Derek se levantou desanimado e nervoso. Hoje seria o dia em que se explicaria para Stiles. Ele sabia que o Conde estaria irredutível e bastante difícil de ser convencido pelos fatos desconhecidos por ele. Isso lhe deixava apreensivo. E se apenas as suas palavras não fossem o suficiente para deixar o castanho ciente da verdade? E se tudo fosse por água abaixo por ele não ser bom o bastante? Por ele não ter sido forte o bastante para escolher o que deveria fazer desde o começo?

Derek sentia o corpo tremer de temor. Ele não conseguiu dormir direito naquela noite. O homem teve pesadelos sempre que caia no sono. Em todos eles o bando Hale era atacado por um bando enorme, que conseguia dominar todo o território em questão de minutos. Ele e sua família sempre iam atrás do bando Stilinski, do outro lado do vilarejo, sendo perseguidos. Mas quando batiam na porta do castanho, o mesmo fechava os portões para si. O Hale tremeu no banho ao se lembrar de imagem de Stiles, sentado na varanda da imagem que ele tinha da mansão Stilinski, enquanto encarava a família Hale ser morta do outro lado do portão. O castanho tinha uma expressão de divertimento enquanto bebericava do seu chá, calmamente, se deleitando com os gritos de súplica e dor dos lobos. E só quando a ameaça invadia o território do Conde, é que o mesmo fazia alguma coisa.

Derek tinha tempo apenas de ver Erica se transformar e os gêmeos se unirem, antes de alguém agarrar firmemente em seu queixo e seus cabelos, antes de a sua visão se tornar turva, com a sua cabeça sendo girada para o lado com velocidade, para em seguidd tudo ficar escuro e o moreno de olhos verdes acordar, suado, desesperado, se debatendo em sua cama.

O Hale até mesmo desistiu de voltar a dormir, pois sempre tinha pesadelos e, quando acordava, acabava por acordar os seus amigos, que dormiam no chão do seu quarto em suas formas lupinas. O moreno pedia desculpas quando via todos erguerem as cabeças, confusos, olhando em sua direção.

O filho do meio de Alexander e Talia se vestiu, enquanto os amigos começavam a acordar aos poucos. O moreno de olhos verdes se encaminhou para um dos criados, puxando uma das gavetas e revelando a caixinha que o Conde lhe dera de presente. O lobo agarrou a mesma entre os dedos e fechou a gaveta, se jogando sentado em sua própria cama.

— eu devia ter usado isso mais cedo – murmurou decepcionado, abrindo a caixinha octogonal e vendo os dois lobos dourados, posicionados de forma que um ficasse com a cabeça para a calda do outro, como se brincassem em círculos.

— não adianta se martirizar agora, Derek – ditou Vernon surgindo do banheiro do quarto do Hale, encarando o mesmo olhar fixamente para os brincos em suas mãos.

— eu sei. Eu só queria não ter ficado nessa situação – murmurou o moreno de olhos verdes, pegando um dos brincos e começando a colocar o mesmo em sua orelha.

Se ele queria mesmo provar a Stiles que não tinha intenção alguma de se envolver com Braeden, ele tinha que fazer isso mostrando que estava pronto para aceitar a sua posição naquele tratado e cumprir o seu papel ali. Era o que ele pensava, e era o que ele iria fazer. Derek fixou o primeiro brinco em sua orelha, antes de começar a colocar o segundo.

— você vai mesmo usar isso? – questionou Garret encarando o moreno de olhos verdes menear positivamente.

— eu já enrolei demais, Garret. E olha no que deu! – respondeu Derek encarando o amigo dar de ombros.

— eu sei que seus pais disseram que precisamos deles e tal, mas eu não vejo muita vantagem em sacrificar um futuro desse jeito por um bando com menos de trinta pessoas. E para completar, o alfa é um humano – argumentou o loiro vendo o moreno de olhos verdes e Vernon lhe fitarem surpresos.

— não se lembra do que ele fez com o Paul? Qual é o humano que consegue tirar o sangue de um lobisomem usando uma bengala, Garret? – inquiriu o Boyd vendo o loiro cruzar os braços diante do peito.

— ele deve ter feito algo na bengala. A ruiva é uma fada. Ela pode muito bem ter enfeitiçado aquele pedaço de madeira inútil – respondeu vendo os amigos ficarem pensativos.

