Derek estava mais do que desesperado.

A sua família inteira já estava sabendo do seu “deslize” com Braeden. É claro que Talia ficou bastante furiosa consigo, assim como Alexander. Os dois alfas só faltaram perder a voz de tanto que gritaram consigo assim que o rapaz chegou ao estábulo, a procura do conde. Mas assim que ouviram os fatos pelo moreno de olhos verdes, eles pareceram relaxar um pouco. Na verdade, eles passaram a se culpar mais do que a culpar o filho. Cláudia os havia alertado para tomarem cuidado com Braeden, dizendo sentir algo errado quanto a mulher. Eles sabiam que a loba tinha instintos poderosos, mas mesmo assim erraram em não tomar o cuidado devido assim como a castanha os alertara. Os dois se sentiam tão frustrados por não esperarem que a mulher desse aquele trabalho logo tão cedo.

A família Hale estava nervosa. Aparentemente, o bando Stilinski não sabia bem como reagir ao fato de Derek ter quase se envolvido com uma mulher enquanto estava noivo do seu alfa. Os mais velhos estavam tranquilos. Lydia, Scott, Isaac, Allison e Kira até tranquilizaram o moreno de olhos verdes. O que surpreendeu a todos da família Hale e aos membros do bando de ômegas que não gostaram nada da ideia. Ethan, Aiden, Corey, Liam e Erica não paravam de encarar Derek com os olhos brilhando em suas devidas cores com extrema raiva. Eles se quer suportavam olhar para o Hale sem expressar todo o nojo que sentiam.

— se você conseguiu afastar essa vadia de si, mesmo se excitando com os toques dela. Então você escolheu ele, um tanto tarde, mas escolheu – foram as palavras de Allison para o lobo, enquanto apertava o ombro do mesmo suavemente.

Derek ficou tão aliviado com as palavras da morena, que se quer se incomodou do toque em seu ombro ser o de uma caçadora. Naquele momento, ele notou como a caçadora era diferente dos outros caçadores. O modo como ela tratava a todos como se fossem da mesma espécie era surpreendente perturbador. Os lobisomens, principalmente, já haviam sofrido tanto nas mãos de caçadores, que era um tanto impossível de acreditar que Allison realmente era uma Argent. Um membro da mais famosa família de caçadores.

— só não espere compreensão de nossa parte caso isso se repita – Lydia fez questão de lembrar, enquanto encarava o lobo com seriedade.

Já Liam, Erica, Corey e os gêmeos, cruzaram os braços para o lobo de olhos verdes, encarando o mesmo com intensidade. Derek não os culpava por suas atitudes. Ele sabia que merecia aquilo, de certa forma. Contudo, ele se mantinha mais preocupado com o humano de olhos castanhos. Já era noite e nada do alfa jovem de cabelos castanhos. Derek até convocou os amigos em sua casa para que eles pudessem lhe ajudar a procurar pelo rapaz pelo território.

Eles procuraram por todo o território Hale. Estábulos, casas, templo, mansão, mas não encontraram sinal algum do humano. Se quer o cheiro do mesmo eles podiam sentir. Isso fez Derek começar a perder a cabeça para o desespero, se afundando mais ainda no mesmo. O moreno de olhos verdes adentrou a mansão com pressa, sendo seguido pelos amigos. Todos eles estavam exaustos e arfantes.

— ele voltou? – perguntou Derek vendo os tios e os pais negarem com a cabeça.

Estranhamente, eles não estavam se quer decepcionados com o rapaz, naquele momento. Derek estava se mostrando muito arrependido para um ato que nem fora e, segundo ele, nem seria completamente feito. Mas o que mais deixava os alfas com uma certa pena do rapaz, era que ele estava suando muito para concertar uma situação ruim que nem fora causada totalmente por ele. De faro, o homem demorara para afastar a loba de si, e que tudo aquilo seria evitado caso ele tivesse sido forte desde o começo da situação. No entanto, por outro lado, eles compreendiam a falta de força no mais novo para com a mulher. Quando gostamos de alguém, gostamos mesmo, aquela pessoa não precisa de muito para fazer nossas forças se esvaírem ao ponto de mal conseguirmos nos manter de pé. As pernas treme, o coração acelera, a pele fica quente, sensível e arrepiada. A vermelhidão nos toma o rosto e a ansiedade nos domina completamente.

