vontade era de reunir o seu bando na entrada da mansão Hale, estender a mão para a frente e ordenar para que eles matassem todos. Não seria o primeiro bando de duzentos lobos o seu bando reduziria a apenas lembranças, mas seria o primeiro que ele iria fazer com tanta fúria. Muito menos seria o maior que ele já teria destruído, mas seria o que ele mais teria prazer em o fazer. Ou talvez fosse o segundo. Se lembrava bem da sensação revigorante que tomara o seu corpo e banhou a sua alma ao perfurar o coração do alfa primordial de um bando que não apenas lhe menosprezada, como também lhe agredira.
O castanho suspirou, apoiando a cabeça na pedra vermelha. A sua tentativa de se acalmar se tornava mais evidente a cada momento que passava. O seu alívio era saber que não havia ninguém ali para ver o modo desesperado com o qual tentava se acalmar.
— eu preciso de um tempo disso tudo. Eu preciso pensar – o castanho murmurou fechando os olhos.
Stiles permaneceu ali, sentado naquele lugar escuro, apenas com a testa colada na pedra vermelha, enquanto respirava fundo tentando se acalmar. E foi assim, distraído em seus pensamentos e preocupações, que o rapaz de cabelos castanhos não percebeu uma neblina densa tomar o local. Algo surgiu do chão, antes de se afundar no mesmo, logo ao lado. Isso continuou se repetindo ao redor do castanho. O corpo era longo e extenso, permitindo que, mesmo que rondasse o castanho, partes do seu corpo continuassem expostas, ondulando e criando arcos sobre a superfície.
— hm? O homem de vermelho tem uma fraqueza? É isso mesmo o que eu estou vendo? – uma voz grossa e sensual ecoou pelo ambiente forçando o castanho a erguer o olhar lentamente.
— não reconhecer a sua própria fraqueza não é ser forte. É ser tolo – argumentou o castanho vendo o corpo surgir na neblina e logo mergulhar na mesma. Uma rizada grossa e lenta ecoou.
— aí está o humano que já deixou bandos inteiros em cinzas – a voz voltou a ecoar e o corpo escondido na névoa parou de se exibir, fazendo todos os arcos que seu corpo formava retornarem para o interior do solo.
— o que eu faço? – indagou o castanho vendo dois pontos vermelhos iguais a sua pedra surgirem a sua frente, em meio ao nevoeiro, indicando que ele estava sendo observado.
— a vida é como um corpo de cobra a serpentear, garoto. Você pode fazer curvas, subir, descer e até cair. Mas você deve fazer tudo isso tendo um ponto como objetivo. E você tem que reconhecer quais curvas levam até o ponto que você tem como alvo – a voz ecoou no ambiente e o humano sorriu vitorioso com um olhar predatório.
— qual é o seu objetivo, Stiles?
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