— e o lance de ontem? Aquele cara conseguiu acertar dois betas perfeitamente com um arremesso só. Literalmente dois lobos com uma cajadada – argumentou Theo vendo o mais alto sorrir ladino.

— eles tem uma caçadora, pode ter sido treinado. Muito bem lembrado, por sinal. Um bando minúsculo onde se tem dois humanos – rebateu Garret encarando o mais baixo aceitar o argumento. Era muito provável para Theo conseguir destruir o seu argumento com qualquer outro.

— eu não posso dizer que quero começar a levar uma vida de casado com ele. Mas digo que, pelo meu bando e pela honra de minha família, eu vou fazer. Não me interessa se eles parecem ser pouco pão para um saco de moedas, para você. Eu confio nos meus pais... e nele – ditou o Hale encarando o loiro dar de ombros, debochado.

— a vida é sua, meu amigo. Vou sentir falta de você em nossas saídas – falou Garret vestindo a própria camisa.

— pelo que eu vi com aqueles caçadores, eles podem ser muito úteis. Sendo um número pequeno ou não. Eles são sincronizados demais para um bando de ômegas. Nenhum dos nossos batalhões tem uma sincronia daquelas. Eles pareciam saber o que o outro iria fazer. Vocês viram a hora em que os gêmeos pararam o carro com o ombro e os outros dois passaram por debaixo do carro? Não é qualquer um que faz algo assim, Garret – argumentou Vernon encarando o loiro dar de ombros.

— pura sorte, Vernon. Fala como se não acontecesse com a gente também. Inclusive, chego a pensar que aquele ataque foi obra dele – disse o loiro vendo o negro lhe fitar surpreso.

— Garret! – repreendeu Derek, vendo o loiro erguer as mãos em rendição.

— olha, eu sei que ele é o seu noivo e que você já pediu para pararmos com esses pensamentos. Mas é impossível não fazer. Que humano não teria medo de levar um tiro? – perguntou o loiro vendo Jackson encarar o chão, pensativo.

— é verdade. Ele até sabia onde deveria ficar para ser baleado – disse o Whittemore vendo Derek lhe fitar com uma expressão nada boa.

— ele não tem medo nem de ficar perto dos meus pais, muito menos de ficar rodeado de lobos. Uma bala é mamão com açúcar – rebateu Derek encarando Garret rolar os olhos.

— isso é ridículo! – exclamou Vernon encarando os dois loiros suspirarem. Jackson um tanto desapontado e Garret irritado.

— use a cabeça direito, Boyd. Qual seria a chance desse humano conseguir entrar como alfa em um bando grande como o nosso se não fosse se casando com um futuro alfa? – indagou Garret vendo o negro negar com a cabeça.

— muito maiores do que as suas se continuar pensando desse jeito. Primeiro, o conde já é um alfa, um alfa de ômegas, mas é um alfa. Sem contar que ele não fica dando ordens, como se quisesse alcançar um grande cargo aqui dentro – ditou Vernon encarando o loiro rolar os olhos novamente.

— claro, porque, quando você quer dar um golpe, você tem que ficar deixando pistas e revelando o seu real objetivo – ironizou o loiro mais alto vendo o negro suspirar cansado, acariciando a própria face, como se reunisse forças para aturar aquilo.

— já chega, Garret. Eu não quero ouvir mais um pio sobre as suas teorias malucas contra o meu noivo. Não está só o desrespeitando, como também a mim e aos meus pais – Derek soou autoritário e irritado, encarando o amigo dar de ombros.

— tudo bem, tudo bem. Não está mais aqui quem falou – disse o loiro caminhando na direção da porta.

Derek suspirou cansado, voltando a se jogar sentado em sua cama. Ele não queria ter de falar assim com o amigo, muito menos o ameaçar. Mas, se encontrando na posição de noivo do conde, ele deveria o fazer. Ninguém em seu bando tinha o direito de acusar o rapaz daquele jeito, sem o mesmo ter feito nada. Ainda mais em sua frente.

— a gente sabe que está sendo tenso para você, cara. Mas tem mesmo que usar isso? Se me lembro bem, ele disse que você só deveria usar quando estivesse de acordo com a ideia de se casar com ele e não quando acontecesse alguma merda – argumentou Theo encarando o moreno de olhos verdes entortar os lábios.