Derek fora mais vítima do seu próprio peito do que da loba enlouquecida de paixão.

— ele se quer se aproximou daqui – ditou John vendo o mais novo rosnar para o vento, antes de bater com a testa no batente da porta da mansão.

— eu vou procurar por ele de novo – ditou antes de se preparar para descer as escadas correndo.

— não adianta – a voz de Liam alcançou os ouvidos do moreno de olhos verdes e o homem parou no esmo lugar, antes de se virar para encarar o adolescente no canto da sala.

Liam lhe encarava com seriedade, enquanto estava de braços cruzados atrás do próprio corpo, em uma pose de superioridade. O rapaz se aproximou da porta da mansão a passos firmes, porém calmos, antes de fechar a mesma com uma das mãos, impedindo que o os lobos saíssem a procura de seu alfa mais uma vez. Derek o encarou confuso. Jackson lhe encarou perdido, assim como Mason, esperando por alguma reação do moreno de olhos verdes.

— Liam, olha, eu sei que você não gosta do Derek nesse momento, baixinho. Mas a decisão de perdoar ou não, não depende de você – argumentou Theo, suavemente, encarando o loiro mais novo sorrir nasalado, irônico.

— eu não me lembro de ter dito que queria tomar a decisão no lugar do meu alfa – soltou o loiro de calça laranja cruzando os braços atrás do corpo, novamente, antes de começar a caminhar para o mesmo canto de onde viera.

— então por que não nos deixa procurar por seu alfa? – questionou Lance vendo o loirinho encarar o lado de fora pela janela.

— o nosso alfa não quer ser encontrado. Se ele não quer, então vocês não vão encontrar ele – respondeu o Dunbar ouvindo Derek suspirar irritado.

— olha, eu sei que você é um beta do Stiles, mas não vai ser você que vai me impedir de achar ele – ditou o moreno de olhos verdes, se preparando para abrir a porta da mansão novamente.

Derek fora parado quando ele tentou puxar a porta, mas a mão não se moveu, muito menos a porta. O moreno de olhos verdes encarou a sua própria mão, confuso, sentindo algo a envolvendo. Logo a imagem de uma mão se formou sobre a sua. A imagem foi se expandindo, como se aos poucos alguém fosse pintando um quadro, até revelar Corey, parado, segurando a mão de Derek, impedindo que o Hale abrisse aquela porta.

— o que ele quis dizer, é que o nosso alfa não pode ser encontrado – disse o moreninho encarando o moreno mais alto lhe fitar surpreso. Derek viu o rapaz desaparecer novamente, antes de ouvir os passos do mesmo, enquanto este se dirigia até Liam.

— como assim ele não pode ser encontrado? – indagou Garret, confuso.

Não havia um humano que pudesse fazer isso. A não ser que esse humano fosse um caçador. Caçadores sabiam lidar com lobos e outros seres mais fortes do que eles. Nem a guarda real, que tinha recursos, poderia simplesmente sumir com alguém, em poucas horas, sem que um lobo pudesse lhe encontrar.

— não pode. Simplesmente não pode. Quando o Stiles some assim ninguém o encontra. Nós já tentamos isso por anos, mas nunca o encontramos – explicou Isaac vendo os lobos lhe fitarem confusos.

— e como ele faz isso? – questionou Peter, vendo todos os ômegas darem de ombro.

— está fora de nosso alcance fornecer essa resposta – disseram em um coro assustador, ignorando completamente os olhares assustados e perdidos.

— e por que esconderiam algo de nós? – questionou Alexander encarando os betas aliados confuso.

— precisamos mesmos responder? – questionou Aiden em um tom de voz irônico.