— eu sei. Mas eu tenho que provar que eu estou realmente comprometido com ele, Theo. Do contrário, ele pode achar que eu realmente estava me envolvendo com a Braeden – explicou o Hale vendo o Raeken dar de ombros.

— se você está dizendo – murmurou o loiro antes de todos começarem a se retirar do local.

O grupo desceu as escadas, já se preparando para o café da manhã, mas parou assim que encontrou o Conde Stilinski, sentado em uma poltrona, enquanto a garota nova que ele trouxera estava sentada em outra, de frente para si. Os dois jogavam um jogo de tabuleiro que nenhum deles já havia visto antes.

Era um tabuleiro dividido em casas quadradas, como o tabuleiro de xadrez e dama, mas bem maior e no lugar do preto e branco que sempre se intercalava, estava um mapa da Inglaterra. Ao lado do tabuleiro havia uma caixinha de madeira, com desenhos de animais, cavaleiros e dragões. Dentro dessa caixa havia vários dados coloridos. Dois dados que possuíam várias cores estavam na área aberta da caixa, enquanto os outros dados estavam presos em compartimentos quadrados.

O Conde pegou dois dados de seis lados, cada um de uma cor, e os jogou dentro da caixa. Eles pararam para encarar o jogo estranho, enquanto Derek tentava se acalmar ao ver o humano. O resultado dos dados fora nove e Stiles levou sua mão para um boneco de madeira que estava localizado sobre uma área verde.

— como eu estou no pântano, eu só posso andar a metade do que eu tirei – disse o Conde pulando quatro casas na direção da garota, que parecia concentrada.

— minha vez! – exclamou tomando os mesmos dois dados na mão e jogando os mesmos.

— outra vez? Você é bem sortuda, não é? – questionou o homem ao ver as duas faces com o número seis voltadas para cima.

— agora eu posso colocar outro cavaleiro, não é? – perguntou olhando seis bonecos da cor branca ao seu lado e seis cubos coloridos ao lado destes.

— é, sim. Escolha o cavaleiro e a cor dele – disse o homem suavemente vendo a garota pegar uma mulher com um arco e um cubo vermelho.

— pronto. Agora eu posso jogar flechas de fogo em você! – exclamou animada colocando a boneca de madeira na frente de um outro boneco que estava em pé, com uma espada apoiada no chão.

— hm... então eu tenho que tomar cuidado com o pântano. Se você colocar fogo nele, eu vou perder um cavaleiro – disse o castanho vendo a garota sorrir animada.

— eu estou adorando esse jogo! – exclamou a ômega vendo o humano sorrir para si.

— eu não imaginei que fosse gostar tanto – comentou o Conde, erguendo o olhar para os lobos, enquanto sumia com o sorriso.

— e eu ainda não acabei. Eu vou usar o meu cavaleiro da água no seu cavaleiro da terra – disse a garota puxando um dado azul e entregando um marrom ao humano.

Heather estava completamente alheia a reação do sue alfa para com a presença daqueles jovens parados na escada, os observando jogar. O adolescente voltou o olhar para a garota, retornando a sorrir antes que a mesma percebesse a sua expressão séria.

A ômega e o humano jogaram os dois dados ao mesmo tempo. O dado azul ficou com o número quatro para cima, enquanto que o dado marrom ficou com o número cinco. Os dois levaram suas mãos para uma fileira de baralhos que havia ali ao lado. Heather puxou quatro cartas do baralho azul, enquanto Stiles puxava cinco cartas do baralho marrom.

— droga. Eu vou usar... – a garota murmurou após organizar as cartas nas mãos

— eu jogo uma onda em você – disse colocando a carta atrás do boneco com a face para cima, onde tinha uma onda desenhada.

— eu bloquei com o muro de terra – disse o adolescente repetindo o ato da garota.

— o que acontece? – perguntou a menina vendo o homem sorrir e levar a mão ao cavaleiro da garotinha.

— o muro de terra faz a sua onda voltar para você e então o seu cavaleiro tem que voltar uma casa – disse empurrando o boneco um quadrado para trás.

— e agora? – questionou a mais nova vendo o homem voltar a posição anterior: pernas cruzadas, queixo apoiado na mão e o outro cotovelo apoiado na coxa de cima, enquanto erguia as quatro cartas restantes na mão.