— Aiden – repreendeu Scott.

— não adianta. Você pode ser o mais antigo, mas não manda em nós. Somos tão comandantes quanto você – ralhou Ethan, confiante, encarando o moreno de queixo torto cerrar os punhos e olhos, rosnando baixinho.

— eu vou esfregar a sua cara no chão, se não ficar quieto – rosnou o moreno de olhos castanhos e os gêmeos se viraram para si.

— quero ver tentar – rosnaram os gêmeos em resposta.

Peter sorriu animado.

Cora e Malia gritaram.

Heather se encolheu.

No mesmo instante, Scott saltou o sofá, se dirigindo para os gêmeos, que avançaram em resposta. Os membros do bando Hale fitaram a cena assustados, principalmente os alfas, que já haviam presenciado o quão violentos aqueles ômegas poderiam ser. Erica e Liam apareceram no meio dos dois lados do confronto. Erica garrou o punho de Scott, enquanto Liam agarrava os punhos dos gêmeos e os colocava debaixo dos braços, os abraçando com força.

Peter parou de sorrir.

O loiro ficou desapontado com a interrupção. A loira forçou o punho do moreno para baixo, mas Scott conseguiu fazer força o suficiente para impedir que a loira lhe imobilizasse daquele modo. Já Liam, não pareceu ser o suficiente para conter os gêmeos. Aiden e Ethan ergueram os punhos, que eram envolvidos pelos braços do ômega mais novo, consequentemente erguendo o baixinho.

— não vai conseguir nos conter dentro de casa com facilidade – os gêmeos soaram em uníssono, sorrindo para o baixinho.

— não me obriguem a fazer isso. Sabem o que posso fazer com vocês dois – rosnou Liam encarando os gêmeos com seriedade. Os seus olhos estavam fixos nos da dupla a sua frente, que lhe fitavam da mesma forma.

— sabe que podemos fugir de qualquer predador – argumentaram os gêmeos em uníssono, com sorrisos vitoriosos para o impasse que era gerado entre eles e Liam. Os dois sabiam da força do mais novo, assim como este sabia de sua incrível habilidade de infiltração.

— voltem para os seus lugares de forma educada. Se comportem – ordenou Kira vendo o mais antigo membro do bando rosnar uma última vez, antes de se recompor e, lentamente, retornar para o seu lugar.

— típico – Ethan provocou sorrindo ladino.

Scott parou no mesmo lugar, antes de rosnar e se virar para os gêmeos novamente. O moreno de queixo torto conseguiu desviar de Erica. Saltando, o McCall colocou a mão nas costas da loira, a usando de apoio para tentar acertar um chute no rosto de Ethan, que se preparava para rasgar a pele da perna do lobo com as garras.

Mas os seus membros pararam e uma leve dor surgiu nos mesmos quando eles pararam de se mover. Scott caiu em pé, e Ethan puxou o braço para si, encarando o mesmo. Logo o som de madeira caindo no chão alcançou os ouvidos lupinos, juntamente com o som de uma pedra. Eles olharam para a origem do som, todos puderam ver uma bengala negra com uma grande pedra octogonal vermelha na ponta superior caída entre Scott e Ethan, ao lado de Erica e Liam.

— sinceramente! Eu resolvo sair por algumas horas, somente algumas horas, e vocês já se sentem donos de tudo, novamente? – a voz de Stiles ecoou pelo local e todos olharam surpresos para o topo da escada.

— Stiles – murmurou Derek surpreso, assim como todos ali.

Instantaneamente, os ômegas abaixaram as duas cabeças, reverenciando o homem de vermelho em um pedido mudo de desculpas. Mas algo os incomodava. O modo como Stiles falara. O rapaz estava visivelmente furioso. Ele nunca os tratava daquela forma fria e superior.

— quando chegou? – questionou Cláudia vendo o castanho dar de ombros.

— estou no meu quarto a tarde inteira – respondeu o conde surpreendendo todos os membros do bando Hale.

— e como não sentimos o seu cheiro? – questionou Laura encarando o rapaz, desconfiada.

— coloquei os lençóis na fresta inferior da porta e usei incensos que disfarçam o cheiro. Não tinha como o cheiro de nada sair para o corredor. E as janelas estavam fechadas – respondeu o conde e logo Corey surgiu a sua frente, segurando a sua bengala. O humano acariciou os cabelos do rapaz, antes de lhe beijar a testa, Corey sorriu em apreço ao ato.

— o alfaiate não deixou muitas roupas. Não sabíamos que cor você iria dar para a Heather, então não pedimos muito – disse Allison vendo o castanho assentir.

Derek avançou contra a escada, normalmente. Ele já havia encontrado o conde, não havia motivos para correr. Mas assim que ele alcançou as escadas, o humano o parou com um erguer de mão, lhe encarando com seriedade. O Hale até abriu os lábios para tentar falar com o humano, mas o mesmo logo lhe cortou.

— não vou jantar, hoje. Estou me retirando, no momento. Tenham uma boa noite – ditou o Stilinski se virando para voltar ao corredor do andar de cima, mas fora impedido quando Derek lhe chamou.

— eu preciso conversar com você – disse o moreno em um tom nervoso, encarando o conde com um olhar pedinte.

— amanhã – falou Stiles sem se quer encarar o lobisomem.

— por favor – pediu o lobo de olhos verdes subindo alguns degraus.

— amanhã – disse o humano começando a caminhar na direção dos quartos.

— Stiles, eu... – o moreno de olhos verdes voltou a argumentar.

Derek subiu mais um degrau, mas fora interrompido tanto na fala quanto no movimento pelo próprio humano, que lhe fitou sério, com expressão de poucos amigos, quando bateu com a bengala no chão com força, causando um estrondo alto. O moreno de olhos verdes travou com o olhar do humano sobre si.

— eu disse amanhã – ralhou o humano com seriedade e o moreno de olhos verdes engoliu em seco.

O lobo nada disse. O homem não conseguia falar nada. Derek não conseguia engolir o bolo que se formou em sua garganta assim que o conde lhe lançou aquele olha sério por sobre o ombro. Ele se sentiu acuado, chateado e amedrontado. O Hale temia o alfa de ômegas, mas também se sentia chateado por não poder ser ouvido como deveria ser por seu noivo. No entanto, Derek não culpava o seu parceiro. Ele sabia muito bem que estaria irredutível da mesma forma se fosse ele no lugar do castanho. A sua raiva por Braeden retornou. A loba havia causado aquilo. Ela fora a culpada por tudo aquilo. Se ela simplesmente aceitasse que ele não podia mais, se ela se afastasse. Se houvesse alguma coisa que pudesse afastar a loba de si, a forçar a desistir de si.

O Hale olhou para a braçadeira em seu braço com certa indignação. Aquela merda não havia servido de nada, no final das contas. Braeden havia se aproximado de si, até demais, mesmo com aquela merda alertando para ela se afastar. A vontade de Derek era de destruir aquelas pedras negras e correr até o druida para que ele fizesse uma mais forte.

— posso lhe ajudar com ele, se quiser – disse Lydia vendo o quão cabisbaixo o moreno de olhos verdes havia ficado após a saída do castanho de olhos claros.

— poderia fazer isso por nós? – indagou Laura, suavemente, vendo a ruiva sorrir para si, minimamente.

— eu só preciso do símbolo de fidelidade dele. Eu conheço um ritual para dizer se um símbolo de fidelidade foi desonrado ou não – disse a ruiva se erguendo e caminhando para o moreno de olhos verdes.

— e como isso funciona? – questionou Theo encarando a ruiva colocar a mão sobre a braçadeira do moreno de olhos verdes que a fitava confuso e esperançoso.

— é simples. Eu faço o ritual na braçadeira do seu amigo e o que ocorrer com ela nos diz se o seu amigo traiu ou não o meu alfa – disse a ruiva antes de levar a mão ao peito, onde estava um colar com uma pedra púrpura.