— tu podes me atacar até usar todas as cartas que tens em sua mão. E sempre que me atacar, eu posso me defender ou lhe atacar de volta – explicou o rapaz vendo a menina menear positivamente antes de encarar a própria mão, confusa.

— pense com cuidado. Se você perder um cavaleiro, você só pode recuperar a cor dele quando matar o meu cavaleiro que o matou – disse o conde vendo a garota coçar a cabeça, confusa.

— agora, retire a carta que acabou de usar e a coloque no lugar das cartas usadas – disse o homem vendo a garota obedecer.

— você tem que tirar a sua – disse a garota vendo o homem negar.

— o muro é uma carta que pode ficar no lugar, até que você o destrua. Ele só é destruído quando você ataca ele duas vezes, ou com uma carta que seja forte – disse apontando para o próprio personagem do jogo.

— vão logo comer – ordenou Talia e os lobos pularam assustados, dando espaço para a mulher, que estava parada atrás deles.

— vocês acordaram tarde. Se demorarem mais um pouco para comer, eu vou tirar a mesa. Aí vocês só vão poder comer no almoço – ditou a loba passando por eles e encarando a mesa de centro, confusa.

— o que é isso? – perguntou confusa vendo a garota lhe fitar animada.

— o alfa que me deu. A senhora sabia que ele é dono de uma fábrica de brinquedos? – respondeu a garota, animada.

— é mesmo? Eu não sabia – disse a mulher, atenciosa, se abaixando ao lado da garota.

— o que você tem que fazer? – inquiriu vendo a garota olhar para a própria mão.

— eu tenho que matar ele, antes que ele me mate – apontou para Stiles, antes de pegar uma carta na mão. Erica apareceu logo atrás de Talia, com um livro embaixo do braço.

— eu posso ver? – perguntou a Erica encarando as cartas na mão da garota.

— é difícil porque eu tenho que ler isso aqui – comentou a ômega apontando para o texto nas cartas. Talia olhou para o tabuleiro e para todos aqueles objetos, confusa.

— use essa – disse a loira trocando as cartas na mão da garota.

— por que? – perguntou vendo a mais velha apontar para o objeto em sua mão.

— aqui diz que essa destrói a carta que ele está usando. E como você já atacou uma vez. Isso vai destruir o muro dele e ainda vai atacar o cavaleiro que está atrás do muro – explicou a loira vendo a garota sorrir animada.

— Talia, quando o seu marido chegar, eu quero conversar com vocês dois – disse Stiles ao ver a garota colocar a carta no campo.

— eu uso nascente violenta! – exclamou, animada por se imaginar vencendo aquela rodada.

— é claro. O que quer falar conosco? – perguntou a mulher tentando disfarçar o nervosismo.

— É sobre o casamento. Eu uso buraco de coelho – disse Stiles substituindo a sua carta no campo.

— o que isso faz? – perguntou a menina, confusa.

— ele pode mudar o cavaleiro dele de lugar em até dezoito casas, negando o seu ataque – explicou Erica vendo a garota formar um bico nos lábios.

Derek e Talia engoliram em seco assim que o castanho disse que queria falar sobre o casamento. Os dois temiam que o casamento fosse cancelado. Derek até mesmo mordeu o lábio inferior quando Stiles lhe direcionou o olhar. Ele rezava para o conde mudar de ideia quando visse os brincos em suas orelhas, mas Stiles apenas abaixou o olhar para a própria mão.

— eu posso falar com você? – perguntou Derek vendo o castanho ignorar a sua imagem e levar a mão para os dados coloridos.

— depois que você tomar o seu café da manhã – ditou o Stilinski sorrindo ao ver dois seis para cima.

— Stiles, por favor – pediu Derek vendo o castanho posicionar mais um boneco no tabuleiro.

— eu disse depois que você tomar café – o humano alfa voltou a repetir, ainda sem encarar o noivo.

— vá, querido. Depois que você tomar café, vamos todos ter uma conversa – disse a mulher empurrando o filho na direção da sala de jantar.

Derek quase não comeu. Ele estava nervoso demais. Era a segunda vez que Stiles se esquivava de si. Aquilo lhe deixava frustrado e ele se sentia ainda mais culpado. Culpado por ter evitado o humano no começo, por não ter aceitado a porcaria de tarefa que os seus alfas lhe deram, por não ter sido mais forte nas mãos de Braeden.