A mulher passou a recitar palavras estranhas, as quais não faziam sentido nenhum para os betas. Mas os ômegas e alfas reconheciam algumas delas. Lydia finalizou o ritual se afastando de Derek, recolhendo a mão para si. Todos observaram com bastante atenção a braçadeira no braço de Derek, esperando alguma reação da mesma, no entanto, nada ocorreu. Lydia sorriu para o moreno de olhos verdes e lhe tocou o ombro.

— tudo bem, e daí? Não aconteceu nada – apontou Jackson vendo a braçadeira continuar a mesma no braço do seu amigo.

— então é isso. Derek Hale ainda é fiel ao nosso alfa – disse a ruiva se afastando para se sentar novamente.

— como sabe disso? – perguntou Theo encarando a ruiva se sentar elegantemente.

— a braçadeira do seu amigo é o símbolo da fidelidade dele para com o Stiles e essa aliança. Em outras palavras, aquelas pedras ao redor do braço do seu amigo são o corpo físico da fidelidade dele para com o meu alfa – explicou a ruiva vendo os lobos menearem positivamente.

— se Derek tivesse traído o Stiles, ou seja, matado a fidelidade dele, a braçadeira dele teria se desfeito em pó quando o ritual acabasse – ditou a banshee vendo os pais do moreno de olhos verdes o fitarem orgulhosos e um tanto culpados por gritarem com o rapaz mais cedo.

— pode dizer isso para ele? – indagou Derek, esperançoso, vendo a fada negar com a cabeça, lhe deixando desapontado.

— não agora – respondeu a ruiva.

— Como ele mesmo disse, deixaremos isso para amanhã, Derek. Deixe-o descansar e pensar um pouco. Ele é inteligente. Tenho certeza de que vai enxergar a verdade sem que precise que você a revele para ele – ditou Allison ouvindo Heather bocejar ao seu lado.

— boa noite – murmurou a garota antes de seguir para um canto da sala e começar a se deitar no mesmo.

— o que está fazendo, querida? – perguntou Cláudia vendo a garota rolar no chão, tentando achar uma posição confortável, aproveitando para deixar o seu cheiro no local.

— indo dormir – respondeu a menina, sonolenta.

— mas a gente se quer jantou – argumentou Jackson.

— está tudo bem. Ela passou a atarde inteira comendo – disse Peter sorrindo ao lembrar como a garota comera de forma quase desesperada.

Ele sorria não da situação da pequena, mas sim por poderem fornecer toda aquela comida para a ômega faminta.

O jeito natural da garota apertou o peito de Talia e Cláudia, assim como John, Alexander e até mesmo o de Peter. Todos eles ali eram pais de uma garota na idade de Heather. Ver o jeito natural com que a garota se reduzia os deixava com o peito apertado. Eles imaginavam o aperto que aquela garota não passou para sobreviver até ali.

— oh, não, minha querida. Nós temos quartos o suficiente para você não ter que dormir no chão – Talia disse suavemente, vendo a garota lhe fitar sonolenta.

— então eu vou ter um quarto? – perguntou em um bocejo, enquanto esfregava os próprios olhos.

— mas é claro que vai! – exclamou Laura vendo a garota se erguer do chão, com um sorriso cansado pelo sono.

— eu posso ir para ele, agora? – indagou vendo Laura se erguer e estender a mão para si.

— venha! Eu vou levar você até ele. Dê boa noite para todos – a loba falou e logo a garota agarrou sua mão com uma força incrível para uma criança. A menina fez como a mulher pediu e logo a acompanhou para as escadas.

— eu vou para o meu quarto – anunciou Derek, subindo as escadas logo atrás da irmã mais velha e da pequena ômega.

— não vai comer? – indagou Garret.

— não! Eu estou sem fome. Boa noite – respondeu o moreno de olhos verdes já no andar de cima, encarando a porta fechada do quarto do seu noivo.

— é impressão minha, ou aquela garota só tem o cheiro de uma ômega? – indagou John encarando os ômegas lhe fitarem confusos.

— quer dizer, ele não me parece ser violentamente louca, como os ômegas são. Vocês são assim, creio eu, pelo tempo que já passaram com o seu alfa, estou correto? – indagou o homem de cabelos castanhos vendo Isaac tomar a frente no assunto.

— está, sim. Antes de encontrarmos o Stiles, nós atacávamos até as nossas próprias sombras. Mas o comportamento de Heather ainda é comum. A loucura de alguns ômegas costuma estar relacionada a um lado dele. Alguns ômegas podem se tornar loucos ao presenciarem violência e sangue. Outros podem se tornar louco apenas no momento em que se sentem ameaçados, alguns podem se tornar loucos apenas quando dormem, e outro somente quando se irritam – explicou o loiro de cabelos encaracolados, vendo os lobos menearem positivamente.

— não sabemos a que lado de Heather a loucura dela está relacionada. Por isso Erica vai ficar acordada a noite toda hoje, para vigiá-la enquanto dorme – ditou Lydia vendo a loira menear positivamente para si, ainda encolhida em seu canto, devido a presença dos Hales, principalmente dos amigos de Derek.

Vernon se levantou cansado. O rapaz sentia a garganta seca e aquilo o incomodava ao ponto de lhe tirar o seu sono. O lobo abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando produzir mais saliva, mas a mesma não fora o suficiente para dar jeito em sua situação. O lobo de pelos negros se transformou novamente em humano, antes de vestir apenas a sua calça e tentar sair do quarto com cuidado para não acordar nenhum dos amigos que estavam deitados em duplas e trios naquela noite fria.

Ele tentou não rir ao ver Jackson de barriga para cima e patas encolhidas entre as costas de Theo e Lance. A cena ficava um pouco mais engraçada com o lobo do meio estando de boca aberta e cabeça jogada para trás. O negro fechou a porta do quarto de Derek com cuidado, antes de se virar para o corredor e seguir para as escadas. Vernon estranhou, um pouco, o cheiro que sentia naquele corredor. Parecia creme de queijo e mel. Uma combinação estranha. Ele se lembrou de que o Conde não havia jantado e, segundo Derek, o rapaz gostava de fazer lanches noturnos. O lobo fez uma careta ao imaginar o rapaz comendo aquela mistura provavelmente pouco saborosa.

Ao chegar no topo das escadas, Vernon sentiu o cheiro se tornar mais forte e foi quando ele viu uma mão pálida acariciar o corrimão no fim da escada, antes de desaparecer na direção do corredor. O lobo fitou aquilo, confuso e desconfiado. Não havia como não ficar curioso com aquela cena.

O negro engoliu o receio e passou a descer os degraus lentamente, sempre encarando a lateral da escada que dava para o corredor. O homem chegou aos pés da escada e se inclinou para encarar o corredor, notando a mesma mão pálida deslizar pela parede, como se acariciasse a mesma. O negro viu a mão sumir no corredor perpendicular e engoliu em seco antes de, ignorar a sua sede e seguir a mão pálida.

Quando o lobisomem chegou ao corredor perpendicular, ele viu a mesma mão pálida deslizar pelo batente da porta da biblioteca, antes de adentrar a mesma. O homem engoliu em seco, nervoso, antes de caminhar a passos lentos na direção da biblioteca. O negro abriu, lentamente, a porta do cômodo, que estava apenas encostada, vendo a mão pálida sumir por entre as estantes.

— está de brincadeira – sibilou mudo, antes de seguir a mão com o coração na mão.

Só Deus sabe o quanto aquele rapaz se sentiu aliviado em encontrar uma loira de cabelos cacheados ali, escolhendo um livro e não algum tipo de coisa do outro mundo. O negro respirou fundo, se apoiando na estante, quase que derrubando a mesma. Ele se assustou ao ver o movimento do móvel e mordeu um lábio inferior. Se o seu objetivo era ser discreto, o plano fora por água abaixo naquele momento.