O moreno de olhos verdes se dirigiu para a sala, assim que terminou a maçã que pegara na mesa, que fora a única coisa que ele ingeriu naquela manhã. Ele se via nervoso, pois pensava na probabilidade de o humano lhe der mais uma ordem para fugir de si, como ontem pela noite e hoje antes do seu desjejum.

Qual não foi a surpresa do moreno de olhos verdes ao encontrar Heather sem o Conde, lendo o pequeno manual do jogo? Ele encarou a garotinha lhe fitar rapidamente, antes de voltar a ler o manual. Derek perguntou sobre o conde, educadamente, e a garota lhe respondeu tão educada quanto, mas para Derek, aquelas palavras foram espadas.

— o meu alfa foi conversar com os seus – ditou a menina, calmamente, não notando o homem na entrada da sala empalidecer.

Ele havia ido conversar com os seus pais antes de deixar ele se explicar. Aquilo não poderia ser pior. E se Stiles cancelasse tudo, oficialmente, sem se quer lhe dar uma chance de diálogo, sem lhe ouvir, sem ao menos lhe avisar primeiro, não lhe dando chance de suplicar ao mesmo para que não cancelasse nada? O lobo se dirigiu para o escritório dos pais. Ele tinha que impedir aquilo.

— ele pediu para que ninguém interrompesse. Disse que a conversa que teriam era séria e que, se alguém os interrompesse, após ter sido avisado, iria sofrer nas mãos dele – a garotinha disse com calma e tranquilidade, fazendo o moreno de olhos verdes parar no corredor.

— ele disse isso? – perguntou Derek vendo a garota menear com a cabeça sem lhe encarar.

— é melhor se sentar, querido. Eu acho que isso pode demorar – ditou Cláudia, apontando o sofá para o homem mais novo.

— o que é isso em você? – perguntou Cora vendo o irmão se aproximar do sofá a passos lentos.

— Stiles me deu esses brincos de presente no dia em que nos conhecemos. Disse que eu deveria usar quando aceitasse a ideia de me casar com ele – respondeu Derek vendo a irmã mais nova menear positivamente, em compreensão.

A reunião não durou muito, pois assim que Derek se sentou no sofá, para tentar se acalmar um pouco, esperançoso de que o conde não fizesse nada muito intenso com o casamento, os seus pais surgiram no corredor, murmurando coisas e encarando o chão, pensativos.

— e então? – perguntou Peter, nervoso, encarando o casal olhar para todos ali reunidos.

— Derek, meu filho. O conde quer conversar com você – disse a alfa, inquieta, coçando o próprio ombro.

No mesmo instante o moreno de olhos verdes se ergueu. Ele caminhou na direção dos pais, receoso. Alexander entortou os lábios em um sorriso de contentamento e apertou o ombro do filho enquanto suspirava cansado. Derek negou com a cabeça, em um pedido mudo para que o pai não lhe dissesse o que ele achava que aquilo significava.

— não – murmurou temeroso vendo o pai morder o lábio inferior.

— não o deixe esperando, querido – disse Talia acariciando o braço do filho antes de empurrar o mesmo na direção do escritório da mansão.

Derek caminhou, tristonho, com o peito apertado em culpa. Ele passou a mão pelos cabelos, descrente, enquanto se preparava para abrir a porta. O beta não acreditava que o humano havia desfeito tudo. Aquilo não poderia estar acontecendo. Assim que abriu a porta, ele entrou devagar, encolhido em si mesmo, quieto, receoso. No momento em que fechou a porta, ele pôde ver o humano, parado próximo a janela, encarando todo o território Hale. O castanho se quer se virou para lhe encarar. Ele simplesmente lhe deu as costas e passou a caminhar na direção da mesa de seus pais. O humano se sentou na mesma, cruzou as pernas e ergueu a pedra de sua bengala para a encarar de perto.

— e então? O eu queria falar comigo? – perguntou o alfa humano vendo o lobo a sua frente respirar com dificuldade.

— eu não traí você – fora a primeira coisa que saiu dos lábios do moreno de olhos verdes.

Stiles bufou em desdém.