— tome cuidado. A queda de um móvel desse porte pode acordar pelo menos metade dos membros do seu bando – alertou a loira, guardando um livro no lugar e puxando o livro que estava na prateleira de baixo, ignorando completamente a imagem do homem ao seu lado.

— m-me desculpe. Eu não pensei que pudesse virar a estante só por estar apoiado – pediu o negro vendo a loira folhear o livro por algum tempo, antes de bater com o mesmo na palma da mão.

— está tudo bem – ditou a loira se virando para o negro, vendo o mesmo lhe observar nervoso.

— o que faz aqui? – indagou o lobo, curioso, vendo a híbrida lhe fitar questionadora, antes de erguer o livro.

— não. Me desculpe, eu quis dizer o que faz acordada – o rapaz se corrigiu vendo a moça lhe fitar, ainda, com seriedade.

Aquela era a expressão da ômega desde o comentário de Theo para com a sua forma animal. Antes do incidente com os caçadores, Erica sorria e tentava ser gentil com todos. Mas, desde o ataque, a garota sustentava uma única expressão: vazio. Uma seriedade que não transparecia nada além de tédio.

— eu estou vigiando Heather. Mesmo sabendo que ela não é uma ômega cuja loucura está ligada ao sono – respondeu a loira começando a caminhar para o lado de fora da biblioteca

— e como sabe que a loucura dela não está ligada ao sono? – questionou o negro vendo a loira encarar o relógio um pouco distante.

— porque já são três da manhã e ela ainda dorme. Se fosse uma ômega de loucura ligada ao sono, ela teria enlouquecido algum tempo depois que pegasse no sono – explicou a loira vendo o homem menear positivamente.

— entendo – fora tudo o que o Boyd dissera, enquanto seguia a ômega para a sala.

O silêncio tomou o controle da situação, deixando o rapaz nervoso. Ele não sabia o que dizer para a moça. Ela estava reclusa e acuada desde que Theo fizera aquele comentário naquele dia. Vernon não sabia se poderia ofender a loira se falasse qualquer coisa relacionada a aquele dia, mas ele também não conseguia pensar em outra coisa para falar.

Embora ele gostasse do silêncio, estranhamente, aquele era incômodo para si. O lobo de pele negra coçou braço, um tanto nervoso e incomodado. Ele sentia uma estranha necessidade de falar com a moça a sua frente. O que era estranho. Vernon raramente falava com pessoas que mal conhecia.

— e você? O que faz acordado? – inquiriu a loira ao ver o desconforto do mais alto.

— eu... acordei com a garganta seca e vim tomar água – respondeu o lobo apontando para a cozinha, assim que atingiram a sala. A loira se virou, questionadora.

— se queria tomar água, o que foi fazer na biblioteca? – indagou vendo o lobo deslizar o dedo atrás da orelha, nervoso.

— eu vi você deslizando a mão pelas paredes e fiquei curioso para saber quem seria – respondeu o Boyd vendo a loira lhe fitar confusa.

— mas eu não deslizei a mão pela parede – argumentou a moça de cabelos cacheados vendo o negro a sua frente lhe fitar surpreso e engolir em seco.

— n-não foi você? – perguntou receoso.

Erica negou com a cabeça, desconfiada, e o homem a sua frente desviou o olhar para o corredor, mordendo o lábio inferior nervoso. O nervosismo de Vernon se tornou confusão ao ouvir a risada baixa de Erica. O rapaz a encarou, vendo a loira cobrindo os lábios com uma mão, enquanto a outra segurava o livro. A garota negou com a cabeça ainda rindo.

— fui eu, sim. Pode ficar tranquilo. Não tem nada nessa casa – disse a ômega começando a subir as escadas.

— pelo menos não que eu saiba – completou assim que atingiu o andar de cima, perdendo o sorriso divertido do negro, enquanto o mesmo negava com a cabeça.