— eu falo a verdade. Pode perguntar para a sua beta, a Lydia. Eu não traí você. Por favor, não cancele o casamento – o homem desatou a falar rapidamente, desesperado, quase se embolando nas próprias palavras.

— e por que eu deveria fazer isso? Você jogou a minha honra e não deu valor ao meu compromisso para com você e o seu bando – ditou o humano, ainda sem lhe encarar, enquanto acariciava a pedra vermelha em seus dedos.

— Sti... – o lobo fora cortado.

— sabe, eu já aturei muita coisa nessa vida. Já fui traído muitas vezes. Mas se havia uma pessoa de quem eu não esperava traição, era de você – disse o castanho brincando com a bengala em sua mão, a girando com velocidade.

— por fa...

— meus pais morreram quando eu tinha só oito anos. Eu era uma criança rica. Então muita gente estava de olho em mim. Eu fui traído a minha vida toda desde então. Ninguém leva uma criança ou um adolescente a sério, até que ele se mostre do que é feito. Eu nunca esperei ter que forçar você a me levar a sério, Derek, mas ficou difícil me segurar ao ver você zombar de mim usando esses brincos após estar com o seu pênis na boca daquela loba – disse o humano vendo o Hale lhe fitar com os olhos arregalados.

— eu não estou zombando de você, Stiles – argumentou o lobo vendo o conde lhe fitar pela primeira vez.

— ah, não? Então porque só decidiu usar isso quando teve a certeza de que o casamento seria cancelado? – perguntou o humano se levantando em um salto.

— eu...

— sabe quantas pessoas queriam estar no seu lugar? Sabe quantas mulheres são jogadas no meu colo por seus pais, praticamente ditando “faça um filho com ela. Vamos! Me deixe rico”? Sabe quantos casamentos eu poderia ter por ano, apenas por ser quem eu sou? É claro que não. Mas eu neguei cada um. Neguei todas as mulheres, todos os corações que roubei e não correspondi a ninguém – disse o conde, indignado.

— eu... então por que aceitou a proposta dos meus pais? – perguntou Derek, tristonho, vendo o humano se afastar.

— porque eles me ofereceram algo que nenhum outro pai poderia me dar. E não, não é um bando, como os seus amigos e companheiros pensam. Eu estou pouco me fodendo para a posição que posso ganhar aqui. Eles poderiam me usar de operário para carregar madeira de construção, pedra para as paredes, para tirar leite das vacas, que eu não estaria me importando. Eu poderia muito bem ser só o humano que não é levado a sério, mas que mesmo assim era o alfa do próprio bando – respondeu Stiles encarando o vento entrar pela janela e bagunçar as folhas sobre a mesa.

— e o que seria? O que meus pais lhe ofereceram? – inquiriu o moreno de olhos verdes vendo o castanho de olhos da cor âmbar lhe fitar com seriedade.

— a paz. Eles me ofereceram paz. Nenhum pai me ofereceu um homem, Derek. Eu preciso disso, mas isso só é comum entre lobos. A rainha permitiu a sua união entre o mesmo sexo, e é apenas me casando com um homem que eu vou conseguir o que eu quero – ditou o conde apoiando a bengala no chão e encarando o Hale com seriedade no olhar.

— eu não entendi – murmurou envergonhado e com medo de o adolescente se irritar mais

— não irá entender até que a hora chegue. Mas por enquanto, você só precisa saber que mesmo com o que me fez, esse casamento vai continuar. Posso viver sabendo que se deitou com outra, e não vai ser uma qualquer que vai se colocar entre mim e a minha paz – disse o humano encarando o lobo lhe fitar surpreso.

— não vai cancelar o casamento? – perguntou Derek, aliviado.

— não dessa vez. A conversa que tive com os alfas do bando Hale fora justamente para os avisar do que eu vou lhe avisar agora. Essa foi a última pedra que a minha taça pode suportar. Coloque mais uma por cima, e a taça se quebra. E se a minha taça se quebrar, Derek... é melhor vocês terem a certeza de que a pessoa que colocou a última pedra esteja longe, para que não se corte – disse o humano se dirigindo para a porta do escritório.

— a conversa acabou – ditou com seriedade já erguendo a mão para a maçaneta da porta.

No mesmo instante Derek, usando de sua velocidade, avançou no humano, tentando o acolher em seus braços mais uma vez, como um meio de demonstrar o quão aliviado e contente ele estava. Porém, assim que alcançou o alfa humano, ele sentiu suas mãos serem golpeadas pela bengala do conde. Derek se afastou, confuso e assustado com a reação do humano. Aquilo doía e a expressão do humano não era das melhores.

— eu disse que o casamento ainda vai acontecer, mas esqueci de lhe alertar das regras desse casamento: Não poderás mais me tocar sem que eu o conceda – ditou o humano com autoridade na voz, surpreendendo Derek com suas palavras.

— Stiles, por favor. Não faça isso. Pode perguntar para a Lydia. Eu não lhe traí. Eu fui tentado por ela. Nós éramos namorados antes de meus pais lhe oferecerem a minha mão. Eu gostava dela, mas eu não a quero mais. O meu corpo responde ao toque dela, mas eu escolhi você – argumentou o lobo, desesperado.

— eu sei que você não me traiu – disse o humano surpreendendo Derek.

— você sabia? – perguntou o Hale, espantado.

— é, eu sabia. Não foi difícil ligar os pontos, Derek. Ficou claro depois que pensei por um tempo, e Lydia apenas me confirmou tudo. Quando eu os vi, ela foi a única que não parecia surpresa com o encontro. Mas mesmo não tendo me traído, você feriu o meu orgulho ao se deixar ser manuseado por ela ao ponto de ter o seu pau retirado de sua calça e sugado por ela. E isso eu não vou perdoar fácil, Derek. Eu me sinto enojado só de me lembrar de ter presenciado isso. Então, sim, você não pode me tocar sem o meu consentimento – ditou o humano se retirando do escritório, deixando o lobo atordoado por um tempo, antes de o mesmo lhe seguir.

Derek sentiu o impacto das palavras do conde em sua consciência. A palavra “enojado” ecoava em sua mente, fazendo o seu peito se apertar ainda mais com a culpa que o corroía.

— eu posso ao menos ficar próximo a você? – perguntou Derek vendo o humano sorrir nasalado.

— você que sabe. Não é como se isso fosse mudar algo, de todo jeito – respondeu o humano adentrando a sala, com seriedade, mas sorrindo assim que Heather sorriu ao lhe ver chegar.

— vamos conti...

A garota fora interrompida de falar quando as portas da mansão foram abertas bruscamente. Todos olharam para a mesma, esperando que quem quer que fosse passasse pelas portas da mansão. Derek engoliu em seco ao ver Braeden adentrar a mansão com uma expressão de poucos amigos e as garras do lado de fora, enquanto caminhava com um ar de onipotência.

Os alfas e comandantes do bando Hale e até mesmo Boyd rosnaram para a presença da loba ali. Stiles sorriu divertido, enquanto um misto de surpresa e alegria surgiam em sua face. Os ômegas rosnaram para a loba, que tremeu com tantos rosnados sendo direcionados para si. No entanto, ela não perdeu a pose. Sabia o que queria fazer ali e ninguém a impediria.

— eu já aturei isso por tempo demais – ditou a loba encarando o humano com seriedade.

— mas é muita audácia – rosnou Cláudia se preparando para avançar na mulher, mas a pedra vermelha tocando seus seios a parou.

— e eu já lhe esperei por tempo demais – disse Stiles atravessando todos aqueles lobos e ômegas, parando a frente da mulher.

— por acaso sabe o que eu faço aqui? – indagou Braeden olhando para o humano por sobre o nariz.

— é claro que eu sei! Estou surpreso que não tenha vindo o fazer assim que nos entregou aquele doce, que por sinal fiz questão de comer ele primeiro – respondeu o humano vendo a loba lhe fitar surpresa.

— vamos! Segundo as leis lupinas, você tem que fazer isso em alto e bom tom, diante dos seus alfas, dos comandantes, da minha pessoa e do meu noivo – disse Stiles, sorrindo vitorioso para a expressão de surpresa da loba, que fora logo tomada por uma expressão furiosa.

— Braeden – reprendeu Derek, lançando um olhar para a mulher que indicava o quanto ele implorava em silêncio para que ela parasse bem ali.

— continue – ordenou Stiles, tomando um sorriso vitorioso e animado nos lábios.

— Conde Stiles Stilinski, eu desafio você para o duelo sagrado.